PT, o norte e o Nordeste, Grande Medo, obscenidade da palavra, corpo do povo negro e do índio, Carnavalização do Brasil- II



Cláudio Antunes Boucinha1

Grande Medo

Durante a Revolução Francesa, ocorreu o “Grande Medo foi um período no qual o campesinato francês tomou conhecimento da mudança Francesa, tornando-a de caráter nacional, desencadeando uma série de ataques a castelos, casas, igrejas e saques a aldeias. Muitos nobres fugiram de suas propriedades propiciando o fim dos resquícios feudais em França”2.
Olhando as mudanças que estão ocorrendo no que se denomina de nordeste, mas não de forma exclusiva, principalmente a história brasileira, com seus séculos de escravidão e racismo; com toda a república em que a melhor versão ocorreu, um tanto as avessas, com Getúlio Vargas, especialmente na zona urbana. Na atualidade, com a governança do Partido dos Trabalhadores, pode-se perceber o quanto a elite vendida brasileira tem medo dos pobres e dos miseráveis, procurando tachar ou fazer esteriótipo da ação dos governos progressistas como “comunistas”, corruptos, ou até mesmo arrogantes. A elite entreguista brasileira vive no atraso, enquanto ideologia e programa de desenvolvimento econômico; mas seu grande medo, remete ao século XVIII, quando os pobres e miseráveis saíram do controle da burguesia, ou estimulados por alguns burgueses mais radicais. 3
No resultado das eleições de 2018, a base do (PT) foram os Estados do Nordeste. Como explicar esse fenômeno que foi contrapondo, contraposição, contraditório, destoante, estranho, aparentemente sem lógica, antítese, divergente, foi o diferente, sem dúvida nenhuma. Havia uma previsão de que o (PT) poderia ganhar as eleições no nordeste? Significa realmente um apoio incondicional as ideias do (PT)? Como toda a eleição, apenas uma amostra local e temporal de um sentimento que foi expresso nas urnas? Tais resultados significam que o Nordeste vai sempre votar no (PT), de forma incondicional? Por que o discurso fascista não funcionou no Nordeste?
A questão da linguagem é outro fenômeno que deve ser estudado, no caso da região do Brasil que se denomina de “nordeste”. A ideia é que haja uma certa formalidade da escrita, mas não se trata somente de escrever. O que se discute é política, acima da filosofia, da história, da sociologia, da antropologia. Nesse sentido, a expressão dos sujeitos históricos estão determinados pela própria cultura que herdaram. A linguagem nem sempre é obscena, mas é também palavrão, nome “feio”4. Bocage 5 é nome de uma personalidade, mas, no Brasil, o significado é também obsceno, obscenidade. Uma piada de Bocage, tem um significado obsceno. Quem procura a obscenidade de Bocage? O povo. Quem é esse povo, na atualidade, no Brasil? Serão os povos negro e índio? Por outro lado, a obscenidade remete para Freud, para a psicanálise. É preciso melhorar um pouco esse caminho, em direção a Georges Bataille, como pensador do corpo 6:


O que é tocar um rosto, um corpo, a nudez que deles emana, essa luminosidade oscilante que ainda persiste apesar de toda banalização, de toda fabricação do nu como produto de consumo, esse nu retalhado em pedaços ou fetiches cuja topografia desoladora lembra a figura mapeada de um boi na porta das churrascarias?” (…) “Por analogia com as flores, a pele é uma fronteira que separa o exterior harmonioso e belo do interior repugnante, constituído de uma maçaroca de nervos, vísceras, vasos linfáticos, órgãos, sangue, secreções, e outros componentes do organismo. O interior do corpo é tido como horrível e repelente. Para Freud, a visão da carne interior é uma visão de angústia, o inverso da forma humana, a essência do disforme. O “abjeto é uma fronteira”, diz Julia Kristeva; o abjeto está por baixo da superfície da pele. A pele nos defende, nos resguarda do horror dessa parte que não interessa ser vista. A nós, basta que funcione. Revirá-la significa ameaçar o corpo de alguma forma. (…), ele só se expõe desse modo em casos de cirurgia, acidente ou de morte na mesa de autópsia. Paradoxalmente, no entanto, é dentro do útero materno que a vida começa. O rebento vem do horror das entranhas, em meio a outros fluxos interinos como a urina, o excremento, o sangue. Ele [o filho] também é “expulso” do organismo à maneira destes líquidos e do sangue menstrual. O filho, eliminado pelo organismo da mãe, vem do mesmo lugar imundo (… por isso mesmo sagrado) e é da mesma natureza do sangue, e do esperma. O nosso horror diante da sujeira e da abjeção, de acordo com Julia Kristeva7, revela no fundo, o recalcamento de um desejo ligado ao corpo materno. De modo que tocar a sujeira é o mesmo que (…) este corpo proibido e sagrado”.8


Mais que os povos índio e negro, é o corpo que está no jogo político, é a bio política. São os séculos de escravidão e perseguição que estão em jogo na política atual 9. É o medo da “volta da aroeira no lombo de quem mandou dar”. É esse medo ancestral de que um dia, os escravos, os índios, como maioria absoluta, revoltar-se-iam contra o Senhor e Amo. Por isso esse estupendo aparato de destruição e morte do corpo do povo negro e do índio, que permanece até hoje. Não se trata de uma questão apenas psicológica, mas também cultural, política, que envolve o corpo da mulher, do homem, do índio, do negro. Quando se fala em marxismo cultural, não é de Marx que se está falando, mas da cultura do índio e do negro. A direita mais rasteira do Brasil não sabe e nem quer saber quem é efetivamente Marx, para o capitalismo. A direita, no Brasil, imagina Marxismo como “Blanquismo”10.


Aroeira”11
Vim de longe, vou mais longe
Quem tem fé vai me esperar
Escrevendo numa conta
Pra junto a gente cobrar
No dia que já vem vindo
Que esse mundo vai virar


Noite e dia vêm de longe
Branco e preto a trabalhar
E o dono senhor de tudo
Sentado, mandando dar
E a gente fazendo conta
Pro dia que vai chegar
E a gente fazendo conta
Pro dia que vai chegar


Marinheiro, marinheiro
Quero ver você no mar
Eu também sou marinheiro
Eu também sei governar
Madeira de dar em doido
Vai descer até quebrar
É a volta do cipó de aroeira
No lombo de quem mandou dar
É a volta do cipó de aroeira
No lombo de quem mandou dar”.


O significado da governança do (PT) ainda vai ser avaliado pela História, por que ninguém, nenhum estatuto pode declarar alguém ou algum grupo como diferente deste, ou daquele, do ponto de vista da revolução, de antemão 12, qualitativo ou quantitativo, enquanto limites e possibilidades.


Em tempos de lembrar 1968, cai bem um verso de Geraldo Vandré que se referia a um 'dia que já vem vindo, que este mundo vai virar'… Está na canção Aroeira, do disco Canto Geral, lançado naquele ano de contestações. (…) encaixa bem nos resultados colhidos por setores da imprensa comercial em relação ao governo Lula: 'É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar'. Afinal, tratado com preconceito e grosserias, Lula apanha sem dó, mas ele e seu governo são recordistas de popularidade. Uma dor no pescoço recebe o título 'carne de pescoço'; a tradução para a ida de qualquer militante a Brasília é envolvimento em negociata; nas páginas desses veículos, é o governo mais corrupto e desastroso da história”.13


É importante contextualizar os versos de Geraldo Vandré, que se referem a luta contra o Regime Militar, contra o sistema de “mandonismo” que existia e ainda existe no país. Imaginar algo diferente na canção, por exemplo, como um simples jogo político de troca de cadeiras, ou algo assemelhado, é não perceber a intenção do autor dos versos. Embora Geraldo Vandré tenha renegado seu passado, por motivos não muito sabidos, negando-se inclusive a cantar muitas de suas músicas antigas, isso não quer dizer que as canções perderam seu valor histórico, sociológico, comportamental, diria, até étnico. A direita brasileira, no afã de querer aparecer ou debochar das ideias da esquerda, costuma fazer pouco caso das canções de Geraldo Vandré, embora todo o significado emocional que tem muitas para a maioria dos progressistas. Não se roubam, não se sequestram emoções, pois, são únicas, que somente a esquerda tem condições de se afirmar como herdeira. A direita que vá procurar seus heróis e suas canções. A esquerda jamais vai incorporar o discurso da direita no país, do coronelismo, do senhor de escravos. A extrema-direita incorpora o passado escravocrata e faz questão de fazer propaganda de seu discurso racista, preconceituoso, discriminativo, homofóbico, xenofóbico.


No universo eminentemente machista do coronelismo, e em consequência das obras analisadas, faz-se importante adaptar a declaração acima, substituindo-se a atribuição aos homens do conhecimento e do saber por truculência e força, maiores indicadores de poder nessa sociedade. Aos homens, atribui-se o controle social pela força, às mulheres, a submissão, como um mero instrumento corporal de reprodução e satisfação dos desejos sexuais de seus “senhores””. 14




Até que ponto o capitalismo se desenvolveu no nordeste, para que possa superar a visão do coronelismo, tão afeita a época colonial? A agricultura ainda é a base do desenvolvimento da região? Qual a formação social que ainda sustenta a figura do coronel? O comportamento do senhor de escravos de antes, tem continuidade nos tempos atuais. Senhor de tudo e de todos, ainda mantém sobre seu jugo, o destino dos mais fracos.

“Do ponto de vista da ideia de invenção, as narrativas estudadas ajudam a pensar o coronel como uma figura contraditória, transitando entre sentimentos opostos (zelo por seus aliados, ódio a seus adversários), entre atitudes extremas (negociações por paz, provocação à guerra). O que reforça o imaginário sobre o coronel nordestino, apontando sua bondade e maldade como ícones de chefes que deveriam ser temidos por sua força, mas amados por seus feitos e por suas atitudes de proteção e altruísmo perante seus amigos e comandados. Essa flagrante contradição sobre a personalidade dos coronéis é apontada por Albuquerque Júnior (ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do nordeste e outras artes. Recife: FJN. ED, Massangana; São Paulo: Cortez,1999, p. 202): 'São homens para quem mulheres e filhas não passavam de empregadas, que tinham o poder sobre a alma e sobre o corpo de seus agregados, podendo surrá-los, mutilá-los ou matá-los quando bem-queriam, determinando a vida de todos à sua volta. São obras que, às vezes, como as de Jorge Amado, mal disfarçam sua admiração por essas figuras masculinas poderosas, de identidades difíceis de definir. Figuras entre o doce, o sentimental e o terrível. […] Os coronéis são figuras de quem vinha proteção ou agressão, que impregnam o imaginário político da região até hoje'. Essa imagem de poder quase absoluto, portanto, ajudou a constituir a marca do coronel como líder da região, rico, poderoso, filho das famílias mais ricas e há gerações detentoras de terras e poderes políticos no Nordeste. A ideia de que a região é dominada por um esquema político obsoleto e centralizador reforça sua dependência da parte sul do país, tida como desenvolvida. Alimentar essa imagem do coronel ajuda a justificar o atraso com que se representava o Nordeste, principalmente o sertão, distante das sedes de governo e das mais importantes decisões políticas da região”. 15


A ideia de um racismo “cordial”, incruento, como muito se reproduziu durante a escravidão, principalmente no Rio Grande do sul, imaginando, cruelmente, uma suposta “democracia racial”, diferente do resto do Brasil, só servia para mascarar a realidade, supondo vida onde havia só grilhões.

“Numa época em que os valores europeus entram em crise, os elementos da cultura africana, incorporados à literatura europeia, ficam reduzidos, não raro, a ambientes e sons, à descrição do negro pelo que ele tem de exótico, à mitologia de sua sensualidade e à nostalgia de um universo primitivo” (…). Por fim Salústio, pajem de Laerte, perpassa toda a narrativa como serviçal, talvez denunciando o lugar do negro na sociedade do racismo à brasileira, qual seja o do exílio dentro de sua própria cultura e sociedade. (…), porém, na sociedade do racismo cordial, ainda que detendo cada vez mais poder econômico, Amleto era ainda um mulato, ou seja, possuía um “defeito” que precisava ser corrigido para que ele pudesse figurar na alta sociedade e na história oficial. . 16


A ideia de dois “brasis” deve ser questionada porque não instrumentaliza a esquerda para os embates políticos atuais. Embora a ideia dos dois “brasis” seja um significado enorme em perceber a necessidade de incluir a maioria da população brasileira, a dos dois sugere uma dicotomia e não uma contradição. Mesmo considerando um Brasil só, os interesses de classe estão acima de regionalismos de ordem geográfica, ou culturais. O que divide o Brasil não é o sertão ou litoral, mas interesses econômicos que se locupletam. A superexploração das classes mais desvalidas favorece a acumulação de capital por uma minoria. A hiper concentração de capital, em poucas cidades brasileiras, é um demonstrativo do que se está falando. A própria concepção de trabalho, associado a ideia de escravidão, e de que o bom é não trabalhar, como vivem os ricos e abonados do país, os senhores de escravos, é o que perpassa as relações. Isso não quer dizer que existem escravos literalmente, embora o trabalho escravo seja detectado, e também não quer que se viva num sistema escravista. O fato é que as relações, no país, comparando com as mesmas em outros países, considerando as mesmas condições e funções exercidas por operários, nota-se que o valor do trabalho é infinitamente desvalorizado. Em nome de uma suposta carência de mão de obra ou de desqualificação do trabalhador, demonstrado o quanto a cultura escravista ainda importa.




Eis o dilema da (inclusão) enunciado pelo plebeísmo de Cícero Araújo [Araújo parte da suposição de que a cidadania democrática encerra três ideais normativos: civismo, que representa um ideal de excelência no exercício da (…) ; (…), um (…) de extensão da (…) . (...) Pluralismo, que é um (…) de tolerância para com os diferentes estilos de vida e crenças religiosas e filosóficas dos cidadãos]. A medida que o corpo político e o círculo social são pressionados a assimilar mais pessoa (negros, caboclos, imigrantes), sobretudo em virtude da Abolição da Escravidão e da Proclamação da República, a questão sobre a qualidade e a excelência da (…) torna-se premente. “Que país queremos?” e “qual são as fisionomias, o modo de ser, a realidade, os dilemas e as perspectivas da sociedade, do povo brasileiro (…)?” serão as duas grandes perguntas que animam as discussões”. 17


Nesse sentido, em que a questão política do Nordeste se confunde com o povo negro e o índio, o livro DIVISÕES PERIGOSAS: POLÍTICAS RACIAIS NO BRASIL CONTEMPORÂNEO 18, indiretamente, afirma o quanto a elite branca escravocrata ainda tem hegemonia no pensamento brasileiro. Imagina que está discutindo cor, raça, em contraposição a igualdade, a universalidade, à civilização. Triste engano, em que parte desses autores convidados tentaram impedir um mal ainda maior de tal publicação. Imaginam democracia, onde existe apenas é reprodução do que sempre existiu na cultura brasileira, autoritarismo, preconceito, discriminação. A discussão que estava e está presente no país é o quanto o (PT) incluiu os tradicionais excluídos, o filho da empregada doméstica, o povo negro e índio. Nunca esteve em discussão o modelo norte-americano para a solução de problemas raciais, nunca se pensou em transposição ou deslocamento de conceitos, como se o norte-americano fosse o único. É essa inclusão da pobreza e da miséria nos programas de governo, algo jamais visto na história do Brasil, que levou Lula à prisão e escarnecimento por parte da elite branca, que jamais admitiu um filho de empregada tornar-se médico. Discutir biologia, com Gobineau19, autor do Essai sur l'inégalité des races humaines20, é demonstrativo da decadência intelectual da academia. Se, no início do (PT), os intelectuais, em geral, simpatizaram com a proposta, com exceções importantes, quando o (PT) colocou a “mão na massa”, muitos desses preferiram o conforto de seus gabinetes e uma certa equidistância da lida com problemas menores, de caráter meramente político. Renegaram Sartre, não por discussões teóricas, mas simplesmente por conveniência. Olham os acontecimentos de 1968 com um olhar lânguido, saudosista, tipo (classe) média dos anos 1970, no país, e se apavoraram rapidamente quando parte do (PT) envolveu-se em corrupção 21, sem fazer o estudo necessário do que estava acontecendo. Preferem a leitura de discutíveis jornalistas da grande mídia, que imaginam uma imprensa norte-americana, independente, em que a notícia também é um produto mercantil. Estão pagando caro agora, quando muita gente dessa imprensa “norte-americanizada”, o “pão que o diabo amassou”, por um prócer do fascismo que está mesma dos “EUA” ajudou a se consolidar. Estarão estes intelectuais da biologia, seguros, em tempos fascistas? Preferiram a Biologia às questões políticas. O que querem agora? Por que essa discussão foi travada agora? Porque, agora, a esquerda sabe por quem foi utilizado o livro para combater a própria? Dizem eles, “vejam como a esquerda trata os negros, afirmando que os próprios é que inventaram e consolidaram o estatuto da escravidão, então é melhor a Princesa Isabel, branca, que Zumbi, negro, escravocrata assumido”. Não deveria ser assim, já que está-se falando de ciência histórica. De história da África, de costumes e comportamentos de alguns africanos; no entanto, mais que sociologia, mais que etnografia, o que está em jogo é a ideologia fascista, a política rasteira, a manipulação costumeira, a falta do aprofundamento na pesquisa. A escravidão não é negra ou branca, mas de sujeitos históricos, submetidos às múltiplas determinações, de acordo com seus interesses de classe. Cabe a ciência estabelecer as diferenças, as classificações, os contextos. Observar a economia politica. Não simplesmente fazer declarações populistas, demagógicas. Em cima de patrulhamentos de pensamentos que não se coadunam com o que uma certa academia compreende como de “bom-tom”. Que estão na onda, ou estão em alta, em useiro e vezeiro, de acordo com os costumes e as regras, do modo que deve ser ou exigido pela situação, “chique”. 22 O próprio pensamento anarquista, serviu e serve de “guarda-chuva” para muitas posturas ou comportamentos, muito convenientes para justificar atitudes serviçais perante as classes dominantes, para, enfim, participarem dessa “festa pobre”23 24 25 26, os 'champagnes' e tira-gostos 27, as vernissages 28, os saraus 29, o grande teatro. Até mesmo uma certo ambiente “underground30. Imaginar a política como algo fora de todo o contexto teórico, em que se visita de vez em quando, é não ter lido Paulo Freire 31. Não se quer destruir, atenuar, minimizar, mitigar o anarquismo, visto que existem uma série de reflexões que o próprio fez, no século XIX e também no XX, que ajudam e ajudaram a compreender o funcionamento, a prática, o sentido, do totalitarismo. No entanto, do ponto de vista da política, é de reconhecido valor a ideia de que o parlamento não é lugar de anarquista, comprovado historicamente no Brasil. O quanto essas ideias anarquistas contribuíram para a não participação popular no parlamento brasileiro, durante a República Velha, ainda está para ser contado.
Os anarquistas sempre recusaram a ideia de representação política, seja no parlamento ou fora dele.(…) Podemos perceber, ao longo das edições de A Voz do Trabalhador, que a direção do jornal tratava de assuntos de interesse e propaganda anarquista32, em contraste com o que se passava com outras tendências. Sendo apolíticos, especialmente no sentido “contrários à política eleitoral” como defendia o sindicalismo, podiam falar de sua concepção de (...) com muito mais liberdade do que os das outras tendências. Sindicalistas que não eram anarquistas, mas membros da COB33, escreviam a favor da partidarização. Tinham espaço para publicar, mas, quando o faziam, deveriam esperar respostas na edição seguinte, quando não alguma nota imediatamente após seu texto, como o que aconteceu com um artigo de Antônio Cunha. Este sindicalista, que fazia ressalvas à ação direta e à recusa em se aceitar representantes no Parlamento, bem como em (…) algumas benesses do governo, como casas para operários, teve o seguinte comentário publicado logo após o seu texto: 'N. da (R). — Dando publicidade a este artigo do camarada Cunha, não fazemos mais do que agir de acordo com as deliberações do Segundo Congresso Operário Brasileiro, que aconselham a mais franca exposição de ideias tanto dentro dos sindicatos como nas colunas dos jornais operários. Pela orientação a que sempre obedeceu 'A Voz', não será difícil verificar que estamos em completo desacordo com os argumentos apresentados pelo companheiro Cunha, que serão refutados no próximo número'.[Nota da Redação ao artigo A política e o sindicalismo. A Voz do Trabalhador — Órgão da Confederação Operária Brasileira, Rio de Janeiro, ano VII, n. 46, 1 jan. 1914, p. 3]”.34


A ideia de uma história incruenta é dirigida ao povo negro e ao índio. Esconde a verdadeira origem do racismo a moda brasileira, o imaginário de que o branco, estrangeiro, é refinado, educado, moral e intelectualmente e que o povo negro e índio não tem a mesma capacidade de ser:
“No Brasil, portanto, especialmente durante às três primeiras décadas do século XX, quando chegavam as grandes levas imigratórias e quando eram sentidas as (…) mudanças provocadas pela abolição formal da escravidão, as segmentações identitárias marcadas por concepções racialistas se manifestavam por dois vieses interligados: brancos X negros; imigrantes X brasileiros natos. De modo geral, acreditava-se que “brancos”, estrangeiros ou nascidos no Brasil eram mais elevados, intelectual e moralmente. (…) Em diversos momentos se reputou aos estrangeiros (ou mais especificamente, a alguns grupos e indivíduos) a responsabilidade por distúrbios sociais, ao instigarem os trabalhadores brasileiros, que teriam uma índole positiva e naturalmente amante da ordem, a revoltar-se. Entre todos esses mitos, contudo, ao trabalhador negro sempre coube somente atributos caricaturalmente negativos, como a ignorância, o primitivismo, a preguiça, a tendência natural ao roubo, ao alcoolismo, à trapaça e à violência. Na visão da classe dominante, o máximo de valorização “positiva” que os negros, como nacionais, poderiam receber era o atributo de “pacatos”, quando o objetivo de os discursos era perseguir os revoltosos anarquistas estrangeiros, ou ainda palavras em tons paternalistas que estabeleciam vínculos distorcidos entre o passado e o presente sobre o paciente sofrimento por que passaram seus antepassados durante tantos séculos.35




O interessante é perceber o quanto a ideia de povo revoltava a elite branca racista:
“A edição especial de uma página de A Plebe, datada de 15 de setembro de 1917, trazia como manchete principal 'No Reino da Senegâmbia'. Por ter tido sua sede invadida e seu equipamento empastelado pela polícia de São Paulo, a folha só pôde ser impressa graças à solidariedade dos redatores do periódico O Combate. Para denunciar a abusiva perseguição revanchista da polícia paulista aos militantes e operários por causa da greve de julho, os redatores se valeram de ironia agressiva e procuraram desconstruir a idéia de que o Brasil era um país civilizado, como afirmava o discurso oficial. A ação da polícia brasileira era a ação da (…) de um país selvagem, primitivo, violento, de métodos rudimentares. Um país de “escuros” e de “escuras leis”, como a Libéria e a Senegâmbia: 'Engana-se quem supuser que este suplemento (…) A PLEBE está sendo escrito em S. Paulo, capital do Estado do mesmo nome, República dos Estados Unidos do Brasil. Engana-se redondamente, deploravelmente. Não. A PLEBE está sendo escrita na Senegâmbia, vasta região de pretos no continente preto. Não poderíamos escrever este suplemento em São Paulo, nem noutra qualquer cidade brasileira, porque S. Paulo é um rico e poderoso centro de civilização e o Brasil inteiro um país de nobres e antigas tradições de liberalismo. Só na Senegâmbia era possível escrevermos o suplemento do nosso jornal, porque só neste país escuro de escuras leis, poderiam ocorrer os fatos que acabam de se produzir e que determinam a publicação(…) A PLEBE (suplemento) e não d’A PLEBE (jornal). A PLEBE (jornal) não existe desde ontem. Não existe porque a polícia da Senegâmbia invadiu a tipografia onde era impressa, substituindo dali todos os originais. Eis porque afirmamos que o nosso suplemento não é escrito em São Paulo, nem em nenhum outro ponto do Brasil. Esta república não é a da Libéria, não é uma (…) de negros, de selvagens de tanga e de usos e leis rudimentares. É um vasto país de muitos milhões de habitantes, seres civilizados, generosos e livres, com uma constituição liberal, com um corpo de leis escritas, com tribunais, com parlamentos. (…) Estas instituições traduzem a civilização dos séculos, representam um estádio na evolução, uma fase na vida social dos homens. Por isto o Brasil se chama um povo culto, por isto ele reclama essa prerrogativa, por isto ele se equipara às demais nações que o são. Numa coisa, porém, o Brasil não é o que são os outros países, e esta 'coisa' é a polícia. A polícia não é, nunca foi brasileira, a polícia é da Senegâmbia, usa os processos senegambienses e são senegambienses os seus funcionários. (…)”[No Reino da Senegâmbia — A Constituição republicana é uma burla: — está em cena a heroica polícia de S. Paulo. Numerosas prisões de operários — Assalto à tipografia onde se imprime A Plebe e às Ligas operárias — Subtração dos originais — A prisão do nosso diretor Edgard Leuenroth — O Centro Libertário é violentamente assaltado e todos os móveis e arquivo removidos para a Polícia Central — Espancamentos – Outras proezas. O intuito da polícia e do governo. A Plebe, São Paulo, ano I, suplemento, 15 setembro 1917]”.36


O quanto essa ideia de “racialismo” já foi discutida no Brasil, e, porque não é o melhor caminho:
“Possivelmente, Isabel (Cerruti) Silva, pelos padrões raciais da época no Brasil, era vista e sentia-se como 'branca', para poder pôr-se em igualdade (biológica e moralmente) com os 'negros', apesar da cor. Poderíamos considerar apenas um breve rasgo de percepção individual desta militante a respeito da linha da cor. (…) A existência de outros fragmentos de teor semelhante, espalhados na imprensa anarquista, nos leva a crer que outros anarquistas compartilhavam a mesma autoimagem. João Crispim [João Crispim militava na Federação Operária Local de Santos (FOLS), associação que esteve à frente de diversas iniciativas do movimento operário dessa cidade portuária. Em junho de 1913, a associação declarou-se abertamente anarquista. Atitude que, neste mesmo ano no II Congresso Operário Brasileiro, recebeu críticas de outros militantes anarquistas, que defendiam a neutralidade política e religiosa nos sindicatos. Sobre isso há um interessante debate entre Crispim e Neno Vasco no jornal da C.O.B., A Voz do Trabalhador, que precedeu o evento]. Por exemplo, um dos mais ativos militantes anarquistas de Santos, condenou o racismo e a aura de legitimação. Primeiro religiosa, e depois cientificista, que essa ideologia recebeu. Nos seguintes termos: 'Para encontrar argumentos que satisfizessem o desejo de justificar este princípio, e, ainda, a bárbara escravatura, há pouco nominalmente abolida, estudou-se o homem de cor e observou-se e propagou-se que tem muito pronunciados os caracteres de bestialidade. Tanto (…) ponto de vista físico como intelectual. A sua conformação craniana, cuja fronte é, como a do símio, pouco elevada, os pômulos salientes e as mandíbulas formidáveis, o nariz achatado, são caracteres próprios do tipo que vive em vida vegetativa, que não tem outras funções que as da nutrição. Para justificar a caça e a escravidão dos negros, os cientistas definiam-nos como bestas ferozes, à qual era preciso não domar, mas amansar. Os padres diziam que os negros não tinham alma (…), portanto, não era pecado tratá-los como aos outros animais'. [CRISPIM, João. '(…) 13 de maio'. A Rebelião — Semanário de propaganda socialista anarquista — Escrito por trabalhadores e para (…), São Paulo, ano I, n. 2, 9 maio 1914, p. 1]. A essência do texto de Crispim, assim como o de Isabel Silva e todas as outras referências sobre o 13 de (…) e a escravidão negra no Brasil, condena as barbáries cometidas contra os negros no passado e contra todos os (…). “(…), brancos, amarelos ou cobriços”, no presente, suscitando, como única solução possível e necessária, a união de todos em torno da ação direta da classe trabalhadora. Mesmo assim, ainda que para esses militantes ninguém devesse sofrer discriminação por causa da cor da pele, o fato é que a sua visão, ainda que combativamente contra hegemônica, estava permeada pelos preconceitos dominantes, dentre eles o racialismo. De outra forma, e se não se considerasse branco, dificilmente Crispim repetiria que a formação craniana dos negros se assemelhava à dos “símios”, com características próprias de quem tinha uma “vida vegetativa”. 37




Por isso que essa ideia de povo negro e índio, mesmo em 1920, ainda não estava construída:
“Nisso, deixaram aberta uma lacuna que os comunistas iriam preencher já a partir da década de 1920, com uma propaganda específica voltada para negros e indígenas, tal qual a Internacional Comunista orientava a ação nos países dominados pelo imperialismo branco e ocidental”. ”. 38


É interessante observar o quanto o povo negro sempre foi injustiçado no país. É surpreendente que intelectuais fiquem discutindo o “sexo dos anjos”, imaginando polêmicas do século XIX, quando o que se quer é o resgate do que foi deixado a míngua pela libertação dos escravos, entre 1884 e 1888. Nem terras tinham direito. A ideia de uma país incruento, ainda é propagandeada por historiadores. Octávio Ianni39 colocava exatamente o absurdo dessa ideia de “revoluções brancas” no país, quando perguntado sobre “Qual é a relação que se estabelece entre a questão racial e a social?”. “O Brasil tem sido visto como um país que se destaca por sua “história incruenta”, uma (…) de "revoluções brancas", na qual floresce a “democracia racial", tudo isso "lusotropical"”.40


Outro autor, José Honório Rodrigues (1976), afirmava que:
Foi assim que construímos não uma história, mas um passado irreal um Império encantado, repleto de mitos que se repetem monotonamente. Um Império próspero, róseo, calmo, tranquilo, um povo dócil, cordial; um passado incruento, uma liderança de grandes homens, que praticavam a conciliação para o bem de todos, povo e país, que queria reformas, que servia apenas ao Brasil, com um governo que apreciava seu povo, que o queria sadio e educado, que não fazia do poder um círculo de ferro, plástico às mudanças sociais, compreensivo não só de seus iguais, na fortuna e no poder, mas dos seus desiguais na pobreza e na humildade. Relações paternais e doces entre senhores e escravos, fazendeiros e colonos, patrões e operários, povo e governo; não houve nem capitulação, nem terrorismo, de um lado ou de outro, todos colaborando no sucesso do nosso passado, tão criador que nos libertou de qualquer subdesenvolvimento futuro. (…) E mais, o que é inédito, e único, a história não foi branca, foi também a da coloração negra, índia, cabocla enfim. Os negros, os mulatos, os índios, os caboclos, os mestiços de todas as variedades tiveram o seu papel incorporado e destacado, inclusive seus protestos e lutas, na história oficial. Foi assim que escreveram esta história, que se ensina de um passado prodigiosamente positivo". 41


Leonardo Boff (2015) sintetizava o que é o (PT) na história brasileira. Existe a anti-história. Pode-se falar de uma “história oficial”, de uma “dos oprimidos, dos excluídos”, ou até mesmo numa “dos dominados”42. No entanto, a postura de um verdadeiro historiador não pode a de ser aquela que é levado pelas paixões. Existem inúmeros estudos que se tornaram marcos teóricos na ciência histórica e ninguém perguntou pela ideologia do pesquisador. É ou não é história. O resto é literatura, sem querer fazer um julgamento apressado entre os vínculos obrigatórios entre história e narrativa. Não é o momento de discutir se a história é ciência ou não é. Importa, isto sim, perceber que a ciência histórica evoluiu muito para se prender ou virar penduricalho dessa, ou aquela ideologia, partindo do pressuposto que não se está desvalorizando o termo.
Nenhum governo antes em nossa história conseguiu esta façanha memorável. Nem havia condições para realizá-la porque nunca houve interesse em fazer das massas exploradas de indígenas, escravos e colonos pobres, um povo consciente e atuante na construção de um projeto Brasil. Importante era manter a massa como (...), sem possibilidade de sair da condição de (…), pois, assim não poderia ameaçar o poder das classes dominantes, conservadoras e altamente insensíveis aos padecimentos do próximo. Essas elites não amam a massa empobrecida. (…) Tem pavor de um povo que pensa, pois, faz valer seus direitos e pode ameaçar os privilégios dela. Para conhecer esta anti-história aconselho aos políticos, aos pesquisadores e aos leitores/as que leiam o estudo mais minucioso que conheço:'a política de conciliação: história cruenta e incruenta', um largo capítulo de 88 páginas do clássico “Conciliação e reforma no Brasil” de José Honório Rodrigues (1965 pp. 23-111). Ai se narra, como a dominação de classe no Brasil, desde Mende de Sá até os tempos modernos, foi extremamente violenta e sanguinária, com muitos fuzilamentos e enforcamentos e até de guerras oficiais de extermínio dirigidas contra tribos indígenas como contra os botocudos em 1808.Também seria falso pensar que as vítimas tiveram um comportamento conformista. Ao contrário, reagiram também com rebeliões e violência. Foi a massa indígena e negra, mestiça e cabocla a que mais lutou e que foi reprimida cruelmente, sem qualquer piedade cristã. Nosso solo ficou ensopado de sangue”.43




Por isso, a necessidade de pensar a linguagem, a política, a obscenidade da palavra, do corpo do povo negro e do índio.


“Se a lenda o imortalizou não é menos certo que dele fez o que quis, e tantos escritores de pouco talento se valeram do seu prestígio e algum lucro tiraram, atribuindo-lhe ou fazendo dele o protagonista de todo um anedotário popular poucas vezes inspirado e tantas grosseiro. As gerações sucediam-se e a biografia de Bocage foi ficando soterrada por fábulas de um género soez, por historietas sem graça e facécias de almanaque barato. (…) se «em torno do seu nome chegou a formar-se uma atmosfera de depravação e de escândalo», levando a que os versos bocagianos a dada altura fossem sinónimos de uma «literatura de sal grosso e bafio nauseante, florilégio de lama», como recordou Carlos Jaca num excelente e longo artigo publicado em sucessivas edições do Diário do Minho, em 2005, talvez a tudo isso tenha sobrevivido o talento que o fazia destacar-se e um gosto pela transgressão. E talvez o exagero na representação do poeta revele uma homenagem do povo, que o puxou para si, o reclamou construindo à sua imagem um herói e um porta-voz, alguém que exprimia um inconformismo, um desejo de liberdade resvalando na libertinagem, e o desafio a uma ordem e moral sempre repressivas. A um canto ficaram os seus versos, exigentes, vibrantes, em composições impecáveis que abarcam todos os géneros poéticos; isso e as inspiradas traduções que acompanhou de longas notas justificando as suas opções e que dão testemunho não só da sua inspiração mas dos seus imensos cuidados – a um tal ponto que se diz que valorizava o próprio original. Porque Bocage era senhor de uma erudição que abrangia os clássicos, as mitologias latina e grega, dominando o Francês e o Latim. Tudo isto continuou a ser motivo de espanto entre os intelectuais, mas a reputação desenhava o seu vulto entre uns fumos nalgum fim de rua lisboeta, cambaleando, o estroina do Bocage a sair e entrar dos botequins, todos os lugares mal afamados, esse «repentista consumado de metro fácil e rima facílima». (…) A fama de rabo de saias, de libertino, vem ainda dos versos cheios de intenção sedutora, menos maturados, quando a sua poesia sugeria um coração que era um harém, com constantes referências a Marílias, Ritálias, Márcias, Gertrúrias e outras. Mas todas estas paixões não o ancoraram na capital, e com 20 anos embarcou como oficial da marinha para o Rio de Janeiro, cidade que o encantou e, num esforço de ali ficar indefinidamente, lembrou-se de dedicar ao vice-rei algumas canções não se poupando em elogios. Aparentemente, aquele seria avesso a bajulações, e desagradado com algumas rimas de baixo calão, fê-lo prosseguir para a Índia. É assim que Bocage, depois de fazer escala na Ilha de Moçambique, chega a Goa, cidade que vem a achar decadente, chama-lhe esta «república de loucos», causando-lhe tristeza ver a Lisboa do Oriente dar testemunho de um império falido, consumido pela corrupção. Compensou-se hasteando de novo a bandeira sexual, mergulhando de cabeça na boémia dali, o que lhe trouxe os primeiros problemas de saúde. Em Pangim44, frequentou de novo estudos regulares de oficial da marinha. Foi depois colocado em Damão, mas desertou em 1789, embarcando para Macau. As viagens pouco contribuíram para a sua obra, tudo o perde e é só em 1790, com 25 anos, depois de ter conseguido ajuda para regressar a Lisboa, que um poderoso golpe o faz retomar a arte como tábua de salvação. A Gertrúria que exaltava em tantos dos seus versos, e que era na verdade Gertrudes Homem de Noronha – filha do governador da Torre de Outão em Setúbal –, a grande paixão que o fez deixar o país, casara-se com o seu irmão mais velho, Gil Bocage. O sofrimento que isto lhe causou fez com que tivesse a vontade de perder a pele, e assim foi mais longe que nunca nas suas viagens ao fim da noite. É desses dias que lhe vem a fama de obsceno, mas é também nesse período que toma contacto com os ideais da Revolução Francesa, lê os iluministas, adere ao espírito do liberalismo político e cultural, e a sua poesia torna-se um mirante para esta visão. Ainda nesse ano é convidado e adere à Academia das Belas Letras ou Nova Arcádia, cujos encontros são realizados nos salões da casa do conde Pombeiro e nos quais adoptou o pseudónimo Elmano Sadino. Mas não demorou muito para que o seu temperamento chocasse com o das alminhas notáveis e contentes do seu tempo, de modo que as «quartas-feiras de Lereno» se tornaram o alvo da sua sátira, atacando o seu presidente e vários outros dos seus pares. Trava-se então uma autêntica guerra verbal e a inventividade trepa a árvore da obscenidade para colher os insultos mais chocantes. Em 1971, Bocage publica o primeiro tomo das Rimas, firmando a sua reputação poética, onde a irreverência do seu temperamento desafiava abertamente a ordem e a moral de então. Apesar da protecção de alguns amigos, como Filinto Elísio e a marquesa de Alorna, o poeta é expulso da Nova Arcádia e, três anos mais tarde, em 1797, é preso e processado pelas posições antimonárquicas e anticatólicas, acusado por conspirar contra a segurança do Estado e pela autoria de «papéis ímpios, sediciosos e críticos». Primeiramente recolhido à cadeia do Limoeiro, é, depois, por influência de amigos e mediante muitas súplicas e retratações, transferido para o mosteiro de São Bento e deste para o mosteiro dos Oratorianos. Os anos que passa enclausurado são aqueles que vai dedicar à tradução dos poetas franceses e latinos. Só em 1799 regressa à liberdade, para se entregar uma vez mais ao álcool, ao tabaco e ao trabalho, publicando o segundo tomo de Rimas. É então que os excessos de toda uma vida vêm cobrar a dívida e um aneurisma atira-o, definitivamente, para o leito. Em 1804, é publicado o terceiro volume de Rimas e, um ano mais tarde, em 21 de dezembro de 1805, morre o homem e a lenda começa o seu caminho. Estão em curso as Comemorações dos 250 Anos do Nascimento de Bocage, que decorrem em Setúbal entre setembro de 2015 e setembro de 2016, e é nesse enquadramento que surge Bocage a Imagem e o Verbo, uma edição luxuosa e de grande formato da Imprensa Nacional-Casa da Moeda cuja organização coube ao investigador bocageano Daniel Pires, que é também presidente da direção do Centro de Estudos Bocageanos, e que foi já responsável pela edição das obras completas do poeta, entretanto esgotadas. Trata-se de uma publicação que se propõe dar a conhecer as linhas de força da poesia, da biografia e da recepção de Bocage, e que o faz de forma algo sintética dando primazia ao abundante material iconográfico que reúne e que está organizado em quatro grandes temas essenciais: a época, a vida, a poesia e a posteridade do poeta.
O que há para si de mais instigador nesta figura?
'Para começar uma poesia genial. A lírica de Bocage é comparável à de Camões. É uma poesia com uma grande especificidade; uma voz muito singular. Abriu portas ao romantismo e demoliu outras, mais concretamente o neoclassicismo. Isto embora tenha cultivado, quer um, quer outro. A sua obra foi a verdadeira pedrada no charco naquela sociedade de finais do século XVIII'.
E relativamente à pessoa?
'É alguém que se colocou contra a corrente, e que foi remando na medida das suas forças. Vivia-se numa sociedade muito fechada. Uma pessoa não podia manifestar-se abertamente sob o risco de lhe cair em cima o poder de um Estado muito repressivo. Isto num país periférico, dominado por uma ínfima minoria, a nobreza, que suportava um aparelho fortíssimo e no qual sobressaía o Pina Manique. Nessa altura, as liberdades individuais eram praticamente inexistentes. A religião estava metida em tudo, com a Inquisição sempre vigilante. As prisões funcionavam como elemento dissuasor de qualquer irreverência. E Bocage enfrentou tudo isso, muitas vezes disseminando a sua poesia clandestinamente, anonimamente, textos que se espalham um pouco por todo o país'.
Camões tornou-se o maior vulto da nossa língua, Bocage parece ter-se tornado um herói do folclore.
'Em parte sim. Além da confusão entre o erotismo e a pornografia, isso resulta da confusão entre sátira e anedota, as muitas anedotas que lhe foram atribuídas, tantas delas boçais. Boa parte das anedotas que circularam como do Bocage estavam na mesma linha que as que têm o Alentejano como protagonista ou alvo. Houve extrapolações ao longo dos séculos que não resistem a uma análise histórica. Mas Bocage não deixa de ser conhecido pela obra que de facto escreveu. E a irreverência crítica, social, o humor, muitas vezes corrosivo, fazem dele um mito também'”.45


É o povo que está no centro da discussão da linguagem do Nordeste e de todos os pobres e miseráveis do Brasil. Lembrar Bocage é perceber os vínculos deste com o carnaval, com a subversão da ordem vigente, desconstituindo uma suposta moral, que desconhece o humilde, os instintos, o grotesco da vida. Negar o Bocage popular, é não perceber o quanto explica um pouco do português, do brasileiro, dos mais pobres.


Antes de frequentar o antigo 7º ano dos Liceus e, de seguida, durante três anos, a disciplina de Literatura Portuguesa, como matéria opcional, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, o Bocage que eu conhecia era aquele que ficou no comum das gentes, e que terá sobrevivido pelas gerações fora. Esse conhecimento, dizia respeito apenas ao anedotário caricatural de um Bocage de «pilhéria e chalaça», a quem se atribuía tudo e mais alguma coisa, excepto a obra poética que escreveu. O prestígio boémio do seu nome anulava toda a grandeza dessa obra — não havia historieta sem graça, não havia laracha gratuita, não havia piada soez, que não fosse imputada a Bocage. De tal modo era assim, que no meu tempo de adolescência as historietas atribuídas a Bocage, (as historietas) eram, normalmente, contadas à “chucha calada”. Do grande poeta perdurava, e ainda perdurará, sobretudo, a lenda cómica do Bocage estróina, prevaricador incorrigível, frequentador impenitente de botequins e lugares mal afamados, «repentista consumado de metro fácil e rima facílima». A isto se reduzia praticamente toda a reputação de Bocage junto da grande maioria que pronunciava o seu nome. (…), todavia… esse Bocage nunca existiu… a não ser na imaginação de “escritores” que, servindo-se de facécias de almanaque barato, e inventando outras, consideravam mais lucrativo atribuir ao glorioso poeta toda a espécie de piadas grosseiras e obscenas que o (povo) retinha na memória e foi transmitindo de geração em geração. Bocage, o autêntico Bocage que marcou toda uma época, o «Elmano Sadino» dos imortais sonetos, esse ninguém conhece, o Bocage de «A morte de Leandro e Hero», dos idílios, das canções e das odes de inspiração pura e harmoniosa, esse poucos o conhecem. Quem é que conhece esse Bocage que traduziu Castel e Delille, e elevou a sua arte portentosa ao ponto de valorizar o seu próprio original? O Bocage que todos conhecem é um poeta chocarreiro que andaria por essas ruas, soltando graçolas impertinentes e curtindo uma embriaguês crónica pelas mesas dos botequins. Em torno do seu nome chegou a formar-se uma atmosfera de depravação e de escândalo. «Versos bocagianos» na boca do povo querem, ou queriam dizer, «literatura de sal grosso e bafio nauseante, florilégio de lama». Ora, esse Bocage nunca existiu! «Só conhecendo Bocage através da sua poesia é possível acertar contas que andavam erradas, pois, é a obra que devolve o poeta à sua própria imagem, que restitui Bocage à sua verdade, que exemplarmente o recupera, em toda a inteireza do que ele foi»”.46


1 Mestre em História do Brasil.
3Delumeau, Jean, 1923- . História do medo no ocidente 1300-1800 : uma cidade sitiada / Jean Delumeau ; tradução Maria Lucia Machado ; tradução de notas Heloísa Jahn. — São Paulo : Companhia das Letras, 2009. https://www.companhiadasletras.com.br/trechos/80113.pdf .
6 “Bataille, o pensador do corpo”. Wesley Peres. 12 de setembro de 2013. https://revistacult.uol.com.br/home/georges-bataille-o-pensador-do-corpo/ .
7 J. Kristeva. Pouvoirs de l’horreur. Paris, Seuil, 1980.
8“a beleza terrível”. Contador Borges. Poeta, ensaísta e tradutor. Publicou os livros de poesia Angelolatria (1997) e O reino da pele (2003); traduziu Aurélia, de Gérard de Nerval, (1991), O nu perdido e outros poemas, de René Char (1995), e A filosofia na alcova, de Marquês de Sade (1999), entre outros, todos pela editora Iluminuras. Tem colaborado com artigos, poemas e traduções em várias revistas e jornais no Brasil e no exterior. Verve, 6: 81-100, 2004. https://revistas.pucsp.br/index.php/verve/article/viewFile/5006/3548
9“É nesta direção que Dépêche [ DÉPÊCHE, M. Reações hiperbólicas da violência da linguagem patriarcal e o corpo feminino. In: STEVENS, Cristina. & SWAIN, Tânia Navarro. (Orgs). A construção dos corpos- Perspectivas feministas. Florianópolis: Ed. Mulheres, 2008, p. 209] aponta que a linguagem utiliza uma língua natural, sim, mas ela é uma máquina simbólico-ideológica que funciona conforme as condições de produção/imaginação social (...). A linguagem, então, reflete o meio social, húmus onde ela nasce, mas também, cria sentidos, que modelam corpos segundo uma diferença instituída politicamente (...)”. Xingamentos masculinos: a falência da Xingamentos masculinos: a falência da virilidade e da produtividade virilidade e da produtividade. Valeska Zanello e Tatiana Gomes. Valeska Zanello. Professora Adjunta do Curso de Psicologia. IESB (Instituto de Educação Superior de Brasília) Tatiana Gomes. Graduada em Psicologia/IESB (Instituto de Educação Superior de Brasília). Recebido em 30/06/2010. Aprovado em 30/09/2010. Caderno Espaço Feminino | v. 23 | n. 1/2 |p. 265-280| 2010. http://www.seer.ufu.br/index.php/neguem/article/viewFile/7615/7079 .
14Galvão, André Luis Machado. O coronelismo na literatura : espaços de poder / André Luis Machado Galvão – Cruz das Almas/BA : UFRB, 2018. https://www1.ufrb.edu.br/editora/component/phocadownload/category/2-e-books?download=107:o-coronelismo-na-literatura .
15Galvão, André Luís Machado. O coronelismo nas narrativas de Wilson Lins: espaços de poder /André Luís Machado Galvão, 2010. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA. Departamento de Letras e Artes. O CORONELISMO NAS NARRATIVAS DE WILSON LINS: ESPAÇOS DE PODER. ANDRÉ LUÍS MACHADO GALVÃO. Feira de Santana, 2010. PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LITERATURA E DIVERSIDADE CULTURAL . Livros Grátis. http://www.livrosgratis.com.br . UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA. Departamento de Letras e Artes. O CORONELISMO NAS NARRATIVAS DE WILSON LINS: ESPAÇOS DE PODER. ANDRÉ LUÍS MACHADO GALVÃO. Feira de Santana, 2010. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA. Programa de Pós-Graduação em Literatura e Diversidade Cultural. BANCA EXAMINADORA. Prof.ª Dra. Eliana Mara de Freitas Chiossi (Orientadora);Prof.º Dr. Rubens Edson Alves Pereira (Membro); Prof.ª Dra. Alvanita Almeida Santos (Membro). Em 28/09/10. Feira de Santana, Setembro/2010. http://livros01.livrosgratis.com.br/cp155949.pdf .
16Luiz Henrique Silva de Oliveira. O negrismo e suas configurações em romances brasileiros do século XX (1928-1984). Tese apresentada ao Programa de PósGraduação em Letras - Estudos Literários, da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Doutor em Letras – Teoria da Literatura e Literatura Comparada. Linha de pesquisa: Literatura, História e Memória Cultural (LHMC) Orientadora: Profa. Dra.Haydée Ribeiro Coelho. Co-orientador: Prof. Dr. Eduardo de Assis Duarte. Universidade Federal de Minas Gerais. Faculdade de Letras. Belo Horizonte, 2013. http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/handle/1843/ECAP-9ARHQK/tese_final_corrigida_14_09_2013.pdf?sequence=1 . https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/Busca_etds.php?strSecao=resultado&nrSeq=10192@1 .
17Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC-SP. Paulo Alexandre de Moraes. Entre o chucro e o chique: um país em busca de um conceito. Mestrado em Ciências Sociais. Dissertação apresentada à Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do título de MESTRE em Ciências Sociais, sob orientação da Professora Doutora Maria Celeste Mira Bolsa: CNPQ. São Paulo, 2016, p. 44. https://tede2.pucsp.br/bitstream/handle/19232/2/Paulo%20Alexandre%20de%20Moraes.pdf . PINTO, Rubia-Mar Nunes. Nação, região, sertão e a invenção dos brasis: chaves de leitura para a história da educação. Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro , v. 18, n. 53, p. 355-376, June 2013 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782013000200007&lng=en&nrm=iso> . access on 16 Jan. 2019. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-24782013000200007 . UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS. PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA. MESTRADO EM GEOGRAFIA. BRASIL DOS BRASIS E OUTROS ENSAIOS.Danielle Gregole ColucciBELO HORIZONTE. MAIO DE 2013 . Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Geografia. Área de concentração: Organização do espaço. Linha de pesquisa: Teoria, Métodos e Linguagens em Geografia. Orientador: Prof. Dr. Cássio Eduardo Viana Hissa. https://www.ppghufgd.com/wp-content/uploads/2017/04/VLADIMIR-JOS%C3%89-DE-MEDEIROS-tese-arquivo-%C3%BAnico.pdf .
18Fry P, Maggie Y, Maio MC, Monteiro S, Santos RV. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira; 2007. 363 pp.
23 Cazuza - Brasil (ao vivo) - Show Teatro Ipanema 1987."Do CD póstumo de 2005 - O poeta está vivo - Show no Teatro Ipanema 1987 . “Brasil”. Composição: Cazuza / Nilo Roméro / George Israel . “Não me convidaram/Pra esta festa pobre/Que os homens armaram/Pra me convencer/A pagar sem ver/Toda essa droga/Que já vem malhada/Antes de eu nascer.../Não me ofereceram/Nem um cigarro/Fiquei na porta/Estacionando os carros/Não me elegeram/Chefe de nada/O meu cartão de crédito/É uma navalha.../Brasil!/Mostra tua cara/Quero ver quem paga/Pra gente ficar assim/Brasil!/Qual é o teu negócio?/O nome do teu sócio?/Confia em mim.../Não me convidaram/Pra essa festa pobre/Que os homens armaram/Pra me convencer/A pagar sem ver/Toda essa droga/Que já vem malhada/Antes de eu nascer.../Não me sortearam/A garota do Fantástico/Não me subornaram/Será que é o meu fim?/Ver TV a cores/Na taba de um índio/Programada/Prá só dizer "sim, sim"/Brasil!/Mostra a tua cara/Quero ver quem paga/Pra gente ficar assim/Brasil!/Qual é o teu negócio?/O nome do teu sócio?/Confia em mim.../Grande pátria/Desimportante/Em nenhum instante/Eu vou te trair/Não, não vou te trair.../Brasil!/Mostra a tua cara/Quero ver quem paga/Pra gente ficar assim/Brasil!/Qual é o teu negócio?/O nome do teu sócio?/Confia em mim...(2x)/Confia em mim/Brasil!!/ https://www.youtube.com/watch?v=JViRj2icPdg .
24Eduardo Dusek - Barrados no Baile - Ano 1983. Wapa pararurará/Papapapararurá/Wapa pararurará/Papapapararurá.../ Ela num macacão de plástico/Ele com o corpo elástico/Pensaram em se divertir/ Fizeram muito cooper, ginástica/ Ligados numa muito bombástica/ Aplicados prá não dormir.../Ela se sentia incrível/ Ele se achava apetecível/Disseram somos gente de nível/O casal vinte daqui.../Mas foram barrados no baile/Tratados como maus elementos/Lá dentro rolando Bob Marley/Cá fora/Por favor: Documento!/Barrados no Baile/Oh! Oh!/Só viviam dando detalhe/Barrados no Baile/Oh! Oh!/E meu amor, nem me fale/Mas isso é que dá/Cê querer freqüentar...(2x)/Tentaram argumentar/"Somos chiques"/Ele de leve/Sugeriu um trambique/Lhe deram uma bofetada/Pensando que a finesse/Não importa/Ela gritou:/"Olha que arrombo essa porta"/Já levando uma pernada.../O plástico e a plástica/Não são nada/Mesmo gente considerada/Saca aqui qualquer privê/É cilada/Se não for peixinho/Não nada.../Barrados no Baile/Oh! Oh!/Só viviam dando detalhe/Barrados no Baile/Oh! Oh!/E meu amor, nem me fale/Mas isso é que dá/Cê querer freqüentar...(2x)/A dupla que era chique/Na entrada/Amarrotada teve que "sartar"/Ainda foi vista pela madrugada/Comendo um hot-dog vulgar.../Pois foram barrados no baile/Tratados como maus elementos/Lá dentro rolando Bob Marley/Cá fora/Por favor: Documento!/Barrados no Baile/Oh! Oh!/Só viviam dando detalhe/Barrados no Baile/Oh! Oh!/E meu amor, nem me fale/Mas isso é que dá/Cê querer freqüentar...(2x)/Isso é que dá!/Cê querer freqüentar/Isso é que dá!...https://www.youtube.com/watch?v=-5Zoiw1uYHI .
32Inúmeros axiomas de pensadores e militantes libertários internacionalmente reconhecidos, chamadas e notícias sobre congressos (…), acusações contra seus perseguidores, debates envolvendo a temática do sindicalismo e do anarquismo.
33Confederação Operária Brasileira.
34Oliveira, Tiago Bernardon de. Anarquismo, sindicatos e revolução no Brasil (1906-1936) / Tiago Bernardon de Oliveira. – 2009. Niterói, Abril de 2009. UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE CENTRO DE ESTUDOS GERAIS INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E FILOSOFIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA . Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da UFF como exigência parcial para obtenção do título de Doutor em História. Tese de doutorado em História / Universidade Federal Fluminense, 2009. Comissão examinadora: Prof. Dr. Marcelo Badaró Mattos (orientador) Universidade Federal Fluminense (UFF). Profa. Dra. Silvia Regina Ferraz Petersen Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Prof. Dr. Claudio Henrique de Moraes Batalha Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Prof. Dr. Alexandre Fortes Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) . Prof. Dr. Norberto Osvaldo Ferreras Universidade Federal Fluminense (UFF). http://www.historia.uff.br/stricto/td/1142.pdf .
35Oliveira, Tiago Bernardon de. Anarquismo, sindicatos e revolução no Brasil (1906-1936) / Tiago Bernardon de Oliveira. – 2009. Niterói, Abril de 2009. UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE CENTRO DE ESTUDOS GERAIS INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E FILOSOFIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA . Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da UFF como exigência parcial para obtenção do título de Doutor em História. Tese de doutorado em História / Universidade Federal Fluminense, 2009. Comissão examinadora: Prof. Dr. Marcelo Badaró Mattos (orientador) Universidade Federal Fluminense (UFF). Profa. Dra. Silvia Regina Ferraz Petersen Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Prof. Dr. Claudio Henrique de Moraes Batalha Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Prof. Dr. Alexandre Fortes Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) . Prof. Dr. Norberto Osvaldo Ferreras Universidade Federal Fluminense (UFF). http://www.historia.uff.br/stricto/td/1142.pdf .
36Oliveira, Tiago Bernardon de. Anarquismo, sindicatos e revolução no Brasil (1906-1936) / Tiago Bernardon de Oliveira. – 2009. Niterói, Abril de 2009. UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE CENTRO DE ESTUDOS GERAIS INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E FILOSOFIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA . Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da UFF como exigência parcial para obtenção do título de Doutor em História. Tese de doutorado em História / Universidade Federal Fluminense, 2009. Comissão examinadora: Prof. Dr. Marcelo Badaró Mattos (orientador) Universidade Federal Fluminense (UFF). Profa. Dra. Silvia Regina Ferraz Petersen Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Prof. Dr. Claudio Henrique de Moraes Batalha Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Prof. Dr. Alexandre Fortes Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) . Prof. Dr. Norberto Osvaldo Ferreras Universidade Federal Fluminense (UFF). http://www.historia.uff.br/stricto/td/1142.pdf .
37Oliveira, Tiago Bernardon de. Anarquismo, sindicatos e revolução no Brasil (1906-1936) / Tiago Bernardon de Oliveira. – 2009. Niterói, Abril de 2009. UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE CENTRO DE ESTUDOS GERAIS INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E FILOSOFIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA . Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da UFF como exigência parcial para obtenção do título de Doutor em História. Tese de doutorado em História / Universidade Federal Fluminense, 2009. Comissão examinadora: Prof. Dr. Marcelo Badaró Mattos (orientador) Universidade Federal Fluminense (UFF). Profa. Dra. Silvia Regina Ferraz Petersen Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Prof. Dr. Claudio Henrique de Moraes Batalha Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Prof. Dr. Alexandre Fortes Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) . Prof. Dr. Norberto Osvaldo Ferreras Universidade Federal Fluminense (UFF). http://www.historia.uff.br/stricto/td/1142.pdf .
38Oliveira, Tiago Bernardon de. Anarquismo, sindicatos e revolução no Brasil (1906-1936) / Tiago Bernardon de Oliveira. – 2009. Niterói, Abril de 2009. UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE CENTRO DE ESTUDOS GERAIS INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E FILOSOFIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA . Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da UFF como exigência parcial para obtenção do título de Doutor em História. Tese de doutorado em História / Universidade Federal Fluminense, 2009. Comissão examinadora: Prof. Dr. Marcelo Badaró Mattos (orientador) Universidade Federal Fluminense (UFF). Profa. Dra. Silvia Regina Ferraz Petersen Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Prof. Dr. Claudio Henrique de Moraes Batalha Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Prof. Dr. Alexandre Fortes Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) . Prof. Dr. Norberto Osvaldo Ferreras Universidade Federal Fluminense (UFF). http://www.historia.uff.br/stricto/td/1142.pdf .
39Elide Rugai Bastos. Conversas com sociólogos brasileiros. Editora 34, 2006, pp.49-55-56-65. O depoimento é de 1983.
40IANNI, Octávio. Tipos e mitos do pensamento brasileiro. Sociologias, Porto Alegre , n. 7, p. 176-187, June 2002 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222002000100008&lng=en&nrm=iso> . access on 15 Jan. 2019. http://dx.doi.org/10.1590/S1517-45222002000100008 . https://pt.wikipedia.org/wiki/Octavio_Ianni .
41Riolando Azzi. “A Interpretação da História do Brasil Segundo José Honório Rodrigues”. Rodrigues, José Honório, História, Corpo do Tempo, S. Paulo, Perspectiva, 1976, 133-136. https://faje.edu.br/periodicos/ind/ex.php/Sintese/article/viewFile/2347/2617 .
42 Quem construiu Tebas, a das sete portas?/Nos livros vem o nome dos reis,/Mas foram os reis que transportaram as pedras?/Babilónia, tantas vezes destruída,/Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas/Da Lima Dourada moravam seus obreiros?/No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde/Foram os seus pedreiros? A grande Roma/Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem/Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio/Só tinha palácios/Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida/Na noite em que o mar a engoliu/Viu afogados gritar por seus escravos./O jovem Alexandre conquistou as Índias/Sozinho?/César venceu os gauleses./Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?/Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha/Chorou. E ninguém mais?/Frederico II ganhou a guerra dos sete anos/Quem mais a ganhou?/Em cada página uma vitória./Quem cozinhava os festins?/Em cada década um grande homem./Quem pagava as despesas?/Tantas histórias/Quantas perguntas./Bertolt Brecht. Perguntas de um Operário Letrado Quem...https://www.pensador.com/frase/MTQ5MDc5/ . “Trata-se do poema “Fragen eihes lesenden Arbeiters”, reproduzido no final do artigo”. WALTER CARLOS COSTA. TRÊS BRECHTS. Universidade Federal de Santa Catarina. Fragmentos, número 25, p. 069/076 Florianópolis/ jul - dez/ 2003. https://periodicos.ufsc.br/index.php/fragmentos/article/viewFile/7680/7013 .
43O que se esconde atrás do ódio ao PT? Por Leonardo Boff. [Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor].12 de Março de 2015. https://www.brasildefato.com.br/node/31546/ .
45 CULTURA 15 de maio 2016. Bocage: Sobreviver à LendaEm grande medida a figura lendária de Bocage trai a sua memória. As fábulas e anedotas que dele se contam deixam de fora o génio dos seus versos, lembram o boémio inveterado que ele certamente foi, mas esquecem a sensibilidade feroz que embaraçou os poderosos e que fez mais deste país. Diogo Vaz Pinto. diogo.pinto@newsplex.pt . Daniel Pires. https://sol.sapo.pt/artigo/510577/bocage-sobreviver-a-lenda .
46Bocage. Bicentenário da morte do Poeta. (1805 – 2005). Carlos Jaca. Diário do Minho 30 de Novembro e 7e 14 de Dezembro de 2005. “Esse Bocage nunca existiu…”. http://www.esas.pt/jaca/docs/Bocage.pdf .

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