Fascismo, democracia, Anarquismo e História do Brasil
Marcia Tiburi, em
carta dirigida a Juremir Machado, coloca algumas questões que são
centrais no que está acontecendo no Brasil, por golpe parlamentar
chefiado por Temer e Cunha, do PMDB, junto com o PSDB, com ajuda de
parte da justiça do país. O princípio de que pode se tolerar
qualquer discussão em democracia, menos discutir a própria
democracia, colocando a democracia no lugar comum do fascismo, é
perfeita. A pior das democracias é melhor que qualquer tipo de
ditadura. “Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem
defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo,
salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos
em tempos". 1
Juan Dal Maso
(2018), recupera superficialmente a Democracia como uma valor
universal, que, no Brasil, um de seus corifeus foi Carlos Nelson
Coutinho.
“Em 1979, o
reconhecido intelectual brasileiro Carlos Nelson Coutinho publicou no
volume 9 da revista Encontros com a Civilização Brasileira seu
ensaio “A democracia como valor universal”. (…) Citando um
discurso de Enrico Berlinguer em Moscou no 60° aniversário da
Revolução de Outubro, onde ele havia afirmado que a democracia era
um “valor universal”, Coutinho se apropriava da expressão”.2
Marcelo Neuschwang
Sancho (2012 ) resgata o texto de Carlos Nelson Coutinho, em toda a
dimensão possível pensada por este último.
“O cientista
político Carlos Nelson Coutinho, professor da UFRJ, foi um dos
principais responsaveis pela divulgação da obra de Gramsci e de
Lukács aqui no Brasil. Foi também um dos primeiros intelectuais
marxistas em nosso país, a defender a necessidade de conciliar
socialismo e democracia. Escreveu em 1979, o clássico "A
Democracia Como Valor Universal". "Em 1979 publiquei um
artigo, 'A democracia como valor universal'. Até hoje me fascina que
aquele ensaio, primeiro, tenha provocado reações tão fortes. Mas,
segundo, e mais preocupante, que tenha sido lido por muita gente de
maneira tão equivocada. Em nenhum momento proponho lá substituir o
socialismo pela democracia. Coloco a democracia como caminho para o
socialismo. Nunca separei a democracia de socialismo e nem reduzi a
democracia ao liberalismo. A democracia que nós, socialistas,
queremos construir tem instituições que não fazem parte nem do
arcabouço teórico nem da realidade dos regimes puramente liberais.
Hoje, se reescrevesse aquele ensaio, teria posto como título "A
democratização como valor universal". O que é valor
universal não são as formas concretas que a democracia assume
institucionalmente em dado momento, mas o processo pelo qual a
política se socializa e, progressivamente propõe novas formas de
socialização do poder. Entendo democratização, no limite, como
algo que implica a plena socialização do poder – o que, aliás, é
um momento fundamental da concepção marxianado socialismo.
Não apenas socialização da propriedade, mas do poder. Exatamente
aquilo que o "chamado socialismo real" não fez. E por
isso, aliás, ele fracassou”. (…) “"Um desafio também
fundamental é repensar a questão da democracia no socialismo. Eu
diria que, em grande parte, o mal chamado "socialismo real"
fracassou porque não deu uma resposta adequada à questão da
democracia. Eu acho que socialismo não é só socialização dos
meios de produção - nos países do socialismo real, na verdade, foi
estatização - mas é também socialização do poder político. E
nós sabemos que o que aconteceu ali foi uma monopolização do poder
político, uma burocratização partidária que levou a um
ressecamento da democracia. A meu ver, aquilo foi uma transição
bloqueada. Eu acho que os países socialistas não realizaram o
comunismo, não realizaram sequer o socialismo e temos que repensar
também a relação entre socialismo e democracia. Meu texto,
"Democracia como valor universal", não é um abandono do
socialismo. Era apenas uma maneira de repensar o vinculo entre
socialismo e democracia. Era um artigo ao mesmo tempo contra a
ditadura que ainda existia e contra uma visão "marxista-leninista",
o pseudônimo do stalinismo, que o partido ainda tinha da democracia.
Acho que este foi o limite central da renovação do partido".
(Carlos Nelson Coutinho)
"Uma alteração
que eu faria no velho artigo era colocar não democracia como valor
universal, mas democratização como valor universal.
Para mim a democracia é um processo, ela não se identifica
com as formas institucionais que ela assume em determinados contextos
históricos. A democratização é o processo de crescente
socialização da política com maior participação na política, e,
sobretudo, a socialização do poder político. Então, eu acredito
que a plena socialização do poder político, ou seja, da
democracia, só pode ocorrer no socialismo, porque numa sociedade
capitalista sempre há déficit de cidadania. Em uma sociedade de
classes, por mais que sejam universalizados os direitos, o exercício
deles é limitado pela condição classista das pessoas. Neste
sentido, para a plena realização da democracia, o autogoverno da
sociedade só pode ser realizado no socialismo. Então, eu diria que
sem democracia não há socialismo, e sem socialismo não há
democracia. Acho que as duas coisas devem ser sublinhadas com igual
ênfase".(Carlos Nelson Coutinho)”. 3
Amartya Sen (1999),
defende a democracia como valor universal, usando outros argumentos,
diferentes do eurocomnismo, afirmando o conteúdo ético inalienavel
da democracia, tanto como a qualidade da misericordia, da
não-violência, da liberdade de pensamento.
“A ideia de
democracia como um compromisso universal é bastante nova, e é
fundamentalmente um produto do século XX. (…) Nós pelo menos
chegamos ao ponto de reconhecer que a cobertura da universalidade,
como a qualidade da misericórdia, não é disseminada. Eu não nego
a existência de desafios ao argumento da democracia pela
universalidade. (…) Eu preciso examinar esse argumento da
democracia como um valor universal e os desafios que o cercam. (…)
Enquanto a democracia ainda não é praticada universalmente,
assim como não é uniformemente aceita, no clima geral da opinião
mundial, a governança democrática atingiu agora o status de ser
encarada como geralmente certa. (…) Esse reconhecimento da
democracia como um sistema universalmente relevante, que se move em
direção de sua aceitação como um valor universal, é uma
grande revolução no pensamento, e uma das mais importantes
contribuições do século XX. É nesse contexto que precisamos
examinar a questão da democracia como um valor universal. (…) Eu
devo voltar ao criticismo novamente, utilizando os argumentos dos
críticos culturais em particular, mas é chegado o momento de buscar
mais firmemente a análise positiva do que a democracia faz e o que
se encontra na base de seu argumento de ser um valor universal. (…)
Vistos sob essa luz, os méritos da democracia e seu argumento como
valor universal podem ser relacionados a certas virtudes distintas
que acompanham sua prática irrestrita. (…) Os argumentos da
democracia como um valor universal devem levarem conta esta
diversidade de considerações. (…) À luz desse diagnóstico, nós
podemos agora abordar a questão que motivou este ensaio, qual seja,
o caso de compreender a democracia como um valor universal. (…) A
ausência de unanimidade é vista por alguns como evidência
suficiente de que a democracia não é um valor universal.
Certamente, devemos começar lidando com uma questão metodológica:
o que é um valor universal? Para que um valor seja considerado
universal, deve ter a aceitação de todos? (…) Eu
argumentaria que a aceitação universal não é um requisito para
que algo seja considerado valor universal. Ao invés disso, o
argumento de um valor universal é que as pessoas, em qualquer lugar,
tenham razão para vê-lo como valioso. (…) Quando
Mahatma Gandhi defendeu o valor universal da não-violência, ele não
estava defendendo que as pessoas em todos os lugares agissem de
acordo com esse valor, mas que elas tivessem bons motivos para vê-lo
como valioso. Da mesma forma, quando Rabindranath
Tagore defendeu “a liberdade da mente” (ou a liberdade de pensar)
como um valor universal, ele não estava dizendo que esse argumento é
aceito por todos, mas que todos têm razão suficiente para aceitá-lo
— uma razão pela qual ele muito fez em termos de explorar,
apresentar e divulgar. (Veja meu “Tagore and his India,”
New York Review of Books, 26 de Junho de 1997). Vista dessa forma,
qualquer argumentação de que algo seja um valor universal envolve
análise de seus aspectos contrários — em particular, se as
pessoas podem ver algum valor em uma argumentação que ainda não
consideraram adequadamente. Todos os argumentos relativos a valor
universal — não apenas o da democracia — têm este pressuposto
implícito. (…) Alguns que debatem o status da democracia como um
valor universal, baseiam seu argumento não na ausência de
unanimidade, mas na presença de contrastes regionais. (…)
Descartar a plausibilidade da democracia como um valor universal em
função da presença de alguns escritos asiáticos sobre disciplina
e ordem seria como rejeitar a plausibilidade da democracia como uma
forma natural de governo na Europa ou América hoje com base nos
escritos de Platão ou Aquinas (sem mencionar a substancial
literatura medieval a favor das Inquisições). (…) Mas mesmo que
cada puxão asiático possa ser neutralizado por um empurrão
ocidental, os dois juntos não conseguem reduzir o argumento da
democracia de ser um valor universal. (…) Eu tentei cobrir um
grande número de temas relacionados ao argumento de que a democracia
é um valor universal. (…) A pujança do argumento de que a
democracia é um valor universal reside, finalmente, nessa força.
(…) . 4
“Caro
Juremir,
Sempre
gostei muito de participar do teu programa. Conversar contigo e com
qualquer pessoa que apresente argumentos consistentes. Mais do que um
prazer é, para mim, um dever ligado à necessidade de resistir
ao pensamento autoritário, superficial e protofascista.
Ao meu ver, debates que desvelam divergências teóricas ou
ideológicas podem nos ajudar a melhorar nossos olhares sobre o
mundo. Tenho a minha trajetória marcada tanto por uma produção
teórica quanto por uma prática de
lutar contra o empobrecimento da linguagem, a demonização de
pessoas, os discursos vazios, a transformação da informação em
mercadoria espetacularizada, os shows de horrores em que se
transformaram a grande maioria dos programas nos meios de comunicação
de massa. Ao longo da
minha vida me neguei poucas vezes a participar de debates. Sempre que
o fiz, foi por uma questão de coerência. Tenho
o direito de não legitimar como interlocutores pessoas que agem com
má fé contra a inteligência do povo brasileiro ao mesmo tempo em
que exploram a ignorância, o racismo, o sexismo e outros
preconceitos introjetados em parcela da população.
Por essa razão, ontem tive de me retirar do teu programa. Confesso
que senti medo: medo de que no Brasil, após o golpe
midiático-empresarial-judicial, não exista mais espaço para
debater ideias. Em um
dia muito importante para a história brasileira, marcado por mais
uma violação explícita da Constituição da República, não me é
admissível participar de um programa que tenderia a se
transformar em um grotesco espetáculo no qual duas linguagens que
não se conectam seriam expostas em uma espécie de ringue, no qual
argumentos perdem sentido diante de um já conhecido discurso pronto
(fiz uma reflexão teórica sobre isso em “A Arte de escrever para
idiotas”), que conta com vários divulgadores, de pós-adolescentes
a conhecidos psicóticos; que investe em produzir confusão a partir
de ideias vazias, chavões, estereótipos ideológicos,
mistificações, apologia ao autoritarismo e outros recursos
retóricos que levam ao vazio do pensamento.
Por isso, ontem tive que me retirar. Não dependo de votos da
audiência, nem sinto prazer em demonstrar a ignorância alheia, por
isso não vi sentido em participar do teu programa. Demorei um pouco
para entender o que estava acontecendo. Fiquei perplexa, mas após
refletir melhor cheguei à conclusão de que a ofensa que senti
naquele momento era inevitável. A uma, porque, ao contrário das
demais pessoas, não fui avisada de quem participaria do debate. A
duas, por você imaginar que eu desejaria participar de um programa
em que o risco de ouvir
frases vazias, manifestações preconceituosas e ofensas era enorme.
Por fim, e principalmente, meu estômago não permitiria, em um dia
no qual assistimos a uma profunda injustiça, ouvir qualquer pessoa
que faça disso motivo de piada ou de alegria.
Não sou obrigada a ouvir
quem acredita que justiça é o que está em cabeças vazias e
interessa aos grupos econômicos que, ao longo da história do
Brasil, sempre atentaram contra a democracia.
Tu, a quem tenho muita consideração, não me avisou do meu
interlocutor. A tua produtora, que conversou comigo desde a semana
passada, não me avisou. Eu tenho o direito de escolher o debate do
qual quero participar. Entendo que possa ter sido um acaso, que
estavam precisando de mais uma debatedor para a performance do
programa. Se foi isso, a pressa é inimiga da perfeição. E, se não
cheguei a pedir que me avisasse se teria outro participante, também
não imaginava que o teu raro programa de rádio, crítico e
analítico, com humor bem dosado, mas sempre muito sério, abrisse
espaço para representantes do empobrecimento subjetivo do Brasil.
Creio que é importante chamar ao debate e ao diálogo qualquer
cidadão que possa contribuir com ideias e reflexões, e para isso
não se pode apostar em
indivíduos que se notabilizaram por violentar a inteligência e a
cultura, sem qualificação alguma, que mistificam a partir de
clichês e polarizações sem nenhum fundamento.
O discurso que leva ao fascismo precisa ser interrompido. Existem
limites intransponíveis, sob
pena de, disfarçado de democratização, os meios de comunicação
contribuírem ainda mais para destruir o que resta da democracia.
Quando meu livro Como
conversar com um fascista
foi publicado, muitos não perceberam a ironia kierkegaardiana do
título. Espero que a tua audiência tenha entendido. O
detentor da personalidade autoritária, fechado para o outro e com
suas certezas delirantes, chama de diálogo ao que é monólogo.
Espero que, sob a tua condução, o programa volte a investir em mais
diálogo, que seja capaz de reunir a esquerda e a direita
comprometidas com o Estado Democrático de Direito em torno do debate
de ideias”5.
Juremir Machado
respondeu para Marcia Tiburi. A resposta de Juremir ficou nos marcos
da formalidade, enquanto jornalista. Mas existe um problema de fundo
que Juremir coloca sem discutir muito: o anarquismo. A história do
anarquismo, no Brasil, demonstrou que, do ponto de vista político,
significou, para o povo, uma ausência de participação no
parlamento, levando o país, tardiamente, e de forma de cima para
baixo, aguardar reformas de Getúlio Vargas, um latifundiário
comprometido com ideias de Júlio de Castilhos, desde o início da
República, em que o povo é manipulado por um Estado iluminado. O
anarquismo, por negar a politica enquanto tal, vista como impura,
desarma o povo, imaginando uma consciência imanente nas próprias
ações anarquistas, nos sindicatos, sem perceber os limites da luta
sindicalista e das ações diretas. A discussão sobre o Estado fica
circunscrita aos métodos teóricos e filosóficos, sem perceber a
grandeza das ações políticas na própria organização do Estado.
O estado pode ser totalitário, mas nem sempre. Defender a democracia
dos fascistas é trabalho essencial. Os fascista, por serem
totalitário, querem o fim da democracia. Por isso, não devem
participar da democracia pois não a aceitam enquanto tal. Permitir o
fim da democracia é aceitar a ideia de que existe uma alternativa a
democracia, o que, até agora, ninguém provou.
“Não tive o
cuidado de avisar Marcia Tiburi e Roberto Requião de que
encontrariam Kim Kataguiri em meu programa. Em jornalismo isso
é padrão. Avisa-se por cortesia e para manter relações.
Alguns, contudo, veem nisso um dispositivo ético. Em se tratando de
políticos isso é bastante discutível. O eleito deve estar sempre
disponível para debater com qualquer um. Sem aviso prévio.Se
Requião tivesse encontrado José Sarney no programa, reclamaria de
não ter sido avisado? Pedi e peço desculpas a Márcia.
Li sua carta de protesto no programa. Parei para pensar.
Por que não se pode debater com Kim Kataguiri? Por que ele é jovem
demais? Por que o MBL é considerado fascista? Por que mesmo o
MBL é fascista? Por que quer Estado mínimo? Por que
Kataguiri teria sido treinado nos Estados Unidos?
Por que acha
que Lula é corrupto? Por que pensa como parte considerável da
população brasileira? Por que apoiou Doria? Por que apoiou o
impeachment de Dilma?Por que não bate panelas contra Temer? Por que
é debochado, arrogante, agressivo? Por que intimida as
pessoas (já sofri muita tentativa de intimidação da esquerda)? Por
que o MBL filma as pessoas às escondidas para expô-las e isso é
realmente grave? No meu programa já foram Cesare Batistti e Jair
Bolsonaro. Nesta semana, João Pedro Stedile e Guilherme
Boulos. Por que Boulos pode e Kataguiri não? O cara de
esquerda considera Kataguiri fraco e perigoso. O cara de
direita considera Boulos fraco e perigoso. O cara de direita afirma
que não se deve dar espaços para gente como Boulos. O cara de
esquerda afirma que não se deve dar espaços para gente como
Kataguiri. Recebi duas críticas: por não ter avisado
(justa) e por ter convidado Kataguiri (inaceitável). Minha
visão de pluralismo é essa mesma: Boulos e Kataguiri no mesmo
programa, juntos ou separados. Certo, pelo protocolo,
avisados. Nos comentários que li transpareceu uma velha tentação
atribuída à esquerda, mas comum na direita que me patrulha
diariamente, de controlar a mídia, dizer quem tem legitimidade
para falar. Todos aqueles que pensam como Kataguiri
devem ser banidos da mídia? Por que não debater e desmontar
seus argumentos?Achei que ele debateu muito bem com Requião. Não
concordo com uma só ideia de Kataguiri. Discordo de 50% do que
defende Requião. A meu ver, Kataguiri deu um baile em Requião
na forma. Argumentou com calma, com frieza e com organização.
Quem tem de Kim Kataguiri?Eu tenho. Dele, do MBL e de todos
os aparelhos de pressão. Tenho medo de certa esquerda e de
certa direita. Entendo o medo dos outros. Tenho medo de tudo e de
todos, especialmente de quem me manda para o paredão moral por crime
de lesa expectativa de fidelidade. Não sou de esquerda. Não sou de
direita. Não tenho partido. Sou anarquista. Um anarquismo fora
do catálogo. Fazia tempo que não era vilão. Ainda conheço
o script. Até hoje só a esquerda me fez perder emprego. Cada um com
seus clichês e sua tribo. Sem diabolizar o outro. Qualquer outro. O
outro tem sido sempre o demônio. Gosto de Olívio Dutra. Gosto de
Michel Houellebecq. Esquerda e direita. Não sou, como diria Edgar
Morin, de ninguém. Não contem comigo como porta-voz. Eu
pertenço à solidão da minha loucura”.6
Juremir acabou por
enfrentar a fera, o lado sombra, e o que disse o fascista? “Ele
(Bolsonaro) pediu liberdade para falar”. E o aconteceu com Juremir
e e a Voltaire Porto? “o silêncio de vocês foi uma condição do
candidato”; “Machado foi obrigado a ficar em silêncio”. Foi
censura?
Eis
o motivo pelo qual um fascista não pode ser ouvido na democracia;
simplesmente o fascista quer o fim da democracia; o fascista quer
falar sozinho, monólogo, autocracia, ditadura, totalitarismo.
Embora todo o desconforto que gerou na emissora, foi censura sim,
típica de um fascista. O resto é silêncio. Imaginar que o caminho
da formalidade acadêmica e jornalística salva a democracia das
garras de um ditador, é sofismar.
“Nós
podemos dizer que o candidato nos censurou?”; “Não tem censura”,
argumentou o apresentador”; “Não há qualquer orientação,
nenhuma censura. Nós somos conhecidos, inclusive como uma emissora
de esquerda, porque damos total paridade à cobertura. Inclusive o
Haddad já deu entrevista de mais de meia-hora para o Juremir na
Guaíba”, contesta o jornalista Nando Gross, diretor de jornalismo
da emissora e que negociou com o candidato as condições da
participação dele no programa”.
“Uma entrevista exclusiva do candidato à presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), conduzida pelo apresentador Rogério Mendelski, no programa Bom Dia, na Rádio Guaíba, na manhã desta terça-feira, 23, terminou com o pedido de demissão do jornalista Juremir Machado da Silva, integrante da bancada, que foi impedido de fazer perguntas. A condição foi imposta pelo candidato. O episódio suscitou críticas à linha editorial de veículos do grupo Record, de propriedade do bispo Edir Macedo, apoiador do candidato do PSL. Ao final da entrevista, na qual o candidato teve total liberdade para falar sem ser interrompido ou questionado, Mendelski esclareceu aos ouvintes: “o silêncio de vocês foi uma condição do candidato, que queria conversar com o apresentador”, disse ao microfone, referindo-se aos colegas de estúdio, Juremir e a Voltaire Porto. “Nós podemos dizer que o candidato nos censurou?”, questionou Juremir. “Não, eu não diria isso. Ele não sabe que vocês estão aqui. Ele apenas disse ‘eu dou entrevista somente pra você’. Não tem censura”, argumentou o apresentador. “Eu achei humilhante e por isso estou saindo do programa. Foi um prazer trabalhar aqui (por) dez anos”, reagiu Juremir ao levantar-se da bancada e deixar o estúdio. “Não podemos dizer nada”, desculpou-se Mendelski. Por telefone, Juremir disse ao Extra Classe que pediu afastamento do programa Bom Dia e que não pretende deixar a emissora, na qual coordena o programa Esfera Pública, em companhia da jornalista Taline Oppitz, nem a função de colunista do jornal Correio do Povo, que exerce há 18 anos. “Eu saí do programa. Continuo na Rádio Guaíba. Não achei adequada essa situação. O Rogério faz uma entrevista e, na condição de participante da bancada de um programa em que todos opinam, todos dão palpites, obviamente eu queria fazer perguntas também, independente do entrevistado”, argumenta. Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS, Juremir Machado, 56 anos, é formado em História e em jornalismo e pós-doutor em Sociologia pela Sorbonne. CENSURADOS – O episódio acabou provocando críticas aos critérios adotados pela Rede Record e veículos afiliados na cobertura das eleições e expôs o que alguns jornalistas qualificam como censura. Jornalistas da Record têm comentado que a cobertura das eleições estaria sob uma espécie de censura no jornal Correio do Povo, obrigado a reproduzir conteúdo nacional da agência R7, mantida pelo grupo Record. A edição do Correio do Povo desta terça-feira, 23, não traz qualquer referência às eleições. Nas páginas internas, o jornal reproduz material de agência da própria rede (R7), com duas notas. No canto superior da página, o registro do apoio de empresários sob o título “Bolsonaro: a caminho de ‘nova independência’ e, abaixo, o encontro do candidato Fernando Haddad com recicladores e o título “Haddad agradece ‘apoio crítico’ de Marina. Coincidência ou não as alterações na linha editorial dos veículos da Record no estado começaram a ser percebidas depois que o Bispo Edir Macedo, proprietário da rede, declarou apoio a Bolsonaro, em 30 de setembro. O crime envolvendo apoiadores de Bolsonaro que entalharam a canivete uma suástica no corpo de uma jovem em Porto Alegre, no dia 10 de outubro, por exemplo, foi veiculado na versão on-line do Correio do Povo, teve ampla repercussão, mas não teve continuidade. No último final de semana, nenhum repórter ou equipe do jornal foi designada para cobrir as manifestações do #EleNão no Parque Farroupilha. Já os atos pró-Bolsonaro ganharam ampla repercussão no domingo, 21, no jornal impresso. No dia 20 de outubro, o jornalista Glenn Greenwald, reportou ataques ao The Intercept. Segundo ele, a eventual ascensão de Bolsonaro estaria gerando um clima no qual jornalistas que criticam a ele, ou ao seu movimento, “incluindo jornalistas que reportam para o Intercept, estão sendo expostos a uma campanha agressiva de investigações pessoais, tentativas de intimidações e escrutínios perniciosas de membros de nossas famílias”. De acordo com Greenwald “esses ataques estão sendo orquestrados pelos meios de comunicação de propriedade do pastor evangélico bilionário e afogado em escândalos, Edir Macedo, que agora é um defensor explícito de Bolsonaro. O vasto império de mídia de Macedo – que inclui a segunda maior emissora de TV do país (Record), portais on-line (R7) e outras agências de notícias – está sendo usado para punir e retaliar jornalistas pelo crime de denunciar criticamente Jair Bolsonaro, seu movimento e as empresas de Macedo”. Logo após o episódio da Rádio Guaíba, na manhã desta terça-feira, o jornalista Luiz Müller disparou em seu blog: “Machado foi obrigado a ficar em silêncio durante programa em que entrevistariam Bolsonaro. Rogério Mendelski, títere do Pastor Edir cumpriu a ordem e impediu o jornalista de perguntar. A Rádio Guaíba é sucursal da Record no RS. Juremir acaba de se demitir do programa em que esteve por dez anos. A democracia está nos seus últimos estertores e a mídia venal já dá sinais de que apoiará a instalação da ditadura fascista e teocrática embutida na candidatura de Bolsonaro”, criticou. “Nunca vi o bispo Edir Macedo, a igreja não interfere em nada. Não há qualquer orientação, nenhuma censura. Nós somos conhecidos, inclusive como uma emissora de esquerda, porque damos total paridade à cobertura. Inclusive o Haddad já deu entrevista de mais de meia-hora para o Juremir na Guaíba”, contesta o jornalista Nando Gross, diretor de jornalismo da emissora e que negociou com o candidato as condições da participação dele no programa. “Foi uma negociação entre mim e o Bolsonaro. Goste ou não, isso não é incomum em rádio, o cara pedir para ser entrevistado por determinado profissional. No esporte acontece o tempo todo. Ele (Bolsonaro) pediu liberdade para falar e isso foi aceito”, disse. “O que eu jamais faria é trocar apresentador de programa para atender exigência de entrevistado – inicialmente a entrevista seria à tarde. No caso, às 8h é o horário do Mendelski”, afirmou.
1Original:
‘Democracy is the worst form of government except from all those
other forms that have been tried from time to time’. -Winston
Churchill, em discurso na House of Commons, 11 de Novembro, 1947”1.
https://api.parliament.uk/historic-hansard/commons/1947/nov/11/parliament-bill
.
https://api.parliament.uk/historic-hansard/commons/1947/nov/11/parliament-bill#S5CV0444P0_19471111_HOC_292
.
2
TEORIA. A democracia: valor universal? Debate com Carlos Nelson
Coutinho. Juan Dal Maso. quarta-feira 25 de julho.
http://www.esquerdadiario.com.br/A-democracia-valor-universal-Debate-com-Carlos-Nelson-Coutinho
. “Nacido en Bs. As. en 1977, vive en el Alto Valle de Río Negro
y Neuquén. Integrante del Partido de los Trabajadores Socialistas
desde 1997, es autor de los libros El marxismo de Gramsci. Notas de
lectura sobre los Cuadernos de la cárcel (Ed.IPS, 2016) y Hegemonía
y lucha de clases. Tres ensayos sobre Trotsky, Gramsci y el marxismo
(Ed. IPS, 2018), así como de diversos artículos sobre problemas de
teoría marxista”. https://www.laizquierdadiario.com/Juan-Dal-Maso
.
3
domingo, 22 de abril de 2012. A Democracia Como Valor Universal.
Postado por Marcelo Neuschwang Sancho às 09:19 . Professor de
filosofia no Rio de Janeiro, Brasil.
https://www.blogger.com/profile/09170879726309369009
.
http://brasilsocialista2012.blogspot.com/2012/04/democracia-como-valor-universal.html
.
4
Democracia como valor universal. Amartya Sen (1999). Augusto de
Franco; 21/01/2017, 12:40. “Amartya Sen, ganhador do prêmio
Nobel de Economia em 1998, é mestre no Trinity College, Cambridge,
e professor emérito da Harvard University. O presente ensaio tem
por base a palestra dada em conferência em Nova Déli, em fevereiro
de 1999, sobre a “Construção de um Movimento Mundial pela
Democracia””. SEN, Amartya (1999): Democracy as a Universal
Value | Copyright © 1999 National Endowment for Democracy and the
Johns Hopkins University Press. Journal of Democracy 10.3 (1999)
3-17. http://dagobah.com.br/democracia-como-valor-universal/
.
http://api.ning.com/files/PD*OEYumS6XRKm-KtQYR5J3eLs86ixLRGL0HdziLsrjThCOTlPUhYVzune-ku*LOApBZcRfSA2NfTjb8vCtVPnbfE*Q32ccy/AmartyaSen_DemocracyasaUniversalValue.pdf
.
5 “Carta
aberta a Juremir”. Marcia Tiburi disse: 25 de janeiro de 2018.
https://revistacult.uol.com.br/home/marcia-tiburi-kim-kataguiri/
.
6 “Quem
tem medo de Kim Kataguiri?”. Postado em 25 de janeiro de 2018 por
redacao. Publicado em Política.
http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/tag/marcia-tiburi/
.
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