Anticomunismo, Antigetulismo, Antibrizolismo, Antipetismo
Claudio Antunes Boucinha1
Introdução
Desde 1945, com o “Queremismo2”, já se observava o tom antiqueremista, antivarguista, antipopular e anticomunista de setores da sociedade brasileira.
A grande imprensa, conservadora e anticomunista ferrenha como era, sempre apontava a presença de comunistas nas manifestações queremistas na intenção de demonstrar que o movimento era mais um espaço para a subversão dos “agentes de Moscou”. [Os comunistas na luta pela democracia. Tribuna Popular, Rio de Janeiro, 7 de agosto de 1945].(...)
Porém, se por um lado temos a grande imprensa e a Igreja Católica movendo uma intensa campanha antiqueremista, antivarguista, antipopular e anticomunista, com as suas imensas capacidades difusoras, formadoras e reprodutoras de suas opiniões, versões e posições ideológicas e político-partidárias; de outro temos alguns poucos jornais de uma pequena imprensa popular simpática ao movimento queremista [A história da formação do trabalhismo brasileiro e do PTB está estabelecida, sobretudo, nas obras de Maria Celina Soares D'Araújo, Marieta de Morais, Dora Flaksman, Maria Vitória Benevides, Lucília Delgado e Miguel Bodea, entre outros. De fundamental importância é, também, contudo em chave interpretativo-explicativa que não a caudatária do conceito/categoria “populismo” ou “populismo no Brasil”, distinção que explicito mais à frente neste artigo, são as obras de Ângela de Castro Gomes e Jorge Ferreira] e a Getúlio como o jornal carioca diário e matutino, O Radical, que, no contexto da redemocratização, foi o principal veículo da campanha queremista, sendo fonte obrigatória para os historiadores do Queremismo para que se possa registrar as opiniões e os desejos de trabalhadores e demais populares engajados no movimento queremista, ou esperançosos com o desenvolvimento dele; bem como a interpretação por parte destes, não só do processo em curso no qual buscavam uma posição protagônica3, mas, também, a interpretação que estes tinham de nossa história político-social imediatamente anterior ou contemporânea a eles. 4
Embora o partido comunista tivesse uma posição ambígua no apoio a Vargas, o fato é que, no frigir dos ovos, devido ao comportamento nacionalista desse último, e o apelo popular do PTB, fizeram com que os comunistas buscassem uma identificação, ao nível político.
Suicídio. Vargas era visto como fazendeiro latifundiário autoritário, um entreguista, seguidor da ideologia moribunda do trabalhismo, mero servo de interesses, majoritariamente de guerra, dos americanos e preparador de um golpe para se perpetuar no poder. Embora várias declarações de Prestes publicadas na imprensa comunista corroborem a visão do PCB, há dúvidas quanto à opinião prestista naquele momento. Segundo Anita Leocádia Prestes (2016, p. 2965):
Prestes esclareceu que discordara de tal orientação ... [e defendia] ser necessário mudar a tática do partido, aproximar-se de Vargas e apoiar a organização de um contragolpe. Mas o secretariado ficou quinze dias discutindo o alerta [...] e nada foi feito nesse sentido.
Após o suicídio, em uma reunião extraordinária da liderança do partido, o dirigente Diógenes Arruda, segundo Prestes (2016, p. 296), “defendeu a tese de que estariam criadas as condições para uma insurreição popular dirigida pelo PCB [e Prestes teria criticado] energicamente a proposta”. Reis (2014, p. 2616) ressalta que Prestes, em declarações posteriores, afirmou que já advogava uma mudança na política de alianças do PCB desde 1949 e teria sido o autor da resolução sindical de 1952, que flexibilizou a política de alianças sindicais do partido. Reis (2014, p. 261), no entanto, afirma que “suas propostas, [...], se formuladas, desapareceram nos torvelinhos da clandestinidade”. Reis (2014, p. 262-263) indica, ainda, que Prestes:
[...] insistira, mais de uma vez, a ‘posteriori’, ter sido sensível ao processo de radicalização antivarguista e antipopular, liderado pelas direitas, e em consequência disso teria formulado in extremis a proposta de aproximação com o presidente [mas] a comissão executiva [...] não teria discutido nem divulgado suas novas posições.
O texto com as propostas de Prestes:
[...] não foi encontrado nem nos arquivos, nem na memória dos velhos militantes consultados, embora sua existência tenha sido confirmada por Maria Ribeiro, segunda mulher de Prestes, que informou igualmente que o dirigente reconheceria, em conversas privadas, a responsabilidade do PCB na morte de Vargas (REIS, 2014, p. 262-263).
A dimensão interna da suposta divergência de Prestes com a política do PCB fica envolta em dúvidas, mas a face visível do partido, expressa na imprensa, sofre uma mudança dramática com o suicídio de Getúlio Vargas. Com a grande comoção popular, o partido muda radicalmente e o humor gráfico sai de cena, mas os desenhos continuam sendo publicados. A nova postura enfatiza uma aliança com os trabalhistas, até então rivais dos comunistas. O partido publica um desenho mostrando a revolta em Franca-SP, com populares arrancando uma bandeira da União Democrática Nacional (UDN) e um incêndio ao fundo. O desenho, publicado em Voz Operária, de 11 de setembro de 1954 (Figura 19), canaliza a fúria popular exclusivamente sobre a UDN, embora os comunistas também tenham sofrido com a vingança da população. Jorge Ferreira (2005, p. 192) faz um mapeamento dos motins populares após o suicídio de Vargas, tentando identificar padrões e, na imprensa, o Última Hora foi o jornal poupado pela multidão. A Tribuna, jornal do PCB em Porto Alegre, também foi empastelado.
Figura 19
Voz Operária de 11 de setembro de 1954, p.7.
Fonte: Cedem/Unesp. http://www.cedem.unesp.br/
Getúlio, o grande rival de Luiz Carlos Prestes, criticado e ridicularizado na imprensa comunista, passa, depois de morto, a ser incorporado aos clamores populares chancelados pelo PCB. Notícias de Hoje, de 26 de setembro de 1954, publica artigo de página inteira mostrando um rosto de Prestes altivo e o título “Comunistas e trabalhistas, ombro a ombro na luta contra o inimigo comum”. Uma leitura possível dessa imagem é a de que Prestes também sofreu pelo povo brasileiro (embora convenientemente omita quem contribuiu para parte das suas agruras) e, portanto, os trabalhistas deviam chorar a morte de seu líder atuando a partir de agora com os comunistas. Rodrigo Patto Sá Motta (2004, p. 1057) descreve o desenho em bico de pena como “um Prestes em posição heroica e máscula, olhando com firmeza para frente, com os cabelos levemente despenteados, para sugerir um homem lutador e de ação”. Imprensa Popular, também de 26 de setembro de 1954, mostra um aperto de mãos ocupando a parte superior inteira do jornal, imagem tradicional de quem sela um compromisso, e usa a mesma manchete de Notícias de Hoje.
A transformação mais importante e carregada de simbologia é a incorporação do nome de Vargas como bandeira de luta dos comunistas. Após tantas críticas, o PCB acaba fazendo com o “pai dos pobres” exatamente o que ele previu na carta-testamento: fazer de seu nome uma bandeira de luta. Acompanhando a manchete “Não dar tréguas ao governo entreguista dos ‘Café’, ‘Brigadeiro’ & Cia”, o desenho publicado em Voz Operária, de 4 de setembro de 1954 (Figura 20), mostra uma multidão de brasileiros carregando faixas com os dizeres “lutemos contra o golpe”, “abaixo os entreguistas” e “assassinos de Vargas”. Pelo desenho, os lemas aparecem como fruto dos desejos honestos do povo brasileiro, que, aqui, são somados às reivindicações do PCB. O suicídio de Vargas se transforma em assassinato, mas o partido rapidamente aponta o dedo aos assassinos, e tira o foco de sua campanha contra Vargas. Prestes podia admitir em privado a responsabilidade do partido no suicídio de Vargas, mas nos desenhos comunistas os assassinos eram outros e o trabalhismo, então, era um aliado.
Figura 20
Voz Operária de 4 de setembro de 1954, p.10
Fonte: Cedem/Unesp. http://www.cedem.unesp.br/
Nessa charge, da “Campanha de 1958 para o Governo do Estado do Rio Grande do Sul.
Brizola venceu Peracchi com 57,22%”, o vínculo popular com o povo negro, é evidente.
Nessa outra charge, os vínculos entre Brizola e o comunismo, estavam ressaltados. O Jornal, A Hora, foi fundado em 1954 9.
Apoio do Partido Comunista.“Percebia-se uma aproximação maior do PTB com o PCB (Partido Comunista Brasileiro), que apoiava os candidatos nacionalistas, afirmando que a luta pelo nacionalismo era a questão política fundamental. Os inimigos eram todos aqueles que apoiavam o capital estrangeiro, então chamados de entreguistas”, observa a doutora em História do Brasil pela Universidade Federal Fluminense (UFF) Marieta de Moraes Ferreira, autora do livro “João Goulart — Entre a Memória e a História” (Editora FGV, 2006), em parceria com a também doutora em História Janaína Amado. Mas o flerte comunista com o PTB no pleito de 1958 não chegou a ser bem correspondido por Brizola. Pelo menos não abertamente, o que gerou um episódio engraçado citado por historiadores. O PCB emitiu uma manifestação de apoio ao partido trabalhista. Logo depois, em uma entrevista, Brizola disse que não aceitaria. A resposta veio em outra entrevista, dada por Luiz Carlos Prestes, o líder comunista que ficou celebrizado como Cavaleiro da Esperança e que, naquele momento, era secretário-geral do PCB. “A opinião do senhor Brizola sobre nosso apoio é irrelevante. Nós vamos apoiar o melhor candidato, e o melhor candidato é ele”, proclamou Prestes.10
Antes da derrubada de João Goulart, grande parte da imprensa tinha um viés anticomunista, com a UDN, o Ipes, o Ibad.
Criado logo após o presidente solicitar ao Congresso o estado de sítio e denunciar que estava em andamento uma conspiração golpista, esse amplo sistema de comunicação nacional deu voz aos representantes políticos, militares, empresários, jornalistas, professores, intelectuais, sindicalistas e estudantes, possibilitando a articulação no campo discursivo dessas emissoras e jornais do Rio de Janeiro com partidos e grupos de oposição ao governo, principalmente com a União Democrática Nacional (UDN), o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad), que financiava as campanhas eleitorais dos candidatos anticomunistas. (...) A missão de informar o público foi substituída pela propaganda política anticomunista.11 .12
A luta anticomunista foi transformada numa questão de segurança nacional, a partir do argumento de que uma guerra revolucionária se espalhava pelo país. (...) Nesse ambiente de apelos anticomunistas, o tema da liberdade de imprensa também ganhou destaque em diversos editoriais dos jornais cariocas para persuadir o público não só de que a imprensa de natureza privada estava ameaçada pelas práticas do governo, mas de que estava sendo pavimentado o caminho para um Estado despótico, que colocaria em risco todas as outras liberdades.13
O mesmo discurso anticomunista, no passado, recrudesce hoje, contra o (PT).
O discurso antipetista recrudesce no país; e não é casual. (...)
Mas o que expressão realmente esse antipetismo? (...) A imprensa e alguns setores da sociedade alimentam a retórica de que existe no Brasil um forte “sentimento antipetista” disseminando, segundo esta tese, “a aversão com relação ao Partido dos Trabalhadores e atrapalhando o desenvolvimento de uma oposição sadia”. É evidente para nós que a tese do “antipetismo” não encontra base (...). Nesse texto não entraremos em uma discussão teórica sobre o termo “antipetismo”, mas tentaremos explicar o seu desdobramento político. (...) O “antipetismo” é antes de tudo uma reação da classe dominante às mudanças sociais, econômicas e políticas promovidas pelo (PT). (...) Ao longo da história nacional, a aversão ao PT já vestiu outras roupagens, sendo chamada de: “antigetulismo”, “antibrizolismo” e “anticomunismo”. (...) O “antipetismo” é o ataque da classe dominante (e da pequena-burguesia) que tem repulsa em ver pobres, negros e favelados organizando-se politicamente e podendo de forma coletiva influir nos destinos da nação. (...).14
Para Lula, o antipetismo é a negação da política, em última instância, fazendo com o que cidadão, a cidadã, abdique da política, passando a ter uma posição arrivista15 com relação a mesma, passando a afirmar que nenhum político presta, todos são iguais, todos roubam, todos são corruptos, todos recebem mordomias, sem compreender que, é pela própria que são decididos os destinos da comunidade. Ou seja, ao negar a política, cria-se um clima de irresponsabilidade para com as gerações futuras.
Ele ainda atribuiu a eleição do atual presidente da República a um sentimento de antipolítica cultivado no eleitor, e não de antipetismo. "Falou-se que deputado não prestava, senador não prestava, partido não presta, a ponto de conseguirem fazer com que um cidadão, que tinha 28 anos de mandato que ninguém sabia o que ele fazia e quatro de vereador, ser eleito por uma parte da sociedade que era antipolítica. Por não gostar de política, votaram de Bolsonaro. É o maior desastre do mundo quando a sociedade não acredita na política", declarou Lula. (...) "Antipetismo é bobagem”. O ex-presidente minimizou o fator “antipetismo” na vitória de Jair Bolsonaro em 2018. Na avaliação dele, é “bobagem” dizer que há um sentimento da população contrário ao PT e “vai sempre ter uma parcela de um lado que não vai gostar de outras pessoas”. Para Lula, o pleito foi “resultado de uma mentira”, iniciada pela destituição da ex-presidente Dilma Rousseff e depois continuada pela Operação Lava Jato. “A Lava Jato foi uma das podridões contadas neste país. A força-tarefa da Lava Jato virou uma quadrilha. Eu sonhava ser candidato em 2018, mas, em simultâneo, eu tinha convicção que eles não fizeram a destituição da forma como eles fizeram para depois me deixarem ser candidato. Eles não cassaram a Dilma para deixar o Lula voltar”, disse. Outra avaliação feita por Lula é de que a elite brasileira criou ódio aos mais pobres. “Penso que o que existia por parte da elite brasileira era a anti-ascensão das pessoas mais pobres. Era o ódio de as pessoas mais pobres lotarem aeroporto de salvador e de chamarem o aeroporto de rodoviária. O ódio das pessoas mais pobres cristalizou”, declarou. Ele seguiu questionando o antipetismo. “Mas, se havia um sentimento contra o PT, como nós ganhamos quatro eleições na Bahia em primeiro turno? Mostra uma elite política mais inteligente que Bolsonaro. O trabalho anti-PT foi muito forte. E isso não é uma coisa de agora, não. A perseguição ao PT é devido às coisas boas que o PT fez.” Lula também afirmou que não vai aceitar que a corrupção no país seja jogada no colo do PT e lembrou que, nos governos do partido, foram aprovados vários mecanismos para combater a corrupção. “A delação premiada foi coisa do PT. O PT não se arrepende disso, não. Quem roubar tem que ir pra cadeia. O PT não faz compadrio com o erro. O que o PT quer é que as pessoas sejam julgadas justamente. Querem jogar a corrupção em cima do PT, e eu aceito o desafio”, defendeu. O ex-presidente aproveitou a entrevista para criticar o fato de um juiz ter dito em processo que a ex-primeira-dama Marisa Letícia tinha R$ 256 milhões em investimentos em certificados de depósitos bancários (CDBs). Lula contou que foi ao banco nesta quarta, 15, e constatou que a quantia era, na verdade, de R$ 26 mil. A informação da quantia milionária foi amplamente compartilhada por Carlos e Eduardo Bolsonaro, filhos do presidente, e também pela secretária Nacional de Cultura, Regina Duarte. “A Regina Duarte e o filho do Bolsonaro dizendo que a dona Marisa tinha R$ 256 milhões em CDBs. Ontem eu fui ao Bradesco e descobri que esses R$ 256 milhões se tornaram R$ 26 mil. Você fica explicando uma mentira dessa a vida inteira. Daqui a pouco, vão fazer exumação da minha mãe para saber se ela tinha algum dinheiro”, criticou.16
O antipetismo é tanto, que a própria cor de lula é questionada.
A Cor de Lula
Essa primeira ilustração, assinada por Spacca, revela um Lula que não sabe falar direito, trocando a letra “f” pela letra “s”17. Lula é mostrado como pertencente a etnia branca. A cor da pele de Lula é um debate interessante visto que não é exato, como a matemática.
“Lula é visto como pardo por 42% dos entrevistados; FHC, que já se disse "mulatinho", é campeão de "brancura"”. 181920
A Nação Mestiça, ou Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro 21, afirma ser “Influenciados por pensadores como Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro, afirmam a identidade étnico-nacional do povo brasileiro definida após um processo de mestiçagem entre várias raízes”; “a organização se posiciona contrária ao sistema de cotas raciais no ensino superior e médio em que haja sistemas impessoais de seleção, defendendo cotas sociais”. Esse movimento, com base em pensadores que também influenciaram o PDT, questiona Lula a partir de sua declaração ao TSE, como pessoa “branca”: “Complexo de cão de raça: Lula renega mestiçagem e se declara branco ao TSE”. No artigo, sugere que o presidente é racista. Para provar o racismo de Lula, traz o testemunho de uma ex-mulher de Lula. Imagina que Lula tem não um complexo de vira-lata, mas de cão de raça.
““Nós decidimos que Lula é o presidente negro deste país”, afirmou José Vicente, reitor da Universidade Zumbi de Palmares em 2013. Lula discorda. O petista, atual morador de uma cela da Polícia Federal em Curitiba onde cumpre pena por corrupção e lavagem de dinheiro, declarou-se branco ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em seu registro de candidatura para o pleito de 2018. Nas eleições para cargos públicos de que Lula participara, a declaração de cor/raça não era exigida, permitindo à propaganda petista pintá-lo conforme sua conveniência, inclusive como um pardo discriminado pela “elite branca”. Renegando a origem preta e combatendo a mestiçagem. Segundo o IBGE, pardo significa qualquer miscigenado, independentemente da aparência. Fotos dos pais de Lula e os cabelos crespos de sua mãe mulata não deixam dúvidas de que Lula é um pardo segundo os critérios do instituto cuja classificação é a adotada pelo TSE. Durante seus oito anos de governo, porém, Lula sancionou o Estatuto da Igualdade Racial, lei de autoria do Partido dos Trabalhadores (PT) que impõe oficialmente a raça negra a mestiços, realizou limpeza étnica contra milhares de famílias mestiças para a criação de bantustões com o objetivo de evitar a mestiçagem da raça índia e seu partido também apresentou um Projeto de Lei que visava à criação de “territórios brancos” com a intenção declarada de preservar identidade racial. Em 1989, a ex-mulher de Lula, Míriam Cordeiro, acusou o então adversário de Collor de Mello (que viria a fazer parte do governo Lula) de ser racista contra negros. 22
Como se vê, a Nação Mestiça cumpre seu papel de massacrar o partido dos Trabalhadores e Lula.
Reinaldo Azevedo, arrolado como pensador de direita, também chama Lula de racista: “Lula: declaração boçal e racista”23
Na caricatura, em cena um branco e um negro. E a discussão é sobre ganhos, salários, rendimentos. Em Sociologia, existem várias classificações sociais. Uma delas, em forma de pirâmide social, apreendida nos bancos escolares, está a classificação da sociedade em classe baixa, media e alta. Mas o que define se a pessoa está em uma das classes? Geralmente, é uma série de itens que envolve a posse de bens, além de outros dados. No entanto, na visão do caricaturista, imposta para o personagem criado, Lula, o que vale é o ganho, 300 reais, que recebe o carimbo, é taxado de, imposto por vontade de Lula, de classe média; o que é um absurdo, visto que é menos que o salário-mínimo. É como se lula, magicamente, autoritariamente, pudesse classificar alguém disso ou daquilo, sem base cientifica nenhuma. Um negro é carimbado por Lula como classe média. Lula, branco, conversa com outro branco, como se fossem amigos, e afirma que o negro é rico.
Spacca é discípulo de Olavo de Carvalho.
Não está na hora de lançar uma antologia com essas charges?
Não tenho saudade. Pode ser que valha a pena, um dia. Mas é aquela coisa: um período muito medíocre da política nacional, personagens esquecidos, e um recorte resultante de uma concepção jornalística que focaliza estritamente o viés econômico e eleitoral, e deixa as questões mais importantes da política de fora. Por política real entendo a luta pelo poder, e como diz o professor Olavo de Carvalho, “Política é poder, e poder é a capacidade de ação e de determinar a ação alheia”. Por exemplo, quem manda mais, o Temer, ou a estrutura burocrática dominada pelo PT que tem o poder de boicotar quem está nominalmente no comando? (...)
Agora, pela Rádio Vox, você voltou a fazer charges políticas. Do ponto de vista do chargista, esse é o período mais rico de informações para compor seu trabalho na área política?
A linha de jornalismo que me inspira é a do jornal Mídia sem Máscara (www.midiasemmascara.org ), fundado pelo jornalista, escritor e filósofo Olavo de Carvalho. A Rádio Vox foi criada pelo jornalista e chargista Alex Pereira, também, como eu, aluno do Olavo. A questão não é este período ser mais rico em assuntos: é você estar comprometido em conhecer a verdade e querer retratar as coisas como elas são. E os assuntos que a grande mídia destaca são bobocas: Fulano vai processar não sei quem por “crime de racismo”, o Lava-Jato investiga as obras no sítio do ex-presidente Lula. Como mostra o jornalista Cristian Derosa em seu livro A Transformação Social, “a função informativa dos jornais foi sendo progressivamente substituída pela função transformadora da sociedade”. A mera divulgação de um fato gera outros fatos, isso é sabido; mas, graças a modernas técnicas de engenharia social, a grande mídia “injeta” temas no público para induzir a novos comportamentos. E suprime temas “inconvenientes”. Desde 2014 publico minhas charges informalmente mas com constância, no facebook da Rádio Vox e em meu próprio. A resposta do público é surpreendente. No auge dos protestos de 2015 contra o governo do PT, alguns desenhos meus atingiram mais de 100 mil pessoas.
Nessa outra caricatura de Spacca, fica claro seu comprometimento com um discurso anticomunista que se espalhou na ‘internet’, contra o Foro de São Paulo25.
“O Foro de São Paulo (FSP) é uma organização que reúne partidos políticos e organizações de esquerda, criada em 1990, a partir de um seminário internacional promovido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), do Brasil, que convidou outros partidos e organizações da América Latina e do Caribe para promover alternativas às políticas dominantes na região durante a década de 1990, chamadas de "neoliberais", e para promover a integração latino-americana no âmbito econômico, político e cultural. Segundo a organização, atualmente mais de 100 partidos e organizações políticas de diversos países participam dos encontros.As posições políticas variam dentro de um largo espectro, que inclui partidos, organizações comunitárias, sindicatos, movimentos sociais, esquerda cristã, grupos étnicos e ambientalistas”.26
Outro cartunista é Bira Dantas, que tem um posicionamento bem diferente de Spacca.
Sente-se “vigiado” pelo PSDB?
De certa forma. Em 2006 publicava muitas charges no blog Amigos do Presidente Lula (imaginem os temas) e recebi a seguinte ameaça:
“Senhor Bira, cabe a mim alertar que Vs. está cometendo ato de difamação, Cabe ainda um alerta que usarei os recursos que a lei me permite para processar este antro que se diz blog que nada mais é que um bando de corruptos sem escrúpulos. Álvaro Dias, Senador da República”
O blog publicou o seguinte post:
RESPOSTA DO CHARGISTA BIRA AO SENADOR
Pois é, senador Álvaro Dias, as investigações mostrarão os verdadeiros corruptos desta nação. E tenho certeza que a grande e esmagadora maioria não virá do PT, mas de partidos que vossa excelência costuma chamar há muito tempo de “aliados”. Acabei de assistir ao JN da Globo, mostraram denúncias contra Geraldo Alckmin, contra políticos do PFL e contra o PMDB carioca que apoia Garotinho. Estou vendo mesmo quem está atolado na lama. O chargista, ao mostrar ou criticar um fato, não comete ato de difamação. Ele cumpre com seu papel político. Se eu não quisesse cumprir o meu, mudaria de profissão ou ofereceria minhas charges aos pefelentos e tucanalhada. E isso, meu senhor, pode ter TOTAL e ABSOLUTA certeza que eu não farei NUNCA. Aliás, nunca fui corrupto, nem sem escrúpulos. Só deixei de pagar algumas contas na data, mas paguei com multa e juros depois. Passar bem. Bira Dantas, chargista, cidadão e colaborador totalmente gratuito do blog.
Seu alinhamento político não te traz problemas?
O tempo todo. As redes sociais têm o lado positivo de democratizar a informação, mostrar a arte de cada um e encurtar distâncias. Mas as pessoas expõem o que têm de pior. Isso é ruim. Mas tenho que dividir o mundo real do mundo virtual. No mundo real eu faço charges, toco gaita, gosto de cozinhar, cantar no karaokê, dou aula, falo com os vizinhos, passo no sindicato, converso com as pessoas, dou entrevistas, faço shows, ajudo a organizar o Troféu Angelo Agostini. No mundo virtual eu era um petralha sujo que devia levar dedo no nariz. Mesmo quando Lula era “o cara” eu era criticado por meu posicionamento aberto e franco. No mundo virtual eu não deixava uma provocação sem resposta. Participo desde 1999 de grupos de discussão de chargistas e quadrinhistas na internet. Ouvia de muita gente que “chargista não tem lado”, “tem que atirar em todo mundo”, “não existe humor a favor” e “o que importa é tirar o PT do poder”. Um ex-amigo e ex-petista me disse que eu não sabia fazer charges: “Onde já se viu fazer charge defendendo o Lula? Charge é pra descer o pau!”. Eu queria entender por que certas pessoas acham que têm direito de dizer como as outras devem se portar. Eu tenho o direito de fazer as charges que acho corretas. E se tem gente que me paga por elas, melhor ainda. Mas tinha gente que ficava indignada porque eu compartilhava matérias denunciando factoides plantados pela imprensa. Me mandavam mensagens dizendo que eu era trouxa, que o Lula tinha sim um triplex no Guarujá, que dava festas homéricas na fazenda milionária do Lulinha (cuja foto era a ESALQ-Piracicaba) e que a Friboi era de sua propriedade. Resolvi isto deletando parentes, conhecidos e desconhecidos que me importunavam todos os dias.
É possível acreditar em políticos e partidos em plena Lava Jato, que a cada dia nos revela o quanto o mundo político é sujo?
A Lava Jato nos revela que o mundo empresarial é sujo e que os políticos (empresários e fazendeiros em sua grande maioria) levam esta prática pra dentro do Legislativo, do Executivo e do Judiciário. Veja, a delação da Odebrecht nos diz que eles se preparavam pra ganhar as licitações, combinavam a propina com os diretores de estatais (que as repassavam pra candidatos a vereador, deputado, senador, prefeito e governador). E se, num erro de percurso, outra empresa ganhasse, eles molhavam a mão de juízes e procuradores para impugnar a empresa ganhadora e eles assumirem. O que vemos neste país é a dilapidação do patrimônio público desde que éramos colônia de Portugal, a degradação dos serviços de saúde, educação e cultura. E aí, vem colocar a culpa nos políticos? Quem são os políticos? Empresários. E a grande maioria usa Caixa 2 e propina pra ganhar contratos. E alguns empresários dizem: “Se eu não fizer isto eu não sobrevivo no mercado, entende?” Mas o que me choca na Lava Jato, além dos vazamentos seletivos, linha dura e coerção até que o corrupto resolva entregar algo contra o PT, “mesmo que seja apenas convicção” é a total falta de respeito pelos ritos e procedimentos técnicos da Justiça.
Está lá no site Consultor Jurídico:
“O Tribunal Regional Federal da 4ª Região decidiu, nesta quinta-feira (22/9) que a operação ‘lava jato’ não precisa seguir as regras dos processos comuns. Advogados apontam que as investigações ignoram os limites da lei ao, por exemplo, permitir grampos em escritório de advocacia, divulgação de interceptações telefônicas envolvendo a presidente da República e a “importação” de provas da Suíça sem a autorização necessária. Mas, para a Corte Especial do TRF-4, os processos “trazem problemas inéditos e exigem soluções inéditas”.
Isto é Estado de Exceção. Numa situação dessas, não precisa provar nada. Se o juiz que investiga, acusa e julga (isto é inconstitucional) acha que a convicção é suficiente pra condenar uma pessoa, acabou. A instância superior acatou e você não tem pra onde apelar. Nem pro bispo. Só pro papa! Tivemos um processo de impeachment presidencial sem sustentação jurídica, e, exceto pelos defensores da presidenta Dilma, nenhuma instituição se levantou contra isso. Nem o STF. E depois do golpe efetivado, o ministro Lewandowski, professor de Direito na USP, afirmou:
“Esse impeachment, todos assistiram e devem ter a sua opinião sobre ele. Mas encerra exatamente um ciclo, daqueles aos quais eu me referia, a cada 25, 30 anos no Brasil, nós temos um tropeço na nossa democracia. Lamentável”. Os universitários talvez possam garantir um futuro melhor. Quem sabe vocês, jovens, conseguem mudar o rumo da história”.
Ele presidiu o processo no Senado e não abriu a boca!
Boa parte da sua produção é voltada para a temática política e social, como problemas sociais como o desemprego, etc. Estamos, não é de hoje, atravessando um período ruim, com esses problemas que você aborda, persistindo na nossa realidade. Você fez algum trabalho criticando a gestão petista no cenário nacional?
Antes eu me dava ao luxo de criticar os erros do PT. Na prefeitura de Jacó Bittar em Campinas, fazia charges no Diário do Povo e critiquei sua postura na greve dos servidores, seu racha com o vice Toninho e sua aproximação com Orestes Quércia (o que fez com que saísse do PT e fosse pro PDT). Também cutuquei o governo Lula. Fiz charges mostrando Zé Dirceu e o caso Waldomiro, a postura do Pallocci em relação à política econômica, Berzoini arrochando os aposentados, Lula e o “toma lá dá cá” com o PMDB. Comecei a ver minhas charges publicadas sem autorização em blogs globais como Noblat e Ancelmo Gois, de “liberais” como Marcelo Tas e mesmo de direita e anti-PT. Eles nunca publicaram minhas charges contra o PSDB. Pensei em pedir que as excluíssem, mas a comunicação era truncada e resolvi do jeito mais simples: não fazê-las mais. Tem muito chargista descendo o sarrafo no PT, não precisam de mim pra isso. E eu não quero me misturar com movimentos fascistas como Vem Pra Rua, Brasil Livre. Desta gente (que segue o pato da Fiesp, usando camiseta amarela) quero muita distância. De novo me decepcionei ao ver o PT se aliar com os partidos que deram golpe na presidenta Dilma, para compor mesa na Câmara e no Senado. Sei que faz parte do jogo. Mas com golpista eu não sento em mesa. Fiz charge criticando a bancada do PT na Alesp que destituiu o deputado Rillo, forte opositor ao governador Alckmin, e aprovou as contas do tucano. Eu teria feito uma charge criticando o desemprego, resultado da política de recessão do Levy, no segundo mandato da Dilma, mas não quis me arriscar a fazer coro com coxinhas.
Está decepcionado com o PT?
Sim e não. Tenho 54 anos. Vi muita coisa acontecer aqui: fim do governo militar; Tancredo trair o movimento das Diretas Já e se eleger pelo voto indireto com o Sarney de vice; Collor, apoiado pela mídia, mentiu na TV, ganhou a eleição e sequestrou a poupança do povo; impeachment de presidente-marajá; Itamar assumir implantar o Plano Real, FHC roubar a autoria e se eleger com isso (que tinha muitos acertos) ia resolver a vida de todos e o desemprego só aumentava, e as privatizações queimando estatais a preço de banana. Quando o PT chegou ao governo federal o país mudou pra melhor. Tivemos inclusão social, melhorias incomparáveis na saúde e educação (que vergonha, hein FHC?). A BBC Brasil, que não tem nada de petista, fez matéria intitulada O legado dos 13 anos do PT no poder em seis indicadores internacionais:
1. Ranking das maiores economias: Em 2002, o Brasil ocupava a 13ª posição no ranking global de economias medido pelo PIB em dólar, segundo dados do Banco Mundial e FMI. Chegou a ser o 6º em 2011, desbancando a Grã-Bretanha, mas voltou a cair. Hoje, é a 9ª maior economia do mundo de acordo com esse indicador. 2. IDH e combate a pobreza: O Índice de Desenvolvimento Humano era de 0,649 no início dos anos 2000, chegou a 0,755 hoje, o que indica uma melhora. O Bolsa Família é retratado como modelo de programa social bem-sucedido. 5 milhões de brasileiros deixaram a extrema pobreza. E por volta de 2009 o programa havia reduzido a taxa de pobreza em 8 pontos percentuais, aumento da escolaridade no país e avanços no combate a miséria. Especialistas consultados pela BBC Brasil veem nas políticas sociais o maior legado positivo dos 13 anos do PT no poder no Brasil. 3. Gini — Desigualdade: O coeficiente Gini do Brasil, nos cálculos do Banco Mundial, passou de 58,6, em 2002, para 52,9, em 2013 (último dado disponível). Em 2014, um relatório da ONU sobre o tema também registrou uma queda significativa da desigualdade no Brasil na última década, com o Gini passando, nos cálculos das Nações Unidas, de 54,2 para 45,9. 4. Percepção de corrupção: Em 2002, o Brasil ocupava a 45ª posição do ranking de percepção da corrupção da Transparência Internacional (TI), que incluía análises de 102 países. Em 2015, passamos para o 76º lugar entre 168 países. 5. PISA — Educação: No relatório de 2013, com dados de 65 países (alguns ricos, como Japão, Suíça e Alemanha, o Brasil ocupou a posição 55 no ranking de leitura, 58 no de matemática e 59 no de ciências. Ou seja, comparativamente avançou em relação ao 2000. 6. Ambiente para negócios: É outra área em que os especialistas veem certa estagnação como saldo dos 13 anos do governo petista, com deterioração na gestão Dilma.
Mas esperava que o Partido que fundei e ajudei a construir tivesse princípios mais ortodoxos no que se refere a alianças e intolerância com a corrupção (neste quesito Dilma foi muito mais firme do que Lula, o que lhe custou o mandato). Sempre defendi que o PT só se aliasse com partidos de esquerda, mas Lula nunca teria sido presidente do país. O seu vice e principal aliado junto ao empresariado foi José Alencar, do Partido Liberal (que era anti-PT nos tempos do malufista Afif Domingos). Se não fosse a bancada vendida do PMDB, Lula não teria governado. Mesmo assim, eu ainda fazia charges criticando os pontos que considerava falhos e alguns amigos fizeram parcerias em algumas (como o Heringer e Mauro Alvim). Concordávamos que alguns apoios eram deploráveis como Collor, Sarney, Maluf (hoje sei que estes apoios eram pró-forma, estes senhores apoiaram e apoiam o PSDB, mas estavam numa aliança “circunstancial”) Em 2004, quando estourou o escândalo com Waldomiro Diniz, assessor de José Dirceu, na Casa Civil, eu fiquei possesso. Ele não tinha o direito de colocar tudo a perder, logo quando Lula começava a fazer as coisas que tinha se proposto. Nesse momento teve uma debandada do PT. Até eu escrevi carta de desfiliação, publiquei no Orkut, mas quando vi a direita comemorando o que pra eles seria o fim do partido, resolvi ficar. Lula estava acertando a mão, depois de dois anos em que não aprovava nada no Congresso. Ele queria acertar. E sabia que o país só melhoraria com emprego, empresas crescendo, melhores salários, distribuição de renda e políticas sociais. Você não combate crise com recessão (coisa que o Levy tentou fazer com o aval errado da Dilma). E vem o Zé e faz aquilo. Outra coisa absurda foi o empréstimo que custou a prisão de Genoíno. Apesar das minhas críticas ao PT, a minha única certeza era não querer fazer parte daquele coro de anti-petistas (velhos e novos) que tentavam jogar tudo na mesma vala, fazendo a alegria da direita sórdida. Mas, quanto ao partido, joguei a toalha. Não me refiliei e não participo mais das convenções do partido, apesar de achar que o PT é uma referência em administração pública (efetivou as melhores políticas sociais, educacionais e de saúde pública) e continuar a apoiar seus candidatos.
Se ficar comprovado, mostrando fatos, que realmente o ex-presidente Lula é responsável por tudo o que é acusado, você faria uma charge dele retratando-o como condenado?
Sim, se for realmente COMPROVADO e não apenas por convicção ou delações negociadas pra libertar os corruptores, como o MPF-Curitiba costuma fazer. O caso do triplex vem bem a calhar: a família do Lula não passou um fim de semana sequer no tal triplex (que ele com o salário de presidente poderia tranquilamente comprar), a PF já declarou que a OAS é dona do apartamento e o juiz Moro continua batendo na mesma tecla, e aceitou (ou combinou) a história que Odebrecht enviou 13 milhões em espécie pro Lula numa mochila. Na boa, se este for a prova que vai condenar Lula eu farei a charge sim, contra o juiz que enterrou as provas de corrupção no Banestado no Paraná, atropelou a democracia e a verdade. FHC comprou um apartamento que vale 11 milhões de euros na avenida Foch, em Paris, e ninguém se espanta e nem vira matéria de jornal ou TV.27
Depois de quinze anos, Dirceu, Genoino e Delúbio foram inocentados.
Dirceu, Genoino e Delúbio foram presos, em 15 de novembro de 2013. Joaquim Barbosa foi o primeiro juiz a serviço do golpe, a querer "refundar" a República. Escolheu a data da prisão, no dia da Proclamação, feriado prolongado pra castigar a família 7 dias. Não permitiu semi-aberto, mesmo a legislação permitindo. A Globo ficou na porta do presídio, noite e dia. Insuflava os familiares dos presos da Papuda a agredirem os petistas. Também anunciava no JN que "haveria rumores" de que os presos planejariam uma rebelião, contra os petistas presos. A Globo quis matar Dirceu, Genoino e Delúbio. Na primeira visita da família, repórteres da Globo estavam lá. Queriam saber se eles estariam recebendo privilégios que os demais presos não receberiam. Uma lata de feijoada, comprada na cadeia, foi motivo de matéria nos jornais e TVs por dias. A Globo chamou de "privilégio", "escândalo" e pediu mais pena. A mídia quis matar Dirceu, Genoino e Delúbio. Genoino precisava de cuidados médicos. Pediu semiaberto. Recebeu não. Passou mal no presídio.Não permitiram que ele se consultasse com um cardiologista. Queriam matar Dirceu, Genoino e Delúbio. Ano de manifestações, ruas cheirando a ódio. A performance de Barbosa quis surfar no ódio, nas bombas, na indignação da classe média. Enfim, Dirceu conseguiu um emprego num hotel e pediu semiaberto. A Globo protestou! Exigia que ele permanecesse preso. Fizeram campanha para que ele não pudesse aceitar o emprego. Protestaram o suposto salário que ele receberia. Até um "ator", com rolos de revistas Veja amarrados na cintura, arrumaram para forjar "homem-bomba invade hotel e faz refém". Nos helicópteros da Globo, a repórter dizia: "O terrorista está no 13º andar. Este é o hotel que empregou o mensaleiro José Dirceu". Sem provas, sem crimes comprovados, com desculpas esfarrapadas de 'literatura jurídica", "domínio do fato", delação de gente da baixeza de um Roberto Jefferson, prenderam 3 homens que a justiça declarou inocentes, 15 anos depois de aberta a investigação. Eles renunciaram aos seus mandatos e, mesmo assim, Barbosa, o primeiro juiz ladrão deste golpe, puxou o caso pro seu colo, pra que na última instância, o direito à defesa já começasse prejudicado. Sem ter acusação que valesse apenação, inventou a tese de "formação de quadrilha". Não aceitava embargos que protestassem contra sua criminosa tese. Sua tese caiu. O "delito" que sobrou do processo garantia semiaberto aos apenados. Barbosa, dono da caneta da sentença, pesou toda a sua mão corrupta e decretou prisão, sem direitos. A Globo apoiou toda a delinquência de Barbosa porque já haviam combinado o "show" de horrores penais. Barbosa escolheu, a dedo, o pior juiz de execução penal que ele poderia escolher. Aplicou multas milionárias que nenhum deles teria condições de pagar. A Globo inventava irregularidades no presídio, como uso de celulares, para que o direito ao semiaberto nem fosse discutido. Antes de Moro, os EUA já tinham comprado Barbosa. Antes da Lava Jato, o "Mensalão" foi o primeiro lawfare 28no Brasil. Dirceu, Genoino e Delúbio foram inocentados, porque contra eles nunca houve prova. Genoino saindo daquele sobradinho do BNH, rodeado pelos filhos, sua família simples, mostrava que a justiça importada do Dep. Estado Norte-Americano era imunda, injusta, delinquente, desonesta e perversa. Joaquim Barbosa foi o primeiro juiz lixo de um golpe que começou lá no mensalão. Comprou um apartamento numa offshore do Panama Papers, assim que prendeu os nomes mais fortes do PT. Desde que o PT foi eleito, em 2002, o golpe já enriqueceu muitos juízes e promotores corruptos. Tirou dos melhores políticos desse país, o direito de fazerem política. Deu a política nas mãos de pistoleiros, traficantes, fundamentalistas e genocidas. Lula ainda luta pelo direito de derrubar todos os processos patifes que Dallagnol inventou sobre ele, sua esposa e seus filhos. Não faltam provas de que Dallagnol é um promotor ladrão. Que a Lava Jato é uma quadrilha. Que a patifaria de Curitiba roubou R$2 bilhões e sumiu com o dinheiro. Não faltam sinais de que o CNJ está acobertando uma organização criminosa. Lula será inocentado. Mas pra fazer justiça no Brasil, pra limpar as instituições brasileiras dos juristas corruptos, inocentar Lula, Dirceu, Genoíno e todos os petistas vítimas de lawfare, não basta. Lawfare é a premeditação de um genocídio.29
A caricatura de Duke, é a prova de que o antipetismo é um ser fora da lógica. O quadrinhista sugere que a sigla PT e sinônimo de “propina para todos”. Esta afirmando que todos que fazem parte do PT recebem propina. Ora, do PT fazem parte milhares de pessoas no país inteiro. Imaginar que milhares de pessoas recebem propina, é, no mínimo, um devaneio, uma alucinação. Ao generalizar, Duke entra no raciocínio raso do antipetismo.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Duke_(cartunista)
https://domtotal.com/noticia/687681/2013/11/duke-novo-chargista-do-domtotal/
Jota Camelo tem uma caricatura que revela todo o raciocínio raso do anticomunista. Usar vermelho, é sinal de subversão.
https://www.esquerdavirtual.com/jota-camelo
https://porem.net/2017/12/20/minha-charge-e-um-contraponto-ao-discurso-martelado-pela-midia/
Para o antipetismo, tudo é culpa do PT, como se o PT fosse uma divindade que estivesse em todos os lugares em simultâneo.
1Mestre em História do Brasil (PUCRS) Licenciado em História(UFSM).
2 "Queremismo – Wikipédia, a enciclopédia livre." https://pt.wikipedia.org/wiki/Queremismo. Acessado em 7 nov.. 2020.
3 "protagónico - Tradução em português – Linguee." https://www.linguee.com.br/espanhol-portugues/traducao/protag%C3%B3nico.html. Acessado em 7 nov.. 2020.
4 Queremismo: um movimento político-popular e as suas consequências para a esquerda nacionalista brasileira. Ibirapuan B. N. A. Puertas. Mestre em História Social pela UFRJ, e doutorando em Ciência Política, pelo IUPERJ. Desenvolve pesquisas em história política, mais especificamente sobre as esquerdas no Brasil e sua relação com o nacionalismo brasileiro. Última publicação: nacionalismo, democracia e bem-estar do povo: a luta antifascista no Brasil e a gênese da esquerda nacionalista brasileira. Rio de Janeiro: Letra e Imagem, 2007. CSOnline – Revista Eletrônica de Ciências Sociais Ano 2, Volume 5, dezembro 2008. https://periodicos.ufjf.br/index.php/csonline/article/view/17087 .
5 PRESTES, Anita Leocádia. Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro. São Paulo: Editora, 2016.
6 REIS, Daniel Aarão. Luís Carlos Prestes: um revolucionário entre dois mundos. São Paulo: Cia das Letras, 2014.
7 MOTTA, Rodrigo Patto Sá. Batalhas em torno do Mito: Luiz Carlos Prestes. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, n.34, p.91-115, jul.-dez. 2004.
8 O humor contra Vargas: desenhos comunistas do período da campanha eleitoral ao suicídio (1950-1954). Rodrigo Rodriguez Tavares rrtvrs@gmail.com . Universidade Federal do Paraná, Brasil
Revista Tempo e Argumento, vol. 8, núm. 18, 2016. Universidade do Estado de Santa Catarina. Esta obra está bajo una Licencia Creative Commons Atribución-NoComercial-SinDerivar 3.0 Internacional.
Recepção: 11 Julho 2016. Aprovação: 26 Agosto 2016. DOI: https://dx.doi.org/10.5965/2175180308182016068. Financiamento: Fonte: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Fonte: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). https://www.redalyc.org/jatsRepo/3381/338147802005/html/index.html .
10 https://www.sul21.com.br/postsrascunho/2011/04/brizola-elege-se-governador-aos-36-anos-com-670-mil-votos/ . http://sampaulocartunista.blogspot.com/2019/01/salve-brizola.html .
11 "Falta a imprensa carioca no “Dossiê-1964” | Observatório da ...." http://www.observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/ed707-falta-a-imprensa-carioca-no-dossie-1964/. Acessado em 4 nov.. 2020.
12 "A imprensa carioca no golpe de Estado | Observatório da ...." 3 abr.. 2012, http://www.observatoriodaimprensa.com.br/interesse-publico/ed688-a-imprensa-carioca-no-golpe-de-estado/. Acessado em 4 nov.. 2020.
13 "Antigetulismo, anticomunismo e antipetismo | Observatório da ...." 11 nov.. 2014, http://www.observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/_ed824_antigetulismo_anticomunismo_e_antipetismo/. Acessado em 4 nov.. 2020.
14 "O "Antipetismo" de direita e "esquerda" deve ser derrotado ...." 10 nov.. 2018, https://vozoperariarj.com/2018/11/10/o-antipetismo-de-direita-e-esquerda-deve-ser-derrotado/. Acessado em 4 nov.. 2020.
15 "Arrivista - Dicionário inFormal." https://www.dicionarioinformal.com.br/arrivista/. Acessado em 7 nov.. 2020.
16 Lula chama Bolsonaro de “ignorante”, critica Mandetta e diz que antipetismo é “bobagem”. Qui , 16/04/2020 às 12:00 | Atualizado em: 16/04/2020 às 12:28. https://atarde.uol.com.br/politica/noticias/2125515-lula-chama-bolsonaro-de-ignorante-critica-mandetta-e-diz-que-antipetismo-e-bobagem
18 "Folha de S.Paulo - Caras: Cor de celebridades revela critérios ...." 23 nov.. 2008, https://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/fj2311200827.htm. Acessado em 3 nov.. 2020.
19 "Afro-brasileiros – Wikipédia, a enciclopédia livre." https://pt.wikipedia.org/wiki/Afro-brasileiros. Acessado em 3 nov.. 2020.
20 "highpop back up: Daltonismo na população brasileira." 24 nov.. 2008, http://bloghighpopteste.blogspot.com/2008/11/daltonismo-na-populacao-brasileira.html. Acessado em 3 nov.. 2020.
22 Nação Mestiça – 15/08/2018
24 Rafael Spaca. Spacca por Spaca. Bravo! Mar 23, 2017 · https://medium.com/revista-bravo/spacca-por-spaca-817519622eb4 .
25 "Foro de São Paulo – Wikipédia, a enciclopédia livre." https://pt.wikipedia.org/wiki/Foro_de_S%C3%A3o_Paulo. Acessado em 7 nov.. 2020.
27 “Faço o que acho correto”. Na série de entrevistas com grandes quadrinistas brasileiros, Rafael Spaca fala de desenho e militância política com Bira Dantas. Bravo! Jun 29, 2017 · https://medium.com/revista-bravo/fa%C3%A7o-o-que-acho-correto-a5f7577f512f .
28 "Lawfare – Wikipédia, a enciclopédia livre." https://pt.wikipedia.org/wiki/Lawfare. Acessado em 7 nov.. 2020.
29 Malu Aires. A mídia quis matar Dirceu, Genoino e Delúbio...e o PT. Eles foram presos, em 15 de novembro de 2013. Pensar Piauí, em 22/08/2020 às 16:22.https://pensarpiaui.com/noticia/a-midia-quis-matar-dirceu-genoino-e-delubioe-o-pt.html . http://ptbahia.org.br/2020/08/23/malu-aires-dirceu-genoino-e-delubio-foram-presos-em-15-de-novembro-de-2013/ . Malu Aires - Paulistana, radicada em Belo Horizonte desde 1996. Compositora e intérprete. Escreve, interpreta e produz para Junkbox (1999 a 2011), projeto de art rock. Produção independente - performances "Theatro" e "Florais" e o álbum "Florais". Solista do grupo de rock progressivo Sagrado Coração da Terra, entre 2001 e 2002, com participações especiais em 2006 e 2007. Solista do grupo Transfônica Orkestra, em 2002. Participação especial em 2009, show em Serpa, Portugal. Intérprete da trilha sonora da novela O Clone, Rede Globo entre 2001 e 2002 com discografia internacional pelo selo Sonhos e Sons e pelas gravadoras Som Livre e Sony Music. Atualmente apresenta dois projetos artísticos simultâneos: Malu Aires interpreta Roberto Carlos - concerto para obras românticas do Rei das décadas de 60 e 70. Sagrado Coração da Terra por Malu Aires - leitura particular da artista para obras da discografia completa do grupo. Site: http://maluairesinconcert.blogspot.com . http://sociedadedospoetasamigos.blogspot.com/2013/03/minha-mae-diria-me-digas-com-quem-tu.html .


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