PT, o norte e o Nordeste, Grande Medo, obscenidade da palavra, corpo do povo negro e do índio, Carnavalização do Brasil- III
Cláudio
Antunes Boucinha1
Observando
a discussão sobre o Nordeste brasileiro, em que surge a necessidade
de novos conceitos, de novas abordagens, de temas, de outro olhar;
fez lembrar as discussões que Reza Aslan e outros, como Edward W.
Said2,
em sua crítica do “Orientalismo”3.
É preciso repensar o que se pensa sobre o que se denomina de
“nordeste”, até mesmo se essa regionalização, da época de
Vargas, ainda vale. Se vale, quais são os limites e possibilidades
do conceito de “nordeste”. A ideia de “nordeste”, do jeito
que está, cria uma falsa contradição, com o “sudeste”, ou até
mesmo o “sul”. Nesse sentido, os interesses de classe ficam
escamoteados em torno de uma falsa contradição, entre regiões do
Brasil, num verdadeiro determinismo geográfico. Na verdade, ao
imaginar a “nordestinação” do país, usa-se um regionalismo
para esconder os verdadeiros interesses de classe.
A
visão de Reza Aslan sobre religião aproxima-se da visão
materialista de história, em que os homens fazem as religiões. Na
verdade, já foi detectada diferença de discursos na Bíblia, fruto
de diferentes pensamentos. Não é um problema de leitura ou de
interpretação pessoal à maneira de Lutero, mas de construções de
discursos de origens diferentes. Esses dois ou mais discursos, por
vezes, são contraditórios e não podem ser atenuados ou
minimizados, para que baste a fé como critério. No entanto, “as
más paixões tomavam a máscara da religião, e procurava-se
despojar outras, que se acusava de Paganismo” 4.
Ou seja, a religião pode servir de artifício, de instrumento, de
máquina, de máscara, para outros objetivos que não é a fé mesma;
interesses mesquinhos, poder, ou até mesmo ocultos, de outra ordem,
recalcados, reprimidos, doentios.
“O
historiador iraniano americano Reza Aslan se tornou um 'best-seller'
com Zelota
(308 páginas, Editora Zahar, R$ 38), livro polêmico em que retrata
Jesus Cristo como um revolucionário. Ele gosta de uma briga. Toda
vez que aparece na televisão americana para falar sobre o assunto no
qual se especializou, as religiões, há repercussão. Depois dos
atentados terroristas em Paris, em 7 de janeiro, Aslan voltou a
provocar controvérsia ao dizer que o islamismo não é responsável
pelo crime. “Religiões
não promovem violência ou paz.
As pessoas são violentas
ou pacíficas, e elas
trazem esses valores para as religiões”, afirma, em entrevista a
ÉPOCA. “Esse é o poder da religião: ela é infinitamente
maleável.”
ÉPOCA
— O senhor diz que religiões não promovem a violência.
É difícil acreditar nisso, num mundo assolado por atentados
promovidos por radicais religiosos, não acha?
Reza
Aslan – Digo que as religiões não promovem violência ou
paz. As pessoas são violentas ou pacíficas, e
elas trazem esses valores para as religiões. Duas pessoas podem
olhar para o mesmo trecho da Bíblia e sair com ideias completamente
diferentes, fazer leituras pacíficas ou violentas. A
religião depende diretamente da pessoa que a interpreta. As pessoas
enxertam seus valores e suas ideias nas religiões, muito mais do que
absorvem [...]. Nos Estados Unidos, apenas dois séculos atrás,
proprietários de escravos e abolicionistas não apenas usavam a
mesma Bíblia para justificar seus pontos de vista conflitantes, como
[…] os mesmos versículos. Este é o poder da religião: ela é
infinitamente maleável. Não lemos as escrituras há 5 mil anos
porque elas são verdadeiras. Nós as lemos porque elas são capazes
de refletir a necessidade de constante evolução de uma comunidade,
de um indivíduo ou de uma ideologia política. Há cristãos nas
colinas da Guatemala que veem Jesus como um guerreiro libertador que
pega em armas contra o opressor. […] há também os cristãos do
Meio-oeste dos Estados Unidos, que acreditam que Jesus quer que você
dirija um Bentley. Os dois estão certos. É
por isso que a religião importa.
ÉPOCA
— Essa ideia não parece tão clara quando se trata do islamismo.
Temos a impressão de que há muito mais islamistas cometendo
atrocidades em nome da religião do que cristãos, judeus, budistas,
hindus. Por quê?
Aslan
– É
verdade que a maior parte da violência que vemos, vem de uma região
do mundo,
e a […] desses ataques é cometida por seguidores do islã, ou
melhor, de uma vertente do […], o wahabismo, a versão puritana e
extremista do (…) da Arábia Saudita. Esse é o islã do Estado
Islâmico, do Boko Haram, da Al-Qaeda, do Taleban. Todos esses grupos
terroristas bebem na mesma fonte. Mas
é incorreto dizer que há mais violência cometida em nome do islã
do que em nome de outras religiões.
Na Europa, ao longo dos últimos seis anos, apenas 6% dos ataques
terroristas foram cometidos por muçulmanos. Mais de 40% foram
cometidos por grupos neonazistas. Na Nigéria, grupos cristãos
massacram fiéis de outras religiões. Em Myanmar, há monges
budistas radicais que assassinam mulheres e crianças. Quando olhamos
apenas para uma região, temos uma visão parcial. […] é incorreto
pensar que tal região, ou religião, padece mais de extremismo
religioso do que outra. [Reza Aslan: "Jesus era como os outros
messias"
https://epoca.globo.com/tempo/noticia/2013/12/breza-aslanb-jesus-era-como-os-outros-messias.html
].
ÉPOCA
— A Arábia Saudita é responsável pela ascensão do radicalismo e
do terrorismo islâmico?
Aslan
– Sem dúvida. O wahabismo, essa vertente ultraortodoxa, puritana e
pseudorreformista do islamismo sunita, começou na Arábia Saudita,
na metade do século XVIII, fundada pelo clérigo Mohamed Ibn Abdul
Wahab. É uma religião que prega a volta ao culto monoteísta puro
do islã e que chama todos os outros religiosos, islâmicos ou não,
de apóstatas. Os sauditas gastaram US$ 100 bilhões nos últimos
anos para espalhar essa vertente do islamismo pelo resto do mundo,
construindo escolas e mesquitas wahabistas. Não há um canto do
mundo em que haja muçulmanos que não tenham sido inundados por
dinheiro saudita e por propaganda religiosa […]. Eles criaram um
vírus que se espalhou por todo o mundo muçulmano. Quando você tem
um vírus, você precisa erradicar a fonte. Bem, o mundo sabe qual a
fonte desse vírus. São os melhores amigos dos Estados Unidos. É
absurdo que um país que patrocinou a ascensão de uma ideologia
responsável pela morte de centenas de milhares de pessoas não seja
responsabilizado por ela. Ao contrário, continua sendo prestigiado.
Quando o rei Abdullah, monarca da Arábia Saudita, morreu na semana
passada, o presidente Barack Obama, o secretário de Estado John
Kerry e uma dúzia de integrantes do alto
escalão do governo americano foram à Arábia Saudita para
homenageá-lo. Sem (…) que Abdullah comanda um país que decapita
80 pessoas por ano, condena a 1000 chibatadas quem manifesta suas
opiniões, impede as mulheres de dirigir e de votar e patrocina o
terrorismo global. Isso não é estranho? Se a Arábia Saudita não
fosse o maior produtor de petróleo do mundo, seria tratada como a
Coreia do Norte, com asco, rejeição e sanções internacionais.
ÉPOCA
— Em que o wahabismo e seus seguidores se diferem da ideologia do
Hamas e da Irmandade Muçulmana?
Aslan
– A Irmandade Muçulmana e os grupos a que ela deu origem, como o
Hamas, são islamistas. O islamismo é uma ideologia nacionalista e
uma filosofia política que serve de base para um nacionalismo
religioso e pretende criar Estados regidos por uma lei islâmica. É
claro que esse (…) de islamismo tem várias formas. O Hezbollah é
uma organização islamista, mas o Ennahda, na Tunísia, também é.
O primeiro é uma organização terrorista, o outro é um partido
democraticamente eleito. O islamismo político tem várias
formas e tamanhos, mas todos, […], querem construir um Estado, com
fronteiras e soberano. O Hezbollah não existe fora do
Líbano. O Hamas não tem uma ideologia fora da Palestina. A
Irmandade Muçulmana não tem uma ideologia fora do Egito. Já 'Ísis'
(antiga sigla para o Estado Islâmico do Iraque e do Levante),
Al-Qaeda, Boko Haram e outros do gênero são movimentos jihadistas.
É o exato oposto de um islamista. Um islamista quer construir
um Estado. Um jihadista quer livrar-se de todos os Estados,
islâmicos ou não. Os jihadistas são globalistas e querem
reconstituir um mundo inteiro sem fronteiras, sem nacionalidades, sem
Estados. Eles querem voltar ao século VII e criar um mundo islâmico.
É isso que eles chamam de califado.
ÉPOCA
– Mas ambos acreditam que usar a violência é o caminho para
atingir seus objetivos, não?
Aslan
– Depende. O Ennahda não é violento, nunca foi.
Chegou ao poder de forma democrática na Tunísia. A Irmandade
Muçulmana, nas décadas recentes, também não foi violenta,
ao contrário. Tem sido perseguida pelo governo militar no Egito.
Tudo depende de e para onde você olha. É claro que o Hamas e o
Hezbollah são organizações terroristas que cometem crimes. Mas
lutam por coisas completamente diferentes. O termo Estado
Islâmico, inclusive, não faz sentido, porque o 'Isis' não quer um
(…), eles querem o mundo todo. Hamas, Hezbollah, Isis e
Al-Qaeda não são a mesma coisa. Ao contrário. O Hamas luta
contra o Isis. A Al-Qaeda é inimiga da Irmandade Muçulmana. Não
é uma diferença pequena. É preciso entender essas
diferenças para ganhar a guerra contra o terrorismo.
ÉPOCA
– O historiador Paul Johnson afirma que o judaísmo e o
cristianismo passaram por reformas, enquanto o islã não. Na
verdade, o islã parecia muito mais secular e avançado há 100 anos
do que hoje. O islã precisa de uma reforma?
Aslan
– Primeiro, é ridícula a ideia de que o cristianismo e o judaísmo
passaram por reformas e agora seus praticantes são pacíficos,
alegres e confraternizam plenamente. Há inúmeras
discordâncias dentro dessas religiões, há violência
e assassinatos, apenas não estamos prestando atenção
nisso. Em segundo lugar, as pessoas não entendem o que uma reforma
religiosa significa. A reforma cristã levou à Guerra dos Trinta
Anos (1618-1648) e à morte de metade da Alemanha.
Atenção: metade da população da Alemanha morreu durante a
reforma do cristianismo. As pessoas enxergam as reformas como
eventos em que todos se juntam, dão as mãos, se abraçam e cantam.
Reformas são eventos sangrentos, violentos,
catastróficos. O que você (…) está acontecendo (…) no mundo
muçulmano? Isso é a reforma do islã. Estamos vendo a reforma do
islã acontecer ao vivo. É por isso que há tanta violência.
Uma reforma significa um embate entre instituições e indivíduos
sobre quem tem a autoridade para definir os dogmas de uma fé. Esse
é um processo violento. As pessoas olham para o mundo
muçulmano, veem a violência e dizem: o islã precisa
de uma reforma. A violência que vemos hoje é o resultado da
reforma do islã. Os muçulmanos estão vivendo sua reforma
neste instante. São (…) vertentes, sunitas e xiitas, se
digladiando por espaço. Se você vivesse na Alemanha do século XVI,
provavelmente (…) o mundo acabaria. É isso que está acontecendo
no islã”. 5
Há
uma disparidade tecnológica que alimentou um universo diferente do
que ocorreu no resto do país, que ficou imune a “Fake
news” do WhatsApp e do Facebook,
que reforçou uma ideia conservadora do eleitorado, que já votava no
(PT)?
“Divulgada
hoje (216)
pela primeira vez pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), a Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2016:
acesso à ‘internet’ e à televisão e posse de telefone móvel
celular para uso pessoal confirma o que foi sinalizado por outros
estudos do órgão. O acesso à ‘internet’, a substituição de
TVs de tubo e a posse de celular são tendências crescentes no país.
A pesquisa abrangeu 211 344 domicílios particulares permanentes em
3,5 mil municípios. Realizada no último trimestre de 2016, a
sondagem apurou que - de 69,3 milhões de domicílios particulares
permanentes no Brasil - apenas
2,8%, ou 1,9 milhão, não tinham televisão, com destaque para o
Norte do país, onde o percentual é o mais elevado (6,3%).
Por outro lado, no total de 67,373 milhões de domicílios com
televisão no Brasil, existiam 102 633 milhões de televisões. E
63,4% eram de tela fina e 36,6% de tubo, com o primeiro tipo em 66,8%
dos domicílios e o segundo, em 46,2%. Os maiores percentuais foram
encontrados para televisão de tela fina nas regiões Sudeste
(73,8%), Sul (71,1%) e Centro-Oeste (69,1%). No
Nordeste, os percentuais ficaram equiparados: 54,2% dos domicílios
tinham TV de tela fina e 54,3%, televisores de tubo.
A gerente da pesquisa do IBGE, economista Maria Lúcia Vieira, disse
à Agência Brasil que a tendência é ir diminuindo a presença de
televisões de tubo nas casas dos brasileiros porque já não se
fabricam mais esses aparelhos. Eles estão sendo substituídos por
TVs de tela fina, tipo LED, LCD ou plasma. O poder aquisitivo dos
habitantes do Sudeste, Sul e Centro-Oeste explica o maior percentual
de domicílios com televisões de tela fina nessas regiões. “Porque
são televisões mais recentes, mais novas, mais caras”, justificou
a pesquisadora. Sinal
digital para televisão aberta.
No quarto trimestre de 2016, o Brasil tinha 37,6 milhões de
televisões de tubo, que necessitariam de adaptação para receber o
sinal digital de televisão aberta. O acesso ao sinal digital
ocorreria por meio de televisões novas de tela fina, que já estão
vindo com conversor integrado, ou adaptando conversores nas TVs de
tubo. Outras alternativas são ter TV por assinatura que forneça
sinal digital ou possuir antena parabólica. Maria Lúcia lembrou
que, recentemente, foram distribuídos gratuitamente no Rio de
Janeiro aparelhos conversores para famílias que recebem o Bolsa
Família. Considerando todos os domicílios que não têm TV com
conversor, com antena parabólica ou por assinatura, chega-se a 7
milhões de domicílios. Maria Lúcia disse que se o sinal analógico
fosse desligado, esses domicílios estariam descobertos. “Seriam,
aproximadamente, 6,9 milhões de domicílios, o que corresponde a
10,3% do total de endereços com televisão”. Esses domicílios não
têm alternativa para não ficar no apagão caso ocorra o
desligamento do sinal analógico. “É a população alvo das
políticas do governo”, disse. A pesquisa mostra, ainda, que,
enquanto a média no Brasil quanto à forma de recepção do sinal de
televisão por antena parabólica e por serviço de televisão por
assinatura estava praticamente equiparada àquela época (34,8% e
33,7%, respectivamente), o mesmo não ocorria nas regiões
brasileiras. As
regiões Norte e Nordeste apresentavam percentual muito maior de
recepção do sinal de TV por antena parabólica (41,1% e 48,2%)
do que de TV por assinatura (21% e 18,4%). Já no Sudeste,
constatou-se o contrário: 44,8% dos domicílios com televisão
recebiam o sinal por serviço de TV por assinatura contra 24,8% por
antena parabólica. “Isso tem a ver com a infraestrutura da região
porque a estrutura para montar antena parabólica é mais barata que
TV a cabo”, observou a economista do IBGE, em relação aos
resultados observados no Norte e nordeste. A isso se soma a questão
da renda mais baixa nessas regiões. Computador
atinge 45,3% dos domicílios permanentes.
O estudo do IBGE constatou a existência de
microcomputadores em 45,3% dos domicílios particulares permanentes e
somente 15,1% com tablet, o que equivale a um terço dos primeiros.
“Mas comparando as regiões Norte/Nordeste com Sul/Sudeste,
são patamares bastante diferentes”, observou Maria Lúcia.
No Sul/Sudeste, 53,5% e 54,2% dos domicílios, respectivamente,
tinham computadores, enquanto no Norte e no Nordeste esses
números não chegavam a 30%. “Também tem a ver com a
questão do preço do equipamento mais caro”, completou. Em termos
de telefones nas casas, a pesquisa revelou que alcançava 33,6% o
total de domicílios com telefone fixo convencional em 2016. Esse
número sobe para 92,6% quando se trata de telefone móvel celular. A
pesquisadora destacou que o acesso à internet, em todas as regiões,
era feito por meio do celular. “Mais de 90% das pessoas que
acessam a internet usam o celular. E é maior a questão do acesso
por celular no Norte (98,8%) e Nordeste (97,8%), porque é onde não
tem o microcomputador”. Quando se analisa a finalidade de
utilização do celular para acessar a internet, verifica-se que o
principal motivo citado pelas pessoas foi para enviar mensagens de
texto e vídeo por aplicativos diferentes de e-mail, totalizando
94,2%. Em seguida, com 76,4%, vem a finalidade de assistir a vídeos,
inclusive programas, séries e filmes. Para isso, contribuem alguns
fatores, como a portabilidade, isto é, a pessoa carrega o celular
com ela, além da praticidade de dar respostas rapidamente. Mensagens
de texto por celular. No conjunto de 179,424 milhões de pessoas
de dez anos de idade ou mais no Brasil, 64,7% usaram a internet nos
três últimos meses que antecederam ao levantamento no domicílio,
sendo 65,5% mulheres e 63,8% homens. “Quase todo mundo que utiliza
o celular para acessar a internet o faz para enviar e receber
mensagens de texto”. A parte da população que dispunha de celular
para uso pessoal com acesso à internet foi mais elevada no
contingente ocupado (83,2%) do que no não ocupado (71,1%). O mesmo
ocorreu em relação ao nível de instrução. No grupo sem
escolaridade, o indicador situou-se em 43,6%. Já no grupo com ensino
superior completo, alcançou 97,5%. “As atividades que estão mais
relacionadas com estudo, com pesquisa, com maior escolaridade são os
grupamentos com maior percentual de pessoas que acessavam a
internet”, disse. Para o Brasil, os dois motivos mais citados para
a não utilização da internet foram não saber usar (37,8%) e falta
de interesse em acessar (37,6%). Nas regiões Sudeste e Sul, que têm
estrutura etária mais envelhecida, a principal razão alegada foi a
falta de interesse, superior a 40%. Já nas regiões Norte e
Nordeste, com população mais jovem e que acessa mais a internet, o
motivo principal alegado foi não saber usar a rede, correspondendo a
33,7% e 40%, respectivamente. No Nordeste, a explicação é que o
serviço de acesso à ‘internet’ é caro (16%). “A questão do
preço parece ter um efeito negativo para a região”, afirmou Maria
Lúcia. Em todo o país, no período pesquisado, 41,104
milhões de brasileiros não tinham telefone móvel celular para uso
pessoal, o equivalente a 22,9% da população com dez anos ou mais.
As justificativas apresentadas, como aparelho telefônico caro
(25,9%), falta de interesse em ter celular (22,1%), usar o aparelho
de outra pessoa (20,6%) e não saber usar o telefone móvel celular
(19,6%) somaram 88,2%, segundo o IBGE. Já na Grã-Bretanha, a falta
de interesse e desconhecimento constituem a principal razão para a
ausência de acesso à ‘internet’ (64%), seguida da falta de
habilidades (20%), de acordo com dados fornecidos pelo coordenador de
Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. No Chile, os principais
motivos para não ter internet no domicílio são a pouca relevância,
que atingiu 62% na área urbana, seguido pela usabilidade (66,8% na
área rural) e custo do serviço (acima de 22%, tanto na cobertura
urbana como rural).O telefone móvel celular para uso pessoal cresce
até a faixa entre 25 anos e 29 anos de idade, em torno de 88,6%, e
depois começa a reduzir. No caso do acesso à ‘internet’, Maria
Lúcia informou que o maior percentual foi encontrado no grupo de 18
anos a 19 anos (…) . A gerente da pesquisa concluiu que as pessoas
estão cada vez migrando mais para acessar a ‘internet’ pelo
celular, embora continuem acessando pelo computador também. “A
facilidade favorece isso. O celular está à mão”, finalizou”.7
Será
que o problema é outro, o nordeste mudou, e a TV não.
“A
Ano após ano, década após década. Na
TV o nordestino é sempre o mesmo,
com seus “visses” e “oxentes”, que, realçados, imprimem o
tom jocoso. A fala, os gestos e sentimentos de personagens que
representam nordestinos são sempre risíveis, rebaixados, já não
pelas tintas, mas pelas câmeras da galhofa. A imagem do nordestino
na TV é quase sempre a de um indivíduo sentimental, espontâneo,
sem inteligência, sem poder de discernimento das coisas. Ou então
áspero, bruto, vestido num gibão, devotado às artes da peixeira e
do bacamarte ou ainda a uma religiosidade fanática, ofuscante. Não
passamos disso. E mesmo que a região se desenvolva, tenha gente
preparada, que estuda, que cria cultura e conhecimento de qualidade.
Não, não importa para os ideólogos da aspereza, da tipificação
imbecilizadora, pequena, menor. Graciliano.
O Nordeste é primitivo,
inculto, burro? Para a TV, sim.
Mas inculto e inopioso é quem monta um quadro assim, quem se apega
ao cômico barato, ao lixo das representações. Com todo respeito a
Jorge Amado, que é um bom autor, mas também um tipificador nato,
por que a TV não procura adaptar, com a competência que lhe é
própria, um Graciliano Ramos? Graciliano, em Vidas secas, faz uma
representação da miséria do camponês nordestino sem ser
tipificador, sem folclorizar. Faz o leitor pensar e se sensibilizar
com uma situação real, historicamente dramática. Não desenha
estereótipos. Em São Bernardo, idem, é implacável na
representação do capitalismo adentrando o Nordeste e alterando a
ordem da região. Angústia, com um protagonista dilacerado e com uma
técnica sofisticadíssima e original de monólogo interior, é para
alguns o mais importante romance brasileiro do século XX. É de uma
densidade e força arrebatadoras, pondo Graciliano perto ou mesmo ao
lado de um Joyce ou de um Faulkner. Angústia internacionaliza nossa
literatura naquilo que ela tem de mais consistente. Graciliano tem
uma narrativa profundamente inteligente. Porém, por representar um
Nordeste que contorna ou escapa ao típico, não importa à TV. Ao
meu filho, hoje com 4 anos, recomendarei que não veja novela ou
série de TV que represente nordestino sem que antes eu lhe mostre o
que vai ser explorado no enredo. Sem que antes eu o prepare. Quero
que meu filho cresça com autoestima.
Porque é assim mesmo. A TV
funciona, continuamente, para tentar baixar a nossa estima.
Mas, asseguro, só baixa a dos desatentos. Ou a dos que consentem. E
por que a TV insiste em nos reproduzir apenas como tipos jocosos,
brutos ou marcadamente sentimentais? Por desinteligência, aposto. Ou
por cretinice, suponho.8
As
mudanças do nordeste na autoestima, vão além, com transformações
econômicas significativas.
“O
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou
nesta quarta-feira (299)
a estimativa da população brasileira. De acordo com os dados, o
país já conta com mais de 208 milhões de habitantes, quantidade
superior aos 207,6 milhões registrados no ano passado. O número
atualizado é de 208.494.900. O
Nordeste, entretanto, apresentou queda na população, em tendência
contrária ao Brasil. São 56.760.780 habitantes neste ano. Em 2017,
este número foi de 57.254.159. Bahia, Rio Grande do Norte, Paraíba
e Sergipe diminuíram sua população.
No Nordeste, a Bahia tem a maior população da região, com
14.812.617 de habitantes. No ano passado, eram 15.344.447 de pessoas
vivendo no estado. O segundo estado mais populoso é Pernambuco, com
9.496.294 de pessoas. Já em 2017, a população total era de
9.473.266. Em terceiro, vem o Ceará, com uma população de
9.075.649 de pessoas. No ano passado, eram 9.020.460 moradores do
estado. O quarto estado no ranking populacional é o Maranhão, que
tem uma população de 7.035.055 pessoas. Em 2017, eram 7.000.229
habitantes. Em seguida, vem a Paraíba, com 3.996.496 pessoas. No ano
passado, eram 4.025.558 moradores no estado. O Rio Grande do Norte,
por sua vez, tem 3.479.010 habitantes, enquanto em 2017 o número era
de 3.507.003 pessoas. Alagoas registrou uma população total de
3.322.820 habitantes neste ano. Em 2017, eram 3.375.823 pessoas no
Estado. Já o Piauí tem uma população de 3.264.531 de pessoas em
2018. No ano passado, número foi de 3.219.257 de habitantes. O
estado menos populoso é o Sergipe, com 2.278.308 de pessoas. Em
2017, eram 2.288.116 habitantes. Brasil
tem mais de 208 milhões de habitantes, diz IBGE.
Segundo o IBGE, o País já conta com mais de 208 milhões de
habitantes, quantidade superior aos 207,6 milhões registrados no ano
passado. O número atualizado é de 208.494.900. Três Estados do
Sudeste estão no topo da lista dos mais populosos. São Paulo
lidera, com 45.538.936 de habitantes – a capital do Estado tem hoje
12.176.866 de pessoas. Depois, vêm Minas Gerais, com 21.040.662 de
habitantes; e Rio de Janeiro, com 17.159.960. No Nordeste, a Bahia
tem a maior população da região, com 14.812 617 de habitantes. No
Sul, Paraná e Rio Grande do Sul quase empatam no número de pessoas,
com 11.348.937 e 11.329.605 de habitantes, respectivamente. No Norte,
o Estado do Pará é o mais populoso, com 8.513.497 de habitantes; e,
no Centro-Oeste, o Estado de Goiás, com 6.921.161 de habitantes.
Roraima é o menos populoso, com 576,6 mil habitantes, apenas 0,3% da
população total. De acordo a divulgação, 17 municípios
brasileiros concentram população superior a 1 milhão de pessoas e
juntos somam 45,7 milhões de habitantes ou 21,9% da população do
Brasil. Serra da Saudade, em Minas Gerais, é o município brasileiro
de menor população, 786 habitantes, seguido de Borá (SP), com 836
habitantes, e Araguainha (MT), com 956 habitantes. Entre outros
objetivos, a nova estimativa será utilizada para o cálculo das
cotas dos fundos de participação de Estados e municípios. Os dados
têm data de referência em 1º de julho de 2018 e estão organizados
por Estados, Distrito Federal e municípios. Essa revisão incorporou
os imigrantes venezuelanos no estado de Roraima, dos quais 99%
estavam concentrados nos municípios de Boa Vista e Pacaraima”.10
A
elite intelectual de direita, ao observar o fenômeno do nordeste,
nas eleições, reafirma preconceitos de toda ordem.
“O
comentarista e colunista Diogo Mainardi deu uma declaração sobre o
Nordeste no "Manhattan Connection", da Globo News, que
causou revolta em redes sociais. Ao comentar a reeleição de Dilma
Rousseff neste domingo, ele afirmou que a região é bastante
"retrógrada" e "bovina", entre outros
comentários. "Essa eleição é a prova de que o Brasil ficou
no passado. Não é nem Bolsa Família, não é marquetagem. O
Nordeste sempre foi governista, sempre foi bovino, sempre foi
subalterno ao governo",
diz Mainardi. "É
uma região atrasada, pouco educada ,pouco instruída, que tem grande
dificuldade para se modernizar".
"Diogo Mainardi da show de preconceito contra nordestino e toma
baile de cientista político que explica que Brasil é igual a EUA,
França, etc", escreveu um internauta. "O pior não são os
preconceituosos da internet, pior mesmo é ver o Mainardi chamar
nordestino de atrasado e bovino na Globo News", escreveu outro.
A fala de Mainardi, que vive na Itália, pode ser conferida abaixo
https://youtu.be/vSDMfbQHdXs.11
O
antipetismo, enquanto comportamento político, demonstra toda a falta
de solidez de argumentos.
“No
programa que foi ao ar depois de ser anunciado o resultado das
eleições, ele disse que a população da região é “bovina” e
chegou a desqualificá-la com alcunhas como “retrógrado”,
“subalterno e “pouco educado”. “Peço desculpas ao Hulk e a
todos que se sentiram ofendidos. A
minha intenção era ofender a mixórdia petista que usou e abusou
dos programas sociais do governo para rebanhar votos nas regiões
mais pobres do País, em especial o Norte e o Nordeste”.
As críticas surgiram a partir da análise da votação, que
registrou avanço de Dilma sobre o candidato da oposição Aécio
Neves (PSDB) nos estados nordestinos. Por outro lado, o tucano teve
mais apoio no Sul e no Centro-Oeste, o que deu margem a
interpretações sobre uma eventual divisão do país. “Essa
eleição é a prova de que o Brasil ficou no passado”, disse o
colunista na noite do dia 26 de outubro.“É
uma região atrasada, pouco construída, que tem uma grande
dificuldade para se modernizar na linguagem. A imprensa livre só
existe da metade do Brasil para baixo. Tudo que representa a
modernidade tá do outro lado”,
acrescentou na ocasião. Após o programa, as declarações do
comentarista foram repercutidas na internet e nas redes sociais e
chegou a ser rebatida pelo jogador. Nascido na Paraíba, o atacante
do Zenit, da Rússia, compartilhou um mapa do Nordeste em sua página
oficial no aplicativo de fotos 'Instagram' e na legenda citou dez
artistas importantes nascidos na região para demonstrar revolta com
a opinião de Mainardi - a quem classificou como arrogante e
ignorante. No fim, o atleta pediu com veemência que o profissional
de imprensa respeitasse o local. Diogo Mainardi se retratou e ainda
explicou o contexto de suas declarações. “Sei
que o termo bovino ofendeu muita gente, peço mais uma vez desculpas,
mas gostaria de esclarecer que a décadas e décadas nós usamos os
termos curral eleitoral e voto de cabresto para designar compra de
votos”, disse o
jornalista, que prosseguiu com os comentários. “Imaginar
um nordestino num curral ou um nordestino com um cabresto não é
diferente de bovino. Não pretendi em momento algum culpar a vítima
da manipulação e sim quem a pratica. Só isso”, completou”.
12
A
discussão sobre a programação da TV na região nordeste não é
somente uma questão deste ou daquele programa, é o debate sobre a
cultura.
“No
intuito de se ter uma aproximação maior com o telespectador, as
emissoras de TV tem ganhado cada vez mais espaço nos lares do povo
nordestino. Se antes, telejornais e programas nacionais eram
prioridade do público, hoje programas policiais, de entretenimento,
comportamento e de humor
são os mais assistidos.
A busca pela boa audiência
fez com que as emissoras de TV da região investissem na produção
de conteúdo local para diversos públicos,
investimentos esse que vem surtindo efeito. Principal produto musical
da região, o ‘forró’ tem destaque garantido em programas de
auditório. O Interativo, programa veiculado pela TV Jornal no
Recife, afiliada do SBT, dá espaço para que as bandas divulgam os
seus trabalhos, como bandas de outros estilos; pagode e arrocha que
são sucesso na região. Em Fortaleza, Ceará, berço das principais
bandas de forró, o ritmo tem espaço exclusivo no programa
Forrobodó. Produto da TV Diário, emissora do Sistema Verdes Mares,
ligado a Globo no Estado, o programa Forrobodó além de contribuir
para o crescimento do gênero, impulsiona as vendas de CD’s e DVD’s
e consequentemente a audiência do programa, que
disparam em pleno horário nobre.
O humor também tem vez nas
emissoras nordestinas, e
o talento local faz a audiência disparar. O programa ‘O Papeiro da
Cinderela’, foi veiculado por muitos anos na TV Jornal.
Criatividade e muito senso
de humor levaram a apresentadora e humorista Cindy a passar uma
temporada no Programa Eliana,
do SBT rede. Mesmo com a transição este ano para a TV Clube,
afiliada da Record no Recife, o programa ainda é um dos mais
assistidos na televisão pernambucana. Modelos de programas nacionais
também ganham vez na TV local. O Sabor da Gente, da TV Jornal é o
exemplo mais clássico. Mistura do Mais Você, da Globo e Hoje em
Dia, da Record, o programa exibido nas manhãs trás receitas
práticas para o dia a dia da dona de casa nordestina. Policialesco
são a preferência do telespectador nordestino.
Os programas policiais têm
destaque no Nordeste.
Eles são veiculados em horários estratégicos, seja ele matutino
(6h às 8h), vespertino (12h às 14h) e a noite (17h às 20h), o
público é cativo e a audiência é garantida com prestação de
serviço, notícias de polícia e até trânsito através de
parcerias com as superintendências de trânsito. Por muitos anos,
ele foi sucesso de audiência e faturamento na TV Jornal, hoje ele
migrou para a TV Clube. Seu salário chega a R$ 200 mil a cada mês e
seu Ibope incomoda a principal rival, a Globo Nordeste. Com
um programa policialesco e sensacionalista,
Cardinot se tornou um dos principais nomes da produção local no
Recife, e não alivia lado de bandido, principalmente se o acusado
seja estuprador. Na Bahia, a concorrência é acirrada, os dois
maiores programas policiais da televisão baiana fazem um trabalho
árduo na busca por
flagrantes de descasos do poder público
além de coberturas exclusivas de tiroteios, como também da ação
policial na desarticulação de quadrilhas de assaltos a banco e de
tráfico de drogas. Zé Eduardo é tido como a voz da verdade na
televisão baiana. Após uma passagem pela TV Aratu, afiliada do SBT
na Bahia, hoje ele comanda o ‘Se Liga Bocão’ na Record Bahia,
antiga TV Itapoan. O
programa não mediu esforços para mostrar os fatos policiais e
atrocidades ocorridas no estado, fator que alavancou o seu sucesso,
fazendo com que o e programa batesse em audiência o programa Vídeo
Show, da Rede Globo.
Situação que nos últimos anos foi mudada, após
determinação do Ministério Público da Bahia que ordenou a redução
do conteúdo não apropriado para o horário do programa.
Principal rival do apresentador Zé Eduardo, o Brasil Urgente Bahia é
sucesso de audiência no estado e rompe fronteiras chegando a todo o
Sergipe, através de retransmissora. Conhecido por não perdoar erro
de bandido, o apresentador baiano Uziel Bueno é conhecido pelo
bordão que caiu no gosto popular ‘o sistema é bruto’. Seu
programa mescla o policial com entretenimento, fórmula secreta do
grande sucesso, que desde a sua estreia no finais de tarde da Band,
garante o segundo lugar isolado, perdendo apenas para a Globo. O
público nordestino está cada vez mais exigente, e busca na
programação televisiva a agilidade e principalmente a qualidade de
conteúdo, além de uma identificação do público nos valores
culturais”.13
A
TV deve mudar porque a sociedade mudou. Imaginar diferente é ignorar
a nova realidade.
“De
forma discreta, sútil e curiosa, a Globo tem deixado de usar o nome
Globo Nordeste em sua emissora no Recife, justamente na semana em que
a estação completa 45 anos de sua fundação. Segundo informações
obtidas pelo TV História, trata-se de uma ordem da direção local,
que
acha ultrapassado chama-la de "Nordeste",
sendo
que a emissora só cobre boa parte do estado de Pernambuco.
Por conta disso, apenas o nome Globo está sendo usado nas chamadas,
com o subtítulo "É Nordeste. É Globo". Além disso, em
chamadas de programas locais, não
se usa mais a nomenclatura tradicional.
Foi o caso da chamada especial do Globo Repórter que será exibido
nesta sexta-feira (28), em comemoração aos 45 anos do canal. Em
reportagem feita por Francisco José, lendário repórter da casa, o
nome Globo Nordeste sequer é citado. Veja a
chamada:https://youtu.be/zZTwRqdPkI4
. O fato tem estranhado telespectadores nas redes sociais, que
perguntam o motivo desta mudança de nome repentina. O TV História
apurou que nomes de jornais não irão ser modificados em Recife,
pelo menos neste primeiro momento. Por lá, o Praça TV se chama
NETV, em referência ao nome Globo Nordeste. Havia um comentário
dentro do canal de mudança para PETV - PE é a sigla de Pernambuco,
mas isto não ocorrerá, por questão de hábito. A Globo Nordeste
foi fundada em 22 de abril de 1972, por Roberto Marinho (1904-2003).
Na época, Roberto criou a emissora visando aumentar a cobertura da
Globo na Região Nordeste, que, até então, tinha afiliadas apenas
nos estados da Bahia (TV Aratu), Ceará (TV Verdes Mares) e Maranhão
(TV Difusora). Por muito tempo, a Globo Nordeste enviava o seu sinal
por micro-ondas para outras cidades, como Aracaju (SE), Maceió (AL),
João Pessoa (PB), Natal (PE), entre outras, tendo de fato um caráter
mais regional. No entanto, com um boom de criação de emissoras
locais nos anos 80 e 90, ela ficou totalmente restrita à Pernambuco,
o
que ajuda a entender o reposicionamento discreto da Globo.
O TV História procurou, por telefone, uma posição da Globo
Nordeste sobre o assunto, mas ninguém quis comentar sobre o caso”.14
Essas
modificações na TV da região do nordeste iram ao encontro do que
os habitantes necessitam?
“A
partir do próximo dia 1.º de setembro, a Band vai unificar o sinal
de todas as suas emissoras e afiliadas no Nordeste em uma só. O
canal vai exibir produções apenas para aquela região, criando uma
rede regional. Conforme anunciou nesta segunda-feira (27), a
iniciativa começará no próximo sábado, dia 1º de setembro, com a
exibição do programa “Brasil Urgente nordeste”, com
apresentação de Uziel Bueno. Contudo, como já se sabia, a geração
desta mini rede será em Salvador (BA), que já deixou de usar a
nomenclatura antiga e assina 'Band' nordeste. A
princípio, apenas a versão regional do programa policial será
exibido. Todavia, quem
comemorou foi Uziel, que voltou para a emissora neste ano, após
quatro anos. Ele irá inaugurar o projeto, que teve ter outros
programas nos próximos meses, incluindo um 'reality
show'.
“Estou muito honrado em estar nesse projeto pioneiro da Band
Nordeste. O objetivo é
unificar a região em torno de um programa que já é consolidado no
Brasil e que mostre o que realmente interessa para nós nordestinos”,
afirmou Uziel. Entre
esses novos formatos, dois se sobressaem. O primeiro é o programa
“Band Mulher”, (…) que será feito em Salvador para todo o
Nordeste, falando diretamente com o público feminino na região.
Contudo, o segundo e este mais impactante é um 'reality show'
produzido no sertão da região. Trata-se do “Habitat”. O formato
é bastante interessante: um casal de uma região nordestina deixará
a capital e irá viver numa pequena casa do semiárido brasileiro.
Entretanto, com condições difíceis e acesso restrito a alimentação
e água, além de enfrentarem o forte calor e a seca, eles precisam
aprender a racionar tudo. “Habitat” terá dez episódios
produzidos e ainda não tem previsão de estreia”.15
Durval
Muniz de Albuquerque Júnior, é o principal referencial desse novo
nordeste. Aucilane Santos Aragão (2018), coloca exatamente o que se
quer dizer sobre o momento brasileiro.
“1.
INTRODUÇÃO. As relações
de poder desiguais estão imbricadas no modo de conceber e
caricaturizar16
o Nordeste e o ser nordestino, as quais foram cristalizadas com o
passar do tempo pela repetição
de estereotipias, vindas de uma elite cujo interesse era o de receber
financiamentos em nome de uma seca que por muito tempo foi atrelada
às necessidades da população desta região.
Albuquerque Junior (201117)
diz que os discursos atrelados ao nordeste, ao perfil do sujeito
nordestino e aos cenários “descritos” nas novelas da TV, nos (…)
contidos nas obras literárias, acerca da região, dos noticiários
sobre à seca, mostrados nos jornais, e tantos outros (…) que se
aglutinam reforçam uma ideia de singularidade da (…) Nordeste e
da identidade do ser nordestino no imaginário das pessoas. Esse
pesquisador expõe que o que há de comum em todos os discursos são
a intenção de estereotipização que leva à exclusão e,
consequentemente, marginaliza tanto a região quanto os sujeitos
deste local, em que Albuquerque Junior em entrevista para o canal do
Youtube
“O que é que tá rolando?”, publicado em 201418,
diz que esses (…) são repetidos culturalmente: na academia, na
mídia e que ao pensar em fazer uma peça teatral, por exemplo,
cai-se sempre no discurso de estereotipia de lugar de atraso, sem
cidades, de lugar pequeno em que todos se conhecem e que há a
presença de coronel, de dona de bordel, do juiz de um padre, de
lugar sem recursos algum que parece ter parado no tempo, pois não
sai disso. Ou seja, à medida que esses discursos são sustentados e
reforçados desmerece-se uma cultura, pois uma heterogeneidade é
substituída por um uma homogeneidade. Um povo tão diverso é
forjado como um povo singular, com características iguais a todos e
condicionados a “verdades” que foram naturalizadas por pura
relação de poder desigual. O corpus desta pesquisa se constitui das
falas da jornalista Raquel Sheherazad (2015) e do jornalista Diogo
Mainardi (2014) e do empresário e político alagoano João Lyra
(2014) acerca do recorte discursivo caricaturizado sobre o Nordeste e
o perfil dos sujeitos nordestinos. Pensou-se neste estudo como esses
discursos estereotipados forjam a imagem de um Nordeste homogêneo,
singular, unificado, ao invés de pluri heterogêneo; notando também
sempre uma comparação entre o Nordeste com o “outro” (sul,
sudeste), entrelaçando uma relação de poder desigual. Para isso,
faz-se uma análise enunciativo discursiva do material, (…)
compreendermos os discursos (deterministas?) sobre a região Nordeste
e os nordestinos, bem como analisar o EU e o OUTRO do discurso, as
propostas de sentido lançadas e as inferências realizadas,
entendendo à língua como um processo político, ideológico e
interativo, fundamentado em Bakhtin (1929). A Linguística Aplicada é
o campo de saber indisciplinar que dá sustentação a investigação
ora proposta, criando inteligibilidade na relações práticas
discursivas versus (…) sociais, tendo como referencial teórico
Moita Lopes (2006). Albuquerque Junior (201119)
diz que: '[…] falar do Nordeste é inventariar os muitos
estereótipos e mitos que emergiram com o próprio espaço físico
reconhecido no mapa, composto por alguns estados e cidades. É
mobilizar todo o universo de imagens negativas e positivas,
socialmente reconhecidas e consagradas, que criaram a própria ideia
de nordeste'. Isso é, o imaginário popular acerca do Nordeste e dos
nordestinos é um recorte estereotipado, produzido e reforçado
durante décadas através da literatura, de músicas, do cinema,
teatro, novelas e pessoas influentes na mídia, ao retratar/construir
um nordeste de seca, da terra gretada, de miséria, da
violência, do atraso, da
subalternidade, de um povo preguiçoso, despreocupado, que faz piada
de tudo, de homem valente, machista. Margareth Rago (201120,
p. 16) diz que Albuquerque Junior “denuncia os mecanismos
insidiosos do poder presentes nas configurações discursivas e
envolvidos numa negociação em que ele diz que se paga um alto preço
por uma forma particular de nascimento do Nordeste, que implica
simultaneamente em aceitação e rejeição, em incorporação e
exclusão”. Os recortes caricaturescos sobre o Nordeste e o ser
nordestino os reduzem, os colocando à margem, culminando em exclusão
e preconceito por meio dos discursos que foram, pela repetição em
diversas esferas políticas e midiáticas durante décadas,
naturalizados, o que acaba gerando uma credibilidade aos
estereótipos, pois há duas possibilidades de ver o Nordeste. No
entanto, as escolhas pendem sempre para aquela que já é esperada,
com discursos de um local ruralizado, pobre, de falar uno e
engraçado, de festejos apenas folclóricos, da economia voltada
exclusivamente à agricultura e ao artesanato, e do
subdesenvolvimento, haja vista que há setores que ganham com essa
imagem de Nordeste, uma vez que os estereótipos estão em volta de
interesses financeiros que forjam toda uma realidade, que é
construída com discursos que a estigmatizam, colocando-a à mercê
da sociedade. Porém, sabemos que “os nordestinos são efeitos das
práticas discursivas e não-discursivas que os integram na cultura e
na instituição do social e que, portanto, em muitos momentos, devem
ser eles mesmos explicados mais do que ser fonte de toda
interpretação verdadeira” Albuquerque Junior (201121).
Isto é, o Nordeste e os nordestinos são “reflexos” dos
discursos estereotipados que as esferas políticas e midiáticas
propagam, bem como as demais esferas de comunicação. Estes
discursos são tão naturalizados que os próprios sujeitos
nordestinos se reconhecem dentro dessa caricatura imagética.
As falas de Sheherazade e João Lyra, ambos nordestinos, mostram esse
discurso cristalizado, internalizado que reforçam esse recorte
imagético sobre a região pela influência que possuem no âmbito
social. Os discursos deterministas dos jornalistas e do político
alagoano passam por uma relação de poder, uma vez que (…)
propõem sentidos que estão filiados a interesses, demarcadas
histórica, cultural, ideológica e socialmente, haja vista que os
sujeitos falam de algum lugar e para alguém, compreendendo os (…)
, a 'la' 22
Bakhtin, como (…) “situados” em um dado espaço social. Dessa
forma, são também os discursos. Metodologicamente, este estudo está
alicerçado na Linguística
Aplicada, ciência
pós-moderna, caracterizada como um campo de saber indisciplinar,
transdisciplinar, (…) portanto, autônomo; advogada como uma
“prática problematizadora”, uma vez que olha para o objeto
em/com toda a sua complexidade. Não é uma disciplina que possui
conhecimentos segmentados, mas um campo que agencia (…) de
diversas áreas, criando inteligibilidade sobre a vida social,
construindo novos saberes. Logo, está pesquisa agencia conhecimentos
da Geografia, História e Linguagem, criando inteligibilidade ao
produzir novos saberes (des) construindo sentidos sobre a região
Nordeste e os sujeitos nordestinos. O objetivo de estudo da LA23
é analisar/interpretar como as práticas discursivas organizam as
(…) sociais e vice-versa. Desta forma, analisaram-se como os
discursos caricaturescos repletos de estereótipos sobre a região
Nordeste e o nordestino foram inventados e naturalizados de forma tal
que este espaço foi demarcado geo discursivamente e esta gente foi
homogeneizada histórica, cultural e (…) . Deste modo, a LA24
concebe a língua como uma atividade dialógica e interativa, isto é,
teoriza que não representamos o mundo quando usamos a língua (gem),
mas o construímos a partir dos usos e escolhas linguísticas que
fazemos relacionados com o contexto social em que os falantes estão
inseridos. Portanto, a língua não é um instrumento de comunicação,
mas um processo interativo, constituído por um EU, um ELE e pelo
OUTRO. Assim, o EU - possui um perfil psicossocial, que significa que
ele é ativo no processo de interação, e que, assim como o EU, o
OUTRO também é ativo no processo de construção dos sentidos. Isso
significa que o EU - faz uma proposta de sentidos, lança pista, e o
OUTRO faz inferências a respeito destas, levantando hipóteses que
podem ser iguais, semelhantes ou distanciadas da (...), haja vista
que o OUTRO não é receptor nesse processo, mas ativo, isto é, é
partícipe da construção dos sentidos a partir das suas próprias
categorias cognitivas. Logo, os sentidos estão imbricados em um
contexto histórico, social, ideológico, cultural em que os sujeitos
estão situados. Neste sentido, o distanciamento de sentidos que
muitas vezes ocorre da interpretação do OUTRO em comparação com
as pistas inferidas pelo EU, depende do contexto em que estão
inseridos. Ou seja, os sentidos não são dados desde o momento da
enunciação, mas construídos. Por isso, enunciamos na tentativa de
construir o mundo, e não, representá-lo. Logo, percebe-se que as
escolhas linguísticas realizadas pelos falantes não são neutras,
haja vista que enunciamos de um lugar histórico, cultural,
religioso, ideológico e social, compreensão que parte da abordagem
bakhtiniana de que somos sujeitos situados e que, portanto, quando
fazemos determinadas escolhas estamos excluindo outras
possibilidades, uma vez que
a língua é também política.
A Linguística Aplicada
se filia ao paradigma interpretativista, abordagem epistemológica de
análise do objeto, em que há uma aproximação deste com o
pesquisador e com o meio interacional. Leva-se em consideração as
subjetividades do objeto estudado em toda a sua complexidade, já que
os sujeitos são situados histórico e socialmente, sendo este ativo,
e não passivo, em todo o processo. A abordagem metodológica da LA25
se dá por meio da leitura enunciativa discursiva, tendo como base
teórica as contribuições de Bakhtin. Considerando quem é o EU,
o ELE e o OUTRO do discurso, partindo do princípio que a língua é
uma atividade interativa e ninguém escreve ou fala para todo mundo.
(…) que há sempre um direcionamento e que os sentidos não estão
dados, mas são construídos. É possível analisarmos as construções
morfológicas, sintáticas e semânticas das palavras em foco,
pensando em um gênero discursivo e analisar os recursos visuais,
textuais e semióticos, se houver, tendo em vista que nada é posto
por acaso. Ou seja, interpretar tudo o que pertence ou está
relacionado ao gênero discursivo, além de identificar onde o texto
está circulando, com quem ele fala e para que (...), (…)
construir os sentidos e pistas lançados e interpretá-los de forma
crítica. No caso do ‘corpus’ desta pesquisa — constituídos de
falas da jornalista Raquel Sheherazade e do (…) Diogo Mainardi e
do político João Lyra, discursos disponíveis on-line —
analisamos os (…) (deterministas?) atrelados à região Nordeste e
aos sujeitos nordestinos. Entendendo o lugar histórico e social aos
quais esses (…) começaram e continuam sendo reforçados por
décadas, compreendendo a naturalização destes e os efeitos sociais
que estes (…) possuem sobre este local e sobre estes (…), tendo
em vista o apagamento da multiplicidade destes, caracterizado por uma
homogeneidade. 2. “OPINANDO
O SERTÃO”. Analisou-se
o ‘corpus’, constituído de três falas da jornalista Raquel
Sheherazade e do (…) Diogo Mainardi e do político alagoano João
Lyra, no gênero artigo de opinião, aqueles através de áudio
veiculado na Jovem Pan e um vídeo disponível no YouTube,
respectivamente — todos de circulação em instrumentos midiáticos.
Raquel Sheherazade é jornalista da emissora de (…) Sistema
Brasileiro de Televisão (SBT) e atuou também como radialista
âncora do jornal matinal da rádio Jovem Pan entre 2014 e 2015. No
Áudio do ano de 2015 da Jornalista Raquel Sheherazade, transmitido
pela rádio Jovem Pan, disponível em seu site, a respeito da seca do
Nordeste, em comparação com a seca sofrida pelo sudeste. O 'site'
denominou a matéria de “Rachel Sheherazade fala sobre a seca no
Nordeste”. No áudio, de 2 min 54 seg. ela diz: 'Racionamento
de água em São Paulo, volumes mortos no Rio, torneiras secas em
Minas. Guardadas às devidas proporções, o
Sul maravilha vive agora drama semelhante à estiagem histórica do
Nordeste.
E é exatamente sobre a seca no Nordeste que eu quero falar, porque
desde os esvaziamentos das torneiras no abastar do Sudeste, a mídia
esqueceu-se completamente da estiagem
perene
do outro lado do país. E falo sobre a seca no Nordeste, porque ela é
mais grave, porque ela é mais antiga, porque ela é mais injusta,
porque ela é mais negligenciada. Ao contrário do Sudeste, a falta
de água no semiárido nordestino não é um problema transitório, é
uma catástrofe constante, que castiga há séculos o sertanejo e
condena todo uma região ao sofrimento, a humilhação e ao atraso
econômico. Em 1877, olha só, o
imperador Dom Pedro II com a hipocrisia típica dos poderosos,
chegou a dizer que venderia 'joias da Coroa para acabar com o
sofrimento dos nordestinos. Desde a realeza até a república, muitos
foram os governantes que se valeram da retórica da seca pra
manipular os incautos, chegar ou se manter no poder. Políticos de
todos os escalões, coronéis locais à presidentes da república,
fizeram da seca do Nordeste, uma indústria. Dos miseráveis, sua mão
de obra; dos analfabetos famintos e sedentos, o seu curral eleitoral.
Para curar o mal da seca, os políticos prometeram todo tipo de
remédio, de cacimbas a carros-pipas, todos inócuos. Até a
faraônica transposição do São Francisco, a
maior promessa de campanha do então candidato Lula,
ficou pelo meio do caminho. E há doze anos só serve para enriquecer
empreiteiras, políticos e burocráticos corruptos. Desde que a obra
saiu do papel, o orçamento da transposição mais que duplicou, e o
pior, não há expectativa de conclusão, hein? Lula foi o terceiro
nordestino a ocupar a presidência da república desde a
redemocratização do país. Quando menino sentiu na pele o flagelo
da seca, teve dois mandatos pra cumprir a promessa que fez aos
conterrâneos que os elegeu: acabar com a seca no Nordeste. Deixou o
sonho virar poeira. O ex-retirante, que virou presidente da
república, preferiu o assistencialismo à conta gotas a levar água
para o Sertão'. A
jornalista inicia sua fala citando uma sequência de acontecimentos
em relação a falta de água ocorridos no Sudeste, que,
equivocadamente, ela diz
que é no Sul, para então
comparar à região Nordeste, em que Sheherazade (...) que vai se
referir “exclusivamente” a esta (…), restringindo o seu
discurso apenas à (…) supracitada. Albuquerque Junior (201126)
diz que os discursos de estereotipias são sempre produzidos em
comparação com o Outro, neste sentindo, o Nordeste construído como
seco, rural e retrogrado é sempre comparado com o Sudeste, (…)
como tecnológico, desenvolvido, moderno. Portando, ela continua a
comparação dizendo que desde a estiagem
“no abastar do Sudeste” a mídia esqueceu-se “da (…) perene
do outro lado do país” – nordeste — A preposição no, fusão
de em + o, está indicando o lugar em que ocorreu a (...);
já a (…) de está indicando uma característica típica, própria
da região Nordeste, reforçando a estereotipia naturalizada de seca
em toda a região. Outro equivoco da jornalista foi quanto ao uso
linguístico “estiagem perene”, pois há socialmente uma relação
de antonímia entre ambas, em que o termo “estiagem” é
relacionado a ínfimas ocorrências de chuva e “perene” é
relacionado com a presença de água. No entanto, a jornalista
utiliza o termo perene não como substantivo, mas como adjetivo,
caracterizando a estiagem,
sendo que ambos se distanciam semanticamente. Pelo fato de a língua,
além de estrutura, ser social, os sentidos dos usos linguísticos só
é construído a partir das pistas dadas pelo Eu se o Outro do
discurso comungar, do mesmo conhecimento de mundo. Neste caso,
socialmente “perene” não possui relação de caracterizar
“estiagem”, pois, não há uma arbitrariedade acordada na
sociedade ou em determinado grupo que comungue da relação de
sentido de ambos os termos, haja vista que a língua é estrutura,
mas também social, isto é, os usos linguísticos dos falantes se
dão na interação dialógica entre os falantes. Sheherazade diz que
fala sobre a “seca no Nordeste, porque ela é mais grave, porque
ela é mais antiga, porque ela é mais injusta, porque ela é mais
negligenciada”. Ou seja, ela
toma uma sub-região, o sertão/semiárido, como se fosse todo o
Nordeste, quando sabemos que geograficamente o Nordeste é dividido
em quatro sub-regiões e estas são heterogêneas, possuem
especificidades distintas uma das outras.
Entretanto, nos discursos enraizados de “Nordeste
da seca” há um
apagamento das demais sub-regiões e uma visibilidade ao Sertão,
caracterizado em sua geografia como seco e com baixos níveis de
água, bem como de irregularidade de chuvas. Tanto o apagamento das
sub-regiões zona da mata, agreste e meio-norte, quanto a
visibilidade da sub-região sertão são frutos de discursos que
caricaturizam e demarcam uma região inventada discursivamente devido
a interesses que são situados histórica, cultural, ideológica,
política e socialmente. Por conseguinte, há uma relação endógena
entre semiárido, sertão e nordeste, haja vista que ao forjar
imageticamente uma realidade sobre a região supracitada, que não é
real, demarcando geo discursivamente este espaço por meio dos
discursos deterministas de autoridade, como dos jornalistas
Sheherazade e Mainardi e do político alagoano João Lyra,
construindo que o território nordestino é a região da seca e da
terra gretada, no entanto esta é uma inverdade que foi cristalizada
pela repetição há décadas, uma vez que a sub-região Zona da Mata
possui uma costa litorânea de clima tropical úmido, que abrange uma
boa parte do agreste, em que os índices pluviométricos são altos,
apesar da área extensa ao norte do Nordeste, a sub-região sertão,
que dispõe de um clima semiárido, onde se encontra o polígono da
seca, no qual as concentrações pluviais são baixas e as chuvas são
irregulares. Entretanto, esta característica física do sertão não
retrata toda área demográfica que é o Nordeste como um lugar
totalmente seco. Oliveira (2016, p.33) pontua que: 'O Nordeste/Sertão
é construído como o espaço regional que denota a infertilidade
proveniente da terra rachada, das folhas secas, caídas no chão, em
que plantas sobreviventes são apenas o cacto, o mandacaru, o
umbuzeiro, devido conseguirem adaptar-se e sobreviver à seca. Ou
seja, é uma região construída por estereotipias, nos quais estes
discursos estão filiados a um “discurso determinista”, em que
vai havendo a repetição destes discursos e mantendo/reforçando
estes estereótipos sobre essa região'. Sheherazade, mais uma vez,
compara as regiões Sudeste e Nordeste, dizendo que “Ao contrário
do Sudeste, a falta de água no semiárido nordestino não é um
problema transitório, é uma catástrofe constante, que castiga há
séculos o sertanejo e condena todo uma região ao sofrimento, a
humilhação e ao atraso econômico”. Ou seja, a jornalista reforça
que todo o Nordeste é seco, quando na verdade esta é uma inverdade,
forjada/inventada socialmente por pura relação de interesses e
poder. Abaixo, o mapa da divisão do Nordeste em sub-regiões, a fim
de levar-nos à compreensão de que o Nordeste não é apenas sertão,
mas constituído por outras três sub-regiões, as quais se
diferenciam do seu aspecto climático de seca, construído
socialmente como sendo toda a região.
Figura
01: Mapa do Nordeste – Sub-regiões mapa. Fonte: slide player,
2014. https://linguadinamica.files.wordpress.com/2018/06/mapa.jpg
. Geograficamente, a região Nordeste é dividida em quatro
sub-regiões: zona da mata, agreste, sertão e meio-norte. Mas, nos
discursos deterministas toda a região Nordeste é tomada como
sertão, sub-região caracterizada com o índice de chuvas mais mal
distribuídas e irregulares, além de baixos índices pluviométricos,
justamente devido aos discursos forjados sobre uma região unívoca,
construída discursivamente. As demais sub-regiões são apagadas
nesses discursos de “seca e miséria que assola a região
Nordeste”. O discurso da jornalista não é novo, pelo contrário,
é repetido por décadas; discurso no qual o Nordeste é extremamente
seco e sua gente é miseravelmente pobre. Contudo, essa é uma
generalização que não corresponde aos fatos. Ela justifica seus
argumentos pondo a culpa na “seca” e no “negligenciamento”
político, ao listar historicamente governos que não contribuíram
com políticas de desenvolvimento para a região, afirmando que o
“prometeram” fazer, não cumpriram, citando, por exemplo, o
ex-presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, pelo não
acabamento da obra da transposição do Rio São Francisco, em seu
mandato. Sheherazade diz que desde o Império, governantes usam da
“retórica da seca” para chegar ou se manter no poder. Ou seja,
este fenômeno da natureza é discursivamente construído para
sustentar uma indústria que corrobora numa relação de poder, dos
influentes politicamente e dos nordestinos, não necessariamente
sertanejos, haja vista que o Nordeste é imageticamente recortado
como sendo apenas sertão. Ou seja, ela reconhece que há uma
“indústria da seca” nos discursos políticos e midiáticos, no
entanto omite que esta é resultado de estereotipias que coloca este
local e toda a sua gente em um espaço discursiva e socialmente
marginalizado ao tomá-los como verdades, mas reforça estas
caricaturas estereotipadas quando propaga este recorte imagético
sobre o Nordeste. As estereotipias de seca, miséria e subalternidade
atreladas ao Nordeste foram repetidas e reforçadas, não apenas nos
discursos políticos; mas também nas produções culturais como as
canções que constroem discursivamente um espaço de seca; no teatro
e na TV, quando se faz uma construção do sujeito nordestino de
falar caipira, de trabalho manual, de economia voltada a área rural
e artesanal, ao construir um nordestino retirante, de lugar de
atraso, com meio de transporte o pau de arara e carroça; na pintura
e na literatura, construindo um Nordeste e nordestinos homogêneos,
unos, de cultura apenas folclórica, imagens estas que ao falar de
Nordeste e dos nordestinos vêm primeiramente no imaginário popular.
Albuquerque Junior (201127)
diz que as obras de artes sobre o Nordeste são tomadas como
discurso, uma vez que elas têm ressonância em todo o social e que
elas são máquinas de produção de sentidos e de significados.
Logo, o Nordeste foi inventado no cruzamento de práticas e
discursos, bem como dos sucessivos deslocamentos em que a imagem e o
texto desta região sofrem. O discurso de Sheherazade dialoga com
tantos outros discursos que constroem discursivamente, por meio de
aspectos ideológicos, culturais, políticos e sociais, uma região
de temperatura escaldante e de um povo sofrido que só terá sua
salvação com o olhar dos governantes financiando e promovendo
políticas que combatam estrategicamente as consequências da “seca”.
A fala de Sheherazade dialoga com a do também jornalista Diogo
Mainardi acerca da região Nordeste. No vídeo, disponível no
YouTube, intitulado de “Diogo Mainardi: Eleição da Dilma e
Nordeste – 27/10/2014”, em entrevista com o jornalista Lucas
Mendes, ao programa “Manhattan Connection”,
Mainardi fala a respeito da relação entre a região Nordeste e as
eleições após a reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Segue a
descrição das falas:
'Lucas
Mendes – …O papel da imprensa antes das eleições. Você (…)
essa relação de atrito vai continuar?
Diogo
Mainardi – Vai piorar. Você perguntou pro Ricardo sobre o país do
futuro, Essa eleição é a prova de que o Brasil ficou no passado,
não é nem bolsa família, não é nem marquetagem. O Nordeste
sempre foi retrógrado, sempre foi governista, sempre foi bovino,
sempre foi subalterno em relação ao poder, durante a ditadura
militar, depois com reinado do PFL e agora com o PT, é uma região
atrasada, pouco educada, pouco instruída, que tem uma grande
dificuldade de se modernizar. Se modernizar na linguagem, se
modernizar na… A imprensa é livre, a liberdade de imprensa é um
valor que vale metade do Brasil pra baixo, e nessa metade do Brasil
pra baixo onde a Dilma é minoria, e uma pequena (…) . Eu sou
paulista antes de ser brasileiro, neste momento são 66% de paulistas
que votaram contra ela, é todo mundo empresarial, é todo mundo, é
a economia brasileira inteira votando contra esse partido, toda
imprensa. O conceito da liberdade de imprensa não tá do lado dela,
então, tudo que representa a modernidade, tá do outro lado, então,
ela não pode jogar uma ponte tão facilmente assim.
Lucas
Mendes – Mas o Nordeste não cresceu mais do que outras partes do
Brasil?
Diogo
Mainardi – Eu suponho que sim, quer dizer, quando
você sai da miséria esse salto você pode distribuindo um
dinheirinho. Não é… O país tem que dar um salto, o país é
pobre de qualquer maneira, o país como um todo é pobre, se o país
não der esse salto, se a gente entrar num cenário de fuga de
capitais, ou num cenário de pouco investimento produtivo, de
desconfiança do empresariado, estrangeiro, sobretudo, em relação
ao Brasil, vai faltar dinheiro, já está ficando muito curto, vai
faltar dinheiro pra continuar com uma política social que é
correta, que é necessária'.
Na
fala inicial de Diogo Mainardi, percebe-se uma relação entre a
região Nordeste e a política, também percebida na fala da
jornalista Raquel Sheherazade. Ele diz que o “Nordeste sempre foi
retrógrado, sempre foi governista, sempre foi bovino, sempre foi
subalterno” e argumenta dizendo que isso se dá via poder político
“durante a ditadura militar, depois com reinado do PFL e agora com
o PT”, e que por isso se constitui como “uma região atrasada,
pouco educada, pouco instruída, que tem uma grande dificuldade de se
modernizar”. Albuquerque Junior (2011, p. 3328)
diz que o Nordeste nasce onde se encontram poder e linguagem. Logo
percebe-se a construção discursiva de uma região atrasada devido a
escolhas políticas erradas e do não-olhar dos governantes para
problemas que foram construídos devido a interesses de uma elite,
que, segundo Albuquerque Junior, em entrevista em vídeo publicado em
27 de maio de 201429,
no canal no Youtube “O que é que tá rolando”, se sente
confortável numa posição de subalternidade, desde que seja
financiada, ainda que esta subalternidade coloque a região à margem
em comparação com o outro e disseminando inverdades. Mainardi diz
que é “paulista antes de ser brasileiro” e citando a reeleição
da Presidenta Dilma Rousseff argumenta que São Paulo votou em sua
maioria contra a reeleição dela, dizendo que São Paulo é moderno
e a modernidade é contra tal política, dizendo que: '(…) neste
momento são 66% de paulistas que votaram contra ela, é todo mundo
empresarial, é todo mundo, é a economia brasileira inteira votando
contra esse partido, toda imprensa. O conceito da liberdade de
imprensa não tá do lado dela, então, tudo que representa a
modernidade, tá do outro lado'. Assim, reforça a estereotipia de
Nordeste (região que (re) elegeu em grande massa a presidenta)
retrógrado, atrasado, subalterno, caipira, que tem “grande
dificuldade de se modernizar na linguagem”. Desse modo, as falas
dos jornalistas acima demarcam uma relação de poder discursivamente
nos discursos sobre o Nordeste e o ser nordestino construídos a
partir de interesses políticos ao relacionar a região supracitada
com a política. As falas revelam que os estereótipos são
construídos como verdades e estas são efeito das próprias escolhas
políticas dos sujeitos nordestinos, haja vista que a região é a
segunda mais populosa do país e nas eleições tem grande chance de
eleger quem quiser, ao contrário do Sul. Dialogando com as falas dos
jornalistas, segue o artigo de opinião do empresário e político
alagoano, João Lyra, a fim de analisarmos como os discursos de
estereotipias são reforçados em sua fala e em que ponto se junta
aos dois jornalistas ao construir um Nordeste que necessita de um
olhar político mais afinco do que as demais regiões, sendo
construído discursivamente como seco, miserável e retrogrado.
Figura
02: Artigo de Opinião, escrito por João Lyra e publicado no Jornal
da Tribuna Independente acerca do Nordeste. artigoFonte: Gazeta de
Alagoas, 2015.
https://linguadinamica.files.wordpress.com/2018/06/artigo.jpg?w=676
. João Lyra é formado em advocacia; empresário, fundador do grupo
econômico Lyra, situado em Alagoas; e político do mesmo Estado. É
influente no meio social, transitando em esferas desde a jurídica e
econômica à política. O artigo de opinião é caracterizado como:
'(…) um gênero jornalístico veiculado principalmente em revistas
e jornais e, como todo texto opinativo, utiliza-se da argumentação
para avaliar e opinar em relação a uma questão proposta
anteriormente, servindo de suporte para expressar o ponto de vista
concernente ao articulista. Nesse gênero, a tipologia textual básica
é dissertativa, pois o autor constrói uma opinião e cada parágrafo
subsequente contém um argumento que dá suporte à conclusão geral'
(SILVA, 2013, p.6). O Artigo de Opinião denominado de “A hora e a
vez do Nordeste”, escrito por João Lyra, empresário e político
alagoano, foi publicado no jornal “Tribuna Independente”, na
esfera jornalística, em 23/11/2014. O texto é visão/entendimento
de Lyra quanto às possibilidades e/ou oportunidades de
desenvolvimento da região Nordeste. O título situa o leitor em um
local, o Nordeste, e diz que chegou sua hora e sua vez. Ainda segundo
Silva (2013, p. 7), “o artigo apresenta um problema, discussão e
avaliação”. O problema apresentado no artigo deste corpus é a
eleição presidencial, discutida e argumentada por Lyra como a
oportunidade de um olhar para o Nordeste ser promovido com políticas
públicas e sociais com a reeleição do Partido dos Trabalhadores
(PT) na presidência da república.No decorrer do texto, o empresário
político reforçar a imagem de um Nordeste que está no imaginário
das pessoas, como um lugar de abandono e, consequentemente, de
atraso, que foi construída e cristalizada discursivamente, segundo
Albuquerque Junior (201130).
João Lyra fala da necessidade do olhar político para o
desenvolvimento contínuo da região. O político diz que todo o
Brasil vê o Nordeste em crescimento graças ao êxito das políticas
de desenvolvimento atreladas ao Nordeste. Ele diz que graças à
Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) a região
alavancou na economia. A partir daí o empresário vai traçando os
avanços da região na economia local e a contribuição desta na
economia nacional, reforçando as relações de poder que dão lugar
aos diversos estereótipos à região diante da relação de poder
posta entre “necessidades urgentes de combater a seca” com a
política, em que nesta relação os olhares são voltados
exclusivamente à industria da seca, que foi produzida
discursivamente devido a interesses político-econômicos demarcados
discursiva e socialmente. Ele caracteriza a economia como
diversificada e vai citando instâncias que estão se desenvolvendo
com sucesso, tais quais: as atividades agriculturais, produzidas em
larga escala, a melhoria da pecuária, a diversidade de segmentos que
se tem no parque industrial do Nordeste, as atividades de comércio e
serviço, os saltos da tecnologia de informação e comunicação
(tics) na região e a evolução do turismo. Depois de citar os
avanços na economia, João Lyra pontua sobre a vitória maciça da
presidenta Dilma Rousseff nas eleições no Nordeste e diz da
responsabilidade dos gestores locais se aglutinarem para buscar a
criação de políticas que possibilitem ainda mais a abertura das
portas para que a região continue em ascensão. O empresário
termina o texto recuperando o que diz no título, destacando que essa
é a hora e a vez de o Nordeste se reencontrar politicamente, e que
assim todos esperam, pontua. Percebe-se no texto um discurso de
estereotipia que está arraigado nas relações de poder de forma
muito explícita. Albuquerque Jr. (201131)
relata que o Nordeste e os nordestinos são invenções de
determinadas relações de poder e que essa região nasce onde se
encontram poder e linguagem, ou seja, os estereótipos que foram
construídos no imaginário das pessoas estão atrelados a estas
relações que foram construídos política e discursivamente com
interesses demarcados. Estratégia utilizada na estrutura do gênero,
que Silva (2013, P.8) diz que “o parágrafo final acarretará o
fechamento e a conclusão do autor, podendo apresentar uma breve
retomada ao assunto principal e sua posição definida claramente no
texto”. Neste caso, a (re) afirmação da oportunidade política
de desenvolvimento do Nordeste com a (re) eleição da presidenta. A
fala de João Lyra acerca do Nordeste é um discurso que Albuquerque
Jr. (2011) chama de naturalizado/cristalizado, devido à repetição
por décadas de estereótipos de um espaço geográfico necessitado
de um olhar político que foi esquecido pelos poderosos, e, portanto,
vive em atraso, sem desenvolvimento e qualidade de vida. Logo,
precisa do olhar e ajuda governamentais, a fim de promover políticas
de desenvolvimento para a região. Estratégia
da elite para conseguir recursos em nome de uma seca que não
dilacera uma região inteira como os discursos enraizados são
propagados, mas uma parte que está longe de ser o todo.
No discurso do político alagoano é citado a ascensão econômica do
Nordeste, contudo, essa ascensão está relacionada a políticas
partidárias de desenvolvimento à região. Logo, a indústria da
seca também é reforçada em seu discurso que demarca geográfica,
social, cultural e politicamente um espaço inventado, forjado
devidos a interesses; construídos argumentativamente no decorrer do
texto, como citado acima, a fim de “persuadir” o Outro/leitor do
jornal. Silva, (2013, P.8) pontua que “o público leitor desses
artigos geralmente são pessoas que gostam de se manterem
atualizadas, relacionadas constantemente com aspectos midiáticos e
interessadas em perceber os acontecimentos atuais”. CONSIDERAÇÕES
FINAIS.
Como estudado, o Nordeste é visto de forma estereotipada nos
discursos circulados nas esferas jornalística e política de modo a
unificar uma região e um povo pluri, multi. Estas caricaturas não
são neutras ou propagadas ingenuamente, mas de forma pensada, por
via de interesses que são discursivamente construídos. Estes
marginalizam este espaço e esta gente, uma vez que há uma relação
de poder nessa construção imagética em que é realizada por meio
de uma comparação com o outro, visto o Nordeste em relação de
comparação ao Sul e Sudeste e os nordestinos em relação de
comparação com os sulistas. Cabe aqui ressaltar que estes discursos
continuam sendo propagados, principalmente pelas esferas midiática e
política, mas que discursivamente há a possibilidade da quebra
destes estigmas, embora ele não seja o mais comum, principalmente na
TV, no cinema e no teatro, devido à espera do público pelo lugar
comum, do já dito. As relações de poder estão imbricadas nas
relações discursivas e forjam uma realidade que não existe ao
disseminar que o Nordeste é rural e retrogrado, quando
na verdade é a região que mais cresce economicamente.
Mas estas inverdades continuam sendo reforçadas devido ao jogo de
interesses com a produção de uma imagem negativa sobre este lugar e
sobre esta gente. Em entrevista para o canal do YouTube “Programa
Diversidade”, da Universidade Federal de Campina Grande –UFCG,
publicado no dia 05 de outubro de 2011, Durval Muniz de Albuquerque
Junior diz que há dois caminhos e sempre a escolha está para aquela
já esperada. Nesse caso, os discursos estereotipados sobre um
Nordeste de atraso, ruralizado, retirante, de falar uno, de vegetação
apenas seca e de festejos apenas folclóricos, posto que há setores
que vivem de reproduzir indiscriminadamente estes discursos e da
exploração desta imagem sobre a região e os nordestinos.
Desconstruir
que o Nordeste não é só sertão,
que os nordestinos não são todos sertanejos, que o meio de
transporte nesta região há muitas décadas não é mais o carro de
boi ou o pau de arara, que os nordestinos só trabalham na roça
quando na verdade o Nordeste deixou de ser apenas agrário faz tempo;
é importante quebrar com estas marginalizações, pois apesar de
serem inverdades, são criações imagéticas para uma exclusão em
relação a comparação com o outro, uma relação de poder
desigual. Estes estigmas são consagrados devido a repetição dos
discursos estereotipados e da propagação deste em veículos de
influência social, bem como do discurso de pessoas influentes nas
várias instâncias sociais. No entanto, é necessário para (re)
pensarmos as relações de poder vistas nesta pesquisa nas esferas
jornalística e política, mas que permanece também em outras
esferas. Oliveira (2016, p.26), diz que: 'Nos dias de hoje ainda
encontramos discursos que circulam em muitas esferas da atividade
humana, presentes, sobretudo, na esfera política, pois como o dever
do governo é garantir a organização da sociedade e o bem-estar do
povo, tais sujeitos buscam se construir como sujeitos compromissados
com as sociedades em que estes são responsáveis em exercer o seu
governo. Assim, tais sujeitos se constroem e se marcam para si e para
o outro como preocupados e compromissados com o próximo, ou seja, o
“outro” do discurso, que nesse caso, trata-se dos eleitores. No
entanto, estes discursos são estratégias, são tentativas de
produção de sentido, em que os sujeitos buscam por meio das
escolhas linguísticas alcançar determinados efeitos de sentido'.
Portanto, é saliente discutirmos sobre como os discursos de
autoridade, em textos opinativos, tanto podem elevar determinada
região, o Sudeste, por exemplo nestas falas, como pode levar à
marginalização, propagando inverdades que foram e são
naturalizadas pela repetição dos discursos deterministas, como é o
caso da região Nordeste”32.
33
“Tais
discursos foram abraçados também por parte da imprensa, como no
lamentável episódio em que o jornalista Diogo Mainardi afirmou,
logo após o resultado do segundo turno, durante o programa Manhattan
Connection, do canal GloboNews, que o Nordeste era “bovino”,
“retrógrado”, “subalterno” e “pouco educado”
[Pressionado por nordestinos e nortistas famosos, o jornalista foi
obrigado a se desculpar após a declaração: “A
minha intenção era ofender a mixórdia petista que usou e abusou
dos programas sociais do governo para rebanhar votos nas regiões
mais pobres do país, em especial o Norte e o Nordeste”,
disse Mainardi. Mais informações sobre o caso podem ser encontradas
em
<http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/oab-pe-edeputados-acionam-diogo-mainardi-por-declaracoes-sobre-nordestinos/>
. Acesso em 17 nov. 2016]. Inferiu o jornalista que, por terem
suposta “dependência” de programas assistenciais do governo, os
moradores dessas regiões teriam menor capacidade de escolher seus
candidatos. Ao
entendimento do jornalista, essa parcela do povo não é merecedora
do exercício de direitos políticos e nem parte interessada no
futuro da sociedade em que vive”.
34
“Quero
também, Sr. Presidente, falar de um artigo que saiu no Correio
Braziliense, da socióloga Berenice Bento, que teve oportunidade de
trabalhar na minha equipe anos atrás. Professora da Universidade
Federal da Paraíba, doutora em Sociologia, ela destaca o preconceito
continuado contra os nordestinos, que parece estar voltando com muita
força, o que é absolutamente reprovável, obscurantista,
retrógrado, bovino — diríamos. (…) Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados, todos e todas que assistem a esta sessão ou nela
trabalham, quero registrar aqui um artigo da socióloga Berenice
Bento, publicado no Correio Braziliense, no dia 30 de outubro. A
Profa. Berenice mostra as raízes coloniais das manifestações de
preconceito contra o povo do Nordeste às quais assistimos mais uma
vez, estarrecidos, após a apuração do resultado das eleições
presidenciais. O título do artigo da Profa. Berenice e: Quem
é o retrógrado?, e diz:
“'O
Nordeste sempre foi retrógrado, sempre foi governista, sempre foi
bovino, sempre foi subalterno em relação ao poder, durante a
ditadura militar, depois com o reinado do PFL e agora com o (PT). É
uma região atrasada, pouco educada, pouco instruída que tem uma
grande dificuldade para se modernizar na linguagem. A imprensa livre
só existe da metade do Brasil para baixo’. (Diogo Mainardi, em
programa da Globo News, acerca das eleições presidenciais, em
26/10/2014). Após esta ‘avaliação’ pensei em resgatar fatos
históricos para mostrar a falsidade dos não argumentos do Sr.
Mainardi: o primeiro voto feminino aconteceu no Rio Grande do Norte,
ou, a primeira cidade a libertar as pessoas que eram escravizadas foi
Redenção, (…) do interior do Ceará, ou ainda, listar nomes de
nordestinos(as) fundamentais para a construção do projeto de nação.
Contudo, se eu seguisse por esta linha estaria reproduzindo, de forma
defensiva, a mesma lógica argumentativa que atribui valor (ou
desvaloriza) aos fatos ou às pessoas por serem de determinada
região. Ao fazer isso eu terminaria por me enredar e legitimar a
mesma estrutura discursiva do comentador da Globo News
e que tem como fundamento o determinismo geográfico.
Ao contrário, é necessário desconstruir sua fala, afirmando
que a diversidade humana não está limitada a uma fronteira, ou a
uma cerca, porque não somos gado. O tropo ‘região’ foi
uma poderosa arma retórica utilizada pelos colonizadores. Supunha-se
que a pessoa era o resultado do meio ambiente natural em que nascia.
Assim, se (…) digo ‘sou nordestina’, eu me revelo por
completo, pois, a verdade inteira e última da minha existência já
está dada por esta anunciação: o local de nascimento. Seríamos
todos Macabéa, personagem do livro A Hora da Estrela35.
Por esta lógica, não há diversidade, diferenças, uma vez que a
região condiciona comportamentos, subjetividades, culturas,
homogeneizando-nos ao ponto de nos tornarmos membros de uma mesma
espécie. É isso o que o Sr. Mainardi faz: reproduz a ideia de uma
espécie chamada nordestina. Aliás, na sua estrutura de pensamento
colonizador, ele nem se dar o trabalho de falar ‘nordestinos(as)’,
mas ‘nordeste’, região povoada por gente que não sabe falar,
submissa, atrasada, uma manada. Em apenas 46 segundos ele repete a
palavra ‘sempre’ quatro vezes, para que não paire dúvida de que
naquela região a história esqueceu de acontecer. É o tempo parado,
morto, o desde sempre dos coronéis, da tradição. O Sudeste e o
Sul, ao contrário, é identificado como os locais onde as mudanças
ocorreram e os seres se tornaram inteligentes e modernos. O Nordeste
tem natureza. A metade do Brasil para baixo tem cultura. Há tempos
que eu não escutava um libelo do pensamento colonizador, em pleno
século XXI, com tamanha clareza e sem nenhuma ruborização facial
do comentador. Sem dúvida, merece ser discutido e debatido nas aulas
de Sociologia como exemplo de uma sobrevivência discursiva,
resgatada com toda a ferocidade que o desejo etnocêntrico tem em
controlar e eliminar o outro considerado diferente e inferior.
Contraditoriamente, o sabido, civilizado, moderno, educado e bem
falante, Sr. Mainardi, teve que lançar mão de um discurso que
vigorou há séculos e que foi uma das principais bases de
sustentação do colonialismo e que hoje está em completo
descrédito. Se trocarmos a palavra ‘nordeste’ por ‘Brasil’,
teremos uma citação do que os europeus pensavam das culturas
colonizadas que foram destruídas por eles. Quem é o retrógrado?”.
Berenice Bento é professora da Universidade Federal do Rio Grande do
Norte e pós-doutoranda na City University of New York/EUA (CNPq)”.
36
“A
quem não viu, vou deixar dois 'links' aqui com o vídeo. Um vídeo é
mais curto e está hospedado no 'Vimeo', o outro é mais completo pra
quem quiser assistir o resto da 'boçalidade' do indivíduo, ou
melhor, do que eu vi, pois evito assistir esse tipo de programa
"bovino" (quem assistir o vídeo entenderá o uso da
expressão) e o gado que comenta nele:
'Manhattan
Connection': 'O Nordeste sempre foi bovino'.
https://www.viomundo.com.br/humor/manhattan-connection-o-nordeste-sempre-foi-bovino.html;
O
que Dilma quis dizer com “Não vai ficar pedra sobre pedra”.
https://blogdacidadania.com.br/2014/10/o-que-dilma-quis-dizer-com-nao-vai-ficar-pedra-sobre-pedra/
Antes de começar a comentar o caso, é por essas e outras que eu me
aborreci pra valer com gente vindo citar ou mencionar 'blogs/sites'
"revisionistas", e quando a gente apontava o problema da
mídia incitando o extremismo no país através de certas revistas ou
da TV, simplesmente a opinião da gente sobre isto era deixado de
lado, ignorada. Eu acho bizarro que pessoas que se jogam numa cruzada
contra o antissemitismo, preconceito etc. ignore tão cegamente quem
de fato incita
a proliferação de sites de ódio na rede:
é a mídia brasileira sim (parte dela). Se você quer combater
preconceito no país não pode correr da crítica à mídia. Por isso
que me recuso a discutir o assunto "revisionismo" e afins
com quem não levar essa questão da mídia em conta, pois não
adianta meia dúzia ficar indignada seletivamente com o negacionismo
do Holocausto deixando de lado críticas a emissoras de TV e
jornais/revistas (um
exemplo explícito disso: a Revista Veja da editora Abril)
que abrem espaço prum cretino como este do vídeo proferir todo tipo
de absurdos possíveis que em um país com democracia mais
consolidada, este indivíduo seria severamente rechaçado pela
sociedade e sofreria algum tipo de retaliação política ou
jornalística. Mas voltando ao assunto, o indivíduo do vídeo se
chama Diogo Mainardi, cidadão ítalo-descendente de São Paulo, que
reforça no vídeo que é paulista 'antes de ser brasileiro' "neste
momento", com a velha mitomania separatista paulista (o
discurso), e de que o Brasil está "abaixo" de um estado da
federação, quando isto é algo falso (sempre foi), como todo
discurso 'fascistoide'. Pois bem, ele diz tanta besteira em um trecho
de apenas 2 minutos e 33 segundos que se for rebater pedaço por
pedaço o que ele diz (e não é só dessa vez que ele profere
asneiras deste tipo, ele SEMPRE diz besteira), você faria um 'post'
quilométrico onde só meia dúzia acabará lendo (numa hipótese
otimista). Em todo caso, vale a pena citar alguns antecedentes deste
programa que agora é exibido no canal fechado Globo News da Globosat
que pertencem ambas as Organizações Globo, que é o maior grupo de
mídia do Brasil e que funciona quase como um monopólio. A Globo
(como é mais conhecido este grupo) é parte do famoso oligopólio de
mídia que a gente vem citando nos últimos posts. Este
programa já contou com a presença de um antigo tagarela de direita,
ex-trotskista (estou convencido que todo trotskista é um potencial
fascista, é impossível haver tanta coincidência de tantos
ex-trotskistas virarem fascistas ou radicais de direita) chamado
Paulo Francis. Pra quem não conhece o caso, este cidadão neste
mesmo programa, ainda no governo FHC (Fernando Henrique Cardoso)
chamou a cúpula da Petrobras de corrupta defendendo a privatização
da Petrobras (ainda vigorava na TV a defesa escancarada das
privatizações de todas as estatais brasileiras sendo a Petrobras
estratégica pra economia do país, e este discurso ainda vigora, de
forma velada ou não) acusando os diretores da Petrobras de terem
dinheiro na Suíça, sem provas. Consequência disto? Ele viria a
falecer em decorrência dessa acusação imbecil e leviana que fez,
acusação feita neste mesmo programa que abre espaço pra figuras
deste tipo.
Leiam
o resumo abaixo do caso.
Link.https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Francis#.C3.9Altima_pol.C3.AAmica_e_morte
.
'Última
polêmica e morte'.
Em
inícios de 1997, no programa de TV a cabo do qual participava,
'Manhattan Connection',
transmitido pelo canal GNT, Francis propôs a privatização da
Petrobras e acusou os diretores da estatal de possuírem cinquenta
milhões de dólares em contas na Suíça – acusação pela qual
foi processado na justiça americana, sob alegação da Petrobras de
que o programa seria transmitido nos Estados Unidos para assinantes
de canais brasileiros na TV a cabo. Como Paulo Francis acusou sem
provas, tinha a certeza que seria condenado e pagaria indenização
milionária aos diretores da Petrobras. Com a iminência do processo
milionário Paulo Francis sofre estresse profundo. Francis
acabou por morrer de um ataque cardíaco, diagnosticado, em seus
primeiros sintomas, como uma simples bursite. Era casado com a
jornalista e escritora Sonia Nolasco, com quem viveu por mais de
vinte anos. Seu corpo embalsamado foi trasladado de Nova York para o
Rio de Janeiro e enterrado no jazigo familiar do Cemitério de São
João Batista.
Como
dá pra ver acima, a irresponsabilidade e inconsequência deste
programa vem de longa data, com consequências fatais pro antigo
falastrão do mesmo que morreu por falar besteira demais contra gente
graúda que acionou a justiça dos EUA que não trata este pessoal da
mesma forma que a justiça brasileira trata. Um bando de gente
'pernóstica', com conteúdo pra lá de questionável, em um programa
com um nome pra lá de 'provinciano' (colocar nome em inglês num
programa visto por pessoas que falam português é de uma
'cafonice/caipirice' atroz), defendendo pautas de direita, econômica
ou política ou repetindo a pauta da direita liberal e 'neocon' dos
EUA.
Pois
bem, voltemos ao tempo presente e ao Mainardi e suas 'falas bovinas'.
Ele diz isso sobre o "Nordeste":
Mainardi:
"O Nordeste sempre foi retrógrado, sempre foi governista,
sempre foi bovino, sempre foi subalterno, em relação ao poder,
durante a ditadura militar, depois com o reinado do PFL, e agora com
o PT. É uma região atrasada, pouco educada, pouco instruída, que
tem uma grande dificuldade pra se modernizar, e se modernizar na
linguagem... a imprensa livre, a liberdade de imprensa, é um valor
que vale de metade do Brasil pra baixo, e nessa metade do Brasil pra
baixo onde a Dilma é minoria, e uma pequena minoria, eu sou paulista
antes de ser brasileiro neste momento, são 66% de paulistas que
votaram contra ela, é todo mundo empresarial, é a economia
brasileira inteira votando contra este partido, é toda a imprensa ou
o conceito da liberdade de imprensa num tá do lado dela. Então,
tudo que representa a modernidade tá do outro lado, então ela não
pode jogar uma ponte tão facilmente assim..."
L.
Mendes: "Mas o Nordeste não cresceu percentualmente mais que
outras partes do Brasil?"
Mainardi:
"Eu suponho que sim, quer dizer, quando você sai da miséria
esse primeiro salto, você pode ter inclusive distribuindo um
dinheirinho, que não é lá..."
Aí
ele é interrompido pelo outro "especialista" e prossegue.
Já tá de bom tamanho a transcrição acima, quem tiver saco que
transcreva o vídeo inteiro ou assista.Mas vamos lá, quais os erros
do bovino acima? Praticamente tudo. O indivíduo profere um discurso
senso comum, bem arraigado em São Paulo por décadas de doutrinação
do discurso de "locomotiva do Brasil" (que agora é a Maria
Fumaça sem água) e todo aquele discurso fascistoide que surge ou é
criado pra justificar o poder da elite ascendente de algum lugar.
Quando a elite de São Paulo começou a ascender politicamente e
economicamente, ela começou a forjar esses "mitos fundadores"
pra justificar o poder como o "mito dos
Bandeirantes"http://historiahoje.com/o-mito-dos-bandeirantes/
porque era um estado sem "passado glorioso" algum, não
tinha tido relevância política no Brasil colônia. Esta criação
de mitos é algo que ocorre em vários lugares e nem sequer chega a
ser algo original. Tem isso em todo canto, Catalunha, Inglaterra etc,
e estados brasileiros. O mais engraçado é ele se vangloriar disso
quando com um sobrenome italiano desses ele está bem longe dos ditos
Bandeirantes ou dos nomes indígenas de São Paulo, adotados nesta
época. Por que digo isso? Porque como já foi citado aqui no blog
nos posts:
A
Invenção do Nordeste
(livro). Pra entender o Brasil atual e suas divisões artificiais
criadas na Era Vargas
http://holocausto-doc.blogspot.com/2014/09/a-invencao-do-nordeste-livro-pra-entender-o-brasil-atual-e-suas-divisoes-artificiais-criadas-na-era-vargas.html
Sobre
preconceito regional. Mais sobre História do Brasil
http://holocausto-doc.blogspot.com/2014/09/sobre-preconceito-regional-mais-sobre-historia-do-brasil.html
Os
tais "nichos étnicos" no Brasil. Sobre o racismo e
preconceito regional contemporâneo no Brasil e sua origem (mais
sobre a ideologia de branqueamento do Brasil)
http://holocausto-doc.blogspot.com/2014/10/os-tais-nichos-etnicos-que-falei-sobre-o-racismo-e-preconceito-regional-contemporaneo-no-brasil-e-sua-origem-ideologia-do-branqueamento.html
Todo
esse discurso que ele cita parcialmente acima, entupido até a medula
de preconceitos e crenças de superioridade pra justificar o poder de
determinado local, é falso ou no caso, por ele não conhecer a
história do país e só a mitologia do estado natal dele, ele repete
essas asneiras convicto de que é essa a 'versão final' da História
do país, quando não passa nem perto. E por que isso acontece? Vejam
quantas pessoas citam na mídia ou mesmo em 'sites' etc. ,
bibliografia e livros sobre a formação do país. Quase nenhuma.
Pode procurar pela internet que você acha porcamente material sobre
isto. Por esta razão que eu disse que o mal desse país é o
desconhecimento pesado do povo sobre sua história e a repetição
incessante de mitos. A mídia reproduz este discurso décadas a fio e
isso fica arraigado no sendo comum de alguns estados e cidades. O
curioso é que a figura dele, Mainardi ('pruma' parte da população
do país), é visto como 'referência intelectual', e é aí que a
repetição desse discurso faz estrago. Dito numa emissora 'pra'
milhões de pessoas que não lerão obviamente nada sobre que rebata
essas 'baboseiras' dele e acharão que ele está certo porque a fala
é "convincente" (não precisa estar certo, basta parecer
que está 'pra' boa parte das pessoas).Quando ele recorta a história
do Brasil a um período de 50 anos ou mesmo 100 anos, ele ignora que
a história de um país começa na sua "fundação" (por
assim dizer), ou mesmo antes disso (nas civilizações pré-Cabral),
e não quando os avós dele chegam ao Brasil. Ele pode achar que a
história do Brasil começa quando os ancestrais dele (família)
chegam ao país (e se acha isso, acha errado), mas a história da
família de milhões de brasileiros começa lá atrás, em 1500 ou
antes. São mais de meio milênio de história pra ser rifada porque
um bovino radicaloide ignorante não conhece ou despreza isto. O
desprezo se dá por um misto de recalque, ignorância e petulância
(esnobismo). Como já foi dito no 'post' do livro "A
invenção do Nordeste" e outros, o eixo do país por
mais de 300 anos (3 séculos) foi fixado em alguns estados ou
cidades, como Recife, Salvador e interior de Minas. As cidades
naquela época (e até hoje) tinham um peso muito grande em relação
a um estado (que eram chamados de províncias). Salvador (capital da
Bahia) foi capital do território brasileiro por mais de 300 anos, a
capital do país por mais tempo, seguida depois pelo Rio de Janeiro e
atualmente Brasília. Com a vinda da Família Real portuguesa,
fugindo do cerco de Napoleão à Lisboa em 1808, esse centro de
poder, centro econômico, de colonização e militar citado acima é
alterado pra cidade do Rio de Janeiro que é onde a família real (a
corte portuguesa) se fixa depois de se alojar no interior do Rio. O
Rio passa a ser então o centro do poder econômico, militar e
intelectual do decadente Império Português que com sua metamorfose
forja uma monarquia no Brasil que só é deposta em 1889 com a
instauração da República, que cria o primeiro governo de
brasileiros de fato. Até a década de 50 do século XX, a cidade
mais rica do país era o Rio de Janeiro, que então é ultrapassada
por São Paulo. Ou seja, a mitificação que ele fez de São Paulo
tem pouco mais de 50 anos contra quase mais de 400 anos de história
que ele simplesmente desprezou por ser ignorante, pedante,
prepotente, tapado e bairrista (pra pegar leve nos adjetivos a ele,
pois na verdade o que eu penso dele é bem pior que esses adjetivos).
Ninguém consegue compreender o Brasil por essa mitologia que o
Mainardi repete no vídeo, ele pode repetir isso pra se vangloriar
estupidamente como já vi vários fazerem (é o orgulho dos tolos),
mas pros brasileiros (e estrangeiros) que querem entender o país de
fato, o que ele disse é uma besteira vulgar mas que não deixa de
ser a mentalidade de certos setores de alguns estados do país.
Quando uma determinada elite começa a ficar refém dos próprios
mitos é sintoma de decadência, que é o que está acontecendo com
São Paulo atualmente. Mainardi fala de "todo um mundo
empresarial" como se São Paulo se resumisse a empresários por
ter o maior parque industrial do país por vários erros cometidos
pelos governos centrais (federais) brasileiros antes de Lula
concentrando a produção industrial do país em um só estado,
atrofiando a distribuição de riquezas do país e criando as famosas
desigualdades regionais. Multinacionais não são nem nunca foram
mérito de um estado, são só investimentos trazidos via governo
federal, estrategicamente ou não. Por que falo de governos federais?
Porque o desenvolvimento paulista, que ele tanto se orgulha, teve o
dedo (a mão, o braço) pesado do Estado brasileiro, influenciado por
essa elite ascendente no final do século XIX, pra que concentrasse a
maioria das indústrias do país (multinacionais principalmente) em
um estado ou dois, o que gerou essa disparidade econômica e regional
no Brasil. Algo como o que a China fez no final dos anos setenta
(aquele "boom" de desenvolvimento acelerado pegando a etapa
tecnológica mais avançada do capitalismo). Não foi algo espontâneo
e sim forjado. Ao contrário do que ele fala, a desigualdade regional
brasileira não é "geração espontânea", "natural",
foi algo criado por erros de vários governos federais concentrando o
desenvolvimento industrial (capitalista) em algumas unidades da
federação visando num futuro espalhar esse desenvolvimento pelo
resto do país e que nunca havia saído do papel até o 'Lula' virar
presidente. Esta concentração de indústrias em São Paulo agora
começa a mostrar o colapso pois chegou a uma saturação. Já havia
chegado desde os anos 'noventa' mas vai ficando mais visível pois
não têm mais pra onde se expandir dentro de um mesmo estado. São
Paulo não tem mais espaço físico pra crescer e o capitalismo
se expande e não quer saber de limitações geográficas impostas
por bairrismo de A, B ou C. Isso o Mainardi e os 'bovinos' ao
lado dele não conseguem entender, ou se entendem fazem de conta que
"não entendem". Compreende o porquê da crise em São
Paulo e não no Brasil, Mainardi? Agora tá começando a ficar claro
o porquê do contorno 'bairrista' que São Paulo protagonizou nesta
eleição. Por eu ser de um estado que passou pelo menos processo (de
declínio), a gente percebe facilmente o que se passa. É tanto que
várias indústrias desde a década de '90' saem lentamente de 'SP'
(a Ford foi pra Bahia ainda com FHC) e começam a se espalhar
por todo território nacional. Ao invés da "inteligência rara"
'bovina' com tinturas 'fascistoides' do vídeo entender o que se
passa, o que ele faz? Repete um monte de besteira vomitando seus
preconceitos arraigados (por nunca ter lido nada sobre história do
país) e fica por isso. A emissora de TV responsável por essa peça
grotesca, esse lixo de quinta categoria, não dá espaço a quem
pensa diferente dele ou a quem tem conhecimento sobre isso ir a esse
tipo de programa e rebater o que ele profere. Nunca vi esta emissora
colocar um Evaldo Cabral de Mello pra discutir com um pústula
desses, pois ocorreria um verdadeiro massacre onde todo mundo ficaria
com "pena" dele. E ele vem falar de "liberdade de
imprensa" com uma imprensa amordaçada dessas? Só sendo piada.
Onde a maioria das retransmissora locais de TV do país (das áreas
que ele diz que não tem "liberdade de imprensa")
retransmitem os programas dessa área supostamente "livre"
onde nesta mesma emissora do vídeo a maioria dos que comentam são
de direita ou de extrema-direita por não haver pluralidade de
opinião, uma amostra viva de "liberdade de imprensa" que
ele prega pra "deixar inglês com inveja".O que ele diz é
tão estúpido e primário que chega a ser ridículo comentar essas
coisas, mas muita gente vai repetir a baboseira dele como "verdade
absoluta". O pior de tudo é isso. Ele fala no vídeo de
reinado do PFL. Pois bem, eu sou pernambucano, conheço bem o
"reinado" dessa desgraça chamada PFL, atual DEM, pois PE
era um dos corações desse partido arcaico e filhote da ditadura.
Olha só os adjetivos que eu uso pro PFL, e tem piores, a aversão
que parte da população tem desse partido é tão profunda que muita
gente de fora de PE que não está acostumada com os termos se
assusta. Teve gente assustada por eu chamar o 'traíra' Eduardo
Campos (que a Globo "canonizou" como "santo" pro
resto do país, um dos maiores erros do Lula) de Calabar e afins.
'Calabar' é a "honraria" (nome) mais "distinta"
que um traidor de Pernambuco e do Brasil pode receber, pelo menos é
como vejo um traidor do Estado. Eu sempre chamei o PFL de partido de
'jagunço', e em PE ele era apelidado de "forças do atraso"
junto com a 'Direita' do Estado. Mainardi, você só está repetindo,
sem saber, coisas que nós pernambucanos (de esquerda) dizemos sobre
o PFL, porque nem cabeça pra inventar um rótulo você tem pois
desconhece esses detalhes. A aversão ao PFL quem fomentou foi a
gente, temos orgulho disso, libertar Pernambuco e o resto do país
deste partido arcaico foi de fato libertação, saudações à Bahia
por terem se libertado disso, tanto que ninguém sente falta do
'PêFêLê' (como a gente jocosamente o chamamos) só os antigos
"coronéis" desse partido arcaico. Só que ele não
comenta que o PFL fez prefeito no Rio e mandava em Santa Catarina até
um dia desses com os Bornhausen e era uma força política no Sul do
país comandada por políticos da região Nordeste que ele tanto
fala. Como pode uma força política de uma "região atrasada"
mandar em uma "região desenvolvida"? Isso não te deixa
intrigado, Mainardi? Vai ver que é porque somos um só país, apesar
dos chiliques de você e de mais gente que pensa como você. Olha só,
com ligações "invisíveis" entre estados, mas só pra
quem é recheado de preconceitos, ignorância e crendices
mitológicas. Ou seja, o Mainardi bovinamente ignora até coisas
recentes do país. Ele diz em resposta ao outro jornalista que
"suponho que sim" em relação ao desenvolvimento regional
do Nordeste com o Lula e a Dilma porque não sabe absolutamente nada
do que foi investido na região nos últimos 12 anos. Por sinal, foi
por conta disto (desenvolvimento industrial) e não de "bolsa
família", onde o estado dele é o segundo beneficiário do
programa (com tantos ricos tem uma verdadeira coqueluche de miséria
dentro por gente egoísta e ideologicamente cega como ele), que esta
região em peso votou no governo atual. Não foi por conta de "bolsa
família", cidadão, foi por conta de coisas mais pesadas como
desenvolvimento industrial. Não só o NE como boa parte do país,
inclusive o Sudeste, tirando essa doutrinação e lavagem cerebral
que a elite paulista fez e faz em São Paulo. A quem duvidar, podem
ler e ver o mapa do gasto por estados (todos os estados do país
recebem):
Bahia
lidera número de beneficiários do Bolsa Família no país
https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/bahia-lidera-numero-de-beneficiarios-do-bolsa-familia-no-pais/
SP:
vice-campeão de Bolsa Família
https://www.conversaafiada.com.br/economia/2014/10/07/campello-desmonta-o-preconceito-contra-o-bolsa/
Ganho
de votos de Dilma no 2º turno não tem relação com Bolsa Família
https://blogs.oglobo.globo.com/
Quanto
o Bolsa Família custa para o seu bolso?
https://www.gazetadopovo.com.br/blogs/caixa-zero/quanto-o-bolsa-familia-custa-para-o-seu-bolso/
.
E
tem mais dados sobre essas mitificações que a extrema-direita
neoliberal brasileira cria e propaga.
Mas
ele nunca ouviu falar disso? Estaleiro Atlântico Sul
https://pedesenvolvimento.com/2014/09/30/estaleiro-atlantico-sul-concentra-22-de-49-navios-petroleiros/,
polo industrial de
SUAPEhttp://www.suape.pe.gov.br/pt/infrastructure/infrastructure.php
(link2) http://www.suape.pe.gov.br/pt/negocios/mapa-interativo,
FIAT http://programapernambuco.fiat.com.br/
etc? Isto é "bolsa família", Mainardi? Ressuscitar a
indústria naval do país é "bolsa família"? Uma
multinacional automobilística é "bolsa família"? Vai se
tratar, cara. Deve ser esta de fato a razão da fúria da figura e de
gente que pensa como ele, a mudança de foco de investimentos no
país, ou no caso, o não esquecimento de uma região em detrimento
das outras. O 'bovino' do vídeo tá com "raivinha" por
isto? Eu creio que é mais provável que sim, o "bolsa família"
é só o vômito (desculpa) do ódio classista do indivíduo pra
externar este sentimento de raiva e descontentamento por não saber
ou não querer apontar as causas de fato disto. Isto pra citar o que
a gente mais conhece em só um estado, pois, o investimento foi geral
e também em outros estados de outras regiões como o petróleo no
Rio (Olimpíadas, etc.), enquanto o governo tucano de São Paulo pra
manter o próprio poder, com uma imprensa vendida e sem vergonha, se
isola nacionalmente com esse discursinho secessionista que mascara a
decadência por incompetência deste partido neoliberal, de uma elite
que já provocou guerra civil como a de 1932 contra a União (Estado
Brasileiro). Que jogou o próprio povo numa guerra fratricida como
bucha de canhão por seus interesses mesquinhos. O Mainardi e gente
como ele chiam com um programa social de erradicação de miséria e
pobreza mas nunca vi ele relinchar contra os juros altos e o repasse
disso a banqueiros, que provavelmente ele deve lamber a sola dos seus
sapatos. O "bolsa banco", o Mainardi e essa "classe
média/média alta/abastada" "limpinha" nunca reclamam
ou chiam, o negócio deles é ódio a pobres etc. O "bolsa
família" pra erradicar pobreza extrema é a "encarnação
do capeta", mas dinheiro pra rico e banco é "lindo"
pra esse pessoal. Interessante... antes disfarçavam, agora
escancaram esses "sentimentos primitivos". Aproveito e
deixo aqui uns links sobre os mitos difundidos sobre esta eleição
na mídia partidarizada do país:
Contra
a histeria: os 7 mitos da eleição
https://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/outras-palavras/contra-histeria-os-7-mitos-da-eleicao/
.
52%
x 48%: a mesma diferença nos EUA e no Brasil; mas compare as
manchetes...
https://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/radar-da-midia/52-x-48-mesma-diferenca-nos-eua-e-brasil-mas-compare-manchetes/
.
E
mais um adendo, o Nordeste não é um estado da federação, não tem
hino ou bandeira (sempre repito isso), se alguém conhecer o hino e
bandeira do Nordeste me avise, eu estou louco pra saber como é. Eu
sei como é a bandeira de Pernambuco, da Bahia, do Ceará, mas do
Nordeste eu desconheço. E Nordeste não é o "semiárido"
brasileiro, como Asa Branca não é a música tema do Recife (onde se
toca o frevo), Nordeste é antes de tudo uma região geográfica
criada na Era Vargas e só (conforme o link acima do livro
que trata disso) como o Sudeste etc. Nordeste pra história de
Pernambuco e demais estados é uma criação recente, e me irrita ver
pernambucanos repetirem esse discurso regional passando por cima da
identidade do Estado, não sou só eu que detesto isso, conheço
muita gente que odeia essa postura e combate, como os demais estados
da região não deveriam anular sua identidade local pra assumir uma
identidade cultural regional imposta por uma ditadura. Por isso que
eu rejeito essa identidade, não é por renegar a região e sim
porque jamais engolirei ou me submeterei à identidade imposta por
forasteiros e ditaduras. Eu sou de fato contra o preconceito
regional, vou até a raiz do problema, por isso que não gosto desta
babaquice de "nação nordestina" e essas invencionices
ridículas e caricatas que criam reforçando certos preconceitos
achando que estão combatendo. Colocam as pessoas como "algo à
parte" do país e o que os caras fazem? Reproduzem a caricatura
forjada se colocando como "algo à parte".
Falar
que "Nordeste" (além do erro de se referir a região e não
a estados, por pedantismo e burrice) é uma região subalterna ao
poder quando meu Estado foi o único estado do país desmembrado como
represália pela rebeldia (três revoluções em 1 século Link1,
Link2, Link3, área desmembrada de PE e anexada à Bahia Link2 fico
devendo o mapa mas dá pra achar fácil), foi o único estado do país
a de fato se separar do Brasil dominado por Portugal, quando do golpe
de 1964 já tinha tropas do exército em Pernambuco pra depor Arraes
com medo de focos de resistência (e foi, vide o atentado no
Aeroporto dos Guararapes) contra o golpe de estado, chega a ser
escárnio a ignorância bovina deste cidadão.
Mainardi,
não me faça rir do vídeo. Teve gente que ficou ofendida com isso,
eu realmente não sei se rio ou se fico com pena. Só acho que uma
emissora de TV jamais deve dar espaço a pessoas como você vomitar
essas asneiras em cadeia nacional.
Por
justamente ser rebelde, Pernambuco foi um estado bastante reprimido
militarmente, politicamente e economicamente pelos antigos governos
federais (Monarquia e República), porque representava um perigo pra
"ordem vigente" alinhada antigamente com Portugal, e depois
com o Reino Unido e Estados Unidos. Não há "bovinice"
alguma nisso, pelo contrário, vocês se pelam de medo do nome
"rebelde", "libertário" etc. Refiro-me a
libertário no sentido nobre do termo e não com a estultice que
esses liberais de araque (de meia tijela) do Brasil e dos EUA ficam
pregando.
SUAPE
(o porto e polo industrial) foi sabotado pelo presidente que o bovino
Mainardi e essas figuras esnobes deste programa idolatram, FHC
(Fernando Henrique Cardoso), o algoz de Pernambuco, que eu sempre
chamo de "sociólogo vendilhão" da pátria (cuidado que
ele pode privatizar teu olho se você estiver lendo este post) e por
todos os governos federais antes dele, só sendo de fato concluído
com Lula.
Aí
chega uma anta dessas em cadeia nacional e fala que o povo só votou
por "bolsa família", piada.
Por
sinal, este é um programa correto, que existe em vários países
desenvolvidos pra combater a pobreza. Isto é política de país
desenvolvido e que é tratada com ódio e desprezo por gente como
você, Mainardi, e que o candidato derrotado dele não ousou atacar
na campanha quando o partido dele chamava o programa de "bolsa
esmola" com um desprezo e ódio profundos, num reducionismo
atroz já que São Paulo é o segundo estado do país beneficiário
do programa sendo o estado mais rico da federação, isto sim caso de
estudo.
Mainardi,
você deve estar sabendo como está a Cantareira, não? Secando. Olha
a foto abaixo:
Mainardi,
dá uma olhada nas indústrias saindo de São Paulo pela falta d'água
provocada pelo partido que você e o empresariado (bovino) votaram:
Prevendo
crise hídrica em SP, empresas investem em outros Estados37
Seca
recorde pode afetar abastecimento de água de São Paulo até
outubro38
Mesmo
com chuva, níveis do Cantareira registram nova queda39
Sistema
Cantareira registra nova queda e chega a 12,7%40
Pois
duvido que empresariado de multinacionais embarcarem numa barca
furada dessas de ódio sectário por bovinice. Afinal, eles não
queimam dinheiro. Multinacional não fica com essa choradeira de
levar a sério propaganda e discurso da Guerra Fria de "perigo
cubano", "perigo bolivariano" e afins propagados por
um bando de imbecis. Os EUA não dão a mínima pra essas baboseiras
desde a queda da União Soviética (1991), tanto que é o maior
parceiro da China. Nunca vejo esses direitistas do Brasil neuróticos
com "comunismo", Venezuela, Chávez etc falarem da China. O
papo deles é até "China I Love You". Eles só falam
(malham) de Cuba, Venezuela, Bolívia e Coreia do Norte. E há
inclusive contornos racistas em certos comentários com a Venezuela e
Bolívia porque os líderes desses países não têm o biotipo
"nórdico" (europeu) que essa direita fascistoide enrustida
do Brasil idolatra. Você fala em "liberdade de imprensa" e
bla bla bla, mas veja o que seu papai propõe como liberdade
requentando discurso golpista da Guerra Fria: Mainardi e as Forças
Armadas: A quem serve a Guerra Fria? Vou parar por aqui. Viram por
que eu disse que a fala dele era um amontoado de idiotices? Agora,
como eu posso levar a sério quem leva um idiota desses a sério? A
gente evita endurecer o tom pra não ofender as pessoas, mas estamos
chegando a um patamar crítico onde fica cada vez mais difícil
evitar ofender. A discussão sobre política na internet está
ficando restrita a guetos por conta desse comportamento bovino,
agressivo que o cara do vídeo encarna. Se acha ele radical, já vi
piores. Pra se ter uma ideia do atoleiro da coisa, eu acho que tem
"revi" lá no Rodoh que perto desses caras passaria por
"humanista", e tá cheio de filhotes de Hitler por lá
(vejam o tamanho da cratera do problema). Um povo 'idiotizado' que só
lê revistas panfletárias e mídia partidarizada repetindo esses
discursos de forma paranoica como "verdades". E quando são
rebatidos, ficam furiosos e começam a xingar. Ele encarna o
comportamento infantilizado e grotesco de parcela da população, com
pouco apreço à democracia e conhecimento, com profundo rancor (ele
é visivelmente rancoroso, ressentido e amargo), mas que vive
rotulando quem é de esquerda, nacionalista democrático,
democrata/progressista etc como autoritário”.41
Não
parece que a questão do federalismo brasileiro, especialmente a
formação de novos Estados, seja uma saída verdadeira. Entende-se
que é justo certas reinvindicações regionais,
como, por exemplo, o peso e o valor do voto que é diferente e
desigual no que se refere ao pacto federativo. Mesmo assim, vem junto
uma série de ranços, preconceitos, discriminações, bairrismos,
que não ajudam e prejudicam a ideia de um país unido. A questão
geográfica, o bairrismo, não resolvem as questões de fundo, que
são os interesses de classe. Uma nova disposição administrativa do
país pode ajudar a repactuar a ideia de federação. Mesmo porque o
país precisa sempre atualizar o Estado enquanto suprassumo,
essência, fundamento do pacto federativo. E não estou falando do
tradicional e histórico equívoco das Forças Armadas que confundem
Estado com governança. Não são os militares que são os guardiões
da federação brasileira, como assim pensa a elite militar, mas o
povo.
“Meus
amigos, minhas amigas, meus caros leitores. Hoje vou falar de um
assunto muito delicado, polêmico, discriminatório, seríssimo e que
veio à tona mais uma vez, por ocasião das eleições deste ano.
Trata-se da falta de respeito, preconceito e discriminação que um
escritor e jornalista paulistano fez contra NÓS, o bravo e querido
povo nordestino. Assisti parte da entrevista deste cidadão e estou
INDIGNADO ! O escritor e jornalista, Diogo Mainardi, durante o
programa televisivo da Globo News, após a vitória da presidenta
Dilma, que teve uma excelente votação no Nordeste brasileiro, fez
infelizes críticas discriminatórias e preconceituosas contra o povo
do Nordeste. Ele disse, em alto e bom som, que o Brasil vai piorar,
deixou de ser o país do futuro e ficou no passado, pelo simples fato
de ter reelegido a presidenta Dilma e o PT. E culpou a NÓS
nordestinos, pelo simples fato de ter votado em Dilma, com uma
votação esmagadora e ter garantido a sua reeleição. Pode ? Disse
também, que o povo nordestino é retrógrado, subalterno com relação
ao poder, atrasado, pouco educado e instruído, de linguagem pouca
evoluída, sempre governista, que tem dificuldades para se
modernizar, e que vem saindo da miséria ultimamente, por que está
recebendo um dinheirinho ( como se fosse uma esmola ). Pode ?
Finalmente, disse ainda, que a liberdade de imprensa não funciona no
Nordeste e que seus verdadeiros valores só funcionam na parte de
baixo do país, ou seja, sudeste e sul. E chamou o povo nordestino de
BOVINO, isso mesmo, BOVINO ! E aí, caro leitor, o que você acha de
tudo isso ? Poucas e tímidas reações aconteceram contra esse
sujeito, que também disse, que antes de ser brasileiro, era
paulista. Já imaginou que “cabra de pêa” ! Soube que ele
depois, pediu desculpas esfarrapadas e quis justificar o termo
BOVINO, baseado nos currais eleitorais, voto de cabresto e compra de
votos, que ele diz, que a décadas acontece no Nordeste. Na verdade,
nas suas desculpas, a emenda ficou pior que o soneto ! Caro, Diogo
Mainardi. Como paraibano, nordestino e acima de tudo, brasileiro, NÃO
ACEITO as suas desculpas. Com todo respeito à sua família, BOVINO é
VOCÊ ! Aliás, vi a sua foto/imagem, e pude notar que existem bois e
vacas nas fazendas brasileiras, mais afilados, melhor alimentados e
mais educados do que você, seu “pôrra” ! Você feriu a alma de
um povo que deu origem ao Brasil e fez esse país crescer e se
desenvolver. Você só é gente, por que os nordestinos fizeram São
Paulo ser grande e forte. Você pode até não ter futuro, porém,
saiba que o Brasil tem futuro SIM e caminha na direção certa.
Respeite suas origens, seu sangue e seus conterrâneos brasileiros.
Estude melhor a nossa geografia política e verifique que o Nordeste
é mais Brasil do que você, seu “pôrra” ! Nunca fui
separatista, sempre fui um conciliador e lutador pelo fortalecimento
de nossa Federação, porém, não suporto mais, tanto preconceito e
discriminação contra o Nordeste e o nosso povo. Hoje, entendo
perfeitamente por que a nossa Elba Ramalho, cantou e bradou:“
IMAGINE O BRASIL SER DIVIDIDO E O NORDESTE FICAR INDEPENDENTE” !!!42
Em virtude de todas as discriminações e preconceitos que vem a
muito tempo acontecendo contra o povo nordestino e a nossa região,
ACHO, que já está na hora de realmente tornar o NORDESTE
INDEPENDENTE. Chega ! Não é mais possível escutar tantos adjetivos
desqualificantes à nosso respeito. Espero que nossos representantes
no Congresso Nacional, tenham CORAGEM de levantar esta bandeira e
lutar pela separação e independência do Nordeste. Independente dos
problemas do PT, votei em Dilma e respeito quem votou noutros
candidatos, afinal, alcançamos a nossa liberdade e vivemos numa
democracia, depois de inúmeros sacrifícios. Apesar dos pesares, o
Brasil está avançando SIM. Acredito na presidenta Dilma e espero
que ela realmente faça as profundas mudanças que o Brasil e seu
povo tanto desejam. Caro, Diogo Mainardi. Saiba que São Paulo não é
o dono do Brasil, nem você é filho do dono. O dono do Brasil são
TODOS os brasileiros, todos NÓS, inclusive, você ! Sem a menor
necessidade, só por causa de questões político-eleitorais, você
ficou revoltado e FERIU a alma da nossa região e do nosso povo.
Realmente, você merecia uma “surra” pedagógica em praça
pública !! Saiba também, que o povo nordestino, é um povo forte,
amigo, acolhedor, trabalhador, honesto, de muita fé em Deus e acima
de tudo, é um povo RESPEITADOR, porém, com todo respeito à raça
bovina, os nordestinos não vão ficar calados perante BOVINOS como
você … EXIGIMOS RESPEITO !! VIVA O NORDESTE INDEPENDENTE !!!!
43
“Já
que existe no sul esse conceito
Que o nordeste é ruim,
seco e ingrato
Já que existe a
separação de fato
É preciso torná-la de
direito
Quando um dia qualquer
isso for feito
Todos dois vão lucrar
imensamente
Começando uma vida
diferente
De que a gente até
hoje tem vivido
Imagina o Brasil ser
dividido
E o nordeste ficar
independente
Dividindo a partir de
Salvador
O nordeste seria outro
país
Vigoroso, leal, rico e
feliz
Sem dever a ninguém no
exterior
Jangadeiro seria o
senador
O cassaco de roça era
o suplente
Cantador de viola, o
presidente
O vaqueiro era o líder
do partido
Imagina o Brasil ser
dividido
E o nordeste ficar
independente
Em Recife, o distrito
industrial
O idioma ia ser
nordestinense
A bandeira de renda
cearense
"Asa Branca"
era o hino nacional
O folheto era o símbolo
oficial
A moeda, o tostão de
antigamente
Conselheiro seria o
inconfidente
Lampião, o herói
inesquecido
Imagina o Brasil ser
dividido
E o nordeste ficar
independente
O Brasil ia ter de
importar
Do nordeste algodão,
cana, caju
Carnaúba, laranja,
babaçu
Abacaxi e o sal de
cozinhar
O arroz, o agave do
lugar
O petróleo, a cebola,
o aguardente
O nordeste é
auto-suficiente
O seu lucro seria
garantido
Imagina o Brasil ser
dividido
E o nordeste ficar
independente
Se isso aí se tornar
realidade
E alguém do Brasil nos
visitar
Nesse nosso país vai
encontrar
Confiança, respeito e
amizade
Tem o pão repartido na
metade
Temo prato na mesa, a
cama quente
Brasileiro será irmão
da gente
Vai pra lá que será
bem recebido
Imagina o Brasil ser
dividido
E o nordeste ficar
independente
Eu não quero, com
isso, que vocês
Imaginem que eu tento
ser grosseiro
Pois se lembrem que o
povo brasileiro
É amigo do povo
português
Se um dia a separação
se fez
Todos os dois se
respeitam no presente
Se isso aí já deu
certo antigamente
Nesse exemplo concreto
e conhecido
Imagina o Brasil ser
dividido
E o nordeste ficar
independente
Povo do meu Brasil
Políticos brasileiros
Não pensem que vocês
nos enganam
Porque
nosso povo não é besta” 44
Alceu
Valença afirma que Diogo Mainardi tem "pensamento mais largo
que profundo". O que é um pensamento largo? O que é um
pensamento profundo? Evidentemente, trata-se de uma linguagem
poética, com a tradicional licença que o artista tem, de um certo
virtuosismo, de uma certa racionalidade45,
com certos limites estéticos e éticos que não cabe aos simples
mortais ficar questionando. Até onde os exageros grosseiros dessa
licenciosidade poética de cineasta podem conduzir a interpretações
erradas ou errôneas, do ponto de vista da ciência, certamente que
é uma questão a ser explorada46.
Até onde a licenciosidade poética precisa de uma fundação
semântica para procurar uma legitimação linguística?47
“Alceu
Valença usa o Facebook para rebater discurso preconceituoso de Diogo
Mainardi e diz que pedido de desculpas do ex-colunista da Veja “não
convenceu”. Músico ressaltou ainda personalidades nordestinas que
“orgulhariam qualquer região do nosso país e qualquer outra
nação”.
https://www.pragmatismopolitico.com.br/wp-content/uploads/2014/11/alceu-valenca-mainardi.jpg
. Foi através de sua página no Facebook que o músico pernambucano
Alceu Valença rebateu hoje as declarações polêmicas do jornalista
Diogo Mainardi sobre o povo nordestino. “Só hoje assisti ao vídeo
onde Diogo Mainardi declarou seu ódio preconceituoso contra nós,
nordestinos. Bovinos, subalternos, retrógrados, mal educados fizeram
parte do seu menu de ofensas. Em seguida, vi seu pedido de desculpas
que, sinceramente, não me convenceu. A história brasileira está
repleta de personalidades nordestinas que orgulhariam qualquer região
do nosso país e de qualquer outra nação”, escreveu o cantor. Em
seguida, iniciou uma lista de personalidades nascidas na região,
entre intelectuais, músicos, escritores e revolucionários. A
postagem já soma mais de 24 mil curtidas. Entre os comentários, fãs
de todo o país declaravam apoio ao músico e repudiavam o discurso
de Mainardi”.48
“Na
entrevista a seguir, concedida por telefone, Berenice Bento comenta
as “reações de ódio” aos nordestinos após a reeleição de
Dilma e lembra que “o preconceito aos nordestinos não é algo
inventado nestas eleições. Em São Paulo, falar que alguém fez uma
‘baianada’ é o mesmo que qualificá-lo como portador de pouca
inteligência. No Rio de Janeiro, o ‘baiano’ é transmutado em
‘paraíba’. Então, a desqualificação das pessoas, tomando como
referência a região, é algo recorrente”. Contudo, a reação
durante as eleições é explicada pela socióloga como um
preconceito contra o ex-presidente Lula. “O Partido dos
Trabalhadores tem como grande líder um nordestino, de origem pobre,
com pouco estudo e que não se envergonha de falar disso, que não
fez concessão à elite intelectual, no sentido de performatizar um
conhecimento acadêmico que não tem. (...) O ódio ao nordestino,
nesse contexto, tem outro texto: O ódio de classe que encontra no PT
e no Lula a materialização de um medo profundo de perder os
privilégios seculares baseados na exploração da força de
trabalho”, afirma. Berenice enfatiza ainda que é sem sentido
identificar o voto à Dilma com pessoas sem formação. “Quase 100%
dos reitores das universidades votaram pela reeleição da Dilma (e
não apenas os reitores das universidades nordestinas), a elite
intelectual do Brasil, a que faz pesquisa, que produz, que coloca o
Brasil nos periódicos científicos nacionais e internacionais e que
participa de eventos, não vou dizer 100% porque seria um absurdo da
minha parte, mas a grande maioria votou no PT. Por que isso? Porque
obviamente é um voto de interesse. Parte importante da classe média
alta, como, por exemplo, muitos professores de universidade com
salários na faixa dos 10 mil a 15 mil reais, votou na Dilma.
Portanto, aqui há outro erro em identificar a classe média
brasileira como eleitora do PSDB. Parte considerável desta classe
votou no PT”. Berenice Bento é professora da Universidade Federal
do Rio Grande do Norte - UFRN. Doutora em Sociologia e pós-doutoranda
na City University of New York (EUA/Bolsa do CNPq). Confira a
entrevista.
IHU
On-Line - Como interpreta as reações de xingamento e
desqualificação de pessoas por morarem em determinadas regiões do
país, ao longo das eleições? Após o resultado das eleições do
primeiro turno, os paulistas receberam muitas críticas por terem
reelegido Alckmin, e no segundo turno os nordestinos receberam muitas
críticas por terem votado em Dilma. O que isso revela sobre o
Brasil?
Berenice
Bento – Sobre os paulistas terem reeleito Alckmin, escutei
avaliações raivosas, esvaziadas, mas nada tão agressivo quanto os
comentários em relação à vitória de Dilma e, particularmente, a
centralidade que a figura do nordestino assumiu como suposto
responsável por supostamente manter o Brasil na contramão do
desenvolvimento, a exemplo da fala de Diogo Mainardi na Globo News.
Vale lembrar, contudo, que o preconceito aos nordestinos não é
algo inventado nestas eleições. Em São Paulo, falar
que alguém fez uma “baianada” é o mesmo que qualificá-lo como
portador de pouca inteligência.
No
Rio de Janeiro, o "baiano" é transmutado em “paraíba”.
Então, a desqualificação das pessoas, tomando como referência a
região, é algo recorrente. O grande fluxo de nordestinos para o
Sudeste é relativamente recente, remonta à segunda metade do século
XX. Desde o primeiro momento, os nordestinos foram fundamentais para
o projeto de modernização econômica do país. E é esta força de
trabalho formada por homens, mulheres e crianças que chegam aos
milhões, durante décadas, nas rodoviárias do Sudeste. As
figuras do "paraíba" e do "baiano" funcionam, de
certa forma, como uma nomeação externa interpelada pelos moradores
locais, uma forma de, através da linguagem, produzir muros
simbólicos entre os "nativos" (cariocas da gema, por
exemplo) e os outros. Além da pobreza que os nordestinos
representavam, há marcas corporais que são reiteradamente citadas
como mecanismo de produção de estigma: cabeça grande, o sotaque
cantado, a altura, as comidas que passam a ser consideradas marcas de
diferenciação negativadas. Enfim, um conjunto de
supostas características que são naturalizadas com dois propósitos:
ao negar qualquer inteligência a este corpo nordestino, o local (ou
seja, o paulista e o carioca) se constrói como superior. Com isso,
(...) o processo de construção de posições identitárias está
"condenado" a ser, desde sempre, relacional. O pensamento
hegemônico paulista e carioca precisa reiterar o lugar inferior do
nordestino para se produzir como espécies nobres no âmbito da nação
brasileira. O Brasil, portanto, seria o Rio de Janeiro, São Paulo, e
o resto, neste enorme campo de "restos", são os
nordestinos, que ocupam a posição mais inferior. Quando
falo em termos de "pensamento hegemônico", é para
destacar que há outros discursos que circulam, que discordam
completamente de se atribuir e definir comportamentos e identidades a
partir do local de nascimento e que fazem uma luta contra o
determinismo biológico, inclusive no Rio de Janeiro e São Paulo.
O que eu estou tentando apontar é que no momento pós-eleições
estas disputas discursivas ficaram mais claras, hiperbolicamente.
IHU
On-Line - Há mais discriminação em relação aos nordestinos do
que a pessoas de outras regiões do país?
Berenice
Bento – Para entendermos a rejeição a uma suposta forma de
ser nordestino, no dia a dia, e do ódio estampado nas caras e
palavras de algumas pessoas nos últimos dias, é necessário sair da
conjuntura e pensar esta disputa identitária nos marcos de uma
reflexão sobre a própria natureza das identidades. O tropo "região"
foi um mecanismo acionado pelos colonizadores para definir os lugares
dos corpos na hierarquia social, econômica, política e divina. A
fronteira é mais do que uma marcação física e objetiva. Os que
estão fora, para terem direito a entrar, devem passar por processos
de assimilação que deverão resultar em apagamento de seus
registros culturais, aprender uma nova língua, adorar um novo deus
para serem aceitos como membros de uma comunidade (seja o novo
estado, uma nação, ou mesmo em grupos identitários).
Por
que o ódio aos nordestinos? Porque eles são nordestinos. E
poderíamos brincar com a palavra norDESTINO. Aqui, a própria região
seria o destino. Nascer no Nordeste é trazer marcas que irão
definir a totalidade do ser, e nada se pode fazer para romper este
destino definido pelo local de nascimento. Ninguém consegue escapar
dos imperativos impostos pelo meio geográfico. Ou seja, o local de
nascimento seria o selo definitivo para explicar uma suposta
inferioridade. Pela lógica do determinismo geográfico, não é
preciso muito argumento: eles são como são porque são nordestinos.
Estamos diante, portanto, de uma sobrevivência do pensamento
colonizador. Isso também tem um efeito contrário: a valorização
de tudo que vem dos centros dominantes. O pensamento colonizador não
consegue olhar uma determinada dimensão da vida social e
complexificá-lo. Tudo se passa no âmbito do binarismo:
nordestino versus sudestinos (acho que eu acabei de inventar uma
palavra: "sudestinos"). Então, se congela o outro em uma
posição regionalizada. Essa seria uma possibilidade de explicação.
Ódio
aos nordestinos nas eleições.
Mas
gostaria de sugerir uma possível explicação para as manifestações
coletivas de ódio ao nordestino na atual conjuntura. Conforme
apontei, isso não é novo, o que parece assustador é a intensidade
dos insultos, que tiveram a cidade de São Paulo como principal
cenário. Acho que há um subtexto aí. O Partido dos
Trabalhadores tem como grande líder um nordestino, de origem pobre,
com pouco estudo e que não se envergonha de falar disso, que não
fez concessão à elite intelectual, no sentido de performatizar um
conhecimento acadêmico que não tem. Ele esfregou a sua diferença
na cara de uma elite que está de costas para o Brasil e olhando para
a Europa como o grande oásis da suposta existência pensante.
Nunca
na história do Brasil tivemos um presidente com uma origem de classe
como a de Lula. A política sempre foi assunto da elite econômica e
aos pobres cabia a função de votar em quem os coronéis (tanto
urbanos quanto rurais) mandavam. Acho que, por sua biografia, Lula
pode ser considerado como um herói dos tempos do capitalismo: alguém
que provou que com esforço pessoal é possível vencer, uma
narrativa que está impregnada, por exemplo, no imaginário dos
Estados Unidos. Ele foi para o Sudeste e conseguiu “dar a volta por
cima”. O que me parece interessante é que a elite brasileira
naturaliza de tal forma a pobreza e os pobres, que não consegue nem
fazer um discurso de reconhecimento dos esforços pessoais das
pessoas que subvertem seus destinos de classe social; ao contrário
dos valores estadunidenses, que se alimentam dos exemplos de
histórias de vida como as do Lula para continuar reproduzindo a
ideia de que o capitalismo é o melhor sistema do mundo, pois os
sujeitos têm liberdade para crescer e mudar seus próprios destinos.
A
elite econômica brasileira é feroz. Mas elite econômica
não é o mesmo que elite intelectual. Quase todos os reitores das
universidades públicas brasileiras declararam apoio à Dilma. Então,
o ódio ao nordestino, nesse contexto, tem outro texto: O ódio
de classe que encontra no PT e no Lula a materialização de um medo
profundo de perder os privilégios seculares baseados na exploração
da força de trabalho.
Dizem
que o ódio cega, isso é verdadeiro. Identificar o PT como um
partido comunista é uma completa desconexão com a realidade. O
mínimo, como, por exemplo, garantir que as pessoas tenham comida e
não morram de fome, no âmbito do programa FOME ZERO, é enxergado
como o máximo para a elite.
Passeatas
pela militarização.
Eu
também acho que é possível fazer uma leitura atravessada das
manifestações reivindicando o retorno da ditadura militar. Na
campanha anterior, a presidenta Dilma não tinha assumido com tanta
força o seu passado de ativista contra a ditadura, a tortura que
sofreu e a sua resistência. Nesta eleição, este passado foi
retomado com força, a exemplo do slogan "Dilma, coração
valente!". O pedido de retorno da ditadura me diz o seguinte:
Por que vocês não fizeram o trabalho completo, senhores militares?
Por que deixaram esta mulher sobreviver? Certamente, para uma
presidenta eleita democraticamente, que tem o passado dela, o pedido
de intervenção militar deve soar como uma profunda agressão.
Portanto, tanto no caso dos nordestinos quando no apelo ao
retorno da repressão, o desejo manifesto é atacar o PT, que, nesta
cegueira de classe, é identificado como um partido comunista.
IHU
On-Line - Qual é o impacto desse tipo de reação no processo
eleitoral? Acaba-se tendo uma influência muito mais emotiva do
que política?
Berenice
Bento - Durante as eleições, tudo está à flor da pele. A emoção
faz parte. Foi um processo histórico que nunca aconteceu antes. É
um momento rico e devemos ter mais serenidade para entender as
múltiplas intencionalidades e interesses que foram e estão sendo
postos em cena. Temos que evitar análises binárias entre uma
disputa entre PSDB e PT.
Tem uma diversidade a ser considerada. Há pessoas que votaram
no Aécio e veem o nordestino como uma figura abjeta, nojenta, que
tem de ser eliminada, mas, por outro lado, muitas pessoas
votaram nele porque simplesmente não suportam mais a ideia da
corrupção. O que nós tivemos no Brasil nos últimos anos foi
um massacre midiático: quase todos os dias manchetes nos jornais
mostravam corrupção, corrupção, corrupção. Um
julgamento pelo STF transmitido ao vivo, políticos sendo algemados e
encarcerados, tudo com ares de espetacularização.
Não
quero entrar aqui no debate de possíveis vias do Judiciário, mas
sim nos efeitos que esta avalanche de discursos em torno da corrupção
produziu nas subjetividades dos eleitores. Pós-eleições, por
exemplo, pessoas foram para a rua pedir o 'impeachment'
de Dilma, outros pedindo intervenção militar e outros, na mesma
manifestação, tinham faixas contra a corrupção e pela liberdade
de imprensa. Olha a contradição! Que tipo de unidade política
unifica este coletivo de gente que vai para as ruas? Como é possível
demandar intervenção militar e liberdade de imprensa? Daí eu
acreditar que não se pode lidar com os eleitores do PSDB como uma
"massa" uniforme. Então, existe uma diversidade de
intenções e desejos desse bloco que tem sido intitulado como
“direita”, e eu não concordo com este simplismo analítico.
Do
mesmo jeito acontece com quem votou no PT. Não se iluda. Muitos dos
que votaram no PT estão longe de assinar embaixo o conjunto das
ações do governo petista. É claro que o PT tem um ativismo
aguerrido, dedicado, mas está longe de representar a maioria dos
votos que a Dilma recebeu. Minha filha disse uma frase lapidar:
“Jamais vou perdoar o Aécio por ter me obrigado a votar na Dilma”.
Então, é isso, as pessoas votam, mas isso não significa que
se cristaliza uma posição pelo voto. Muitos ativistas dos
Direitos Humanos foram claros: o voto no menos pior. E no dia
seguinte à eleição começa o trabalho de pressão. Do mesmo modo,
muitas pessoas devem ter dito e pensado que jamais vão perdoar a
Dilma por terem votado no Aécio. Portanto, as binaridades não
nos ajudam a compreender as dinâmicas das relações sociais.
Em
plena eleição tem um escândalo envolvendo a maior estatal
brasileira, a Petrobras. Eu sou professora de uma universidade
pública e sou ativista dos direitos humanos em torno da questão das
sexualidades e dos gêneros, e me pergunto: o que foi o governo Dilma
para essa área? A conivência e o conchavo do PT para a
eleição do Marcos Feliciano para presidir a Comissão dos Direitos
Humanos não pode ser secundarizada. Por outro lado, eu
também sou professora de uma universidade pública e, por uma
questão ética, não posso negar as profundíssimas mudanças que
estão em curso nas universidades. Estou neste espaço há 30 anos,
seja como estudante ou professora. Nunca vimos nada parecido. As
cotas, o aumento de verbas para ampliação dos campus, a ampliação
da quantidade de bolsas de mestrado e doutorado, a abertura de novas
universidades, o Programa Ciências Sem Fronteiras, o ENEN.
Poderíamos
gastar horas e horas debatendo os problemas de cada um dos pontos que
acabei de citar. Apenas um exemplo: o Ciências Sem Fronteiras é
limitado a determinadas áreas do conhecimento. Isso é verdade, mas
o programa está criado. O que temos que fazer? Pressão política
para ampliação de recursos e do seu alcance. E ao reconhecer estas
mudanças positivas, não posso me calar diante dos problemas que
temos com os nossos salários, até porque parte considerável do que
recebemos aparece em nossos contracheques como "gratificação",
o que terá impactos tremendos na hora da aposentadoria.
Críticas
à imprensa.
Por
outro lado, nesta polifonia de reivindicações, tem uma coisa que
repete: “abaixo à Rede Globo”. Esse “abaixo à Rede Globo” é
abaixo à imprensa que manipula, não informa e deturpa. Uma coisa é
certa: a imprensa brasileira vive uma crise de legitimidade que
precisa ser discutida e mudanças implementadas. Tanto os eleitores
do PSDB quanto do PT têm denunciado as manipulações da Folha de
São Paulo, de O Globo, da Veja, da Rede Globo.
Quando
os jornalistas do Jornal Nacional estavam entrevistando os
candidatos, parecia que estavam conversando com bandidos, porque a
grande questão era fazer pegadinha, saber quando o candidato mentia,
quando, na verdade, o grande bandido (aquele que nos rouba o direito
a ver o contraditório e à informação qualificada) estava do outro
lado da bancada. No dia em que esta indignação contra a
imprensa se transformar, de fato, em propostas concretas do controle
social da imprensa por meio de mecanismos democráticos, podemos
pensar em um salto qualitativo na politização da nossa sociedade.
Apenas para ilustrar as artimanhas discursivas que a imprensa utiliza
para manipular a realidade, basta ver a ênfase (e ênfase aqui
significa repetição e repetição, quase como um mantra) dada à
frase "o Brasil saiu das (eleições) dividido". Mas isso é
uma brincadeira com a nossa inteligência, não pode ser levado a
sério, porque esta é a própria essência do capitalista: divisão
por classes, por gêneros, por raça. É impossível ter uma
sociedade capitalista que não tenha divisão. A imprensa
reforça essa dimensão da divisão agora para culpabilizar o PT. Mas
quando Collor foi eleito, houve uma celebração das elites
econômicas e políticas via seus porta-vozes costumeiros: a
imprensa, apontando a vitória da democracia. Agora que o debate
sobre democracia e justiça social apareceu com cores um pouco mais
fortes, se fala em divisão. O que era democrático, agora aparece
como negativado. Isto releva como se podem construir realidades a
partir da utilização de determinadas palavras. Antes, a
"democracia" era exaltada, agora é "divisão",
quase um chamado para a guerra. Isso me parece um truque na produção
de narrativas. Um truque sutil que a imprensa é craque em fabricar.
"As
pessoas votam, mas isso não significa que se cristaliza uma posição
pelo voto”.
IHU
On-Line - Como e em que medida esse discurso de xingamento impede ou
atrapalha, na prática, uma análise regional das eleições?
Berenice
Bento - O ódio aos nordestinos impede que se analise melhor o
resultado das eleições. E, mais uma vez, a imprensa falha
(intencionalmente) em não analisar os fatos. A presidenta
Dilma não obteve maioria dos votos apenas nos estados do Nordeste.
Mas, como eu disse, o ódio produz cegueira e surdez. Não há
diálogo possível com alguém que já começa um suposto diálogo
dizendo que você não merece viver, como eu escutei gritos de
pessoas nas ruas de São Paulo: "morte aos nordestinos!". E
quando há violência simbólica neste nível, a única mediação
possível é o Judiciário.
IHU
On-Line - Que políticas públicas o PT tem desenvolvido no
Nordeste ao longo desses 12 anos? É possível apontar
mudanças significativas na região após 12 anos de PT na
presidência?
Berenice
Bento – Posso falar das universidades que conheço de perto. Houve
uma ampliação dos campos universitários. Estou falando de
educação, de investimento em pesquisa. Estou nos Estados Unidos
fazendo pós-doutorado com financiamento público. Colegas
professores norte-americanos de universidades com grande prestígio
internacional não entendem como é possível que um país pobre, com
uma injustiça social profunda, mande seus estudantes com bolsa do
governo para estudar fora, não entendem como professores saem para
fazer um pós-doutorado com bolsa e com salário. Aqui, quando há
licenças sabáticas, geralmente o professor não recebe nenhuma
bolsa e o salário pode diminuir em até 50%. Não se pode
comparar o período desses 12 anos com o período de Fernando
Henrique, não tem como, as universidades estavam fechando,
departamentos que não podiam oferecer disciplinas porque professores
se aposentavam e não havia concursos para novas contratações.
É
sem sentido identificar o voto à Dilma com pessoas sem formação.
Quase 100% dos reitores das universidades votaram pela reeleição da
Dilma (e não apenas os reitores das universidades nordestinas), a
elite intelectual do Brasil, a que faz pesquisa, que produz, que
coloca o Brasil nos periódicos científicos nacionais e
internacionais e que participa de eventos, não vou dizer 100% porque
seria um absurdo da minha parte, mas a grande maioria votou no PT.
Por que isso? Porque obviamente é um voto de interesse. Parte
importante da classe média alta, como, por exemplo, muitos
professores de universidade com salários na faixa dos 10 mil a 15
mil reais, votou na Dilma. Portanto, aqui há outro erro em
identificar a classe média brasileira como eleitora do PSDB. Parte
considerável desta classe votou no PT.
IHU
On-Line - Deseja acrescentar algo?
Berenice
Bento- Precisamos de um pouco mais de tempo para entender realmente o
que está acontecendo. As coisas ainda estão confusas. Tantas coisas
aconteceram em tão curto espaço de tempo (milhões de pessoas foram
às ruas ano passado, a Copa e outras centenas de manifestações, as
eleições) e nós ainda estamos meio “nocauteados” com tudo
isso. Precisamos de mais tempo para entender as naturezas e os
alcances de toda esta fervura”.49
1Mestre
em História do Brasil.
3“O
orientalismo serviu com uma ferramenta legitimadora da exploração
colonial através de um trabalho de pesquisa pautado, antes de tudo,
na hipótese da inferioridade racial e cultural de todas as
civilizações não europeias. O seu objectivo, não assumido, foi a
busca da justificação do processo imperialista através do
discurso de redenção dos "primitivos, inferiores e
subdesenvolvidos". Tal prática mostrou-se amplamente nociva e
eficaz em criar um desinteresse absoluto em conhecer mais
profundamente as civilizações asiáticas e africanas, bem como de
trabalhar o medo e a desconfiança em relação aos dominados, cujas
sociedades eram tidas como "incultas, irracionais e perigosas".
Somente num período recente tal postura foi revista pelo
intelectual Edward Said, em cujo livro "Orientalismo"
ficam explícitos como tais expedientes atuam, até os dias de hoje,
na construção da imagem do mundo islâmico. Algumas áreas com
mais tradição em estudos asiáticos, como a sinologia e a
indologia, conseguiram de algum modo superar parte desta carga de
preconceito, mas a crítica de como as culturas orientais e
africanas são recebidas pelo público ocidental, em geral, continua
válida e atual, como bem demonstraram as reações aos eventos do
11 de Setembro e da Guerra do Iraque. Pode-se, portanto, afirmar que
o orientalismo – em sua tendência ortodoxa – foi uma das
teorias criadas em meio as ciências humanas que maior êxito
obtiveram em deturpar a mentalidade ocidental sobre o que
seria o "oriente", tornando-o exótico, misterioso,
problemático e perigoso, também possível alvo de guerras
ocidentais.[David M. Rosen, “Child Soldiers, International
Humanitarian Law, and the Globalization of Childhood,” American
Anthropologist, Vol. 109, Issue 2, 2007, p: 299]”.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Orientalismo
.
4Maury,
Alfred. Magia e Astrologia. Biblioteca Hermética. Rio de Janeiro:
Artenova, outubro, 1972, p. 110.
5Reza
Aslan: “Estamos vendo a reforma do islã ao vivo". Para o
historiador das religiões, a violência no mundo muçulmano, que se
espalha por todo o planeta, é resultado do conflito entre as muitas
vertentes do islamismo. RODRIGO TURRER. 03/02/2015 - 19h15 -
Atualizado 03/02/2015;
19h15https://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/02/breza-aslanb-estamos-vendo-reforma-do-isla-ao-vivo.html
.
621/02/2018
.
7Pesquisa
diz que, de 69 milhões de casas, só 2,8% não têm TV no Brasil. O
acesso à internet, a substituição de TVs de tubo e a posse de.
Publicado em 21/02/2018 – 10:00. Por Alana Gandra - Repórter da
Agência Brasil Rio de Janeiro; ebc. Edição: Kleber Sampaio.
http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2018-02/uso-de-celular-e-acesso-internet-sao-tendencias-crescentes-no-brasil
.
https://noticias.r7.com/brasil/sete-em-cada-dez-casas-tem-acesso-a-internet-no-brasil-diz-ibge-21022018
.
8Nordeste
na TV: um espelho primitivo. Rinaldo de Fernandes. Rinaldo de
Fernandes é autor de 10 livros, entre eles o romance Rita no Pomar
(indicado para o Prêmio São Paulo de Literatura/2009). Doutor em
Teoria e História Literária pela Unicamp e professor de literatura
na Universidade Federal da Paraíba.
https://www20.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2012/07/17/noticiasjornalvidaearte,2879639/nordeste-na-tv-um-espelho-primitivo.shtml
.
9Agosto
29, 2018.
10População
da região Nordeste teve queda em 2018, segundo IBGE. Neste ano, o
número de habitantes da região foi de cerca de 56 milhões. Quatro
estados tiveram diminuição na população; agosto 29, 2018 às
11:23 - Por: Redação OP9 com agências.
https://www.op9.com.br/ne/noticias/populacao-da-regiao-nordeste-teve-queda-em-2018-segundo-ibge/
.
11Da
Redação. redacao@correio24horas.com.br
. 27.10.2014, 21:32:00. Atualizado: 27.10.2014, 23:46:37.
Comentarista diz na TV que Nordeste é "retrógrado" e
"bovino". "Essa eleição é a prova de que o Brasil
ficou no passado", diz Mainardi.
https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/comentarista-diz-na-tv-que-nordeste-e-retrogrado-e-bovino/
.
http://www.conquistanews.com.br/comentarista-diz-na-tv-que-nordeste-e-retrogrado-e-bovino/
.
https://rd1.com.br/comentarista-da-globo-news-diz-que-nordeste-e-bovino-e-causa-polemica/
.
12http://www.portalimprensa.com.br/noticias/ultimas_noticias/69091/diogo+mainardi+pede+desculpas+por+declarar+que+povo+nordestino+e+bovino
.
http://esportes.r7.com/blogs/cosme-rimoli/hulk-defender-os-nordestinos-nao-e-compativel-com-a-cartilha-de-dunga-neymar-imitar-ronaldinho-e-desmoralizar-a-foto-oficial-do-barcelona-tudo-bem-29102014/
.
https://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/10/hulk-detona-mainardi-arrogante-respeite-o-nordeste.html
.
https://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/10/resposta-de-um-nordestino-contra-o-preconceito-viraliza-na-internet.html
. https://youtu.be/0rBCKrgO3vg
.
https://jornalggn.com.br/noticia/deputados-denunciam-mainardi-ao-ministerio-publico
.
http://fabiano-amorim.blogspot.com/2014/11/apos-massacre-nas-redes-sociais-diogo.html
.
https://www.ocafezinho.com/2016/10/26/atriz-ofende-nordestinos-calem-boca-que-nos-ja-pagamos-o-bolsa-familia-de-voces/
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https://jornalggn.com.br/noticia/atletas-propagam-intolerancia-e-ana-moser-os-repreende
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http://poderonline.ig.com.br/index.php/2014/11/06/deputados-vao-ao-ministerio-publico-contra-diogo-mainardi/
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http://www.taperatv.com.br/entretenimento/apos-polemica-diogo-mainardi-pede-desculpas-a-hulk-e-ao-nordeste/
. http://www.focandoanoticia.com.br/tag/hulk/
. http://www.santacruz24h.com/2014/10/
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13TV
Regional/Local ganha cade vez mais força no Nordeste. POR NEUBER
FISCHER @NEUBERFISCHER - 13/10/2013.
https://observatoriodatelevisao.bol.uol.com.br/critica-de-tv/2013/10/tv-regionallocal-ganha-cade-forca-nordeste
.
14Discretamente,
Globo deixa de usar nomenclatura Globo Nordeste em Recife. GABRIEL
VAQUER 28/04/2017 | 08:00.
http://tvhistoria.com.br/NoticiasTexto.aspx?idNoticia=3540
.
15Band
unifica sinal no Nordeste e cria rede regional a partir de 1º de
setembro. POR GABRIEL VAQUER – 27/08/2018.
https://observatoriodatelevisao.bol.uol.com.br/noticia-da-tv/2018/08/band-unifica-sinal-no-nordeste-e-cria-rede-regional-a-partir-de-1o-de-setembro
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17ALBUQUERQUE
JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes.
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500f. Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas,
Instituto de Filosofia e Ciencias Humanas, Campinas, SP. Disponível
em: <http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/280137>
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18ALBUQUERQUE
JÚNIOR, Durval Muniz de. Gênero, o nordestino, a masculinidade,
identidade e cultura [Entrevista]. O que é que tá rolando? Com
Durval Muniz. (28’34”). WebTvUnebJuazeiro. Disponível em
19ALBUQUERQUE
JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes.
São Paulo: Cortez, 2011.
20ALBUQUERQUE
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São Paulo: Cortez, 2011.
21ALBUQUERQUE
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São Paulo: Cortez, 2011.
23
Linguística Aplicada .
24
Linguística Aplicada .
25
Linguística Aplicada .
26ALBUQUERQUE
JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes.
São Paulo: Cortez, 2011.
27ALBUQUERQUE
JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes.
São Paulo: Cortez, 2011.
28ALBUQUERQUE
JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes.
São Paulo: Cortez, 2011.
29ALBUQUERQUE
JÚNIOR, Durval Muniz de. Gênero, o nordestino, a masculinidade,
identidade e cultura [Entrevista]. O que é que tá rolando? Com
Durval Muniz. (28’34”). WebTvUnebJuazeiro. Disponível em <
https://www.youtube.com/watch?v=Vq1Gfrjd5Ic >.
30ALBUQUERQUE
JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes.
São Paulo: Cortez, 2011.
31ALBUQUERQUE
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São Paulo: Cortez, 2011.
32REFERÊNCIAS
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discurso político e relações de poder [Trabalho de Conclusão de
Curso). Ufal: Delmiro Gouveira, 2016, p. 22-34.
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O SERTÃO POR MEIO DA LINGUAGEM”. 30 DE JUNHO DE 2018 / LÍNGUA
DINÂMICA. Aucilane Santos Aragão [Mestranda pela Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE) Campus Recife]. (Licenciatura em
Letras Português pela Universidade Federal de Alagoas – UFAL,
‘campus’ do Sertão, unidade de Delmiro Gouveia – AL).
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.
34UNIVERSIDADE
DE BRASÍLIA. FACULDADE DE COMUNICAÇÃO. PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
EM COMUNICAÇÃO. Cidadania e noticiabilidade: O protesto como
conflito e infração nos jornais impressos brasileiros (1983 –
2013). Vanessa Beltrame. Brasília, 2017. UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA.
FACULDADE DE COMUNICAÇÃO. PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM
COMUNICAÇÃO. Vanessa Beltrame. Cidadania e noticiabilidade: O
protesto como conflito e infração nos jornais impressos
brasileiros (1983 – 2013). Dissertação de Mestrado apresentada
ao Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação da
Universidade de Brasília, como parte dos requisitos necessários à
obtenção do título de Mestra em Comunicação Social pela linha
de pesquisa Jornalismo e Sociedade. Orientador: Prof. Dr. David
Renault. Brasília, 2017. Cidadania e noticiabilidade: O protesto
como conflito e infração nos jornais impressos brasileiros (1983 –
2013). Vanessa Beltrame. Orientador: Prof. Dr. David Renault.
Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação
em Comunicação Social da Universidade de Brasília, como parte dos
requisitos necessários à obtenção do título de Mestra em
Comunicação Social pela linha de pesquisa Jornalismo e Sociedade.
Banca examinadora: Prof. Dr. David Renault —
Orientador.Universidade de Brasília (FAC/UnB). Profª. Drª. Elen
Cristina Geraldes.Universidade de Brasília (FAC/UnB). Dr. Francisco
Cláudio Corrêa Meyer Sant'Anna.Senado Federal/TV Senado.Profª.
Drª. Márcia Marques — Suplente. Universidade de Brasília
(FAC/UnB).
http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/23297/1/2017_VanessaBeltrame.pdf
.
36O
SR. CHICO ALENCAR (PSOL-RJ. DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E
REDAÇÃO. SESSÃO: 241.4.54.O. DATA: 04/11/14.TURNO: Vespertino.
TIPO DA SESSÃO: Deliberativa Ordinária – CD. LOCAL: Plenário
Principal – CD. INÍCIO: 14h. TÉRMINO: 18h53min .
http://www.camara.leg.br/internet/plenario/notas/ordinari/2014/11/V0411141400.pdf
.
41A
mídia brasileira expele preconceito abertamente sem regulação ou
punição. O caso Mainardi. Quinta-feira, 30 de outubro de 2014.
http://holocausto-doc.blogspot.com/2014/10/a-midia-brasileira-expele-preconceito-abertamente-sem-regulacao-ou-punicao-o-caso-mainardi.html
.
43terça-feira,
4 de novembro de 2014. Galdino: Caro Diogo Mainardi, retrógrado e
bovino é você, seu “pôrra”! Por Rui Galdino Filho (Advogado e
comentarista); às novembro 04, 2014.
http://rpscom1.blogspot.com/2014/11/rui-galdino-caro-diogo-mainardi.html
.
44Compositores:
VILA NOVA IVANILDO / BRAULIO FERNANDES TAVARES NETO. Letra de
Nordeste Independente (Imagine o Brasil) © LATINO EDITORA MUSICAL
LTDA. Artista: Elba Ramalho. Álbum: Do Jeito Que a Gente Gosta.
Data de lançamento: 1984.
https://www.youtube.com/watch?v=8lWo4UQrTXE
.
45SAMPAIO,
Heliodório. 10necessárias falas: cidade, arquitetura e urbanismo.
SciELO - EDUFBA, 1 de jan de 2010; p. 102.
46Michael
BEGON, Colin R. TOWNSEND , John L. HARPER. Ecologia: De individuos a
ecossistemas. Artmed Editora, 1 de jan de 2009; p. 432-433.
47O
eterno deus Mu dança! Gilberto Gil.
http://www.gilbertogil.com.br/sec_disco_info.php?id=318&letra
48Redação
Pragmatismo.Editor(a). CONTRA O PRECONCEITO. 06/NOV/2014 ÀS 19:21.
Alceu Valença diz que Mainardi tem "pensamento mais largo que
profundo".
https://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/11/alceu-valenca-diz-que-mainardi-tem-pensamento-mais-largo-que-profundo.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+PragmatismoPolitico+%28Pragmatismo+Pol%C3%ADtico%29
49Binaridades
não ajudam a entender as relações sociais manifestadas nas
eleições. Entrevista especial com Berenice Bento. REVISTA IHU
ON-LINE; 21 Novembro 2014.
http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/537683-binaridades-nao-ajudam-a-entender-as-relacoes-sociais-manifestadas-nas-eleicoes-entrevista-especial-com-berenice-bento
.
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