PT, o norte e o Nordeste, Grande Medo, obscenidade da palavra, corpo do povo negro e do índio, Carnavalização do Brasil- I


Cláudio Antunes Boucinha1




Introdução
A carnavalização do mundo não é ideia nova. Chegou até hoje, de maneira subjacente, nos braços da Igreja, que, em parte, contrariada, tolerou a cultura popular, para conquistar ou manter certos fiéis que não eram capazes de compreender um Deus incognoscível. Mesmo com reservas teológicas, dogmáticas, o carnaval esteve como sombra2 da instituição, que olhava desconfiada, até mesmo com repugnância, no entanto, que também participava, junto ao povo. Essa mistura, muitas vezes condenada, serviu para que se criasse o mito de que a igreja guardava, de forma velada, em alguns de seus símbolos, Sub rosa3, a verdadeira sabedoria ou tradição. O carnaval era ou funcionava como um alter ego4, autônomo, da igreja.

“O ponto que aqui se deseja chamar a atenção é que o carnaval não suplanta os problemas sociais brasileiros que são velados pela ordem – tais como preconceito racial, preconceito de gênero e segregação de classe. O que se passa é uma celebração das próprias possibilidades da estrutura que serve para justificar a estrutura em si mesma, demonstrando como esta não se sustentaria se certas liberdades fossem instauradas. Os afrouxamentos que o carnaval propõe, por permitirem o aparecimento aberto de comportamentos e fantasias abusivas à moralidade diária, acabam provocando a confiança na ordem (DaMatta5, 1973, p. 586). Como aponta DaMatta, a abertura carnavalesca traz à tona toda uma gama de seres marginais que passam por invisíveis no cotidiano, ela chama a atenção para tudo aquilo que deve ser escondido da ordem: “a homossexualidade, o relacionamento ilícito, a ostentação humilhante do luxo e da riqueza, o ridículo de figuras importantes e poderosas e o poder e a graça dos habitantes das fronteiras do nosso mundo social” (DaMatta, 1973). (…) ponto de vista da antropologia, o carnaval informa o que está velado pela estrutura, o que se encontra marginalizado e, em grande parte, silenciado na vida cotidiana. Para DaMatta (‘ibidem’, p. 48), anjos e santos são seres da estrutura, são os demônios que dominam o paraíso estabelecido pelo carnaval. (…) estes mesmos não existem sem que a estrutura esteja à vista para por eles ser contraposta. Bakhtin lembra que nas diabruras dos mistérios da Idade Média, nas visões cômicas, nas lendas paródicas, etc., o diabo é um alegre porta-voz ambivalente de opiniões não-oficiais, visto como “a santidade ao avesso” (Bakhtin, 1987, p. 367). Estas representações da antiestrutura são a porta para todo um universo múltiplo existente nas margens que, no momento da ruptura, ganha o seu espaço momentaneamente no centro das percepções e interações do grupo. Com o objetivo de chamar a atenção para o estado marginal que evocam, as figuras e tipos representados no carnaval são (…) extrapolados e exagerados para enfatizar tudo aquilo que possuem de “impróprio” para a ordem social estabelecida. Os homens travestidos tomam as ruas, impedem a passagem dos carros, vandalizam o espaço público, e acabam por justificar o não reconhecimento do homossexual e da mulher “de rua” da vida pública brasileira. Cabe aqui apontar a curiosa contradição de que vendemos a imagem da libertinagem e da mistura para (…), mas esta (…) carnavalizada do Brasil é apenas a encenação de tudo aquilo que, normalmente, fazemos questão de esconder de nós mesmos porque não fazem parte da ordem. O carnaval deixa transparecer vontades e nostalgias que são suprimidas e veladas pela estrutura social”. 8




MAURY(1972), demonstrava toda a origem do carnaval sob o abrigo da Igreja.
“Todavia a Igreja teve que lutar frequentemente contra uma volta muito pronunciada a essas superstições perigosas, e se ela as acolhia sob a coberta de um santo, também as condenava [As festas das calendas de janeiro foram especialmente defendidas pelos padres e diversos sínodos. Ver. A. Beugnot9, História da Destruição do Paganismo no Ocidente. Tomo II, p. 321 e seguinte. A prova do horror que a Igreja tinha, desde o princípio, por essas solenidades licenciosas se encontra num dos 'Sermones dominicales' publicados pelo cardeal Mai10 (Scriptor. Veterum nova Collectio e Vaticanis codicibus11, in-4.º, Tomo III, p. 158). Diz aí:
'Haec enim opera non christianorum sunt, sed paganorum; pagani enim, qui est gentiles vocantur, deorum suorum, id est Jovis, Saturni, Minerva et Veneris, festivatatem colentes, post immensam cibi et potus voracitatem turpesque commessationes, ad theatrum, quod est lupanar vocatur, foras civitatem conveniebant, ad hanc igitur turpintundis immunditiam, ut Orosius Paulus narrat, idem diabolus, quem colebant, illos provocabat, utu cui solvebant sacrificum de victimis animalutum… Diabolus enim pollius et immundus est, pollutum et immundun sacrificiu sibi requirit... Propter hoc cessandum est, fratres, ab hac et ab omni mala consuetudine praesenti die'.12 (Serm. II, In Quadragesima)], quando elas tendiam a fazer degenerar o culto em cerimônias licenciosas ou ridículas [As imagens licenciosas tinham-se singularmente multiplicado, tanto nos baixos-relevos dos pórticos e dos capitéis das igrejas como sobre as cadeiras dos coros. Essas representações foram defendidas por diversos papas, notadamente por Urbano VIII13, em sua 'bula Sacrosancti'14, e pelo concílio de Trento15. Ver Die Biblische Warheil in Gegensaetze zu den Verirrungen der Malerei, Augsbourg, 1858]. Foi ao que se chegou com a festa dos loucos, dos inocentes e do asno [Consultar a esse respeito Du Tillot16, Memória para Auxiliar a História da Festa dos Loucos (Lausanne, 1741), in-4.º17; e d'Artigny, Novas Memórias de História, de Crítica e de literatura, Tomo IV, p. 278 e seguinte; Bourquelot, O Ofício da Festa dos Loucos (Sens, 1856); A. De Martonne, As Festas da Idade Média (Paris, 1852)18. Belé, que vivia no fim do século XII (De Divin. Offic., c. LXXII e CXX), relata que havia certas igrejas onde os prelados jogavam dados, bolas, e dançavam e saltavam com seu clero. (De Martonne, o. c. , p. 25). Restos dessas festas pagãs associadas às cerimônias da igreja subsistiram muito tempo em Espanha nos autos sacramentários, que eram representados no Natal e na Festa de Deus, espécie de farsas em que o grande dragão — chamado — Tarasca, tinha o acompanhamento indispensável, e para as quais Lope de Vega exerceu sua inesgotável verve. (Ver a nota de Pellicer19 em sua edição de Don Quixote, Tomo IV, pp. 105, 106, e Ticknor20, História da Literatura Espanhola, Tomo II, p. 213). Todas essas festas semicristãs e semipagãs persistiram na América do Sul], a algumas piedosas orgias locais como a diablerie de Chaumont. Colocando-se ademais todos os divertimentos populares sob o patrocínio dos santos, o povo legitimava desordens e retornava à ideia antiga que personificava especialmente as divindades em nossos vícios e más tendências. [Também, em consequência dos banquetes que se celebravam na idade média em honra às festas de S. Nicolau, de S. Urbano, de S. Martinho, esses santos acabaram por ser olhados como os patronos do bom passadio, e celebrava-se em canções a proteção que se lhes atribuía sobre os amigos dos prazeres da mesa. Ver Ed. Do Méril, Poesias Populares Latinas da Idade Média, p. 198]. Sabe-se até onde tinha sido impelida em Roma e em Itália a adivinhação das menores ações humanas, que inacreditável cortejo de deuses acompanhava o homem dede sua concepção até sua morte. Um bom número dessas divindades inferiores, enumeradas por Tertuliano, [Ver minha21 nota sobre a religião dos latinos em Guigniaut, Religiões da Antiguidade, Tomo II, parte 3, p. 126 e seguinte]Arnóbio e Santo Agostinho, se perpetuavam sob novos nomes tirados do calendário e faziam penetrar, na prática, religiosa, inúmeras observâncias pueris ou obscenas. Tudo o que se passava nos templos ou nas cerimônias públicas podia, graças ao controle da Igreja, estar sujeito a uma certa disciplina; mas na vida privada, nas ocupações domésticas, as velhas superstições se perpetuavam com toda a liberdade e não faziam senão se enraizar mais. Foi assim que se conservou até nossos dias diversos usos pagãos. Não falo nem das consoadas22, [Ver, sobre o uso de se enviar presentes na época das saturnais, Ael, Spartian. Hadrian. 17. S. João Crisóstomo se levanta contra as cerimônias pagãs que se continuavam a celebrar em seu tempo nas calendas de Janeiro. ( In Kalend. Oper. Tomo I, p. 698) . Cf. Tillemont23, Men. sobre a História Eclesiástica24, Tomo III, p. 211], nem do Carnaval, [uma parte dos usos observados pelos romanos nas lupercais25 passou para os divertimentos do carnaval. Essas festas se celebravam na mesma época, no mês de fevereiro. (Ver Plutarco. Quoest. Rorm. 68. Serv. Ad Aen. VIII. Ovid. Fast. II, 267, sq. Censorin. De Die natal. C. XXII. Confer. Preller26. Roemische Mitologie27. p. 318-347, sq.). D'Artigny28 menciona um antigo uso existente em Viena, em Dauphiné29, e que parece se referir às lupercais. (Novas Memórias de História, de literatura e de crítica, Tomo IV, p. 310 e seguinte. Cf. J. Brand. Observations on popular antiquities, publicado por Ellis, Tália se mostraram mais aficionadosomo I, p. 44). As lupercais foram com efeito uma das festas as quais os habitantes da Itália se mostraram mais aficionados, e que resistiram mais à proscrição em que se viam banidas as cerimônias pagãs. Ver A. Beugnot. História da Destruição do Paganismo no Ocidente. Tomo I, p. 273 e seguinte], dos quais todo mundo conhece a procedência antiga, mas de outras práticas menos públicas que têm sido menos assinaladas”. 30


Os fundamentos do Carnaval estão na Idade Média e até antes, em que a sociedade virava do avesso, revolução; e tudo que era considerado “sério”, no reino do Momo, não era mais. Tudo isso era um verdadeiro choque na própria sociedade. Era no Carnaval, por vias duplas, que a sociedade via submergir tudo aquilo que estava escondido, subjacente, subliminar, controlado, repreendido, oprimido, reprimido, recalcado, ressentido, como outra realidade, embora fizesse parte do real. Como se a realidade fosse disputada, entre o que é real e o que não é, e a verdade estivesse aqui e ali. Como uma verdade despudorada, nua, e, mesmo assim, não fosse todo o evento real. Era, no carnaval, como se surgisse outra sociedade, que quisesse ou se permitisse, ou era permitida, naqueles parcos momentos, um diálogo com o que era considerado realidade do cotidiano, do hábito, da circunstância. Ela estava ali e não estava. Por isso o corcunda de “Notre-Dame”. Por isso o bufão, o palhaço, a máscara, com toda a sua inspiração de mistério, terror e morte. Em que até os mortos ressurgiam. Mortos bem vivos na consciência, nas reminiscências, nas lembranças.
Por isso a memória e o esquecimento. A escravidão brasileira, a perseguição dos índios. Tudo na memória, que precisa ser esquecida, diria, embranquecida, para não dizer o que deve ser dito, para não gritar o grito dos oprimidos, para não soltar esse berro pungente, emocionado, com um choro, descontrolado, em que palavras como justiça, injustiça, fazem parte do coral.
É no carnaval que os povos negro e índio ressurgem, como outra realidade, alternativa, outro brasil. É a suposta aceitação dos povos negro e índio. No domingo, em que a capoeira podia correr solta e o batuque invadia a noite, o corpo do negro. Era as ervas dos índios, o xamã, que curava. Era a comida que o indígena se alimentava, o corpo do índio. Quando o português tirou a camisa, por causa do calor, retirou muito mais que uma peça de roupa de mangas longas. Tirou o corpo dito “branco” e trocou de cultura, para poder sobreviver.
Há uma história velada do carnaval, subjacente a que foi forjada de maneira intencional ou não, que é privilegiar a ideia de que os instrumentos, a percussão, eram as principais características originais, na descrição. Não se tratava de quantidades de tambores ou assemelhados, era mais, era a festa do corpo.

“O historiador Leonardo Dantas31 explica a origem dos nomes de batizam o início e o fim da folia de Momo. O sábado de Zé Pereira começou a ser chamado assim ainda no Brasil Colônia, quando grupos de portugueses saíam às ruas tocando grandes tambores e anunciando o começo do Carnaval. Esses grupos ficaram conhecidos como Zés Pereiras. A terça-feira Gorda é último dia antes do início da Quaresma — período de 40 dias no qual os católicos não podem comer carne. Aí já viu. (…) naquela época a igreja botava na inquisição quem descumprisse a norma. O povo caía nos prazeres da carne. Literalmente!”. 32


Leonardo Dantas Silva, embora de maneira sutil, porque é feito de forma indireta, subjacente, como se não fosse importante, mas com um tom marcante, fundante, as características do carnaval que existem verdadeiramente e que não são faladas, expressadas, de forma livre, sem causar espanto para a ordem vigente. O que causa todo esse sentimento de repulsa? O corpo, a bio política, a posse do escravo e do índio.


QUANDO REINAVA O ENTRUDO BRUTAL. (…) Alguns chegam a remontar aos festejos romanos das saturnais, lupercais e 'bacanais', bem como ao culto da deusa Ísis, ou aos gregos, no culto ao deus Dionísio, caracterizados pela alegria desabrida, pela supressão da repressão e da censura, pela liberalidade das atitudes críticas e eróticas. (…) Mais recentemente, tornaram-se famosos os carnavais de Nice, Paris, Veneza, Roma, Nápoles, Florença, Colônia e Munique com suas músicas barulhentas, desfiles de carros alegóricos, com as suas críticas e licenciosidades, bailes de máscaras e desfiles de mascarados pelas ruas. (…) Como melhor explica Júlio Dantas, em artigo publicado na Gazeta de Notícias em 21 de fevereiro de 1909:
'Nós, portugueses, nunca compreendemos que o entrudo pudesse ser uma festa de arte como na Itália da Renascença, nosso entrudo, o santo entrudo lisboeta, foi sempre fundamental e caracterizadamente porco. O século XVIII, então excedeu todos os outros. Foi o século típico do entrudo nacional.(…)… todos com a casaca de seda a escorrer ovos, a cara empastada de sangue e lama, cobertos das maiores imundícies e dos mais sórdidos desejos, corriam as ruas debaixo de saraivada dos pós de panelas, das laranjas de cheiro, da farinha, dos esguichos, dos ovos de gema, de toda água vai que jorrava das rótulas estreitas e dos postigos mouriscos'… (…) No Brasil o que se viu, por mais de três séculos, foi a selvageria do entrudo português. Originário do latim, 'introitus', e já conhecido documentadamente na Península Ibérica desde o século XVIII, a festa acontecia nos três dias que precediam a quarta-feira de Cinzas, na qual quase tudo era permitido, não somente no Brasil como em toda a América Espanhola, em que reinava o 'entrudo porco e brutal'. (…) Vieira Fazenda, citado por Eneida, diz que as proibições ao costume do entrudo datam no brasil de 1604, sendo os alvarás repetidos em 1612, 1686,1691,1784,1818, seguindo-se de outras posturas que chegaram aos nossos dias, mas tudo em vão, para desespero das autoridades e gáudio dos partidários do mela-mela. (…) Outro viajante a documentar com graça a brincadeira do entrudo foi o francês Louis-François de Tollenare, que residiu no Recife entre 1816 e 1817, tendo anotado em seu diário em 9 de março do último ano:
'O carnaval ou entrudo não admite outros folguedos, senão o de assaltos recíprocos com bolas de cera cheias d'água no rosto; é permitido retaliar; a guerra é assaz animada e presta-se a alguns tours de mains. Como não se está vestido adequadamente aos perigos aos quais se expõe acaba-se por ficar despido. A licença destes dias me deu acesso à casa de algumas vizinhas, da classe média, as quais até então lobrigara. Foi-me permitido oferecer-lhes uma merenda na própria casa. Mandei buscar doces, frutas e vinho na venda próxima. Esta delicadeza não foi absolutamente (...) como indiscreta. A mãe estava presente. A conversação não era muito espirituosa; mas, alegre, um pouco livre e versou sempre sobre o amor e o casamento. Era, aliás, pouco seguida e amiúde interrompida por garrafas d'água que nos despejavam pela cabeça, na camisa e, sinto um pouco de vergonha de dizê-lo, até nas calças. As senhoras vos seguram, vos debateis, e neste conflito, algumas vezes mais que bizarro, é difícil não esquecer um pouco que nos achamos em sociedade. Não desejaria ver, nem minha irmã, nem minha esposa, no meio das recreações do entrudo. O que se passa nas ruas entre os escravos e a baixa plebe ainda é mais violento: depois das laranjadas vêm as garrafadas, as imundícies e as cacetadas'" (…) . 33


Leonardo Dantas Silva (1997) aprofunda ainda mais as raízes negras do carnaval no Brasil, interligando, de forma surpreendente, com a Europa, no século XV.


“O maracatu, da forma hoje conhecido, tem suas origens na instituição dos Reis Negros, já conhecida em França e Espanha, no século XV, e em Portugal, no (…) XVI, passando para Pernambuco, onde encontramos narrativas e documentos sobre tais coroações de soberanos do Congo e de Angola, a partir de 10 de setembro de 1666, segundo o testemunho de Souchou de Rennefort34, in Histoire des Indes Orientales,35 publicado em Paris, 1688. As coroações de reis e rainhas de Angola na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Santo Antônio do Recife são documentadas a partir de 1674, segundo documentação por (nós) reunida (in Alguns documentos para a história da escravidão. Recife: Editora Massangana, 1988). Os reis negros, em especial o Rei do Congo, que possuía uma hierarquia própria sobre os membros das demais nações africanas aqui residentes, compareciam às festas religiosas, [os reis negros] protegidos pela umbela, um grande pálio redondo, ladeado por dignatários de suas expectativas cortes, sendo o cortejo aberto pela bandeira da nação, juntamente com outras bandeiras arvoradas, e acompanhados por instrumentos de percussão, nem sempre ao gosto da população branca, como se depreende na observação do Padre Carapuceiro: 'Alguns desses chapelórios ainda há poucos anos apareciam nos batuques dos pretos em dias de Nossa Senhora do Rosário, cobrindo o figurão chamado de rei dos congos' (Diário de Pernambuco, 15.3.1843). Cumbi, um costume africano. O grande guarda-sol colorido sob o qual vinha amparado o rei de cada nação, como fora observado pelo Padre Carapuceiro, em artigo publicado no Diário de Pernambuco de 15 de março de 1843, era denominado 'cumbi' pelos africanos. Inicialmente pensou-se que esta grande umbela havia sido transplantada do cerimonial da igreja católica, onde é utilizada como proteção ao santo viático, quando de sua saída às ruas, conforme bem retratou Emil Bauch, em uma de suas cromolitografias tomadas da calçada da (…) matriz da Boa Vista, no Recife (c.1852). Acontece que o cumbi tem sua origem africana, segundo notas que me foram cedidas pelo historiador José Ramos Tinhorão. Olfert Dapper36, escritor célebre pelas suas narrativas de viagens, registrou o uso do cumbi pelos reis africanos no seu livro Nauwkaurine Beschrijuing der Afrikaansche gewesten37 (Minuciosa descrição das regiões africanas), publicado em Amsterdam (1668), depois traduzido para o francês sob o título Descripition de l`Afrique (Amsterdam: Boom & van Someren, 168638). Recentemente, na contracapa do livro Africa — History of a continent, de Brasil Davidson (Londres: Spring Brooks, 1978), aparece uma gravura do livro de Bowdich39, Mission from Cape Coast to Ashantee (1819)40', onde aos 'sobas' negros comparecem à festa do 'inhame' amparados pelos respectivos cumbis, cada qual encimado por figura de seu animal protetor (tigre, serpente, galo e elefante), sendo seguidos dos seus séquitos trazendo instrumentos de percussão, buzinas, bandeiras, lanças, tudo bem de acordo com o desfile dos nossos maracatus. Ainda na mesma obra, é registrado o séquito do rei negro 'Nana Owusu Sampa III', carregado em seu trono, por ocasião da festa do 'inhame' promovida pelos 'ashantes', em 5 de dezembro de 1964, protegido por três grandes umbelas, à frente de um cortejo em tudo parecido com o desfile dos maracatus nas ruas do Recife. Os 'ashantes', segundo informa em depoimento pessoal o pesquisador Hélio Moura, da fundação Joaquim Nabuco e com estágio em Angola, pertencem aos povos 'Akan' de 'Gana' e ocupam metade do país. Os 'Akan' falam dialetos bem-parecidos entre si, conhecidos pelo nome genérico do 'Tki', que é uma língua sudanesa da subfamília 'Kwa'. O dialeto falado pelos 'ashante' é o 'ashan'. Depois que gana tornou-se independente em 1957 foi criada a região 'Bong`Ahaso', com base nas terras 'ashantes'. A capital desta região é a cidade de 'Kumasi'. No Recife, os cortejos dos soberanos negros, trazendo os seus reis (…), não saíam no período do carnaval, mas tão-somente por ocasião de suas festas religiosas ou em ocasiões outras como o embarque de africanos libertos de volta à mãe África. A presença de "batuque do Rei do Congo" no carnaval do Recife só vem a ser registrada a partir do final dos anos cinquenta do século XIX. O maracatu no carnaval. Com a abolição da escravatura negra, em 1888, e a proclamação da República, em 1889, a figura do Rei do Congo — 'Muchino Riá Congo' — perdeu a sua razão de ser. Os cortejos dos reis negros, já presentes no carnaval, (…) passaram a ter como chefe temporal e espiritual os 'babalorixás' dos terreiros do culto 'nagô' e vieram para as ruas do Recife, não somente nos dias de festas religiosas em honra de Nossa Senhora do Rosário, mas também nas festas carnavalescas. No passado, o Rei do 'Congo' também comparecia aos festejos carnavalescos, (…) com o seu séquito real, conforme alusão do noticiário do Jornal do Recife de 12 de março de 1859 — 'também não faltou o célebre bumba-meu-boi, o apreciável fandango e a cena do Rei do Congo'-. No ano seguinte, em sua edição de 25 de fevereiro, o mesmo jornal nos dá notícia do 'batuque do Rei do Congo e do clássico bumba-meu-boi'. Ainda no Jornal do Recife, na edição carnavalesca de 4 de março de 1862, há uma alusão ao 'cediço bumba-meu-boi', os repugnantes negros fugidos e as africanas cenas do Rei do Congo e seu séquito, foi o que se viu passar pelas ruas desta cidade'. Após a abolição, porém, os antigos cortejos das nações africanas, que continuaram a se fazer presentes no carnaval do Recife, então sob a chefia dos seus 'babalorixás', passaram a ser chamados de 'maracatus', particularmente quando a notícia tinha conotação policial. Ainda nos nossos dias, ao que se depreende do depoimento do presidente da Nação do Leão Coroado, Luiz de França, atualmente com 95 anos, 'para conversar pouco, só digo que o maracatu é da seita africana'. (Diário de Pernambuco, 14 de janeiro de 1996). A mais tocante descrição de um maracatu carnavalesco do início do século vem de Francisco Augusto Pereira da Costa (1851–1923) que, em 1908, assim relata o cortejo no seu 'Folk-Lore' Pernambucano:
'Rompe o préstito um estandarte ladeado por arqueiros, seguindo-se em ala, dois cordões de mulheres lindamente ataviadas, com os seus turbantes ornados de fitas de cores variegadas, espelhinhos e outros enfeites, figurando no meio desses cordões vários personagens, entre os quais os que conduzem os fetiches religiosos, — galo de madeira, um jacaré empalhado e uma boneca de vestes brancas com manto azul — ; e logo após, formados em linha, figuram os dignatários da corte, fechando o préstito o rei e a rainha. (…) Estes dois personagens, ostentando as insígnias da realeza, como coroas, cetros e compridos mantos sustidos por caudatários, marcham sob um grande (umbela) e guardados por arqueiros. (…) No coice vêm os instrumentos: tambores, buzinas e outros de feição africana, que acompanham os cantos de marcha e danças diversas com um estrépito horrível. Aruenda qui tenda, tenda,/Aruenda qui tenda, tenda,/Aruenda de totororó'.
O autor chama a atenção do leitor para o Maracatu Cabinda Velha que,
'desfraldando um rico estandarte de veludo bordado a ouro, como eram igualmente a umbela e as vestes dos reis e dignatários da corte, e usando todos eles de luvas de pelica branca e finíssimos calçados. Os vestuários dos arqueiros, porta-estandarte e demais figuras, eram de finos tecidos e convenientemente arranjados, sobressaindo os das mulheres, trajando saias de seda ou veludo de cores diversas, com as suas camisas alvíssimas, de custosos talhos de labirinto, rendas ou bordados, vistosos e finíssimos; e pendentes do pescoço, em numerosas voltas, compridos fios de miçangas, que do mesmo modo ornam-lhe os pulsos. Toda comitiva marchava descalça, à exceção do rei, da rainha e dos dignatários da corte, que usavam de calçados finos e de fantasia, de acordo com os seus vestuários'.
(…) concluindo, afirma Pereira da Costa:
'Quando o préstito saía, à tarde, recebia as saudações de uma salva de bombas reais, seguida de grande foguetearia, (…) essas que eram de novo prestadas no ato do seu recolhimento, renovando-se e continuando as danças até o amanhecer; e assim, em ruidosas festas e no meio de todas as expansões de alegria, deslizavam-se os três dias do Carnaval'.
Preservando a denominação de nação, os préstitos dos maracatus de baque virado (que utilizam nas suas apresentações tão-somente instrumentos de percussão de origem africana) continuam a desfilar pelas ruas do Recife nos dias do carnaval e nos meses que antecedem a grande festa. Denominando-se de Nação do Elefante (1800), Nação do Leão Coroado (1863), Nação da Estrela Brilhante (1910), Nação do Indiano (1949), Nação Porto Rico (1915), Nação Cambinda Estrela (1953), além de outros grupos que surgiram mais recentemente, mantendo a tradição africana dos seus antepassados”.41


Em outra versão, sobre o mesmo assunto, acrescentava alguns detalhes:

“O maracatu, da forma hoje conhecida, tem suas origens na instituição dos Reis Negros, já conhecida na França e em Espanha, no século XV, e em Portugal, no século XVI, passando para Pernambuco onde encontramos narrativas e documentos sobre tais coroações de soberanos do Congo e de Angola a partir de 10 de setembro de 1666, segundo testemunho de Souchou de Rennefort, in Histoire des Indes Orientales, publicado em Paris 1688.
As coroações de reis e rainhas de Angola na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Santo Antônio do Recife são documentadas a partir de 1674, segundo documentação reunida in Alguns documentos para a história da escravidão. Recife: Editora Massangana, 1988.
O folguedo do maracatu, semelhante aos bailes e batuques organizados pelos pretos de Angola ao tempo do governador José César de Menezes (1774-78), objeto de denúncia à Inquisição de Lisboa por parte dos frades capuchinhos da Penha (ANTT – Cartório da Inquisição nº4740), foi sempre alvo de censuras por parte das classes dominantes e de perseguição policial; segundo denúncia do mesmo jornal em sua edição de 11 de novembro de 1856 ao tratar do maracatu da praça da Boa Vista.
Cortejos de reis negros
Os cortejos dos reis negros, geralmente anotados pela imprensa, quando das festas de Nossa Senhora dos Prazeres e nas do Rosário de Santo Antônio, não eram conhecidos por maracatus, como se depreende do noticiário do Diario de Pernambuco de 20 de outubro de 1851:
… percorrendo à tarde algumas ruas da cidade, divididos em nações, cada uma das quais tinha à frente o seu rei acobertado por uma grande umbela ou chapéu-de-sol de variadas cores. Tudo desta vez se passou na boa paz e sossego, porquanto a polícia, além de ter responsabilizado, segundo nos consta, o soberano universal de todas as nações africanas aqui existentes, por qualquer distúrbio que aparecesse em seus ajuntamentos, não deixou por isso de vigiá-los cuidadosamente.
Os reis negros, em especial o Rei do Congo, possuidor de uma hierarquia própria sobre os membros das demais nações africanas aqui residentes, compareciam às festas religiosas protegidos pela umbela. Um grande pálio redondo, ladeado por dignitários de suas respectivas cortes, sendo o cortejo aberto pela bandeira da nação, juntamente com outras bandeiras arvoradas, e acompanhados por instrumentos de percussão, nem sempre ao gosto da população branca, como se depreende na observação do Padre Carapuceiro: “Alguns desses chapelórios ainda há poucos anos apareciam nos batuques dos pretos em dias de Nossa Senhora do Rosário, cobrindo o figurão chamado de rei dos congos” (Diario de Pernambuco, 15.3.1843).
O grande guarda-sol colorido sob o qual vinha amparado o rei de cada nação, como fora observado pelo Padre Carapuceiro, era denominado cumbi pelos africanos que, ainda em nossos dias, assim trazem protegidos os seus sobas. Inicialmente pensou-se que esta grande umbela havia sido transplantada do cerimonial da igreja católica, onde é utilizada como proteção ao santo viático, quando de sua saída às ruas, conforme bem retratou Emil Bauch em uma de suas cromolitografias tomadas da calçada da igreja matriz da Boa Vista, no Recife (c 1852).
Maracatus, ajuntamentos de negros
No Recife a denominação maracatu servia, a partir da primeira metade do século XIX, para denominar um ajuntamento de negros, como por ocasião da fuga da escrava Catarina, anotada por José Antônio Gonsalves de Mello em consulta à edição do Diario de Pernambuco de 1º de julho de 1845:
Em o dia 2ª feira do Espírito Santo do ano próximo passado, fugiu a preta Catarina, de nação Angola, ladina, alta, bastante seca de corpo, seio pequeno, cor muito preta, bem feita de rosto, olhos grandes e vermelhos, com todos os dentes da frente, pés grandes metidos para dentro, muito conversadeira e risonha, de idade de 22 anos; tem sido encontrada na Estrada da Nova da Passagem da Madalena e no Aterro dos Afogados, vendendo verduras e aos domingos no maracatu dos coqueiros do dito Aterro, e há notícia de ser o seu coito certo a matriz da Várzea; cuja escrava pertence a Manoel Francisco da Silva, morador na Rua Estreita do Rosário, 10, 3º andar, ou em seu sítio em Santo Amaro, junto à igreja, o qual gratificará generosamente a quem lh’ a apresentar.
Outro exemplo aparece na ata da sessão extraordinária da Câmara Municipal do Recife de 28 de abril de 1851, quando foi endereçada ao desembargador Chefe de Polícia “uma petição do preto africano Antônio Oliveira, intitulado Rei do Congo, queixando-se de outro que, sem lhe prestar obediência, tem reunido os de sua nação para folguedos públicos, a fim de que o mesmo desembargador providenciasse em sentido de desaparecer semelhantes reuniões, chamadas vulgarmente de maracatus, pelas conseqüências desagradáveis que delas podem resultar” (Diario de Pernambuco, 27.5.1851).
No Recife, os cortejos dos soberanos negros, trazendo os seus reis e rainhas, não saíam no período do carnaval, mas tão somente por ocasião de suas festas religiosas ou em ocasiões outras como o embarque de africanos libertos de volta à mãe África. A presença de “batuque do Rei do Congo” no carnaval do Recife só vem a ser registrada a partir do final dos anos cinqüenta do século XIX.
Os reis no Carnaval
Maracatu Elefante – Rainhas e princesas
Somente nos anos setenta do século XIX é descrita a presença desses cortejos de reis negros durante o carnaval, segundo noticia o Diario de Pernambuco sem sua edição de 10 de fevereiro de 1872, ainda sem a denominação de maracatus:
No dia 11 do corrente sairá da Rua de Santa Rita Velha (bairro de São José) a nação velha de Cambinda, a qual vai em direitura à Rua das Calçadas buscar a sua rainha. (…) depois percorrerá diversas ruas, e às 3 horas se achará em frente à igreja do Rosário [de Santo Antônio] onde se soltarão algumas girândolas de fogo e uma salva de 21 tiro. Dali seguirá para o Recife e na Rua do Bom Jesus voltará com a vice-rainha de sua nação.
O maracatu era, até então, considerado a reunião de negros em determinado local. Um o batuque, na acepção de “dança africana ao estrépido de instrumentos de percussão” (Pereira da Costa), mas não o cortejo real que levava às ruas a corte dos reis negros, como faz ver o extenso editorial do mesmo jornal, publicado em 18 de maio de 1880:
…. Há tempos, que indicamos um maracatu que costuma reunir-se quase no extremo norte do Cais do Apolo, na freguesia de S. Pedro Gonçalves do Recife; hoje temos notícia exata de dois outros, dos quais os vizinhos têm as mais cruéis recordações. Juntam-se estes na freguesia da Boa Vista, um na Rua do Giriquiti, outro na Rua do Atalho. Neste último, anteontem, houve uma grande assuada e barulho, chegando a aparecer diversas facas de ponta. Felizmente, não se deram ferimentos, mas não esteve longe de assim acontecer. Urge, repetimos, providenciar em ordem a que cessem, desapareçam tão selvagens instrumentos, e o Sr. Dr. Chefe de Polícia, que volveu suas vistas contra as casas de tavolagem, deve também dirigir sua atenção para os maracatus.
O maracatu, na verdade, era tão-somente o batuque dos negros, com localização fixa em determinado bairro da cidade. O cortejo real, como no caso anteriormente citado da “nação velha de Cambinda”, não parece ser a mesma coisa. A conclusão é reforçada pelo depoimento do carnavalesco João Batista de Jesus, 'Seu Veludinho' do 'maracatu Leão Coroado', que segundo a tradição faleceu com 110 anos, prestado à pesquisadora Katarina Real em janeiro de 1966, in O folclore no Carnaval do Recife. Recife: Editora Massangana, 1990. 2ªed. p. 184:
Maracatu nem tinha o nome de maracatu. O nome era nação. Uma “nação” mandava ofício para outro “estado”. Surgiu essa palavra pelos homens grandes, quando ouviram os baques dos bombos, chamaram “aquele maracatu!”

Cortejo é chamado de maracatu. Com a abolição da escravatura negra, em 1888, e a proclamação da República, em 1889, a figura do Rei do Congo — Muchino Riá Congo — perdeu a sua razão de ser. Os cortejos dos reis negros já presentes no carnaval, por sua vez, passaram a ter como chefe temporal e espiritual os babalorixás dos terreiros do culto nagô. Assim vieram para as ruas do Recife, não somente nos dias de festas religiosas em honra de Nossa Senhora do Rosário, mas também nas festas carnavalescas.
Após a abolição, porém, os antigos cortejos das nações africanas, que continuaram a se fazer presentes no carnaval do Recife então sob a chefia dos seus 'babalorixás', passaram a ser chamados de 'maracatus', particularmente quando a notícia tinha conotação policial, como a divulgada pelo Diário de Pernambuco, em sua edição de 26 de fevereiro de 1889:
'Revista Diária. Maracatu Porto Rico — Na Praça Pedro I, da paróquia de São Frei Pedro Gonçalves do Recife, deu-se anteontem um conflito entre os sócios do 'Maracatu Porto Rico', quando este fazia um ensaio. Ao que parece o conflito foi motivado por uma praça do 14.º Batalhão, pois, que cerca de 60 homens, armados de facas e 'cacetes', rebelaram-se contra a dita praça, que ferida tratara de fugir, quando ali compareceu o subdelegado da paróquia. Esta autoridade conseguiu prender seis dos tais desordeiros, inclusive o ofensor da praça, que foi vistoriada pelo Sr. Dr. José Joaquim de Souza'.42


Este vídeo43, de Luiz Jean Lauand e Luiz Costa Pereira Júnior, sobre o povo negro, resgatando a personalidade de Fernando Penteado44 o qual afirma que os negros “desceram o morro, saíram da favela, (…) do gueto”. Luiz Costa Pereira Júnior, em sua fala, afirma que “vale a pena pensar o carnaval como modo de reagir à realidade desigual brutal e autoritária que a população brasileira vivenciou longo da história os escravos”45


Em entrevista, Fernando Penteado demonstrava a importância do negro no carnaval e o “embranquecimento” com a chegada intensificada da televisão:
(…) O meu avô foi o mentor do pavilhão da escola e o significado de nosso (…) hoje carregar uma Coroa é devido à dinastia, pois, os negros antigamente se denominavam Reis e (Rainhas). (…) esta (…) representa a negritude do Bixiga e os ramos de (…) representam os Barões do Café que viviam na região no qual as mulheres negras da (…) eram banqueteiras e trabalhavam na casa destes (…) em festas. (…)”.
Odirley: Qual a importância do processo de miscigenação nas escolas de samba. O negro não tem mais o poder de decisão?
Fernando Penteado: Antigamente a maioria das escolas de samba eram coordenadas por negros. Era diferente. O negro fala alto e da risada alto, pois, expressa emoção na hora. Quando as pessoas de etnia branca começaram a participar das escolas de samba em cargos diretivos (…) a implantar a consciência de se registrar, documentar todos os processos de uma agremiação e assim se criou o processo de profissionalização do (…). Basta observar que a maioria das informações sobre as escolas são da década de 70 em diante e até de (…) e detalhes de algumas agremiações vêm desta época, processo que também tive o cuidado de fazer em relação ao 'Vai Vai'. Foi preciso pesquisar e escrever conteúdos desde o período de Cordão e deixar a disposição da sociedade. Em primeiro lugar, eu quis conhecer a história da minha escola para depois (…) as demais. Isto não quer dizer que o negro não tenha méritos pelo seu trabalho, isto prova que a miscigenação foi importante para a construção deste processo. As (escolas) mesmo perdendo muitas de suas características tradicionais, seguem escrevendo sua história.
Odirley: Em qual momento acredita que tudo se modificou?
Fernando Penteado: Com a chegada da televisão e da profissionalização do Carnaval. Nos tempos de Cordões, ficávamos quase duas horas brincando, curtindo com o povo e com os foliões. Isso se perdeu. Tudo se alterou. Os mais jovens precisam conhecer um pouco mais da história de suas escolas, pois, tudo começou bem antes destes meios de comunicações atuais. Eu gostaria que as pessoas tivessem a visão dos orientais no sentido de respeitar a cultura e proteger o legado das histórias e do empenho que vários sambistas proporcionaram ao nosso espetáculo. Quando o conteúdo vem do Rio de Janeiro, há uma supervalorização dos nomes e das histórias. Também temos grandes sambistas e histórias em nosso Carnaval paulistano que muitas às vezes ficam no esquecimento. “O tempo que o samba era o Samba não tinha Câo, Câo/O tempo que o samba era samba não tinha doutor/Só tinha sambista de verdade e samba da melhor qualidade/E os dirigentes eram da Comunidade”. Samba de Fernando Penteado. (…)”.46


É interessante lembrar as datas que oficializam, a oficialização do carnaval no país, ditadas por Fernando Penteado: 1917, 1962, 1998. Será que essas mesmas datas representam momentos diferenciados da vida no país?


“O dia do (…) foi instituído após o 1.º Congresso Nacional do Samba, realizado na cidade do Rio de Janeiro, de 28 de novembro ao dia 02 de dezembro de 1962. A data do término do (…) não foi escolhida por acaso é que foi no (…) 02 de dezembro de 1917 que João da Baiana gravou o primeiro (…), com o nome de 'Pelo Telefone', (…) este que foi composto por Ernesto dos Santos, mas conhecido como 'Donga'. Neste congresso foi aprovada a Carta do Samba, elaborada pelo jornalista e escritor “Edison Carneiro”. Dentro de suas propostas, destacamos o seguinte: O samba tem seu embrião no Continente Africano, que veio dentro do peito e n’alma dos negros para cá trazidos como escravos. Foi dos lamentos das senzalas que o Samba foi tomando forma e foi se enraizando por todo Brasil. Sendo que hoje, seus compositores a exemplo de Donga, se sintam homenageados e junto com eles o povo brasileiro, que fazem do (…) á expressão máxima do nosso país em forma de música e dança. Já em São Paulo, o Dia do Samba passou a ser oficial em 1998, graças ao projeto do Vereador Antônio Goulart, transformado em Lei n.º 12 684, de 29 de junho de 1998. Sancionado pelo então prefeito Celso Pitta, que em conformidade com o inciso I do artigo 84 da resolução n.º 02/91 da Câmera Municipal de São Paulo. A SABER: Fica instituído, no âmbito municipal, o dia do samba a ser comemorado anualmente no dia 02 de dezembro, passando a integrar oficialmente o calendário oficial da cidade de São Paulo. Com isto fica estabelecido que as despesas decorrentes da execução da lei correrão por conta de dotação orçamentária própria. A lei n.º 12 684 foi regulamentada em 02 de dezembro de 1999, por decreto n.º 38 728”.47


“Fernando Penteado, diretor-geral de harmonia da Vai-Vai, explica que o giro das baianas vem do candomblé. 'Gira vem de um dialeto africano, com origem na palavra ‘nijra’48. Ela quer dizer ‘abre caminho’. Então o gira, gira, gira, gira, abre caminho, abre caminho. É isso que elas fazem na avenida. Elas giram pra abrir os caminhos para purificar o local/ do desfile', diz. (…) 'As baianas do carnaval são uma homenagem a uma mãe de santo chamada tia Ciata, que no final do século XIX emigrou para o Rio de Janeiro e trouxe o seu terreiro de candomblé', explica Fernando. 'Como era proibido o samba naquela época, os sambistas da época, Donga, João da Baiana, Pixinguinha, faziam o (…) no terreiro. (…) a polícia tinha medo de entrar. (…) aí quando as escolas de samba saíam, todas passavam na porta da casa da tia Ciata pra homenageá-la. Daí passou-se a ser obrigado a ter ala de baiana em todo desfile de escola de samba, em homenagem a essa nossa grande santa, tia Ciata'”.49


Nesse vídeo, de Diego Lizarazo Arias50, no carnaval,

a la risa como escarnio y parodia de las figuras de los nobles y los poderosos, como resistencia a la represión de los deseos y las necesidades; la risa como duda de los dogmas yy las verdades eternas de las diferencias de sangre o de casta. (…) El carnaval es una fiesta del cuerpo, el cuerpo que se encuentra sometido a la privación y al ocultamiento; en el carnaval se hace público se descara y muestra en toda su obcenidad, el cuerpo baila, exulta, cúpula y defeca; el cuerpo es la frescura de su nascimiento e la decrepitud de la vejez51; el cuerpo es ambigüedad de muerte y conocimiento; la máscara es el rostro del carnaval, soy el mismo y a la vez otro, la máscara es metamorfosis”. 52


Em vídeo, José Augusto Zaniratti53 afirma que o povo,

“através da carnavalização das coisas, ele satiriza, ele ironiza a situação dramática que muitas vezes vivemos ao longo da nossa história. Política é exatamente isso, a defesa dos interesses de determinado grupo. Não tem como o interesse de a ser idêntico ao de b. Impossível. Porque, se fosse possível, não haveria a necessidade de partido político. Todos estariam num único partido; mas, não; os pensamentos são diferentes, os métodos são (…), os interesses são (…), e as pessoas se organizam através daquilo que tem identidade, usam as ferramentas com as quais têm (…). O povo brasileiro está aí para dizer que quando ele não está satisfeito, ele satiriza, ele carnavaliza tudo”. 54


1Mestre em História do Brasil (PUCRS). Licenciado em História. (UFSM).
3“Na Idade Média, uma rosa suspensa no teto da cela de um concílio similarmente obrigava todos os presentes (aqueles debaixo da rosa) ao segredo”. https://pt.wikipedia.org/wiki/Sub_rosa .
4"In der Religionsethnologie wird das Alter-Ego-Konzept auch für die Idee der Freiseele verwendet, die den Körper des Menschen während des Schlafes oder in Ekstase verlässt und als eigenständiger, körperloser Doppelgänger existieren kann.[Walter Hirschberg (Begründer), Wolfgang Müller (Redaktion): Wörterbuch der Völkerkunde. Neuausgabe, 2. Aufl., Reimer, Berlin 2005. S. 20]”. https://de.wikipedia.org/wiki/Alter_Ego . https://en.wikipedia.org/wiki/Alter_ego . https://es.wikipedia.org/wiki/%C3%81lter_ego . “Sobre a distinção husserliana entre carne (leib) e corpo (körper), Ricoeur afirma que a carne é o que há de mais originariamente próprio do eu, é aquilo que lhe é mais próximo e consiste em uma “redução ao próprio de onde seriam excluídos todos os predicados objetivos devedores à intersubjetividade. A carne mostra-se assim ser o polo de referência de todos os corpos dependentes dessa natureza própria” (1991, p. 378 - RICOEUR, P. O Si-Mesmo como um Outro. Tradução de Lucy Moreira Cesar. Campinas: Papirus, 1991). Sendo assim, a carne representa, segundo Ricoeur, “eu como este homem: eis a alteridade primeira da carne com relação a toda a iniciativa” (1991, p. 378). A respeito do corpo, Ricoeur afirma que é preciso “mundanizar a carne, para que ela apareça como corpo entre os corpos. É aqui que a alteridade do outro como estranho, diverso de mim, parece dever estar não somente entrelaçada com a alteridade da carne que eu sou, mas considerada a seu modo como prévia à redução ao próprio. Pois minha carne só aparece como um corpo entre os corpos quando eu sou eu-mesmo um outro entre todos os outros, numa apreensão da natureza comum, urdida, como diz Husserl, na rede da intersubjetividade” (1991, p. 380)”. “Thaumazein, Ano V, Número 10, Santa Maria (Dezembro de 2012), pp. 75-88. ALTER EGO E OUTREM: RICOEUR E O PROBLEMA DO OUTRO. Paulo Gilberto Gubert (Doutorando em Filosofia pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de Santa M.aria. Bolsista REUNI. E-mail: frpaulogubert@yahoo.com.br )https://www.periodicos.unifra.br/index.php/thaumazein/article/download/103/pdf .
6DAMATTA, Roberto. O carnaval como um rito de passagem. In: ___. Ensaios de antropologia estrutural. Petrópolis: Vozes, 1973, pp. 19-66.
7BAKHTIN, Mikhail. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec / Universidade de Brasília, 1987.
8Carnaval e carnavalização: algumas considerações sobre ritos e identidades [Agradeço ao prof. Dr. José Sávio Leopoldi, do Departamento de Antropologia da Universidade Federal Fluminense, que contribuiu com as suas sugestões e os seus comentários valiosos no decorrer do desenvolvimento deste artigo]. Bruno Brulon Soares [Museólogo e Historiador. Mestre em Museologia e Patrimônio pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Doutorando em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). E-mail: brunobrulon@gmail.com . Desigualdade & Diversidade – Revista de Ciências Sociais da PUC-Rio, nº 9 ago/dez, 2011, pp. 127-148. http://desigualdadediversidade.soc.puc-rio.br/media/artigo10.pdf
12“1. Studete, charissimi, qui vestras animas a peccato mundare cupitis, ne ab hac via ieiuniorum et emendationis, quam tenendam sumpsistis, aliquo turpitudinis diverticulo recedatis. Est enim quibusdam vestrum ex deceptionibus antiqui hostis in hac die quaedam iniecta consuetudo, non tantum sequenda (0645B) quantum despicienda; quod pro solo carnis cibo, qui nobis hodie non tollitur, putatis vos omnem corporis delectationem et quaeque turpia posse licenter operari, hac inventa in vobis occasione, ut quia licitum est vobis carnibus vesci, licitum sit etiam carnis voluptatibus uti. Haec enim opera non Christianorum sunt, sed paganorum. Pagani enim, qui et gentiles vocantur, deorum suorum, id est Iovis, Saturni, Minervae et Veneris festivitatem colentes, post immensam cibi et potus voracitatem turpesque comessationes, ad theatrum, quod et lupanar vocatur, foras civitatem conveniebant: ibique primum iocis diversi generis, ad ultimum cum meretricibus, quae in cavernis eiusdem theatri latebant, luxuriando corpora fatigabant. Ad hanc igitur turpitudinis immunditiam, (0645C) ut Orosius Paulus narrat, idem diabolus, quem colebant, illos provocabat; ut cui solvebant sacrificium de victimis animalium, solverent etiam sacrificium de viribus propriorum corporum. Diabolus enim pollutus et immundus est, pollutum et immundum sacrificium sibi requirit: unde pelliceus, id est pellis gratia interpretatur, quia multum luxuria delectatur, quae pellis pulchritudine excitatur. Sed quantum distat inter servitutem Dei et diaboli, tantum inter vitam illorum qui a Christo Christiani dicuntur, et illorum qui diabolo subditi in omnibus famulantur. Propter hoc cessandum est, fratres, ab hac et ab omni mala consuetudine praesenti die, quoniam haec dies non solum caput est ieiuniorum, sed etiam saeculorum. Est itaque magno cultu et religione (0645D) veneranda, et non libidinosis voluptatibus polluenda, quia nomine et mysterio prae caeteris videtur esse sacrata. Vocatur autem a Domino dies dominica, quod eam in ordine dierum primam posuit, et quod superata morte, quam pro nobis indignis suscepit, victoque inimico, de cuius nos potestate rapuit, in ea potenter a mortuis resurrexit, et in honore suae resurrectionis nobis illam colendam constituit. Quomodo igitur cupimus a morte animae resurgere, si diem resurrectionis dominicae nolumus honorare? Et qua ratione putamus mentes nostras per ieiunia (0646A) purgare, si per portam ieiuniorum polluti volumus intrare?

2. Fortasse mihi talia castiganti et mea peccata cum aliorum iniquitatibus reprehendenti respondebit aliquis effrenatus, plus voluptatibus corporis quam legibus Dei obediens: Tu, qui naturalem masculi et feminae coniunctionem et amoris vinculum a principio constitutum disiungendum praedicas, omni modo impossibilia et inutilia rogas, ut aliquo ieiunio ita a muliere, quae mea caro est, tamquam a cibis, abstineam. Cui ego, quamvis peccator, facili dictu respondebo: Quia Deus bona saeculi non dedit ut abutamur, sed ut iuste utamur. Coniugium etenim, sicut et caeterae divitiae mundi, dum iuste tenetur, bonum est; dum iniuste, vertitur in peccatum. Unde (0646B) Gregorius: quicquid ad usum vitae accipimus, ad usum vitiorum reflectimus. Nec ego praedico tam sacratae societatis separationem, sed ad breve tempus XXXVI dierum indico abstinentiam. Nam quid prodest abstinere a carnibus, et carnalia opera non deponere? Qui enim toto anno in his et aliis deliciis positus vixisti, saltem in hoc parvo spatio pro Deo cessare debes. Cur enim vir a virtute corporis vocaris, si hanc virtutem in animo non habueris, ut pro Deo, qui tibi cuncta dedit, et a quo quotidie maiora petis, decima parte anni ieiunare non possis?

3. Nam quisquis subtiliter intuetur, non amplius quam XXXVI dies, qui sunt decimae anni, in eadem abstinentia reperiuntur. Cum enim annus integer CCCLXVI diebus constet, si subtrahuntur CCCXXX, totidem (0646C) quot dixi dies, ieiunio consecrant. Horum ergo sex dierum, qui etiam cum suis noctibus CL horis constant, decima pars XV horae sunt. Sed quia ex ipsis integram diem cum sequenti nocte colligere non valemus, quam praefato numero addentes ieiunio mancipemus, usus ecclesiasticus statuit, ut quod in illa non redditur, in dominicis diebus eiusdem temporis, a carne et a carnalibus voluptatibus ieiunando, adimpleatur. In his etenim, quia in ipso Dei nomine sacrati sunt, refrigerium cibi impenditur et licentia peccandi subtrahitur. Datur nobis, quod vitam affert et melius est; subtrahitur nobis, quod mortem affert et peius est. Quod si hos vitiis et carnali inquinamento non polluerimus, profecto ex his plenas integri anni decimas restauramus. Sed quoniam nobis (0646D) sacro fonte regeneratis, et non iam figurativi, sed veri agni carnes degustantibus, dictum ab ipso Domino, nisi abundaverit iustitia vestra plusquam Scribarum et Pharisaeorum, non intrabitis in regnum coelorum; statuit christiana religio, ut non solum hos triginta sex propter anni decimas, sed etiam cum his, quatuor qui a capite ieiunii inchoant, propter tanti mysterii perfectionem, XL dies in ieiunium mutaret. Hoc etenim quadragesimale ieiunium magnam auctoritatem habet et a Lege et a Prophetis et ab Evangelio. Nam legislator Moyses, ut legem acciperet, (0647A) XL diebus ieiunavit. Similiter Helias maximus Prophetarum, qui curru igneo rapi meruit in coelum, cum persequebatur a Iezabel, angelico primum cibo pastus, postea totidem ab omni esca abstinuit”. Incertus 013, Sermones dominicales, SERMO I. IN SEPTUAGESIMA. <<< >>> SERMO III. IN DOMINICA PASSIONIS. SERMO II. IN QUADRAGESIMA. Patrologia Latina. Auctor incertus PL013. http://mlat.uzh.ch/MLS/xfromcc.php?tabelle=Incertus_013_cps2&rumpfid=Incertus_013_cps2,%20Sermones%20dominicales,%20%20%202&id=Incertus_013_cps2,%20Sermones%20dominicales,%20%20%202&level=3&corpus=2&current_title=Sermones%20dominicales .

13https://it.wikipedia.org/wiki/Papa_Urbano_VIII . https://en.wikipedia.org/wiki/Pope_Urban_VIII . https://de.wikipedia.org/wiki/Urban_VIII. https://es.wikipedia.org/wiki/Urbano_VIII .“Apresentam-se as marcas fundamentais do seu pontificado, o mecenatismo da família Barberini, o humanismo da corte papal profundamente marcada peio 'ciceronianismo devoto' e, finalmente, a faceta do Papa poeta, apresentando, traduzindo e comentando dois poemas seus. (…) À duração de um pontificado de vinte anos, com efeito, foi uma das condições que tornaram possível a obra do reformador, do mecenas, do humanista, do homem, responsável pelo rosto barroco cia cidade eterna. (…) 2. O mecenato dos Barberini. (…) A fama de mecenas de escritores e artistas que granjeara ainda como Núncio em Paris viu-se confirmada em Roma na sua corte. (…) Mas a obra-prima que mais representa o empenho de Urbano VIII no mecenato das artes figurativas é o célebre e magnífico baldaquino que assinala o altar da Confissão na Basílica de S. Pedro, a que este papa ficaria para sempre especialmente ligado. (…) Vários familiares seus enriqueceram graças a cargos e favores por ele atribuídos, o que acabou por se traduzir numa extensão do mecenato papal para lá da cidade, nomeadamente no principado de Palestrina, comprado por Cario Barberini, irmão do Papa. (…) Toda a família dos Barberini se caracterizava por um particular interesse pela antiguidade, o que se revelava também no grupo de arqueólogos e antiquários de que se faziam rodear, sobretudo Francisco Barberini, o cardeal sobrinho, indiscutível mecenas e cultor das artes e das letras. (…) Dotado de elevadas pensões e benefícios, exerceu um dos mais grandiosos mecenatos do séc. XVII em Roma, mesmo depois da morte do tio, quando os Barberini caem em desgraça e temporariamente são privados dos seus bens e forçados ao exílio em França”. CARLOTA MIRANDA URBANO. MAFFEO BARBERINI, URBANO VIII, OU O PAPA POETA. Universidade de Coimbra. https://www.uc.pt/fluc/eclassicos/publicacoes/ficheiros/humanitas59/09.pdf .
14?
15“El grueso de las mismas se recogen en la sesión XXV del Concilio, desarrollada durante los días 3 y 4 de diciembre de 1563, y en ellas se adoptaron importantes decisiones en cuanto al culto a las imágenes, a las que se oponían tenazmente los reformistas protestantes. Respecto a ello, la Iglesia Católica se expresó del siguiente modo:

"Además de esto, declara que se deben tener y conservar, principalmente en los templos, las imágenes de Cristo, de la Virgen madre de Dios, y de otros santos, y que se les debe dar el correspondiente honor y veneración: no porque se crea que hay en ellas divinidad, o virtud alguna por la que merezcan el culto, o que se les deba pedir alguna cosa, o que se haya de poner la confianza en las imágenes, como hacían en otros tiempos los gentiles, que colocaban su esperanza en los ídolos; sino porque el honor que se da a las imágenes, se refiere a los originales representados en ellas; de suerte, que adoremos a Cristo por medio de las imágenes que besamos, y en cuya presencia nos descubrimos y arrodillamos; y veneremos a los santos, cuya semejanza tienen: todo lo cual es lo que se halla establecido en los decretos de los concilios, y en especial en los del segundo Niceno contra los impugnadores de las imágenes.
Enseñen con esmero los Obispos que por medio de las historias de nuestra redención, expresadas en pinturas y otras copias, se instruye y confirma el pueblo recordándole los artículos de la fe, y recapacitándole continuamente en ellos: además que se saca mucho fruto de todas las sagradas imágenes, no sólo porque recuerdan al pueblo los beneficios y dones que Cristo les ha concedido, sino también porque se exponen a los ojos de los fieles los saludables ejemplos de los santos, y los milagros que Dios ha obrado por ellos, con el fin de que den gracias a Dios por ellos, y arreglen su vida y costumbres a los ejemplos de los mismos santos; así como para que se exciten a adorar, y amar a Dios, y practicar la piedad. Y si alguno enseñare, o sintiere lo contrario a estos decretos, sea excomulgado. Mas si se hubieren introducido algunos abusos en estas santas y saludables prácticas, desea ardientemente el santo Concilio que se exterminen de todo punto; de suerte que no se coloquen imágenes algunas de falsos dogmas, ni que den ocasión a los rudos de peligrosos errores. Y si aconteciere que se expresen y figuren en alguna ocasión historias y narraciones de la sagrada Escritura, por ser estas convenientes a la instrucción de la ignorante plebe; enséñese al pueblo que esto no es copiar la divinidad, como si fuera posible que se viese esta con ojos corporales, o pudiese expresarse con colores o figuras. Destiérrese absolutamente toda superstición en la invocación de los santos, en la veneración de las reliquias, y en el sagrado uso de las imágenes; ahuyéntese toda ganancia sórdida; evítese en fin toda torpeza; de manera que no se pinten ni adornen las imágenes con hermosura escandaloa; ni abusen tampoco los hombres de las fiestas de los santos, ni de la visita de las reliquias, para tener convitonas, ni embriagueces: como si el lujo y lascivia fuese el culto con que deban celebrar los días de fiesta en honor de los santos. Finalmente pongan los Obispos tanto cuidado y diligencia en este punto, que nada se vea desordenado, o puesto fuera de su lugar, y tumultuariamente, nada profano y nada deshonesto; pues es tan propia de la casa de Dios la santidad. Y para que se cumplan con mayor exactitud estas determinaciones, establece el santo Concilio que a nadie sea lícito poner, ni procurar se ponga ninguna imagen desusada y nueva en lugar ninguno, ni iglesia, aunque sea de cualquier modo exenta, a no tener la aprobación del Obispo".

CONCILIO DE TRENTO, sesión XXV, La invocación, veneración y reliquias de los santos y de las sagradas imágenes (1653). Biblioteca Electrónica Cristiana)”. Publicado por Gonzalo Durán en 0:22; viernes, 8 de mayo de 2009. El Concilio de Trento y el arte. https://lineaserpentinata.blogspot.com/2009/05/el-concilio-de-trento-y-el-arte.html .
18Les Fêtes du Moyen-Age (Paris, Dumoulin, 1853, in-8°) ; https://fr.wikipedia.org/wiki/Alfred_de_Martonne . FÊTES (les) du Moyen Âge, religieuses, civiles et militaires. Par Louis-Georges-Alfred de Martonne; Toulon, impr. d'Eug. Aurel ; Paris, Dumoulin , 1853, in-8, 1 fr. Dictionnaire de bibliographie catholique : présentant l'indication et les titres complets de tous les ouvrages qui ont été publiés dans les trois langues grecque, latine et française, depuis la naissance du christianisme, en tous pays, mais principalement en France, pour et sur le catholicisme, avec les divers renseignements bibliographiques qui peuvent en donner l'idée la plus complète … J.P. Migne, 1838, p. 1289.
21De Alfred Maury.
22“Em Portugal, a ceia de natal recebe o nome de consoada sendo celebrada na noite do dia 24 de Dezembro, a véspera de Natal. Esta tradição leva as famílias a reunirem-se à volta da mesa de jantar, comendo uma refeição reforçada. Por ser uma festa de família, muitas pessoas percorrem longas distâncias para se juntarem aos seus familiares. A origem do nome “Consoada” vem do Latim "consolata", de "consolare", "consolar". Na tradição católica os fiéis participavam, ao final da noite, na Missa do Galo. Segundo a tradição portuguesa, a Consoada consiste principalmente em bacalhau cozido, seguido dos doces, como aletria, rabanadas, filhoses e outros doces. Em algumas regiões do país (principalmente no Norte), o polvo guizado com couves e batatas também consta da mesa de Natal. Em Trás-os-Montes, peru no forno, canja de galinha e assados de borrego, porco ou leitão também marcam o Natal, enquanto na Beira Alta, o cabrito é uma tradição. No Alentejo e no Algarve, o peru recheado assado são pratos que podem constar das mesas [Ribeiro, Susana (23 de Dezembro de 2009). «Portugal à mesa no Natal». Jornal de Notícias. Controlinveste Media. Consultado em 28 de Dezembro de 2013]. Em Portugal, depois da Consoada, é tradição fazer a distribuição dos presentes de Natal. No início do século XII d.C., os presentes eram distribuídos em nome de S. Nicolau, a 6 de Dezembro. Contudo, a contra–reforma católica do concílio de Trento (1545 – 1563) passou essa função ao Menino Jesus, sendo a distribuição feita no dia 25 de Dezembro, assinalando a data do nascimento de Jesus. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ceia_de_Natal . https://www.viajecomigo.com/2014/12/26/gastronomia-natal-portugal/ . https://www.viajecomigo.com/autora/ .
24“Nesta mesma perspectiva, outras produções exponenciais da erudição e pesquisa histórica crítica desenvolvida nos meios católicos podem também ser citadas, como a obra do jesuíta Denis Petau (1583 – 1652), que repercutirá até as escolas de Tübingen e a romana, no decorrer dos Oitocentos; de Louis de Le Nain de Tillemont (1637–1698), com seus 15 volumes de Mémoires pour servir à l´histoire ecclésiastique des six premiers siècles; do oratoriano Thomassin (1619-1695), com seus Dogmes théologiques.... (Prien, 1986: 80; Sesboüé; Theobald, 2006: 169). Com isso, paulatinamente, delineou-se uma cisão entre a busca de exatidão histórica, de um lado, e a sensibilidade e literatura devotas e hagiográficas, de outro, cultivadoras do afetivo e do extraordinário”. Coleção Seminário Brasileiro de História da Historiografia. História da Historiografia Religiosa. Virgínia A. Castro Buarque (organizadora). 2012 . Editora UFOP. http//:www.ufop.br e-mail: editora@ufop.br . Tel.: 31 3559-1463 Telefax.: 31 3559-1255. Centro de Vivência | Sala 03 | Campus Morro do Cruzeiro.35400.000 | Ouro Preto | MG , http://www.editora.ufop.br/index.php/editora/catalog/download/142/113/371-1?inline=1 .
25“A festa da Lupercália simbolizava a purificação que devia acontecer em Roma ao fim do ano (que começava em março). Anualmente, um corpo especial de sacerdotes, os luperci sodales (lupercos sodais) eram eleitos entre os patrícios mais ilustres da cidade. (…) Tratava-se também dum rito de passagem, simbolizando a morte e a ressurreição, celebrando assim a vida. Caracterizadas pela licenciosidade, tinham características adotadas mais tarde nas festas de Carnaval”. https://pt.wikipedia.org/wiki/Luperc%C3%A1lia
28Nouveaux Mémoires d'histoire, de critique et de littérature, Paris, 1749-1758, 7 vol. in-12 .https://fr.wikipedia.org/wiki/Antoine_Gachet_d%27Artigny .
29https://en.wikipedia.org/wiki/Vienne,_Is%C3%A8re . História do riso e do escárnio. Georges Minois. UNESP. 2003, p. 330. O objetivo do historiador francês Georges Minois é reencontrar as maneiras como o ser humano utilizou o riso ao longo da História. O humor, para o autor, é, portanto, um fenômeno que pode esclarecer, em parte, a evolução humana. O riso é uma das respostas fundamentais do ser humano perante o dilema da existência. Verificar como ele foi e é utilizado ao longo da História constitui o objetivo deste livro. Exaltar o riso ou condená-lo, para o autor, revela a mentalidade de uma época e sugere uma visão de mundo, podendo contribuir para esclarecer a própria evolução humana.
30MAURY, Alfred. Magia e Astrologia. Biblioteca Hermética. Rio de Janeiro: Artenova, 1972, pp. 124 – 126
33SUPLEMENTO CULTURAL. Diário Oficial. Estado de Pernambuco. Ano X. fevereiro de 1997. Histórias do Carnaval Parte I. Ensaios de carnaval por Leonardo Dantas Silva. “Mas às vezes acontece o raro de um e outro serem a mesma pessoa e se chamarem Leonardo Dantas Silva. Desde muito cedo ele vive e lê o carnaval, fazendo história e fazendo a história dessa festa quase sinônimo de povo brasileiro. Das três vezes que o carnaval foi assunto do Suplemento Cultural, em sua nova fase, Leonardo Dantas Silva participou das três. Nesta agora, publicamos uma síntese de sua já pronta história do carnaval do Recife. O que é o frevo, qual sua origem, quem são os seus principais intérpretes. Como se originou o maracatu. Quais foram os primeiros blocos. De que modo se brincava o carnaval nos primeiros anos do Brasil. Tudo isso é respondido na série de ensaios escritos por Dantas Silva, e ainda mais: quando se começou e se deixou de usar oficialmente lança-perfume? O que são confetes, serpentinas e em que período entraram na paisagem do Carnaval?”. http://www.revivendomusicas.com.br/curiosidades_01.asp?id=84 .
37Naukeurige Beschrijvinge der Afrikaensche Gewesten. https://en.wikipedia.org/wiki/Description_of_Africa_(1668_book) .
38“It was first published in Amsterdam by Jacob van Meurs in 1668, and a second edition appeared in 1676. A German translation was issued in 1670, as was the English translation, often attributed to John Ogilby, as Africa in 1670. A French translation also appeared in 1676. All of these translations have problems with occasional mistranslations but more significantly, abbreviation of the contents. The German and English versions are the most faithful, both in translation and inclusion of the original material, the French edition is generally regarded as quite deficient”.
40Bowdich, Thomas Edward (1819), Mission from Cape Coast Castle to Ashantee, with a statistical account of that kingdom, and geographical notices of other parts of the interior of Africa, London: J. Murray. https://archive.org/details/missionfromcapec00bowd/page/n8 .
41Histórias do Carnaval Parte II . Ensaios de carnaval por Leonardo Dantas Silva. MARACATU É NOTÍCIA EM PERNAMBUCO DESDE 1666. A coroação dos reis negros já era conhecida na França e Espanha no século 15SUPLEMENTO CULTURAL. Diário Oficial. Estado de Pernambuco. Ano X. fevereiro de 1997. http://www.revivendomusicas.com.br/curiosidades_01.asp?id=108 .
42Leonardo Dantas - Esquina quarta, 15 de fevereiro de 2017. MARACATUS, A PRESENÇA DA ÁFRICA NO CARNAVAL DO RECIFE. Maracatu Elefante – Dona Santahttp://www.raimundofloriano.com.br/views/Comentar_Post/maracatus-a-presenca-da-africa-no-carnaval-do-recife-aKpCNr4akSt1Gu4dTTob .
43Vídeo “Cultura Brasileira — Aula 5 —“Carnavalizar a cultura”; de Luiz Jean Lauand e Luiz Costa Pereira Júnior; https://www.youtube.com/watch?v=-agRq5NPwBk; da UNIVESP, https://www.youtube.com/channel/UCBL2tfrwhEhX52Dze_aO3zA. http://www.jeanlauand.com/pagen5.html . http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-21072011-131554/pt-br.php . https://www.escavador.com/sobre/2667995/luiz-costa-pereira-junior . http://seguranotexto.blogspot.com/ . Universidade Virtual do Estado de São Paulo. UNIVESP. Publicado em 30 de jul de 2014.
45Fernando Penteado . Embaixador do samba de são paulo; diretor de harmonia da Vai Vai.
46Carnaval/SP. Fernando Penteado abre o coração e fala sobre história e tradição. 19/06/2018 às 15h03 - Por Odirley Isidoro. http://www.srzd.com/colunas/fernando-penteado-abre-o-coracao-fala-sobre-historia-e-tradicao/ .
47“Nossa grande professor Fernando Penteado compositor, diretor de harmonia da Vai-Vai, embaixador do (…), explicou o motivo do dia 2 de dezembro ser o dia nacional do nosso samba popular, confiram”. DA ORIGEM: Fernando Penteado. Diretor de Harmonia da Escola de Samba Vai-Vai . Embaixador do Samba Paulista. Membro da Academia dos Baluartes do Samba de São Paulo. Diretor Cultural da UESP “União das Escolas de Samba Paulistanas”. https://www.facebook.com/sociodosamba/posts/nossa-grande-professor-fernando-penteado-compositor-diretor-de-harmonia-da-vai-v/557876444292427/ .
48https://www.fatosdesconhecidos.com.br/7-coisas-que-voce-aprende-indo-em-um-terreiro-de-umbanda/ . Glossary of the Tribes and Castes of the Punjab and North West Frontier Province. Sir Denzil Ibbetson, Maclagan. Asian Educational Services, 1990, p. 332. [Eunuchs]. Based On The Census Report For The Punjab, 1883, By The Late Sir Denzil Lbbetson And The Census Report For The Punjab, 1892, By Sir Edward Maclagan And Complied By H.A. Rose. “Gira ou Jira (no idioma quimbundo nijra, caminho) na Umbanda, é a reunião, o agrupamento de vários espíritos de uma determinada categoria, que se manifestam através da incorporação nos médiuns. A gira pode ser festiva, de trabalho ou de treinamento. https://deskgram.net/p/1666727817326377304_6342224351 . https://deskgram.net/explore/tags/orisabrasil . https://tede2.pucsp.br/bitstream/handle/20308/2/Gislene%20Alves%20Marian.pdf .
4913/01/2016 13h16 - Atualizado em 13/01/2016 13h16. Carnaval 2016 em SP: saiba por que as baianas giram tanto na avenida. http://g1.globo.com/sao-paulo/carnaval/2016/noticia/2016/01/carnaval-2016-em-sp-saiba-por-que-baianas-giram-tanto-na-avenida.html .
50Paulo Freire: pedagogía del diálogo. Canal22. Publicado em 11 de jun de 2017. "Enseñar exige saber escuchar" Paulo Freire. A través de animaciones, el director Diego Lizarazo Arias, representa la forma en que el pedagogo Paulo Freire interpreta la represión de las lenguas, así como todo lo que significó la imposición del castellano para las culturas prehispánicas. www.canal22.org.mx . Twitter: @Canal22. https://www.facebook.com/Canal22Mexico/ . Instagram: canal22oficialhttps://www.youtube.com/watch?v=Cz5_dujSuFQ .
52Interferencias - Irrupciones al sentido común. "La llama única del carnaval es la llamada a renovar el mundo" Mikhail Bakhtin. En esta cápsula, Diego Lizarazo Arias, realiza una analogía entre los cambios sociales y los elementos que conforman un carnaval. www.canal22.org.mx .Twitter: @Canal22 . https://www.facebook.com/Canal22Mexico/ . Instagram: canal22oficial . Canal22. Publicado em 11 de jun de 2017.
53“Zaniratti é educador, professor de historia, e Youtuber do Canal Subtexto do Texto”.
54“Sátira é uma forma de participar politicamente. A Carnavalização!”. SubTexto do Texto. Publicado em 1 de fev de 2018 https://www.youtube.com/watch?v=lP76Cc0ESAM .

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