A tortura e o Trabalho



Claudio Antunes Boucinha.1




https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/ff/Arbeit_Macht_Frei_Dachau_8235.jpg/800px-Arbeit_Macht_Frei_Dachau_8235.jpg

“Arbeit macht frei”1
1“Der Spruch Arbeit macht frei wurde durch seine Verwendung als Toraufschrift an den nationalsozialistischen Konzentrationslagern bekannt. Durch die Pervertierung der ursprünglichen Bedeutung wird er heute als zynische und die Opfer verhöhnende Parole zur Verschleierung der menschenunwürdigen Behandlung in den Konzentrationslagern verstanden, in denen Arbeit der Unterwerfung, Ausbeutung, Erniedrigung und Ermordung von Menschen diente. [„Arbeit macht frei“: Herkunft und Hintergrund der KZ-Devise. Springer-Verlag, 2013, ISBN 978-3-322-92320-2 (google.com [abgerufen am 5. Mai 2016])]; [Hermann Kaienburg: Konzentrationslager und deutsche Wirtschaft 1939–1945. Springer-Verlag, 2013, ISBN 978-3-322-97342-9 (google.com [abgerufen am 15. Mai 2016])]”.https://de.wikipedia.org/wiki/Arbeit_macht_frei . “Em The Kingdom of Auschwitz, Otto Friedrich escreveu sobre o Rudolf Höss (que iniciou o uso da frase em campos de extermínio): Ele parece não ter tido a intenção de usar isto como um escárnio, nem sequer ter tido a intenção, literalmente, de usar a frase como uma falsa promessa para que aqueles que trabalhassem até à exaustão acabariam por serem libertados, mas sim como uma espécie de declaração mística que o auto-sacrifício na forma do trabalho sem fim traz, em si mesmo, um tipo de liberdade espiritual.[Friedrich, Otto (agosto de 1994). The Kingdom of Auschwitz. [S.l.]: Harper Perennial. pp. 2–3. ISBN 978-0-06-097640-8]. https://pt.wikipedia.org/wiki/Arbeit_macht_frei . “Heinrich Beta a utilisé la formule en 1845 dans un écrit intitulé Argent et esprit (Geld und Geist) : « Ce n'est pas la foi qui rend heureux, pas la foi en des curetons égoïstes et nobles, mais c'est le travail qui rend heureux, car le travail rend libre. Ce n'est ni protestant ou catholique, ni allemand ou chrétien, ni libéral ou servile, c'est une loi générale de l'humanité et la condition sine qua non de toute vie et aspiration, de tout bonheur et accomplissement » [ (de) « Arbeit macht frei », Wikipedia,‎ 22 février 2017 (lire en ligne, consulté le 28 mai 2017)].

L'expression a ensuite été reprise par le philologue allemand Lorenz Diefenbach, Arbeit macht frei : Erzählung von Lorenz Diefenbach (1873), dans lequel les joueurs et les fraudeurs trouvent le chemin de la vertu par le travail [(en) Kate Connolly, « Poland declares state of emergency after 'Arbeit Macht Frei' stolen from Auschwitz », The Guardian,‎ 18 décembre 2009 (lire en ligne [archive])],[ Lorenz Diefenbach, Arbeit macht frei : Erzählung von Lorenz Diefenbach. J. Kühtmann's Buchhandlung, 1873]. L'expression a également été utilisé en français (« Le travail rend libre ! ») par Auguste Forel, un scientifique suisse spécialisé dans l'étude des fourmis, neuroanatomiste et psychiatre, dans son ouvrage Fourmis de la Suisse (1920) [Auguste Forel, « Les fourmis de la Suisse (2de Ed.) » [archive], La Chaux-de-Fonds, Imprimerie coopérative, 1920 (consulté le 26 janvier 2015)].

En 1922, la Deutsche Schulverein (de) de Vienne, une organisation nationaliste ethnique de « protection » des Allemands dans l'Autriche-Hongrie, imprime des timbres d'adhésion avec la phrase « Arbeit macht frei ». La citation est adoptée en 1928 par le gouvernement de Weimar comme un slogan vantant les effets de leur politique souhaitée de grande échelle de travaux publics programmés pour mettre fin au chômage. L'expression « Arbeit macht frei » se retrouve dans les cercles de la droite nationaliste allemande [ Wolfgang Brückner (de), « Arbeit macht frei ». Herkunft und Hintergrund der KZ-Devise, Leske + Budrich, 1988, (ISBN 978-3810022073)], ce qui explique son adoption ultérieure par le NSDAP lors de son accession au pouvoir en 1933.

On la trouve également au Goulag : ainsi, dans les années 1920, on peut voir à l'entrée de l'un des camps des îles Solovki une inscription proclamant « Par le travail, la liberté ! »[Anne Applebaum, Goulag : Une histoire, 2005, p. 216].

A expressão “Arbeit macht frei”, especialmente colocada em vários campos de concentração, mas não somente, mais que uma pantomima1, ou uma frase casual, ou até mesmo uma frase que expressa um tipo de moral, mais que tudo isso, considerando o seu uso em lugares tenebrosos, horrendos, terríficos, infernais, bestializados, demonstra claramente os vínculos entre tortura e trabalho.
1Engodo, tapeação, embuste, farsa, intrujice, logro.

A tortura só desaparecerá quando o trabalho social também seja profundamente modificado, em suas bases morais e na própria produção. Enquanto persistir essa maneira de se ver o trabalho, em que une castigos corporais e disciplina do trabalho, enquanto a educação for mantida como se fosse um presídio https://youtu.be/AMxq7_HkC1g, a tortura vai fazer parte da família, da escola, da religião, do trabalho, da prisão.



Direito Burguês e Relações de Produção Capitalistas – O Código do Capital


Ronald de Oliveira Rocha.2







“O episódio descrito é absurdo por recriar imaginariamente uma política punitiva que a história real encarregou-se de sepultar.
Neste sentido, tem razão Foucault quando diz ser o suplício incompatível com a nova técnica de poder que se afirma a partir do século XVIII. [Foucault, Michel, op. cit.3].
Mas isso não basta.
É preciso localizar as razões por superar o suplício.
Sim, porque o seu surgimento não pode ser creditado unicamente ou mesmo fundamentalmente à vontade de indivíduos ou classes sociais, a um processo meramente subjetivo.
Omitir este ponto é deixar as portas abertas ao agnosticismo e até mesmo ao irracionalismo.
Lembremos que os homens fazem a história, mas não a fazem a seu bel-prazer.
Trata-se na verdade de um fenômeno bem mais complexo, relacionado com a base material da sociedade capitalista e com as representações que se formaram no interior desta, vale dizer, é parte integrante de sua formação social.
Foucault não respondeu satisfatoriamente a esta questão.
A tentativa de G. Rusche e O. Kirchheimer [Ver Rusche, G. And Kirchheimer, O. Punishment and Social Structure. Columbia University. Press. New York, 19394], em que pese a importância de haver colocado em relevo as estruturas econômicas das sociedades na origem das formas de punição, também deixa a desejar5.
A correlação estrita que estabelece peca por conceber os regimes punitivos como expressão mecânica das várias formas de produção.
Assim, subestima o papel da luta de classes e da ideologia dominante na gênese dos códigos penais, resvala para o economicismo e por vezes vê-se compelido a lançar mão de fórmulas funcionalistas.
Nota-se, portanto, que a discussão deve ser retomada”.


É interessante a discussão que Ronald de Oliveira Rocha traz no que se refere ao assunto, especialmente a partir de quem viveu e conviveu com a tortura no regime militar brasileiro. É importante porque traz uma série de reflexões que sugerem que o massacre a que foi submetido não eliminou a capacidade de pensar e acreditar. Não se trata de dizer que a tortura é atenuada ou minimizada, por que continua tortura. É o mesmo que dizer que a escravidão foi menos angustiante na cidade do que no campo, pois foi igualmente escravidão. O fato de que a escravidão poderia ser minimizada ou atenuada na cidade e estarrecedora no campo não explica muita coisa e deixa de lado os fundamentos do sistema escravista enquanto totalidade. Buscar as razões pelas quais a tortura ainda está legitimada no mundo, é buscar seus vínculos, suas conexões com outras áreas ou campos onde a tortura também é reconhecida e apregoada. A tortura não acontece sozinha. Não é somente um assunto do código penal. Não é somente um tema do sistema prisional. Nem somente uma questão sociológica. Também não se resume às origens históricas; a uma certa ontologia da punição e da tortura. Não se trata de desprezar os estudos sobre violência. Tem a ver com o tipo de humanidade que devemos construir. É um dever, uma obrigação, está no horizonte. Um novo sol e uma nova terra. Deve-se repensar a ideia trabalho e isso não é novidade.


“As mudanças acima geram uma profunda insatisfação, segundo o autor, derivada do modelo Ocidental muito focado na idolatria do trabalho, do mercado e da competitividade. Como alternativa propõe um modelo centrado em outras premissas, tais como:
Estruturação das atividades humanas em uma combinação equilibrada de trabalho, estudo e lazer.
Valorização e enriquecimento do tempo livre, decorrente de alta disponibilidade financeira para alguns e redução do tempo demandado de trabalho para muitos.
Aperfeiçoar o processo de produção e distribuição da riqueza decorrente dos grandes aumentos de produtividade derivados dos rápidos, e em aceleração, avanços do conhecimento e criatividade humana.
Distribuição consciente do tempo, do trabalho, da riqueza, do saber e do poder, minimizando as fontes de conflitos entre pessoas e grupos.
Valorização das necessidades reais das pessoas educando os indivíduos e as sociedades para a importância das necessidades básicas, tais como a introspecção, o convívio, a amizade, o amor e as atividades lúdicas.
Com isto ficariam em segundo plano as necessidades criadas pela propaganda e pela busca de status”.6


Na verdade, precisa-se ir além. Não se trata mais de discutir sociedade industrial ou pós-industrial. Esses conceitos não registram, não demarcam, não são balizas, parâmetros, para o que se quer. Não vão ao âmago da questão. Que é a exploração do homem pelo homem. Essa visão de mundo acabará com a Terra. Formar-se-ão cidades-Estado com um nível de vida surpreendente, protegidas por um submundo de pobreza e miséria. O homem estará na Lua, com habitações, mas centenas de milhares de crianças estão jogadas em latas de lixo, na Terra. Estas “zonas de proteção” estão sustentadas por milhares de escravos que darão suas vidas, como um suco de um liquidificador, de processador de alimentos, que será servido aos “escolhidos” do suposto e inexpugnável território dos superiores. A ficção serve para dizer o que se pensa já agora, só que pior. O fato da existência do Estado de Bem-Estar Social7, não o qualifica como resposta ao que é necessário e premente. Pode apontar possíveis soluções, que não são, de maneira nenhuma, marcadas por fronteiras nacionais. Ou se aponta para um efetivo governo mundial, com representações de toda a Terra, ou as soluções serão isoladas e, por natureza, passageiras, paliativas, tirando a esperança de milhões de pessoas no mundo. A discussão do capitalismo não pode ser fundamentada em pressupostos do século XIX, como o “darwinismo”8 social. As hierarquias terrestres não podem justificar injustiça social. A competição só levará a destruição de grande parte do planeta. Por outro lado, não só o capitalismo é a discussão, embora seja o centro de tudo. Existem inúmeras construções humanas precisam ser chamadas, acolhidas, para que se construa uma nova sociedade. É preciso lançar mão de soluções que estão presentes em todas as civilizações do planeta. É claro que administrar o capitalismo é parte dessa solução, mas é preciso mudanças. Uma delas é a imediata diminuição da carga de trabalho, com a valorização do trabalho, como modo de distribuição de renda. Trabalhar menos e ganhar mais, envolvendo mais pessoas. Chega de só um lucrar. É preciso uma nova educação que não seja a educação presidiária. Os castigos nas escolas9, na família, são os mesmos castigos das prisões e do trabalho. Devemos falar claramente que chega de punições, varas, torturas, palmatórias e outras perversidades humanas. Chega de pessoas doentes na direção, na gerência, no comando. Imaginar diferente é não transformar. É preciso discutir os pressupostos morais que envolvem o trabalho social. Discutir também que existe uma faixa de pessoas que não vão trabalhar em suas vidas, ou que trabalharão muito pouco. Ou seja, é preciso discutir a inclusão de toda a sociedade e não simplesmente falar em população ativa.

“Mas disso cuidam as várias implacáveis secretárias eletrônicas das quais, afirma, não é escravo: se dá vontade, apaga os recados sem nem ouvir, porque em geral tratam de assuntos que só valem para aquele dia'. De Masi conquistou condições de trabalho privilegiadas? Se deixarmos predominar o mesquinho sentimento da inveja, diremos que sim. Mas, para dizer a verdade, ele prova in corpore vili o que como sociólogo propõe como receita social: uma forma de teletrabalho feito em casa ou em qualquer lugar, descentralizado do escritório”. (…) “Para os gregos, por exemplo, tinha uma constatação estritamente física; "trabalho' era tudo aquilo que fazia suar, com exceção do esporte. Quem trabalhava, isto é, suave, ou era um escravo ou era um cidadão de segundo classe. As atividades não-físicas (a política, o estudo, a poesia, a filosofia) eram 'ociosas' , em suma, expressões mentais, dignas somente dos cidadãos de primeira classe”. (…) “Considera esse momento historicamente regressivo? Para os homens livres é um passo avante; para os escravos, um passe atrás. Os trezentos mil escravos da Atenas de Péricles, que permitiram aos quarenta mil homens livres escrever e dedicar-se à política e à arte, trabalharam, a longo prazo, também para nós”. (…) “Mas o ser humano não pode prescindir de ajuda, seja esta na forma de escravos ou de tecnologia. E a relação numérica entre escravos e homens livres em Atenas e Roma, a massa de pessoas reduzida a "gado humano' (como diz Bloch), constitui um indicador de não-civilização”. (…) “ Permanece o fato de que, se não se usa tecnologia, se usam seres humanos: operários, servos, escravos”. (…) “Naquela época existiam os escravos e nenhuma tecnologia, que, seja como for, é mais perfeita do que o escravo”. (…) O escravo já fazia tudo isso. Obviamente, porém, o escravo não estava feliz com a sua condição”. (…) “Começa um período de grande explosão tecnológica que talvez possa ser relacionada com a dificuldade, que surgiu neste período, de conseguir escravos. Roma não é mais tão potente como antes e, fora dos confins do Império, os bárbaros se tornam irredutíveis. No interior do Império, para quem possuía escravos passa a ser mais conveniente liberá-los, porque, ao fazê-lo, significava não ter mais o dever de alimentá-los. Na falta de escravos, os homens livres voltam a recorrer à tecnologia”. (…) “No seu Tableau de l'état physique et moral des ouvriers dans les fabriques de coton, de laine et de soie ou seja, Tratado sobre o estado físico e psíquico dos operários nas fábricas de algodão, lã e seda, de 1840, Villermé referiu que naqueles tempos os escravos das Antilhas trabalhavam nove horas por dia, os condenados ao trabalho forçado nas instituições penais, dez, e os operários de algumas indústrias de manufaturas trabalhavam dezesseis horas por dia”. (…) “Isto já era o sonho de Aristóteles há dois mil e quinhentos anos, quando divagava: 'Ah!, se um dia os teares pudessem se mover sozinhos, sem o auxílio de qualquer escravo...'”. (…) “'Todos os homens de todos os tempos, e ainda os de hoje, dividem-se entre escravos e livres, porque quem não dispõe de dois terços do próprio dia é um escravo, não importa o que seja de resto. homem de Estado, comerciante, funcionário público ou estudioso'. Friedrich Nietzsche”. (…) “Graças ao fato de os trabalhos pesados serem feitos pelas mulheres e pelos escravos, 'ociava' “. (…) “Os seres humanos viveram o ócio durante milênios: até mesmo um escravo de uma casa grega ou romana se cansava muito menos do que um torneiro mecânico da idade industrial”. (…) “De acordo com Schuhl, essas invenções não tiveram desdobramentos posteriores devido a alguns bons motivos: os gregos tinham à disposição aquelas máquinas flexíveis e eficientes que eram os escravos, não eram possuídos pelo demônio do utilitarismo, tudo o que era mecânico lhes parecia oposto e inferior ao que era natural, e por fim porque padeciam de uma espécie de 'bloqueio mental' que os fazia desprezar tudo o que era ligado ao trabalho, à técnica,s aos negócios, modificação ou engano da natureza: ' Uma máquina é uma maquinação, um expediente, uma armadilha montada contra a natureza.' “. (…) “A ética do trabalho é a ética dos escravos e o mundo moderno não precisa de escravos. Se já nos anos 30 os efeitos do progresso tecnológico e a questão do tempo livre afligiam Keynes e Russell, o que é que mentes igualmente refinadas pensariam diante de invenções como a informática e a biotecnologia?”. (…) “Quanto ao passado, antes que chegasse a indústria, os aristocratas não trabalhavam de jeito algum e todos os demais, inclusive os escravos, trabalhavam muito menos que os trabalhadores de hoje”. (…) “Portanto, os escravos do trabalho, aqueles que pararam de pensar, de amar e de jogar para se dedicarem totalmente à carreira, sutilmente invejam e tenazmente combatem os 'mestres de vida' que sabem usufruir do ócio e amam apagar a distinção entre arte e vida, como diria John Cage”. (…) “Em Salvador, nas ruas calçadas do Pelourinho, avermelhadas pelo sangue antigo dos escravos”. 10
1 Mestre em História do Brasil (PUCRS). Licenciado em História (UFSM).
2 Teoria e Política. Ano 1. Nº 2. São Paulo: Brasil Debates, 1980, pp. 78-90. “No Rio de Janeiro, Adriano fez o cursinho pré-vestibular no Centro Acadêmico Edson Luís (CAEL), em 1968 e, nesse período, iniciou sua participação no Movimento Estudantil (ME), na luta por aumento de vagas nas universidades. É importante destacar que o CAEL foi fundado em 1968 e criado por alunos ligados ao ME por ocasião do desmembramento da Faculdade Nacional de Filosofia (FNFI) e da criação do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS). Na primeira gestão do CAEL, o presidente eleito foi Ronaldo de Oliveira Rocha, aluno do curso de Ciências Sociais. O CAEL influiu muito no IFCS, cujas aulas eram ministradas por alunos e professores do próprio Instituto, tendo por diretora a aluna Myriam Ribeiro Costa”. (…) “Com a edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5), intensificada a repressão, Adriano foi obrigado a entrar para a clandestinidade. Nesse período, foi morar num sótão em um prédio antigo, no Leblon, que dividiu com Ronald de Oliveira Rocha, seu companheiro de organização. Lá ele viveu durante um ano e meio. O amigo Ronald, e também a Myriam, muito ligados a Adriano, informaram depois que ele era uma pessoa muito meiga, educada e amiga. Uma pessoa combativa, que se atirava por inteiro no que acreditava. Um idealista, um profundo humanista. Segundo os amigos, a dedicação de Adriano ao partido vinha de um vínculo profundo com a luta popular e os ideais revolucionários. E era um prazer conviver com aquele amigo que gostava muito de música popular brasileira, jazz, música erudita e, principalmente, dos Beatles, aquele amigo que jogava xadrez, lia muito, gostando mais de literatura e teatro do que de livros teóricos - mesmo os de filosofia – que eram de sua área. Aquele amigo que, como bom mineiro, adorava uma goiabada!”. (…) “Ao se despedir de Ronald e Myriam, não só companheiros de clandestinidade, mas amigos por quem tinha muito afeto, Adriano separou algumas roupas de que mais gostava, buscando presenteá-los carinhosamente: uma jaqueta Lee, de cor areia, um pijama importado, uma camisa e lenços de seda”. (…)Duarte, Betinho. Rua viva; o desenho da utopia / Betinho Duarte. 2ed. - Belo Horizonte: Rona, 2004. https://www.marxists.org/portugues/tematica/livros/diversos/rua01.pdf .
3 FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes, 1977.
5 “"The "Rusche and Kirchheimer hypothesis" consists in the idea that there should be a direct positive relationship between changing imprisonment rates and changing unemployment rates”.
(…) “Rusche claimed that because such economic arguments constitute an unsurpassable limit to the possibility of penal reform, [In their "Introduction" to the French edition, Levy and Zander (1994:60-72 - Levy, Rene and Hartwig Zander 1994 "Introduction." G. Rusche and O. Kirchheimer, Peine et structure sociale. Paris: Les Editions du Cerf: 9-82. ) make this point very clearly] one must understand the mechanism by which the two are connected, i.e., the idea that the "value" of a human being in a market society is dependent upon the value of labor. In fact, as Marx had famously written in the 1844 Manuscripts, 'political economy [...] does not recognize the unoccupied worker, the working man, in so far as he happens to be outside this labor relationship.

The cheat-thief, swindler, beggar, and unemployed; the starving, wretched, and criminal workingman ? these are figures who do not exist for political economy but only for other eyes, those of the doctor, the judge, the grave digger, and bumbailiff - https://www.etymonline.com/word/bumbailiff - https://fr.wiktionary.org/wiki/pousse-cul -, etc.; such figures are specters outside its domain (Marx, 1844: 120-121 - Marx, Karl 1867 Capital. Volume One. New York: International Publishers, 1970. 1844 Economic and Philosophie Manuscripts of 1844. New York: International Publishers, 1964. )'”. (…) “Rusche and Kirchheimer's Hypothesis" and Totalitarianism.

A criticism that may be leveled against Rusche's original hypothesis, and the line of work somehow inspired by it, is the absence of reflection on ambits that differ from capitalist societies ? in particular, the lack of "reflexivity" on the heavy presence of imprisonment and forced labor in countries once defined as "socialist."

This would be quite ironic for a position that is often portrayed as representing a "Marxist" standpoint.

Indeed, there are interesting hints in Rusche's work of the direction his analysis could have taken, also with regard to "socialist" countries.

Rusche's interest in "coercive labor" was another aspect that Kirchheimer failed to develop later.

The point of departure in Rusche's analysis, especially concerning imprisonment, is the Mercantilist period when, faced with a lack or scarcity of labor power, European absolutism devised various policies to "put people to work."

One was the "invention" of the proto-prison, the Ur-Prison known as "the workhouse." Policies of coercive labor have accompanied the development of capitalism ever since, even if they have not been the policies "of choice" of capitalism, whose norm seems to be the much more malleable and flexible instrument of the free labor market.

Slavery and slave labor have therefore been disappearing from the general picture of capitalist development, except for particular times and periods.

Thorsten Sellin's (1976: vii - Sellin, J. Thorsten 1976 Slavery and the Penal System. New York: Elsevier. ) reconstruction of the relationship between the institution of slavery and the penal system ? derived from Gustav Radbruch's https://de.wikipedia.org/wiki/Gustav_Radbruch - https://en.wikipedia.org/wiki/Gustav_Radbruch (1938 - Radbruch, Gustav 1938 "Der Ursprung des Strafrechts aus dem Stande der Unfreien." - https://www.academia.edu/22864668/Gustav_Radbruch_The_Origin_of_Criminal_Law_in_the_Status_of_the_Unfree_Der_Ursprung_des_Strafrechts_aus_dem_Stande_der_Unfreien_in_Elegantiae_Juris_Criminalis_Vierzehn_Studien_zur_Geschichte_des_Strafrechts_1_2d_ed._1950_ G. Radbruch, Elegantiae Juris Criminalis. Basel: Verlag für Recht und Gesellschaft: 1-11. ) idea that slavery constituted the historical origin of punishment? was one of the research efforts most clearly marked, from its opening pages, by Rusche and Kirchheimer's work.

Furthermore, Rusche believed that the contemporary (to him) situation of Soviet Russia and Nazi Germany could lend itself to being analyzed along similar lines.

In 1939, in a letter to Max Horkheimer in New York, Rusche stated that he was ready to write an article for the Institute's journal on "the most recent development of German penal policy."

His view, contrary to the more legalistic version penned by Kirchheimer, was that "the unbelievable scarcity of workers" caused in Germany "truly interesting new phenomena."

It is not clear whether Rusche had in mind the emerging forced labor camps. Years before, in 1934, while revising the manuscript of his book in London, Rusche apparently wished to extend his discussion to the cases of Russia and India.

In Russia, he saw the determining factor to be the scarcity characterizing the workforce, leading to an extensive use of coercive labor (Levy and Zander, 1994: 16, 66).

Indeed, Rusche's remarks could be extended to the particular conditions of Soviet Russia in the 1920s and 1930s.

The "first country in the world to be ruled by the working-class" emerged from the war, famine, and embargo without a working class to speak of.

The first objective of Soviet rulers, therefore, whether in Lenin's "soft" version of the New Economic Policy, or later in Stalin's "hard" version of the Five-Year Plan, was the reconstruction of industry and the working class.

Forced labor appeared especially in the 1930s with Stalin's campaigns of forced collectivization of agriculture and forced industrialization of the country, and lasted at least until the Twentieth Congress of the Communist Party in 1956.

I would submit that, consistent with Rusche's general overview, one could characterize those years as a compressed and accelerated period of "primitive accumulation" that unfolded across decades instead of centuries, as had been the case in Western Europe.

It employed similar instruments, including coercive labor and penal servitude.

Thus, using Rusche's hypothesis to understand the events of "realized socialism" proves to be far from impossible.

Indeed, Rusche's "simple heuristic maxim" (1933: 7 - Rusche, Georg 1933 "Labor Market and Penal Sanction." Crime and Social Justice 10 (1978): 2-8. 1930 "Prison Revolts or Social Policy: Lessons from America." Crime and Social Justice 13 (1980): 41-44. Rusche, Georg and Otto Kirchheimer 2003 Punishment and Social Structure, Piscataway, NJ: Transaction. 1939 Punishment and Social Structure. New York: Russell & Russell, 1968. ) is particularly viable for understanding the events of totalitarian societies between the two world wars.
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A New Edition of "Punishment and Social Structure" Thirty-Five Years Later: A Timely Event Author(s): Dario Melossi. Source: Social Justice, Vol. 30, No. 1 (91), Race, Security & Social Movements (2003), pp. 248-263. Published by: Social Justice/Global Options Stable URL: http://www.jstor.org/stable/29768174 .Accessed: 13/02/2014 09:37. Your use of the JSTOR archive indicates your acceptance of the Terms & Conditions of Use, available at .http://www.jstor.org/page/info/about/policies/terms.jsp .JSTOR is a not-for-profit service that helps scholars, researchers, and students discover, use, and build upon a wide range of content in a trusted digital archive. We use information technology and tools to increase productivity and facilitate new forms of scholarship. For more information about JSTOR, please contact support@jstor.org . A New Edition of "Punishment and Social Structure" Thirty-Five Years Later: A Timely Event Author(s): Dario Melossi. Source: Social Justice, Vol. 30, No. 1 (91), Race, Security & Social Movements (2003), pp. 248-263 Published by: Social Justice/Global Options Stable URL: http://www.jstor.org/stable/29768174 .Accessed: 13/02/2014 09:37Your use of the JSTOR archive indicates your acceptance of the Terms & Conditions of Use, available at .http://www.jstor.org/page/info/about/policies/terms.jsp .JSTOR is a not-for-profit service that helps scholars, researchers, and students discover, use, and build upon a wide range of content in a trusted digital archive. We use information technology and tools to increase productivity and facilitate new forms of scholarship. For more information about JSTOR, please contact support@jstor.org .Social Justice/Global Options is collaborating with JSTOR to digitize, preserve and extend access to Social Justice. http://www.jstor.org This content downloaded from 189.125.126.40 on Thu, 13 Feb 2014 09:37:17 AMAll use subject to JSTOR Terms and Conditions . Dario Melossi is a Professor in the Faculty of Jurisprudence at the University of Bologna, Italy (e mail: melossi@giuri.unibo.it ). He is a co-author of The Prison and the Factory (1977) and author of The State of Social Control (1990). He has published many articles on the theory of law, the state, and social control. His latest research focuses on the current building of a European polity, with particular attention to issues of social control and social exclusion. This article is a revised version of sections from his "Introduction" to the new Transaction edition of Punishment and Social Structure (Rusche and Kirchheimer, 2003). Readers should refer to it for an update on Georg Rusche's biography. chrome-extension://kjlghdmljfgngjdpeaiogebkiilpiimk/pdf_viewer.html?file=https%3A%2F%2Fedisciplinas.usp.br%2Fpluginfile.php%2F1894833%2Fmod_resource%2Fcontent%2F1%2FMelossi_A%2520new%2520edition%2520of%2520Punishment%2520and%2520Social%2520Structure.pdf .
6 “O Ócio Criativo”. “O Ócio Criativo é título de um texto do cientista e sociólogo italiano Domenico De Masi lançado em 2000”. https://pt.wikipedia.org/wiki/O_%C3%93cio_Criativo .
7 https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_de_bem-estar_social
8 https://www.dw.com/pt-br/darwinismo-social-nada-tem-a-ver-com-a-ci%C3%AAncia-de-charles-darwin/a-4011406 . https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/04/zizek-e-melhor-que-jordan-peterson-ate-para-chutar-cachorro-morto.shtml . “Alguns dos pensadores que absorveram as ideias liberais, desde 1830 a 1930, fossem conscientemente de “idioma burkeano”, como Macaulay, Maine, Alberdi, Renan e Acton; fossem de linguajar “darwinista/evolucionista” social, como Spencer, ou historicistas, como Ortega y Gasset, mantiveram traços básicos do liberalismo, mas não conseguiram abraçar a maré democrática, demonstrando “dissabor pela política de massa ou cultura igualitária””. “O Liberalismo antigo e moderno”: um passeio de Merquior pela jornada de uma ideia. Lucas Berlanza. Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lucas Berlanza é carioca, editor dos sites “Sentinela Lacerdista” e “Boletim da Liberdade” e autor do livro “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno brasileiro”. https://www.institutoliberal.org.br/blog/o-liberalismo-antigo-e-moderno-um-passeio-de-merquior-pela-jornada-de-uma-ideia/ . “No contexto escandinavo, nós estamos enfrentando a ironia de muitos autodeclarados anarquistas, nos últimos anos, terem se focado na defesa no estado de bem-estar social. Contudo, isto vai apenas mostrar que os argumentos de Zizek não são necessariamente argumentos contra o anarquismo, mas apenas contra a abolição imediata do estado – argumento com o qual nem todos os anarquistas concordam, especialmente não enquanto o estado provavelmente vá ser antes substituído por um Darwinismo Social ao invés de comunidades igualitárias. Ainda assim, não parece necessário chamar por um “estado maior” – o estado pode ser pequeno, só deve apenas focar mais em justiça social do que proteger a classe dominante de ricos”. A Hipótese Anarquista, ou: Badiou, Zizek e o preconceito anti-anarquista; por Gabriel Kuhn, via Alphine Anarchist Productions http://www.alpineanarchist.org/r_anarchist_hypothesis.html, traduzido por Grupo de Estudos sobre Anarquismo e Comunismo https://lavrapalavra.com/2016/06/16/a-hipotese-anarquista-ou-badiou-zizek-e-o-preconceito-anti-anarquista/ . “In the Scandinavian context, we are facing the irony that the activities of many self-declared anarchists have focused on the defence of the social welfare state in recent years. However, this only goes to show that Žižek's arguments are not necessarily arguments against anarchism, only against the immediate and universal abolition of the state – which not all anarchists would argue for, especially not as long as the state might be replaced by Social Darwinism rather than egalitarian communities. Still, it does not seem necessary to call for a "large state" – the state can be small, it must just focus on social justice rather than on protecting the ruling class's riches”. Gabriel Kuhn. (August 2011). “Parece-me muito mais apropriada do que essa instância nostálgica a instância flexível de praticar o que, no darwinismo contemporâneo, se tem chamado de exaptação [ Stephen Jay Gould e Richard Lewontin, “The Spandrels of San Marco and the Panglossian Paradigm: a Critique of the Adaptationist Programme” (1979), em Stephen Jay Gould, Oliver Sacks e Steven Rose, The Richness of Life: the Essential Stephen Jay Gould (Nova York, W. W. Norton, 2007)]. Existem dois tipos de exaptação: (1) adaptações que inicialmente emergiram da seleção natural e foram subsequentemente cooptadas para outra função (adaptações cooptadas); (2) características que não surgiram como adaptações por meio da seleção natural, mas como efeito colateral de processos adaptativos e que foram cooptadas por uma função biológica”. A situação é catastrófica, mas não é grave [Publicado na revista Margem Esquerda n. 16 (Boitempo, 2011)]. Slavoj Žižek. https://boitempoeditorial.files.wordpress.com/2013/03/apostila-zizek_ebook.pdf .
9 “La situación del mercado de trabajo producía efectos sobre el sistema educativo [A. GANZ, Das ökonomische Motiv in der preußischen Pádagogik des achtzehnten Jahrhunderts, HaUe, 1930], cuyo principio fundamental consistía en preparar a los niños para las necesidades de la industria”. GEORG RUSCHE - OTTO KIRCHHEIMER PENA Y ESTRUCTURA SOCIAL .Traducción de Emilio García Méndez .Editorial TEMIS Librería Bogotá - Colombia 1984.Columbia University Press, New York, 1939. Título original: Punishment and Social Structure © Editorial Temis, S.A., 1984.
10 DOMENICO DE MASI. O Ócio Criativo 3ª Edição SEXTANTE @ Domenico De Masi, 2000 tradução Léa Manzi preparo de originais Regina da Veiga Pereira capa Victor Burton desenhos da página 31 7 Axel Sande revisão Lúcia Ribeiro de Souza, Luiz Cavalcanti Guerra e Sérgio Bellinello Soares fotolitos Mergulhar Serviços Editoriais Ltda. impressão e acabamento Lis Gráfica e Editora Ltda. CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE. SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ. D320 De Masi, Domenico, 1938- O Ócio criativo / Domenico De Masi ; entrevista a Maria Serena Palieri ; tradução de Léa Manzi. - Rio de Janeiro : Sextante, 2000 Tradução de: Ozio creativo ISBN 85-86796-45-X 1.http://www.kennaz.com.br/baixar/arquivos/15-ocio-criativo-arquivo.pdf .

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