O que está em Jogo na Atual Conjuntura Ou A Geração que Deseja Reviver o Passado
Claudio Antunes Boucinha1
"Como Nossos Pais
Antônio Carlos Belchior
Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa
Por isso cuidado, meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado pra nós
Que somos jovens
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço
O seu lábio e a sua voz
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sinto tudo na ferida viva
Do meu coração
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem
Hoje eu sei
Que quem me deu a ideia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando o vil metal
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais”2
"Com mais de 30
Marcos Valle / Paulo Sérgio Valle
Não confie em ninguém com mais de trinta anos
Não confie em ninguém com mais de trinta cruzeiros
O professor tem mais de trinta conselhos
Mas ele tem mais de trinta, oh mais de trinta
Oh mais de trinta
Não confie em ninguém com mais de trinta ternos
Não acredite em ninguém com mais de trinta vestidos
O diretor quer mais de trinta minutos
Pra dirigir sua vida, a sua vida
A sua vida
Eu meço a vida nas coisas que eu faço
E nas coisas que eu sonho e não faço
Eu me desloco no tempo e no espaço
Passo a passo, faço mais um traço Faço mais um passo, traço a
traço
Sou prisioneiro do ar poluído
O artigo trinta eu conheço de ouvido
Eu me desloco no tempo e no espaço
Na fumaça um mundo novo faço Faço um novo mundo na fumaça
Não confie em ninguém…"3
Introdução
Por quais motivos o candidato fascista ganhou as eleições e quais
são os seus propósitos como governante? Os analistas políticos
ainda oscilam em afirmar o caráter fascista do governo. Uns,
imaginam um novo Jânio Quadros, não sem razão: o Jânio de Lula4.
Outros, inventam um boneco, um Pinóquio manipulado, marionete de
banqueiros. Os psiquiatras, analisam a psicopatia evidente, pelo seu
alto grau de alusão a partes, do corpo humano, ligadas a
sexualidade; bem como a altíssima demonstração de armas. Mas
talvez a resposta seja bem outra e bem mais fácil. Trata-se de um
enfrentamento entre gerações, pela memória dos anos 1970. A
geração de 1980 criou a nova Constituição, que enterrou a herança
do regime militar, mas não fez os enfrentamentos necessários. A
herança da ditadura militar não foi julgada. Preferiu-se o caminho
da conciliação. Daí resultando uma aura de otimismo em torno dos
anos 70. Era época do “Milagre Econômico” e a classe média
entrava em “catarse”, com o processo de urbanização e compra de
todo o tipo de “geringonças” tecnológicas, tidas como modernas,
de acordo com o padrão norte-americano. A televisão brasileira 5,
enchia os olhos de todos. Era a vez da “Transamazônica”, das
obras “faraônicas”. O dinheiro norte-americano chegando aos
borbotões. Essa mesma geração 70, não compreendeu, até hoje, que
o Brasil mudou. Não compreendeu que não era somente a classe média
que tinha direito ao paraíso. Foi por isso que o PT nasceu, em meio
aos tanques e metralhadoras que invadiam os bairros dos
trabalhadores, em São Paulo. Parte da classe média, mas não toda,
foi incapaz de pensar a inclusão de amplos setores da população
brasileira. Queria ter o direito que tinha, secularmente, a classe
alta, de ter empregada doméstica. A classe média queria ser “sinhô
e sinhá”. Nunca imaginaria que essa mesma empregada doméstica não
queria mais esse título e nem esse poder. A empregada doméstica
também queria ser “doutor, doutora”. É esse anseio de
libertação, do povo negro e do povo índio, que o PT nasceu. E
nesse momento que o Brasil vive, existem dois projetos: um, que
volta ao passado, escravocrata e arrogante, de supremacia racial 6.
E o outro projeto, que busca a inclusão de todos na sociedade.
Mostrar o que foi os anos 70, é essencial, nesse momento.
“Você classificaria
de neofascista esse governo? Há quem não admita que é um fascismo.
Seria um fascismo tropical?
De fato, eles não estão
lendo a literatura fascista e se apropriando de suas ideias. Os
historiadores têm sempre um cuidado extremo com o uso de categorias
políticas, preferem ver o uso de tradições políticas que estão
se misturando para criar novos fenômenos. Não gostam de reutilizar
as mesmas palavras e categorias. Mas essa dimensão de mobilização
de multidões em torno de um homem forte com uma agenda
ultraconservadora, a criação de milícias, da força militarizada,
exaltação da virilidade, da força, da violência é uma invenção
do pré-fascismo, um momento em que a direita ocidental se reinventou
para virar uma força de massa. Isso obviamente atravessa todo o
século XX e sobreviveu em certos países no século XXI. Mas tem
muitas outras dimensões no 'bolsonarismo' até porque de todas os
governos de extrema-direita atualmente pipocando no Ocidente,
Bolsonaro foi quem mais abraçou a revolução neoliberal dos últimos
40 anos. Não é o caso de todo mundo. Em alguns países, a
extrema-direita é absolutamente radical nas questões sociais,
morais, em relação à imigração, etc, mas tem uma relação
ambígua com o neoliberalismo, com a soberania econômica. Bolsonaro
não tem. Ele é um herdeiro de uma tradição fascista.
Mas ele vai precisar de outro nome frente a História”.7
Alison Flood (2019) é a repórter de livros do The Guardian e
ex-editora de notícias da Bookseller8.
Flood (2019) cita uma informação de Marc Burrows, sobre Terry
Pratchett.
.
“Em
1995, a internet era um mundo de conexões dial-up e grupos de
notícias da Usenet, mas, de acordo com seu biógrafo, Terry
Pratchett já havia 'previsto com precisão como a internet iria
propagar e legitimar notícias falsas'. Marc Burrows estava
vasculhando velhos recortes sobre o falecido autor de Discworld para
sua próxima biografia, quando se deparou com uma entrevista que
Pratchett fizera com o fundador da Microsoft, Bill Gates, em julho de
1995, para GQ. 'Digamos que eu me chame de Instituto de
algo-por-outro e decido promover um tratado espúrio dizendo que os
judeus foram inteiramente responsáveis pela segunda guerra
mundial e o Holocausto não aconteceu', disse Pratchett, quase 25
anos atrás. 'E isso é divulgado na internet e está disponível nos
mesmos termos de qualquer pesquisa histórica que tenha passado por
revisão por pares e assim por diante. Há
uma espécie de paridade de estima de informação na rede. Está
tudo lá: não há como descobrir se essas coisas têm alguma base ou
se alguém acabou de inventar'”.9
Pode ser que Terry Pratchett, em 1995, teve uma visão sobre o tema
da internet e a veracidade. E que essa informação tenha muito a ver
com o que se passa na atualidade. Agora, é preciso aprofundar o
assunto. Qual o segmento social que está mais predisposto a uma
notícia falsa? Não há como afirmar que todas as pessoas que estão
em rede, participam da mesma maneira, da mesma forma. Ou seja, é
preciso fazer uma pesquisa científica para que se observe como a
notícia falsa funciona efetivamente na internet. Não se pode
inviabilizar a internet por causa de suas supostas debilidades. Quais
os grupos sociais que estão mais vulneráveis a uma notícia falsa?
Por outro lado, é real a ideia de que existe uma paridade entre
notícia falsa e pesquisa científica? Os estudos encontrados sugerem
que os idosos têm um fascínio imenso em espalhar notícias falsas,
bem ao contrário dos jovens.
Um estudo apontou que pessoas com mais de 65 anos são mais propensas
a divulgar na internet notícias falsas, também chamadas de "fake
news".
“O
artigo - assinado por Andrew Guess, da Universidade Princeton, e
Jonathan Nagler e Joshua Tucker, da Universidade de Nova York (NYU),
ambas nos EUA - foi publicado pela revista científica Science
Advances na última quarta-feira (9). Nele, os autores analisaram as
publicações de um grupo de usuários do Facebook durante a campanha
presidencial americana, em 2016. A pesquisa concluiu que, de forma
geral, o 'compartilhamento de artigos de sites de notícias falsas
foi uma atividade rara'. 'A ampla maioria dos usuários do Facebook
no nosso banco de dados (91,5%) não divulgou nenhum artigo de
portais de notícias falsas em 2016', dizem os autores. Mas o estudo
identificou que os usuários na faixa etária mais velha, acima dos
65 anos, compartilharam sete vezes mais artigos de portais de
notícias falsas do que o grupo etário mais jovem (18 a 29 anos).
(…) Alguns analistas afirmaram que esses conteúdos tiveram um
impacto que pode ter afetado o resultado eleitoral nos EUA em 2016.
Os autores do artigo dizem, porém, que estudos indicam que esses
argumentos "são exagerados". A pesquisa afirma ainda que
as pessoas que compartilhavam mais notícias eram em geral menos
propensas a divulgar conteúdos falsos. "Esses dados são
consistentes com a hipótese de que pessoas que compartilham muitos
links têm mais familiaridade com o que elas estão vendo e são mais
aptas a distinguir notícias falsas de notícias reais", diz o
estudo. Os autores apontam, porém, que não foi possível descobrir
se os participantes sabiam que estavam divulgando notícias falsas.
Os pesquisadores dizem também que os achados indicam que questões
demográficas devem ser mais enfocadas em pesquisas sobre o
comportamento político, conforme a população americana envelhece e
a tecnologia muda com grande velocidade”.10
Aparentemente, os jovens são os mais afetados por fake news.
“A
Microsoft divulgou ontem, dia 5, Dia da Internet Segura, uma pesquisa
com dados sobre os riscos que existem online e como os brasileiros
são afetados por isso. A pesquisa foi encomendada pela Microsoft e
realizada pela Telecommunications Research Group em 22 países. Para
começar, os jovens são os mais vulneráveis a golpes na internet.
Os Millennials (pessoas de 18 a 34 anos) atingiram as maiores taxas
de risco e consequências, com um Índice de Cidadania Digital da
Microsoft (ICD) de 73%”.11
Ou ainda,
afirmar que “as crianças estão bem. O vovô é o problema”12?
Ou seria melhor afirmar que “Idosos, entre 50 e 65 anos, são as
pessoas mais propensas a divulgar Fake News”13?
Na verdade, a pesquisa fala em pessoas de mais de 65 anos de idade14.
Ou seja, pessoas nascidas antes de 1954, que estariam com 65 anos, no
mínimo, como um dos limites, considerando o ano de 2019. Uma pessoa
nascida em 1933, teria atualmente, oitenta e seis anos. Uma outra,
nascida em 1949, teria setenta anos.
“Antigamente, as
gerações eram classificadas a cada 25 anos. Hoje em dia, no
entanto, as coisas mudam cada vez mais rápido. Desse modo,
especialistas afirmam que novas gerações, com características e
comportamentos distintos, estão surgindo a cada 10 anos. E diante de
tantos avanços tecnológicos, não sabemos nem como essas transições
se darão daqui a alguns anos”.15
No caso,
está-se considerando gerações antigas, nascidas antes dos anos
1960. Visto que, considerando como válidas as características dos
que nasceram depois da década de 1960, estás não estariam no foco
da questão:
“A geração X.
Essa é a geração que inclui as pessoas que nasceram do início de
1960 até o início dos anos 1980. Trata-se de uma geração que é
marcada pelo questionamento, que foi transgressora e defendeu seus
próprios direitos. É a geração responsável pela competição
entre produtos e marcas diferentes. São pessoas que se esqueceram
dos problemas que lhes foram empregados e se preocuparam em fazer
carreira no mercado. Viram surgir a internet, o computador, o e-mail,
o celular, entre outras inovações. Algumas outras características
da geração X são: busca pela liberdade, preocupação com as
gerações futuras, busca pelos direitos, maturidade, escolha de
produtos pela qualidade e a busca pela individualidade, mas sem
abandonar a convivência em grupo”.16
As
gerações posteriores ao ano de 1960, estariam fora do estudo,
conquanto tivessem em torno de cinquenta e nove anos. Considerando o
ano de 1954, mais vinte e cinco anos, ter-se-ia a geração dos
finais dos anos 70, 1979, no seu momento de consciência do mundo,
supostamente, como um dos limites. Os nascidos em 1939, teriam
oitenta anos, na atualidade 17;
mais vinte e cinco anos, depois de nascidos, ter-se-ia o ano de 1964.
Dessa maneira, ter-se-ia um período de 1964 a 1979, que, no caso do
Brasil, corresponderia ao regime militar. Portanto,
pode-se concluir, entre outras, que a geração que hoje está
combatendo a Constituição de 1988, e que apoia o fascismo, é a que
apoiou a ditadura militar no país.
A
presença da geração de mais idade na Internet pode ser comprovada
pela pesquisa.
“Envelhecimento e
as perspectivas de inclusão digital. A partir da concepção de
envelhecimento saudável e ativo e das análises sobre dados da
tecnologia digital e do celular, focados nas faixas etárias de 45
a 59 anos e 60 anos ou mais, podemos extrair algumas
considerações finais. O acesso ao computador e à internet por essa
população ainda é pequeno; porém, quando ocorre, a frequência
e o uso são quase tão altos quanto às outras faixas etárias.
Para a faixa de 60 anos ou mais, as habilidades para uso dos vários
recursos do computador e da internet são limitadas a algumas poucas
funções. Da mesma maneira, o acesso ao celular é pequeno e há uma
subutilização dos recursos que ele fornece e que podem ser úteis
aos indivíduos com 60 anos ou mais. O envelhecimento interfere no
desempenho de determinadas habilidades cognitivas. Estudos mostram
que os idosos com alta escolaridade apresentam melhor desempenho em
provas de memória ligadas à linguagem do que os que têm
escolaridade baixa (Souza et al., 201018).
Em pesquisas (Kachar, 2006; 200919)
sobre a interação da terceira idade com a informática, dentro de
estruturas de ensino e aprendizagem adequadas e específicas ao
perfil do aluno, mostram-se as possibilidades de desenvolvimento de
habilidades para uso do computador. E são apontadas contribuições
significativas associadas aos aspectos social e cognitivo, no
envelhecimento. Além da questão da inclusão digital, que promove a
inclusão social (Kachar, 2009), podemos atuar na perspectiva da
prevenção, na medida em que podem ser estimuladas funções
cognitivas em situações específicas de ensino e aprendizagem com
pessoas de 45 anos ou mais. A partir do desenvolvimento das
habilidades para uso das tecnologias, é possível transferir para
outras situações semelhantes [Uma aluna da terceira idade afirmou
(em comunicação pessoal) que depois das aulas de informática havia
adquirido maior confiança e facilidade para lidar com os caixas
eletrônicos]como consultar caixas eletrônicos e afins. Os cursos de
inclusão digital necessitam estar configurados de acordo com o
perfil da população, com atendimento específico e com turmas
pequenas e de mesma faixa etária, para promover o acesso e a
capacitação do uso destes recursos tecnológicos. Outra perspectiva
é constituir espaços de alfabetização e letramento digital no
currículo dos programas voltados para indivíduos de 45 anos ou
mais, como as universidades abertas à maturidade. As escolas já
incorporaram os recursos informáticos do computador, celular e games
às estratégias didáticas, constituindo novas conformações nos
contextos educacionais para abrigar os artefatos que já se encontram
nos espaços familiares, comerciais e de lazer. É necessário que
programas que atendem adultos mais velhos, também reinventem novos
espaços conectados com as tecnologias da informação e comunicação.
É recomendável incorporar às programações curriculares,
estratégias pedagógicas com informática, propostas com games e
atividades de imersão em ambiente virtual. Devem ser respeitadas as
condições de entendimento e interesse do público, com vistas à
inclusão no contexto das evoluções tecnológicas, numa aproximação
gradativa e progressiva com o universo digital que se dissemina em
todos os setores da sociedade. Incluindo essa população na dinâmica
de transformação tecnológica, aumentando o grau de autonomia,
constituindo novos projetos de vida na direção do exercício da
cidadania e do bem estar na maturidade”. 20
“Nos países
desenvolvidos, o tempo cronológico desempenha um papel fundamental,
é a idade de 65 anos, que determina o direito à aposentadoria.
(...) Entretanto, a OMS com base na qualidade de vida ofertada,
considera idoso nos países desenvolvidos as pessoas com 65 anos ou
mais e nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, os
cidadãos a partir de 60 anos de idade (CAMARANO, 2004:421).
(…) A região sudeste manteve a estrutura etária mais
envelhecida de todas; A região sul foi a segunda em termos de
quantidade de idosos em relação ao total da população. As duas
regiões tinham em 2010 um contingente de idosos com 65 anos ou mais
de 8,1% e quanto a população de crianças menores de 5 anos era de
6,5% no Sudeste e 6,4% no Sul. (…) O mesmo autor, Frédéric
Serriére (200322),
verificou que em 2003, 2/3 dos Babyboomers americanos, de 50 a 64
anos, já usavam a internet. Esta quantidade baixava muito quando se
incluía aqueles a partir de 65 anos. (…) De 1991 a 2000
verificou-se um considerável aumento de sete pontos percentuais da
população idosa recebendo mais de cinco salários mínimo. A
principal fonte de rendimento dos idosos de 60 anos ou mais foi a
aposentadoria ou a pensão, equivalendo a 66,2%, e chegando a 74,7%
no caso do grupo de 65 anos ou mais (IBGE, 2000: 2823).
(…) Os idosos em domicílios unipessoais são mais frequentes nos
estados da Região Sul e da Sudeste. Estas mesmas regiões
apresentaram uma evolução semelhante da estrutura etária, se
mantendo como as duas regiões mais envelhecidas do país. As duas
regiões tinham em 2010 um contingente de idosos com 65 anos ou mais
de 8,1% (IBGE, 2011:56). (…) Ziegler (201424)
entrevistou Mirian Goldenberg a respeito de sua pesquisa junto aos
idosos, em especial sobre seu livro “A Bela Velhice”, publicado
em 201325.
A seguir alguns trechos reveladores de diferentes reportagens em
jornais online que vêm apresentando mudanças na vida e no interesse
dos idosos que indicam o comportamento do “Novo Idoso”. (…)
A quantidade de idosos que usam redes sociais disparou. De acordo com
o estudo “Internet Life”, realizado pelo “Pew Institute” com
mais de 2,2 mil pessoas – com 18 anos ou mais –, por telefone,
entre abril e maio de 2013, a porcentagem de pessoas com mais de 65
anos que navega por sites como Facebook e Twitter cresceu 43 vezes.
Em 2006, em outra edição do mesmo estudo, dentre as pessoas com a
faixa etária em questão, apenas 1% acessava redes sociais, contra
43% da pesquisa feita este ano – em comparação com 2009, esse
número triplicou (CROFFI, 201326).
(…) A pesquisa de KURNIAWAN et al (2006: 99127)
obteve resultados na Inglaterra que apontam para um gradativo aumento
do uso de celulares de acordo com a diminuição da faixa etária; no
ano de 2003, quase 90% da população entre 15 e 34 anos detinham um
celular, 70% entre 35 e 64 anos, 53% de 65 a 74 anos e 24% de 75
anos ou mais são proprietários de um aparelho de celular. (…)
De acordo com uma pesquisa da Pew (2006 apud PAK & MCLAUGHLIN,
2011:0228)
41% dos usuários da internet tinham mais de 65 anos de idade.
Serviços de banco online são muito populares e dos usuários da
internet, 43% faziam uso desses serviços. No entanto, apenas 27% dos
usuários de 65 anos ou mais faziam uso regular dos serviços de
banco online. (…) Adultos acima de 65 anos querem usar a
tecnologia e obter as vantagens que um mundo tecnológico é capaz de
oferecer. Em torno da metade dos adultos entre 65 e 74 anos são
assinantes de telefones celulares e um terço daqueles acima de 75
anos pagam pelo serviço. O Centro do Futuro Digital (Center for
the Digital Future) descobriu em 2009 que 40% das pessoas acima de
65 anos nos Estados Unidos são usuárias da internet. (…)
Segundo os resultados da pesquisa Internet Life, realizada pelo Pew
Institute entre abril e maio de 2013, a porcentagem de pessoas com
mais de 65 anos que navega por sites como Facebook e Twitter cresceu
43 vezes, desde 2006, a última edição desta pesquisa (CROFI,
2013). (…)”.29
Craig
Silverman(2019) vê os idosos como fragilizados, passivos, vítimas
da política. A visão conservadora do mundo, é a tônica entre os
idosos americanos.
"FORT WASHINGTON,
Maryland - É final da manhã e cerca de 25 idosos estão aprendendo
a falar com Siri. Eles pegam seus iPads e apertam o botão home, e
pings ecoam pela sala enquanto Siri pergunta o que ela pode fazer
para ajudar.
"Siri, qual é o
café mais próximo?", Pergunta uma mulher.
"Desculpe, estou
tendo problemas com a conexão, por favor, tente novamente?"
Siri diz.
Um punhado de
funcionários da AARP, a organização nacional sem fins lucrativos
voltada para os americanos de 50 anos ou mais, fica atrás dos
participantes e entra para ajudar. Eles estão em Fort Washington,
Maryland, para oferecer quatro oficinas gratuitas sobre como usar um
iPad. Os participantes aprendem como ativá-lo, o que é um
aplicativo, como enviar texto e como virar a câmera para tirar uma
selfie, entre outras atividades.
Janae Wheeler, gerente
de comunidade da AARP, dá esses workshops desde 2016 e aperfeiçoou
sua entrega. Ela sugere que as pessoas abram um aplicativo
pressionando seu ícone "da mesma forma que você tocaria o
nariz de um bebê". Durante a seção sobre mensagens de texto,
ela lembra ao grupo para não "escrever um livro em sua mensagem
de texto" e avisa que LOL "usou significa " muito amor
", mas não mais.
"Temos uma meta
importante de colmatar o fosso digital", disse Wheeler ao grupo
no início do dia. "Estar em sintonia com a tecnologia permite
que você realmente se conecte com todas as coisas e pessoas que você
gosta."
É uma mensagem
reconfortante, mas a realidade é mais urgente. Embora muitos
norte-americanos mais velhos, como o resto de nós, tenham adotado as
ferramentas e brinquedos da indústria de tecnologia, um corpo
crescente de pesquisas mostra que eles têm caído
desproporcionalmente aos perigos da desinformação na Internet e
correm o risco de ficar polarizados com seus hábitos online . Embora
isso seja muito importante para eles, também é um enorme desafio
para a sociedade, dado o papel desproporcional que as gerações mais
velhas desempenham na vida civil e as mudanças demográficas que
estão aumentando seu poder e influência .
Pessoas com 65 anos
ou mais irão em breve formar o maior grupo etário único nos
Estados Unidos, e permanecerão assim por décadas, de acordo com o
Censo dos EUA . Essa enorme mudança demográfica está ocorrendo
quando essa faixa etária está se movendo on-line e para o Facebook
em massa, lutando profundamente com a alfabetização digital e sendo
alvo de uma ampla gama de mal-intencionados on-line que tentam
fornecer notícias falsas, infectar seus dispositivos com malware e
roubar seu dinheiro em golpes. No entanto, os idosos estão sendo
deixados de fora do que se tornou uma época de ouro para os esforços
de alfabetização digital.
Desde a eleição de
2016, o financiamento para programas de alfabetização digital
disparou. A Apple acaba de anunciar uma grande doação para o News
Literacy Project e duas iniciativas relacionadas, e parceiros do
Facebook com organizações semelhantes. Mas eles se concentram
principalmente na demografia mais jovem, mesmo quando a próxima
eleição presidencial se aproxima.
Isso significa que as
pessoas que mais sofrem com a informação digital e a tecnologia
correm o risco de se defender sozinhas em um ambiente em que estão
sendo alvo e exploradas precisamente por causa de suas
vulnerabilidades
As pessoas mais
velhas também são mais propensas a votar e a serem politicamente
ativas de outras maneiras, como fazer contribuições políticas.
Eles são mais ricos e, portanto, exercem um tremendo poder
econômico e toda a influência que o acompanha. Com mais e mais
pessoas idosas entrando na Internet, e as futuras mais de 65 gerações
já presentes, o comportamento on-line das pessoas mais velhas, bem
como seu poder crescente, é extremamente importante - ainda que
muitas vezes ignorado.
Quatro estudos recentes
descobriram que os americanos mais velhos são mais propensos a
consumir e compartilhar notícias online falsas do que aqueles em
outras faixas etárias, mesmo quando controlando fatores como o
partidarismo. Outra pesquisa descobriu que os americanos mais velhos
têm uma compreensão pobre ou imprecisa de como os algoritmos de
desempenhar um papel na escolha de qual informação é mostrada a
eles na mídia social, são piores do que as pessoas mais jovens a
diferenciação entre notícias e opinião relatado, e são menos
propensos a registrar a marca de um site de notícias do qual eles
consomem informações. Esses hábitos de consumo digital e de
notícias se cruzam com características-chave dos americanos mais
velhos, como a probabilidade de morar em áreas rurais e isoladas
e, talvez em parte, como resultado de um alto grau de solidão.
Uma pesquisa conduzida pela AARP de americanos descobriu que 36% das
pessoas com idades entre 60 e 69 anos estavam solitárias, enquanto
24% das pessoas com 70 anos ou mais se registraram como solitárias.
(A pesquisa se concentrou em adultos com mais de 45 anos). Como
resultado, agora é essencial entender melhor os efeitos das mídias
sociais, a solidão e a falta de alfabetização digital em pessoas
idosas, de acordo com Vijeth Iyengar, um psicólogo especializado em
envelhecimento do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA
e Dipayan. Ghosh, um membro da Harvard Kennedy School. “Com
evidências recentes de que os adultos mais velhos têm mais
probabilidade de disseminar notícias falsas em comparação com seus
colegas mais jovens, juntamente com o crescimento projetado para
esse segmento populacional nas próximas décadas, é crucial avançar
nossa compreensão dos fatores que afetam as formas que os adultos
mais velhos se envolvem com essas plataformas e como, por sua vez,
essas plataformas estão afetando como elas funcionam na sociedade ”,
escreveram em um artigo recente da Scientific American . Kevin
Munger, um cientista político que estuda os hábitos online dos
americanos mais velhos e seu efeito na política, pintou uma imagem
gritante da realidade para muitos americanos mais velhos e sua
relação com a internet. "Eles estão sozinhos,
relativamente ricos, alienados e presos em lugares onde não conhecem
ninguém e se sentem zangados", disse ele. "E eles têm
acesso à internet." O presente e o futuro do que a internet e
as mídias sociais parecem com uma enorme população de idosos
extremamente on-line é desconhecida. Mas o que é claro é que os
americanos mais velhos se tornarão ainda mais uma força on-line a
ser considerada - e ninguém está realmente certo de como isso será,
ou como se preparar para isso. Munger disse que a cultura e o
conteúdo da internet têm sido historicamente determinados por uma
equação que se aproxima das pessoas que têm acesso multiplicadas
por aquelas que têm mais tempo para gastar com isso. "Na
próxima década, vai se tornar muito mais velho", disse ele.
Culpe os boomers.
“As pessoas mais
velhas são a geração esquecida - é por isso que é importante
para nós aprendermos coisas assim”, diz Joshua Rascoe, 70 anos,
após o primeiro workshop da AARP terminar. Rascoe diz que se
aposentou, mas passa o tempo trabalhando com crianças para
ensinar-lhes como começar um pequeno negócio cortando gramados, a
fim de economizar dinheiro e progredir. Ele usou o Facebook para um
negócio anterior, mas disse que está preocupado com as mídias
sociais. "Eu sei como Facebook e eu sei como ir para o
Instagram", diz ele. Mas ele precisa aprender mais porque, a
impressão dele é que “cerca de 80% dele é falso”. Rascoe não
sabe ao certo como navegar por ele. Conforme o dia passa, há muitos
momentos aha na sala. Um primeiro selfie. A primeira vez que texting
uma foto. No final, os participantes estão prontos para entrar
online e experimentar coisas. E é quando eles se tornam alvos,
particularmente no Facebook, que tem visto um crescimento maciço no
número de americanos mais velhos que entram na plataforma desde
2011, de acordo com dados da Gallup . Se há um otário para
notícias falsas no Facebook, é fácil encontrá-las e alimentá-las
mais. Jestin Coler, que dirigiu uma rede de sites que publicaram
material completamente falso sobre ciência, política e outros
tópicos, disse ao BuzzFeed News que os baby boomers eram um grupo
demográfico chave para seus sites porque “são mais propensos a
compartilhar e consumir notícias falsas on-line. , particularmente
no Facebook. ” "Fizemos alvos para grupos de idade mais
avançada ao veicular anúncios, e tenho certeza de que você
encontrará o mesmo com editores hiperpartidários", disse ele.
A experiência em primeira mão de Coler é confirmada por estudo
após estudo, e não apenas quando se trata do Facebook. Pesquisa
publicada em janeiro descobriu que “em média, usuários com mais
de 65 anos [no Facebook] compartilhavam quase sete vezes mais artigos
de domínios de notícias falsas do que o grupo etário mais jovem”.
Descobertas semelhantes vieram de estudos que analisaram a
disseminação de informações falsas no Twitter e na navegação na
web em geral em torno da eleição de 2016. “Pessoas com mais de 60
anos ou 65 anos parecem ser especialmente propensas a consumir e
compartilhar notícias falsas e desinformações online de maneira
mais geral”, disse Brendan Nyhan, professor de ciência política
da Universidade de Michigan e co-autor de um dos estudos, ao BuzzFeed
News. Como observou Coler, os boomers também são grandes
consumidores de conteúdo de páginas políticas hiperpartidárias do
Facebook , que impulsionam um grande engajamento na plataforma ao
estimular a paixão partidária por meio de memes e artigos.
Nicole Hickman James passou anos trabalhando para uma editora que
administrava tanto páginas de Facebook hiperpartidárias liberais
quanto conservadoras e sites associados. Ela diz que com o tempo
ela adaptou seus artigos para leitores mais velhos porque eles eram o
público mais envolvido. “Como um post popular sempre foi 'X
celebrity bate Trump'. Se essa celebridade fosse Jennifer Lawrence,
eu não faria isso porque, na maior parte, os boomers ou não a
conhecem ou não a amam ”, disse ela ao BuzzFeed News por meio de
uma mensagem direta no Twitter. “Mas se Barbra Streisand disser
algo que sempre fará bem. Eu meio que penso no que meus pais / avós
estariam interessados. ” James disse que muitas das pessoas que
regularmente comentavam sobre suas histórias no Facebook ou
estendiam a mão para ela eram mais velhas. Quando ela ocasionalmente
entrava para ajudar a administrar as hiperpartidárias páginas
conservadoras de seu empregador no Facebook, ela via a mesma
coisa. “Os comentaristas eram os mesmos, apenas do outro lado do
corredor. Mais velho, muito partidário, etc. E o
engajamento conservador sempre foi muito maior ”, disse ela em
uma mensagem direta no Twitter. Assim como os sites de notícias
falsas da Coler, esses editores criam anúncios e os direcionam para
pessoas com mais de 50 ou 60 anos. Mas, mesmo que não estejam
tentando alcançar pessoas mais velhas, eles ainda podem encontrar
anúncios atraindo usuários mais ansiosos do Facebook. A Turning
Point USA, um grupo conservador sem fins lucrativos focado em
estudantes universitários, até recentemente recebia a grande
maioria do engajamento de seus anúncios de pessoas mais velhas no
Facebook. O ativista progressista Jordan Uhl destacou isso em
fevereiro quando ele twittou uma série de capturas de tela mostrando
os dados demográficos dos anúncios da Turning Point. O arquivo de
anúncios do Facebook mostra que, após os tweets virais de Uhl, os
anúncios da Turning Point mudaram e começaram a atingir os jovens,
como seria de esperar de um grupo focado no aluno. O Turning Point
não respondeu a um pedido de comentário, mas parece que a
organização inicialmente usou critérios diferentes da idade para
segmentar seus anúncios - e os boomers acabaram sendo os mais
demográficos. Esse também é o caso de Ami Horowitz, um
cineasta conservador que produz pequenos segmentos de vídeo para a
Fox News e frequentemente aparece como convidado. Ele tem veiculado
várias versões de um anúncio pedindo às pessoas para "GOSTAR
se você concordar" que os EUA precisam impedir a imigração
ilegal. As versões visualizadas pelo BuzzFeed News no arquivo de
anúncios do Facebook atingiam principalmente pessoas com mais de
55 anos, sendo que as pessoas com mais de 65 anos eram a maior parte
do público. "Eu não viso idades", disse Horowitz ao
BuzzFeed News em uma mensagem no Facebook. Isso significa que seus
anúncios naturalmente atraíram os usuários mais antigos do
Facebook. (Não está claro quais critérios de segmentação além
da idade que Horowitz usou para seus anúncios, já que ele não
respondeu às perguntas de acompanhamento. O Facebook não quis
comentar sobre essa matéria.) Qualquer pessoa que clicar nesse botão
"Curtir" automaticamente se tornará fã da página de
Horowitz e possivelmente começará a ver seu conteúdo aparecer em
seu Feed de notícias. Alguém que é alvo e clica em muitos anúncios
como estes pode acabar com um perfil no Facebook como Betty
Manlove's. Ela é uma avó e bisavó destaque em uma série PBS
sobre “notícias de lixo.” Manlove tem gostado de mais de
1.400 páginas no Facebook, muitas das quais são conservadoras ou
religiosas hiperpartidárias. Ela reconheceu que seu uso do
Facebook tornou-se insalubre em alguns aspectos. Manlove conseguiu
parar de fumar, mas confessou: “Meu outro vício é o Facebook. Eu
perdi horas no Facebook e deveria estar fazendo outras coisas. ”
Pelo menos três das páginas que ela gostava eram dirigidas pelos
trolls russos da Agência de Pesquisa pela Internet, e pelo menos uma
é uma falsa página conservadora dirigida por um troll liberal
autodeclarado que visa conservadores com histórias e memes falsos.
Cameron Hickey, seu neto, foi produtor da série da PBS e notou o
gosto de sua avó e os hábitos de compartilhamento ao analisar as
páginas hiperpartidárias do Facebook para o programa. Ao
discutir seu uso do Facebook com o BuzzFeed News, ele mencionou
que ela recentemente compartilhou um meme da falsa página
conservadora, mesmo que ele tenha tentado ajudá-la a navegar
melhor pelo Facebook. "Apesar de discutir especificamente essas
questões com minha avó, ela não parou de gostar e compartilhar
coisas na plataforma, e talvez isso seja nossa culpa - não
passar mais tempo com ela", disse ele, acrescentando que "eu
amo minha avó". Essa sensação de frustração misturada com
amor e um pouco de culpa é familiar para muitas pessoas. Mas também
há uma crescente tensão de ressentimento e raiva sendo expressa
publicamente (muitas vezes no Twitter por pessoas da mídia) para os
boomers e o Facebook, e o que os dois juntos fizeram. "Meu
entendimento atual do Facebook é que é o lugar onde todos saem da
necessidade de notícias dos poucos grupos que seguem, e um punhado
de boomers na maior parte vai se tornar um grande disparate",
twittou Christopher Mims, um colunista de tecnologia para jornal de
Wall Street. "A evolução do Facebook da coisa moderna que os
Obamaitas usaram para direcionar jovens otários para a coisa
assustadora que os russos usavam para atacar velhos idiotas era
fascinante para viver", twittou Sonny Bunch, editor executivo do
Washington Free Beacon. Esses sentimentos são provavelmente um
subproduto do fato de que nosso atual ambiente caótico de
informações está criando um abismo histórico nos hábitos de
mídia entre as gerações . Pessoas de 25 anos ou menos são
usuários pesados de plataformas como Snapchat e Instagram e
mal assistem a qualquer TV tradicional. Os americanos mais
velhos são mais propensos a usar o Facebook e assistir TV
tradicional . Pessoas de todas as idades nos EUA estão no
Facebook, mas os mais jovens usam muito menos, e muitas vezes citam o
fato de que seus pais e avós estão lá como um motivo para ficar
longe. Mas, mesmo com uma quantidade crescente de dados mostrando o
quanto os americanos mais velhos lutam com a alfabetização digital,
é injusto apontar o dedo em um grupo etário como a causa da
má-informação na internet, de acordo com Andy Guess, professor
assistente de assuntos de política e público na Universidade de
Princeton, e co-autor de um estudo recente sobre o consumo de
notícias falsas. “É muito fácil se agarrar a uma explicação
como essa. E se parece realmente ressoar com suas experiências, é
quando você deveria parar e pensar: O que estou perdendo? " ele
disse. O ressentimento geracional também isola ainda mais os
boomers, o que agrava o problema. "Parece que vejo muita
solidão", disse James sobre os comentários com os quais ela
interagiu em páginas de Facebook hiperpartidárias conservadoras
e liberais. Sentimentos de isolamento e solidão são fatores
importantes no comportamento online de idosos. Em seu artigo na
Scientific American, Ghosh e Iyengar citaram pesquisas que
descobriram que a solidão pode afetar as funções cognitivas e a
saúde física e mental, e pode resultar em um declínio na
capacidade de se auto- regular." Essa constelação de
comportamentos, que em geral busca evitar conflitos e minimizar o
desapontamento, pode tornar essas pessoas propensas a gravitar em
direção a fontes de informação que espelham sua visão de mundo,
mantendo, assim, um senso de identidade", escrevem eles. Isso se
traduz em hábitos on-line que podem fazer com que pessoas mais
velhas construam inconscientemente bolhas de filtro à medida que
buscam contato e reforço para sua visão de mundo. Também pode
torná-los mais vulneráveis a fraudes e fraudes, que se
tornaram uma epidemia. No início de março, o Departamento de
Justiça anunciou “a maior varredura coordenada de casos de fraudes
de idosos na história”, resultando em acusações contra mais de
260 pessoas “de todo o mundo que vitimaram mais de dois milhões de
americanos, a maioria idosos”. "Crimes contra os idosos visam
algumas das pessoas mais vulneráveis da nossa sociedade",
disse o Procurador Geral Bill Barr. Steve Baker trabalhou para a
Federal Trade Commission por mais de 30 anos, especializando-se em
investigar fraudes e fraudes. Ele disse ao BuzzFeed News que a fraude
na loteria jamaicana , que envolve contar a alguém que ganhou um
prêmio em dinheiro e depois pedir a eles que paguem uma taxa para
coletá-lo, visa especificamente pessoas mais velhas. "Com a
fraude jamaicana, sabemos que eles não estão apenas recebendo
toneladas de pessoas idosas, mas estão procurando pessoas mais
velhas para atingir", disse ele. Baker, que agora dirige um site
e um boletim informativo sobre fraudes dirigidas a consumidores mais
velhos, também disse que é comum que adultos mais velhos que foram
enganados não saibam que foram roubados, o que facilita ainda mais
os criminosos. O anúncio do Departamento de Justiça observou que
recentemente ajudou a organizar a primeira Cúpula Rural e Tribal de
Justiça em Iowa para ajudar a combater o abuso de idosos e a
exploração econômica nessas comunidades. Os americanos mais velhos
são mais propensos a viver em comunidades rurais e isso pode trazer
uma sensação de isolamento que faz com que a internet pareça a
melhor maneira, ou talvez única, de se conectar com os outros. Há
também outra questão delicada em relação aos idosos e suas
interações com a informação e tecnologia digital. É algo que
ninguém quer falar diretamente, muito menos com seus parentes, mas é
uma realidade do envelhecimento: o declínio cognitivo. Somos todos
suscetíveis a isso e podem surgir subitamente ou se arrastar por
anos. Mas, uma vez que isso aconteça, pode afetar drasticamente a
forma como você interage com o mundo. Munger disse que há um
"fenômeno que ainda é um tanto raro, mas será cada vez mais
comum entre os jovens de 90 anos no Facebook com capacidade cognitiva
limitada". "É triste e potencialmente muito perigoso",
disse ele.
Envelhecimento
fora da internet.
Mesmo os boomers que têm
experiência com computadores e tecnologia se sentem um pouco
deixados para trás. No workshop da AARP, Charles Robinson, 75 anos,
estava com sua bengala orgulhosamente usando um chapéu dos Veteranos
das Guerras Estrangeiras. Ele tirou seu iPhone do bolso e disse que
faz tudo, desde pagar contas até e-mails. Enquanto falava com um
repórter, chegou uma mensagem de texto a esse neto perguntando se
Robinson havia conseguido que seu computador de casa voltasse a
funcionar. Ele não tinha, e as instruções enviadas por seu neto
não ajudaram. “Não me sinto muito confiante em fazer o que ele
quer que eu faça. É por isso que eu liguei para ele ”, disse
Robinson. “Ele diz que isso parece um problema muito simples.
Parece simples para ele, você sabe, tudo bem. Ele e sua esposa, Jan
(que deu a ela a idade de 70 anos), são aposentados e passaram os
últimos anos viajando. Eles têm diplomas universitários e
permanecem engajados no mundo ao seu redor. Mas usar a tecnologia é
mais uma luta para eles do que costumava ser. "Nós dois
trabalhamos no governo e fomos para a faculdade, mas a tecnologia
ainda está se movendo, não importa quantos graus você tenha, então
temos que continuar com isso de alguma forma", disse ela,
observando que estava feliz por ter aprendido como para cortar uma
foto. “Anos atrás, quando os computadores foram lançados, nós
éramos mais experientes”. Naturalmente, aqueles que atualmente têm
mais de 65 anos não cresceram usando a internet ou passaram uma
grande parte de suas vidas com isso. Mas será diferente para as
pessoas que completarem 65 anos em outros 20 anos, certo?
Provavelmente não, diz Munger. “A taxa de mudança na internet vai
aumentar, e a medida em que temos pessoas de vinte e poucos anos que
já se sentem alienadas de pessoas adolescentes que experimentam a
internet de forma diferente só vai se tornar mais séria a menos que
a internet ele pára de mudar tão rapidamente ”, disse ele. Um
ávido Facebooker em seus quarenta anos já pode estar intrigado com
o TikTok, por exemplo. E assim é possível que os adultos mais
experientes da Internet se tornem idosos em dificuldades no
amanhã. Isso significa que a questão de como ajudar os idosos a se
adaptar à Internet e ao novo ambiente digital não é apenas para
apoiar os idosos de hoje. As soluções precisam antecipar e atender
às necessidades de alfabetização digital das 65 vantagens do
futuro. Isso é difícil, dado que, a partir de hoje, as pessoas mais
velhas são deixadas de fora do boom da alfabetização digital e,
muitas vezes, lutam para conseguir que os membros da família as
ajudem. Munger diz que uma resposta que poderíamos ver para uma
população da Internet cada vez mais idosa seria "as empresas
de tecnologia e outras elites estabelecidas adotarem uma abordagem
paternalista". “Temos uma internet para crianças, então a
solução pode ser uma internet à prova de seniores. Mas o ponto é
que isso não funcionará porque os veteranos votam muito e não
querem saber o que fazer ”, diz ele. Eles também podem não estar
interessados em aulas de alfabetização digital se não
estiverem enquadradas adequadamente. Coler, o ex-editor de notícias
falsas, disse que um centro sênior em sua cidade na Califórnia
recentemente tentou realizar um workshop de "Dicas para detectar
notícias falsas". Foi cancelado devido a falta de interesse.
"Eu acho que nomear a turma 'Dicas para detectar notícias
falsas' foi mal planejado - todo mundo acha que ELES podem
identificar notícias falsas, mas não outras", disse ele em uma
mensagem direta no Twitter. Munger diz que o ponto de partida é
reconhecer que as pessoas mais velhas estão justificadas em sentir
que não estão recebendo apoio e compreensão adequados, e em
cumpri-las em seus próprios termos. Isso poderia significar mais
ofertas como as oficinas da AARP em uma ampla variedade de áreas,
mas também mais pesquisas para entender como o envelhecimento, as
mídias sociais, a tecnologia e a sociedade se cruzam. “Eu
realmente não culpo as pessoas mais velhas. Eles têm algumas
queixas legítimas, e vamos ter que descobrir como melhor integrá-los
no futuro ”, disse Munger. 30
Para alguns, o debate central que
ocorre, na atualidade, é o que fez o PT em sua governança, e a
oposição do PSDB, DEM e aliados. Em síntese, o que estaria em jogo
é o que o PT fez. Os relatos do que foi feito na economia, com o
Estado, a assistência social, estariam em debate sobre sua validade.
A questão do Estado mínimo versus o Estado de bem-estar social,
seria o centro do debate. No entanto, outros debates se sobrepõem.
São os ideológicos, de seita, de organizações subversivas,
secretas, clandestinas, de extrema-direita, que, aliadas com o
fundamentalismo, imaginam um confronte
entre comunismo contra o capitalismo à moda dos anos da Cortina de
Ferro31,
como se o mundo não tivesse mudado, inclusive a compreensão do que
ocorreu, efetivamente, com o “socialismo real”. Ou seja, como se
o mundo estivesse numa geladeira, petrificado, em criogenia, desde o
fim da segunda guerra mundial.
“Experiência
chinesa e análise da URSS.
Na China, Bettelheim
sente que está testemunhando esse processo de transformação. Em
particular, ele argumenta que a Revolução Cultural - uma revolução
na superestrutura política, ideológica e cultural - mudou a
organização industrial, acompanhando-a com uma participação geral
dos trabalhadores em todas as decisões e superando a divisão do
trabalho manual. e intelectual. Durante esses anos, a China é o
modelo de referência da "escola radical de economia"
neo-marxista, representada por Bettelheim, Paul M. Sweezy, Andrew
Frank Gunder, Samir Amin e outros que, opondo-se teorias de
"modernização", dizem na periferia do sistema capitalista
mundial em 'subdesenvolvidos' 'o desenvolvimento dos países' só é
possível sob a condição de que estes países estão relatórios de
mercado desiguais e desequilibradas dominado pelos países
imperialistas, para escolher um caminho diferente e autônomo: o
desenvolvimento de uma produção sem fins lucrativos ou para um
acúmulo de riqueza abstrata, mas para as necessidades do povo.
Sob o signo desse acesso
"maoïsant" Bettelheim começa seu volumoso livro sobre a
história da União Soviética, a luta de classes na URSS
(1974-1982), onde ele discute as razões das deformações do
socialismo soviético , segundo Bettelheim, é apenas um "capitalismo
de estado". Bettelheim mostra que, após a Revolução Russa, os
bolcheviques não conseguiram estabilizar a aliança de longo prazo
entre trabalhadores e camponeses. Durante a década de 1920, esta
aliança foi substituída por uma aliança de elites da classe
trabalhadora e inteligência técnica contra os camponeses, levando à
coletivização forçada da agricultura em 1928. A ideologia
"economista" (o "primata das forças produtivas"
"), nascido em social-democracia e alimentou os interesses da"
aristocracia operária "e intelectuais progressistas, ressuscita
dentro do Partido bolchevique, funcionando como uma legitimação das
novas elites tecnocráticas que estabelecem as mesmas hierarquias,
divisões de trabalho e diferenciações sociais como capitalismo. No
entanto, a ilusão "legal" de que a propriedade estatal é
definida como "socialista" esconde a exploração real.
Finalmente, Bettelheim questionou a natureza socialista da Revolução
de Outubro, interpretando-a como a tomada de uma corrente radical da
intelligentsia russa que "confiscou" a revolução popular.
Declínio do meio
marxista.
Quando, em 1978, a
República Popular da China sob a liderança de Deng Xiaoping
terminou a estratégia "maoísta" de desenvolvimento
autárquico e guiada pela primazia da política, para reafirmar a
primazia da economia e do mercado de ajuste mundo, o paradigma dos
teóricos do desenvolvimento autônomo perdeu sua força de
convicção. Ao mesmo tempo, a influência do marxismo diminuiu,
especialmente na França, onde marxistas críticos como Bettelheim
perderam sua visibilidade, junto com a ortodoxia arque-comunista.
Ele, que nunca abandonou o pensamento de Marx, perdeu sua autoridade.
Em 1982, ele publicou os dois volumes da terceira parte da luta de
classes na URSS, dedicada ao stalinismo "dominado" e
"dominante", mas o ambiente marxista em que Bettelheim
havia sido enraizado anteriormente havia se dissolvido. Hoje a Índia
é o único país em que Bettelheim ainda é objeto de discussão
[ref. necessária].
herança
Embora seu nome e obra
estejam perdidos em obras contemporâneas, Charles Bettelheim deixou
sua marca. Seu pensamento marxista heterodoxo contribuiu para o
questionamento do "progressivismo" e do "produtivismo"
da esquerda clássica, dando origem a um pensamento "alternativo"
que não mais desloca a idéia de emancipação social do crescimento
industrial. como um fim em si mesmo, mas aspira à inserção do
desenvolvimento produtivo em um contexto de relações sociais
conscientes (basicamente, é apenas a idéia original de Marx: romper
a submissão da ação social ao processo de produção em favor de
sua submissão consciente à produção de necessidades sociais).
Assim, Bettelheim era um intermediário entre o pensamento "vermelho"
e "verde", entre o socialismo e a ecologia. Em termos de
teoria econômica, suas análises, ao distinguir diferentes formas de
capitalismo, influenciaram a Escola de Regulação. Finalmente, ele
liderou o trabalho de pesquisa de muitos estudantes de economia,
incluindo a tese de pós-graduação do economista heterodoxo Jacques
Sapir, diretor de estudos da EHESS, e especialista na economia
pós-soviética, que é um de seus herdeiros desde a década de
1970”.32
Essas pautas de supremacia racial, estão aliadas, secundariamente,
as outras, que desejam herdar o que restou do nazismo, hoje
resgatadas por ordens de cunho maçônico (René Guénon33),
supostamente fundamentadas numa herança esotérica, incluídas aqui
a ideia da Terra plana34,
do combate as mudanças conciliares da igreja católica, pós-Reforma,
defendendo um catolicismo de antes da revolução francesa; bem como
um combate a uma suposta “ideologia”, usando a terminologia
marxista de forma inapropriada e oportunista35,
(visto que foi Marx um dos principais estudiosos do tema ideologia36)
a chamada “ideologia” de gênero37;
uso de fetos humanos em refrigerantes38,
e assim por diante.
Para Maud
chirio, o que está em jogo na atual conjuntura é uma disputa sobre
a memória da época do regime militar.
"A
ascensão de políticos conservadores e ligados à direita é um
fenômeno internacional. A eleição de Donald Trump, nos Estados
Unidos, ou o crescimento de partidos de extrema-direita em países da
Europa, como França, Escandinávia e Suíça, são exemplos de um
movimento que ocorre de maneira global e que influenciaram, embora
com características particulares, as eleições brasileiras de 2018,
com o maior número de eleitos ligados a essa ideologia.
A
historiadora francesa Maud Chirio, professora da Universidade de
Marne-la-Vallée na França, em entrevista ao O POVO, explica a
conexão existente entre o crescimento da direita no atual cenário
político do Brasil e o processo de redemocratização pelo qual a
sociedade brasileira passou após 21 anos de ditadura militar.
Segundo Chirio, essa transição não se completou, devido à
ausência de construção de um discurso memorial forte.
Doutora em história
contemporânea pela Universidade Paris I — Sorbonne, a pesquisadora
iniciou as pesquisas no Brasil no início dos anos 2000, quando ainda
era estudante de mestrado também na Universidade de Paris. A
curiosidade acabou se voltando para o período da ditadura
brasileira, período pouco conhecido em seu país de origem, na
época. O doutorado acabou voltando-se para a mesma área, quando
estudou a pluralidade existente dentro do movimento que estruturou o
regime militar brasileiro, caracterizado pela própria pesquisadora
como um período ambíguo na história brasileira. Nos últimos 18
anos, as visitas anuais ao Brasil prosseguiram assim como a pesquisa
sobre o movimento direitista no país.
O POVO - Como surgiu o
interesse da senhora em estudar a direita brasileira? Por que
especificamente a ditadura e como a ditadura brasileira se diferencia
de outras?
Maud Chirio - Quando eu
cheguei no Brasil, há 18 anos, era uma jovem estudante entrando no
mestrado e descobri quase a existência da ditadura brasileira, que é
um regime muito pouco conhecido na Europa. As ditaduras de segurança
nacional, como são chamadas na Europa, mais famosas são as
ditaduras chilena e argentina, mas houve pouca pesquisa e pouca
repercussão pública da ditadura brasileira. Isso despertou o meu
interesse porque era um assunto novo, totalmente inédito no meu país
e também novo no Brasil, porque eram anos 2000 e naquela época não
tinha muitas pesquisas sobre a ditadura brasileira. O momento de
renascimento de pesquisas sobre ditadura brasileira foi 2004, com
os quarenta anos do golpe. O interesse veio por desconhecimento e
pelo fato dessa ditadura ter sido um pouco esquecida pela história.
A primeira questão para mim foi entender porque tinha sido tão
esquecida. Minha primeira entrada no período (foi para) entender
o esquecimento. Eu percebi que essa era uma questão crucial para
entender não só a ditadura, mas também a transição democrática,
a falta de um processo judicial, de justiça tradicional, que
aconteceu em todos os outros países, em particular revogando a Lei
de Anistia. Todos os outros países revogaram a Lei de Anistia e
tentaram implementar processos judiciais. (...) O esquecimento foi
uma entrada importante para mim e continua sendo um elemento
fundamental para entender o regime e a transição (para a
democracia). Sobre o fato de pesquisar a extrema direita, a impressão
que eu tinha era que as pesquisas sobre o poder militar pensavam as
Forças Armadas, o poder e o Estado como grandes caixas, onde não se
entrava. Não havia, na época em particular, a percepção da
diversidade interna. Então, eu fiquei curiosa porque, no momento em
que a esquerda era pensada em toda a sua diversidade - a esquerda que
tinha uma linha pacífica, a esquerda armada, as diversas linhas
teóricas da esquerda, os diversos aspectos culturais e políticos -,
a direita era muito menos estudada e não era pensada na sua
diversidade. Foi a minha primeira entrada neste tema que era também
de entender a variedade do poder e das forças conservadoras que
implementaram o poder militar.
OP - Esse esquecimento
seria então a principal característica do depois da ditadura, do
processo de redemocratização?
Maud Chirio -
Característica da própria ditadura não é o esquecimento. A
ditadura brasileira tem características próprias que são de uma
ditadura que cultivou a ambiguidade com o sistema republicano,
democrático, mantendo um certo número de instituições, algumas
formais outras em funcionamento. Outra característica dessa
ditadura foi de ter uma estrutura ideológica muito forte, mais de
ter sido criada cedo em comparação com outros regimes de países
vizinhos. Por ter sido criado cedo, esse regime antecedeu boa
parte dos movimentos de esquerda armada, no contexto da Guerra Fria,
e por isso teve pouco inimigo interno a combater (e), por isso, teve
uma letalidade menos importante do que, por exemplo, na Argentina e
no Chile. Não era uma característica intrínseca dos militares ou
da direita brasileira, mas creio que muito mais uma consequência da
cronologia e do fato que havia já um estado militar repressor muito
forte que conseguiu reprimir muito rapidamente uma oposição que era
muito pequena. A ditadura (brasileira) matou menos gente. Torturou
muita gente, prendeu muita gente, oprimiu muita gente, censurou muita
gente, mas matou menos gente do que, por exemplo, a Argentina. E
isso é um elemento que favoreceu um processo de transição
incompleto, porque havia poucas famílias ou parentes suscetíveis
de se mobilizar para exigir os corpos, exigir um relato sobre os
desaparecimentos, exigir reparação. A sociedade no seu conjunto
conseguiu mais rapidamente olhar para outros temas, pensando que isso
era uma coisa positiva, olhar para o futuro, pensar na Constituição,
pensar na reconstrução da nova sociedade. Isso era um sinal de
otimismo de um povo e (que acreditava) que olhar para o passado,
contar o que tinha acontecido, contar como o Estado brasileiro
desviou do estado de direito não era necessário para reconstruir
uma sociedade democrática. As características da ditadura não eram
de moderação, mas foram de menor letalidade (o que) produziu, em
parte, essa transição que foi incompleta. (Há) outros
elementos que explicam essa transição incompleta, em particular a
capacidade das elites brasileiras de se adaptar e de se reassociar a
outros campos, outros partidos. Muitas das elites políticas da
ditadura conseguiram conexões com outros partidos e outros poderes
durante a República. Isso dificultou ter uma depuração real,
um estabelecimento do que tinha acontecido, de quem precisava estar
punido, de quem não podia mais exercer poder, tudo isso não
aconteceu. Em paralelo com o fato de que houve uma pedagogia pública
pequena e tardia. O fato de ter um discurso público sobre a ditadura
foi uma coisa do século 21, só aconteceu no âmbito da Comissão de
Anistia, com as caravanas da Anistia, e não tocou o público,
assim como a Comissão Nacional da Verdade não tocou o público
geral, ou seja, houve uma dificuldade, até um momento recente, em
afirmar que havia acontecido certos fatos, (fatos esses) que eram
condenados e que é legítimo promover (publicizar isso) para o
âmbito público. O que a gente tá percebendo hoje, (em) uma grande
proporção da população, é uma reabilitação da memória
positiva sobre a ditadura (que) é uma consequência direta dessa
fraqueza na afirmação de um discurso coletivo sobre o que tinha
acontecido, o que é uma coisa impensável na Argentina. A direita, o
conservadorismo argentino, pode ser muito radical sobre muitos
pontos, mas o fato de considerar que o período da ditadura foi um
período positivo, que a tortura, que a exterminação política
foram elementos positivos é uma coisa que é totalmente impensável
na Argentina, por enquanto.
OP - Como a transição
considerada incompleta e a falta desse discurso sobre a ditadura pode
ser relacionada com a ascensão de políticos não só identificados
com a direita e a extrema-direita, mas que exaltam a ditadura?
Maud Chirio - O fato de
não ter tido processo, de não ter tido uma política de estado
memorial e judicial forte em relação a esse passado, permitiu que
grupos estejam promovendo uma memória positiva (da ditadura). Grupos
promovendo memória positiva da ditadura sempre existiram, eles nunca
desapareceram. Eles começaram no momento da queda da ditadura, em
1985.
(Por exemplo) No momento da volta dos civis ao poder, houve a
publicação, talvez a mais importante, de denúncias dos crimes da
ditadura que foi a grande pesquisa e reunião de arquivos e o livro
"Brasil Nunca Mais". Imediatamente, houve uma resposta de
setores ultraconservadores e militares, que foi um livro, de um autor
chamado Marco Pollo Giordani, chamado "Brasil Sempre", que
era uma resposta direta. Ou seja, a guerra da memória nunca parou.
Nos últimos 30 anos, nunca parou e sempre houve grupos,
principalmente ancorados nos militares da reserva e no Clube Militar,
que é uma associação de lazer e de conversa de militares da
reserva, (que) nunca pararam de ter um discurso que equiparava as
violências da oposição e do poder, que consideravam que não havia
um desequilíbrio, que não havia um estado opressor, mas que havia
uma guerra civil e que as violências da esquerda eram tão graves e
tão condenáveis quanto a violência do Estado. Um discurso que
também existiu nos países vizinhos do Cone Sul, mas neles esse
discurso foi combatido com mais força pelas autoridades civis da
República. O que não foi verdade no Brasil. O que a gente tá vendo
agora é que um discurso que era extremamente reduzido, extremamente
situado socialmente cinco, seis anos atrás, virou um discurso comum.
Em 2012, houve uma grande mobilização de militares da reserva e
da ativa contra a possibilidade evocada por
uma secretária de Estado do governo de Dilma Rousseff de revogar a
Lei de Anistia. Depois desse discurso houve uma grande
mobilização, mas era uma mobilização de algumas centenas de
pessoas, que não ecoava muito na sociedade.
OP - O que mudou, desde
então?
Maud Chiori - A
pergunta é como esse discurso conseguiu contaminar milhões de
pessoas, de eleitores, de políticos?Eu creio que esse fenômeno
de expansão memorial na população tem duas raízes. A primeira
raiz eu já expliquei é um memorial fraco na sociedade porque nunca
houve uma operação durável, forte, sistemática de memória e
verdade sobre esse momento, apesar da Comissão de Anistia, apesar da
Comissão da Verdade, que fizeram muita coisa, mas que não tiveram
impacto social grande. O segundo elemento é a capacidade de impacto
na psicologia das populações da nova direita americana - que não é
só brasileira, que existe também nos Estados Unidos, em parte da
Europa e em parte da América Latina -, que tem uma estratégia de
conquista das mentes e de inversão dos valores e tem como argumento
que o comunismo ainda existe em todos os países, que os direitos
humanos são uma categoria negativa. Muitos elementos que são comuns
e que combinam com uma memória positiva da ditadura. Ou seja, a
memória positiva da ditadura é a versão brasileira de um ultra
reacionarismo global, que tem objetivos claros de reduzir os direitos
das minorias e reduzir o papel social do Estado.
Muitos objetivos que são financiados de uma maneira muito clara por
grandes interesses que existem em diversos continentes e tem por
objetivo mudar radicalmente a maneira de governar essa sociedade, de
mudar a relação com o ultraliberalismo e de mudar a relação com a
tolerância a diversidade e pluralidade política, da diversidade
étnica, de maneiras de viver.
OP - Então há uma
responsabilidade dos governos pós-redemocratização de não terem
ido a fundo nessa memória?
Maud Chirio - Sim, eu
acho que em parte. Não era uma tarefa fácil, porque havia uma
permanência da classe política, dos interesses econômicos, das
oligarquias tão fortes no Brasil e das Forças Armadas, que tinha
mantido um papel de tutela do poder civil durante muito tempo. Então,
havia enormes resistências à possibilidade de um trabalho memorial
mais a fundo, mas também existiu a crença de que isso não era
totalmente necessário, que uma Comissão da Verdade não era uma
necessidade para reconstruir uma democracia, porque não havia
centenas de milhares de mortos como na América Central ou dezenas de
milhares de mortos como na Argentina. Pelo fato da violência ter
sido diferente e menos letal, isso não (iria) permitir a volta ao
passado. O que a gente está percebendo e confirmando agora é que a
ditadura brasileira foi uma ditadura a partir do momento que um
Estado pode considerar que a integridade física de um cidadão não
é uma necessidade absoluta, que o exercício da Justiça não é uma
necessidade absoluta, já não estamos mais em um regime democrático
ou republicano e que a existência de tal ‘parênteses’ na
história de um país exige verdade, exige uma pedagogia pública.
Porque senão volta. Muitos (de nós) historiadores estamos falando
isso há muito tempo, pensávamos que a Comissão da Verdade seria
esse momento de trabalho de memória. Foi em parte, mas aconteceu
tarde, aconteceu num momento já de muita polarização e crise e foi
muito desgastada pelo contexto em que aconteceu e não teve o impacto
e o efeito esperado. Parece agora que estamos em um país que não
teve uma Comissão da Verdade, que não teve o trabalho fundamental
que uma Comissão da Verdade deve fazer, pode fazer.
OP - A pesquisa de
doutorado da senhora é muito focada nas Forças Armadas (no período
da ditadura brasileira). Nas eleições de 2018 tivemos uma grande
quantidade de militares sendo eleitos para cargos tanto no Executivo
como no Legislativo. O que isso diz sobre a força desse segmento
dentro da política brasileira?
Maud Chirio - A primeira
informação importante, quando se olha a história da República
brasileira de 1889 até hoje, é que a presença militar direta e
indireta foi constante. A Nova República (período da República
brasileira iniciado com a redemocratização em 1988 e que se estende
até hoje) foi uma exceção. Foram 30 anos de exceção. O resto do
tempo havia ou militares no poder ou militares extremamente
associados ao poder ou presidentes eleitos que eram militares. Ou
seja, houve pouquíssimos regimes realmente civis antes da Nova
República. A volta dos militares à política não é uma aberração
na história do Brasil, é a volta à norma. Isso é muito
significativo sobre a cultura política brasileira, que mantém uma
descrença na política, na prática política, que continua
cultivando a ideia de que não é a classe política ou certos
políticos que são incompetentes ou corruptos, mas a prática
política no contexto democrático que é ruim em si. Isso é um
imaginário que atravessa o século XX e o século XXI. Nesse
imaginário existe a ideia de que pessoas que estão fora do sistema
- em particular militares, mas agora estamos vendo a figura dos
juízes, do Judiciário -, que não tem como objetivo ficar atrás de
votos para serem eleitos, seriam mais puros, melhores, capazes de
promover o bem da nação. E esse é um imaginário que nunca
desapareceu da cultura política brasileira, em particular da cultura
das burguesias, das elites. É o que está acontecendo agora. Os
militares estão voltando à política, não chegando, mas voltando
depois de um tempo muito curto de afastamento, porque existe um
momento de crise democrática no Brasil.
OP -Por quê?
Maud Chirio - Houve
elementos reais e elementos construídos por uma propaganda muito bem
articulada de que todo mundo é corrupto e que é necessária a volta
dos militares no poder. Apesar do fato desse elemento ser uma
constante, temos que a volta (ou) chegada dos militares no poder
nunca diminuiu os níveis de corrupção nem melhorou a eficácia de
governos. Eles geralmente governam de uma maneira muito mais
conservadora, muito mais reacionária, mas os níveis de corrupção
durante a ditadura, agora sabemos de maneira muito clara com a
abertura de arquivos, foram muito altos, porque não havia imprensa
livre e não havia uma justiça suscetível de denunciar qualquer
roubo, qualquer desvio de dinheiro. A volta de militares para a
política é uma consequência da crise democrática e de uma cultura
que guardou uma descrença na política civil e isso é uma coisa que
fragiliza muito a democracia no Brasil. Por fim, existe um
crescimento muito forte da extrema direita no Brasil e os militares
são uma instituição mais conservadora do que outras instituições
e havia um pessoal disponível para ocupar parte do espaço político
com um discurso muito direitista. Os eleitores manifestaram o desejo
de votar a favor de militares e de pessoas que defendiam ideias de
extrema direita e esses dois fenômenos favoreceram a entrada de
militares na política.
OP - Em comentários
recentes, a senhora afirmou que a Nova República brasileira acabou
com a eleição de Jair Bolsonaro. Isso estaria relacionado à crise
democrática? De fato se encerrou esse período de Nova República?
Maud Chirio - Não
sabemos o que de fato vai estar implementado. A posse não aconteceu
ainda e vamos ver o que vai acontecer. Mas creio que a Nova República
se baseia não só numa Constituição, mas em valores coletivos, que
foram valores discutidos coletivamente no período de preparação da
Constituição, que são valores de respeito à diversidade, de
respeito a uma nação multicultural, de uma nação multiétnica, da
construção de um estado social, de um Estado que promove a
conquista de direitos para todos os cidadãos. Pensando nesses
valores que foram debatidos e foram resultado de uma longa construção
social, que não foi resultado só da transição democrática, mas
de décadas de luta do movimento negro, do movimento feminista, de
luta dos trabalhadores para seus direitos sociais e a Nova República
foi pensada como consequência e consagração dessas lutas. Pensando
a Nova República dessa maneira, o fato de uma equipe política, que
é o caso do presidente eleito, contradizer quase todos os pontos
desses valores fundadores da República, a coloca em risco mortal. A
oposição de valores é absoluta, não existe quase nenhum valor
básico da Constituição que seja considerado valor básico pelo
novo poder que chegou. Não por acaso é saudoso da ditadura. Uma
pergunta que os leitores podem ter é como um governo saudoso de um
regime ditatorial pode respeitar uma República que foi fundada
justamente contra esse regime ditatorial. Isso é uma contradição
nos termos. Corresponde a visões do mundo, da sociedade, da política
diferentes. Se a República vai sobreviver ao mandato que começa em
2019 vai depender do poder para implementar a sua política. Se o
presidente eleito conseguir implementar a sua política, acredito sim
que a Nova República vai parar. Podemos querer ou esperar que
essa interrupção seja temporária, que seja um parênteses e que a
República esteja reconstruída depois. Mas não será mais uma
República que respeita os valores da Constituição.
OP - A possibilidade de
Jair Bolsonaro ser eleito sempre foi considerada, por alguns
segmentos, como algo distante, um fenômeno muito parecido com a
eleição de Donald Trump (nos Estados Unidos). Foi uma leitura
errônea ou existe algo que justifique essas figuras, que nem sempre
eram levadas a sério, terem conseguido se eleger a presidência de
seus respectivos países?
Maud Chirio - Eu acho
que é um pouco das duas coisas. Existe uma desconexão de certas
parcelas da sociedade que fazem com que muitos cidadãos não (se)
comuniquem uns com os outros. As redes sociais aumentaram isso, o
efeito bolha, o efeito de estar no mundo social e conversar com
pessoas que concordam com a gente e perceber menos que existe um
outro mundo social. É uma coisa que não é só brasileira, é
mundial ou, pelo menos, ocidental. E isso tem como consequência a
dificuldade de pensar que outras pessoas estão pensando de maneira
radicalmente diferente de nós. Isso vale das duas maneiras: as
pessoas que votaram em Bolsonaro, em maioria, não entendem a reação
de quem não votou a favor do Bolsonaro. Não é que só rejeita, não
entende, porque as pessoas não (se) comunicam. Eu acho que é uma
coisa que leva a pensar sobre a fragilização do espaço público e
da opinião pública em um mundo estruturado pelas redes sociais.
Antigamente, quando a fonte única de informação era um jornal, era
público, todo mundo podia ler, parte não comprava, mas tinha uma
visibilidade pública. Agora, grande parte da opinião pública
está se construindo de maneira semi-privada, pelo Whatsapp, pelo
Facebook, e isso divide a sociedade, polariza a sociedade.
Isso explica porque muita gente não imaginava que seria possível o
Trump ou o Bolsonaro estar eleito, enquanto os outros pensavam que a
vitória era certa. (Por exemplo) Muitos aliados do Bolsonaro falavam
que ele ganharia no primeiro turno, meses antes da eleição. Isso é
o primeiro elemento. O segundo elemento é o fato (que) essa divisão
e essa estrutura semi-privada da construção da opinião pública
foi utilizada de maneira muito esperta por pessoas que tinham a
estratégia de levar essas pessoas da extrema direita para o poder.
Isso é uma coisa muito bem estabelecida nos Estados Unidos, houve
muitas investigações da imprensa e trabalhos científicos sobre
isso. Houve interesses financeiros muito poderosos que tiveram uma
estratégia de coleta de dados de dezenas de milhões de cidadãos
para alvejar pessoas e convencer cada uma delas a partir de redes
sociais, para que essa pessoa acredite, segundo o perfil dela, (que
é) um elemento que ligaria ela a determinado candidato. Isso foi uma
operação muito bem orquestrada, muito bem articulada nos Estados
Unidos, permitiu que três estados que sempre votaram pelos
democratas votassem a favor do Trump. Isso foi uma operação
conhecida (...) e que tocou 87 milhões de americanos. E aconteceu a
mesma coisa no Brasil. Coletaram dados pessoais e enviaram, não
pelo Facebook, mas pelo Whatsapp, propaganda especificamente definida
para convencer cada uma dessas pessoas.
Isso teve um efeito de lavagem cerebral rápido e escondido do resto
da opinião pública, porque não tínhamos acesso a essa circulação
de notícias ou de falsas notícias. Isso explica porque foi tão
imprevisível e tão difícil de entender, porque era uma
conspiração. A gente pode utilizar certas palavras fortes que
correspondem a uma operação de propaganda clandestina, isso foi a
apropriação de propaganda clandestina, em parte ilegal.
Se você não recebeu nenhuma dessas mensagens, é porque você não
foi considerado passível de convencer, por isso você não foi
tocado por essa propaganda. Quem não tava na bolha, não tinha
acesso a esse tipo de discurso.
Isso criou não só a chegada ao poder de uma pessoa radicalmente
diferente de um consenso moral de cinco ou quatro anos atrás e
também uma polarização dramática da sociedade. Por exemplo, eu
acredito que quando a gente tiver dados sobre como foi organizada a
campanha pelo Whatsapp, a gente vai descobrir que o Nordeste não foi
considerado um alvo possível, que o Nordeste tinha uma ligação
muito forte com o PT e que não era possível converter o Nordeste e
que daria muito trabalho. Então, essas mensagens nem chegaram ao
Nordeste. Isso explica uma coisa tão inacreditável quando se olha o
mapa do Brasil que é a diferença política do voto do Nordeste e do
resto do país. Eu não acredito que seja só cultura regional, eu
acho que é resultado de uma estratégia de manipulação das massas,
que foi muito bem sucedida e que fabricou essa eleição.39
"A ideia de que a
ditadura foi um período positivo para o Brasil ou mesmo da revisão
da expressão "golpe militar" para "revolução"
ou "movimento" vem sendo propagada por políticos
conservadores nos últimos anos. Desde a época em que era deputado,
Jair Bolsonaro nunca escondeu sua admiração pelos militares. Agora,
na presidência, o pesselista nega a existência de um regime
ditatorial que durou 21 anos no país e impôs que o aniversário de
55 anos da intervenção de 31 de Março de 1964 seja comemorado, uma
iniciativa vista com repúdio por historiadoras francesas
especialistas em Brasil entrevistadas pela RFI. Para Maud Chirio,
professora da Universidade de Paris-Est Marne-La-Vallée, o discurso
em favor da ditadura militar não é um fenômeno recente, sempre
existiu entre os setores mais conservadores da sociedade brasileira,
mas se acentuou com a chegada de Bolsonaro ao poder. O pesselista
chegou a afirmar, em 2016, que "o erro da ditadura foi torturar
e não matar" e diversas vezes prestou homenagem ao coronel
Carlos Alberto Brilhante Ustra, único brasileiro declarado como
torturador pela Justiça, mas morreu antes de ser condenado. A
romantização do período também é realizada por outros membros do
governo de extrema direita. Como o ministro das Relações
Exteriores, Ernesto Araújo, que afirmou na quarta-feira (27) que a
intervenção militar de 1964 não foi "um golpe", mas "um
movimento necessário para que o país não virasse uma ditadura".
Ou o vice-presidente Hamilton Mourão que defendeu "uma revisão
histórica" do período. "A mudança que estamos vendo hoje
é a imposição desta memória positiva, que até então era uma
memória minoritária, que só era dominante em certos setores das
Forças Armadas e setores civis muito conservadores, mas passou a ser
a memória oficial, a da presidência da República", observa
Chirio, especialista em História Contemporânea brasileira. Na
quarta-feira, em entrevista à TV Bandeirantes, ao tentar justificar
a decisão de ordenar a comemoração do aniversário de 55 anos do
Golpe Militar de 1964 pelas Forças Armadas, Bolsonaro afirmou:
"não houve ditadura", deixando clara sua posição
sobre como vê o período governado por militares durante 21 anos no
Brasil. Na época, cerca de 20 mil opositores foram torturados e 434
pessoas foram assassinadas ou desapareceram.
Satisfação de
setores militares.
Chirio avalia que a
postura do presidente brasileiro sobre a questão tem o objetivo de
agradar alguns setores militares. Mas, ressalta: "Bolsonaro
sempre foi um defensor da ditadura e da repressão violenta deste
período. A aclamação do coronel Ustra e de seu discurso é
prova disso. Há trinta anos Bolsonaro é uma voz que insiste na
necessidade da repressão e na ideia de que a ditadura militar
brasileira não foi grave", ressalta. Para a historiadora, há
ainda uma segunda razão para o presidente determinar a volta das
comemorações do 31 de Março pelas Forças Armadas, retirada do
calendário oficial do Exército em 2011 pela ex-presidente Dilma
Rousseff. "É um primeiro passo para a imposição desse novo
discurso oficial em relação à ditadura. Os meios militares são só
o primeiro espaço. Eu temo que, em seguida, as universidades e as
escolas sejam invadidas por essa narrativa que não só é moralmente
condenável, mas que também se apoiam em resultados que são
cientificamente falsos", afirma. Chirio se refere à falsa ideia
disseminada por defensores da ditadura de que o Golpe de 1964 foi
"uma revolução" ou "um movimento" apoiado pela
opinião pública. "Houve setores da burguesia e da classe média
que apoiaram, mas eles eram minoritários em uma sociedade que era
praticamente constituída de classes populares. Pesquisas de opinião
que já existiam na época indicam que o golpe não era um desejo da
população que, majoritariamente, apoiava as reformas de base do
presidente João Goulart e o governo dele", diz.
Crimes da ditadura
como "façanhas ou proezas".
Segundo a historiadora
Armelle Enders, professora da Universidade Paris 8 e pesquisadora do
Instituto de História do Tempo Presente, mais perigoso do que
relevar a gravidade do período militar é "enaltecer os crimes
da ditadura como se fossem façanhas ou proezas". A especialista
em História Contemporânea do Brasil lembra, por exemplo, o último
discurso de Bolsonaro antes do segundo turno das eleições, em 21 de
outubro de 2018. Em tom de vitória, o pesselista prometeu, se fosse
eleito, que enviaria seus opositores e os militantes da esquerda para
"a ponta da praia". A expressão é utilizada por militares
para designar locais clandestinos onde torturas e assassinatos eram
realizados durante a ditadura. Muito mais que a falta de decoro do
presidente, Enders acredita que a negação ou romantização da
ditadura faz parte de um projeto político dele. "O clã
Bolsonaro está apostando nessa radicalização há tempos, pensando
que já há uma base popular que surgiu com a Lava-Jato contra os
políticos e a política em geral", diz. Para a professora, a
falta de reação das instituições contra o discurso radical de
Bolsonaro, desde a época em que era deputado, abriu espaço para que
seu projeto de poder pudesse ser instalado sem maiores dificuldades.
"Não houve uma frente republicana para barrar o que vai de
encontro com a democracia no Brasil", observa. O fenômeno
mostra que "a sociedade brasileira ainda não tem anticorpos
democráticos", afirma.
Ongs e sociedade
protestam.
Desde que Bolsonaro
ordenou a comemoração do Golpe de 1964 pelas Forças Armadas, Ongs
defensoras dos direitos humanos se manifestam contra a iniciativa. Na
quarta-feira, a Human Rights Watch emitiu um comunicado condenando a
decisão do presidente. "É isso que Bolsonaro está celebrando:
4.841 representantes destituídos do cargo, aproximadamente 20 mil
pessoas torturadas, pelo menos 434 pessoas mortas ou desaparecidas",
afirma a ONG. Um grupo formado por vítimas da ditadura e familiares
de pessoas que foram mortas no período protocolaram na quarta-feira
um Mandado de Segurança e uma Ação Popular contra a decisão de
Bolsonaro. "Sob nenhuma legislação nacional ou internacional é
lícito ou aceitável que se festeje o marco inicial de um regime
caracterizado pela repressão e eliminação de opositores políticos,
pela tortura, pelos desaparecimentos forçados e pela morte
perpetrada por agentes do Estado", diz uma nota de repúdio
assinada por diversas personalidades, entre eles, familiares do
jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado no DOI-CODI de
São Paulo, em outubro de 1975".40
Bruno Latour (2019) afirma que o
centro da questão é uma disputa territorial, considerando, por
exemplo, a questão dos refugiados. Mas não é só uma questão
territorial, também tem a validade da informação, em fim, a
civilização.
“PERGUNTA. O senhor
contou que uma vez, sobrevoando a baía de Baffin numa viagem ao
Canadá, viveu um momento revelador ao ver como o gelo retrocedia. O
que aconteceu?
RESPOSTA. Olhando pela
janela, percebi que a placa de gelo, por sua forma, resumia o
problema que vivemos. Ao estar no avião eu já não assistia a um
espetáculo, mas o estava modificando, pois o CO2 que a aeronave
emite influi na placa de gelo. Antes, esse espetáculo – o da placa
de gelo vista do avião – teria tido um caráter sublime. Agora é
complicado senti-lo assim. Se te dizem que você é responsável pelo
que vê, o sentimento é diferente, é uma forma de angústia.
P. Essa é a vertigem da
qual fala no livro?
R. Antes, a angústia
que a natureza nos causava vinha do fato de que éramos pequenos
demais, e a natureza era imensa. Agora temos o mesmo tamanho,
influímos em como a Terra se comporta. E é desorientador, por
exemplo, para os jovens que se manifestam [contra a mudança
climática]. Da extrema esquerda à extrema direita, todas as
posições políticas estão marcadas pela angústia.
P. No caso dos coletes
amarelos ou dos eleitores de Trump, a angústia é mais econômica
que ambiental, não?
R. É como se o solo
do país onde estou já não me fosse favorável. Não é ecológica
no sentido da natureza, mas é do território. O problema é esse
sentimento de perder o mundo. Já existia antes, mas eram os
artistas, os poetas, que o sentiam. Agora é um sentimento coletivo.
P. Segundo o senhor, uma
elite, ante essa situação, diz: “Vamos embora”. Abandona o
barco.
R. Comparemos isso com
as reações fascistas dos anos trinta. Há semelhanças, uma
espécie de retirada nacional, étnica. Mas naquela época eram
projetos de desenvolvimento.
P. Desenvolvimento em
que sentido?
R. Era uma loucura, mas
era um projeto de civilização. Agora estamos diante de um projeto
para desfazer os vínculos, abandonar as construções. A reação
mais extraordinária de Donald Trump consiste em dizer: “Nós não
temos problemas de mudança climática; é algo que ocorre na casa
de vocês, não na nossa.” Ele considera que o continente
americano não está sujeito aos mesmos problemas climáticos que a
Europa ou a China. Isso é uma novidade.
P. Mas Trump é uma
exceção, não? O Acordo de Paris para combater a mudança climática
foi firmado pelos Governos do mundo todo, o que poderíamos chamar de
elites.
R. Essa ideia de
abandonar as obrigações é compartilhada agora também pelo Brasil,
e consiste em dizer: “Vamos embora.” Essa é a versão Trump, mas
existe outra variante high tech que diz: “Nós também vamos,
mas rumo a um futuro tecnófilo extremo.” É o projeto
californiano, pós-humano, Marte, a inteligência artificial, os
robôs. O interessante é que agora existem pessoas que vivem em
planetas diferentes.
P. E outras, diz o
senhor, que fogem para o âmbito local.
R. Sim, a reação dos
que se sentem abandonados pelos que vão embora para Marte é
regressar ao Estado-nação como o imaginam, um Estado-nação
imaginado, uma ficção. O exemplo é o Brexit. Ao contrário dos
fascismos, não há um retorno a uma conquista territorial, e sim
a um Estado-nação vazio de todo sentido prático. Então alguns
vão para Marte, outros regressam ao planeta nacional, que também é
abstrato, e no meio estamos os infelizes que pensamos que, em um
momento ou outro, será preciso aterrissar: reconciliar a economia, o
direito, a identidade com o mundo real do qual dependemos.
P. Aonde regressar
exatamente?
R. Ao [plano] terrestre.
Pode parecer estranho: por que aterrissar se já estamos na Terra?
Mas os europeus, os ocidentais, temos vivido numa Terra muito
utópica. Imaginávamos que ela se desenvolveria ad infinitum,
sem limites. Mas o sonho de que o planeta se modernizaria
indefinidamente nunca foi verificado, não tinha fundamento material.
Desde o século XIX, com o carvão e o petróleo, a economia havia
se tornado infinita. E há uma angústia geral por esse
desajuste.
P. Diante disso, pode
haver uma ideia compartilhada da verdade?
As pessoas se queixam
das fake news e da pós-verdade, mas isso não significa que sejamos
menos capazes de raciocinar. Para conseguir manter um respeito pelos
meios de comunicação, a ciência, as instituições, a autoridade,
deve haver um mundo compartilhado. É um tema que estudei no passado.
Para que os fatos científicos sejam aceitos, é preciso um mundo de
instituições respeitadas. Por exemplo, sobre as vacinas se diz:
'Estas pessoas ficaram loucas, estão contra as vacinas.” Mas não
é um problema cognitivo, de informação. Os que são contra não
serão convencidos com um novo artigo na revista The Lancet. Essas
pessoas dizem: “É este mundo contra este outro mundo, e tudo o que
se diz no mundo de vocês é falso'.
P. Os fatos não existem
independentemente desses mundos?
R. É preciso sustentar
os fatos, não vivem sozinhos. Um fato é só um cordeiro frente aos
lobos.
P. Quem são os lobos?
R. Os que devoram os
fatos. Um fato deve estar instalado numa paisagem, sustentado pelos
costumes de pensamento. São necessários instrumentos e
instituições. As vacinas são o exemplo de um fato que precisa de
uma vida pública. Se eu sair pela rua com uma seringa tentando
vacinar as pessoas, serei considerado um criminoso. Se a vida pública
é deteriorada por pessoas que consideram que – não importa o que
você disser – este não é o mundo delas, os fatos não servem
para nada.
P. Mas nesse caso há um
fato: as vacinas são úteis, não importa se os outros acreditam ou
não.
R. No meu mundo e no dos
leitores do EL PAÍS, sim. Mas nem todo mundo lê o seu jornal, nem
tem um doutorado, nem confia nas instituições médicas, nem vive
num país onde o Ministério da Saúde apoia as vacinas. É preciso
muita coisa para sustentar os fatos.
P. Os dois mundos valem
o mesmo?
R. Não, mas estão em
guerra. É um problema geopolítico. Antes, eram problemas de valores
ou ideologia, mas num tabuleiro estável. Agora, não. O mapa está
em discussão. “Na América não há problema climático, isso é
falso”, diz Trump.
P. Qual é a solução?
R. Se aterrissarmos no
terrestre, poderíamos começar a definir um mundo comum. Então já
não poderíamos nos permitir dizer que não há mudança climática,
que os problemas de saúde não nos dizem respeito, que a
reprodução das abelhas não é nosso problema. Voltaríamos a
discutir entre civilizados.41
1Mestre
em História do Brasil.
2https://www.letras.mus.br/elis-regina/45670/
.https://www.abstrapensa.com.br/2015/02/extraindo-significados-como-nossos-pais_3.html
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https://www.patosonline.com/noticia/marcos-oliveira/59514/ja-nao-somos-os-mesmos-e-nem-vivemos-mais-como-nossos-pais-a-mudanca-ja-comecou-
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http://www.portaldomovimentopopular.com.br/artigos/como-nossos-pais-ainda-somos-os-mesmos-por-ygor-olinto/
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6https://jornalggn.com.br/politica/cla-dallagnol-obteve-metade-de-municipio-do-mt-em-area-equivalente-a-cabo-verde/
.
https://operamundi.uol.com.br/politica-e-economia/59578/familia-dallagnol-recebeu-400-mil-hectares-de-terras-no-mato-grosso-durante-ditadura-militar
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https://www.brasildefato.com.br/2017/08/10/berco-de-ouro-mentalidade-autoritaria-a-arvore-genealogica-da-lava-jato/
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https://apublica.org/2018/05/integrantes-da-lava-jato-vivem-na-mesma-bolha-diz-pesquisador-da-ufpr/
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https://www.pragmatismopolitico.com.br/2018/02/perseguicao-de-moro-a-lula-familia.html
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https://revistaforum.com.br/moro-lacos-de-familia-e-o-ground-zero-da-destruicao-da-justica-e-da-esquerda-no-brasil/
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https://eurio.com.br/coluna/humorcritico/338-na-boca-da-botija.html
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https://www.fabiocampana.com.br/2016/03/dalton-o-pai-de-sergio-moro/
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https://www.porcocapitalista.com.br/alt-right-a-porta-de-entrada-do-eurasianismo-na-america/
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https://www.porcocapitalista.com.br/olavo-de-carvalho-disse-que-darwin-copiou-spencer-cronologicamente-isso-e-impossivel/
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https://www.insieme.com.br/pb/taddone-revela-genealogia-de-bolsonaro/
.
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/bolsonaro-que-perdoou-o-holocausto-citava-sem-parar-o-bisavo-que-foi-soldado-de-hitler-por-kiko-nogueira/
.
7"A
separação dos poderes acabou". Para historiadora Maud Chirio,
especialista dos militares e da ditadura, o Brasil tem uma história
republicana caótica e militarizada. Por Leneide Duarte-Plon
14/07/2019 12:24.
https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/-A-separacao-dos-poderes-acabou-/4/44657
.
9
In 1995, the Internet was a world of dial-up connections and Usenet
newsgroups, but according to his biographer, Terry Pratchett had
already ‘accurately predicted how the Internet would propagate and
legitimize fake news’. Marc Burrows was digging through old
cuttings about the late Discworld author for his forthcoming
biography when he came across an interview Pratchett had done with
Microsoft founder Bill Gates in July 1995, for GQ. ‘Let’s say I
call myself the Institute for Something-or-other and I decide to
promote a spurious treatise saying the Jews were entirely
responsible for the second world war and the Holocaust didn’t
happen’, said Pratchett, almost 25 years ago. ‘And it goes out
there on the Internet and is available on the same terms as any
piece of historical research which has undergone peer review and so
on. There’s a kind of parity of esteem of information on the net.
It’s all there: there’s no way of finding out whether this stuff
has any bottom to it or whether someone has just made it up’”.
Alison Flood. Qui 30 de maio de 2019 16.28 BST Última modificação
em Sex 31 maio 2019 09.16 BST.
https://www.theguardian.com/books/2019/may/30/terry-pratchett-predicted-rise-of-fake-news-in-1995-says-biographer?CMP=share_btn_fb&fbclid=IwAR315Mh2sG4GytikQIY3EcT3U366GR_FjjfHlLprqlXaBBYPZB3NZh4pMkU
10Idosos
são mais propensos a espalhar notícias falsas, diz estudo; 12
janeiro 2019. https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46849533
.
https://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/pesquisa-nos-eua-mostra-que-idosos-compartilham-mais-fake-news-10012019
.
https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2019/02/pessoas-mais-velhas-compartilham-mais-fake-news-aponta-estudo-cjsox0pqs00gf01lh4f2qazmx.html
.
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/tecnologia/2019/01/10/interna_tecnologia,730201/idosos-sao-mais-propensos-a-compartilhar-fake-news-diz-estudo.shtml
. https://projetual.com.br/fake-news-pesquisa/
.
11Brasileiros
são os que mais se deparam com fake news, segundo pesquisa da
Microsoft. No geral, os Millennials atingiram as maiores taxas de
risco e consequências online. Saori Almeida 06/02/2019 às
11:36:00.
https://mundoconectado.com.br/noticias/v/8254/brasileiros-sao-os-que-mais-se-deparam-com-fake-news-segundo-pesquisa-da-microsoft
.
15Características
da geração Z e as suas influências em sala de aula .
https://escoladainteligencia.com.br/caracteristicas-da-geracao-z-e-as-suas-influencias-em-sala-de-aula/
.
16Características
da geração Z e as suas influências em sala de aula .
https://escoladainteligencia.com.br/caracteristicas-da-geracao-z-e-as-suas-influencias-em-sala-de-aula/
.
17“Um
dos 73,9 mil homens gaúchos com 80 anos ou mais (dado da Fundação
de Economia e Estatística, a FEE), Reginald Delmar Hintz Felker
nasceu em 1932, em Cruz Alta, com sangue alemão e polonês nas
veias. Diminuiu as atividade ano passado, agora atende três dias
por semana. Mas, às vezes, entra pela madrugada frente ao
computador, elaborando petições e recursos”. Diego Vara /
Agencia RBS. Conheça histórias de quem já passou dos 80 anos e
segue trabalhando. Eles e elas esbanjam entusiasmo e adoram a
profissão que construíram ao longo da vida; 15/06/2014 –
07h01min. Atualizada em 15/06/2014 — 07h01min
https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2014/06/Conheca-historias-de-quem-ja-passou-dos-80-anos-e-segue-trabalhando-4527155.html
.
18Souza,
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10 set., 2010 em
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19Kachar,
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IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística). Síntese dos indicadores
sociais, uma análise de condições de vida da população
brasileira. Estudo & Pesquisas – Rio de Janeiro: IBGE, 2012
24ZIEGLER,
Maria Fernanda. A imagem do idoso ao longo das décadas: de incapaz
a “coroa conservado”. Reportagem publicada no site
saúde.ig.com.br , em 02/05/2014. Disponível em:
http://saude.ig.com.br/minhasaude/2014-05-02/aimagem-do-idoso-ao-longo-das-decadas-de-incapaz-a-coroa-conservado.html
Acesso em 15/06/2014.
25GOLDENBERG,
Mirian. A Bela Velhice. Rio de Janeiro: Editora Record, 2013.
26CROFFI,
Flávio. Número de idosos que usam redes sociais aumenta 43 vezes
em sete anos. Site Baboo, publicado em:7 de agosto de 2013.
Disponível em:
http://www.baboo.com.br/internet/numero-de-idosos-que-usam-redes-sociaisaumenta-43-vezes-em-sete-anos/
. Acesso em 18 de março de 2014 .
27KURNIAWAN,
Sri. NUGROHO, Yanuar e MAHMUD, Murni. A Study of the Use of Mobile
Phones by Older Persons. CHI 2006 Congress ,April 22–27, 2006
Montreal, Quebec, Canadá. ACM 1-59593-298-4/06/0004
28MCLAUGHLIN,
Anne e PAK, Richard. Designing displays for older adults. Human
Factors & Aging Series. New York, CRC Press – Taylor &
Francis Group, 2011 .
29Stamato,
Cláudia. Idosos, tecnologias de comunicação e socialização /
Cláudia Stamato ; orientadora: Claudia Renata Mont’Alvão;
co-orientadora: Maria Manuela Rupp Quaresma. – 2014. 2v. :
il.(color.) ; 30 cm . Tese (doutorado)–Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro, Departamento de Artes e Design, 2014.
Cláudia Stamato . Idosos, tecnologias de comunicação e
socialização . Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em
Design da PUC-Rio como requisito parcial para obtenção do grau de
Doutor em Design. Aprovada pela Comissão Examinadora abaixo
assinada.
Profa. Claudia Renata
Mont’Alvão Orientadora Departamento de Artes & Design -
PUC-Rio
Profa. Maria Manuela
Rupp Quaresma Departamento de Artes & Design - PUC-Rio
Profa. Luiza Novaes
Departamento de Comunicação Social - PUC-Rio
Profa. Vera Maria
Marsicano Damazio Departamento de Artes & Design - PUC-Rio
Profa. Claudia Rocha
Mourthé Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ
Prof. Giuseppe Amado de
Oliveira Universidade Federal Fluminense - UFF
Profa. Denise Berruezo
Portinari Coordenadora Setorial do Centro de Teologia e Ciências
Humanas – PUC-Rio
Rio de Janeiro, 08 de
agosto de 2014.
http://www.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/1011904_2014_completo.pdf
.
https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/colecao.php?strSecao=resultado&nrSeq=36934@1
.
30FORT
WASHINGTON, Maryland — It’s late morning and roughly 25 senior
citizens are learning how to talk to Siri. They pick up their iPads
and press the home button, and pings echo around the room as Siri
asks what she can do to help.
“Siri,
what’s the closest coffee shop?” one woman asks.
“Sorry
I’m having trouble with the connection, please try again?” Siri
says.
A handful
of employees with AARP, the national nonprofit focused on Americans
age 50 and older, hover behind the participants and jump in to help.
They’re in Fort Washington, Maryland, to deliver four free
workshops about how to use an iPad. Participants learn how to turn
it on, what an app is, how to text, and how to flip the camera to
take a selfie, among other activities.
Janae
Wheeler, an AARP community manager, has been giving these workshops
since 2016, and has perfected her delivery. She suggests people open
an app by pressing its icon “as nicely as you would tap a baby’s
nose.” During the section on text messaging, she reminds the group
not to “write a textbook in your text message” and advises that
LOL “used to mean ‘lots of love,’ but doesn’t anymore.”
“We have
an important goal of bridging the digital divide,” Wheeler told
the group at the start of the day. “Being in tune with technology
enables you to really connect with all the things and people you
care about.”
It’s a
comforting message, but the reality is more urgent. Although many
older Americans have, like the rest of us, embraced the tools and
playthings of the technology industry, a growing body of research
shows they have disproportionately fallen prey to the dangers of
internet misinformation and risk being further polarized by their
online habits. While that matters much to them, it’s also a
massive challenge for society given the outsize role older
generations play in civic life, and demographic changes that are
increasing their power and influence.
People 65
and older will soon make up the largest single age group in the
United States, and will remain that way for decades to come,
according to the US Census. This massive demographic shift is
occurring when this age group is moving online and onto Facebook in
droves, deeply struggling with digital literacy, and being targeted
by a wide range of online bad actors who try to feed them fake news,
infect their devices with malware, and steal their money in scams.
Yet older people are largely being left out of what has become
something of a golden age for digital literacy efforts.
Since the
2016 election, funding for digital literacy programs has
skyrocketed. Apple just announced a major donation to the News
Literacy Project and two related initiatives, and Facebook partners
with similar organizations. But they primarily focus on younger
demographics, even as the next presidential election grows closer.
This means
the very people who struggle the most with digital information and
technology risk being left to fend for themselves in an environment
where they’re being targeted and exploited precisely because of
their vulnerabilities.
Older
people are also more likely to vote and to be politically active in
other ways, such as making political contributions. They are
wealthier and therefore wield tremendous economic power and all of
the influence that comes with it. With more and more older people
going online, and future 65-plus generations already there, the
online behavior of older people, as well as their rising power, is
incredibly important — yet often ignored.
Four
recent studies found that older Americans are more likely to consume
and share false online news than those in other age groups, even
when controlling for factors such as partisanship. Other research
has found that older Americans have a poor or inaccurate grasp of
how algorithms play a role in selecting what information is shown to
them on social media, are worse than younger people at
differentiating between reported news and opinion, and are less
likely to register the brand of a news site they consume information
from.
Those
digital and news consumption habits intersect with key
characteristics of older Americans, such as being more likely to
live in rural and isolated areas, and, perhaps in part as a result,
to experience a high degree of loneliness. A survey conducted by
AARP of Americans found that 36% of people ages 60–69 were lonely,
while 24% of those ages 70 and older registered as lonely. (The
survey focused on adults over 45.)
As a
result, it’s now essential to better understand the effects of
social media, loneliness, and a lack of digital literacy on older
people, according to Vijeth Iyengar, a psychologist focused on aging
at the US Department of Health and Human Services, and Dipayan
Ghosh, a fellow at the Harvard Kennedy School.
“With
recent evidence that older adults are much more likely to
disseminate fake news compared with their younger counterparts,
coupled with the projected growth for this population segment in the
decades to come, it is crucial to advance our understanding of the
factors affecting the ways in which older adults engage with these
platforms and how in turn these platforms are affecting how they
function in society,” they wrote in a recent article for
Scientific American.
Kevin
Munger, a political scientist who studies the online habits of older
Americans and their effect on politics, painted a stark image of the
reality for many older Americans and their relationship with the
internet.
“They’re
alone, relatively wealthy, alienated, and stuck in places where they
don’t know anybody and feel angry,” he said. “And they have
access to the internet.”
The
present and future of what the internet and social media look like
with a massive population of extremely online seniors is unknown.
But what’s clear is older Americans will become even more of an
online force to be reckoned with — and no one is really sure what
that will look like, or how to prepare for it.
Munger
said the culture and content of the internet have historically been
determined by an equation that roughly works out to the people who
have access multiplied by those who have the most time to spend on
it.
“In the
next decade, it’s going to become way more old people,” he said.
Blame the
boomers.
“Older
people are the forgotten generation — that’s why it’s
important for us to learn stuff like this,” says Joshua Rascoe,
70, after the first AARP workshop wraps up.
Rascoe
says he’s retired but spends time working with kids to teach them
how to start a small business mowing lawns in order to save money
and get ahead. He used Facebook for a previous business but said
he’s wary of social media.
“I know
how to Facebook and I know how to go to Instagram,” he says. But
he needs to learn more because, his impression is, “about 80% of
it is fake.” Rascoe just isn’t sure how to navigate around it.
As the day
goes on, there are many aha moments in the room. A first selfie. The
first time texting a photo. By the end, participants are ready to go
online and try things. And that’s when they become targets,
particularly on Facebook, which has seen massive growth in the
number of older Americans joining the platform since 2011, according
to data from Gallup. If there’s a sucker for fake news on
Facebook, it’s easy to find them and feed them more.
Jestin
Coler, who ran a network of websites that published completely false
material about science, politics, and other topics, told BuzzFeed
News that baby boomers were a key demographic for his sites because
they “are absolutely more likely to share and consume fake news
online, particularly on Facebook.”
“We did
target older age groups when running ads, and I'm sure you will find
the same with hyperpartisan publishers,” he said.
Coler’s
firsthand experience is borne out by study after study, and not just
when it comes to Facebook.
Research
published in January found that “On average, users over 65 [on
Facebook] shared nearly seven times as many articles from fake news
domains as the youngest age group.” Similar findings have come
from studies looking at the spread of false information on Twitter
and at web browsing in general around the 2016 election.
“People
over 60 or 65 seem to be especially prone to consuming and sharing
fake news and online misinformation more generally,” Brendan
Nyhan, a political science professor at the University of Michigan
and a coauthor of one of the studies, told BuzzFeed News.
As Coler
noted, boomers are also big consumers of content from hyperpartisan
political Facebook pages, which drive huge engagement on the
platform by stoking partisan passion via memes and articles. Nicole
Hickman James spent years working for a publisher that ran both
liberal and conservative hyperpartisan Facebook pages and associated
websites. She says over time she tailored her articles to older
readers because they were the most engaged audience.
“Like a
popular post was always ‘X celebrity slams Trump.’ If that celeb
was Jennifer Lawrence I wouldn’t do it because for the most part
boomers either don’t know of her or care for her,” she told
BuzzFeed News via a Twitter direct message. “But if Barbra
Streisand says something that will always do well. I kind of think
of what my own parents/grandparents would be interested in.”
James said
a lot of the people who regularly commented on her stories on
Facebook or reached out to her were older. When she would
occasionally pitch in to help run her employer’s hyperpartisan
conservative Facebook pages, she saw the same thing. “The
commenters were the same, just on the other side of the aisle.
Older, very partisan, etc. And the conservative engagement was
always much higher,” she said in a Twitter direct message.
As with
Coler’s fake news sites, these publishers create ads and target
them at people older than 50 or 60. But even if they’re not trying
to reach older people, they may still find their ads attracting
eager older Facebook users. Turning Point USA, a non-profit
conservative group focused on college students, was until very
recently receiving the vast majority of engagement for its ads from
older people on Facebook
Progressive
activist Jordan Uhl highlighted this in February when he tweeted a
series of screenshots showing the demographic data for Turning
Point’s ads.
The
Facebook ad archive shows that after Uhl’s viral tweets, Turning
Point’s ads changed and began reaching young people, as one would
expect for a student-focused group. Turning Point did not respond to
a request for comment, but it seems the organization initially used
criteria other than age to target its ads — and boomers just
happened to be the most receptive demographic.
That’s
also the case for Ami Horowitz, a conservative filmmaker who
produces short video segments for Fox News and often appears as a
guest. He’s been running multiple versions of an ad asking people
to “LIKE if you agree” that the US needs to stop illegal
immigration.
The
versions viewed by BuzzFeed News in the Facebook ad archive
primarily reached people older than 55, with those over 65 being the
largest portion of audience. “I do not target any ages,”
Horowitz told BuzzFeed News in a Facebook message.
That means
his ads naturally appealed to older Facebook users. (It’s unclear
what targeting criteria other than age Horowitz used for his ads, as
he did not respond to follow up questions. Facebook declined to
comment for this story.)
Anyone who
clicks that Like button would automatically become a fan of
Horowitz’s page, and possibly begin to see his content show up in
their News Feed. Someone who is targeted by, and clicks on, many ads
like these can end up with a Facebook profile like Betty Manlove’s.
She’s a grandmother and great-grandmother featured in a PBS series
about “junk news.”
Manlove
has liked more than 1,400 Facebook pages, many of which are
hyperpartisan conservative or religious. She recognized that her
Facebook usage has become unhealthy in some ways. Manlove managed to
quit smoking but confessed, “My other addiction is Facebook. I
have lost hours on Facebook that I should have been doing other
things.”
At least
three of the pages she liked were run by the Russian trolls at the
Internet Research Agency, and at least one is a fake conservative
page run by a self-described liberal troll who targets conservatives
with false stories and memes.
Cameron
Hickey, her grandson, was a producer for the PBS series and noticed
his grandmother’s liking and sharing habits when analyzing
hyperpartisan Facebook pages for the show. When discussing her
Facebook usage with BuzzFeed News, he mentioned that she had
recently shared a meme from the fake conservative page, even though
he’s tried to help her better navigate Facebook.
"Despite
very specifically discussing these issues with my grandmother, she
hasn't stopped liking and sharing things on the platform, and
perhaps that is our fault — not spending more time with her,"
he said, adding “I love my grandma.”
That sense
of frustration mixed with love and a tinge of guilt is familiar to
many people. But there’s also a rising strain of resentment and
anger being expressed publicly (often on Twitter by media insiders)
toward boomers and Facebook, and what the two together have wrought.
“My
current understanding of Facebook is that it's the place everyone
goes out of necessity for news from the handful of groups they
follow, and a handful of mostly boomers go to redpill themselves
into believing utter nonsense,” tweeted Christopher Mims, a
technology columnist for the Wall Street Journal.
“The
evolution of Facebook from the hip thing Obamaites used to target
young suckers into the scary thing Russians used to target old
suckers has been fascinating to live through,” tweeted Sonny
Bunch, executive editor of the Washington Free Beacon.
These
sentiments are likely a byproduct of the fact that our current
chaotic information environment is creating a historic gulf in the
media habits between generations. People 25 and younger are heavy
users of platforms such as Snapchat and Instagram and barely watch
any traditional TV. Older Americans are more likely to use Facebook
and watch traditional TV. People of all ages in the US are on
Facebook, but younger people use it far less, and often cite the
fact that their parents and grandparents are there as a reason to
stay away.
But even
with a growing amount of data showing how much older Americans
struggle with digital literacy, it’s unfair to point the finger at
one age group as the cause of informational rot on the internet,
according to Andy Guess, an assistant professor of politics and
public affairs at Princeton University, and the coauthor of a recent
study about fake news consumption.
“It’s
really easy to latch onto an explanation like that. And if it seems
to really resonate with your experiences, that’s when you should
stop and think, What am I missing?” he said.
Generational
resentment also further isolates boomers, which compounds the
problem.
“Seems
like I see a lot of loneliness,” James said of the commenters she
interacted with on liberal and conservative hyperpartisan Facebook
pages.
Feelings
of isolation and loneliness are important factors in the online
behavior of older people. In their Scientific American article,
Ghosh and Iyengar cited research that found loneliness can affect
cognitive functions and physical and mental health, and can result
in a decline in the ability to self-regulate.
“This
constellation of behaviors, which broadly seeks to avoid conflict
and minimize disappointment, may make these individuals prone to
gravitating towards sources of information that mirror their own
worldview thereby maintaining a sense of self,” they write.
That
translates into online habits that could cause older people to
unwittingly construct filter bubbles as they seek out contact and
reinforcement for their worldview. It may also make them more
vulnerable to elder scams and fraud, which have become an epidemic.
In early
March, the Department of Justice announced “the largest
coordinated sweep of elder fraud cases in history,” resulting in
charges against more than 260 people “from around the globe who
victimized more than two million Americans, most of them elderly.”
“Crimes
against the elderly target some of the most vulnerable people in our
society,” Attorney General Bill Barr said.
Steve
Baker worked for the Federal Trade Commission for more than 30
years, specializing in investigating fraud and scams. He told
BuzzFeed News that the Jamaican lottery fraud, which involves
telling someone they won a cash prize and then asking them to pay a
fee to collect it, specifically targets older people.
“With
the Jamaican fraud, we know they’re not only getting tons of older
people but they’re looking for older people to target,” he said.
Baker, who
now runs a website and newsletter about frauds targeting older
consumers, also said it’s common for older adults who’ve been
scammed to genuinely not realize they’ve been ripped off, which
makes it even easier on the crooks.
The DOJ
announcement noted that it recently helped organize the first Rural
and Tribal Elder Justice Summit in Iowa to help combat elder abuse
and economic exploitation in these communities. Older Americans are
more likely to live in rural communities and this can bring with it
a sense of isolation that makes the internet seem like the best, or
perhaps only, way to connect with others.
There is
also another, delicate issue regarding older people and their
interactions with digital information and technology. It’s
something no one wants to talk about directly, least of all with
their relatives, but it’s a reality of aging: cognitive decline.
We are all susceptible to it, and it can come on suddenly or creep
up over years. But once it has taken hold, it can drastically affect
how you interact with the world.
Munger
said there is a “phenomenon which is still somewhat rare but will
be increasingly common of 90-year-olds on Facebook with limited
cognitive capacity.”
“It’s
sad and potentially very dangerous,” he said.
Aging out
of the internet.
Even
boomers who have experience with computers and technology find
themselves feeling a bit left behind. At the AARP workshop, Charles
Robinson, 75, stood with his cane proudly wearing a Veterans of
Foreign Wars hat. He took his iPhone out of his pocket and said he
does everything on it, from paying bills to email. As he was
speaking to a reporter, a text message arrived from this grandson
asking whether Robinson had managed to get his home computer back up
and running. He hadn’t, and the instructions sent by his grandson
didn’t help.
“I don’t
feel too confident about doing that he wants me to do. That’s why
I called him,” Robinson said. “He says this sounds like a very
simple problem. It sounds simple to him, you know, that’s fine.”
He and his
wife, Jan (who winkingly gave her age as “70-plus”), are retired
and have spent recent years traveling. They have college degrees and
remain engaged in the world around them. But using technology is
more of a struggle for them than it used to be.
“We both
worked in the government and went to college, but the technology is
still moving on no matter how many degrees you got, so we got to
keep up with it somehow,” she said, noting that she was happy to
have learned how to crop a photo.
“Years
back when the computers came out, we were more savvy.”
Of course,
those currently over 65 didn’t grow up using the internet or spend
a large portion of their lives with it. But it will be different for
people who will turn 65 in another 20 years, right?
Probably
not, says Munger.
“The
rate of change on the internet is going to increase, and the extent
to which we have people in their mid-twenties who already feel
alienated from people in their teens who experience the internet
differently is only going to become more serious unless the internet
itself stops changing so quickly,” he said.
An avid
Facebooker in their forties may already be puzzled by TikTok, for
example. And so it’s possible that today’s internet-savvy adults
become tomorrow’s struggling seniors.
That means
the question of how to help older people adapt to the internet and
new digital environment isn’t just about supporting today’s
seniors. Solutions have to anticipate and meet the digital literacy
needs of the 65-pluses of the future. That’s difficult given that
as of today, older people are largely left out of the digital
literacy boom, and often struggle to get family members to help
them.
Munger
says one response we might see to an increasingly older internet
population would be for “tech companies and other established
elites to take a paternalistic approach.”
“We have
a childproof internet, so the solution might well be a senior-proof
internet. But the point is, this won’t work because the seniors
vote a lot and they do not want to be told what to do at all,” he
says.
They also
may not be interested in digital literacy classes if they aren’t
framed properly. Coler, the former fake news publisher, said a
senior center in his California town recently tried to hold a "Tips
for Spotting Fake News" workshop. It was canceled due to a lack
of interest.
“I think
naming the class ‘Tips for Spotting Fake News’ was poorly
planned—everyone thinks THEY can spot fake news, just not others,”
he said in a Twitter direct message.
Munger
says the starting point is to recognize that older people are
justified in feeling they’re not being given proper support and
understanding, and to meet them on their terms. That could mean more
offerings like AARP’s workshops in a wide variety of areas, but
also more research to understand how aging, social media,
technology, and society intersect.
“I don’t
really blame the older people at all. They have some actual legit
grievances, and we’re going to have to figure out how to better
integrate them in the future,” Munger said.
Old,
Online, And Fed On Lies: How An Aging Population Will Reshape The
Internet. Older people play an outsized role in civic life. They
also are more likely to be online targets for misinformation and
hyperpartisan rhetoric. Craig Silverman. BuzzFeed News Reporter.
Reporting From. Fort Washington, Maryland. Posted on April 3, 2019,
at 5:44 a.m. ET. Craig Silverman is a media editor for BuzzFeed News
and is based in Toronto. Contact Craig Silverman at
craig.silverman@buzzfeed.com.
https://www.buzzfeednews.com/article/craigsilverman/old-and-online-fake-news-aging-population
.
32“L'expérience
chinoise et l'analyse de l'URSS.
En Chine,
Bettelheim a l'impression qu'il est en train d'assister à un tel
processus de transformation. En particulier, il soutient que la
Révolution culturelle – une révolution de la superstructure
politique, idéologique et culturelle – a changé l'organisation
industrielle en l'accompagnant d'une participation générale des
travailleurs à toutes les décisions et en surmontant la division
du travail manuel et intellectuel. Pendant ces années, la Chine est
le modèle de référence de l' « école radicale de l'économie »
néomarxiste, représentée par Bettelheim, Paul M. Sweezy, André
Gunder Frank, Samir Amin et d'autres qui, en s'opposant aux théories
de la « modernisation », affirment qu'à la périphérie du
système mondial capitaliste, dans les pays « sous-développés »
un « développement » n'est possible que sous la condition que ces
pays se détachent des rapports inégaux et asymétriques du marché
mondial dominé par les pays impérialistes, pour choisir un chemin
différent et autonome : le développement d'une production non pas
pour le profit ou pour une accumulation de richesses abstraites mais
pour les besoins du peuple.
Sous le
signe d'un tel accès « maoïsant », Bettelheim commence son
ouvrage volumineux sur l'histoire de l'Union soviétique, Les luttes
de classes en URSS (1974-1982), où il examine les raisons des
déformations du socialisme soviétique qui, selon Bettelheim, n'est
qu'un « capitalisme d'État ». Bettelheim montre qu'après la
Révolution russe, les bolchéviques n'ont pas réussi à stabiliser
à long terme l'alliance des ouvriers et des paysans pauvres conçue
par Lénine. Durant les années 1920, cette alliance est remplacée
par une alliance des élites ouvrières et de l'intelligence
technique contre les paysans, débouchant sur la collectivisation
forcée de l'agriculture en 1928. L'idéologie « économiste » (le
« primat des forces productives »), née dans la social-démocratie
et nourrie des intérêts de l' « aristocratie ouvrière » et des
intellectuels progressistes, ressuscite au sein du Parti
bolchévique, fonctionnant comme une légitimation des nouvelles
élites technocratiques qui établissent les mêmes hiérarchies,
divisions de travail et différenciations sociales que le
capitalisme. Cependant l'illusion « juridique » selon laquelle la
propriété d'État est définie comme « socialiste » cache
l'exploitation réelle. Finalement, Bettelheim a mis en doute le
caractère socialiste de la Révolution d'Octobre, l'interprétant
comme la prise de pouvoir d'un courant radical de l'intelligentsia
russe qui a « confisqué » la révolution populaire.
Déclin du
milieu marxiste
Quand, en
1978, la République populaire de Chine sous la direction de Deng
Xiaoping met fin à la stratégie « maoïste » du développement
autarcique et guidé par le primat de la politique, pour réaffirmer
le primat de l'économie et s'insérer au marché mondial, le
paradigme des théoriciens du développement autonome a perdu sa
force de conviction. En même temps, l'influence du marxisme a
décliné, spécialement en France, où les marxistes critiques
comme Bettelheim ont perdu de leur visibilité, en même temps que
l'orthodoxie archéo-communiste. Lui, qui n'a jamais abandonné la
pensée marxienne, perdit alors son autorité. En 1982, il publia
les deux tomes de la troisième partie de Les luttes de classes en
URSS, dédiés aux « dominés » et « dominants » du stalinisme,
mais le milieu marxiste dans lequel Bettelheim avait été enraciné
auparavant s'était dissout. Aujourd'hui l'Inde est le seul pays où
Bettelheim est encore l'objet d'une discussion[réf. nécessaire].
Héritage.
Bien
que son nom et son œuvre soient perdus de vue dans les travaux
contemporains, Charles Bettelheim a laissé des traces. Sa pensée
marxiste hétérodoxe a contribué à la mise en doute du «
progressisme » et du « productivisme » de la gauche classique,
donnant lieu à une pensée « alternative » qui ne fait plus
dériver l'idée de l'émancipation sociale de la croissance
industrielle comme fin en soi, mais aspire à l'insertion du
développement productif dans un contexte de rapports sociaux
conscients (au fond, ce n'est que l'idée originale de Marx : rompre
la soumission de l'agir social au processus de production en faveur
de sa soumission consciente à la production des besoins sociaux).
Ainsi, Bettelheim a été un intermédiaire entre la pensée «
rouge » et « verte », entre le socialisme et l'écologie. Sur le
plan de la théorie économique, ses analyses, en distinguant des
formes différentes du capitalisme, ont influencé l'École de la
régulation. Enfin, il a dirigé les travaux de recherche de
nombreux étudiants en économie, notamment la thèse de 3e cycle de
l'économiste hétérodoxe Jacques Sapir, directeur d'Etudes à
l'EHESS, et spécialiste de l'économie post-soviétique, qui est un
de ses héritiers depuis les années 1970”.
https://fr.wikipedia.org/wiki/Charles_Bettelheim
.
34Marcadamente
de origem norte-americana, aliada a outras teorias conspiratórias.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_da_conspira%C3%A7%C3%A3o
. “Ocultação de
dados pela NASA: Frequentemente, teorias conspiratórias acerca da
agência espacial americana são difundidas na internet em vários
meios, alegando que a organização ludibria o povo ocultando fatos
importantes e/ou perigosos, como um suposto asteroide prestes a
colidir com a Terra, controle mental por meio de satélites, a farsa
da ida do homem à Lua, a teoria de que a Terra
é plana e a Nasa
engana as pessoas fazendo-as acreditar que é redonda (por motivos
sem o menor fundamento lógico) ou teorias que afirmam que a agência
espacial esconde informações sobre a iminente colisão da Terra
com um suposto planeta chamado Nibiru”.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_teorias_de_conspira%C3%A7%C3%A3o
.
https://www.porcocapitalista.com.br/o-que-exatamente-olavo-de-carvalho-disse-sobre-heliocentrismo-e-por-que-e-um-absurdo/
.
https://www.porcocapitalista.com.br/teoricos-da-conspiracao-so-querem-se-sentir-especiais/
.
https://catracalivre.com.br/cidadania/olavo-de-carvalho-guru-de-bolsonaro-e-contra-vacinacao-infantil/
.
https://catracalivre.com.br/colunas/dimenstein/guru-de-bolsonaro-abandonou-escola-na-8a-serie-do-fundamental/
.http://conspiratio3.blogspot.com/2018/12/fetos-abortados-na-pepsi.html
.
https://netnature.wordpress.com/2019/02/26/o-minimo-que-voce-precisa-saber-para-nao-ser-o-olavo-de-carvalho/
. https://pt.wikipedia.org/wiki/Discuss%C3%A3o%3AOlavo_de_Carvalho
.
35“Durante
os dois últimos meses, Câmaras de Vereadores e Assembleias
Legislativas de todo o país selaram uma interferência bastante
perigosa do pensamento religioso conservador sobre as políticas
públicas de educação, colocando em xeque o princípio
constitucional da laicidade do Estado.
Nas votações dos
planos de educação por todo o Brasil, houve um movimento bastante
articulado para suprimir das diretrizes educacionais qualquer
compromisso expresso com o combate das desigualdades de gênero e de
sexualidade.
Admitiu-se que
constasse, no máximo, fórmula genérica de “combate a todas as
formas de preconceito e discriminação” em detrimento de jogar
luz às diferentes formas de violência, nomeando-as e, assim, dando
a visibilidade necessária para a busca de soluções a esse
problema.
O argumento utilizado
para a cruzada fundamentalista contra a inserção desse recorte de
gênero e de sexualidade foi o de que se trata da tentativa de
implantar uma “ideologia de gênero”, cujo maior objetivo seria
desfigurar a família tradicional e subverter os sexos biológicos,
designados como dados imutáveis pela natureza ou por Deus.
Tal argumento é
falacioso por diversas razões. Primeiro, porque não se trata de
uma “ideologia” o reconhecimento do caráter social e histórico
dos dispositivos e arranjos de regulação do sistema que articula a
dicotomia sexo-gênero. As diferentes formas de organizar a
experiência humana das sexualidades e das identidades variaram a
depender de fatores diversos em cada sociedade, sendo que os padrões
de comportamento tidos por “normais” e “legítimos” sempre
conviveram – em tensão – com uma enorme gama de diversidades no
campo dos desejos e das subjetividades dissidentes.
Para além de sonegar
reconhecimento à riqueza de experiências humanas, essa visão
conservadora comete outro equívoco, que é desqualificar a
discussão sobre gênero e sexualidade como “ideológica” e,
portanto, imprestável. No debate democrático, “ideológico”
não é adjetivo pertinente para desqualificar uma posição
política. Independentemente da definição adotada, em linhas
básicas, ideologia remete a um conjunto de ideias e valores que
pautam o pensar e o agir de indivíduos e grupos na sociedade, a
partir de seus interesses e lugares. Assim, tão “ideológica”
quanto a “ideologia de gênero” é a “ideologia anti-gênero”.
Como adverte Zizek, “quando um processo é denunciado como
‘ideológico por excelência’, pode-se ter certeza de que seu
inverso é não menos ideológico” (Um mapa da ideologia, Ed.
Contraponto).
Não há, assim, o
lugar de imparcialidade ou neutralidade que esses setores
reivindicam, como se a natureza fosse um dado que lhes desse razão
inquestionável. Eles tentam, aliás, apresentar sua ideologia
conservadora como uma “segunda natureza”, buscando confundir uma
convenção social com um determinismo natural.
Ao agir assim, alçam a
hetenormatividade e o patriarcalismo a horizontes insuperáveis da
vida humana, como se qualquer afronta a essas formas hegemônicas
não pudessem contar com proteção e reconhecimento do Estado.
Desse modo, a inclusão
de um recorte, nos planos de educação, que contemple o tema da
orientação sexual e da identidade de gênero é fundamental para
subverter essa visão autoritária, construindo para as novas
gerações uma educação voltada para a alteridade, com tolerância
e respeito à diversidade.
A luta pela inclusão de
diretrizes igualitárias em nossa legislação não vem de hoje. É
bastante conhecida, por exemplo, a importante campanha que o grupo
Triângulo Rosa, com João Antônio Mascarenhas à frente,
empreendeu para incluir o termo “orientação sexual” na
Constituição. A despeito de aprovada em duas Subcomissões, a
proposta foi derrotada em 1988 com 53 votos a favor, 250 contra e 6
abstenções.
A inscrição da
proteção da diversidade e da promoção do respeito em texto legal
não é finalidade última, mas instrumento para a efetivação dos
direitos em uma democracia.
Na cidade de São Paulo,
essa votação ocorrerá na Câmara Municipal agora, no dia 11 de
agosto. É preciso somar à mobilização em curso, garantindo que
haja a inclusão desse recorte de sexualidade e de gênero ao Plano
Municipal de Educação para que respeito, de fato, se aprenda na
escola.
Até o momento, o modo
equivocado como esses setores conservadores estão pautando esse
debate revelam mais do gênero da ideologia deles –
heteronormativa, transfóbica e patriarcal – do que da “ideologia
de gênero”.
“Ideologia de gênero”
ou o gênero da ideologia? Renan Quinalha;10 de agosto de 2015.
Discussões sobre gênero e sexualidade são, geralmente,
desclassificadas
https://revistacult.uol.com.br/home/ideologia-de-genero-ou-o-genero-da-ideologia/
.
37“Desde
o início do século XXI, no entanto, o termo tem sido apropriado
por grupos religiosos e conservadores para criar um tipo de pânico
moral com base em distorções sobre os aspectos dos estudos de
gênero, com o objetivo de alimentar teorias conspiratórias sobre
um conluio mundial para 'destruir os valores familiares' e voltar a
opinião pública contra políticas sociais direcionadas para as
mulheres e a população LGBT, uma estratégia conhecida como
falácia do espantalho.[4][5][6][7][8][9][10][11][12][13][14]. (…)
A Igreja Católica tem usado o termo pelo menos desde 1998, após
uma nota da Conferência Episcopal do Peru, intitulada “A
ideologia de gênero: seus perigos e alcances".[29] ”.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ideologia_de_g%C3%AAnero
.
39A
memória positiva da ditadura e seus porquês. PESQUISA | Estudiosa
da ditadura militar brasileira, a historiadora francesa Maud Chirio
apresenta suas perspectivas em relação ao crescimento da direita
no Brasil; 01:30 | 03/12/2018. História . MAUD CHIRIO é formada em
história pela Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, e em
sociologia pela Universidade Paris 5 René Descartes. Mestrado e
doutorado realizados na Universidade Paris I - Sorbonne. A
pesquisadora também é diplomada pela Ecole Normale Supérieure de
Paris.
Em livro. O LIVRO "A
política nos quartéis: Revoltas e protestos de oficiais na
ditadura militar brasileira", lançado em 2012, é resultado
das pesquisas de doutorado de Maud Chirio sobre os conflitos
político-ideológicos que se davam, durante o período ditatorial
brasileiro, no interior das Forças Armadas. LUANA BARROS.
https://www.opovo.com.br/jornal/paginasazuis/2018/12/a-memoria-positiva-da-ditadura-e-seus-porques.html
40Relevar
ou negar a existência da ditadura militar é perigoso para o
Brasil, advertem historiadoras francesas
Fábio Motta/Estadão
Conteúdo. 28/03/2019 13h42.
41Bruno
Latour: “O sentimento de perder o mundo, agora, é coletivo”. Em
seu último livro, o influente pensador francês descreve um planeta
onde a mudança climática altera tudo. Bruno Latour (Beaune, 1947)
é um dos filósofos franceses mais influentes da atualidade. Acaba
de publicar Down to Earth. Politics in the New Climatic Regime (Com
os pés no chão. Política no novo regime climático, em tradução
livre). O livro faz um diagnóstico sobre um mundo onde tudo é
perturbado pela mudança climática e permite compreender fenômenos
que vão das desigualdades até a globalização, passando pela
ascensão do populismo. A obra também é um pedido de ação e um
manifesto europeísta. E, finalmente, uma síntese do pensamento de
um precursor de disciplinas como a sociologia da ciência sobre os
fatos e a verdade. MARC BASSETS; 31 MAR 2019 - 15:37 CEST.
https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/29/internacional/1553888812_652680.html
.

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