Mandato Cidadão, na Era Virtual - Parte I
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Já vimos acima que o primeiro passo na revolução operária
é a elevação do proletariado à condição de classe dominante,
a conquista da democracia.1
Cada palavra de ordem particular
deve derivar
do conjunto de peculiaridades
de uma determinada situação política.2
Toda palavra de ordem particular
deve ser deduzida da totalidade
de características específicas
de uma situação política definida. 3
Se o mundo ficar pesado
Eu vou pedir emprestado
A palavra poesia
Se o mundo emburrecer
Eu vou rezar pra chover
Palavra sabedoria
Se o mundo andar pra trás
Vou escrever num cartaz
A palavra rebeldia
Se a gente desanimar
Eu vou colher no pomar
A palavra teimosia
Se acontecer afinal
De entrar em nosso quintal
A palavra tirania
Pegue o tambor e o ganzá
Vamos pra rua gritar
A palavra utopia4
Claudio Antunes Boucinha5
Nós e os outros
Existem questões que devem ser abordadas como um dever moral, desde o princípio. Não vou discutir se isso implica num discurso sobre a identidade: nós, brasileiros, brancos ou negros, gaúchos, paulistas, capixabas, homens, mulheres, lgbtqqicapf2k+ 6 professores, ou alunos, pobres ou ricos. O lugar do discurso é importante, mas não diz tudo, pois existem outras interrogações anteriores. Nessa discussão sobre identidade, quem tem a legitimidade para falar?
Quando se fala em eu, do que se está falando? Geralmente esse eu é traduzido como desejo, sofrimento, alegria, estudo, família, parentes, antepassados; mas existe também os outros, os amigos, os colegas, os conhecidos, os desconhecidos, que formam outro círculo. Dentro de uma paisagem, de animais e plantas, que se expandem numa ecologia profunda.
Existe ainda o campo dos sonhos, em que as figuras mitológicas, as paisagens terrenas e de outros mundos, sem falar no espaço que não tem fim, compõem um quadro que ainda não foi explorado; seja em dimensões gigantes, ou dos pigmeus, duendes, gnomos, em direção as dimensões corpusculares; algumas, ainda não descritas pela humanidade. É uma mistura entre sonho e matéria; numa imagem que se aproxima do que se descreve como caos.
Quando se fala em democracia, ou seja, o poder do povo, do cidadão, da sociedade, e não de uma minoria, é uma tentativa, bastante humana, de tentar organizar este caos em benefício de todos, em tese. Pode-se organizar todos esses eus, com todo o seu imaginário, para que possa haver mais justiça na Terra? Veja-se que, nesse aparente caos, a ideia é colocar um pouquinho de lucidez. É possível pensar a Terra, não como exploração sem fim, como pensa o capitalismo, mas um lugar que se pode viver prazerosamente, de forma coletiva, em que, embora todas as diferenças, consideradas naturais ou não, possam ser motivo de evolução, de desenvolvimento pessoal? A democracia, aqui, adquire um contorno de utopia. A diferença, é a participação do cidadão virtuoso, que, numa discussão sobre o que é justo ou o que não é, possa haver mais equidade, diminuição da desigualdade, uma catarse sobre o que é ser consciente e o que não é. A centralidade de tudo isso é a política, que pode mediar todas essas diferenças pessoais, coletivas, com o aprofundamento da democracia como valor universal.
O que é ser de Esquerda ou a necessária derrocada do Marxismo Vulgar
A questão do marxismo vulgar precisa ser melhor delineada. Não se trata somente de observar a redutibilidade que foi feita do marxismo, especialmente no período stalinista.
Vive-se um período de degeneração do marxismo que revela um divórcio entre teoria e prática, entre o marxismo clássico (Marx, Engels, Kautsky, Plekhanov, Lênin, Rosa Luxemburgo, Trotski) e o marxismo vulgar (reformistas, stalinistas, Kruschevistas, etc.). Deutscher compara o contraste entre “marxismo clássico” e “marxismo vulgar” com o da “economia política burguesa clássica” e a “economia política burguesa vulgar”. David Ricardo, o último representante da economia clássica, elaborou a teoria do valor-trabalho e com isso contribuiu com a compreensão do funcionamento do sistema capitalista. A economia vulgar refuta tal teoria e, mais recentemente, a descarta como sendo irrelevante. A compreensão do capitalismo proporcionada pela obra de David Ricardo excedia as necessidades práticas da burguesia. Deutscher, retomando Rosa Luxemburgo, diz que o marxismo clássico representa uma compreensão tão rica da realidade que ultrapassa as necessidades práticas da classe trabalhadora. Por isso, ocorreu a vulgarização do marxismo. Foram as necessidades práticas do movimento dos trabalhadores que levou à deformação de algumas teses do marxismo, tal como na substituição do internacionalismo proletário pelo “socialismo num só país”. O essencial do marxismo clássico, segundo Deutscher, continua válido. (…) A posição de Deutscher é muito menos consistente. O divórcio entre teoria e prática, revelado pela degeneração do marxismo clássico (no qual ele inclui, curiosamente, Kautsky e Plekhanov, além, como era de se esperar por parte dele, Lênin e Trotski), teria como causa a vulgarização do marxismo. E o que provoca a vulgarização do marxismo? O fato de o marxismo clássico oferecer uma compreensão tão rica da realidade que ultrapassa as necessidades práticas da classe operária. (…) A negação da crítica humanista serve para justificar a concepção de socialismo que Marx denominou nos Manuscritos de “comunismo vulgar”. A crítica humanista nega tanto o pseudossocialismo pequeno-burguês que se baseia na distribuição de propriedade ou de renda, expressando a “inveja universal”, quanto o pseudossocialismo estatal que se baseia na transformação de todas as pessoas em assalariados submetidos ao capital incorporado na comunidade como “capitalista abstrato” (Marx, 1983). Em outras palavras, a crítica humanista é dos elementos do marxismo que serve para refutar o pseudossocialismo, tanto o pequeno burguês, presente, por exemplo, nas correntes reformistas (social-democracia), e em propostas específicas como a da reforma agrária, quanto no estatal, expressão dos interesses de classe da burocracia e que se revela no capitalismo de estado seu modelo exemplar (cuja experiência histórica teve na URSS, Leste Europeu, China, Cuba, etc., enquanto formas de manifestação). (…) A obra de Karel Kosik, intitulada Dialética do Concreto, não se inclui entre as obras simplistas e vulgares a respeito do método dialético. Kosik apresenta teses sugestivas e recupera elementos essenciais da teoria marxista, sendo, portanto uma contribuição importante ao desenvolvimento desta teoria e isto talvez justifique que alguns o coloque ao nível de Gramsci e Lukács, tidos em alta conta por estes mesmos leitores de Kosik. Entretanto, isto não deve obscurecer o fato de que a obra de Kosik é uma importante contribuição ao marxismo não tanto pelas respostas que fornece, mas pelos problemas que coloca. 7
É preciso compreender como foi originada a teoria marxista, a sua ontologia, a sua criação, a sua estruturação, considerando a filosofia geral. Marx não criou a partir do nada, mas a partir de um processo de criação que envolveu os instrumentos disponíveis de sua época. Não se trata de endeusar, de transformar em mito, os ler os escritos de Marx como uma bíblia. Mas o fato é que, para se compreender historicamente o capitalismo, é preciso usar o marxismo como um paradigma, como um instrumento à disposição, para a devida leitura da realidade. Não se trata de aplicar a teoria marxista, de forma indiscriminada. Nem negar críticas ao modelo marxista, historicamente observadas; seria a negação do próprio marxismo. Mas isso não é tudo. É preciso procurar as relações entre Hegel e Marx.
A grande questão que precisa ser enfrentada, é a questão do Estado. Pode-se prescindir do Estado, e buscar soluções comunitárias isoladas, muito próximos da vida tribal, e esquecer as disputas dentro do Estado, visto que as experiências do socialismo real descambaram para o totalitarismo e a negação da democracia como valor universal? O Estado, na época de Marx, caracterizado como comitê da burguesia, é o mesmo da atualidade? Por outro lado, Marx era economicista?
Os anarquistas veem que o capitalismo plutocrático é baseado no estado ou em alguma forma de coerção, isto é, nos privilégios concedidos pelo poder político, enquanto para os marxistas o capitalismo é um fenômeno econômico e não político.
[Trecho do ensaio teorias austríacas e marxistas do capital monopolista. Uma síntese mutualista, de Kevin Carson. Tradução própria do texto original:
'Engels deixou claro que o capital tem prioridade sobre o estado na sequência de causa e efeito, e traçou a linha divisória entre marxistas e anarquistas nessa questão. Em uma carta de 4 de setembro de 1867, Engels resumiu apropriadamente a diferença entre anarquistas e socialistas de estado: 'Eles dizem 'abolir o estado e o capital irá para o diabo.' Propomos o contrário’'.
[Marx e Engels, Selected Correspondence 1846-95 (New York, 1942), citado em Patrick Renshaw, The Wobblies (Garden City, NY: Anchor Books, 1967), p. 18].
Engels estava certo ao traçar o limite. Como os liberais clássicos, os socialistas libertários
(incluindo '‘laissez-fairists’' como Benjamin Tucker e coletivistas como Bakunin)
viam a exploração como impossível sem o poder do estado de coagir. As classes dominantes só podiam funcionar por meio do estado’'.
'Engels deixou claro que o capital tinha uma prioridade mais alta do que o estado na sequência de causa e efeito e traçou a linha entre marxistas e anarquistas nesta questão. Em uma carta de 4 de setembro de 1867, Engels resumiu convenientemente a diferença entre anarquistas e socialistas de estado:
'Eles dizem 'abolir o estado e o capital irá para o inferno’'. Propomos fazer o contrário’'. Engels foi muito bem-sucedido em traçar os limites de sua atuação. Como os liberais clássicos, os socialistas libertários
(incluindo laissez-fairists como Benjamin Tucker e coletivistas como Bakunin)
viam a exploração como impossível sem o poder de um estado de aplicar coerção. As classes dominantes só funcionam por meio do estado'. Kevin Carson, Austrian and Marxist Theories of Monopoly Capital. Uma síntese mutualística.
(…)
Em 1847, Marx escreveu The Misery of Philosophy em que criticava Proudhon e iniciava o conflito entre duas correntes de trabalho que começavam a se definir na Primeira Internacional e cuja divisão, continua até hoje. A principal discordância era que para Proudhon e Mikhail Bakunin, outro teórico anarquista, a revolução seria impossível sem a abolição imediata do estado, enquanto para Marx e Engels, o estado poderia ser uma parte instrumental do processo revolucionário. E enquanto Proudhon e Bakunin rejeitaram qualquer processo autoritário na revolução, Marx e Engels não o fizeram. 8
Considerando Hegel e sua concepção de Estado, até onde Marx compreendia a superação do Estado como superação da alienação, já que o Estado, na visão de Marx, não estava acima das classes, neutro, imparcial, mas atuante de acordo com os interesses privados de grupos econômicos? Até onde o Estado de transição foi uma concessão a própria política do movimento operário e um colocar de lado a própria filosofia? Até onde a ideia de um cidadão abstrato, em permanente conselho, sem a presença do Estado, estaria na mente de Marx? Até onde, nesta suposta ausência de liderança ou de hierarquias, ou hierarquias flutuantes, semelhante as realidades das comunidades ditas primitivas, sociedades supostamente sem história, podem viger em sociedades mais complexas?
As experiências de vida alternativa existem desde que se discutiram as ideias dos socialistas utópicos. E antes, outras utopias, inclusive a utopia cristã. Ao par de valorizar essas experiências, que foram inspiração para Marx, inclusive a vida comunitária dos supostos bárbaros, povos originários germânicos, elas não vão ao centro da questão do Estado, fato não esgotado por Marx, em seu tempo. A ideia, por exemplo, que o Estado perderia sua finalidade, na utopia construída por Marx, numa clara concessão aos anarquistas, não se configurou. Veja-se que, um dos nortes que seguiu Marx, foi o de cidadania abstrata, de Rousseau.
Sabe-se que Marx teve pouca simpatia por certos anarquistas, mas geralmente ignora-se que compartilhou com eles seu ideal e seu objetivo: o desaparecimento do Estado.
(…)
Estes dois escritos são, na verdade, um único manifesto com o qual Marx indica, de uma vez por todas, e condena sem reservas, as duas instituições sociais que ele considerava estarem na origem dos males e das taras de que padece a sociedade moderna e de que padecerá até que uma revolução social consiga aboli-las: o Estado e o dinheiro9.
(…)
Tendo percebido o papel revolucionário da democracia e do poder legislativo na gênesis do Estado burguês e de seu sistema de governo, Marx aproveitou as análises brilhantes de um Aléxis de Tocqueville e de um Thomas Hamilton (1979), ambos observadores perspicazes da potencialidade revolucionária da democracia americana, (…).
O equívoco do século, que é o marxismo como ideologia do Estado, nasceu de tal lacuna, lacuna esta que permitiu que os donos de um aparato estatal batizado de socialista incluíssem Marx entre os adeptos de um socialismo ou de um comunismo de Estado, se não diretamente de um socialismo “autoritário”. (…) Por isso, sem limitar-se à crítica da emancipação política – que reduz o homem ao estado de mônada egoísta e de cidadão abstrato – define-lhe sejam os fins a serem alcançados sejam os meios necessários para isso:
“Só quando o homem real, individual, resgata em si o cidadão abstrato e como homem individual, na sua vida empírica, no seu trabalho individual, na sua relação individual torna-se ser genérico; só quando o homem reconhece e organiza suas '‘forças próprias’' como forças sociais, e por isso não dilui mais sua força social sob a forma de poder político, só então a emancipação humana se realiza”. (Sobre a questão judaica, 1844). [Ver MARX (1982, p.143-144)].
(…)
Partindo de O contrato social de Rousseau, teórico do cidadão abstrato e precursor de Hegel, Marx encontrou seu próprio caminho.
(…)
Eis, portanto, os onze temas inseridos por Marx em apontamentos usados durantes os anos de 1844-47 (não foi possível determinar a data precisa): I - História da gênesis do Estado moderno, ou seja, a Revolução Francesa. A arrogância do político (des politischen Wesens): confusão com o Estado antigo. Relação dos revolucionários com a sociedade burguesa. Separação de todos os elementos em burgueses e cidadãos (bürgerliche und Staatswesen). II - A proclamação dos direitos do homem e a constituição do Estado. A liberdade individual e a força pública. Liberdade, igualdade e unidade. A soberania popular. III – O Estado e a sociedade civil. IV – O Estado representativo e a Constituição. O Estado representativo constitucional, o Estado representativo democrático. V - A separação dos poderes. Poder legislativo e poder executivo. VI – O poder legislativo e o corpo legislativo. Clubes políticos. VII – O poder executivo. Centralização e hierarquia. Centralização e civilismo político. Sistema federal e industrialismo. A administração pública e a administração comunal. VIII- O poder judiciário e o direito. IX - A nacionalidade e o povo. X - Os partidos políticos. XI - O direito do sufrágio, a luta pela abolição (Aufhebung) do Estado e da sociedade burguesa.[Cf. Marx-Engels-Obras, Berlin, (República Democrática Alemã), vol. III, p. 537. Os itens de VIII a XI são indicados com 8 ́, 8 ́ ́, 9 ́e 9 ́ ́]. 10
No caso do socialismo real, a questão do Estado como um ciclo provisório, só levou a consolidação de um governo ditatorial, que promoveu todo tipo de crimes. No caso da economia, o socialismo real não conseguiu ultrapassar os marcos de um capitalismo de novo tipo; os marcos do capitalismo jamais foram ultrapassados. Veja-se que o comunismo, nesta versão de Marx, era a superação do capitalismo.
Mas, também por isso mesmo, pode-se avaliar a contribuição da tese sustentada por Marx segundo a qual, o que provoca as mudanças na sociedade e as transformações sociais não são nem as ideias revolucionárias e nem os princípios morais, mas a força humana e material; ideia e ideologia servem sobretudo para mascarar os interesses da classe a favor da qual são realizadas as transformações. O marxismo político não pode reivindicar a ciência de Marx e, ao mesmo tempo, esquivar-se da análise crítica com a qual ele se armou para desmascarar a ideologia da força e da exploração. 11
Em outras palavras,
Em outras palavras, a formação de um estado gigantesco na sociedade capitalista cria a aparência de que ele é autônomo. Essa aparência provoca o surgimento de uma ciência específica, a ciência política, que irá sistematizá-la sob a forma de uma ideologia. Na verdade, o estado possui uma autonomia relativa, mas ele é determinado pelo modo de produção e é inseparável deste. No mundo da ideologia, que se caracteriza pela sistematização da falsa consciência (que se limita a ver a aparência), o estado torna-se autônomo e independente do modo de produção. 12
Não há nenhuma autonomia real, mas virtual; no final, é o economicismo, a caricatura; e a própria teoria marxista, uma ideologia entre outras.
Em síntese, a consciência coisificada da divisão social do trabalho produz uma divisão do trabalho intelectual em diversas ciências que sistematizam essa consciência coisificada sob cada aspecto particular da realidade social. Daí ser possível separar a economia da política, falar em determinismo “econômico”, “geográfico”, etc., falar de aspectos “sociológicos”, “antropológicos”, “históricos”, etc. Enfim, a divisão capitalista do trabalho intelectual cria armaduras ideológicas sob as quais os intelectuais passam a ver o mundo e estas se chamam ciências humanas (Viana, 2007). 13
Pega-se um só exemplo, entre os sugeridos, a ciência histórica, vista como pura ideologia, inventada por intelectuais. Aqui, a postura de negação da cientificidade da História.
A concepção anticientificista da História proposta por Paul Veyne no célebre ensaio de 1971 trazia a marca da influência foucaultiana: a história aparecia aqui referenciada, pela primeira vez em uma formulação mais explícita, como um gênero literário que, se produzia explicações, isto não tinha nada a ver com cientificidade, mas apenas com a maneira específica que a narrativa histórica tinha para se organizar em uma “intriga compreensível”. 14
Conhece apenas aqueles fragmentos do real dos quais uma Ideia atesta que o trabalho de sua verdade está em curso.15
Volta-se, como sempre, ao marxismo vulgar, a caricatura.
Portanto, para o marxismo, a transformação social é produto da luta de classes e não de nenhuma dicotomia entre “estrutura” e “sujeito”, entre “desenvolvimento das forças produtivas” e “ação operária”, pois, de acordo com o seu ponto de vista, estas distinções nem sequer existem. 16
O grande problema é o desenvolvimento do pensamento marxista na América Latina. Sabe-se o quanto foi tardo o debate sobre marxismo em terras brasileiras. Continuam as mesmas fraquezas?
O fato é que os estudos marxistas sobre o desenvolvimento econômico sofreram pouca influência da pesquisa histórica inspirada no marxismo por uma razão trivial: o florescimento relativamente tardio do marxismo histórico no Brasil. 17
O marxismo aportou tardiamente no Brasil. 18
Umas das razões dessa carência teórica seria o exclusivismo do partido comunista do Brasil, posteriormente partido comunista brasileiro, sobre o tema?
Com os intelectuais eu podia falar de Gramsci, mas para participar das reuniões do comitê provincial do partido comunista, devia tomar o cuidado de recobrir a capa de seus livros para evitar admoestações, como aquela ouvida do responsável pela questão agrária do partido, de que era melhor ler as obras da Academia de Ciências da URSS do que esse tipo de livros, escritos por pessoas situadas na "fronteira". 19
Ou a explicação ainda permaneceria nos marcos do marxismo vulgar, a falta de desenvolvimento do capitalismo?
Não é mero acaso, assim, que a América Latina tenha tido que esperar um longo período para que certas condições propícias amadurecessem e tornassem possível um encontro entre o subcontinente e o marxismo. Mas mesmo depois que esse encontro se consumou, nas obras de Mariátegui e Caio Prado Jr., ele não produziu, até recentemente, frutos duradouros, tendo assumido mais o caráter de episódio fortuito do que de desenvolvimento consolidado. 20
A circulação de livros de teoria marxista, no mercado editorial, foi ou estabeleceu algum tipo de impedimento para a comunicação atualizada dos grandes debates que envolveram o marxismo, especialmente na Europa?
A visão do marxismo, como evolucionismo, é uma das vertentes que precisa ser enfrentada, porque acaba com qualquer subjetividade.
Para Mao Tse-Tung, “a lei da contradição inerente às coisas, aos fenômenos, ou a lei da unidade dos contrários, é a lei fundamental da dialética” (Mao Tse-Tung, 1979, p. 17). Mao opõe esta concepção de mundo à concepção metafísica, que considera o mundo como algo imutável ou, quando reconhece a mudança, cai no “evolucionismo vulgar”, que considera a mudança como resultado de causas externas e se caracterizando por um mero aumento ou diminuições quantitativas. Mao Tse-Tung não cita nenhum pensador que defenda tal posição e assim observamos uma generalização abstrata e metafísica que precisa ser explicada. Voltaremos a isto mais adiante.21
Nesse contexto, de certa forma, o capitalismo é naturalizado, quando, o que se pretende, é exatamente o contrário.
Para Marx o movimento de superação dialética se dá na relação entre as coisas, entre as partes que constituem o todo da realidade apreendida em sua história. Não há uma origem humana do homem e nem um destino, menos ainda um destino sobre-humano - um fim no futuro – não há finalidade - ditada de fora da relação entre as coisas e entre os homens, que se relacionam entre si através das coisas, ou seja, como forças produtivas e em suas relações de produção. Para Marx o homem é o responsável por sua história, e somente ele. Não há uma força estranha, externa, transcendente, determinando o ontem, o hoje, ou o amanhã de cada individuo e de toda a humanidade. O movimento da história, como superação das contradições, tem como fio condutor o mesmo princípio estabelecido por Darwin (1809 -1882). E é Darwin, melhor do que qualquer outro, quem nos ensina que a natureza se desenvolve de acordo com suas próprias leis e as leis da natureza estão nela mesma. Em Marx aprendemos que, na história, as contradições seguem suas leis de natureza, às quais a vontade e a intervenção humana não se sobrepõem, senão que nelas estão contidas, simplesmente. 22
O problema, é bem verdade, não nascia naquele momento; sabe-se que Marx e Engels, em escritos anteriores, haviam adotado posturas simpáticas ao colonialismo, o qual era encarado por eles como promovedor do progresso em zonas de “povos sem história”. Essa postura, típica do evolucionismo comum a várias filosofias da história do século XIX, seria revisada pelos autores – e o debate com os militantes russos pode ser tomado como momento decisivo nesse processo, com a carta de Marx ao conselho editorial Otechestennye Zapiski (1877) constituindo o seu momento inicial.
(…)
Em sua resposta, Marx contrariaria o evolucionismo contido em O capital e passaria a adotar uma posição próxima à defendida pelos populistas russos, os quais advogavam que as comunas rurais russas poderiam ser ferramentas importantes para uma revolução socialista em seu país. Em poucas palavras: Shanin argumenta que Marx se posicionou contra seus pretensos discípulos russos, então adeptos do etapismo/evolucionismo que afirmava a necessidade de que a Rússia fizesse uma transição ao capitalismo antes da revolução socialista.
(…)
Salvo melhor entendimento, Sayer e Corrigan parecem discordar de Shanin e Wada ao sugerirem que Marx, apesar de utilizar, por vezes, um vocabulário evolucionista “vulgar” durante as décadas de 1850 e 1960, já tinha inscrito na sua forma de pensar uma forma antievolucionista. Assim, a continuidade entre o Marx desse período e aquele dos anos 1870 e 1880 residiria, fundamentalmente, no desenvolvimento dessa forma antievolucionista. 23
Há uma negação absurda da influência de Hegel sobre Marx, em nome de uma falsidade, num total desprezo para com o idealismo ou qualquer outra teoria considerada “impura”, que macule as ideias supostamente originais de Marx.
No entanto, Arico rejeita a estrutura eurocêntrica que Marx havia recuperado de Hegel, a saber, aquela da repetição histórica.[José Aricó, Marx y America Latina (Buenos Aires: Catalogos, 1982), p. 98]. Marx acreditava que todas as nações, mesmo em suas formas específicas, estivessem condenadas a repetir o mesmo desenvolvimento econômico em direção a formas capitalistas através de fases intermediárias. Hegel havia previsto a realização do 'reino da liberdade' como o fim último do desenvolvimento da história humana. Porém, não sendo um estudioso da realidade empírica da mesma estatura de Marx, Hegel permanece no genérico, enquanto Marx enfrenta o estudo sistemático da história, da economia e da sociedade europeia, sem ignorar também a história não-européia, particularmente a latino-americana, que conhecia em maior profundidade do que Gramsci. Mas, ao adotar o esquema hegeliano, segundo o qual a América era um espaço completamente 'vazio' - isto é, sem espírito - Marx retoma a definição hegeliana de "nações sem história" a propósito da realidade geográfica extraeuropeia, [José Aricó, Marx y America Latina (Buenos Aires: Catalogos, 1982), pp. 78-79] extensível também à América Latina. 24
Veja-se que a própria intelectualidade brasileira, não quis ou não se apropriou do pensamento de Marx, preferindo ouvir vozes de terceiros. A crítica que se fez de Marx, sempre foi indireta, de segunda mão. É como ler em notícias em jornais da Europa ou se fixar em notas de pé de página.
Karl Marx, na sua Crítica da Economia Política, formulou a dialética histórica nestes termos: O modo de produção na vida material determina o caráter geral dos processos da vida social, política e espiritual. Não é a consciência do homem que determina sua existência, mas, ao contrário, sua existência social que determina sua consciência (Karl Marx, A contribution to the critique of political economy, Chicago, Charles A. Kerr and Co., s. d., 11-12). E já anteriormente, em 1847, na Miséria da Filosofia, Marx declarara que o moinho de mão dera como resultado uma sociedade de gênero feudal e o moinho a vapor uma sociedade capitalista-industrial (Karl Marx, Misere de la philosophie, Réponse a la philosophie de la misere de M. Proudhon, Paris, M. Giard, 1922, 125). Esta tese deve ser considerada como uma hipótese de interpretação teórica, um método de trabalho, e assim inteiramente afastada da profecia revolucionária, da teoria do fatalmente necessário, que nos diz que o desenvolvimento econômico conduzirá, necessariamente, a uma organização econômica e jurídica socialista. Esta última se toma não uma fundamentação de ordem optativa, mas de fatalidade histórica, de transição da fase utópica para a fase científica da sociedade. Pelo fato da hipótese de trabalho e do socialismo, como programa político partidário, terem nascido da mesma cabeça, foi fácil ligar a hipótese ao programa. Este é um ponto que se torna da maior importância prática e cujas trágicas dificuldades hoje verificamos. A fatalidade e a inevitabilidade do programa dão ao segundo ponto um caráter de lei, e sabemos a precariedade de tais tentativas. Se o historiador pode aceitar a interpretação econômica como uma hipótese de trabalho - e no capítulo final tratamos desse aspecto - não pode, pelo menos em sua atividade profissional, iludir-se quanto à segunda parte, que é prognose, verbo, profecia e programa (G. Radbruch25, Filosofia do Direito, S. Paulo, 1934, 34). Um é uma teoria do que foi, outro do que deve ser; um é teleológico, outro descritivo, e como tal divergem. Sua estreita correlação é de grande importância para o efeito prático agitador, como concepção do mundo de um partido revolucionário, mas de menor importância para as simples tarefas e métodos históricos, que são os únicos que aqui nos interessam. Por mais paradoxal que pareça, aplicando-se o marxismo ao marxismo, a concepção da história de Marx é, ela própria, uma superestrutura ideológica das condições de sua época (Salo Baron26, A social and religious history of the Jews, New York. Golumbia University Press, 1937, vol. 3, 129). 27
Há algo de entediante e de estéril, em tudo isso? Talvez uma das razões seja o modo como a teoria marxista foi incorporada no país, de maneira secundária, periférica, uma teoria entre outras teorias, o que denota, novamente, a nossa pouca capacidade teórica, embora as citações e mais citações presentes em grandes trabalhos acadêmicos. Em síntese, as teorias de Marx estariam esgotadas, não teriam mais serventia, como parte de um museu? A crítica que fez do capitalismo, não teria mais sentido?
Gildo Marçal Brandão cita Hegel, recorre a seus conceitos, prolonga-os até o sistema categorial marxista, mas evita assumir compromisso filosófico restritivo. Sua linguagem, no entanto, não deixa margem a dúvidas: lá estão, em toda sua complexidade e não como simples peça de retórica, o movimento dialético e suas mediações, que se desdobram e se articulam nos momentos produtivos e reveladores do todo, da totalidade histórica, e em sua síntese gnoseológica. Graças à linguagem de Hegel, Gildo escapa das armadilhas do marxismo, com suas entediantes e estéreis disputas escolásticas sobre determinação e autonomia. Graças às categorias marxistas e gramscianas, Gildo evita o evolucionismo idealista hegeliano, em cujos termos a história reduz-se à antecipação racional do fim ou à realização da razão. Essa flexibilidade pode lhe ser creditada ao invés de debitada sob o estigma "ecletismo" como solução engenhosa para combinar as noções (todas úteis e, por vezes, indispensáveis) de progresso, contradição, imprevisibilidade ou incerteza, indeterminação, recuos, saltos, processos não lineares, autonomia da agência humana e condicionamentos restritivos, acaso e necessidade, contingência e reprodução estrutural. A sensibilidade analítica capaz de acompanhar os movimentos do objeto, na medida em que o constrói, exige essa ampla disponibilidade para reter, dos processos sociais, as mais surpreendentes manifestações de autonomia tanto de agentes quanto de níveis estruturais, assim como os momentos de determinação mais restritivos. A combinação plástica produz uma linguagem conceitual unívoca, coordenada pela abertura radicalmente antidogmática à positividade do processo histórico, em suas múltiplas esferas, analiticamente distinguíveis. Por isso mesmo, o estudo da política, na obra de Gildo Brandão, alcança o nível superior e sintético dos estudos sociais, porque articula dicções disciplinares diversas, paradigmas teóricos diferentes e matrizes metodológicas distintas. O resultado condensa a erudição do autor com a sofisticação, plena de nuances, de suas reflexões. Nada mais distante da salada inconseqüente com que, algumas vezes, o trabalho trans, inter ou multidisciplinar é confundido. 28
Então, é natural que se chegue a seguinte conclusão:
Neste sentido, a tese de A. Heller (e também a dicotomia entre “estrutura” e “sujeito” vista por P. Anderson) é totalmente equivocada. Não é, pois, no pensamento marxista e em suas possíveis antinomias que se encontra a causa da “crise do marxismo29.
Para Agnes Heller, a crise do marxismo é produto das antinomias do pensamento de Marx. Segundo ela: “Com efeito, o sistema de Marx contém uma contradição particular: por um lado, Marx construiu filosoficamente o sujeito da revolução, ou seja, formulou a hipótese de uma classe que, necessariamente, enquanto classe, através de um processo revolucionário, liberta toda a humanidade. Por outro lado, descreveu a sociedade capitalista de modo a demonstrar que também as leis econômicas conduzem necessariamente a uma revolução histórico-social” (Heller, 1982, p. 13). O pensamento marxista posterior reproduziria esta contradição: Bernstein privilegiaria as leis objetivas da sociedade capitalista enquanto que G. Sorel colocaria a ênfase no mito da classe revolucionária. Rosa Luxemburgo aceitaria a teoria do colapso do capitalismo, mas colocando que a partir dele se tornará visível o papel do sujeito revolucionário. A crise do marxismo se revela na impossibilidade de construir filosoficamente um sujeito da revolução e na refutação da tese de que o desenvolvimento das forças produtivas engendra a sociedade comunista. Resta, para o marxismo, reformular teses como a da abolição do estado e da produção de mercadorias que, segundo Heller, são impossíveis de se realizar. 30
A problemática marxista da história das sociedades sempre encontrou uma dificuldade não resolvida: a transformação histórica é resultado da luta de classes ou da contradição entre forças produtivas e relações de produção? Ou, em outras palavras, é o sujeito ou a estrutura que leva à transformação social? 31
Nenhum marxista digno deste nome jamais creu, cegamente, nas teses de Marx ou Lênin, como se fossem doutrinas religiosas ou axiomas matemáticos. O marxismo, corretamente entendido, é uma crítica permanente da realidade histórica, inclusive de seus próprios passos e evolução. 32
A crise, portanto, está ligada às formas de uma cientificidade positivista e economicista ligada constitutivamente a prática política baseada no reducionismo de classe e numa perspectiva da crise que abre possibilidade para a adoção de uma nova episteme e, consequentemente, uma nova prática política.33
O marxismo clássico afirmava que o motor da história é a luta de classes e que as classes sociais seriam as unidades últimas da análise histórica. Mas como ficaria a análise da questão racial ou da questão feminina? 34
Para Marx, “a história e a sociedade estão unificadas por leis objetivas e necessárias que operam numa direção pré-determinada e que garantem a priori o advento do socialismo” (Laclau, 1991, p. 23). O cientista marxista traduz no discurso a ordem objetiva do real. A relação entre os objetos, nesta abordagem, lhe dá o caráter de relações universais e reais e estas “leis naturais” estão presentes em todas as sociedades. Essa “naturalização do social” exclui a produção social do sentido. 35
A política passa a ser a centralidade no que diz respeito ao sujeito histórico.
Nesse sentido, foi privilegiada a relação entre os intelectuais e as massas, presente na obra de Gramsci. Com base nesse Gramsci nacional popular, Aricó foi capaz de estabelecer uma crítica ao pensamento do próprio Marx [José Aricó, Marx y America Latina (Buenos Aires: Catalogos, 1982), p. 242], que lhe permitiu revelar aspectos "eurocêntricos" de seu pensamento, sobre os quais retornaremos mais a adiante. Em conclusão:
'Gramsci não nos libertou de Lênin, simplesmente nos forneceu uma concepção mais rica de suas ideias, mais aberta e estreitamente vinculada ao contexto soviético [...] [Gramsci] nos permitiu manter sempre uma certa distância, que... permaneceu mais no plano teórico que no plano político prático, com respeito às vertentes castrista-guevarista, peronista, maoísta ou mesmo social-democrata'.
Portanto, Gramsci foi lido e interpretado por Aricó de um modo a-histórico, como uma forma a priori da política, depurada da história [José Aricó, La cola del diablo. Itinerario de Gramsci em America Latina (Caracas: Nueva Sociedad, 1988), p. 23] e com o objetivo de adotá-lo como uma lente através da qual se poderia reavaliar as categorias, seja do marxismo em particular, seja da política em geral. Dessa perspectiva, torna-se compreensível algumas afirmações, como aquela de Carlos Nelson Coutinho, que falam de uma "universalidade” de Gramsci, e o definem como um dos maiores pensadores políticos da modernidade, juntamente com Rousseau e Hegel.[C. N. Coutinho, Gramsci: Um estudo sobre seu pensamento político (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999), pp. 181-190 e 224. 36
A política é a mediação entre a filosofia e a economia. Não se trata de só estudar economia, ou só estudar filosofia: é preciso a práxis, que é mediada pela política.
Marxismo e movimento popular de desligam. Segundo P. Anderson: “essa mudança de terreno institucional refletiu-se numa alteração do foco intelectual. Enquanto Marx em seus estudos mudou sucessivamente da filosofia para a política e desta para a economia, o marxismo ocidental inverteu sua rota” (Anderson, 1984, p. 19). 37
Não se trata de abrir mão da economia, mas perceber a dimensão de tudo isso no fazer política. “O objeto de estudo do marxismo deixa de ser o desenvolvimento capitalista, a luta de classes, o estado burguês, etc. E passa a ser a estética, a literatura, a teoria do conhecimento, a cultura, etc”. 38
Os estudos culturais, a filosofia, a hermenêutica, são importantes, como parte da superestrutura, inclusive com autonomias que podem e devem ser debatidas; mas significa o abandono da crítica ao capitalismo?
Em outras palavras, o marxismo revolucionário refuta a ideologia da separação entre economia e política realizada pela ciência social contemporânea. 39
Parece um juízo apressado e parcializado, personalizado em alguém ou algum movimento, visto que a política, há muito tempo, tem regramento próprio. O fato da economia servir de apoio a certas teses, nem tudo necessariamente advém, emana, da economia, em se tratando de política; parece uma visão muito estreita da ciência política.
A especificidade existe, mas ela não cria setores autônomos da realidade e sim elementos da totalidade que são submetidos, direta ou indiretamente, à sua determinação fundamental, que é o modo de produção. 40
Parece que, quando se critica, o que é criticado é a caricatura, e não a teoria em si. O marxismo vulgar é o João bobo, pau para toda obra; aí, fica fácil. Não adianta pinçar isso ou aquilo de uma teoria e massacrar. A autonomia da superestrutura da infraestrutura já foi debatida e é de reconhecido valor.
As questões teóricas, estão afastadas, separadas, estanques, das questões materiais: há uma dicotomia. É uma visão rasa do marxismo, visto como um conjunto fechado, um sistema, ou uma estrutura, uma fotografia, que parece nunca mudar. O capitalismo reproduz capitalismo, incessantemente. Tudo é mercadoria e virtualmente amoral. O indivíduo, não existe, a não ser como parte do mecanismo. É como se esperasse uma intervenção de fora, externa, para fazer alguma mudança.
Mas Marx criou um sistema acabado? Segundo Rosa Luxemburgo: “Somente no terreno econômico pode-se falar de uma construção perfeitamente acabada, em Marx. Pelo contrário, no que se refere a parte de seus escritos que apresenta o mais lato valor, a concepção materialista dialética da história, trata-se apenas de um método de pesquisa, de uma série de ideias, diretrizes gerais, que permitem perceber um mundo novo, que abrem perspectivas infinitas às iniciativas individuais, que oferece asas ao espírito para as mais audazes incursões por terrenos ainda inexplorados” (Luxemburgo, 1984, p. 54). 41
Lembra o “The Truman Show”, inspirada em “The Twilight Zone” (série de TV de 1959)42.
"The Truman Show" (1998) não é adaptado diretamente de "The Twilight Zone", mas a história de um homem (Jim Carrey) que descobre que sua vida tem sido um programa de TV foi explorado por dois episódios de "Zone". Em "A World of Difference", de 1960, um empresário ouve um diretor gritar "corta!" e descobre que tudo foi um show. Em "Serviço Especial", de 1989, um homem vê uma câmera atrás de um espelho e descobre que sua vida está sendo televisionada.43
Havia algo de esquizofrenia, em tudo isso.
Cada episódio apresenta uma história independente em que os personagens se encontram lidando com eventos frequentemente perturbadores ou incomuns, uma experiência descrita como entrar na "Zona do Crepúsculo", muitas vezes com um final surpresa e uma moral . Embora predominantemente de ficção científica , os eventos paranormais e kafkianos do programa direcionaram o programa para a fantasia e horror . A frase “zona crepuscular”, inspirada na série, é usada para descrever experiências surreais.44
É preciso compreender como funciona uma sociedade repressora capitalista.
ROBERTO FREIRE - O sintoma vem da sociedade, vem das relações humanas, as pessoas adquirem angústia e depressão. Mas o que é que produz a depressão, as fobias? Reich provou que o que provoca isso é o conflito de poder, é o conflito de ter mais força sobre o outro, é o conflito de ter propriedade sobre o outro, de dominar o outro. É o que existe nos sistemas autoritários (monarquia, ditadura e em algumas democracias). É algo que sempre existiu. É preciso que as pessoas tomem consciência que são neurotizadas dentro da "praga" que Reich falava. As pessoas amam seu pai, sua mãe, e estes fazem chantagem com os filhos e dominam os filhos. Recebe-se a neurose através de uma luta política de poder na família, de uma luta de poder na escola, na vida social (há a polícia, o Estado, o exército), de uma luta política no casamento onde existem regras diferentes para o homem e mulher, etc... Era preciso determinar quem era o causador do sintoma. Assim que se determinou que o causador era o autoritarismo nas relações humanas, ficou evidente que era preciso que uma pessoa tomasse consciência que não podia sair da sua neurose se não adquirisse uma outra consciência que combatesse a praga capitalista. Quando Reich ainda vivia ele pensava que o marxismo, ao implantar-se na União Soviética pós 1917, iria possibilitar o desenvolvimento do socialismo no mundo e que este iria ser a grande arma de combate dos efeitos neurotizantes do capitalismo. Como se sabe não deu certo. Ele ainda viu que eles voltaram atrás em todos os seus projetos (liberdade sexual "versus" repressão sexual, amor livre, etc ...) e implantaram a ditadura do proletariado. Então, do sonho socialista que podia se sobrepor ao capitalismo só sobra o anarquismo. Quando um cliente vai fazer SOMA tem de passar por uma cura psicológica e ao mesmo tempo tem de adquirir uma consciência libertária para poder enfrentar a sua luta durante a vida inteira. 45
Havia uma diferença clara em o mundo de Truman e o mundo real.
“Eles descobrem que Truman conseguiu superar seu medo [https://vaventura.com/reflexion/reflexion-realidad/show-truman-mundo-real-falso/ ]de água e está velejando para longe da cidade com um pequeno barco chamado Santa María (o nome do navio em que Cristóvão Colombo descobriu o Novo Mundo). Depois de restabelecer a transmissão, Christof ordena que a equipe do programa crie uma grande tempestade para tentar virar o barco. Entretanto, a determinação de Truman faz Christof eventualmente encerrar a tempestade. Enquanto Truman se recupera, o barco chega no final do domo, com a proa perfurando a pintura de céu da parede. Um horrorizado Truman descobre uma escada ali perto, levando a uma porta marcada como 'saída'. Enquanto ele contempla deixar seu mundo, Christof fala diretamente com ele através do sistema de som, tentando persuadi-lo a ficar dizendo que não há mais verdade no mundo real do que no mundo dele, o mundo artificial. Truman, depois de um momento de reflexão, fala seu bordão, 'Caso eu não os veja mais... bom dia, boa tarde e boa noite', se curva para seu público e, então, passa pela porta em direção ao mundo real”. 46
O que é esse mundo virtual? Marx imaginava uma teoria, o mundo como abstração, o mundo como um teorema, mas longe de considerar exclusiva e estritamente como pura abstração.
“Esta porta se abre com a chave da imaginação.
Atrás dela existe outra dimensão.
Uma dimensão de sons.
Uma dimensão de imagens.
Uma dimensão mental.
Vocês estão entrando num mundo cheio de sombras e substâncias;
de coisas e ideias, pois vocês passaram para
Além da Imaginação”. 47
A grande questão é observar o marxismo enquanto teoria do sujeito e não como uma teoria que abdica da subjetividade humana.
É importante a discussão do marxismo vulgar e sua conceituação.
hoje, o recurso metodológico a ser efetuado na análise de uma abordagem marxista consiste em separar o dito “marxismo vulgar” do componente marxista na análise histórica. É elemento do marxismo vulgar a interpretação econômica da história, ou seja, a crença de que “o fator econômico é o fator fundamental do qual dependem os demais”. Valoriza-se um modelo da “base e superestrutura”, no qual estas duas categorias estão marcadas por uma relação de dominância e dependência. Também constitui elemento do marxismo vulgar a elaboração de leis históricas que referendam a crença em uma inevitabilidade histórica, estabelecendo uma regularidade rígida nas formações socioeconômicas [Destaca-se que Marx compreendeu o capitalismo como um modo de produção historicamente transitório que seria derrotado pelas suas contradições internas. As leis históricas, sendo referentes ao modo de produção capitalista, cairiam junto com a derrocada do capitalismo] . Esse marxismo constitui-se num produto da influência marxista, mas não tem nenhuma ligação com o pensamento de Marx, representando, na melhor das hipóteses, uma seleção das concepções de Marx sobre a história, e, na pior, uma assimilação das mesmas concepções contemporâneas não marxistas, por exemplo: evolucionismo e positivismo (HOBSBAWM, 1998, p. 160). A característica essencial do pensamento histórico de Marx é a de não ser nem “sociológico” nem “econômico”, mas ambos simultaneamente (HOBSBAWM, 1998, p. 166). As relações sociais de produção e reprodução e as forças materiais de produção não podem ser divorciadas. (HOBSBAWM, 1998, p. 167). São as contradições internas dos sistemas socioeconômicos que fornecem o mecanismo para a mudança que se torna desenvolvimento. 48
Novas bandeiras foram colocadas para quem defende uma sociedade alternativa, que, no entanto, não confrontam o capitalismo em si, pois este tem outras regras; que incorporam discursos supostamente radicais, estabelecendo um lugar de fala.
Ser de esquerda é ter um projeto de emancipação humana, de combate à injustiça e à desigualdade. Emancipação é sinônimo de fim da escravidão, da submissão e da exploração. Significa, portanto, liberdade. Ora, dirão os da direita: onde foi que esse projeto se realizou desde que o anunciaram, lá atrás, na Revolução Francesa, em 1789, com os jacobinos? Os direitistas proclamam que sempre houve poder, exploração e injustiça na História e sempre haverá. É da "natureza humana", dizem. E concluem: já que isso é fatal, inevitável, por que não podemos ser nós mesmos os exploradores? O tradicional cinismo da direita se contrapõem "às ilusões utópicas da esquerda". Como todo projeto político, houve desvios e excessos perigosos na esquerda, a começar pelos jacobinos franceses, que adotaram o Terror como forma de poder. Os vícios da esquerda foram notáveis, como o totalitarismo stalinista antes e depois da Segunda Guerra Mundial e a esclerose do poder de uma burocracia tão detestável quanto as classes dominantes do capitalismo, com seu colonialismo, escravidão e privilégios de uma minoria. Não é o caso, aqui, de justificar ou depurar esses erros graves impostos, em parte pelas pressões da guerra e da luta de classes, mas de ressaltar a mudança da ideia de esquerda ao longo das últimas décadas no mundo. Antes, quando a URSS representava – sobretudo após a vitória sobre o nazismo na Segunda Guerra –, a esperança de um futuro socialista para o mundo, o núcleo duro da esquerda era concentrado no marxismo e no leninismo, que se pretendiam "socialismo científico". A História era vista como determinada racionalmente por etapas sucessivas, onde o objetivo final seria o comunismo, com a reconciliação das classes e o fim da opressão e da desigualdade. O comunismo nunca existiu dessa maneira em parte alguma, talvez apenas em algumas tribos originárias em algumas partes do mundo. A esquerda clássica oscilou entre a social-democracia adesista e o poder leninista de uma "intelligentsia" dirigista, mas os valores principais permaneceram intocados, ainda que sempre referidos ao marxismo. Hoje, tem havido mudanças consideráveis na ideia de esquerda. Até mesmo o marxismo "científico" foi posto em questão. Um marxismo que não é vulgar, como o da chamada Escola de Frankfurt, abriu caminho para outras reflexões, como o da escola francesa antitotalitária, de Cornelius Castoriadis, Claude Lefort e Edgar Morin, inspirada mais na psicanálise, na filosofia e na antropologia do que em uma economia dita científica. Uma pergunta comum hoje: os movimentos ambientalista e feminista são de esquerda? Minha resposta: são, na medida em que colocam a sociedade capitalista em questão e também representam valores opostos ao conservantismo e ao cinismo da direita, sobretudo o neoliberal em voga. Ser de esquerda, atualmente, é ser anti-racista, anti-sexista, respeitar os LGBTQ+ e lutar contra a violência repressiva no interior da sociedade. Durante o movimento Occupy Wall Street as ruas de Nova York encheram de gente de esquerda que nada mais tinha em comum com a esquerda autoritária do passado comunista-lenista. Foi um exemplo de movimento reativo às crises capitalistas sucessivas que provocam desemprego, miséria nas cidades e falências de agricultores no campo, destroem famílias e futuros. A esquerda deixou de ser perfeccionista e não propõe mais revoluções que nos levem ao marco zero da sociabilidade, aprendeu com seus erros e o famoso dilema reforma versus revolução vai sendo substituído por sucessivos avanços na cultura e na sociedade, um processo de transformações que não se pretendem "graduais" nem privilegiam a presença do Estado como chave para tudo, mas recorrem a laços comunitários como cooperativas e associações de cidadãos. Movimento como o MST e o MTST, dos sem terra e dos sem teto, são modelos de uma onda constante de organização no interior da sociedade civil. Essa mutação não implica abandonar os valores de emancipação humana e de justiça. O grande desafio da esquerda clássica sempre foi conciliar justiça e liberdade, mas isso pode estar sendo tramado e resolvido no interior da própria esquerda quando discute as noções de representação política, em crise no mundo todo. Ser de esquerda hoje significa ter um conjunto de valores éticos opostos ao cinismo e ao "realismo" da direita, cujo compromisso com preconceitos milenares e com a opressão a torna sempre suspeita de defender a democracia. O projeto de emancipação humana vem desde a Grécia antiga, passa pelas revoluções francesa e russa, desemboca na ruas de Paris em 1968: "A imaginação ao poder" e "Sejam realistas: peçam o impossível". Tem algo de utópico? Tem, mas seu movimento inexorável é bastante real.49
As políticas identitárias são importantes? Com certeza, mas não podem ignorar os interesses de classe, sob pena de não serem suficientemente radicais.
Continua...
1MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. Estud. av. , São Paulo, v. 12, n. 34, pág. 7-46, dezembro de 1998. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141998000300002&lng=en&nrm=iso>. acesso em 28 de dezembro de 2020. https://doi.org/10.1590/S0103-40141998000300002 .
2A Propósito das Palavras de Ordem. V. I. Lénine; 17 de Julho de 1917. https://www.marxists.org/portugues/lenin/1917/07/15.htm .
3Mais do que palavras: formulando palavras de ordem para a luta. LavraPalavra; outubro 7, 2019. Por Derek Ford, via Liberation School, traduzido por Igor Galvão. https://lavrapalavra.com/2019/10/07/mais-do-que-palavras-formulando-palavras-de-ordem-para-a-luta/ .
4Samba da Utopia, de Jonathan Silva, é um hino para os tempos que virão. REDAÇÃO; 03/11/2018 00:00 | Atualizado 08/03/2020 21:11 . https://www.seculodiario.com.br/cultura/samba-da-utopia-de-jonathan-silva-e-um-hino-para-os-tempos-que-virao .
5Licenciado em História. Mestre em História do Brasil.
6https://www.purebreak.com.br/noticias/lgbtqia-descubra-o-que-significa-o-da-sigla/94597#:~:text=Em%20resumo%2C%20LGBTQQICAPF2K%2B%20significa%3A%20L%C3%A9sbicas,%2C%20Two%2Dspirit%20e%20Kink. https://pt.wikipedia.org/wiki/LGBT .
7NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
9Capital.
10MARX: TEÓRICO DO ANARQUISMO. Maximilien Rubel. Este texto de Maximilien Rubel é o capítulo 3, da Parte I, “Le marxisme légendaire”, de seu livro originalmente publicado em 1973, Marx, critique du marxisme. Tradução realizada por Marly Vianna (Professora UFSCAR-Universo), com base na edição italiana, publicada em 1983. https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/novosrumos/article/view/2370/1930 .
11MARX: TEÓRICO DO ANARQUISMO. Maximilien Rubel. Este texto de Maximilien Rubel é o capítulo 3, da Parte I, “Le marxisme légendaire”, de seu livro originalmente publicado em 1973, Marx, critique du marxisme. Tradução realizada por Marly Vianna (Professora UFSCAR-Universo), com base na edição italiana, publicada em 1983. https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/novosrumos/article/view/2370/1930 .
12NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
13NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
14BARROS, J. D. SERÁ A HISTÓRIA UMA CIÊNCIA: UM PANORAMA DE POSIÇÕES HISTORIOGRÁFICAS. Revista Inter-Legere, v. 3, n. 27, p. c18662, 3 abr. 2020. https://periodicos.ufrn.br/interlegere/article/view/18662
15Badiou, Alain, 1937- . A hipótese comunista / Alain Badiou ; tradução Mariana Echalar. - São Paulo : Boitempo, 2012. (Estado de Sítio). Tradução de: L’hypothèse communiste. E-ISBN: 978-85-7559-262-5. https://psicanalisepolitica.files.wordpress.com/2014/10/badiou-a-hipotese-comunista.pdf
16NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
17COUTINHO, Maurício Chalfin. Incursões marxistas. Estud. av., São Paulo , v. 15, n. 41, p. 35-48, Apr. 2001 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142001000100005&lng=en&nrm=iso>. access on 27 Dec. 2020. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40142001000100005.
18MUSSE, Ricardo. AS AVENTURAS DO MARXISMO NO BRASIL. Cad. CRH, Salvador , v. 28, n. 74, p. 409-426, Aug. 2015 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-49792015000200409&lng=en&nrm=iso>. access on 27 Dec. 2020. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-49792015000200012.
19A CAUDA DO DIABO: O MARXISMO DE JOSÉ ARICÓ E SUA INTERPRETAÇÃO DE GRAMSCI. Antonio INFRANCA. DOI: https://doi.org/10.36311/0102-5864.19.v0n41.2159. n. 41 (19): (2004). https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/novosrumos/article/view/2159
20Ricupero, Bernardo. Caio Prado Jr. e a nacionalização do marxismo no Brasil / Bernardo Ricupero. — São Paulo: Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo; Fapesp; Ed. 34, 2000. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Ricupero,%20Bernardo/Ricupero,%20Bernardo%20-%20Caio%20Prado%20Jr.%20e%20a%20Nacionalizacao%20do%20Marxismo%20no%20Brasil.pdf
21NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
22Revista Dialectus. Ano 3 n. 8 Janeiro - Agosto 2016 p. 33-59. A RELAÇÃO MARX-HEGEL: UM DESAFIO INSUPERÁVEL. Franklin Trein. [Graduado em Filosofia pela Universidade de Passo Fundo (1969) e doutor em Filosofia pela Universidade Livre de Berlm (1977). Pós-doutorado em Filosofia pela Universidade de Estrasburgo (1983/84) e Pós-doutorado em Relações Internacionais pela Universidade Livre de Berlim (1990). Atualmente é professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atua nas áreas de Filosofia, com ênfase em filosofia política, e Relações Internacionais, com ênfase em temas sobre a União Européia, política internacional e Mercosul]. http://www.periodicos.ufc.br/dialectus/article/download/5212/3844
23Ciências Sociais Unisinos 54(1):140-142, janeiro/abril 2018 Unisinos - doi: 10.4013/csu.2018.54.1.14. Marx contra o marxismo doutrinário. Leonardo Octavio Belinelli de Brito1 belinelli.leonardo@gmail.com . Doutorando. Universidade de São Paulo. Av. Professor Luciano Gualberto, 315, sala 2047, Cidade Universitária, 05508-900, São Paulo, SP, Brasil http://revistas.unisinos.br/index.php/ciencias_sociais/article/download/csu.2018.54.1.14/60746195
24A CAUDA DO DIABO: O MARXISMO DE JOSÉ ARICÓ E SUA INTERPRETAÇÃO DE GRAMSCI. Antonio INFRANCA. DOI: https://doi.org/10.36311/0102-5864.19.v0n41.2159. n. 41 (19): (2004). https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/novosrumos/article/view/2159
27ESTE LIVRO FOI COMPOSTO E IMPRESSO NAS OFICINAS DA EMPRESA GRÁFICA DA "REVISTA DOS TRIBUNAIS" LTDA., À RUA CONDE DE SARZEDAS, 38, SÃO PAULO, PARA A Companhia EDITORA NACIONAL, EM 1957. Teoria da História do Brasil Introdução Metodológica; Iº VOLUME. BIBLIOTECA PEDAGÓGICA BRASILEIRA. SÉRIE 5.ª. BRASILIANA. Vol. 11 (GRANDE FORMATO). Direção de AMÉRICO JACOBINA LACOMBE. JOSÉ HONÓRIO RODRIGUES TEORIA DA , HISTORIA DO BRASIL Introdução Metodológica. 2.ª edição, revista, aumentada e ilustrada; 1º VOLUME. COMPANHIA EDITORA NACIONAL. SÃO PAULO. https://bdor.sibi.ufrj.br/bitstream/doc/451/1/GF%2011%20T1%20PDF%20-%20OCR%20-%20RED.pdf .
28SOARES, Luiz Eduardo. Duas almas, muitas assombrações e o corpo da história. Rev. bras. Ci. Soc., São Paulo , v. 13, n. 37, p. 191-197, June 1998 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69091998000200011&lng=en&nrm=iso>. access on 28 Dec. 2020. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-69091998000200011.
29NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
30NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
31NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
32(Anderson, 1991, p. 19). Citado por NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
33NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
34NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
35NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
36A CAUDA DO DIABO: O MARXISMO DE JOSÉ ARICÓ E SUA INTERPRETAÇÃO DE GRAMSCI. Antonio INFRANCA. DOI: https://doi.org/10.36311/0102-5864.19.v0n41.2159. n. 41 (19): (2004). https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/novosrumos/article/view/2159
37NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
38NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
39NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
40NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
41NILDO VIANA. O FIM DO MARXISMO E OUTROS ENSAIOS. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Viana,%20Nildo/O%20Fim%20do%20Marxismo%20e%20outros%20ensaios.pdf
45Roberto Freire: uma história de amor e anarquia. Artigo publicado na Revista Utopia - Periódico Libertário de Portugal, 2008 A revista Utopia teve a oportunidade de entrevistar o nosso amigo e companheiro libertário Roberto Freire. A sua experiência é extremamente rica na construção do ideal anarquista no Brasil. Na actualidade, num contexto de intervenção muito específica – SOMA - Uma Terapia Anarquista - pode-se descortinar das suas posições. O seu percurso histórico é elucidativo. Sempre pautou a sua vida em prol da liberdade e da emancipação social, não obstante, verificarmos que as suas teorias e práticas não sejam bem compreendidas por algumas correntes do movimento libertário. A entrevista foi conduzida por José Maria Carvalho Ferreira. http://www.somaterapia.com.br/wp/wp-content/uploads/2016/10/ENTREVISTA-com-Roberto-Freire_UTOPIA.pdf
4807 (02) | 2010 | Revista Thema. A Historiografia LatinoAmericana Marxista e o Debate Entre Prática e Abstração Rafael Hansen Quinsani [Licenciado, Bacharel e Mestre em História pela UFRGS]. http://periodicos.ifsul.edu.br/index.php/thema/article/download/26/27/110
49CULTURA. 23/12/2020 | domtotal.com “O que é ser de esquerda hoje?”. Grande parte dos críticos da esquerda não sabem, mas o comunismo nunca existiu. Reinaldo Lobo é psicanalista e articulista. https://domtotal.com/noticia/1490003/2020/12/o-que-e-ser-de-esquerda-hoje/ . https://www.blogger.com/profile/15828828537927966001

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