PT, o norte e o Nordeste, Grande Medo, obscenidade da palavra, corpo do povo negro e do índio, Carnavalização do Brasil- III



Cláudio Antunes Boucinha1



Observando a discussão sobre o Nordeste brasileiro, em que surge a necessidade de novos conceitos, de novas abordagens, de temas, de outro olhar; fez lembrar as discussões que Reza Aslan e outros, como Edward W. Said2, em sua crítica do “Orientalismo”3. É preciso repensar o que se pensa sobre o que se denomina de “nordeste”, até mesmo se essa regionalização, da época de Vargas, ainda vale. Se vale, quais são os limites e possibilidades do conceito de “nordeste”. A ideia de “nordeste”, do jeito que está, cria uma falsa contradição, com o “sudeste”, ou até mesmo o “sul”. Nesse sentido, os interesses de classe ficam escamoteados em torno de uma falsa contradição, entre regiões do Brasil, num verdadeiro determinismo geográfico. Na verdade, ao imaginar a “nordestinação” do país, usa-se um regionalismo para esconder os verdadeiros interesses de classe.
A visão de Reza Aslan sobre religião aproxima-se da visão materialista de história, em que os homens fazem as religiões. Na verdade, já foi detectada diferença de discursos na Bíblia, fruto de diferentes pensamentos. Não é um problema de leitura ou de interpretação pessoal à maneira de Lutero, mas de construções de discursos de origens diferentes. Esses dois ou mais discursos, por vezes, são contraditórios e não podem ser atenuados ou minimizados, para que baste a fé como critério. No entanto, “as más paixões tomavam a máscara da religião, e procurava-se despojar outras, que se acusava de Paganismo” 4. Ou seja, a religião pode servir de artifício, de instrumento, de máquina, de máscara, para outros objetivos que não é a fé mesma; interesses mesquinhos, poder, ou até mesmo ocultos, de outra ordem, recalcados, reprimidos, doentios.


“O historiador iraniano americano Reza Aslan se tornou um 'best-seller' com Zelota (308 páginas, Editora Zahar, R$ 38), livro polêmico em que retrata Jesus Cristo como um revolucionário. Ele gosta de uma briga. Toda vez que aparece na televisão americana para falar sobre o assunto no qual se especializou, as religiões, há repercussão. Depois dos atentados terroristas em Paris, em 7 de janeiro, Aslan voltou a provocar controvérsia ao dizer que o islamismo não é responsável pelo crime. “Religiões não promovem violência ou paz. As pessoas são violentas ou pacíficas, e elas trazem esses valores para as religiões”, afirma, em entrevista a ÉPOCA. “Esse é o poder da religião: ela é infinitamente maleável.”
ÉPOCA — O senhor diz que religiões não promovem a violência. É difícil acreditar nisso, num mundo assolado por atentados promovidos por radicais religiosos, não acha?
Reza Aslan – Digo que as religiões não promovem violência ou paz. As pessoas são violentas ou pacíficas, e elas trazem esses valores para as religiões. Duas pessoas podem olhar para o mesmo trecho da Bíblia e sair com ideias completamente diferentes, fazer leituras pacíficas ou violentas. A religião depende diretamente da pessoa que a interpreta. As pessoas enxertam seus valores e suas ideias nas religiões, muito mais do que absorvem [...]. Nos Estados Unidos, apenas dois séculos atrás, proprietários de escravos e abolicionistas não apenas usavam a mesma Bíblia para justificar seus pontos de vista conflitantes, como […] os mesmos versículos. Este é o poder da religião: ela é infinitamente maleável. Não lemos as escrituras há 5 mil anos porque elas são verdadeiras. Nós as lemos porque elas são capazes de refletir a necessidade de constante evolução de uma comunidade, de um indivíduo ou de uma ideologia política. Há cristãos nas colinas da Guatemala que veem Jesus como um guerreiro libertador que pega em armas contra o opressor. […] há também os cristãos do Meio-oeste dos Estados Unidos, que acreditam que Jesus quer que você dirija um Bentley. Os dois estão certos. É por isso que a religião importa.

ÉPOCA — Essa ideia não parece tão clara quando se trata do islamismo. Temos a impressão de que há muito mais islamistas cometendo atrocidades em nome da religião do que cristãos, judeus, budistas, hindus. Por quê?
Aslan – É verdade que a maior parte da violência que vemos, vem de uma região do mundo, e a […] desses ataques é cometida por seguidores do islã, ou melhor, de uma vertente do […], o wahabismo, a versão puritana e extremista do (…) da Arábia Saudita. Esse é o islã do Estado Islâmico, do Boko Haram, da Al-Qaeda, do Taleban. Todos esses grupos terroristas bebem na mesma fonte. Mas é incorreto dizer que há mais violência cometida em nome do islã do que em nome de outras religiões. Na Europa, ao longo dos últimos seis anos, apenas 6% dos ataques terroristas foram cometidos por muçulmanos. Mais de 40% foram cometidos por grupos neonazistas. Na Nigéria, grupos cristãos massacram fiéis de outras religiões. Em Myanmar, há monges budistas radicais que assassinam mulheres e crianças. Quando olhamos apenas para uma região, temos uma visão parcial. […] é incorreto pensar que tal região, ou religião, padece mais de extremismo religioso do que outra. [Reza Aslan: "Jesus era como os outros messias" https://epoca.globo.com/tempo/noticia/2013/12/breza-aslanb-jesus-era-como-os-outros-messias.html ].
ÉPOCA — A Arábia Saudita é responsável pela ascensão do radicalismo e do terrorismo islâmico?
Aslan – Sem dúvida. O wahabismo, essa vertente ultraortodoxa, puritana e pseudorreformista do islamismo sunita, começou na Arábia Saudita, na metade do século XVIII, fundada pelo clérigo Mohamed Ibn Abdul Wahab. É uma religião que prega a volta ao culto monoteísta puro do islã e que chama todos os outros religiosos, islâmicos ou não, de apóstatas. Os sauditas gastaram US$ 100 bilhões nos últimos anos para espalhar essa vertente do islamismo pelo resto do mundo, construindo escolas e mesquitas wahabistas. Não há um canto do mundo em que haja muçulmanos que não tenham sido inundados por dinheiro saudita e por propaganda religiosa […]. Eles criaram um vírus que se espalhou por todo o mundo muçulmano. Quando você tem um vírus, você precisa erradicar a fonte. Bem, o mundo sabe qual a fonte desse vírus. São os melhores amigos dos Estados Unidos. É absurdo que um país que patrocinou a ascensão de uma ideologia responsável pela morte de centenas de milhares de pessoas não seja responsabilizado por ela. Ao contrário, continua sendo prestigiado. Quando o rei Abdullah, monarca da Arábia Saudita, morreu na semana passada, o presidente Barack Obama, o secretário de Estado John Kerry e uma dúzia de integrantes do alto escalão do governo americano foram à Arábia Saudita para homenageá-lo. Sem (…) que Abdullah comanda um país que decapita 80 pessoas por ano, condena a 1000 chibatadas quem manifesta suas opiniões, impede as mulheres de dirigir e de votar e patrocina o terrorismo global. Isso não é estranho? Se a Arábia Saudita não fosse o maior produtor de petróleo do mundo, seria tratada como a Coreia do Norte, com asco, rejeição e sanções internacionais.
ÉPOCA — Em que o wahabismo e seus seguidores se diferem da ideologia do Hamas e da Irmandade Muçulmana?
Aslan – A Irmandade Muçulmana e os grupos a que ela deu origem, como o Hamas, são islamistas. O islamismo é uma ideologia nacionalista e uma filosofia política que serve de base para um nacionalismo religioso e pretende criar Estados regidos por uma lei islâmica. É claro que esse (…) de islamismo tem várias formas. O Hezbollah é uma organização islamista, mas o Ennahda, na Tunísia, também é. O primeiro é uma organização terrorista, o outro é um partido democraticamente eleito. O islamismo político tem várias formas e tamanhos, mas todos, […], querem construir um Estado, com fronteiras e soberano. O Hezbollah não existe fora do Líbano. O Hamas não tem uma ideologia fora da Palestina. A Irmandade Muçulmana não tem uma ideologia fora do Egito. Já 'Ísis' (antiga sigla para o Estado Islâmico do Iraque e do Levante), Al-Qaeda, Boko Haram e outros do gênero são movimentos jihadistas. É o exato oposto de um islamista. Um islamista quer construir um Estado. Um jihadista quer livrar-se de todos os Estados, islâmicos ou não. Os jihadistas são globalistas e querem reconstituir um mundo inteiro sem fronteiras, sem nacionalidades, sem Estados. Eles querem voltar ao século VII e criar um mundo islâmico. É isso que eles chamam de califado.
ÉPOCA – Mas ambos acreditam que usar a violência é o caminho para atingir seus objetivos, não?
Aslan – Depende. O Ennahda não é violento, nunca foi. Chegou ao poder de forma democrática na Tunísia. A Irmandade Muçulmana, nas décadas recentes, também não foi violenta, ao contrário. Tem sido perseguida pelo governo militar no Egito. Tudo depende de e para onde você olha. É claro que o Hamas e o Hezbollah são organizações terroristas que cometem crimes. Mas lutam por coisas completamente diferentes. O termo Estado Islâmico, inclusive, não faz sentido, porque o 'Isis' não quer um (…), eles querem o mundo todo. Hamas, Hezbollah, Isis e Al-Qaeda não são a mesma coisa. Ao contrário. O Hamas luta contra o Isis. A Al-Qaeda é inimiga da Irmandade Muçulmana. Não é uma diferença pequena. É preciso entender essas diferenças para ganhar a guerra contra o terrorismo.
ÉPOCA – O historiador Paul Johnson afirma que o judaísmo e o cristianismo passaram por reformas, enquanto o islã não. Na verdade, o islã parecia muito mais secular e avançado há 100 anos do que hoje. O islã precisa de uma reforma?
Aslan – Primeiro, é ridícula a ideia de que o cristianismo e o judaísmo passaram por reformas e agora seus praticantes são pacíficos, alegres e confraternizam plenamente. Há inúmeras discordâncias dentro dessas religiões, há violência e assassinatos, apenas não estamos prestando atenção nisso. Em segundo lugar, as pessoas não entendem o que uma reforma religiosa significa. A reforma cristã levou à Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e à morte de metade da Alemanha. Atenção: metade da população da Alemanha morreu durante a reforma do cristianismo. As pessoas enxergam as reformas como eventos em que todos se juntam, dão as mãos, se abraçam e cantam. Reformas são eventos sangrentos, violentos, catastróficos. O que você (…) está acontecendo (…) no mundo muçulmano? Isso é a reforma do islã. Estamos vendo a reforma do islã acontecer ao vivo. É por isso que há tanta violência. Uma reforma significa um embate entre instituições e indivíduos sobre quem tem a autoridade para definir os dogmas de uma fé. Esse é um processo violento. As pessoas olham para o mundo muçulmano, veem a violência e dizem: o islã precisa de uma reforma. A violência que vemos hoje é o resultado da reforma do islã. Os muçulmanos estão vivendo sua reforma neste instante. São (…) vertentes, sunitas e xiitas, se digladiando por espaço. Se você vivesse na Alemanha do século XVI, provavelmente (…) o mundo acabaria. É isso que está acontecendo no islã”. 5


Há uma disparidade tecnológica que alimentou um universo diferente do que ocorreu no resto do país, que ficou imune a “Fake news” do WhatsApp e do Facebook, que reforçou uma ideia conservadora do eleitorado, que já votava no (PT)?

“Divulgada hoje (216) pela primeira vez pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2016: acesso à ‘internet’ e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal confirma o que foi sinalizado por outros estudos do órgão. O acesso à ‘internet’, a substituição de TVs de tubo e a posse de celular são tendências crescentes no país. A pesquisa abrangeu 211 344 domicílios particulares permanentes em 3,5 mil municípios. Realizada no último trimestre de 2016, a sondagem apurou que - de 69,3 milhões de domicílios particulares permanentes no Brasil - apenas 2,8%, ou 1,9 milhão, não tinham televisão, com destaque para o Norte do país, onde o percentual é o mais elevado (6,3%). Por outro lado, no total de 67,373 milhões de domicílios com televisão no Brasil, existiam 102 633 milhões de televisões. E 63,4% eram de tela fina e 36,6% de tubo, com o primeiro tipo em 66,8% dos domicílios e o segundo, em 46,2%. Os maiores percentuais foram encontrados para televisão de tela fina nas regiões Sudeste (73,8%), Sul (71,1%) e Centro-Oeste (69,1%). No Nordeste, os percentuais ficaram equiparados: 54,2% dos domicílios tinham TV de tela fina e 54,3%, televisores de tubo. A gerente da pesquisa do IBGE, economista Maria Lúcia Vieira, disse à Agência Brasil que a tendência é ir diminuindo a presença de televisões de tubo nas casas dos brasileiros porque já não se fabricam mais esses aparelhos. Eles estão sendo substituídos por TVs de tela fina, tipo LED, LCD ou plasma. O poder aquisitivo dos habitantes do Sudeste, Sul e Centro-Oeste explica o maior percentual de domicílios com televisões de tela fina nessas regiões. “Porque são televisões mais recentes, mais novas, mais caras”, justificou a pesquisadora. Sinal digital para televisão aberta. No quarto trimestre de 2016, o Brasil tinha 37,6 milhões de televisões de tubo, que necessitariam de adaptação para receber o sinal digital de televisão aberta. O acesso ao sinal digital ocorreria por meio de televisões novas de tela fina, que já estão vindo com conversor integrado, ou adaptando conversores nas TVs de tubo. Outras alternativas são ter TV por assinatura que forneça sinal digital ou possuir antena parabólica. Maria Lúcia lembrou que, recentemente, foram distribuídos gratuitamente no Rio de Janeiro aparelhos conversores para famílias que recebem o Bolsa Família. Considerando todos os domicílios que não têm TV com conversor, com antena parabólica ou por assinatura, chega-se a 7 milhões de domicílios. Maria Lúcia disse que se o sinal analógico fosse desligado, esses domicílios estariam descobertos. “Seriam, aproximadamente, 6,9 milhões de domicílios, o que corresponde a 10,3% do total de endereços com televisão”. Esses domicílios não têm alternativa para não ficar no apagão caso ocorra o desligamento do sinal analógico. “É a população alvo das políticas do governo”, disse. A pesquisa mostra, ainda, que, enquanto a média no Brasil quanto à forma de recepção do sinal de televisão por antena parabólica e por serviço de televisão por assinatura estava praticamente equiparada àquela época (34,8% e 33,7%, respectivamente), o mesmo não ocorria nas regiões brasileiras. As regiões Norte e Nordeste apresentavam percentual muito maior de recepção do sinal de TV por antena parabólica (41,1% e 48,2%) do que de TV por assinatura (21% e 18,4%). Já no Sudeste, constatou-se o contrário: 44,8% dos domicílios com televisão recebiam o sinal por serviço de TV por assinatura contra 24,8% por antena parabólica. “Isso tem a ver com a infraestrutura da região porque a estrutura para montar antena parabólica é mais barata que TV a cabo”, observou a economista do IBGE, em relação aos resultados observados no Norte e nordeste. A isso se soma a questão da renda mais baixa nessas regiões. Computador atinge 45,3% dos domicílios permanentes.
O estudo do IBGE constatou a existência de microcomputadores em 45,3% dos domicílios particulares permanentes e somente 15,1% com tablet, o que equivale a um terço dos primeiros. “Mas comparando as regiões Norte/Nordeste com Sul/Sudeste, são patamares bastante diferentes”, observou Maria Lúcia. No Sul/Sudeste, 53,5% e 54,2% dos domicílios, respectivamente, tinham computadores, enquanto no Norte e no Nordeste esses números não chegavam a 30%. “Também tem a ver com a questão do preço do equipamento mais caro”, completou. Em termos de telefones nas casas, a pesquisa revelou que alcançava 33,6% o total de domicílios com telefone fixo convencional em 2016. Esse número sobe para 92,6% quando se trata de telefone móvel celular. A pesquisadora destacou que o acesso à internet, em todas as regiões, era feito por meio do celular. “Mais de 90% das pessoas que acessam a internet usam o celular. E é maior a questão do acesso por celular no Norte (98,8%) e Nordeste (97,8%), porque é onde não tem o microcomputador”. Quando se analisa a finalidade de utilização do celular para acessar a internet, verifica-se que o principal motivo citado pelas pessoas foi para enviar mensagens de texto e vídeo por aplicativos diferentes de e-mail, totalizando 94,2%. Em seguida, com 76,4%, vem a finalidade de assistir a vídeos, inclusive programas, séries e filmes. Para isso, contribuem alguns fatores, como a portabilidade, isto é, a pessoa carrega o celular com ela, além da praticidade de dar respostas rapidamente. Mensagens de texto por celular. No conjunto de 179,424 milhões de pessoas de dez anos de idade ou mais no Brasil, 64,7% usaram a internet nos três últimos meses que antecederam ao levantamento no domicílio, sendo 65,5% mulheres e 63,8% homens. “Quase todo mundo que utiliza o celular para acessar a internet o faz para enviar e receber mensagens de texto”. A parte da população que dispunha de celular para uso pessoal com acesso à internet foi mais elevada no contingente ocupado (83,2%) do que no não ocupado (71,1%). O mesmo ocorreu em relação ao nível de instrução. No grupo sem escolaridade, o indicador situou-se em 43,6%. Já no grupo com ensino superior completo, alcançou 97,5%. “As atividades que estão mais relacionadas com estudo, com pesquisa, com maior escolaridade são os grupamentos com maior percentual de pessoas que acessavam a internet”, disse. Para o Brasil, os dois motivos mais citados para a não utilização da internet foram não saber usar (37,8%) e falta de interesse em acessar (37,6%). Nas regiões Sudeste e Sul, que têm estrutura etária mais envelhecida, a principal razão alegada foi a falta de interesse, superior a 40%. Já nas regiões Norte e Nordeste, com população mais jovem e que acessa mais a internet, o motivo principal alegado foi não saber usar a rede, correspondendo a 33,7% e 40%, respectivamente. No Nordeste, a explicação é que o serviço de acesso à ‘internet’ é caro (16%). “A questão do preço parece ter um efeito negativo para a região”, afirmou Maria Lúcia. Em todo o país, no período pesquisado, 41,104 milhões de brasileiros não tinham telefone móvel celular para uso pessoal, o equivalente a 22,9% da população com dez anos ou mais. As justificativas apresentadas, como aparelho telefônico caro (25,9%), falta de interesse em ter celular (22,1%), usar o aparelho de outra pessoa (20,6%) e não saber usar o telefone móvel celular (19,6%) somaram 88,2%, segundo o IBGE. Já na Grã-Bretanha, a falta de interesse e desconhecimento constituem a principal razão para a ausência de acesso à ‘internet’ (64%), seguida da falta de habilidades (20%), de acordo com dados fornecidos pelo coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. No Chile, os principais motivos para não ter internet no domicílio são a pouca relevância, que atingiu 62% na área urbana, seguido pela usabilidade (66,8% na área rural) e custo do serviço (acima de 22%, tanto na cobertura urbana como rural).O telefone móvel celular para uso pessoal cresce até a faixa entre 25 anos e 29 anos de idade, em torno de 88,6%, e depois começa a reduzir. No caso do acesso à ‘internet’, Maria Lúcia informou que o maior percentual foi encontrado no grupo de 18 anos a 19 anos (…) . A gerente da pesquisa concluiu que as pessoas estão cada vez migrando mais para acessar a ‘internet’ pelo celular, embora continuem acessando pelo computador também. “A facilidade favorece isso. O celular está à mão”, finalizou”.7


Será que o problema é outro, o nordeste mudou, e a TV não.

“A Ano após ano, década após década. Na TV o nordestino é sempre o mesmo, com seus “visses” e “oxentes”, que, realçados, imprimem o tom jocoso. A fala, os gestos e sentimentos de personagens que representam nordestinos são sempre risíveis, rebaixados, já não pelas tintas, mas pelas câmeras da galhofa. A imagem do nordestino na TV é quase sempre a de um indivíduo sentimental, espontâneo, sem inteligência, sem poder de discernimento das coisas. Ou então áspero, bruto, vestido num gibão, devotado às artes da peixeira e do bacamarte ou ainda a uma religiosidade fanática, ofuscante. Não passamos disso. E mesmo que a região se desenvolva, tenha gente preparada, que estuda, que cria cultura e conhecimento de qualidade. Não, não importa para os ideólogos da aspereza, da tipificação imbecilizadora, pequena, menor. Graciliano. O Nordeste é primitivo, inculto, burro? Para a TV, sim. Mas inculto e inopioso é quem monta um quadro assim, quem se apega ao cômico barato, ao lixo das representações. Com todo respeito a Jorge Amado, que é um bom autor, mas também um tipificador nato, por que a TV não procura adaptar, com a competência que lhe é própria, um Graciliano Ramos? Graciliano, em Vidas secas, faz uma representação da miséria do camponês nordestino sem ser tipificador, sem folclorizar. Faz o leitor pensar e se sensibilizar com uma situação real, historicamente dramática. Não desenha estereótipos. Em São Bernardo, idem, é implacável na representação do capitalismo adentrando o Nordeste e alterando a ordem da região. Angústia, com um protagonista dilacerado e com uma técnica sofisticadíssima e original de monólogo interior, é para alguns o mais importante romance brasileiro do século XX. É de uma densidade e força arrebatadoras, pondo Graciliano perto ou mesmo ao lado de um Joyce ou de um Faulkner. Angústia internacionaliza nossa literatura naquilo que ela tem de mais consistente. Graciliano tem uma narrativa profundamente inteligente. Porém, por representar um Nordeste que contorna ou escapa ao típico, não importa à TV. Ao meu filho, hoje com 4 anos, recomendarei que não veja novela ou série de TV que represente nordestino sem que antes eu lhe mostre o que vai ser explorado no enredo. Sem que antes eu o prepare. Quero que meu filho cresça com autoestima. Porque é assim mesmo. A TV funciona, continuamente, para tentar baixar a nossa estima. Mas, asseguro, só baixa a dos desatentos. Ou a dos que consentem. E por que a TV insiste em nos reproduzir apenas como tipos jocosos, brutos ou marcadamente sentimentais? Por desinteligência, aposto. Ou por cretinice, suponho.8


As mudanças do nordeste na autoestima, vão além, com transformações econômicas significativas.

“O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (299) a estimativa da população brasileira. De acordo com os dados, o país já conta com mais de 208 milhões de habitantes, quantidade superior aos 207,6 milhões registrados no ano passado. O número atualizado é de 208.494.900. O Nordeste, entretanto, apresentou queda na população, em tendência contrária ao Brasil. São 56.760.780 habitantes neste ano. Em 2017, este número foi de 57.254.159. Bahia, Rio Grande do Norte, Paraíba e Sergipe diminuíram sua população. No Nordeste, a Bahia tem a maior população da região, com 14.812.617 de habitantes. No ano passado, eram 15.344.447 de pessoas vivendo no estado. O segundo estado mais populoso é Pernambuco, com 9.496.294 de pessoas. Já em 2017, a população total era de 9.473.266. Em terceiro, vem o Ceará, com uma população de 9.075.649 de pessoas. No ano passado, eram 9.020.460 moradores do estado. O quarto estado no ranking populacional é o Maranhão, que tem uma população de 7.035.055 pessoas. Em 2017, eram 7.000.229 habitantes. Em seguida, vem a Paraíba, com 3.996.496 pessoas. No ano passado, eram 4.025.558 moradores no estado. O Rio Grande do Norte, por sua vez, tem 3.479.010 habitantes, enquanto em 2017 o número era de 3.507.003 pessoas. Alagoas registrou uma população total de 3.322.820 habitantes neste ano. Em 2017, eram 3.375.823 pessoas no Estado. Já o Piauí tem uma população de 3.264.531 de pessoas em 2018. No ano passado, número foi de 3.219.257 de habitantes. O estado menos populoso é o Sergipe, com 2.278.308 de pessoas. Em 2017, eram 2.288.116 habitantes. Brasil tem mais de 208 milhões de habitantes, diz IBGE. Segundo o IBGE, o País já conta com mais de 208 milhões de habitantes, quantidade superior aos 207,6 milhões registrados no ano passado. O número atualizado é de 208.494.900. Três Estados do Sudeste estão no topo da lista dos mais populosos. São Paulo lidera, com 45.538.936 de habitantes – a capital do Estado tem hoje 12.176.866 de pessoas. Depois, vêm Minas Gerais, com 21.040.662 de habitantes; e Rio de Janeiro, com 17.159.960. No Nordeste, a Bahia tem a maior população da região, com 14.812 617 de habitantes. No Sul, Paraná e Rio Grande do Sul quase empatam no número de pessoas, com 11.348.937 e 11.329.605 de habitantes, respectivamente. No Norte, o Estado do Pará é o mais populoso, com 8.513.497 de habitantes; e, no Centro-Oeste, o Estado de Goiás, com 6.921.161 de habitantes. Roraima é o menos populoso, com 576,6 mil habitantes, apenas 0,3% da população total. De acordo a divulgação, 17 municípios brasileiros concentram população superior a 1 milhão de pessoas e juntos somam 45,7 milhões de habitantes ou 21,9% da população do Brasil. Serra da Saudade, em Minas Gerais, é o município brasileiro de menor população, 786 habitantes, seguido de Borá (SP), com 836 habitantes, e Araguainha (MT), com 956 habitantes. Entre outros objetivos, a nova estimativa será utilizada para o cálculo das cotas dos fundos de participação de Estados e municípios. Os dados têm data de referência em 1º de julho de 2018 e estão organizados por Estados, Distrito Federal e municípios. Essa revisão incorporou os imigrantes venezuelanos no estado de Roraima, dos quais 99% estavam concentrados nos municípios de Boa Vista e Pacaraima”.10


A elite intelectual de direita, ao observar o fenômeno do nordeste, nas eleições, reafirma preconceitos de toda ordem.

“O comentarista e colunista Diogo Mainardi deu uma declaração sobre o Nordeste no "Manhattan Connection", da Globo News, que causou revolta em redes sociais. Ao comentar a reeleição de Dilma Rousseff neste domingo, ele afirmou que a região é bastante "retrógrada" e "bovina", entre outros comentários. "Essa eleição é a prova de que o Brasil ficou no passado. Não é nem Bolsa Família, não é marquetagem. O Nordeste sempre foi governista, sempre foi bovino, sempre foi subalterno ao governo", diz Mainardi. "É uma região atrasada, pouco educada ,pouco instruída, que tem grande dificuldade para se modernizar". "Diogo Mainardi da show de preconceito contra nordestino e toma baile de cientista político que explica que Brasil é igual a EUA, França, etc", escreveu um internauta. "O pior não são os preconceituosos da internet, pior mesmo é ver o Mainardi chamar nordestino de atrasado e bovino na Globo News", escreveu outro. A fala de Mainardi, que vive na Itália, pode ser conferida abaixo https://youtu.be/vSDMfbQHdXs.11

O antipetismo, enquanto comportamento político, demonstra toda a falta de solidez de argumentos.

“No programa que foi ao ar depois de ser anunciado o resultado das eleições, ele disse que a população da região é “bovina” e chegou a desqualificá-la com alcunhas como “retrógrado”, “subalterno e “pouco educado”. “Peço desculpas ao Hulk e a todos que se sentiram ofendidos. A minha intenção era ofender a mixórdia petista que usou e abusou dos programas sociais do governo para rebanhar votos nas regiões mais pobres do País, em especial o Norte e o Nordeste”. As críticas surgiram a partir da análise da votação, que registrou avanço de Dilma sobre o candidato da oposição Aécio Neves (PSDB) nos estados nordestinos. Por outro lado, o tucano teve mais apoio no Sul e no Centro-Oeste, o que deu margem a interpretações sobre uma eventual divisão do país. “Essa eleição é a prova de que o Brasil ficou no passado”, disse o colunista na noite do dia 26 de outubro.“É uma região atrasada, pouco construída, que tem uma grande dificuldade para se modernizar na linguagem. A imprensa livre só existe da metade do Brasil para baixo. Tudo que representa a modernidade tá do outro lado”, acrescentou na ocasião. Após o programa, as declarações do comentarista foram repercutidas na internet e nas redes sociais e chegou a ser rebatida pelo jogador. Nascido na Paraíba, o atacante do Zenit, da Rússia, compartilhou um mapa do Nordeste em sua página oficial no aplicativo de fotos 'Instagram' e na legenda citou dez artistas importantes nascidos na região para demonstrar revolta com a opinião de Mainardi - a quem classificou como arrogante e ignorante. No fim, o atleta pediu com veemência que o profissional de imprensa respeitasse o local. Diogo Mainardi se retratou e ainda explicou o contexto de suas declarações. “Sei que o termo bovino ofendeu muita gente, peço mais uma vez desculpas, mas gostaria de esclarecer que a décadas e décadas nós usamos os termos curral eleitoral e voto de cabresto para designar compra de votos”, disse o jornalista, que prosseguiu com os comentários. “Imaginar um nordestino num curral ou um nordestino com um cabresto não é diferente de bovino. Não pretendi em momento algum culpar a vítima da manipulação e sim quem a pratica. Só isso”, completou”. 12


A discussão sobre a programação da TV na região nordeste não é somente uma questão deste ou daquele programa, é o debate sobre a cultura.

“No intuito de se ter uma aproximação maior com o telespectador, as emissoras de TV tem ganhado cada vez mais espaço nos lares do povo nordestino. Se antes, telejornais e programas nacionais eram prioridade do público, hoje programas policiais, de entretenimento, comportamento e de humor são os mais assistidos. A busca pela boa audiência fez com que as emissoras de TV da região investissem na produção de conteúdo local para diversos públicos, investimentos esse que vem surtindo efeito. Principal produto musical da região, o ‘forró’ tem destaque garantido em programas de auditório. O Interativo, programa veiculado pela TV Jornal no Recife, afiliada do SBT, dá espaço para que as bandas divulgam os seus trabalhos, como bandas de outros estilos; pagode e arrocha que são sucesso na região. Em Fortaleza, Ceará, berço das principais bandas de forró, o ritmo tem espaço exclusivo no programa Forrobodó. Produto da TV Diário, emissora do Sistema Verdes Mares, ligado a Globo no Estado, o programa Forrobodó além de contribuir para o crescimento do gênero, impulsiona as vendas de CD’s e DVD’s e consequentemente a audiência do programa, que disparam em pleno horário nobre. O humor também tem vez nas emissoras nordestinas, e o talento local faz a audiência disparar. O programa ‘O Papeiro da Cinderela’, foi veiculado por muitos anos na TV Jornal. Criatividade e muito senso de humor levaram a apresentadora e humorista Cindy a passar uma temporada no Programa Eliana, do SBT rede. Mesmo com a transição este ano para a TV Clube, afiliada da Record no Recife, o programa ainda é um dos mais assistidos na televisão pernambucana. Modelos de programas nacionais também ganham vez na TV local. O Sabor da Gente, da TV Jornal é o exemplo mais clássico. Mistura do Mais Você, da Globo e Hoje em Dia, da Record, o programa exibido nas manhãs trás receitas práticas para o dia a dia da dona de casa nordestina. Policialesco são a preferência do telespectador nordestino. Os programas policiais têm destaque no Nordeste. Eles são veiculados em horários estratégicos, seja ele matutino (6h às 8h), vespertino (12h às 14h) e a noite (17h às 20h), o público é cativo e a audiência é garantida com prestação de serviço, notícias de polícia e até trânsito através de parcerias com as superintendências de trânsito. Por muitos anos, ele foi sucesso de audiência e faturamento na TV Jornal, hoje ele migrou para a TV Clube. Seu salário chega a R$ 200 mil a cada mês e seu Ibope incomoda a principal rival, a Globo Nordeste. Com um programa policialesco e sensacionalista, Cardinot se tornou um dos principais nomes da produção local no Recife, e não alivia lado de bandido, principalmente se o acusado seja estuprador. Na Bahia, a concorrência é acirrada, os dois maiores programas policiais da televisão baiana fazem um trabalho árduo na busca por flagrantes de descasos do poder público além de coberturas exclusivas de tiroteios, como também da ação policial na desarticulação de quadrilhas de assaltos a banco e de tráfico de drogas. Zé Eduardo é tido como a voz da verdade na televisão baiana. Após uma passagem pela TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia, hoje ele comanda o ‘Se Liga Bocão’ na Record Bahia, antiga TV Itapoan. O programa não mediu esforços para mostrar os fatos policiais e atrocidades ocorridas no estado, fator que alavancou o seu sucesso, fazendo com que o e programa batesse em audiência o programa Vídeo Show, da Rede Globo. Situação que nos últimos anos foi mudada, após determinação do Ministério Público da Bahia que ordenou a redução do conteúdo não apropriado para o horário do programa. Principal rival do apresentador Zé Eduardo, o Brasil Urgente Bahia é sucesso de audiência no estado e rompe fronteiras chegando a todo o Sergipe, através de retransmissora. Conhecido por não perdoar erro de bandido, o apresentador baiano Uziel Bueno é conhecido pelo bordão que caiu no gosto popular ‘o sistema é bruto’. Seu programa mescla o policial com entretenimento, fórmula secreta do grande sucesso, que desde a sua estreia no finais de tarde da Band, garante o segundo lugar isolado, perdendo apenas para a Globo. O público nordestino está cada vez mais exigente, e busca na programação televisiva a agilidade e principalmente a qualidade de conteúdo, além de uma identificação do público nos valores culturais”.13


A TV deve mudar porque a sociedade mudou. Imaginar diferente é ignorar a nova realidade.

“De forma discreta, sútil e curiosa, a Globo tem deixado de usar o nome Globo Nordeste em sua emissora no Recife, justamente na semana em que a estação completa 45 anos de sua fundação. Segundo informações obtidas pelo TV História, trata-se de uma ordem da direção local, que acha ultrapassado chama-la de "Nordeste", sendo que a emissora só cobre boa parte do estado de Pernambuco. Por conta disso, apenas o nome Globo está sendo usado nas chamadas, com o subtítulo "É Nordeste. É Globo". Além disso, em chamadas de programas locais, não se usa mais a nomenclatura tradicional. Foi o caso da chamada especial do Globo Repórter que será exibido nesta sexta-feira (28), em comemoração aos 45 anos do canal. Em reportagem feita por Francisco José, lendário repórter da casa, o nome Globo Nordeste sequer é citado. Veja a chamada:https://youtu.be/zZTwRqdPkI4 . O fato tem estranhado telespectadores nas redes sociais, que perguntam o motivo desta mudança de nome repentina. O TV História apurou que nomes de jornais não irão ser modificados em Recife, pelo menos neste primeiro momento. Por lá, o Praça TV se chama NETV, em referência ao nome Globo Nordeste. Havia um comentário dentro do canal de mudança para PETV - PE é a sigla de Pernambuco, mas isto não ocorrerá, por questão de hábito. A Globo Nordeste foi fundada em 22 de abril de 1972, por Roberto Marinho (1904-2003). Na época, Roberto criou a emissora visando aumentar a cobertura da Globo na Região Nordeste, que, até então, tinha afiliadas apenas nos estados da Bahia (TV Aratu), Ceará (TV Verdes Mares) e Maranhão (TV Difusora). Por muito tempo, a Globo Nordeste enviava o seu sinal por micro-ondas para outras cidades, como Aracaju (SE), Maceió (AL), João Pessoa (PB), Natal (PE), entre outras, tendo de fato um caráter mais regional. No entanto, com um boom de criação de emissoras locais nos anos 80 e 90, ela ficou totalmente restrita à Pernambuco, o que ajuda a entender o reposicionamento discreto da Globo. O TV História procurou, por telefone, uma posição da Globo Nordeste sobre o assunto, mas ninguém quis comentar sobre o caso”.14


Essas modificações na TV da região do nordeste iram ao encontro do que os habitantes necessitam?

“A partir do próximo dia 1.º de setembro, a Band vai unificar o sinal de todas as suas emissoras e afiliadas no Nordeste em uma só. O canal vai exibir produções apenas para aquela região, criando uma rede regional. Conforme anunciou nesta segunda-feira (27), a iniciativa começará no próximo sábado, dia 1º de setembro, com a exibição do programa “Brasil Urgente nordeste”, com apresentação de Uziel Bueno. Contudo, como já se sabia, a geração desta mini rede será em Salvador (BA), que já deixou de usar a nomenclatura antiga e assina 'Band' nordeste. A princípio, apenas a versão regional do programa policial será exibido. Todavia, quem comemorou foi Uziel, que voltou para a emissora neste ano, após quatro anos. Ele irá inaugurar o projeto, que teve ter outros programas nos próximos meses, incluindo um 'reality show'. “Estou muito honrado em estar nesse projeto pioneiro da Band Nordeste. O objetivo é unificar a região em torno de um programa que já é consolidado no Brasil e que mostre o que realmente interessa para nós nordestinos”, afirmou Uziel. Entre esses novos formatos, dois se sobressaem. O primeiro é o programa “Band Mulher”, (…) que será feito em Salvador para todo o Nordeste, falando diretamente com o público feminino na região. Contudo, o segundo e este mais impactante é um 'reality show' produzido no sertão da região. Trata-se do “Habitat”. O formato é bastante interessante: um casal de uma região nordestina deixará a capital e irá viver numa pequena casa do semiárido brasileiro. Entretanto, com condições difíceis e acesso restrito a alimentação e água, além de enfrentarem o forte calor e a seca, eles precisam aprender a racionar tudo. “Habitat” terá dez episódios produzidos e ainda não tem previsão de estreia”.15


Durval Muniz de Albuquerque Júnior, é o principal referencial desse novo nordeste. Aucilane Santos Aragão (2018), coloca exatamente o que se quer dizer sobre o momento brasileiro.

1. INTRODUÇÃO. As relações de poder desiguais estão imbricadas no modo de conceber e caricaturizar16 o Nordeste e o ser nordestino, as quais foram cristalizadas com o passar do tempo pela repetição de estereotipias, vindas de uma elite cujo interesse era o de receber financiamentos em nome de uma seca que por muito tempo foi atrelada às necessidades da população desta região. Albuquerque Junior (201117) diz que os discursos atrelados ao nordeste, ao perfil do sujeito nordestino e aos cenários “descritos” nas novelas da TV, nos (…) contidos nas obras literárias, acerca da região, dos noticiários sobre à seca, mostrados nos jornais, e tantos outros (…) que se aglutinam reforçam uma ideia de singularidade da (…) Nordeste e da identidade do ser nordestino no imaginário das pessoas. Esse pesquisador expõe que o que há de comum em todos os discursos são a intenção de estereotipização que leva à exclusão e, consequentemente, marginaliza tanto a região quanto os sujeitos deste local, em que Albuquerque Junior em entrevista para o canal do Youtube “O que é que tá rolando?”, publicado em 201418, diz que esses (…) são repetidos culturalmente: na academia, na mídia e que ao pensar em fazer uma peça teatral, por exemplo, cai-se sempre no discurso de estereotipia de lugar de atraso, sem cidades, de lugar pequeno em que todos se conhecem e que há a presença de coronel, de dona de bordel, do juiz de um padre, de lugar sem recursos algum que parece ter parado no tempo, pois não sai disso. Ou seja, à medida que esses discursos são sustentados e reforçados desmerece-se uma cultura, pois uma heterogeneidade é substituída por um uma homogeneidade. Um povo tão diverso é forjado como um povo singular, com características iguais a todos e condicionados a “verdades” que foram naturalizadas por pura relação de poder desigual. O corpus desta pesquisa se constitui das falas da jornalista Raquel Sheherazad (2015) e do jornalista Diogo Mainardi (2014) e do empresário e político alagoano João Lyra (2014) acerca do recorte discursivo caricaturizado sobre o Nordeste e o perfil dos sujeitos nordestinos. Pensou-se neste estudo como esses discursos estereotipados forjam a imagem de um Nordeste homogêneo, singular, unificado, ao invés de pluri heterogêneo; notando também sempre uma comparação entre o Nordeste com o “outro” (sul, sudeste), entrelaçando uma relação de poder desigual. Para isso, faz-se uma análise enunciativo discursiva do material, (…) compreendermos os discursos (deterministas?) sobre a região Nordeste e os nordestinos, bem como analisar o EU e o OUTRO do discurso, as propostas de sentido lançadas e as inferências realizadas, entendendo à língua como um processo político, ideológico e interativo, fundamentado em Bakhtin (1929). A Linguística Aplicada é o campo de saber indisciplinar que dá sustentação a investigação ora proposta, criando inteligibilidade na relações práticas discursivas versus (…) sociais, tendo como referencial teórico Moita Lopes (2006). Albuquerque Junior (201119) diz que: '[…] falar do Nordeste é inventariar os muitos estereótipos e mitos que emergiram com o próprio espaço físico reconhecido no mapa, composto por alguns estados e cidades. É mobilizar todo o universo de imagens negativas e positivas, socialmente reconhecidas e consagradas, que criaram a própria ideia de nordeste'. Isso é, o imaginário popular acerca do Nordeste e dos nordestinos é um recorte estereotipado, produzido e reforçado durante décadas através da literatura, de músicas, do cinema, teatro, novelas e pessoas influentes na mídia, ao retratar/construir um nordeste de seca, da terra gretada, de miséria, da violência, do atraso, da subalternidade, de um povo preguiçoso, despreocupado, que faz piada de tudo, de homem valente, machista. Margareth Rago (201120, p. 16) diz que Albuquerque Junior “denuncia os mecanismos insidiosos do poder presentes nas configurações discursivas e envolvidos numa negociação em que ele diz que se paga um alto preço por uma forma particular de nascimento do Nordeste, que implica simultaneamente em aceitação e rejeição, em incorporação e exclusão”. Os recortes caricaturescos sobre o Nordeste e o ser nordestino os reduzem, os colocando à margem, culminando em exclusão e preconceito por meio dos discursos que foram, pela repetição em diversas esferas políticas e midiáticas durante décadas, naturalizados, o que acaba gerando uma credibilidade aos estereótipos, pois há duas possibilidades de ver o Nordeste. No entanto, as escolhas pendem sempre para aquela que já é esperada, com discursos de um local ruralizado, pobre, de falar uno e engraçado, de festejos apenas folclóricos, da economia voltada exclusivamente à agricultura e ao artesanato, e do subdesenvolvimento, haja vista que há setores que ganham com essa imagem de Nordeste, uma vez que os estereótipos estão em volta de interesses financeiros que forjam toda uma realidade, que é construída com discursos que a estigmatizam, colocando-a à mercê da sociedade. Porém, sabemos que “os nordestinos são efeitos das práticas discursivas e não-discursivas que os integram na cultura e na instituição do social e que, portanto, em muitos momentos, devem ser eles mesmos explicados mais do que ser fonte de toda interpretação verdadeira” Albuquerque Junior (201121). Isto é, o Nordeste e os nordestinos são “reflexos” dos discursos estereotipados que as esferas políticas e midiáticas propagam, bem como as demais esferas de comunicação. Estes discursos são tão naturalizados que os próprios sujeitos nordestinos se reconhecem dentro dessa caricatura imagética. As falas de Sheherazade e João Lyra, ambos nordestinos, mostram esse discurso cristalizado, internalizado que reforçam esse recorte imagético sobre a região pela influência que possuem no âmbito social. Os discursos deterministas dos jornalistas e do político alagoano passam por uma relação de poder, uma vez que (…) propõem sentidos que estão filiados a interesses, demarcadas histórica, cultural, ideológica e socialmente, haja vista que os sujeitos falam de algum lugar e para alguém, compreendendo os (…) , a 'la' 22 Bakhtin, como (…) “situados” em um dado espaço social. Dessa forma, são também os discursos. Metodologicamente, este estudo está alicerçado na Linguística Aplicada, ciência pós-moderna, caracterizada como um campo de saber indisciplinar, transdisciplinar, (…) portanto, autônomo; advogada como uma “prática problematizadora”, uma vez que olha para o objeto em/com toda a sua complexidade. Não é uma disciplina que possui conhecimentos segmentados, mas um campo que agencia (…) de diversas áreas, criando inteligibilidade sobre a vida social, construindo novos saberes. Logo, está pesquisa agencia conhecimentos da Geografia, História e Linguagem, criando inteligibilidade ao produzir novos saberes (des) construindo sentidos sobre a região Nordeste e os sujeitos nordestinos. O objetivo de estudo da LA23 é analisar/interpretar como as práticas discursivas organizam as (…) sociais e vice-versa. Desta forma, analisaram-se como os discursos caricaturescos repletos de estereótipos sobre a região Nordeste e o nordestino foram inventados e naturalizados de forma tal que este espaço foi demarcado geo discursivamente e esta gente foi homogeneizada histórica, cultural e (…) . Deste modo, a LA24 concebe a língua como uma atividade dialógica e interativa, isto é, teoriza que não representamos o mundo quando usamos a língua (gem), mas o construímos a partir dos usos e escolhas linguísticas que fazemos relacionados com o contexto social em que os falantes estão inseridos. Portanto, a língua não é um instrumento de comunicação, mas um processo interativo, constituído por um EU, um ELE e pelo OUTRO. Assim, o EU - possui um perfil psicossocial, que significa que ele é ativo no processo de interação, e que, assim como o EU, o OUTRO também é ativo no processo de construção dos sentidos. Isso significa que o EU - faz uma proposta de sentidos, lança pista, e o OUTRO faz inferências a respeito destas, levantando hipóteses que podem ser iguais, semelhantes ou distanciadas da (...), haja vista que o OUTRO não é receptor nesse processo, mas ativo, isto é, é partícipe da construção dos sentidos a partir das suas próprias categorias cognitivas. Logo, os sentidos estão imbricados em um contexto histórico, social, ideológico, cultural em que os sujeitos estão situados. Neste sentido, o distanciamento de sentidos que muitas vezes ocorre da interpretação do OUTRO em comparação com as pistas inferidas pelo EU, depende do contexto em que estão inseridos. Ou seja, os sentidos não são dados desde o momento da enunciação, mas construídos. Por isso, enunciamos na tentativa de construir o mundo, e não, representá-lo. Logo, percebe-se que as escolhas linguísticas realizadas pelos falantes não são neutras, haja vista que enunciamos de um lugar histórico, cultural, religioso, ideológico e social, compreensão que parte da abordagem bakhtiniana de que somos sujeitos situados e que, portanto, quando fazemos determinadas escolhas estamos excluindo outras possibilidades, uma vez que a língua é também política. A Linguística Aplicada se filia ao paradigma interpretativista, abordagem epistemológica de análise do objeto, em que há uma aproximação deste com o pesquisador e com o meio interacional. Leva-se em consideração as subjetividades do objeto estudado em toda a sua complexidade, já que os sujeitos são situados histórico e socialmente, sendo este ativo, e não passivo, em todo o processo. A abordagem metodológica da LA25 se dá por meio da leitura enunciativa discursiva, tendo como base teórica as contribuições de Bakhtin. Considerando quem é o EU, o ELE e o OUTRO do discurso, partindo do princípio que a língua é uma atividade interativa e ninguém escreve ou fala para todo mundo. (…) que há sempre um direcionamento e que os sentidos não estão dados, mas são construídos. É possível analisarmos as construções morfológicas, sintáticas e semânticas das palavras em foco, pensando em um gênero discursivo e analisar os recursos visuais, textuais e semióticos, se houver, tendo em vista que nada é posto por acaso. Ou seja, interpretar tudo o que pertence ou está relacionado ao gênero discursivo, além de identificar onde o texto está circulando, com quem ele fala e para que (...), (…) construir os sentidos e pistas lançados e interpretá-los de forma crítica. No caso do ‘corpus’ desta pesquisa — constituídos de falas da jornalista Raquel Sheherazade e do (…) Diogo Mainardi e do político João Lyra, discursos disponíveis on-line — analisamos os (…) (deterministas?) atrelados à região Nordeste e aos sujeitos nordestinos. Entendendo o lugar histórico e social aos quais esses (…) começaram e continuam sendo reforçados por décadas, compreendendo a naturalização destes e os efeitos sociais que estes (…) possuem sobre este local e sobre estes (…), tendo em vista o apagamento da multiplicidade destes, caracterizado por uma homogeneidade. 2. “OPINANDO O SERTÃO”. Analisou-se o ‘corpus’, constituído de três falas da jornalista Raquel Sheherazade e do (…) Diogo Mainardi e do político alagoano João Lyra, no gênero artigo de opinião, aqueles através de áudio veiculado na Jovem Pan e um vídeo disponível no YouTube, respectivamente — todos de circulação em instrumentos midiáticos. Raquel Sheherazade é jornalista da emissora de (…) Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e atuou também como radialista âncora do jornal matinal da rádio Jovem Pan entre 2014 e 2015. No Áudio do ano de 2015 da Jornalista Raquel Sheherazade, transmitido pela rádio Jovem Pan, disponível em seu site, a respeito da seca do Nordeste, em comparação com a seca sofrida pelo sudeste. O 'site' denominou a matéria de “Rachel Sheherazade fala sobre a seca no Nordeste”. No áudio, de 2 min 54 seg. ela diz: 'Racionamento de água em São Paulo, volumes mortos no Rio, torneiras secas em Minas. Guardadas às devidas proporções, o Sul maravilha vive agora drama semelhante à estiagem histórica do Nordeste. E é exatamente sobre a seca no Nordeste que eu quero falar, porque desde os esvaziamentos das torneiras no abastar do Sudeste, a mídia esqueceu-se completamente da estiagem perene do outro lado do país. E falo sobre a seca no Nordeste, porque ela é mais grave, porque ela é mais antiga, porque ela é mais injusta, porque ela é mais negligenciada. Ao contrário do Sudeste, a falta de água no semiárido nordestino não é um problema transitório, é uma catástrofe constante, que castiga há séculos o sertanejo e condena todo uma região ao sofrimento, a humilhação e ao atraso econômico. Em 1877, olha só, o imperador Dom Pedro II com a hipocrisia típica dos poderosos, chegou a dizer que venderia 'joias da Coroa para acabar com o sofrimento dos nordestinos. Desde a realeza até a república, muitos foram os governantes que se valeram da retórica da seca pra manipular os incautos, chegar ou se manter no poder. Políticos de todos os escalões, coronéis locais à presidentes da república, fizeram da seca do Nordeste, uma indústria. Dos miseráveis, sua mão de obra; dos analfabetos famintos e sedentos, o seu curral eleitoral. Para curar o mal da seca, os políticos prometeram todo tipo de remédio, de cacimbas a carros-pipas, todos inócuos. Até a faraônica transposição do São Francisco, a maior promessa de campanha do então candidato Lula, ficou pelo meio do caminho. E há doze anos só serve para enriquecer empreiteiras, políticos e burocráticos corruptos. Desde que a obra saiu do papel, o orçamento da transposição mais que duplicou, e o pior, não há expectativa de conclusão, hein? Lula foi o terceiro nordestino a ocupar a presidência da república desde a redemocratização do país. Quando menino sentiu na pele o flagelo da seca, teve dois mandatos pra cumprir a promessa que fez aos conterrâneos que os elegeu: acabar com a seca no Nordeste. Deixou o sonho virar poeira. O ex-retirante, que virou presidente da república, preferiu o assistencialismo à conta gotas a levar água para o Sertão'. A jornalista inicia sua fala citando uma sequência de acontecimentos em relação a falta de água ocorridos no Sudeste, que, equivocadamente, ela diz que é no Sul, para então comparar à região Nordeste, em que Sheherazade (...) que vai se referir “exclusivamente” a esta (…), restringindo o seu discurso apenas à (…) supracitada. Albuquerque Junior (201126) diz que os discursos de estereotipias são sempre produzidos em comparação com o Outro, neste sentindo, o Nordeste construído como seco, rural e retrogrado é sempre comparado com o Sudeste, (…) como tecnológico, desenvolvido, moderno. Portando, ela continua a comparação dizendo que desde a estiagem “no abastar do Sudeste” a mídia esqueceu-se “da (…) perene do outro lado do país” – nordeste — A preposição no, fusão de em + o, está indicando o lugar em que ocorreu a (...); já a (…) de está indicando uma característica típica, própria da região Nordeste, reforçando a estereotipia naturalizada de seca em toda a região. Outro equivoco da jornalista foi quanto ao uso linguístico “estiagem perene”, pois há socialmente uma relação de antonímia entre ambas, em que o termo “estiagem” é relacionado a ínfimas ocorrências de chuva e “perene” é relacionado com a presença de água. No entanto, a jornalista utiliza o termo perene não como substantivo, mas como adjetivo, caracterizando a estiagem, sendo que ambos se distanciam semanticamente. Pelo fato de a língua, além de estrutura, ser social, os sentidos dos usos linguísticos só é construído a partir das pistas dadas pelo Eu se o Outro do discurso comungar, do mesmo conhecimento de mundo. Neste caso, socialmente “perene” não possui relação de caracterizar “estiagem”, pois, não há uma arbitrariedade acordada na sociedade ou em determinado grupo que comungue da relação de sentido de ambos os termos, haja vista que a língua é estrutura, mas também social, isto é, os usos linguísticos dos falantes se dão na interação dialógica entre os falantes. Sheherazade diz que fala sobre a “seca no Nordeste, porque ela é mais grave, porque ela é mais antiga, porque ela é mais injusta, porque ela é mais negligenciada”. Ou seja, ela toma uma sub-região, o sertão/semiárido, como se fosse todo o Nordeste, quando sabemos que geograficamente o Nordeste é dividido em quatro sub-regiões e estas são heterogêneas, possuem especificidades distintas uma das outras. Entretanto, nos discursos enraizados de “Nordeste da seca” há um apagamento das demais sub-regiões e uma visibilidade ao Sertão, caracterizado em sua geografia como seco e com baixos níveis de água, bem como de irregularidade de chuvas. Tanto o apagamento das sub-regiões zona da mata, agreste e meio-norte, quanto a visibilidade da sub-região sertão são frutos de discursos que caricaturizam e demarcam uma região inventada discursivamente devido a interesses que são situados histórica, cultural, ideológica, política e socialmente. Por conseguinte, há uma relação endógena entre semiárido, sertão e nordeste, haja vista que ao forjar imageticamente uma realidade sobre a região supracitada, que não é real, demarcando geo discursivamente este espaço por meio dos discursos deterministas de autoridade, como dos jornalistas Sheherazade e Mainardi e do político alagoano João Lyra, construindo que o território nordestino é a região da seca e da terra gretada, no entanto esta é uma inverdade que foi cristalizada pela repetição há décadas, uma vez que a sub-região Zona da Mata possui uma costa litorânea de clima tropical úmido, que abrange uma boa parte do agreste, em que os índices pluviométricos são altos, apesar da área extensa ao norte do Nordeste, a sub-região sertão, que dispõe de um clima semiárido, onde se encontra o polígono da seca, no qual as concentrações pluviais são baixas e as chuvas são irregulares. Entretanto, esta característica física do sertão não retrata toda área demográfica que é o Nordeste como um lugar totalmente seco. Oliveira (2016, p.33) pontua que: 'O Nordeste/Sertão é construído como o espaço regional que denota a infertilidade proveniente da terra rachada, das folhas secas, caídas no chão, em que plantas sobreviventes são apenas o cacto, o mandacaru, o umbuzeiro, devido conseguirem adaptar-se e sobreviver à seca. Ou seja, é uma região construída por estereotipias, nos quais estes discursos estão filiados a um “discurso determinista”, em que vai havendo a repetição destes discursos e mantendo/reforçando estes estereótipos sobre essa região'. Sheherazade, mais uma vez, compara as regiões Sudeste e Nordeste, dizendo que “Ao contrário do Sudeste, a falta de água no semiárido nordestino não é um problema transitório, é uma catástrofe constante, que castiga há séculos o sertanejo e condena todo uma região ao sofrimento, a humilhação e ao atraso econômico”. Ou seja, a jornalista reforça que todo o Nordeste é seco, quando na verdade esta é uma inverdade, forjada/inventada socialmente por pura relação de interesses e poder. Abaixo, o mapa da divisão do Nordeste em sub-regiões, a fim de levar-nos à compreensão de que o Nordeste não é apenas sertão, mas constituído por outras três sub-regiões, as quais se diferenciam do seu aspecto climático de seca, construído socialmente como sendo toda a região.
Figura 01: Mapa do Nordeste – Sub-regiões mapa. Fonte: slide player, 2014. https://linguadinamica.files.wordpress.com/2018/06/mapa.jpg . Geograficamente, a região Nordeste é dividida em quatro sub-regiões: zona da mata, agreste, sertão e meio-norte. Mas, nos discursos deterministas toda a região Nordeste é tomada como sertão, sub-região caracterizada com o índice de chuvas mais mal distribuídas e irregulares, além de baixos índices pluviométricos, justamente devido aos discursos forjados sobre uma região unívoca, construída discursivamente. As demais sub-regiões são apagadas nesses discursos de “seca e miséria que assola a região Nordeste”. O discurso da jornalista não é novo, pelo contrário, é repetido por décadas; discurso no qual o Nordeste é extremamente seco e sua gente é miseravelmente pobre. Contudo, essa é uma generalização que não corresponde aos fatos. Ela justifica seus argumentos pondo a culpa na “seca” e no “negligenciamento” político, ao listar historicamente governos que não contribuíram com políticas de desenvolvimento para a região, afirmando que o “prometeram” fazer, não cumpriram, citando, por exemplo, o ex-presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, pelo não acabamento da obra da transposição do Rio São Francisco, em seu mandato. Sheherazade diz que desde o Império, governantes usam da “retórica da seca” para chegar ou se manter no poder. Ou seja, este fenômeno da natureza é discursivamente construído para sustentar uma indústria que corrobora numa relação de poder, dos influentes politicamente e dos nordestinos, não necessariamente sertanejos, haja vista que o Nordeste é imageticamente recortado como sendo apenas sertão. Ou seja, ela reconhece que há uma “indústria da seca” nos discursos políticos e midiáticos, no entanto omite que esta é resultado de estereotipias que coloca este local e toda a sua gente em um espaço discursiva e socialmente marginalizado ao tomá-los como verdades, mas reforça estas caricaturas estereotipadas quando propaga este recorte imagético sobre o Nordeste. As estereotipias de seca, miséria e subalternidade atreladas ao Nordeste foram repetidas e reforçadas, não apenas nos discursos políticos; mas também nas produções culturais como as canções que constroem discursivamente um espaço de seca; no teatro e na TV, quando se faz uma construção do sujeito nordestino de falar caipira, de trabalho manual, de economia voltada a área rural e artesanal, ao construir um nordestino retirante, de lugar de atraso, com meio de transporte o pau de arara e carroça; na pintura e na literatura, construindo um Nordeste e nordestinos homogêneos, unos, de cultura apenas folclórica, imagens estas que ao falar de Nordeste e dos nordestinos vêm primeiramente no imaginário popular. Albuquerque Junior (201127) diz que as obras de artes sobre o Nordeste são tomadas como discurso, uma vez que elas têm ressonância em todo o social e que elas são máquinas de produção de sentidos e de significados. Logo, o Nordeste foi inventado no cruzamento de práticas e discursos, bem como dos sucessivos deslocamentos em que a imagem e o texto desta região sofrem. O discurso de Sheherazade dialoga com tantos outros discursos que constroem discursivamente, por meio de aspectos ideológicos, culturais, políticos e sociais, uma região de temperatura escaldante e de um povo sofrido que só terá sua salvação com o olhar dos governantes financiando e promovendo políticas que combatam estrategicamente as consequências da “seca”. A fala de Sheherazade dialoga com a do também jornalista Diogo Mainardi acerca da região Nordeste. No vídeo, disponível no YouTube, intitulado de “Diogo Mainardi: Eleição da Dilma e Nordeste – 27/10/2014”, em entrevista com o jornalista Lucas Mendes, ao programa “Manhattan Connection”, Mainardi fala a respeito da relação entre a região Nordeste e as eleições após a reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Segue a descrição das falas:
'Lucas Mendes – …O papel da imprensa antes das eleições. Você (…) essa relação de atrito vai continuar?
Diogo Mainardi – Vai piorar. Você perguntou pro Ricardo sobre o país do futuro, Essa eleição é a prova de que o Brasil ficou no passado, não é nem bolsa família, não é nem marquetagem. O Nordeste sempre foi retrógrado, sempre foi governista, sempre foi bovino, sempre foi subalterno em relação ao poder, durante a ditadura militar, depois com reinado do PFL e agora com o PT, é uma região atrasada, pouco educada, pouco instruída, que tem uma grande dificuldade de se modernizar. Se modernizar na linguagem, se modernizar na… A imprensa é livre, a liberdade de imprensa é um valor que vale metade do Brasil pra baixo, e nessa metade do Brasil pra baixo onde a Dilma é minoria, e uma pequena (…) . Eu sou paulista antes de ser brasileiro, neste momento são 66% de paulistas que votaram contra ela, é todo mundo empresarial, é todo mundo, é a economia brasileira inteira votando contra esse partido, toda imprensa. O conceito da liberdade de imprensa não tá do lado dela, então, tudo que representa a modernidade, tá do outro lado, então, ela não pode jogar uma ponte tão facilmente assim.
Lucas Mendes – Mas o Nordeste não cresceu mais do que outras partes do Brasil?
Diogo Mainardi – Eu suponho que sim, quer dizer, quando você sai da miséria esse salto você pode distribuindo um dinheirinho. Não é… O país tem que dar um salto, o país é pobre de qualquer maneira, o país como um todo é pobre, se o país não der esse salto, se a gente entrar num cenário de fuga de capitais, ou num cenário de pouco investimento produtivo, de desconfiança do empresariado, estrangeiro, sobretudo, em relação ao Brasil, vai faltar dinheiro, já está ficando muito curto, vai faltar dinheiro pra continuar com uma política social que é correta, que é necessária'.
Na fala inicial de Diogo Mainardi, percebe-se uma relação entre a região Nordeste e a política, também percebida na fala da jornalista Raquel Sheherazade. Ele diz que o “Nordeste sempre foi retrógrado, sempre foi governista, sempre foi bovino, sempre foi subalterno” e argumenta dizendo que isso se dá via poder político “durante a ditadura militar, depois com reinado do PFL e agora com o PT”, e que por isso se constitui como “uma região atrasada, pouco educada, pouco instruída, que tem uma grande dificuldade de se modernizar”. Albuquerque Junior (2011, p. 3328) diz que o Nordeste nasce onde se encontram poder e linguagem. Logo percebe-se a construção discursiva de uma região atrasada devido a escolhas políticas erradas e do não-olhar dos governantes para problemas que foram construídos devido a interesses de uma elite, que, segundo Albuquerque Junior, em entrevista em vídeo publicado em 27 de maio de 201429, no canal no Youtube “O que é que tá rolando”, se sente confortável numa posição de subalternidade, desde que seja financiada, ainda que esta subalternidade coloque a região à margem em comparação com o outro e disseminando inverdades. Mainardi diz que é “paulista antes de ser brasileiro” e citando a reeleição da Presidenta Dilma Rousseff argumenta que São Paulo votou em sua maioria contra a reeleição dela, dizendo que São Paulo é moderno e a modernidade é contra tal política, dizendo que: '(…) neste momento são 66% de paulistas que votaram contra ela, é todo mundo empresarial, é todo mundo, é a economia brasileira inteira votando contra esse partido, toda imprensa. O conceito da liberdade de imprensa não tá do lado dela, então, tudo que representa a modernidade, tá do outro lado'. Assim, reforça a estereotipia de Nordeste (região que (re) elegeu em grande massa a presidenta) retrógrado, atrasado, subalterno, caipira, que tem “grande dificuldade de se modernizar na linguagem”. Desse modo, as falas dos jornalistas acima demarcam uma relação de poder discursivamente nos discursos sobre o Nordeste e o ser nordestino construídos a partir de interesses políticos ao relacionar a região supracitada com a política. As falas revelam que os estereótipos são construídos como verdades e estas são efeito das próprias escolhas políticas dos sujeitos nordestinos, haja vista que a região é a segunda mais populosa do país e nas eleições tem grande chance de eleger quem quiser, ao contrário do Sul. Dialogando com as falas dos jornalistas, segue o artigo de opinião do empresário e político alagoano, João Lyra, a fim de analisarmos como os discursos de estereotipias são reforçados em sua fala e em que ponto se junta aos dois jornalistas ao construir um Nordeste que necessita de um olhar político mais afinco do que as demais regiões, sendo construído discursivamente como seco, miserável e retrogrado.
Figura 02: Artigo de Opinião, escrito por João Lyra e publicado no Jornal da Tribuna Independente acerca do Nordeste. artigoFonte: Gazeta de Alagoas, 2015. https://linguadinamica.files.wordpress.com/2018/06/artigo.jpg?w=676 . João Lyra é formado em advocacia; empresário, fundador do grupo econômico Lyra, situado em Alagoas; e político do mesmo Estado. É influente no meio social, transitando em esferas desde a jurídica e econômica à política. O artigo de opinião é caracterizado como: '(…) um gênero jornalístico veiculado principalmente em revistas e jornais e, como todo texto opinativo, utiliza-se da argumentação para avaliar e opinar em relação a uma questão proposta anteriormente, servindo de suporte para expressar o ponto de vista concernente ao articulista. Nesse gênero, a tipologia textual básica é dissertativa, pois o autor constrói uma opinião e cada parágrafo subsequente contém um argumento que dá suporte à conclusão geral' (SILVA, 2013, p.6). O Artigo de Opinião denominado de “A hora e a vez do Nordeste”, escrito por João Lyra, empresário e político alagoano, foi publicado no jornal “Tribuna Independente”, na esfera jornalística, em 23/11/2014. O texto é visão/entendimento de Lyra quanto às possibilidades e/ou oportunidades de desenvolvimento da região Nordeste. O título situa o leitor em um local, o Nordeste, e diz que chegou sua hora e sua vez. Ainda segundo Silva (2013, p. 7), “o artigo apresenta um problema, discussão e avaliação”. O problema apresentado no artigo deste corpus é a eleição presidencial, discutida e argumentada por Lyra como a oportunidade de um olhar para o Nordeste ser promovido com políticas públicas e sociais com a reeleição do Partido dos Trabalhadores (PT) na presidência da república.No decorrer do texto, o empresário político reforçar a imagem de um Nordeste que está no imaginário das pessoas, como um lugar de abandono e, consequentemente, de atraso, que foi construída e cristalizada discursivamente, segundo Albuquerque Junior (201130). João Lyra fala da necessidade do olhar político para o desenvolvimento contínuo da região. O político diz que todo o Brasil vê o Nordeste em crescimento graças ao êxito das políticas de desenvolvimento atreladas ao Nordeste. Ele diz que graças à Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) a região alavancou na economia. A partir daí o empresário vai traçando os avanços da região na economia local e a contribuição desta na economia nacional, reforçando as relações de poder que dão lugar aos diversos estereótipos à região diante da relação de poder posta entre “necessidades urgentes de combater a seca” com a política, em que nesta relação os olhares são voltados exclusivamente à industria da seca, que foi produzida discursivamente devido a interesses político-econômicos demarcados discursiva e socialmente. Ele caracteriza a economia como diversificada e vai citando instâncias que estão se desenvolvendo com sucesso, tais quais: as atividades agriculturais, produzidas em larga escala, a melhoria da pecuária, a diversidade de segmentos que se tem no parque industrial do Nordeste, as atividades de comércio e serviço, os saltos da tecnologia de informação e comunicação (tics) na região e a evolução do turismo. Depois de citar os avanços na economia, João Lyra pontua sobre a vitória maciça da presidenta Dilma Rousseff nas eleições no Nordeste e diz da responsabilidade dos gestores locais se aglutinarem para buscar a criação de políticas que possibilitem ainda mais a abertura das portas para que a região continue em ascensão. O empresário termina o texto recuperando o que diz no título, destacando que essa é a hora e a vez de o Nordeste se reencontrar politicamente, e que assim todos esperam, pontua. Percebe-se no texto um discurso de estereotipia que está arraigado nas relações de poder de forma muito explícita. Albuquerque Jr. (201131) relata que o Nordeste e os nordestinos são invenções de determinadas relações de poder e que essa região nasce onde se encontram poder e linguagem, ou seja, os estereótipos que foram construídos no imaginário das pessoas estão atrelados a estas relações que foram construídos política e discursivamente com interesses demarcados. Estratégia utilizada na estrutura do gênero, que Silva (2013, P.8) diz que “o parágrafo final acarretará o fechamento e a conclusão do autor, podendo apresentar uma breve retomada ao assunto principal e sua posição definida claramente no texto”. Neste caso, a (re) afirmação da oportunidade política de desenvolvimento do Nordeste com a (re) eleição da presidenta. A fala de João Lyra acerca do Nordeste é um discurso que Albuquerque Jr. (2011) chama de naturalizado/cristalizado, devido à repetição por décadas de estereótipos de um espaço geográfico necessitado de um olhar político que foi esquecido pelos poderosos, e, portanto, vive em atraso, sem desenvolvimento e qualidade de vida. Logo, precisa do olhar e ajuda governamentais, a fim de promover políticas de desenvolvimento para a região. Estratégia da elite para conseguir recursos em nome de uma seca que não dilacera uma região inteira como os discursos enraizados são propagados, mas uma parte que está longe de ser o todo. No discurso do político alagoano é citado a ascensão econômica do Nordeste, contudo, essa ascensão está relacionada a políticas partidárias de desenvolvimento à região. Logo, a indústria da seca também é reforçada em seu discurso que demarca geográfica, social, cultural e politicamente um espaço inventado, forjado devidos a interesses; construídos argumentativamente no decorrer do texto, como citado acima, a fim de “persuadir” o Outro/leitor do jornal. Silva, (2013, P.8) pontua que “o público leitor desses artigos geralmente são pessoas que gostam de se manterem atualizadas, relacionadas constantemente com aspectos midiáticos e interessadas em perceber os acontecimentos atuais”. CONSIDERAÇÕES FINAIS. Como estudado, o Nordeste é visto de forma estereotipada nos discursos circulados nas esferas jornalística e política de modo a unificar uma região e um povo pluri, multi. Estas caricaturas não são neutras ou propagadas ingenuamente, mas de forma pensada, por via de interesses que são discursivamente construídos. Estes marginalizam este espaço e esta gente, uma vez que há uma relação de poder nessa construção imagética em que é realizada por meio de uma comparação com o outro, visto o Nordeste em relação de comparação ao Sul e Sudeste e os nordestinos em relação de comparação com os sulistas. Cabe aqui ressaltar que estes discursos continuam sendo propagados, principalmente pelas esferas midiática e política, mas que discursivamente há a possibilidade da quebra destes estigmas, embora ele não seja o mais comum, principalmente na TV, no cinema e no teatro, devido à espera do público pelo lugar comum, do já dito. As relações de poder estão imbricadas nas relações discursivas e forjam uma realidade que não existe ao disseminar que o Nordeste é rural e retrogrado, quando na verdade é a região que mais cresce economicamente. Mas estas inverdades continuam sendo reforçadas devido ao jogo de interesses com a produção de uma imagem negativa sobre este lugar e sobre esta gente. Em entrevista para o canal do YouTube “Programa Diversidade”, da Universidade Federal de Campina Grande –UFCG, publicado no dia 05 de outubro de 2011, Durval Muniz de Albuquerque Junior diz que há dois caminhos e sempre a escolha está para aquela já esperada. Nesse caso, os discursos estereotipados sobre um Nordeste de atraso, ruralizado, retirante, de falar uno, de vegetação apenas seca e de festejos apenas folclóricos, posto que há setores que vivem de reproduzir indiscriminadamente estes discursos e da exploração desta imagem sobre a região e os nordestinos. Desconstruir que o Nordeste não é só sertão, que os nordestinos não são todos sertanejos, que o meio de transporte nesta região há muitas décadas não é mais o carro de boi ou o pau de arara, que os nordestinos só trabalham na roça quando na verdade o Nordeste deixou de ser apenas agrário faz tempo; é importante quebrar com estas marginalizações, pois apesar de serem inverdades, são criações imagéticas para uma exclusão em relação a comparação com o outro, uma relação de poder desigual. Estes estigmas são consagrados devido a repetição dos discursos estereotipados e da propagação deste em veículos de influência social, bem como do discurso de pessoas influentes nas várias instâncias sociais. No entanto, é necessário para (re) pensarmos as relações de poder vistas nesta pesquisa nas esferas jornalística e política, mas que permanece também em outras esferas. Oliveira (2016, p.26), diz que: 'Nos dias de hoje ainda encontramos discursos que circulam em muitas esferas da atividade humana, presentes, sobretudo, na esfera política, pois como o dever do governo é garantir a organização da sociedade e o bem-estar do povo, tais sujeitos buscam se construir como sujeitos compromissados com as sociedades em que estes são responsáveis em exercer o seu governo. Assim, tais sujeitos se constroem e se marcam para si e para o outro como preocupados e compromissados com o próximo, ou seja, o “outro” do discurso, que nesse caso, trata-se dos eleitores. No entanto, estes discursos são estratégias, são tentativas de produção de sentido, em que os sujeitos buscam por meio das escolhas linguísticas alcançar determinados efeitos de sentido'. Portanto, é saliente discutirmos sobre como os discursos de autoridade, em textos opinativos, tanto podem elevar determinada região, o Sudeste, por exemplo nestas falas, como pode levar à marginalização, propagando inverdades que foram e são naturalizadas pela repetição dos discursos deterministas, como é o caso da região Nordeste”32. 33


“Tais discursos foram abraçados também por parte da imprensa, como no lamentável episódio em que o jornalista Diogo Mainardi afirmou, logo após o resultado do segundo turno, durante o programa Manhattan Connection, do canal GloboNews, que o Nordeste era “bovino”, “retrógrado”, “subalterno” e “pouco educado” [Pressionado por nordestinos e nortistas famosos, o jornalista foi obrigado a se desculpar após a declaração: “A minha intenção era ofender a mixórdia petista que usou e abusou dos programas sociais do governo para rebanhar votos nas regiões mais pobres do país, em especial o Norte e o Nordeste”, disse Mainardi. Mais informações sobre o caso podem ser encontradas em <http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/oab-pe-edeputados-acionam-diogo-mainardi-por-declaracoes-sobre-nordestinos/> . Acesso em 17 nov. 2016]. Inferiu o jornalista que, por terem suposta “dependência” de programas assistenciais do governo, os moradores dessas regiões teriam menor capacidade de escolher seus candidatos. Ao entendimento do jornalista, essa parcela do povo não é merecedora do exercício de direitos políticos e nem parte interessada no futuro da sociedade em que vive”. 34


“Quero também, Sr. Presidente, falar de um artigo que saiu no Correio Braziliense, da socióloga Berenice Bento, que teve oportunidade de trabalhar na minha equipe anos atrás. Professora da Universidade Federal da Paraíba, doutora em Sociologia, ela destaca o preconceito continuado contra os nordestinos, que parece estar voltando com muita força, o que é absolutamente reprovável, obscurantista, retrógrado, bovino — diríamos. (…) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, todos e todas que assistem a esta sessão ou nela trabalham, quero registrar aqui um artigo da socióloga Berenice Bento, publicado no Correio Braziliense, no dia 30 de outubro. A Profa. Berenice mostra as raízes coloniais das manifestações de preconceito contra o povo do Nordeste às quais assistimos mais uma vez, estarrecidos, após a apuração do resultado das eleições presidenciais. O título do artigo da Profa. Berenice e: Quem é o retrógrado?, e diz:
“'O Nordeste sempre foi retrógrado, sempre foi governista, sempre foi bovino, sempre foi subalterno em relação ao poder, durante a ditadura militar, depois com o reinado do PFL e agora com o (PT). É uma região atrasada, pouco educada, pouco instruída que tem uma grande dificuldade para se modernizar na linguagem. A imprensa livre só existe da metade do Brasil para baixo’. (Diogo Mainardi, em programa da Globo News, acerca das eleições presidenciais, em 26/10/2014). Após esta ‘avaliação’ pensei em resgatar fatos históricos para mostrar a falsidade dos não argumentos do Sr. Mainardi: o primeiro voto feminino aconteceu no Rio Grande do Norte, ou, a primeira cidade a libertar as pessoas que eram escravizadas foi Redenção, (…) do interior do Ceará, ou ainda, listar nomes de nordestinos(as) fundamentais para a construção do projeto de nação. Contudo, se eu seguisse por esta linha estaria reproduzindo, de forma defensiva, a mesma lógica argumentativa que atribui valor (ou desvaloriza) aos fatos ou às pessoas por serem de determinada região. Ao fazer isso eu terminaria por me enredar e legitimar a mesma estrutura discursiva do comentador da Globo News e que tem como fundamento o determinismo geográfico. Ao contrário, é necessário desconstruir sua fala, afirmando que a diversidade humana não está limitada a uma fronteira, ou a uma cerca, porque não somos gado. O tropo ‘região’ foi uma poderosa arma retórica utilizada pelos colonizadores. Supunha-se que a pessoa era o resultado do meio ambiente natural em que nascia. Assim, se (…) digo ‘sou nordestina’, eu me revelo por completo, pois, a verdade inteira e última da minha existência já está dada por esta anunciação: o local de nascimento. Seríamos todos Macabéa, personagem do livro A Hora da Estrela35. Por esta lógica, não há diversidade, diferenças, uma vez que a região condiciona comportamentos, subjetividades, culturas, homogeneizando-nos ao ponto de nos tornarmos membros de uma mesma espécie. É isso o que o Sr. Mainardi faz: reproduz a ideia de uma espécie chamada nordestina. Aliás, na sua estrutura de pensamento colonizador, ele nem se dar o trabalho de falar ‘nordestinos(as)’, mas ‘nordeste’, região povoada por gente que não sabe falar, submissa, atrasada, uma manada. Em apenas 46 segundos ele repete a palavra ‘sempre’ quatro vezes, para que não paire dúvida de que naquela região a história esqueceu de acontecer. É o tempo parado, morto, o desde sempre dos coronéis, da tradição. O Sudeste e o Sul, ao contrário, é identificado como os locais onde as mudanças ocorreram e os seres se tornaram inteligentes e modernos. O Nordeste tem natureza. A metade do Brasil para baixo tem cultura. Há tempos que eu não escutava um libelo do pensamento colonizador, em pleno século XXI, com tamanha clareza e sem nenhuma ruborização facial do comentador. Sem dúvida, merece ser discutido e debatido nas aulas de Sociologia como exemplo de uma sobrevivência discursiva, resgatada com toda a ferocidade que o desejo etnocêntrico tem em controlar e eliminar o outro considerado diferente e inferior. Contraditoriamente, o sabido, civilizado, moderno, educado e bem falante, Sr. Mainardi, teve que lançar mão de um discurso que vigorou há séculos e que foi uma das principais bases de sustentação do colonialismo e que hoje está em completo descrédito. Se trocarmos a palavra ‘nordeste’ por ‘Brasil’, teremos uma citação do que os europeus pensavam das culturas colonizadas que foram destruídas por eles. Quem é o retrógrado?”. Berenice Bento é professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e pós-doutoranda na City University of New York/EUA (CNPq)”. 36


“A quem não viu, vou deixar dois 'links' aqui com o vídeo. Um vídeo é mais curto e está hospedado no 'Vimeo', o outro é mais completo pra quem quiser assistir o resto da 'boçalidade' do indivíduo, ou melhor, do que eu vi, pois evito assistir esse tipo de programa "bovino" (quem assistir o vídeo entenderá o uso da expressão) e o gado que comenta nele:
'Manhattan Connection': 'O Nordeste sempre foi bovino'. https://www.viomundo.com.br/humor/manhattan-connection-o-nordeste-sempre-foi-bovino.html;
O que Dilma quis dizer com “Não vai ficar pedra sobre pedra”. https://blogdacidadania.com.br/2014/10/o-que-dilma-quis-dizer-com-nao-vai-ficar-pedra-sobre-pedra/ Antes de começar a comentar o caso, é por essas e outras que eu me aborreci pra valer com gente vindo citar ou mencionar 'blogs/sites' "revisionistas", e quando a gente apontava o problema da mídia incitando o extremismo no país através de certas revistas ou da TV, simplesmente a opinião da gente sobre isto era deixado de lado, ignorada. Eu acho bizarro que pessoas que se jogam numa cruzada contra o antissemitismo, preconceito etc. ignore tão cegamente quem de fato incita a proliferação de sites de ódio na rede: é a mídia brasileira sim (parte dela). Se você quer combater preconceito no país não pode correr da crítica à mídia. Por isso que me recuso a discutir o assunto "revisionismo" e afins com quem não levar essa questão da mídia em conta, pois não adianta meia dúzia ficar indignada seletivamente com o negacionismo do Holocausto deixando de lado críticas a emissoras de TV e jornais/revistas (um exemplo explícito disso: a Revista Veja da editora Abril) que abrem espaço prum cretino como este do vídeo proferir todo tipo de absurdos possíveis que em um país com democracia mais consolidada, este indivíduo seria severamente rechaçado pela sociedade e sofreria algum tipo de retaliação política ou jornalística. Mas voltando ao assunto, o indivíduo do vídeo se chama Diogo Mainardi, cidadão ítalo-descendente de São Paulo, que reforça no vídeo que é paulista 'antes de ser brasileiro' "neste momento", com a velha mitomania separatista paulista (o discurso), e de que o Brasil está "abaixo" de um estado da federação, quando isto é algo falso (sempre foi), como todo discurso 'fascistoide'. Pois bem, ele diz tanta besteira em um trecho de apenas 2 minutos e 33 segundos que se for rebater pedaço por pedaço o que ele diz (e não é só dessa vez que ele profere asneiras deste tipo, ele SEMPRE diz besteira), você faria um 'post' quilométrico onde só meia dúzia acabará lendo (numa hipótese otimista). Em todo caso, vale a pena citar alguns antecedentes deste programa que agora é exibido no canal fechado Globo News da Globosat que pertencem ambas as Organizações Globo, que é o maior grupo de mídia do Brasil e que funciona quase como um monopólio. A Globo (como é mais conhecido este grupo) é parte do famoso oligopólio de mídia que a gente vem citando nos últimos posts. Este programa já contou com a presença de um antigo tagarela de direita, ex-trotskista (estou convencido que todo trotskista é um potencial fascista, é impossível haver tanta coincidência de tantos ex-trotskistas virarem fascistas ou radicais de direita) chamado Paulo Francis. Pra quem não conhece o caso, este cidadão neste mesmo programa, ainda no governo FHC (Fernando Henrique Cardoso) chamou a cúpula da Petrobras de corrupta defendendo a privatização da Petrobras (ainda vigorava na TV a defesa escancarada das privatizações de todas as estatais brasileiras sendo a Petrobras estratégica pra economia do país, e este discurso ainda vigora, de forma velada ou não) acusando os diretores da Petrobras de terem dinheiro na Suíça, sem provas. Consequência disto? Ele viria a falecer em decorrência dessa acusação imbecil e leviana que fez, acusação feita neste mesmo programa que abre espaço pra figuras deste tipo.

'Última polêmica e morte'.
Em inícios de 1997, no programa de TV a cabo do qual participava, 'Manhattan Connection', transmitido pelo canal GNT, Francis propôs a privatização da Petrobras e acusou os diretores da estatal de possuírem cinquenta milhões de dólares em contas na Suíça – acusação pela qual foi processado na justiça americana, sob alegação da Petrobras de que o programa seria transmitido nos Estados Unidos para assinantes de canais brasileiros na TV a cabo. Como Paulo Francis acusou sem provas, tinha a certeza que seria condenado e pagaria indenização milionária aos diretores da Petrobras. Com a iminência do processo milionário Paulo Francis sofre estresse profundo. Francis acabou por morrer de um ataque cardíaco, diagnosticado, em seus primeiros sintomas, como uma simples bursite. Era casado com a jornalista e escritora Sonia Nolasco, com quem viveu por mais de vinte anos. Seu corpo embalsamado foi trasladado de Nova York para o Rio de Janeiro e enterrado no jazigo familiar do Cemitério de São João Batista.

Como dá pra ver acima, a irresponsabilidade e inconsequência deste programa vem de longa data, com consequências fatais pro antigo falastrão do mesmo que morreu por falar besteira demais contra gente graúda que acionou a justiça dos EUA que não trata este pessoal da mesma forma que a justiça brasileira trata. Um bando de gente 'pernóstica', com conteúdo pra lá de questionável, em um programa com um nome pra lá de 'provinciano' (colocar nome em inglês num programa visto por pessoas que falam português é de uma 'cafonice/caipirice' atroz), defendendo pautas de direita, econômica ou política ou repetindo a pauta da direita liberal e 'neocon' dos EUA.
Pois bem, voltemos ao tempo presente e ao Mainardi e suas 'falas bovinas'. Ele diz isso sobre o "Nordeste":
Mainardi: "O Nordeste sempre foi retrógrado, sempre foi governista, sempre foi bovino, sempre foi subalterno, em relação ao poder, durante a ditadura militar, depois com o reinado do PFL, e agora com o PT. É uma região atrasada, pouco educada, pouco instruída, que tem uma grande dificuldade pra se modernizar, e se modernizar na linguagem... a imprensa livre, a liberdade de imprensa, é um valor que vale de metade do Brasil pra baixo, e nessa metade do Brasil pra baixo onde a Dilma é minoria, e uma pequena minoria, eu sou paulista antes de ser brasileiro neste momento, são 66% de paulistas que votaram contra ela, é todo mundo empresarial, é a economia brasileira inteira votando contra este partido, é toda a imprensa ou o conceito da liberdade de imprensa num tá do lado dela. Então, tudo que representa a modernidade tá do outro lado, então ela não pode jogar uma ponte tão facilmente assim..."

L. Mendes: "Mas o Nordeste não cresceu percentualmente mais que outras partes do Brasil?"

Mainardi: "Eu suponho que sim, quer dizer, quando você sai da miséria esse primeiro salto, você pode ter inclusive distribuindo um dinheirinho, que não é lá..."
Aí ele é interrompido pelo outro "especialista" e prossegue. Já tá de bom tamanho a transcrição acima, quem tiver saco que transcreva o vídeo inteiro ou assista.Mas vamos lá, quais os erros do bovino acima? Praticamente tudo. O indivíduo profere um discurso senso comum, bem arraigado em São Paulo por décadas de doutrinação do discurso de "locomotiva do Brasil" (que agora é a Maria Fumaça sem água) e todo aquele discurso fascistoide que surge ou é criado pra justificar o poder da elite ascendente de algum lugar. Quando a elite de São Paulo começou a ascender politicamente e economicamente, ela começou a forjar esses "mitos fundadores" pra justificar o poder como o "mito dos Bandeirantes"http://historiahoje.com/o-mito-dos-bandeirantes/ porque era um estado sem "passado glorioso" algum, não tinha tido relevância política no Brasil colônia. Esta criação de mitos é algo que ocorre em vários lugares e nem sequer chega a ser algo original. Tem isso em todo canto, Catalunha, Inglaterra etc, e estados brasileiros. O mais engraçado é ele se vangloriar disso quando com um sobrenome italiano desses ele está bem longe dos ditos Bandeirantes ou dos nomes indígenas de São Paulo, adotados nesta época. Por que digo isso? Porque como já foi citado aqui no blog nos posts:
A Invenção do Nordeste (livro). Pra entender o Brasil atual e suas divisões artificiais criadas na Era Vargas http://holocausto-doc.blogspot.com/2014/09/a-invencao-do-nordeste-livro-pra-entender-o-brasil-atual-e-suas-divisoes-artificiais-criadas-na-era-vargas.html
Os tais "nichos étnicos" no Brasil. Sobre o racismo e preconceito regional contemporâneo no Brasil e sua origem (mais sobre a ideologia de branqueamento do Brasil) http://holocausto-doc.blogspot.com/2014/10/os-tais-nichos-etnicos-que-falei-sobre-o-racismo-e-preconceito-regional-contemporaneo-no-brasil-e-sua-origem-ideologia-do-branqueamento.html
Todo esse discurso que ele cita parcialmente acima, entupido até a medula de preconceitos e crenças de superioridade pra justificar o poder de determinado local, é falso ou no caso, por ele não conhecer a história do país e só a mitologia do estado natal dele, ele repete essas asneiras convicto de que é essa a 'versão final' da História do país, quando não passa nem perto. E por que isso acontece? Vejam quantas pessoas citam na mídia ou mesmo em 'sites' etc. , bibliografia e livros sobre a formação do país. Quase nenhuma. Pode procurar pela internet que você acha porcamente material sobre isto. Por esta razão que eu disse que o mal desse país é o desconhecimento pesado do povo sobre sua história e a repetição incessante de mitos. A mídia reproduz este discurso décadas a fio e isso fica arraigado no sendo comum de alguns estados e cidades. O curioso é que a figura dele, Mainardi ('pruma' parte da população do país), é visto como 'referência intelectual', e é aí que a repetição desse discurso faz estrago. Dito numa emissora 'pra' milhões de pessoas que não lerão obviamente nada sobre que rebata essas 'baboseiras' dele e acharão que ele está certo porque a fala é "convincente" (não precisa estar certo, basta parecer que está 'pra' boa parte das pessoas).Quando ele recorta a história do Brasil a um período de 50 anos ou mesmo 100 anos, ele ignora que a história de um país começa na sua "fundação" (por assim dizer), ou mesmo antes disso (nas civilizações pré-Cabral), e não quando os avós dele chegam ao Brasil. Ele pode achar que a história do Brasil começa quando os ancestrais dele (família) chegam ao país (e se acha isso, acha errado), mas a história da família de milhões de brasileiros começa lá atrás, em 1500 ou antes. São mais de meio milênio de história pra ser rifada porque um bovino radicaloide ignorante não conhece ou despreza isto. O desprezo se dá por um misto de recalque, ignorância e petulância (esnobismo). Como já foi dito no 'post' do livro "A invenção do Nordeste" e outros, o eixo do país por mais de 300 anos (3 séculos) foi fixado em alguns estados ou cidades, como Recife, Salvador e interior de Minas. As cidades naquela época (e até hoje) tinham um peso muito grande em relação a um estado (que eram chamados de províncias). Salvador (capital da Bahia) foi capital do território brasileiro por mais de 300 anos, a capital do país por mais tempo, seguida depois pelo Rio de Janeiro e atualmente Brasília. Com a vinda da Família Real portuguesa, fugindo do cerco de Napoleão à Lisboa em 1808, esse centro de poder, centro econômico, de colonização e militar citado acima é alterado pra cidade do Rio de Janeiro que é onde a família real (a corte portuguesa) se fixa depois de se alojar no interior do Rio. O Rio passa a ser então o centro do poder econômico, militar e intelectual do decadente Império Português que com sua metamorfose forja uma monarquia no Brasil que só é deposta em 1889 com a instauração da República, que cria o primeiro governo de brasileiros de fato. Até a década de 50 do século XX, a cidade mais rica do país era o Rio de Janeiro, que então é ultrapassada por São Paulo. Ou seja, a mitificação que ele fez de São Paulo tem pouco mais de 50 anos contra quase mais de 400 anos de história que ele simplesmente desprezou por ser ignorante, pedante, prepotente, tapado e bairrista (pra pegar leve nos adjetivos a ele, pois na verdade o que eu penso dele é bem pior que esses adjetivos). Ninguém consegue compreender o Brasil por essa mitologia que o Mainardi repete no vídeo, ele pode repetir isso pra se vangloriar estupidamente como já vi vários fazerem (é o orgulho dos tolos), mas pros brasileiros (e estrangeiros) que querem entender o país de fato, o que ele disse é uma besteira vulgar mas que não deixa de ser a mentalidade de certos setores de alguns estados do país. Quando uma determinada elite começa a ficar refém dos próprios mitos é sintoma de decadência, que é o que está acontecendo com São Paulo atualmente. Mainardi fala de "todo um mundo empresarial" como se São Paulo se resumisse a empresários por ter o maior parque industrial do país por vários erros cometidos pelos governos centrais (federais) brasileiros antes de Lula concentrando a produção industrial do país em um só estado, atrofiando a distribuição de riquezas do país e criando as famosas desigualdades regionais. Multinacionais não são nem nunca foram mérito de um estado, são só investimentos trazidos via governo federal, estrategicamente ou não. Por que falo de governos federais? Porque o desenvolvimento paulista, que ele tanto se orgulha, teve o dedo (a mão, o braço) pesado do Estado brasileiro, influenciado por essa elite ascendente no final do século XIX, pra que concentrasse a maioria das indústrias do país (multinacionais principalmente) em um estado ou dois, o que gerou essa disparidade econômica e regional no Brasil. Algo como o que a China fez no final dos anos setenta (aquele "boom" de desenvolvimento acelerado pegando a etapa tecnológica mais avançada do capitalismo). Não foi algo espontâneo e sim forjado. Ao contrário do que ele fala, a desigualdade regional brasileira não é "geração espontânea", "natural", foi algo criado por erros de vários governos federais concentrando o desenvolvimento industrial (capitalista) em algumas unidades da federação visando num futuro espalhar esse desenvolvimento pelo resto do país e que nunca havia saído do papel até o 'Lula' virar presidente. Esta concentração de indústrias em São Paulo agora começa a mostrar o colapso pois chegou a uma saturação. Já havia chegado desde os anos 'noventa' mas vai ficando mais visível pois não têm mais pra onde se expandir dentro de um mesmo estado. São Paulo não tem mais espaço físico pra crescer e o capitalismo se expande e não quer saber de limitações geográficas impostas por bairrismo de A, B ou C. Isso o Mainardi e os 'bovinos' ao lado dele não conseguem entender, ou se entendem fazem de conta que "não entendem". Compreende o porquê da crise em São Paulo e não no Brasil, Mainardi? Agora tá começando a ficar claro o porquê do contorno 'bairrista' que São Paulo protagonizou nesta eleição. Por eu ser de um estado que passou pelo menos processo (de declínio), a gente percebe facilmente o que se passa. É tanto que várias indústrias desde a década de '90' saem lentamente de 'SP' (a Ford foi pra Bahia ainda com FHC) e começam a se espalhar por todo território nacional. Ao invés da "inteligência rara" 'bovina' com tinturas 'fascistoides' do vídeo entender o que se passa, o que ele faz? Repete um monte de besteira vomitando seus preconceitos arraigados (por nunca ter lido nada sobre história do país) e fica por isso. A emissora de TV responsável por essa peça grotesca, esse lixo de quinta categoria, não dá espaço a quem pensa diferente dele ou a quem tem conhecimento sobre isso ir a esse tipo de programa e rebater o que ele profere. Nunca vi esta emissora colocar um Evaldo Cabral de Mello pra discutir com um pústula desses, pois ocorreria um verdadeiro massacre onde todo mundo ficaria com "pena" dele. E ele vem falar de "liberdade de imprensa" com uma imprensa amordaçada dessas? Só sendo piada. Onde a maioria das retransmissora locais de TV do país (das áreas que ele diz que não tem "liberdade de imprensa") retransmitem os programas dessa área supostamente "livre" onde nesta mesma emissora do vídeo a maioria dos que comentam são de direita ou de extrema-direita por não haver pluralidade de opinião, uma amostra viva de "liberdade de imprensa" que ele prega pra "deixar inglês com inveja".O que ele diz é tão estúpido e primário que chega a ser ridículo comentar essas coisas, mas muita gente vai repetir a baboseira dele como "verdade absoluta". O pior de tudo é isso. Ele fala no vídeo de reinado do PFL. Pois bem, eu sou pernambucano, conheço bem o "reinado" dessa desgraça chamada PFL, atual DEM, pois PE era um dos corações desse partido arcaico e filhote da ditadura. Olha só os adjetivos que eu uso pro PFL, e tem piores, a aversão que parte da população tem desse partido é tão profunda que muita gente de fora de PE que não está acostumada com os termos se assusta. Teve gente assustada por eu chamar o 'traíra' Eduardo Campos (que a Globo "canonizou" como "santo" pro resto do país, um dos maiores erros do Lula) de Calabar e afins. 'Calabar' é a "honraria" (nome) mais "distinta" que um traidor de Pernambuco e do Brasil pode receber, pelo menos é como vejo um traidor do Estado. Eu sempre chamei o PFL de partido de 'jagunço', e em PE ele era apelidado de "forças do atraso" junto com a 'Direita' do Estado. Mainardi, você só está repetindo, sem saber, coisas que nós pernambucanos (de esquerda) dizemos sobre o PFL, porque nem cabeça pra inventar um rótulo você tem pois desconhece esses detalhes. A aversão ao PFL quem fomentou foi a gente, temos orgulho disso, libertar Pernambuco e o resto do país deste partido arcaico foi de fato libertação, saudações à Bahia por terem se libertado disso, tanto que ninguém sente falta do 'PêFêLê' (como a gente jocosamente o chamamos) só os antigos "coronéis" desse partido arcaico. Só que ele não comenta que o PFL fez prefeito no Rio e mandava em Santa Catarina até um dia desses com os Bornhausen e era uma força política no Sul do país comandada por políticos da região Nordeste que ele tanto fala. Como pode uma força política de uma "região atrasada" mandar em uma "região desenvolvida"? Isso não te deixa intrigado, Mainardi? Vai ver que é porque somos um só país, apesar dos chiliques de você e de mais gente que pensa como você. Olha só, com ligações "invisíveis" entre estados, mas só pra quem é recheado de preconceitos, ignorância e crendices mitológicas. Ou seja, o Mainardi bovinamente ignora até coisas recentes do país. Ele diz em resposta ao outro jornalista que "suponho que sim" em relação ao desenvolvimento regional do Nordeste com o Lula e a Dilma porque não sabe absolutamente nada do que foi investido na região nos últimos 12 anos. Por sinal, foi por conta disto (desenvolvimento industrial) e não de "bolsa família", onde o estado dele é o segundo beneficiário do programa (com tantos ricos tem uma verdadeira coqueluche de miséria dentro por gente egoísta e ideologicamente cega como ele), que esta região em peso votou no governo atual. Não foi por conta de "bolsa família", cidadão, foi por conta de coisas mais pesadas como desenvolvimento industrial. Não só o NE como boa parte do país, inclusive o Sudeste, tirando essa doutrinação e lavagem cerebral que a elite paulista fez e faz em São Paulo. A quem duvidar, podem ler e ver o mapa do gasto por estados (todos os estados do país recebem):
Ganho de votos de Dilma no 2º turno não tem relação com Bolsa Família https://blogs.oglobo.globo.com/
E tem mais dados sobre essas mitificações que a extrema-direita neoliberal brasileira cria e propaga.
Mas ele nunca ouviu falar disso? Estaleiro Atlântico Sul https://pedesenvolvimento.com/2014/09/30/estaleiro-atlantico-sul-concentra-22-de-49-navios-petroleiros/, polo industrial de SUAPEhttp://www.suape.pe.gov.br/pt/infrastructure/infrastructure.php (link2) http://www.suape.pe.gov.br/pt/negocios/mapa-interativo, FIAT http://programapernambuco.fiat.com.br/ etc? Isto é "bolsa família", Mainardi? Ressuscitar a indústria naval do país é "bolsa família"? Uma multinacional automobilística é "bolsa família"? Vai se tratar, cara. Deve ser esta de fato a razão da fúria da figura e de gente que pensa como ele, a mudança de foco de investimentos no país, ou no caso, o não esquecimento de uma região em detrimento das outras. O 'bovino' do vídeo tá com "raivinha" por isto? Eu creio que é mais provável que sim, o "bolsa família" é só o vômito (desculpa) do ódio classista do indivíduo pra externar este sentimento de raiva e descontentamento por não saber ou não querer apontar as causas de fato disto. Isto pra citar o que a gente mais conhece em só um estado, pois, o investimento foi geral e também em outros estados de outras regiões como o petróleo no Rio (Olimpíadas, etc.), enquanto o governo tucano de São Paulo pra manter o próprio poder, com uma imprensa vendida e sem vergonha, se isola nacionalmente com esse discursinho secessionista que mascara a decadência por incompetência deste partido neoliberal, de uma elite que já provocou guerra civil como a de 1932 contra a União (Estado Brasileiro). Que jogou o próprio povo numa guerra fratricida como bucha de canhão por seus interesses mesquinhos. O Mainardi e gente como ele chiam com um programa social de erradicação de miséria e pobreza mas nunca vi ele relinchar contra os juros altos e o repasse disso a banqueiros, que provavelmente ele deve lamber a sola dos seus sapatos. O "bolsa banco", o Mainardi e essa "classe média/média alta/abastada" "limpinha" nunca reclamam ou chiam, o negócio deles é ódio a pobres etc. O "bolsa família" pra erradicar pobreza extrema é a "encarnação do capeta", mas dinheiro pra rico e banco é "lindo" pra esse pessoal. Interessante... antes disfarçavam, agora escancaram esses "sentimentos primitivos". Aproveito e deixo aqui uns links sobre os mitos difundidos sobre esta eleição na mídia partidarizada do país:
E mais um adendo, o Nordeste não é um estado da federação, não tem hino ou bandeira (sempre repito isso), se alguém conhecer o hino e bandeira do Nordeste me avise, eu estou louco pra saber como é. Eu sei como é a bandeira de Pernambuco, da Bahia, do Ceará, mas do Nordeste eu desconheço. E Nordeste não é o "semiárido" brasileiro, como Asa Branca não é a música tema do Recife (onde se toca o frevo), Nordeste é antes de tudo uma região geográfica criada na Era Vargas e só (conforme o link acima do livro que trata disso) como o Sudeste etc. Nordeste pra história de Pernambuco e demais estados é uma criação recente, e me irrita ver pernambucanos repetirem esse discurso regional passando por cima da identidade do Estado, não sou só eu que detesto isso, conheço muita gente que odeia essa postura e combate, como os demais estados da região não deveriam anular sua identidade local pra assumir uma identidade cultural regional imposta por uma ditadura. Por isso que eu rejeito essa identidade, não é por renegar a região e sim porque jamais engolirei ou me submeterei à identidade imposta por forasteiros e ditaduras. Eu sou de fato contra o preconceito regional, vou até a raiz do problema, por isso que não gosto desta babaquice de "nação nordestina" e essas invencionices ridículas e caricatas que criam reforçando certos preconceitos achando que estão combatendo. Colocam as pessoas como "algo à parte" do país e o que os caras fazem? Reproduzem a caricatura forjada se colocando como "algo à parte".
Falar que "Nordeste" (além do erro de se referir a região e não a estados, por pedantismo e burrice) é uma região subalterna ao poder quando meu Estado foi o único estado do país desmembrado como represália pela rebeldia (três revoluções em 1 século Link1, Link2, Link3, área desmembrada de PE e anexada à Bahia Link2 fico devendo o mapa mas dá pra achar fácil), foi o único estado do país a de fato se separar do Brasil dominado por Portugal, quando do golpe de 1964 já tinha tropas do exército em Pernambuco pra depor Arraes com medo de focos de resistência (e foi, vide o atentado no Aeroporto dos Guararapes) contra o golpe de estado, chega a ser escárnio a ignorância bovina deste cidadão.
Mainardi, não me faça rir do vídeo. Teve gente que ficou ofendida com isso, eu realmente não sei se rio ou se fico com pena. Só acho que uma emissora de TV jamais deve dar espaço a pessoas como você vomitar essas asneiras em cadeia nacional.
Por justamente ser rebelde, Pernambuco foi um estado bastante reprimido militarmente, politicamente e economicamente pelos antigos governos federais (Monarquia e República), porque representava um perigo pra "ordem vigente" alinhada antigamente com Portugal, e depois com o Reino Unido e Estados Unidos. Não há "bovinice" alguma nisso, pelo contrário, vocês se pelam de medo do nome "rebelde", "libertário" etc. Refiro-me a libertário no sentido nobre do termo e não com a estultice que esses liberais de araque (de meia tijela) do Brasil e dos EUA ficam pregando.
SUAPE (o porto e polo industrial) foi sabotado pelo presidente que o bovino Mainardi e essas figuras esnobes deste programa idolatram, FHC (Fernando Henrique Cardoso), o algoz de Pernambuco, que eu sempre chamo de "sociólogo vendilhão" da pátria (cuidado que ele pode privatizar teu olho se você estiver lendo este post) e por todos os governos federais antes dele, só sendo de fato concluído com Lula.
Aí chega uma anta dessas em cadeia nacional e fala que o povo só votou por "bolsa família", piada.
Por sinal, este é um programa correto, que existe em vários países desenvolvidos pra combater a pobreza. Isto é política de país desenvolvido e que é tratada com ódio e desprezo por gente como você, Mainardi, e que o candidato derrotado dele não ousou atacar na campanha quando o partido dele chamava o programa de "bolsa esmola" com um desprezo e ódio profundos, num reducionismo atroz já que São Paulo é o segundo estado do país beneficiário do programa sendo o estado mais rico da federação, isto sim caso de estudo.
Mainardi, você deve estar sabendo como está a Cantareira, não? Secando. Olha a foto abaixo:
Mainardi, dá uma olhada nas indústrias saindo de São Paulo pela falta d'água provocada pelo partido que você e o empresariado (bovino) votaram:
Prevendo crise hídrica em SP, empresas investem em outros Estados37
Seca recorde pode afetar abastecimento de água de São Paulo até outubro38
Mesmo com chuva, níveis do Cantareira registram nova queda39
Sistema Cantareira registra nova queda e chega a 12,7%40
Pois duvido que empresariado de multinacionais embarcarem numa barca furada dessas de ódio sectário por bovinice. Afinal, eles não queimam dinheiro. Multinacional não fica com essa choradeira de levar a sério propaganda e discurso da Guerra Fria de "perigo cubano", "perigo bolivariano" e afins propagados por um bando de imbecis. Os EUA não dão a mínima pra essas baboseiras desde a queda da União Soviética (1991), tanto que é o maior parceiro da China. Nunca vejo esses direitistas do Brasil neuróticos com "comunismo", Venezuela, Chávez etc falarem da China. O papo deles é até "China I Love You". Eles só falam (malham) de Cuba, Venezuela, Bolívia e Coreia do Norte. E há inclusive contornos racistas em certos comentários com a Venezuela e Bolívia porque os líderes desses países não têm o biotipo "nórdico" (europeu) que essa direita fascistoide enrustida do Brasil idolatra. Você fala em "liberdade de imprensa" e bla bla bla, mas veja o que seu papai propõe como liberdade requentando discurso golpista da Guerra Fria: Mainardi e as Forças Armadas: A quem serve a Guerra Fria? Vou parar por aqui. Viram por que eu disse que a fala dele era um amontoado de idiotices? Agora, como eu posso levar a sério quem leva um idiota desses a sério? A gente evita endurecer o tom pra não ofender as pessoas, mas estamos chegando a um patamar crítico onde fica cada vez mais difícil evitar ofender. A discussão sobre política na internet está ficando restrita a guetos por conta desse comportamento bovino, agressivo que o cara do vídeo encarna. Se acha ele radical, já vi piores. Pra se ter uma ideia do atoleiro da coisa, eu acho que tem "revi" lá no Rodoh que perto desses caras passaria por "humanista", e tá cheio de filhotes de Hitler por lá (vejam o tamanho da cratera do problema). Um povo 'idiotizado' que só lê revistas panfletárias e mídia partidarizada repetindo esses discursos de forma paranoica como "verdades". E quando são rebatidos, ficam furiosos e começam a xingar. Ele encarna o comportamento infantilizado e grotesco de parcela da população, com pouco apreço à democracia e conhecimento, com profundo rancor (ele é visivelmente rancoroso, ressentido e amargo), mas que vive rotulando quem é de esquerda, nacionalista democrático, democrata/progressista etc como autoritário”.41

Não parece que a questão do federalismo brasileiro, especialmente a formação de novos Estados, seja uma saída verdadeira. Entende-se que é justo certas reinvindicações regionais, como, por exemplo, o peso e o valor do voto que é diferente e desigual no que se refere ao pacto federativo. Mesmo assim, vem junto uma série de ranços, preconceitos, discriminações, bairrismos, que não ajudam e prejudicam a ideia de um país unido. A questão geográfica, o bairrismo, não resolvem as questões de fundo, que são os interesses de classe. Uma nova disposição administrativa do país pode ajudar a repactuar a ideia de federação. Mesmo porque o país precisa sempre atualizar o Estado enquanto suprassumo, essência, fundamento do pacto federativo. E não estou falando do tradicional e histórico equívoco das Forças Armadas que confundem Estado com governança. Não são os militares que são os guardiões da federação brasileira, como assim pensa a elite militar, mas o povo.


Meus amigos, minhas amigas, meus caros leitores. Hoje vou falar de um assunto muito delicado, polêmico, discriminatório, seríssimo e que veio à tona mais uma vez, por ocasião das eleições deste ano. Trata-se da falta de respeito, preconceito e discriminação que um escritor e jornalista paulistano fez contra NÓS, o bravo e querido povo nordestino. Assisti parte da entrevista deste cidadão e estou INDIGNADO ! O escritor e jornalista, Diogo Mainardi, durante o programa televisivo da Globo News, após a vitória da presidenta Dilma, que teve uma excelente votação no Nordeste brasileiro, fez infelizes críticas discriminatórias e preconceituosas contra o povo do Nordeste. Ele disse, em alto e bom som, que o Brasil vai piorar, deixou de ser o país do futuro e ficou no passado, pelo simples fato de ter reelegido a presidenta Dilma e o PT. E culpou a NÓS nordestinos, pelo simples fato de ter votado em Dilma, com uma votação esmagadora e ter garantido a sua reeleição. Pode ? Disse também, que o povo nordestino é retrógrado, subalterno com relação ao poder, atrasado, pouco educado e instruído, de linguagem pouca evoluída, sempre governista, que tem dificuldades para se modernizar, e que vem saindo da miséria ultimamente, por que está recebendo um dinheirinho ( como se fosse uma esmola ). Pode ? Finalmente, disse ainda, que a liberdade de imprensa não funciona no Nordeste e que seus verdadeiros valores só funcionam na parte de baixo do país, ou seja, sudeste e sul. E chamou o povo nordestino de BOVINO, isso mesmo, BOVINO ! E aí, caro leitor, o que você acha de tudo isso ? Poucas e tímidas reações aconteceram contra esse sujeito, que também disse, que antes de ser brasileiro, era paulista. Já imaginou que “cabra de pêa” ! Soube que ele depois, pediu desculpas esfarrapadas e quis justificar o termo BOVINO, baseado nos currais eleitorais, voto de cabresto e compra de votos, que ele diz, que a décadas acontece no Nordeste. Na verdade, nas suas desculpas, a emenda ficou pior que o soneto ! Caro, Diogo Mainardi. Como paraibano, nordestino e acima de tudo, brasileiro, NÃO ACEITO as suas desculpas. Com todo respeito à sua família, BOVINO é VOCÊ ! Aliás, vi a sua foto/imagem, e pude notar que existem bois e vacas nas fazendas brasileiras, mais afilados, melhor alimentados e mais educados do que você, seu “pôrra” ! Você feriu a alma de um povo que deu origem ao Brasil e fez esse país crescer e se desenvolver. Você só é gente, por que os nordestinos fizeram São Paulo ser grande e forte. Você pode até não ter futuro, porém, saiba que o Brasil tem futuro SIM e caminha na direção certa. Respeite suas origens, seu sangue e seus conterrâneos brasileiros. Estude melhor a nossa geografia política e verifique que o Nordeste é mais Brasil do que você, seu “pôrra” ! Nunca fui separatista, sempre fui um conciliador e lutador pelo fortalecimento de nossa Federação, porém, não suporto mais, tanto preconceito e discriminação contra o Nordeste e o nosso povo. Hoje, entendo perfeitamente por que a nossa Elba Ramalho, cantou e bradou:“ IMAGINE O BRASIL SER DIVIDIDO E O NORDESTE FICAR INDEPENDENTE” !!!42 Em virtude de todas as discriminações e preconceitos que vem a muito tempo acontecendo contra o povo nordestino e a nossa região, ACHO, que já está na hora de realmente tornar o NORDESTE INDEPENDENTE. Chega ! Não é mais possível escutar tantos adjetivos desqualificantes à nosso respeito. Espero que nossos representantes no Congresso Nacional, tenham CORAGEM de levantar esta bandeira e lutar pela separação e independência do Nordeste. Independente dos problemas do PT, votei em Dilma e respeito quem votou noutros candidatos, afinal, alcançamos a nossa liberdade e vivemos numa democracia, depois de inúmeros sacrifícios. Apesar dos pesares, o Brasil está avançando SIM. Acredito na presidenta Dilma e espero que ela realmente faça as profundas mudanças que o Brasil e seu povo tanto desejam. Caro, Diogo Mainardi. Saiba que São Paulo não é o dono do Brasil, nem você é filho do dono. O dono do Brasil são TODOS os brasileiros, todos NÓS, inclusive, você ! Sem a menor necessidade, só por causa de questões político-eleitorais, você ficou revoltado e FERIU a alma da nossa região e do nosso povo. Realmente, você merecia uma “surra” pedagógica em praça pública !! Saiba também, que o povo nordestino, é um povo forte, amigo, acolhedor, trabalhador, honesto, de muita fé em Deus e acima de tudo, é um povo RESPEITADOR, porém, com todo respeito à raça bovina, os nordestinos não vão ficar calados perante BOVINOS como você … EXIGIMOS RESPEITO !! VIVA O NORDESTE INDEPENDENTE !!!! 43


Já que existe no sul esse conceito
Que o nordeste é ruim, seco e ingrato
Já que existe a separação de fato
É preciso torná-la de direito
Quando um dia qualquer isso for feito
Todos dois vão lucrar imensamente
Começando uma vida diferente
De que a gente até hoje tem vivido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
Dividindo a partir de Salvador
O nordeste seria outro país
Vigoroso, leal, rico e feliz
Sem dever a ninguém no exterior
Jangadeiro seria o senador
O cassaco de roça era o suplente
Cantador de viola, o presidente
O vaqueiro era o líder do partido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
Em Recife, o distrito industrial
O idioma ia ser nordestinense
A bandeira de renda cearense
"Asa Branca" era o hino nacional
O folheto era o símbolo oficial
A moeda, o tostão de antigamente
Conselheiro seria o inconfidente
Lampião, o herói inesquecido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
O Brasil ia ter de importar
Do nordeste algodão, cana, caju
Carnaúba, laranja, babaçu
Abacaxi e o sal de cozinhar
O arroz, o agave do lugar
O petróleo, a cebola, o aguardente
O nordeste é auto-suficiente
O seu lucro seria garantido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
Se isso aí se tornar realidade
E alguém do Brasil nos visitar
Nesse nosso país vai encontrar
Confiança, respeito e amizade
Tem o pão repartido na metade
Temo prato na mesa, a cama quente
Brasileiro será irmão da gente
Vai pra lá que será bem recebido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
Eu não quero, com isso, que vocês
Imaginem que eu tento ser grosseiro
Pois se lembrem que o povo brasileiro
É amigo do povo português
Se um dia a separação se fez
Todos os dois se respeitam no presente
Se isso aí já deu certo antigamente
Nesse exemplo concreto e conhecido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
Povo do meu Brasil
Políticos brasileiros
Não pensem que vocês nos enganam
Porque nosso povo não é besta44


Alceu Valença afirma que Diogo Mainardi tem "pensamento mais largo que profundo". O que é um pensamento largo? O que é um pensamento profundo? Evidentemente, trata-se de uma linguagem poética, com a tradicional licença que o artista tem, de um certo virtuosismo, de uma certa racionalidade45, com certos limites estéticos e éticos que não cabe aos simples mortais ficar questionando. Até onde os exageros grosseiros dessa licenciosidade poética de cineasta podem conduzir a interpretações erradas ou errôneas, do ponto de vista da ciência, certamente que é uma questão a ser explorada46. Até onde a licenciosidade poética precisa de uma fundação semântica para procurar uma legitimação linguística?47



“Alceu Valença usa o Facebook para rebater discurso preconceituoso de Diogo Mainardi e diz que pedido de desculpas do ex-colunista da Veja “não convenceu”. Músico ressaltou ainda personalidades nordestinas que “orgulhariam qualquer região do nosso país e qualquer outra nação”. https://www.pragmatismopolitico.com.br/wp-content/uploads/2014/11/alceu-valenca-mainardi.jpg . Foi através de sua página no Facebook que o músico pernambucano Alceu Valença rebateu hoje as declarações polêmicas do jornalista Diogo Mainardi sobre o povo nordestino. “Só hoje assisti ao vídeo onde Diogo Mainardi declarou seu ódio preconceituoso contra nós, nordestinos. Bovinos, subalternos, retrógrados, mal educados fizeram parte do seu menu de ofensas. Em seguida, vi seu pedido de desculpas que, sinceramente, não me convenceu. A história brasileira está repleta de personalidades nordestinas que orgulhariam qualquer região do nosso país e de qualquer outra nação”, escreveu o cantor. Em seguida, iniciou uma lista de personalidades nascidas na região, entre intelectuais, músicos, escritores e revolucionários. A postagem já soma mais de 24 mil curtidas. Entre os comentários, fãs de todo o país declaravam apoio ao músico e repudiavam o discurso de Mainardi”.48


“Na entrevista a seguir, concedida por telefone, Berenice Bento comenta as “reações de ódio” aos nordestinos após a reeleição de Dilma e lembra que “o preconceito aos nordestinos não é algo inventado nestas eleições. Em São Paulo, falar que alguém fez uma ‘baianada’ é o mesmo que qualificá-lo como portador de pouca inteligência. No Rio de Janeiro, o ‘baiano’ é transmutado em ‘paraíba’. Então, a desqualificação das pessoas, tomando como referência a região, é algo recorrente”. Contudo, a reação durante as eleições é explicada pela socióloga como um preconceito contra o ex-presidente Lula. “O Partido dos Trabalhadores tem como grande líder um nordestino, de origem pobre, com pouco estudo e que não se envergonha de falar disso, que não fez concessão à elite intelectual, no sentido de performatizar um conhecimento acadêmico que não tem. (...) O ódio ao nordestino, nesse contexto, tem outro texto: O ódio de classe que encontra no PT e no Lula a materialização de um medo profundo de perder os privilégios seculares baseados na exploração da força de trabalho”, afirma. Berenice enfatiza ainda que é sem sentido identificar o voto à Dilma com pessoas sem formação. “Quase 100% dos reitores das universidades votaram pela reeleição da Dilma (e não apenas os reitores das universidades nordestinas), a elite intelectual do Brasil, a que faz pesquisa, que produz, que coloca o Brasil nos periódicos científicos nacionais e internacionais e que participa de eventos, não vou dizer 100% porque seria um absurdo da minha parte, mas a grande maioria votou no PT. Por que isso? Porque obviamente é um voto de interesse. Parte importante da classe média alta, como, por exemplo, muitos professores de universidade com salários na faixa dos 10 mil a 15 mil reais, votou na Dilma. Portanto, aqui há outro erro em identificar a classe média brasileira como eleitora do PSDB. Parte considerável desta classe votou no PT”. Berenice Bento é professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN. Doutora em Sociologia e pós-doutoranda na City University of New York (EUA/Bolsa do CNPq). Confira a entrevista.

IHU On-Line - Como interpreta as reações de xingamento e desqualificação de pessoas por morarem em determinadas regiões do país, ao longo das eleições? Após o resultado das eleições do primeiro turno, os paulistas receberam muitas críticas por terem reelegido Alckmin, e no segundo turno os nordestinos receberam muitas críticas por terem votado em Dilma. O que isso revela sobre o Brasil?

Berenice Bento – Sobre os paulistas terem reeleito Alckmin, escutei avaliações raivosas, esvaziadas, mas nada tão agressivo quanto os comentários em relação à vitória de Dilma e, particularmente, a centralidade que a figura do nordestino assumiu como suposto responsável por supostamente manter o Brasil na contramão do desenvolvimento, a exemplo da fala de Diogo Mainardi na Globo News. Vale lembrar, contudo, que o preconceito aos nordestinos não é algo inventado nestas eleições. Em São Paulo, falar que alguém fez uma “baianada” é o mesmo que qualificá-lo como portador de pouca inteligência.

No Rio de Janeiro, o "baiano" é transmutado em “paraíba”. Então, a desqualificação das pessoas, tomando como referência a região, é algo recorrente. O grande fluxo de nordestinos para o Sudeste é relativamente recente, remonta à segunda metade do século XX. Desde o primeiro momento, os nordestinos foram fundamentais para o projeto de modernização econômica do país. E é esta força de trabalho formada por homens, mulheres e crianças que chegam aos milhões, durante décadas, nas rodoviárias do Sudeste. As figuras do "paraíba" e do "baiano" funcionam, de certa forma, como uma nomeação externa interpelada pelos moradores locais, uma forma de, através da linguagem, produzir muros simbólicos entre os "nativos" (cariocas da gema, por exemplo) e os outros. Além da pobreza que os nordestinos representavam, há marcas corporais que são reiteradamente citadas como mecanismo de produção de estigma: cabeça grande, o sotaque cantado, a altura, as comidas que passam a ser consideradas marcas de diferenciação negativadas. Enfim, um conjunto de supostas características que são naturalizadas com dois propósitos: ao negar qualquer inteligência a este corpo nordestino, o local (ou seja, o paulista e o carioca) se constrói como superior. Com isso, (...) o processo de construção de posições identitárias está "condenado" a ser, desde sempre, relacional. O pensamento hegemônico paulista e carioca precisa reiterar o lugar inferior do nordestino para se produzir como espécies nobres no âmbito da nação brasileira. O Brasil, portanto, seria o Rio de Janeiro, São Paulo, e o resto, neste enorme campo de "restos", são os nordestinos, que ocupam a posição mais inferior. Quando falo em termos de "pensamento hegemônico", é para destacar que há outros discursos que circulam, que discordam completamente de se atribuir e definir comportamentos e identidades a partir do local de nascimento e que fazem uma luta contra o determinismo biológico, inclusive no Rio de Janeiro e São Paulo. O que eu estou tentando apontar é que no momento pós-eleições estas disputas discursivas ficaram mais claras, hiperbolicamente.

IHU On-Line - Há mais discriminação em relação aos nordestinos do que a pessoas de outras regiões do país?

Berenice Bento – Para entendermos a rejeição a uma suposta forma de ser nordestino, no dia a dia, e do ódio estampado nas caras e palavras de algumas pessoas nos últimos dias, é necessário sair da conjuntura e pensar esta disputa identitária nos marcos de uma reflexão sobre a própria natureza das identidades. O tropo "região" foi um mecanismo acionado pelos colonizadores para definir os lugares dos corpos na hierarquia social, econômica, política e divina. A fronteira é mais do que uma marcação física e objetiva. Os que estão fora, para terem direito a entrar, devem passar por processos de assimilação que deverão resultar em apagamento de seus registros culturais, aprender uma nova língua, adorar um novo deus para serem aceitos como membros de uma comunidade (seja o novo estado, uma nação, ou mesmo em grupos identitários).

Por que o ódio aos nordestinos? Porque eles são nordestinos. E poderíamos brincar com a palavra norDESTINO. Aqui, a própria região seria o destino. Nascer no Nordeste é trazer marcas que irão definir a totalidade do ser, e nada se pode fazer para romper este destino definido pelo local de nascimento. Ninguém consegue escapar dos imperativos impostos pelo meio geográfico. Ou seja, o local de nascimento seria o selo definitivo para explicar uma suposta inferioridade. Pela lógica do determinismo geográfico, não é preciso muito argumento: eles são como são porque são nordestinos. Estamos diante, portanto, de uma sobrevivência do pensamento colonizador. Isso também tem um efeito contrário: a valorização de tudo que vem dos centros dominantes. O pensamento colonizador não consegue olhar uma determinada dimensão da vida social e complexificá-lo. Tudo se passa no âmbito do binarismo: nordestino versus sudestinos (acho que eu acabei de inventar uma palavra: "sudestinos"). Então, se congela o outro em uma posição regionalizada. Essa seria uma possibilidade de explicação.

Ódio aos nordestinos nas eleições.

Mas gostaria de sugerir uma possível explicação para as manifestações coletivas de ódio ao nordestino na atual conjuntura. Conforme apontei, isso não é novo, o que parece assustador é a intensidade dos insultos, que tiveram a cidade de São Paulo como principal cenário. Acho que há um subtexto aí. O Partido dos Trabalhadores tem como grande líder um nordestino, de origem pobre, com pouco estudo e que não se envergonha de falar disso, que não fez concessão à elite intelectual, no sentido de performatizar um conhecimento acadêmico que não tem. Ele esfregou a sua diferença na cara de uma elite que está de costas para o Brasil e olhando para a Europa como o grande oásis da suposta existência pensante.

Nunca na história do Brasil tivemos um presidente com uma origem de classe como a de Lula. A política sempre foi assunto da elite econômica e aos pobres cabia a função de votar em quem os coronéis (tanto urbanos quanto rurais) mandavam. Acho que, por sua biografia, Lula pode ser considerado como um herói dos tempos do capitalismo: alguém que provou que com esforço pessoal é possível vencer, uma narrativa que está impregnada, por exemplo, no imaginário dos Estados Unidos. Ele foi para o Sudeste e conseguiu “dar a volta por cima”. O que me parece interessante é que a elite brasileira naturaliza de tal forma a pobreza e os pobres, que não consegue nem fazer um discurso de reconhecimento dos esforços pessoais das pessoas que subvertem seus destinos de classe social; ao contrário dos valores estadunidenses, que se alimentam dos exemplos de histórias de vida como as do Lula para continuar reproduzindo a ideia de que o capitalismo é o melhor sistema do mundo, pois os sujeitos têm liberdade para crescer e mudar seus próprios destinos.

A elite econômica brasileira é feroz. Mas elite econômica não é o mesmo que elite intelectual. Quase todos os reitores das universidades públicas brasileiras declararam apoio à Dilma. Então, o ódio ao nordestino, nesse contexto, tem outro texto: O ódio de classe que encontra no PT e no Lula a materialização de um medo profundo de perder os privilégios seculares baseados na exploração da força de trabalho.

Dizem que o ódio cega, isso é verdadeiro. Identificar o PT como um partido comunista é uma completa desconexão com a realidade. O mínimo, como, por exemplo, garantir que as pessoas tenham comida e não morram de fome, no âmbito do programa FOME ZERO, é enxergado como o máximo para a elite.

Passeatas pela militarização.

Eu também acho que é possível fazer uma leitura atravessada das manifestações reivindicando o retorno da ditadura militar. Na campanha anterior, a presidenta Dilma não tinha assumido com tanta força o seu passado de ativista contra a ditadura, a tortura que sofreu e a sua resistência. Nesta eleição, este passado foi retomado com força, a exemplo do slogan "Dilma, coração valente!". O pedido de retorno da ditadura me diz o seguinte: Por que vocês não fizeram o trabalho completo, senhores militares? Por que deixaram esta mulher sobreviver? Certamente, para uma presidenta eleita democraticamente, que tem o passado dela, o pedido de intervenção militar deve soar como uma profunda agressão. Portanto, tanto no caso dos nordestinos quando no apelo ao retorno da repressão, o desejo manifesto é atacar o PT, que, nesta cegueira de classe, é identificado como um partido comunista.
IHU On-Line - Qual é o impacto desse tipo de reação no processo eleitoral? Acaba-se tendo uma influência muito mais emotiva do que política?

Berenice Bento - Durante as eleições, tudo está à flor da pele. A emoção faz parte. Foi um processo histórico que nunca aconteceu antes. É um momento rico e devemos ter mais serenidade para entender as múltiplas intencionalidades e interesses que foram e estão sendo postos em cena. Temos que evitar análises binárias entre uma disputa entre PSDB e PT. Tem uma diversidade a ser considerada. Há pessoas que votaram no Aécio e veem o nordestino como uma figura abjeta, nojenta, que tem de ser eliminada, mas, por outro lado, muitas pessoas votaram nele porque simplesmente não suportam mais a ideia da corrupção. O que nós tivemos no Brasil nos últimos anos foi um massacre midiático: quase todos os dias manchetes nos jornais mostravam corrupção, corrupção, corrupção. Um julgamento pelo STF transmitido ao vivo, políticos sendo algemados e encarcerados, tudo com ares de espetacularização.

Não quero entrar aqui no debate de possíveis vias do Judiciário, mas sim nos efeitos que esta avalanche de discursos em torno da corrupção produziu nas subjetividades dos eleitores. Pós-eleições, por exemplo, pessoas foram para a rua pedir o 'impeachment' de Dilma, outros pedindo intervenção militar e outros, na mesma manifestação, tinham faixas contra a corrupção e pela liberdade de imprensa. Olha a contradição! Que tipo de unidade política unifica este coletivo de gente que vai para as ruas? Como é possível demandar intervenção militar e liberdade de imprensa? Daí eu acreditar que não se pode lidar com os eleitores do PSDB como uma "massa" uniforme. Então, existe uma diversidade de intenções e desejos desse bloco que tem sido intitulado como “direita”, e eu não concordo com este simplismo analítico.

Do mesmo jeito acontece com quem votou no PT. Não se iluda. Muitos dos que votaram no PT estão longe de assinar embaixo o conjunto das ações do governo petista. É claro que o PT tem um ativismo aguerrido, dedicado, mas está longe de representar a maioria dos votos que a Dilma recebeu. Minha filha disse uma frase lapidar: “Jamais vou perdoar o Aécio por ter me obrigado a votar na Dilma”. Então, é isso, as pessoas votam, mas isso não significa que se cristaliza uma posição pelo voto. Muitos ativistas dos Direitos Humanos foram claros: o voto no menos pior. E no dia seguinte à eleição começa o trabalho de pressão. Do mesmo modo, muitas pessoas devem ter dito e pensado que jamais vão perdoar a Dilma por terem votado no Aécio. Portanto, as binaridades não nos ajudam a compreender as dinâmicas das relações sociais.

Em plena eleição tem um escândalo envolvendo a maior estatal brasileira, a Petrobras. Eu sou professora de uma universidade pública e sou ativista dos direitos humanos em torno da questão das sexualidades e dos gêneros, e me pergunto: o que foi o governo Dilma para essa área? A conivência e o conchavo do PT para a eleição do Marcos Feliciano para presidir a Comissão dos Direitos Humanos não pode ser secundarizada. Por outro lado, eu também sou professora de uma universidade pública e, por uma questão ética, não posso negar as profundíssimas mudanças que estão em curso nas universidades. Estou neste espaço há 30 anos, seja como estudante ou professora. Nunca vimos nada parecido. As cotas, o aumento de verbas para ampliação dos campus, a ampliação da quantidade de bolsas de mestrado e doutorado, a abertura de novas universidades, o Programa Ciências Sem Fronteiras, o ENEN.

Poderíamos gastar horas e horas debatendo os problemas de cada um dos pontos que acabei de citar. Apenas um exemplo: o Ciências Sem Fronteiras é limitado a determinadas áreas do conhecimento. Isso é verdade, mas o programa está criado. O que temos que fazer? Pressão política para ampliação de recursos e do seu alcance. E ao reconhecer estas mudanças positivas, não posso me calar diante dos problemas que temos com os nossos salários, até porque parte considerável do que recebemos aparece em nossos contracheques como "gratificação", o que terá impactos tremendos na hora da aposentadoria.

Críticas à imprensa.
Por outro lado, nesta polifonia de reivindicações, tem uma coisa que repete: “abaixo à Rede Globo”. Esse “abaixo à Rede Globo” é abaixo à imprensa que manipula, não informa e deturpa. Uma coisa é certa: a imprensa brasileira vive uma crise de legitimidade que precisa ser discutida e mudanças implementadas. Tanto os eleitores do PSDB quanto do PT têm denunciado as manipulações da Folha de São Paulo, de O Globo, da Veja, da Rede Globo.

Quando os jornalistas do Jornal Nacional estavam entrevistando os candidatos, parecia que estavam conversando com bandidos, porque a grande questão era fazer pegadinha, saber quando o candidato mentia, quando, na verdade, o grande bandido (aquele que nos rouba o direito a ver o contraditório e à informação qualificada) estava do outro lado da bancada. No dia em que esta indignação contra a imprensa se transformar, de fato, em propostas concretas do controle social da imprensa por meio de mecanismos democráticos, podemos pensar em um salto qualitativo na politização da nossa sociedade. Apenas para ilustrar as artimanhas discursivas que a imprensa utiliza para manipular a realidade, basta ver a ênfase (e ênfase aqui significa repetição e repetição, quase como um mantra) dada à frase "o Brasil saiu das (eleições) dividido". Mas isso é uma brincadeira com a nossa inteligência, não pode ser levado a sério, porque esta é a própria essência do capitalista: divisão por classes, por gêneros, por raça. É impossível ter uma sociedade capitalista que não tenha divisão. A imprensa reforça essa dimensão da divisão agora para culpabilizar o PT. Mas quando Collor foi eleito, houve uma celebração das elites econômicas e políticas via seus porta-vozes costumeiros: a imprensa, apontando a vitória da democracia. Agora que o debate sobre democracia e justiça social apareceu com cores um pouco mais fortes, se fala em divisão. O que era democrático, agora aparece como negativado. Isto releva como se podem construir realidades a partir da utilização de determinadas palavras. Antes, a "democracia" era exaltada, agora é "divisão", quase um chamado para a guerra. Isso me parece um truque na produção de narrativas. Um truque sutil que a imprensa é craque em fabricar.

"As pessoas votam, mas isso não significa que se cristaliza uma posição pelo voto”.
IHU On-Line - Como e em que medida esse discurso de xingamento impede ou atrapalha, na prática, uma análise regional das eleições?
Berenice Bento - O ódio aos nordestinos impede que se analise melhor o resultado das eleições. E, mais uma vez, a imprensa falha (intencionalmente) em não analisar os fatos. A presidenta Dilma não obteve maioria dos votos apenas nos estados do Nordeste. Mas, como eu disse, o ódio produz cegueira e surdez. Não há diálogo possível com alguém que já começa um suposto diálogo dizendo que você não merece viver, como eu escutei gritos de pessoas nas ruas de São Paulo: "morte aos nordestinos!". E quando há violência simbólica neste nível, a única mediação possível é o Judiciário.
IHU On-Line - Que políticas públicas o PT tem desenvolvido no Nordeste ao longo desses 12 anos? É possível apontar mudanças significativas na região após 12 anos de PT na presidência?
Berenice Bento – Posso falar das universidades que conheço de perto. Houve uma ampliação dos campos universitários. Estou falando de educação, de investimento em pesquisa. Estou nos Estados Unidos fazendo pós-doutorado com financiamento público. Colegas professores norte-americanos de universidades com grande prestígio internacional não entendem como é possível que um país pobre, com uma injustiça social profunda, mande seus estudantes com bolsa do governo para estudar fora, não entendem como professores saem para fazer um pós-doutorado com bolsa e com salário. Aqui, quando há licenças sabáticas, geralmente o professor não recebe nenhuma bolsa e o salário pode diminuir em até 50%. Não se pode comparar o período desses 12 anos com o período de Fernando Henrique, não tem como, as universidades estavam fechando, departamentos que não podiam oferecer disciplinas porque professores se aposentavam e não havia concursos para novas contratações.
É sem sentido identificar o voto à Dilma com pessoas sem formação. Quase 100% dos reitores das universidades votaram pela reeleição da Dilma (e não apenas os reitores das universidades nordestinas), a elite intelectual do Brasil, a que faz pesquisa, que produz, que coloca o Brasil nos periódicos científicos nacionais e internacionais e que participa de eventos, não vou dizer 100% porque seria um absurdo da minha parte, mas a grande maioria votou no PT. Por que isso? Porque obviamente é um voto de interesse. Parte importante da classe média alta, como, por exemplo, muitos professores de universidade com salários na faixa dos 10 mil a 15 mil reais, votou na Dilma. Portanto, aqui há outro erro em identificar a classe média brasileira como eleitora do PSDB. Parte considerável desta classe votou no PT.
IHU On-Line - Deseja acrescentar algo?
Berenice Bento- Precisamos de um pouco mais de tempo para entender realmente o que está acontecendo. As coisas ainda estão confusas. Tantas coisas aconteceram em tão curto espaço de tempo (milhões de pessoas foram às ruas ano passado, a Copa e outras centenas de manifestações, as eleições) e nós ainda estamos meio “nocauteados” com tudo isso. Precisamos de mais tempo para entender as naturezas e os alcances de toda esta fervura”.49
1Mestre em História do Brasil.
3O orientalismo serviu com uma ferramenta legitimadora da exploração colonial através de um trabalho de pesquisa pautado, antes de tudo, na hipótese da inferioridade racial e cultural de todas as civilizações não europeias. O seu objectivo, não assumido, foi a busca da justificação do processo imperialista através do discurso de redenção dos "primitivos, inferiores e subdesenvolvidos". Tal prática mostrou-se amplamente nociva e eficaz em criar um desinteresse absoluto em conhecer mais profundamente as civilizações asiáticas e africanas, bem como de trabalhar o medo e a desconfiança em relação aos dominados, cujas sociedades eram tidas como "incultas, irracionais e perigosas". Somente num período recente tal postura foi revista pelo intelectual Edward Said, em cujo livro "Orientalismo" ficam explícitos como tais expedientes atuam, até os dias de hoje, na construção da imagem do mundo islâmico. Algumas áreas com mais tradição em estudos asiáticos, como a sinologia e a indologia, conseguiram de algum modo superar parte desta carga de preconceito, mas a crítica de como as culturas orientais e africanas são recebidas pelo público ocidental, em geral, continua válida e atual, como bem demonstraram as reações aos eventos do 11 de Setembro e da Guerra do Iraque. Pode-se, portanto, afirmar que o orientalismo – em sua tendência ortodoxa – foi uma das teorias criadas em meio as ciências humanas que maior êxito obtiveram em deturpar a mentalidade ocidental sobre o que seria o "oriente", tornando-o exótico, misterioso, problemático e perigoso, também possível alvo de guerras ocidentais.[David M. Rosen, “Child Soldiers, International Humanitarian Law, and the Globalization of Childhood,” American Anthropologist, Vol. 109, Issue 2, 2007, p: 299]”. https://pt.wikipedia.org/wiki/Orientalismo .
4Maury, Alfred. Magia e Astrologia. Biblioteca Hermética. Rio de Janeiro: Artenova, outubro, 1972, p. 110.
5Reza Aslan: “Estamos vendo a reforma do islã ao vivo". Para o historiador das religiões, a violência no mundo muçulmano, que se espalha por todo o planeta, é resultado do conflito entre as muitas vertentes do islamismo. RODRIGO TURRER. 03/02/2015 - 19h15 - Atualizado 03/02/2015; 19h15https://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/02/breza-aslanb-estamos-vendo-reforma-do-isla-ao-vivo.html .
621/02/2018 .
7Pesquisa diz que, de 69 milhões de casas, só 2,8% não têm TV no Brasil. O acesso à internet, a substituição de TVs de tubo e a posse de. Publicado em 21/02/2018 – 10:00. Por Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro; ebc. Edição: Kleber Sampaio. http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2018-02/uso-de-celular-e-acesso-internet-sao-tendencias-crescentes-no-brasil . https://noticias.r7.com/brasil/sete-em-cada-dez-casas-tem-acesso-a-internet-no-brasil-diz-ibge-21022018 .
8Nordeste na TV: um espelho primitivo. Rinaldo de Fernandes. Rinaldo de Fernandes é autor de 10 livros, entre eles o romance Rita no Pomar (indicado para o Prêmio São Paulo de Literatura/2009). Doutor em Teoria e História Literária pela Unicamp e professor de literatura na Universidade Federal da Paraíba. https://www20.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2012/07/17/noticiasjornalvidaearte,2879639/nordeste-na-tv-um-espelho-primitivo.shtml .
9Agosto 29, 2018.
10População da região Nordeste teve queda em 2018, segundo IBGE. Neste ano, o número de habitantes da região foi de cerca de 56 milhões. Quatro estados tiveram diminuição na população; agosto 29, 2018 às 11:23 - Por: Redação OP9 com agências. https://www.op9.com.br/ne/noticias/populacao-da-regiao-nordeste-teve-queda-em-2018-segundo-ibge/ .
11Da Redação. redacao@correio24horas.com.br . 27.10.2014, 21:32:00. Atualizado: 27.10.2014, 23:46:37. Comentarista diz na TV que Nordeste é "retrógrado" e "bovino". "Essa eleição é a prova de que o Brasil ficou no passado", diz Mainardi. https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/comentarista-diz-na-tv-que-nordeste-e-retrogrado-e-bovino/ . http://www.conquistanews.com.br/comentarista-diz-na-tv-que-nordeste-e-retrogrado-e-bovino/ . https://rd1.com.br/comentarista-da-globo-news-diz-que-nordeste-e-bovino-e-causa-polemica/ .
13TV Regional/Local ganha cade vez mais força no Nordeste. POR NEUBER FISCHER @NEUBERFISCHER - 13/10/2013. https://observatoriodatelevisao.bol.uol.com.br/critica-de-tv/2013/10/tv-regionallocal-ganha-cade-forca-nordeste .
14Discretamente, Globo deixa de usar nomenclatura Globo Nordeste em Recife. GABRIEL VAQUER 28/04/2017 | 08:00. http://tvhistoria.com.br/NoticiasTexto.aspx?idNoticia=3540 .
15Band unifica sinal no Nordeste e cria rede regional a partir de 1º de setembro. POR GABRIEL VAQUER – 27/08/2018. https://observatoriodatelevisao.bol.uol.com.br/noticia-da-tv/2018/08/band-unifica-sinal-no-nordeste-e-cria-rede-regional-a-partir-de-1o-de-setembro .
17ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. São Paulo: Cortez, 2011. ALBUQUERQUE JUNIOR, Durval Muniz. O engenho anti-moderno: a invenção do Nordeste e outras artes. 1994. 500f. Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciencias Humanas, Campinas, SP. Disponível em: <http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/280137> . Acesso em: 20 jul. 2018.
18ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. Gênero, o nordestino, a masculinidade, identidade e cultura [Entrevista]. O que é que tá rolando? Com Durval Muniz. (28’34”). WebTvUnebJuazeiro. Disponível em
19ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. São Paulo: Cortez, 2011.
20ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. São Paulo: Cortez, 2011.
21ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. São Paulo: Cortez, 2011.
23 Linguística Aplicada .
24 Linguística Aplicada .
25 Linguística Aplicada .
26ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. São Paulo: Cortez, 2011.
27ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. São Paulo: Cortez, 2011.
28ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. São Paulo: Cortez, 2011.
29ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. Gênero, o nordestino, a masculinidade, identidade e cultura [Entrevista]. O que é que tá rolando? Com Durval Muniz. (28’34”). WebTvUnebJuazeiro. Disponível em < https://www.youtube.com/watch?v=Vq1Gfrjd5Ic >.
30ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. São Paulo: Cortez, 2011.
31ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. São Paulo: Cortez, 2011.
32REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.
ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. O Nordeste e suas invenções [Entrevista]. Entre um café, uma prosa com Durval Muniz – Parte 1. (20’05”) RTV Caastinga Univasf. Disponível em
<https://www.youtube.com/watch?v=j74HtEJS48U> . Acesso em 20 de julho de 2016.
BRAIT, Beth. O texto nas reflexões de Bakhtin e do Círculo. In. Ronaldo de Oliveira Batista (Org.). O texto e seus contextos. São Paulo: Parábola Editorial, 2016, p. 13-30.
FABRÍCIO, Branca Falabella. Linguística aplicada como espaço de “desaprendizagem” – redescrições em curso. In. Luiz Paulo da Moita Lopes (Org.). Por uma linguística aplicada indisciplinar. São Paulo: Parábola Editorial, 2006, p. 45-65.
MAINARDI, Diogo. Diogo Mainardi: Eleição da Dilma e Nordeste – [Entrevista]. Manhattan Connection, 27/10/2014. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=MRC-SPPSJOE> . Acesso em 03 de Agosto de 20116.
OLIVEIRA, Cristiana Soares de. Nordeste/Sertão – construção: uma questão de poder. In. Cristiana Soares de Oliveira. Sertão em outdoor: discurso político e relações de poder [Trabalho de Conclusão de Curso). Ufal: Delmiro Gouveira, 2016, p. 22-34.
SHEHERAZADE, Raquel. Rachel Sheherazade fala sobre a seca no Nordeste [Áudio]. Jovem Pan. 2015. Disponível em <http://jovempan.uol.com.br/opiniao-jovem-pan/comentaristas/rachel-sheherazade/rachel-sheherazade-fala-sobre-seca-no-nordeste.html> . Acesso em 3 de Agosto de 2016.
SILVA, Giovane Silveira da. O estatuto da argumentação no gênero artigo de opinião. Revista Crátilo. Dezembro, 2013.
33“OPINANDO O SERTÃO POR MEIO DA LINGUAGEM”. 30 DE JUNHO DE 2018 / LÍNGUA DINÂMICA. Aucilane Santos Aragão [Mestranda pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Campus Recife]. (Licenciatura em Letras Português pela Universidade Federal de Alagoas – UFAL, ‘campus’ do Sertão, unidade de Delmiro Gouveia – AL). https://linguadinamica.wordpress.com/2018/06/30/artigo-opinando-o-sertao-por-meio-da-linguagem/ .
34UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA. FACULDADE DE COMUNICAÇÃO. PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO. Cidadania e noticiabilidade: O protesto como conflito e infração nos jornais impressos brasileiros (1983 – 2013). Vanessa Beltrame. Brasília, 2017. UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA. FACULDADE DE COMUNICAÇÃO. PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO. Vanessa Beltrame. Cidadania e noticiabilidade: O protesto como conflito e infração nos jornais impressos brasileiros (1983 – 2013). Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestra em Comunicação Social pela linha de pesquisa Jornalismo e Sociedade. Orientador: Prof. Dr. David Renault. Brasília, 2017. Cidadania e noticiabilidade: O protesto como conflito e infração nos jornais impressos brasileiros (1983 – 2013). Vanessa Beltrame. Orientador: Prof. Dr. David Renault. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade de Brasília, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestra em Comunicação Social pela linha de pesquisa Jornalismo e Sociedade. Banca examinadora: Prof. Dr. David Renault — Orientador.Universidade de Brasília (FAC/UnB). Profª. Drª. Elen Cristina Geraldes.Universidade de Brasília (FAC/UnB). Dr. Francisco Cláudio Corrêa Meyer Sant'Anna.Senado Federal/TV Senado.Profª. Drª. Márcia Marques — Suplente. Universidade de Brasília (FAC/UnB). http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/23297/1/2017_VanessaBeltrame.pdf .
36O SR. CHICO ALENCAR (PSOL-RJ. DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO. SESSÃO: 241.4.54.O. DATA: 04/11/14.TURNO: Vespertino. TIPO DA SESSÃO: Deliberativa Ordinária – CD. LOCAL: Plenário Principal – CD. INÍCIO: 14h. TÉRMINO: 18h53min . http://www.camara.leg.br/internet/plenario/notas/ordinari/2014/11/V0411141400.pdf .
41A mídia brasileira expele preconceito abertamente sem regulação ou punição. O caso Mainardi. Quinta-feira, 30 de outubro de 2014. http://holocausto-doc.blogspot.com/2014/10/a-midia-brasileira-expele-preconceito-abertamente-sem-regulacao-ou-punicao-o-caso-mainardi.html .
43terça-feira, 4 de novembro de 2014. Galdino: Caro Diogo Mainardi, retrógrado e bovino é você, seu “pôrra”! Por Rui Galdino Filho (Advogado e comentarista); às novembro 04, 2014. http://rpscom1.blogspot.com/2014/11/rui-galdino-caro-diogo-mainardi.html .
44Compositores: VILA NOVA IVANILDO / BRAULIO FERNANDES TAVARES NETO. Letra de Nordeste Independente (Imagine o Brasil) © LATINO EDITORA MUSICAL LTDA. Artista: Elba Ramalho. Álbum: Do Jeito Que a Gente Gosta. Data de lançamento: 1984. https://www.youtube.com/watch?v=8lWo4UQrTXE .
45SAMPAIO, Heliodório. 10necessárias falas: cidade, arquitetura e urbanismo. SciELO - EDUFBA, 1 de jan de 2010; p. 102.
46Michael BEGON, Colin R. TOWNSEND , John L. HARPER. Ecologia: De individuos a ecossistemas. Artmed Editora, 1 de jan de 2009; p. 432-433.
49Binaridades não ajudam a entender as relações sociais manifestadas nas eleições. Entrevista especial com Berenice Bento. REVISTA IHU ON-LINE; 21 Novembro 2014. http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/537683-binaridades-nao-ajudam-a-entender-as-relacoes-sociais-manifestadas-nas-eleicoes-entrevista-especial-com-berenice-bento .

Comentários

Postagens mais visitadas