Fascismo, democracia, Anarquismo e História do Brasil


Marcia Tiburi, em carta dirigida a Juremir Machado, coloca algumas questões que são centrais no que está acontecendo no Brasil, por golpe parlamentar chefiado por Temer e Cunha, do PMDB, junto com o PSDB, com ajuda de parte da justiça do país. O princípio de que pode se tolerar qualquer discussão em democracia, menos discutir a própria democracia, colocando a democracia no lugar comum do fascismo, é perfeita. A pior das democracias é melhor que qualquer tipo de ditadura. “Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos". 1

Juan Dal Maso (2018), recupera superficialmente a Democracia como uma valor universal, que, no Brasil, um de seus corifeus foi Carlos Nelson Coutinho.

“Em 1979, o reconhecido intelectual brasileiro Carlos Nelson Coutinho publicou no volume 9 da revista Encontros com a Civilização Brasileira seu ensaio “A democracia como valor universal”. (…) Citando um discurso de Enrico Berlinguer em Moscou no 60° aniversário da Revolução de Outubro, onde ele havia afirmado que a democracia era um “valor universal”, Coutinho se apropriava da expressão”.2


Marcelo Neuschwang Sancho (2012 ) resgata o texto de Carlos Nelson Coutinho, em toda a dimensão possível pensada por este último.

“O cientista político Carlos Nelson Coutinho, professor da UFRJ, foi um dos principais responsaveis pela divulgação da obra de Gramsci e de Lukács aqui no Brasil. Foi também um dos primeiros intelectuais marxistas em nosso país, a defender a necessidade de conciliar socialismo e democracia. Escreveu em 1979, o clássico "A Democracia Como Valor Universal". "Em 1979 publiquei um artigo, 'A democracia como valor universal'. Até hoje me fascina que aquele ensaio, primeiro, tenha provocado reações tão fortes. Mas, segundo, e mais preocupante, que tenha sido lido por muita gente de maneira tão equivocada. Em nenhum momento proponho lá substituir o socialismo pela democracia. Coloco a democracia como caminho para o socialismo. Nunca separei a democracia de socialismo e nem reduzi a democracia ao liberalismo. A democracia que nós, socialistas, queremos construir tem instituições que não fazem parte nem do arcabouço teórico nem da realidade dos regimes puramente liberais. Hoje, se reescrevesse aquele ensaio, teria posto como título "A democratização como valor universal". O que é valor universal não são as formas concretas que a democracia assume institucionalmente em dado momento, mas o processo pelo qual a política se socializa e, progressivamente propõe novas formas de socialização do poder. Entendo democratização, no limite, como algo que implica a plena socialização do poder – o que, aliás, é um momento fundamental da concepção marxianado socialismo. Não apenas socialização da propriedade, mas do poder. Exatamente aquilo que o "chamado socialismo real" não fez. E por isso, aliás, ele fracassou”. (…) “"Um desafio também fundamental é repensar a questão da democracia no socialismo. Eu diria que, em grande parte, o mal chamado "socialismo real" fracassou porque não deu uma resposta adequada à questão da democracia. Eu acho que socialismo não é só socialização dos meios de produção - nos países do socialismo real, na verdade, foi estatização - mas é também socialização do poder político. E nós sabemos que o que aconteceu ali foi uma monopolização do poder político, uma burocratização partidária que levou a um ressecamento da democracia. A meu ver, aquilo foi uma transição bloqueada. Eu acho que os países socialistas não realizaram o comunismo, não realizaram sequer o socialismo e temos que repensar também a relação entre socialismo e democracia. Meu texto, "Democracia como valor universal", não é um abandono do socialismo. Era apenas uma maneira de repensar o vinculo entre socialismo e democracia. Era um artigo ao mesmo tempo contra a ditadura que ainda existia e contra uma visão "marxista-leninista", o pseudônimo do stalinismo, que o partido ainda tinha da democracia. Acho que este foi o limite central da renovação do partido". (Carlos Nelson Coutinho)
"Uma alteração que eu faria no velho artigo era colocar não democracia como valor universal, mas democratização como valor universal. Para mim a democracia é um processo, ela não se identifica com as formas institucionais que ela assume em determinados contextos históricos. A democratização é o processo de crescente socialização da política com maior participação na política, e, sobretudo, a socialização do poder político. Então, eu acredito que a plena socialização do poder político, ou seja, da democracia, só pode ocorrer no socialismo, porque numa sociedade capitalista sempre há déficit de cidadania. Em uma sociedade de classes, por mais que sejam universalizados os direitos, o exercício deles é limitado pela condição classista das pessoas. Neste sentido, para a plena realização da democracia, o autogoverno da sociedade só pode ser realizado no socialismo. Então, eu diria que sem democracia não há socialismo, e sem socialismo não há democracia. Acho que as duas coisas devem ser sublinhadas com igual ênfase".(Carlos Nelson Coutinho)”. 3


Amartya Sen (1999), defende a democracia como valor universal, usando outros argumentos, diferentes do eurocomnismo, afirmando o conteúdo ético inalienavel da democracia, tanto como a qualidade da misericordia, da não-violência, da liberdade de pensamento.

“A ideia de democracia como um compromisso universal é bastante nova, e é fundamentalmente um produto do século XX. (…) Nós pelo menos chegamos ao ponto de reconhecer que a cobertura da universalidade, como a qualidade da misericórdia, não é disseminada. Eu não nego a existência de desafios ao argumento da democracia pela universalidade. (…) Eu preciso examinar esse argumento da democracia como um valor universal e os desafios que o cercam. (…) Enquanto a democracia ainda não é praticada universalmente, assim como não é uniformemente aceita, no clima geral da opinião mundial, a governança democrática atingiu agora o status de ser encarada como geralmente certa. (…) Esse reconhecimento da democracia como um sistema universalmente relevante, que se move em direção de sua aceitação como um valor universal, é uma grande revolução no pensamento, e uma das mais importantes contribuições do século XX. É nesse contexto que precisamos examinar a questão da democracia como um valor universal. (…) Eu devo voltar ao criticismo novamente, utilizando os argumentos dos críticos culturais em particular, mas é chegado o momento de buscar mais firmemente a análise positiva do que a democracia faz e o que se encontra na base de seu argumento de ser um valor universal. (…) Vistos sob essa luz, os méritos da democracia e seu argumento como valor universal podem ser relacionados a certas virtudes distintas que acompanham sua prática irrestrita. (…) Os argumentos da democracia como um valor universal devem levarem conta esta diversidade de considerações. (…) À luz desse diagnóstico, nós podemos agora abordar a questão que motivou este ensaio, qual seja, o caso de compreender a democracia como um valor universal. (…) A ausência de unanimidade é vista por alguns como evidência suficiente de que a democracia não é um valor universal. Certamente, devemos começar lidando com uma questão metodológica: o que é um valor universal? Para que um valor seja considerado universal, deve ter a aceitação de todos? (…) Eu argumentaria que a aceitação universal não é um requisito para que algo seja considerado valor universal. Ao invés disso, o argumento de um valor universal é que as pessoas, em qualquer lugar, tenham razão para vê-lo como valioso. (…) Quando Mahatma Gandhi defendeu o valor universal da não-violência, ele não estava defendendo que as pessoas em todos os lugares agissem de acordo com esse valor, mas que elas tivessem bons motivos para vê-lo como valioso. Da mesma forma, quando Rabindranath Tagore defendeu “a liberdade da mente” (ou a liberdade de pensar) como um valor universal, ele não estava dizendo que esse argumento é aceito por todos, mas que todos têm razão suficiente para aceitá-lo — uma razão pela qual ele muito fez em termos de explorar, apresentar e divulgar. (Veja meu “Tagore and his India,” New York Review of Books, 26 de Junho de 1997). Vista dessa forma, qualquer argumentação de que algo seja um valor universal envolve análise de seus aspectos contrários — em particular, se as pessoas podem ver algum valor em uma argumentação que ainda não consideraram adequadamente. Todos os argumentos relativos a valor universal — não apenas o da democracia — têm este pressuposto implícito. (…) Alguns que debatem o status da democracia como um valor universal, baseiam seu argumento não na ausência de unanimidade, mas na presença de contrastes regionais. (…) Descartar a plausibilidade da democracia como um valor universal em função da presença de alguns escritos asiáticos sobre disciplina e ordem seria como rejeitar a plausibilidade da democracia como uma forma natural de governo na Europa ou América hoje com base nos escritos de Platão ou Aquinas (sem mencionar a substancial literatura medieval a favor das Inquisições). (…) Mas mesmo que cada puxão asiático possa ser neutralizado por um empurrão ocidental, os dois juntos não conseguem reduzir o argumento da democracia de ser um valor universal. (…) Eu tentei cobrir um grande número de temas relacionados ao argumento de que a democracia é um valor universal. (…) A pujança do argumento de que a democracia é um valor universal reside, finalmente, nessa força. (…) . 4

Caro Juremir,
Sempre gostei muito de participar do teu programa. Conversar contigo e com qualquer pessoa que apresente argumentos consistentes. Mais do que um prazer é, para mim, um dever ligado à necessidade de resistir ao pensamento autoritário, superficial e protofascista. Ao meu ver, debates que desvelam divergências teóricas ou ideológicas podem nos ajudar a melhorar nossos olhares sobre o mundo. Tenho a minha trajetória marcada tanto por uma produção teórica quanto por uma prática de lutar contra o empobrecimento da linguagem, a demonização de pessoas, os discursos vazios, a transformação da informação em mercadoria espetacularizada, os shows de horrores em que se transformaram a grande maioria dos programas nos meios de comunicação de massa. Ao longo da minha vida me neguei poucas vezes a participar de debates. Sempre que o fiz, foi por uma questão de coerência. Tenho o direito de não legitimar como interlocutores pessoas que agem com má fé contra a inteligência do povo brasileiro ao mesmo tempo em que exploram a ignorância, o racismo, o sexismo e outros preconceitos introjetados em parcela da população. Por essa razão, ontem tive de me retirar do teu programa. Confesso que senti medo: medo de que no Brasil, após o golpe midiático-empresarial-judicial, não exista mais espaço para debater ideias. Em um dia muito importante para a história brasileira, marcado por mais uma violação explícita da Constituição da República, não me é admissível participar de um programa que tenderia a se transformar em um grotesco espetáculo no qual duas linguagens que não se conectam seriam expostas em uma espécie de ringue, no qual argumentos perdem sentido diante de um já conhecido discurso pronto (fiz uma reflexão teórica sobre isso em “A Arte de escrever para idiotas”), que conta com vários divulgadores, de pós-adolescentes a conhecidos psicóticos; que investe em produzir confusão a partir de ideias vazias, chavões, estereótipos ideológicos, mistificações, apologia ao autoritarismo e outros recursos retóricos que levam ao vazio do pensamento. Por isso, ontem tive que me retirar. Não dependo de votos da audiência, nem sinto prazer em demonstrar a ignorância alheia, por isso não vi sentido em participar do teu programa. Demorei um pouco para entender o que estava acontecendo. Fiquei perplexa, mas após refletir melhor cheguei à conclusão de que a ofensa que senti naquele momento era inevitável. A uma, porque, ao contrário das demais pessoas, não fui avisada de quem participaria do debate. A duas, por você imaginar que eu desejaria participar de um programa em que o risco de ouvir frases vazias, manifestações preconceituosas e ofensas era enorme. Por fim, e principalmente, meu estômago não permitiria, em um dia no qual assistimos a uma profunda injustiça, ouvir qualquer pessoa que faça disso motivo de piada ou de alegria. Não sou obrigada a ouvir quem acredita que justiça é o que está em cabeças vazias e interessa aos grupos econômicos que, ao longo da história do Brasil, sempre atentaram contra a democracia. Tu, a quem tenho muita consideração, não me avisou do meu interlocutor. A tua produtora, que conversou comigo desde a semana passada, não me avisou. Eu tenho o direito de escolher o debate do qual quero participar. Entendo que possa ter sido um acaso, que estavam precisando de mais uma debatedor para a performance do programa. Se foi isso, a pressa é inimiga da perfeição. E, se não cheguei a pedir que me avisasse se teria outro participante, também não imaginava que o teu raro programa de rádio, crítico e analítico, com humor bem dosado, mas sempre muito sério, abrisse espaço para representantes do empobrecimento subjetivo do Brasil. Creio que é importante chamar ao debate e ao diálogo qualquer cidadão que possa contribuir com ideias e reflexões, e para isso não se pode apostar em indivíduos que se notabilizaram por violentar a inteligência e a cultura, sem qualificação alguma, que mistificam a partir de clichês e polarizações sem nenhum fundamento. O discurso que leva ao fascismo precisa ser interrompido. Existem limites intransponíveis, sob pena de, disfarçado de democratização, os meios de comunicação contribuírem ainda mais para destruir o que resta da democracia. Quando meu livro Como conversar com um fascista foi publicado, muitos não perceberam a ironia kierkegaardiana do título. Espero que a tua audiência tenha entendido. O detentor da personalidade autoritária, fechado para o outro e com suas certezas delirantes, chama de diálogo ao que é monólogo. Espero que, sob a tua condução, o programa volte a investir em mais diálogo, que seja capaz de reunir a esquerda e a direita comprometidas com o Estado Democrático de Direito em torno do debate de ideias”5.


Juremir Machado respondeu para Marcia Tiburi. A resposta de Juremir ficou nos marcos da formalidade, enquanto jornalista. Mas existe um problema de fundo que Juremir coloca sem discutir muito: o anarquismo. A história do anarquismo, no Brasil, demonstrou que, do ponto de vista político, significou, para o povo, uma ausência de participação no parlamento, levando o país, tardiamente, e de forma de cima para baixo, aguardar reformas de Getúlio Vargas, um latifundiário comprometido com ideias de Júlio de Castilhos, desde o início da República, em que o povo é manipulado por um Estado iluminado. O anarquismo, por negar a politica enquanto tal, vista como impura, desarma o povo, imaginando uma consciência imanente nas próprias ações anarquistas, nos sindicatos, sem perceber os limites da luta sindicalista e das ações diretas. A discussão sobre o Estado fica circunscrita aos métodos teóricos e filosóficos, sem perceber a grandeza das ações políticas na própria organização do Estado. O estado pode ser totalitário, mas nem sempre. Defender a democracia dos fascistas é trabalho essencial. Os fascista, por serem totalitário, querem o fim da democracia. Por isso, não devem participar da democracia pois não a aceitam enquanto tal. Permitir o fim da democracia é aceitar a ideia de que existe uma alternativa a democracia, o que, até agora, ninguém provou.

“Não tive o cuidado de avisar Marcia Tiburi e Roberto Requião de que encontrariam Kim Kataguiri em meu programa. Em jornalismo isso é padrão. Avisa-se por cortesia e para manter relações. Alguns, contudo, veem nisso um dispositivo ético. Em se tratando de políticos isso é bastante discutível. O eleito deve estar sempre disponível para debater com qualquer um. Sem aviso prévio.Se Requião tivesse encontrado José Sarney no programa, reclamaria de não ter sido avisado? Pedi e peço desculpas a Márcia. Li sua carta de protesto no programa. Parei para pensar. Por que não se pode debater com Kim Kataguiri? Por que ele é jovem demais? Por que o MBL é considerado fascista? Por que mesmo o MBL é fascista? Por que quer Estado mínimo? Por que Kataguiri teria sido treinado nos Estados Unidos? Por que acha que Lula é corrupto? Por que pensa como parte considerável da população brasileira? Por que apoiou Doria? Por que apoiou o impeachment de Dilma?Por que não bate panelas contra Temer? Por que é debochado, arrogante, agressivo? Por que intimida as pessoas (já sofri muita tentativa de intimidação da esquerda)? Por que o MBL filma as pessoas às escondidas para expô-las e isso é realmente grave? No meu programa já foram Cesare Batistti e Jair Bolsonaro. Nesta semana, João Pedro Stedile e Guilherme Boulos. Por que Boulos pode e Kataguiri não? O cara de esquerda considera Kataguiri fraco e perigoso. O cara de direita considera Boulos fraco e perigoso. O cara de direita afirma que não se deve dar espaços para gente como Boulos. O cara de esquerda afirma que não se deve dar espaços para gente como Kataguiri. Recebi duas críticas: por não ter avisado (justa) e por ter convidado Kataguiri (inaceitável). Minha visão de pluralismo é essa mesma: Boulos e Kataguiri no mesmo programa, juntos ou separados. Certo, pelo protocolo, avisados. Nos comentários que li transpareceu uma velha tentação atribuída à esquerda, mas comum na direita que me patrulha diariamente, de controlar a mídia, dizer quem tem legitimidade para falar. Todos aqueles que pensam como Kataguiri devem ser banidos da mídia? Por que não debater e desmontar seus argumentos?Achei que ele debateu muito bem com Requião. Não concordo com uma só ideia de Kataguiri. Discordo de 50% do que defende Requião. A meu ver, Kataguiri deu um baile em Requião na forma. Argumentou com calma, com frieza e com organização. Quem tem de Kim Kataguiri?Eu tenho. Dele, do MBL e de todos os aparelhos de pressão. Tenho medo de certa esquerda e de certa direita. Entendo o medo dos outros. Tenho medo de tudo e de todos, especialmente de quem me manda para o paredão moral por crime de lesa expectativa de fidelidade. Não sou de esquerda. Não sou de direita. Não tenho partido. Sou anarquista. Um anarquismo fora do catálogo. Fazia tempo que não era vilão. Ainda conheço o script. Até hoje só a esquerda me fez perder emprego. Cada um com seus clichês e sua tribo. Sem diabolizar o outro. Qualquer outro. O outro tem sido sempre o demônio. Gosto de Olívio Dutra. Gosto de Michel Houellebecq. Esquerda e direita. Não sou, como diria Edgar Morin, de ninguém. Não contem comigo como porta-voz. Eu pertenço à solidão da minha loucura”.6



Juremir acabou por enfrentar a fera, o lado sombra, e o que disse o fascista? “Ele (Bolsonaro) pediu liberdade para falar”. E o aconteceu com Juremir e e a Voltaire Porto? “o silêncio de vocês foi uma condição do candidato”; “Machado foi obrigado a ficar em silêncio”. Foi censura?
Eis o motivo pelo qual um fascista não pode ser ouvido na democracia; simplesmente o fascista quer o fim da democracia; o fascista quer falar sozinho, monólogo, autocracia, ditadura, totalitarismo. Embora todo o desconforto que gerou na emissora, foi censura sim, típica de um fascista. O resto é silêncio. Imaginar que o caminho da formalidade acadêmica e jornalística salva a democracia das garras de um ditador, é sofismar.
Nós podemos dizer que o candidato nos censurou?”; “Não tem censura”, argumentou o apresentador”; “Não há qualquer orientação, nenhuma censura. Nós somos conhecidos, inclusive como uma emissora de esquerda, porque damos total paridade à cobertura. Inclusive o Haddad já deu entrevista de mais de meia-hora para o Juremir na Guaíba”, contesta o jornalista Nando Gross, diretor de jornalismo da emissora e que negociou com o candidato as condições da participação dele no programa”.

Uma entrevista exclusiva do candidato à presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), conduzida pelo apresentador Rogério Mendelski, no programa Bom Dia, na Rádio Guaíba, na manhã desta terça-feira, 23, terminou com o pedido de demissão do jornalista Juremir Machado da Silva, integrante da bancada, que foi impedido de fazer perguntas. A condição foi imposta pelo candidato. O episódio suscitou críticas à linha editorial de veículos do grupo Record, de propriedade do bispo Edir Macedo, apoiador do candidato do PSL. Ao final da entrevista, na qual o candidato teve total liberdade para falar sem ser interrompido ou questionado, Mendelski esclareceu aos ouvintes: “o silêncio de vocês foi uma condição do candidato, que queria conversar com o apresentador”, disse ao microfone, referindo-se aos colegas de estúdio, Juremir e a Voltaire Porto. “Nós podemos dizer que o candidato nos censurou?, questionou Juremir. “Não, eu não diria isso. Ele não sabe que vocês estão aqui. Ele apenas disse ‘eu dou entrevista somente pra você’. Não tem censura, argumentou o apresentador. “Eu achei humilhante e por isso estou saindo do programa. Foi um prazer trabalhar aqui (por) dez anos”, reagiu Juremir ao levantar-se da bancada e deixar o estúdio. “Não podemos dizer nada”, desculpou-se Mendelski. Por telefone, Juremir disse ao Extra Classe que pediu afastamento do programa Bom Dia e que não pretende deixar a emissora, na qual coordena o programa Esfera Pública, em companhia da jornalista Taline Oppitz, nem a função de colunista do jornal Correio do Povo, que exerce há 18 anos. “Eu saí do programa. Continuo na Rádio Guaíba. Não achei adequada essa situação. O Rogério faz uma entrevista e, na condição de participante da bancada de um programa em que todos opinam, todos dão palpites, obviamente eu queria fazer perguntas também, independente do entrevistado”, argumenta. Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS, Juremir Machado, 56 anos, é formado em História e em jornalismo e pós-doutor em Sociologia pela Sorbonne. CENSURADOS – O episódio acabou provocando críticas aos critérios adotados pela Rede Record e veículos afiliados na cobertura das eleições e expôs o que alguns jornalistas qualificam como censura. Jornalistas da Record têm comentado que a cobertura das eleições estaria sob uma espécie de censura no jornal Correio do Povo, obrigado a reproduzir conteúdo nacional da agência R7, mantida pelo grupo Record. A edição do Correio do Povo desta terça-feira, 23, não traz qualquer referência às eleições. Nas páginas internas, o jornal reproduz material de agência da própria rede (R7), com duas notas. No canto superior da página, o registro do apoio de empresários sob o título “Bolsonaro: a caminho de ‘nova independência’ e, abaixo, o encontro do candidato Fernando Haddad com recicladores e o título “Haddad agradece ‘apoio crítico’ de Marina. Coincidência ou não as alterações na linha editorial dos veículos da Record no estado começaram a ser percebidas depois que o Bispo Edir Macedo, proprietário da rede, declarou apoio a Bolsonaro, em 30 de setembro. O crime envolvendo apoiadores de Bolsonaro que entalharam a canivete uma suástica no corpo de uma jovem em Porto Alegre, no dia 10 de outubro, por exemplo, foi veiculado na versão on-line do Correio do Povo, teve ampla repercussão, mas não teve continuidade. No último final de semana, nenhum repórter ou equipe do jornal foi designada para cobrir as manifestações do #EleNão  no Parque Farroupilha. Já os atos pró-Bolsonaro ganharam ampla repercussão no domingo, 21, no jornal impresso. No dia 20 de outubro, o jornalista Glenn Greenwald, reportou ataques ao The Intercept. Segundo ele, a eventual ascensão de Bolsonaro estaria gerando um clima no qual jornalistas que criticam a ele, ou ao seu movimento, “incluindo jornalistas que reportam para o Intercept, estão sendo expostos a uma campanha agressiva de investigações pessoais, tentativas de intimidações e escrutínios perniciosas de membros de nossas famílias”. De acordo com Greenwald “esses ataques estão sendo orquestrados pelos meios de comunicação de propriedade do pastor evangélico bilionário e afogado em escândalos, Edir Macedo, que agora é um defensor explícito de Bolsonaro. O vasto império de mídia de Macedo – que inclui a segunda maior emissora de TV do país (Record), portais on-line (R7) e outras agências de notícias – está sendo usado para punir e retaliar jornalistas pelo crime de denunciar criticamente Jair Bolsonaro, seu movimento e as empresas de Macedo”. Logo após o episódio da Rádio Guaíba, na manhã desta terça-feira, o jornalista Luiz Müller disparou em seu blog: “Machado foi obrigado a ficar em silêncio durante programa em que entrevistariam Bolsonaro. Rogério Mendelski, títere do Pastor Edir cumpriu a ordem e impediu o jornalista de perguntar. A Rádio Guaíba é sucursal da Record no RS. Juremir acaba de se demitir do programa em que esteve por dez anos. A democracia está nos seus últimos estertores e a mídia venal já dá sinais de que apoiará a instalação da ditadura fascista e teocrática embutida na candidatura de Bolsonaro”, criticou. “Nunca vi o bispo Edir Macedo, a igreja não interfere em nada. Não há qualquer orientação, nenhuma censura. Nós somos conhecidos, inclusive como uma emissora de esquerda, porque damos total paridade à cobertura. Inclusive o Haddad já deu entrevista de mais de meia-hora para o Juremir na Guaíba”, contesta o jornalista Nando Gross, diretor de jornalismo da emissora e que negociou com o candidato as condições da participação dele no programa. “Foi uma negociação entre mim e o Bolsonaro. Goste ou não, isso não é incomum em rádio, o cara pedir para ser entrevistado por determinado profissional. No esporte acontece o tempo todo. Ele (Bolsonaro) pediu liberdade para falar e isso foi aceito”, disse. “O que eu jamais faria é trocar apresentador de programa para atender exigência de entrevistado – inicialmente a entrevista seria à tarde. No caso, às 8h é o horário do Mendelski”, afirmou.
1Original: ‘Democracy is the worst form of government except from all those other forms that have been tried from time to time’. -Winston Churchill, em discurso na House of Commons, 11 de Novembro, 1947”1. https://api.parliament.uk/historic-hansard/commons/1947/nov/11/parliament-bill . https://api.parliament.uk/historic-hansard/commons/1947/nov/11/parliament-bill#S5CV0444P0_19471111_HOC_292 .
2 TEORIA. A democracia: valor universal? Debate com Carlos Nelson Coutinho. Juan Dal Maso. quarta-feira 25 de julho. http://www.esquerdadiario.com.br/A-democracia-valor-universal-Debate-com-Carlos-Nelson-Coutinho . “Nacido en Bs. As. en 1977, vive en el Alto Valle de Río Negro y Neuquén. Integrante del Partido de los Trabajadores Socialistas desde 1997, es autor de los libros El marxismo de Gramsci. Notas de lectura sobre los Cuadernos de la cárcel (Ed.IPS, 2016) y Hegemonía y lucha de clases. Tres ensayos sobre Trotsky, Gramsci y el marxismo (Ed. IPS, 2018), así como de diversos artículos sobre problemas de teoría marxista”. https://www.laizquierdadiario.com/Juan-Dal-Maso .
3 domingo, 22 de abril de 2012. A Democracia Como Valor Universal. Postado por Marcelo Neuschwang Sancho às 09:19 . Professor de filosofia no Rio de Janeiro, Brasil. https://www.blogger.com/profile/09170879726309369009 . http://brasilsocialista2012.blogspot.com/2012/04/democracia-como-valor-universal.html .
4 Democracia como valor universal. Amartya Sen (1999). Augusto de Franco; 21/01/2017, 12:40. “Amartya Sen, ganhador do prêmio Nobel de Economia em 1998, é mestre no Trinity College, Cambridge, e professor emérito da Harvard University. O presente ensaio tem por base a palestra dada em conferência em Nova Déli, em fevereiro de 1999, sobre a “Construção de um Movimento Mundial pela Democracia””. SEN, Amartya (1999): Democracy as a Universal Value | Copyright © 1999 National Endowment for Democracy and the Johns Hopkins University Press. Journal of Democracy 10.3 (1999) 3-17. http://dagobah.com.br/democracia-como-valor-universal/ . http://api.ning.com/files/PD*OEYumS6XRKm-KtQYR5J3eLs86ixLRGL0HdziLsrjThCOTlPUhYVzune-ku*LOApBZcRfSA2NfTjb8vCtVPnbfE*Q32ccy/AmartyaSen_DemocracyasaUniversalValue.pdf .
5 “Carta aberta a Juremir”. Marcia Tiburi disse: 25 de janeiro de 2018. https://revistacult.uol.com.br/home/marcia-tiburi-kim-kataguiri/ .

6 “Quem tem medo de Kim Kataguiri?”. Postado em 25 de janeiro de 2018 por redacao. Publicado em Política. http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/tag/marcia-tiburi/ .

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