Esgarçamento do Tecido Social ou simplesmente Golpe Militar?
O conceito de tecido social, da forma que é usada enquanto senso
comum, é genérico, flexível, elástico, abarcando uma série de
fenômenos que tornam o conceito sem conteúdo avaliável, mera
retórica, verborragia, “encher linguiça', em suma.
Originalmente,
o conceito de rede é de uma riqueza extraordinária, na medida em
que tenta compreender o contexto em que o indivíduo, em sua maior
expressão, está inserido numa comunidade cultural. Na medida em que
o conceito de rede passa para a ser compreendido como tecido social,
deixa de ser descritivo, explicativo, analítico, para uma busca de
sínteses, de comparações, fora do tempo e do espaço,
ahistóricas1,
que não ajudam em nada no compreender a sociedade em que se vive.
A
introdução do conceito de territorialidade, deu ao conceito de
tecido social um forte acento político ligado à ideia de poder, que
alguns chamam de Estado-nação, ideia que vai de contramão ao que
está hoje se desenvolvendo no mundo, embora não possa ser
desprezado na análise de sociedades que não aceitam a globalização.
Na verdade, o conceito de tecido social, ligado a territorialidade,
aproxima-se bastante do conceito de geopolítica, da hinterland.
“Hinterlândia.
Hinterlândia (do alemão Hinterland) literalmente significa
a 'terra de trás' (de uma cidade ou porto).
Em alemão, a palavra também se refere à
parte menos desenvolvida de um país - menos dotada de infraestrutura
e menos densamente povoada, sendo também sinônimo de sertão ou
interior.[«Verbete
"hinterlândia"». Dicionário Aulete da Língua
Portuguesa. Consultado em 12 de agosto de 2015]. Em geografia urbana,
hinterlândia corresponde a uma área geográfica (que pode se tratar
de um município ou um conjunto de municípios) servida por um porto
e a este conectada por uma rede de transportes, através da qual
recebe e envia mercadorias ou passageiros (do porto ou para o
porto).[PAIVA, Rodrigo Tavares Zonas de Influência Portuárias
(Hinterlands) e um Estudo de Caso em um Terminal de Contêineres com
a Utilização de Sistemas de Informação Geográfica Capítulo 3.
"Hinterland", p. 38. PUC-Rio, 2006] Trata-se, portanto, da
área de influência de uma cidade portuária que, por concentrar
significativa atividade econômica, pode
engendrar uma rede urbana,
constituída por centros urbanos menores.[Por SANTOS, Milton Manual
de geografia urbana. Edusp, 2008, 3ª ed. p.122] Posteriormente, o
conceito passou a ser utilizado também no caso de cidades não
portuárias que são "cabeças-de-rede". [ A Construção
de uma nova centralidade urbana: Sete Lagoas (MG), por Marly
Nogueira. Revista Sociedade & Natureza, vol. 18, n° 35
(2006)][Grande cidade aos 50 anos, por Aldo Paviani]. Por analogia, o
termo pode ser aplicado à área que circunda um centro de comércio
ou serviços e da qual provêm os clientes. O conceito foi também
aplicado à área ao redor de ex-colônias européias na África,
que, apesar de não serem parte da colônia, eram por ela
influenciadas”.2
Marco
Oliveira Borges (2016) notou a historicidade do uso do termo a
partir dos anos 1980, sem, no entanto, estabelecer a ontologia do
conceito:
“Hinterland.
A palavra é de origem alemã e significa em português algo como
território interior ou
retaguarda de uma cidade.
Tornou-se, especialmente
desde os anos 1980, um conceito muito utilizado em estudos sobre o
território, nomeadamente por geógrafos, economistas e
historiadores, que lhe têm atribuído significados ligeiramente
diferenciados. Numa
definição simplificada, o conceito refere-se à área de influência
económica directa de uma grande cidade, independentemente da
distância. Abrange o território, não necessariamente contíguo nem
contínuo, que serve e é servido pelo mercado (próprio ou de
exportação) da cidade de referência, podendo mesmo incluir outras
cidades, vilas e aldeias. Não corresponde a um território com
expressão política ou administrativa (v.g. concelho, capitania,
província). O hinterland é, assim, uma categoria espacial
construída pelo investigador em função do seu objecto de estudo, e
os seus limites geográficos variam em conformidade. Várias das
grandes cidades do império português tinham os seus hinterlands,
como era o caso, por exemplo, de Salvador da Baía e do Rio de
Janeiro. No Oriente, é possível falar do hinterland de Goa, de
Baçaim ou de Colombo, mas a aplicação do conceito é mais
discutível no caso de cidades como Ormuz, Malaca e Macau, dado
tratar-se essencialmente de enclaves e entrepostos comerciais, sem
profundidade territorial”. 3
O
Determinismo Geográfico mudou as palavras? Darío Aurelio Abilleira
Alvarez (2014), em outro contexto, lembra a historicidade dos termos
ligados a gênese e formação da geopolítica. Observa-se que o
conceito de Hinterland não é separado de outros conceitos
concomitantes :
“Ratzel
y Kjellen, desarrollan la teoría del Espacio Vital; que consiste en
que para que una nación se desarrolle, debe tener todos los
materiales necesarios, por ejemplo el petróleo y el hierro, y en lo
posible la tecnología. Mackinder, geopolítico y geógrafo inglés;
influenciado por las teorías de Ratzel, desarrolla la teoría
llamada HEARTLAND. Agrega el concepto de “rimland” (tierra
orilla) haciendo referencia a los litorales marítimos euroasiáticos.
Entonces para él será: Quien controla el Rimland, domina Eurasia;
quién domine Eurasia controla los destinos del mundo. Karl
Haushofer, de origen alemán, desarrolla su teoría que fue base para
los nazis; sostenía que “sólo una nación cuyo espacio se adapte
a sus necesidades, tanto espirituales como temporales, se puede
aspirar a lograr la verdadera grandeza”. Karl Haushofer, considera
tres conceptos en la Constitución y Desarrollo de un Estado: a)
El concepto de HEARTLAND; b) El del HINTERLAND; c) Y el de
FRONTERAS. HEARTLAND o
NÚCLEO VITAL. Está
constituido en un Estado, por la conjunción de tres poderes: El
Poder Económico, el Poder Político – Ideológico y el Poder
Militar. Cualquier país con conciencia geopolítica mantendrá un
sano equilibrio entre estos tres poderes; sin ignorar o descuidar
ninguno y tomando cuidado especial, cuando sea necesario por aquel
que se vea debilitado o amenazado. HINTERLAND.
La palabra es de origen alemán, significa: “tierra posterior” (a
una ciudad, un puerto, etc), en un sentido amplio se refiere a la
zona de influencia de un asentamiento. También es definido como el
territorio adyacente al Heartland o también como el espacio
existente entre el Heartland y las Fronteras. FRONTERAS.
Geopolíticamente, las fronteras son determinadas por el choque de
dos Heartland, o si se quiere, se puede afirmar también que la
frontera real de un País comienza donde el Heartland está en
capacidad de hacer presencia efectiva”.4
“Espacio
Vital o LEBENSRAUM.
Lebensraum, término alemán que significa «espacio vital». Esta
expresión fue acuñada por el geógrafo alemán Friedrich Ratzel
(1844-1904), influido por el biologismo y el naturalismo del siglo
XIX. Establecía la relación entre espacio y población, asegurando
que la existencia de un Estado quedaba garantizada cuando dispusiera
del suficiente espacio para atender a las necesidades de la misma.
Estas ideas empezaron a adquirir un tinte político gracias a los
trabajos del politólogo Rudolf Kjellen (1864-1922), quien acuñó el
término de geopolítica para señalar la influencia de los factores
geográficos sobre las relaciones de poder en la política
internacional y defendió algunas de las concepciones del geógrafo
Sir Halford John Mackinder, referentes a la tesis de que el Asia
central y la Europa del Este eran el centro estratégico del planeta
(corazón del mundo), como consecuencia del decaimiento del poder
marítimo radicado en los países situados en torno a aquélla. Quién
dominará dicha región cardial (Heartland), dominará el mundo.
Inicialmente estas consideraciones se enfocan a la rivalidad entre
Alemania y Gran Bretaña, pero posteriormente se hizo extensivo a la
confrontación entre Alemania y la Unión Soviética. Karl Haushofer,
ex general y geógrafo, aplicó las nociones generalizadoras de
Ratzel a la situación concreta en que se encontraba Alemania tras la
derrota y los recortes territoriales sufridos en el Tratado de
Versalles (1919). Haushofer adujo que la base de toda política
exterior era el espacio vital de que dispusiese el cuerpo nacional.
La acción del Estado consistía en defender tal espacio y en
ampliarlo cuando resultara demasiado angosto. A través de Rudolf
Hess, que era asistente a las clases de Haushofer en la cátedra de
geopolítica de la Universidad de Munich, junto a su hijo Albrecht,
tomó contacto con Adolf Hitler, que utilizó la terminología del
Lebensraum para describir la necesidad del Tercer Reich de encontrar
nuevos territorios para expandirse, principalmente a costa de los
pueblos eslavos de Europa del este.
Sin embargo Haushofer era eurasiático y pensaba que el Eje debía
incluir a Rusia, en lugar de Italia, aliado natural germano. En su
obra Mein Kampf, Hitler declaró: «los alemanes tienen el derecho
moral de adquirir territorios ajenos gracias a los cuales se espera
atender al crecimiento de la población». Hitler establecía la
necesidad de acabar con la desproporción entre la población alemana
y la superficie territorial que ocupaba. La idea no se basaba en
restaurar las fronteras anteriores al estallido de la Primera Guerra
Mundial (1914), sino en conquistar nuevas tierras al este. No sólo
para asegurar el sustento a la población, sino, y sobre todo, para
garantizar su supervivencia, a expensas de las «razas inferiores».
La biología se convertía en determinante de los valores
fundamentales de la comunidad nacional. Hitler pretendía incrementar
el espacio vital a través del Anschluss (anexión) con Austria y las
invasiones de los Sudetes (República Checa) en 1938 y de Polonia en
1939, que provocan el estallido de la Segunda Guerra Mundial.
Friedrich
Ratzel. Friedrich Ratzel
(1844-1904) foi um pensador alemão, considerado como um dos
principais teóricos clássicos da Geografia e o precursor da
Geopolítica e do Determinismo Geográfico. Vale
lembrar que a expressão “determinismo” não era empregada pelo
próprio Ratzel, tratando-se de uma atribuição conceitual que foi
dada a partir das leituras sobre o seu pensamento.
Sua principal obra publicada foi a Antropogeografia. A Ratzel deve-se
a ênfase dos estudos geográficos sobre o homem. Entretanto, a
teoria ratzeliana via o ser humano a partir do ponto de vista
biológico (não social) e que, portanto, não poderia ser visto fora
das relações de causa e efeito que determinam as condições de
vida no meio ambiente. A essa concepção deu-se o nome de
Determinismo geográfico, em que o homem seria produto do meio, ou
seja, as condições naturais é que determinam a vida em sociedade.
O homem seria escravo do seu próprio espaço.Esse
pensador foi bastante influenciado pela obra de Charles Darwin, que
defendia o postulado de que a evolução se basearia na luta entre as
diferentes espécies, de forma que aquelas que possuíssem as
características de melhor adaptação ao meio sobrevivem.
Ratzel, de certa forma, aplicou essas ideias à espécie e sua vida
em sociedade. Os seres
humanos, raças e etnias mais aptos venceriam e dominariam os povos
considerados inferiores.
Tais ideais basearam e justificam teoricamente a dominação dos
povos europeus, que se colocaram como uma civilização mais evoluída
e desenvolvida, com a missão de dominar os povos inferiores e impor
sobre eles a sua cultura e o seu modo de vida. Suas
ideias também influenciaram aquilo que mais tarde veio a ser
denominado por Nazismo.
Ratzel foi também um profundo estudioso do conceito e comportamento
do Estado moderno. Para ele, o Estado seria a sociedade organizada
para construir, defender e expandir o seu território. Também
considerava que essa era uma forma de organização que aconteceria
de forma natural em qualquer sociedade avançada. O Estado, para
Ratzel, era um organismo vivo. A partir dessa concepção, elaborou o
conceito de espaço vital, que seria as condições espaciais e
naturais para a manutenção ou consolidação do poder do Estado
sobre o seu território. Seriam as condições naturais disponíveis
para o fortalecimento de uma dada sociedade ou povo. Aquelas
populações que dispusessem de melhor espaço vital estariam mais
aptas a se desenvolver e a conquistar outros territórios. Tal noção
foi fundamental diante do contexto histórico da Alemanha, que havia
acabado de passar pelo seu processo de reunificação e necessitava
de uma base para justificar e se afirmar enquanto Estado, com
capacidade de crescimento, expansão e dominação. Apesar de se
considerar o “pai da Geopolítica”, Ratzel jamais utilizou essa
expressão, que foi elaborada por um de seus discípulos, o pensador
sueco Rudolf Kjellen. Pode-se dizer, no entanto, que as suas ideias
foram constitutivas de uma verdadeira Geografia do Poder”.5
A ideia
do Estado-nação ainda é eficiente?
'Tecido
social. Tecido
social, capital social ou malha social é o termo usado atualmente
para se referir aos aspectos sociais de uma cidade, e não a sua
estrutura física;
relaciona-se aos indivíduos, a coletividade, que estão ligados por
uma ou mais relações sociais profundas, apenas compreendidas pela
análise do poder, formando uma malha social. Esse termo faz parte de
uma série de novas designações que surgiram na modernidade. Formas
de tecido social: criação
de filhos; comunicação; amizade; autoridade; contato sexual.
Exemplos do uso do termo.
1.
Em breves considerações, o que queremos frisar é a ótica
analítica do conceito de território. Este
norteou na Geografia perspectivas analíticas vinculadas a ideia de
poder sobre um espaço e seus recursos; o poder em escala nacional: o
Estado-nação. Mais
recentemente, este conceito indica possibilidades analíticas que não
deixam de privilegiar a ideia de dominação-apropriação(Chamamos a
atenção sobre o conceito de apropriação, ele expressa uma
concepção diferenciada do poder sobre o território, tratar-se-ia
de um domínio, originalmente como condição necessária a
sobrevivência. Hoje esta apropriação se faz sob os mais diferentes
objetivos muitas vezes de ordem cultural. Trata-se conforme Heidrich
(HEIDRICH, A. Fundamentos da Formação do Território Moderno.
Boletim Gaúcho de Geografia, nº 23, AGB - Seção Porto
Alegre,1998) em comunicação oral, uma discussão em aberto entre os
teóricos da Constituição do Território) de espaço. Esta
flexibilização do conceito permite tratar de territorialidades como
expressão da coexistência de grupos, por vezes num mesmo espaço
físico em tempos diferentes. Trata-se de uma dimensão do espaço
geográfico que desvincula as relações humanas e sociais da relação
direta com a dimensão natural do espaço, extraindo deste conceito a
necessidade direta de domínio, também dos recursos naturais, como
expressa-se na concepção clássica de território. A natureza,
enquanto recurso associada à ideia de território, já não é mais
necessária. Nestas territorialidades, a apropriação se faz pelo
domínio de território, não só para a produção mas também para
a circulação de uma mercadoria, a exemplo das territorialidades por
vezes estudadas, como o território das drogas. Estas
novas territorialidades apresentam-se como voláteis e constituem
parte do tecido social,
expressam uma realidade, mas não substituem em nosso entender a
dominação política de territórios em escalas mais amplas. Devendo
essas, para serem explicadas e não somente descritas, serem
inseridas em espaços de dimensão relacional.[Dirce Maria Antunes
Suertegaray Departamento de Geografia, UFRGS
http://www.ub.edu/geocrit/sn-93.htm]
2.
"No Nordeste, pipocaram novos polos de confecção. As malharias
do Sul apertaram os preços para atender ao mercado interno. Nos anos
90, uma peça de roupa nacional custava, em média, 10 dólares.
Hoje, sai por 3. O setor têxtil continua a ser uma das rotas de
ascensão social dos pobres. Mas
agora produz um tecido social mais resistente.
A participação dos operários com nível médio dobrou, os salários
subiram e uma nova classe média parece surgir dos ares e das
máquinas de costura. [Um novo
tecido social, Sérgio
Martins Revista Veja - 23/07/2008]
3.
"JB - Em uma analogia, seria a sociedade brasileira composta de
vários retalhos de pano já cortados necessitando de uma costura?
Baquero - Eu diria que
infelizmente esse tecido social,
ao invés de estar em processo de confecção, pelo contrário, se
encontra em estado de fragmentação. Vivemos em uma sociedade em que
a sociedade desconfia não só das instituições, mas também é
alto o índice de desconfiança entre os indivíduos. As pesquisas
mostram isso. É sem dúvida uma espécie de neurose social.
[Entrevista, CESAR MARCELO BAQUERO JACOME]”. 6
Ladislau
Dowbor, aceita o uso do conceito, embora perceba as limitações do
uso, como um fenômeno econômico, geográfico.
“Não
se trata aqui de aceitar a priori desigualdades econômicas, e sim de
entender que produzir bem o essencial, que
frequentemente depende de uma boa organização do espaço nacional
ou local, abre melhor os caminhos para a inserção internacional do
que avançar com ilhas tecnológicas inseguras sem um sólido lastro
de tecido econômico organizado internamente.
Qual a sustentabilidade de exportarmos aviões ao mesmo tempo que que
mais da metade da mão de obra do país conta com quatro anos ou
menos de formação escolar? (…) Assim, no conjunto, a formação
de blocos não representa para os países do Terceiro Mundo a mesma
dinâmica que a que foi originada com as mega-potências econômicas,
e a aproximação entre as economias pobres deverá passar bastante
mais pela definição de políticas comuns frente aos países
dominantes, buscando uma inserção mais vantajosa na economia
internacional, ao mesmo
tempo que se deverá trabalhar uma integração efetiva do tecido
econômico e institucional através de formas descentralizadas de
cooperação [ver por
exemplo a iniciativa de Porto Alegre de criar um Trade Point Porto
Alegre, associando a prefeitura com diversos atores sociais locais
para promover a aproximação entre pequenas e médias empresas de
diversos países - Um exemplo concreto de reforma do Estado, Tarso
Genro e José Antonio Alonso, Folha de São Paulo, 12 de Junho de
1995]. (…) “Foi-se o tempo das sociedades relativamente
homogêneas, com proletariado, campesinato e burguesia, e uma visão
de luta de classes relativamente clara. A
sociedade moderna é constituida por um tecido complexo e
extremamente diferenciado de atores sociais.
Assim, políticas amplas tornam-se desajustadas, reduzindo-se a
competência das decisões centralizadas. Como a intensidade das
mudanças exige também ajustes frequentes das políticas, é o
próprio conceito da grande estrutura central de poder que se vê
posto em cheque. Situações complexas e diferenciadas, e que se
modificam rapidamente, exigem muito mais participação dos atores
sociais afetados pelas políticas. Exigem, na realidade, sistemas
muito mais democráticos. [É compreensível que a inadequação do
Estado que herdamos, para enfrentar os novos problemas, seja se certa
maneira aproveitada para uma ofensiva do setor privado, que busca se
apropriar para fins de lucro de setores que devem ser organizados
segundo critérios de interesse público. Esta ofensiva do setor
privado, no entanto, não justifica atitudes defensivas por parte de
forças progressistas. O fato da alternativa simplista oferecida no
quadro do neoliberalismo ser nefasta não afasta a necessidade de
transformar o Estado, que continua real]. (…) Finalmente, conforme
veremos em detalhe mais adiante, constituimos hoje dominantemente
sociedades urbanizadas. Com
isto constituiu-se um tecido social organizado,
a cidade, frequentemente maior inclusive do que muitos dos
Estados-nação herdados do passado. Foi-se o tempo em que tudo tinha
de ser feito na “capital” porque aí estavam localizados o
governo, os técnicos, os bancos, enquanto o “resto” era
população rural dispersa. E a tendência natural é para as cidades
assumirem gradualmente boa parte dos encargos antigamente de
competência dos governos centrais, completando assim a transformação
do papel do Estado-nação na hierarquia dos espaços sociais. A
frase de um relatório das Nações Unidas resume bem o problema: “o
Estado-nação tornou-se pequeno demais para as grandes coisas, e
grande demais para as pequenas.” [UNDP, Human Development Report
1993, p. 5 ]. (…) A cidade de Shanghai, por exemplo, organizou em
1993 uma reunião internacional sobre o seu próprio futuro, optando
claramente pela importância do seu papel de “âncora” de
atividades econômicas internacionais, e definindo eixos prioritários
de ação nas áreas de criação de um polo tecnológico
internacional, de infraestruturas portuárias modernas, e de uma base
sofisticada de telecomunicações. O departamento de relações
internacionais da cidade de Shanghai já operava na época com 140
técnicos e funcionários. Assim Shanghai prepara a sua transição
de centro industrial da província,
para o de ponte entre o tecido econômico nacional e a economia
global. (…) O fato
importante é que a economia global não existe no ar, enraiza-se em
“pólos” concretos. Por outro lado, muda a composição técnica
da produção, com maior peso para serviços. Outro fator importante,
reforça-se o tecido de
cidades médias ou grandes,
que assumem boa parte do papel de subcentros de bacias econômicas,
mudando o contexto nacional de reprodução econômica das
metrópoles. Assim as metrópoles passam a desempenhar um novo papel,
devendo redefinir os seus espaços. (…) A
busca da reconstituição do tecido social é sentida nas mais
variadas áreas. É
curioso este novo espaço de nome monstruoso, as “ONG’s”, que
se definem absurdamente como organizações não-governamentais. Na
realidade, trata-se de um setor não governamental e não
empresarial, forma direta de organização das comunidades em torno
dos interesses difusos e transindividuais. [8 - ver Fábio Konder
Comparato - A nova cidadania - Lua Nova, 1993, nº 28/29; o Human
Development Report 1993 das Nações Unidas faz um balanço mundial
das ONG’s que envolviam cerca de 100 milhões de pessoas no início
dos anos 1980, e mais de 250 milhões atualmente. Hoje se agregam as
CBO’s, Community Based Organizations, igualmente em fase de
expansão extremamente rápida. Com a amplitude e diversificação
deste tipo de organizações, O Human Development Report de 1997
sugere a utilização do conceito mais amplo de organizações da
sociedade civil ]. (…) Esta herança estrutural é agravada por
tres fenômenos mais recentes. Por um lado, vemos a expansão da
monocultura, que utiliza pouca mão de obra ou a utiliza de forma
sazonal, desarticulando inclusive a formação de empregos estáveis.
Por outro, a tecnificação generalizada nas grandes propriedades
leva à substituição do homem pela máquina. Finalmente, o uso
generalizado do solo agrícola como reserva de valor fechou ao
trabalhador rural expulso das grandes propriedades a alternativa de
criar pequenas e médias propriedades rurais. Esta grande
oportunidade perdida, de se
gerar um forte tecido de policultura familiar,
levou a população rural às periferias urbanas, gerando o acelerado
e caótico processo de urbanização das últimas décadas. (…)
Finalmente, é preciso considerar que o Pib contabiliza mal, os
aportes do setor informal. O
resultado é que quando uma grande empresa introduz tecidos
sintéticos produzidos com pouca mão de obra e muita automação,
o Pib apresentará crescimento, mas não apresentará as perdas de
milhares de postos de trabalho das atividades texteis tradicionais no
setor informal. Com o setor informal ocupando frequentemente um terço
ou mais da
força
de trabalho de um país, não incluir este setor torna os cálculos
econômicos bem próximos da ficção. (…) Mas
é um fato também que tentar regular este sistema imensamente
complexo de relações internacionais tecidos por cada empresa,
cidade ou universidade de um país, através dos tradicionais canais
estreitos de uma administração pública centralizada, tornou-se
simplesmente anacrônico. É o próprio conceito de relações
exteriores que mudou, na medida em que as relações exteriores estão
dentro, e as de dentro são também exteriores. A sociedade
organizada está tecendo uma densa rede de relações planetárias
que exige novas formas de regulação. [- Um exemplo típico de
políticas velhas frente a problemas novos é a tentativa da Agência
Brasileira de Cooperação, ABC, do Ministério de Relações
Exteriores, de controlar todas as atividades de ONG’s no Brasil: as
Ong’s surgiram justamente da inoperância dos canais oficiais de
resolução dos problemas sociais e ambientais. As medidas, tomadas
no governo Collor, serviram para atrapalhar porque burocratizaram, e
não puderam controlar pois se trata de um leque demasiado amplo e
disperso de pequenas atividades. Qual é o sentido do controle
tradicional burocrático e centralizado frente a redes interativas
dispersas em todo o corpo da sociedade organizada?]”. 7
Em
Razão, "cor" e desejo: uma análise comparativa sobre
relacionamentos afetivo-sexuais "inter-raciais" no Brasil e
na África do Sul, de Laura
Moutinho8,
citando Prado, Paulo, 1869-1943. Retrato do Brasil : ensaio
sobre a tristeza brasileira / Paulo Prado. — 2. ed. — São
Paulo : IBRASA ; [Brasília] : INL, 198l, informava que o tecido
social brasileiro já se encontrava esgarçado na época colonial,
visto, do ponto de vista de Moutinho e de Prado, com uma moral
extremamente flexível, elástica, para o que se consideraria normal.
Percebe-se, quando se desloca o conceito de tecido social para épocas
anteriores, que tal conceito nada mais é que uma tentativa de
colocar numa forma a sociedade, de formalizar a sociedade, daquilo
que alguns chamam de normose9.
Tanto
para Moutinho, como Milton Rego e Geraldo V. Laps, conceito de tecido
social é o de rede social10,
só que as inflexões são diferentes. Para Moutinho, a questão
moral é central; para Milton Rego, o gerenciamento do Estado; para
Geraldo V. Laps, é a justiça.
“pacto
1
Eu
me lembro de que quando estava na universidade (final
dos anos 1970 e início dos 80),
o Brasil percebia que a expansão da sua economia tinha chegado a um
limite, ao mesmo tempo em que a desigualdade e concentração de
renda se mostraram insustentáveis. Nessa época, nos cursos de
Economia e Ciências Humanas (pelo menos aqueles cujo corpo docente
não havia sido expurgado pela ditadura), a visão da realidade era
hegemonicamente de esquerda. Foi
quando ouvi a expressão de “esgarçamento do tecido social” que
era utilizada para refletir que os índices crescentes de exclusão
social estavam destruindo a possibilidade de uma sociedade
sustentável. A imagem de “tecido” é muito interessante já que
os membros da sociedade estão ligados de forma múltipla (como os
fios do tecido) pelas cidades, trabalho, educação, valores etc.
O oposto disso é o “cada
um para si” onde os fios vão se separando e o tecido se “esgarça”.
Pois foi com essa imagem de esgarçamento que eu peguei o voo vindo
de Brasília nessa semana, depois de algumas reuniões com
parlamentares. Só que não era um esgarçamento social, mas
um esgarçamento federativo.
Com a queda da arrecadação, Municípios, Estados e Federação
estão em uma guerra de todos contra todos.
Um
pouco de história…
A
Constituição de 1988 foi uma grande resposta da sociedade (através
dos constituintes) ao autoritarismo do período de exceção que o
Brasil tinha passado. Digamos que se pautou por um excesso de
entusiasmo. Colocaram em seu texto tudo o que se queria para o Brasil
chegar ao primeiro mundo em termos de cuidado com o cidadão e os
bens coletivos; teríamos total acesso à educação, saúde,
habitação e segurança universais e de Primeiro Mundo, sem pobreza
e com culturas e natureza preservadas. Essa busca da democracia levou
também a uma descentralização, tanto da parte das
responsabilidades dos Estados como da parte de especificação e
arrecadação dos impostos. Buscava-se tirar o excesso de poder da
esfera federal. Na constituição anterior, o governo federal tinha o
maior controle possível do processo econômico. Agora se procurava
uma descentralização. Por outro lado, agora caberia aos Estados
muitas despesas: educação – o ensino médio e o suporte aos
municípios na pré-escola e ensino básico; saúde – os serviços
secundários “caros”: atendimentos especializados e alta
complexidade; segurança – as polícias militares e civis;
habitação – junto com o governo federal e os municipais programas
de construção de moradia e melhoria das condições habitacionais e
de saneamento básico; sistema prisional – administrando as
prisões; transportes – gestão dos transportes intermunicipais, ou
seja, metrôs, ferroviários e ônibus intermunicipais. Mas
direitos de Primeiro Mundo teimam em custar como as despesas de
Primeiro Mundo. A grande
questão era então quem pagaria por todos esses deveres pelos quais
o Estado era responsável. A Constituição não previa os meios para
isso; existia e existe uma diferença enorme entre o que foi colocado
como objetivo e a realidade. Só para se ter uma comparação, apenas
39% da população tem esgoto tratado. Isso tudo levantava a questão
de que, para estar de acordo com as obrigações, o Estado (nos três
níveis – federal, estadual e municipal) precisam de enormes gastos
e, consequentemente, de enormes receitas. Os governos procuraram,
então, formas de arrecadação. Historicamente, todo e qualquer
governo fez isso no Brasil. quadro abaixo se percebe duas coisas –
como a arrecadação aumentou (em números absolutos e como
percentual do PIB) e como o Governo Federal veio crescendo na
distribuição do bolo dos impostos; isso continua até os dias de
hoje.
pacto
2
Fonte:
A Constituição de 1988 e o Pacto Federativo Fiscal – Aurélio G.
C. Palos
E
os nossos dias…
O
gráfico vai até 2008, mas a arrecadação total não para de subir
com a mesma tendência do gráfico acima. Em 2008 foi de 34,1%; em
2014 chegou a 35,4%. Estava tudo indo bem até o Brasil parar de
crescer. Temos lido todas as semanas a dificuldade do governo federal
em apresentar um orçamento razoável, que possa reverter a tendência
do aumento da dívida pública cujo patamar começa a se tornar muito
complicado. Multiplique essa dificuldade para os Estados e Municípios
que também não conseguem fechar os seus orçamentos e “bum” –
eis o esgarçamento do pacto federativo. Para mim, é espantoso ver
como os governos resolveram mudar o discurso do crescimento para a
crise. Lembro-me de uma charge em que o técnico chega e diz: “Temos
uma notícia boa e uma ruim. A ruim é que a situação piorou, a boa
é que consertamos a calculadora”. Essa dificuldade aparece nos
repasses aos Estados e Municípios. Ninguém tem arrecadação para
manter as garantias de suporte do Estado aos cidadãos (moradia,
segurança, saúde, educação) que estão escritas na Constituição
de 1988. E isso é visível em tudo: greves, famílias sem suporte do
Estado para o seu cotidiano, invasões…. É
claro que podemos argumentar que parte de toda essa questão é em
função da baixa eficiência do Estado como gestor dos recursos.
Qualquer análise que se faça sobre critérios de eficiência vai
mostrar que o Estado é muito pior que o setor privado quando se
analisa a gestão; some-se a essa questão todos esses “ãos”
(Mensalão e Petrolão, por enquanto) e temos uma situação que não
para em pé. Mas o que eu tenho observado é que isso está piorando
muito porque os poderes da República, especialmente o Legislativo,
não têm mais um projeto; estamos nos movimentando meramente em
função da pauta do dia. Nesse
sentido é muito difícil construir acordos.
Acordo significa ceder em algo e ganhar em algo. Não existe
liderança, não existe coesão em torno de uma ideia. Como falava
minha avó: “em casa onde falta pão, todo mundo briga e ninguém
tem razão”.11
Para Ari
Cunha, o conceito de tecido social é político, principalmente a
esquerda:
“Anomia , que o dicionário traduz como
falta de regras e objetivos, decorrentes de um vazio de significado
no cotidiano e da perda de identidade dos indivíduos, é um processo
seríssimo , ao qual devemos estar bem atentos, já que parece estar
contaminando atualmente os brasileiros de forma profunda e
irreversível. Na anomia, a ausência de autoridades moralmente
constituídas, passa a ser um fato visível por todos, fazendo com
que os cidadãos se sintam à deriva, participando inconscientemente
de processos coletivos e sociais por inércia e com isso , perdendo a
própria identidade. Concorrem
para esse fenômeno de esgarçamento do tecido social,
além das revelações constantes de que a elite dirigente do país
está mergulhada nos mais escandalosos e criminosos casos de
corrupção e de enriquecimento ilícitos, os episódios frequentes
de violência e de banditismo espalhados pelas principais capitais do
país. Com isso, aumenta nos indivíduos a sensação de que as
autoridades são impotentes para coibir a criminalidade que infestam
as ruas de nossas cidades e lenientes para por um fim nos crimes
praticados pelas elites e pelos endinheirados em geral. Embora seja
um fenômeno sentido em muitas partes do mundo hodierno, é no Brasil
que o escândalo da corrupção é mais observável e sentido por
todos. As revelações vindas do mensalão e do petrolão e outros do
gênero, fizeram aumentar no cidadão a sensação de que os governos
que vieram com o fim do período militar, não foram capazes de dar
uma orientação séria para o país, muito menos o aglomerado de
partidos políticos, formado apenas para sorver os recursos públicos
fáceis e abundantes. A
anomia entre nós foi extremamente vitaminada pela difusão da
chamada revolução cultural Gramsciana ou marxismo cultural feita de
forma silenciosa pelos partidos de esquerda, mormente pelo Partido
dos Trabalhadores, visando destruir na sociedade qualquer resquício
“burguês”, seja de família, pátria, religião, transformando
os professores e educadores em militantes ideológicos e incitando
brasileiros contra brasileiros, como se tem visto
. Com isso, aumentaram na sociedade de forma generalizada, os
episódios que podem ser claramente classificados como de
desobediência civil . Mesmo na base da pirâmide as exacerbações e
distorções difundidas por uma falsa doutrina de direitos humanos,
outorgando mais privilégios a bandidos do que ao cidadão comum,
fizeram crescer entre os brasileiros, o sentimento de que todos
aqueles que vivem à margem da lei parecem usufruir de maiores
benefícios e regalias. Exemplos dessa anomia surgem em toda a parte,
desde as gigantescas manifestações de rua, passando pelos ataques
frequentes a políticos, magistrados e outros figurões da república,
nas invasões e grilagens de terras, invasões de prédios públicos,
na depredação e pichações de prédios, na greve dos
caminhoneiros, na desobediência a diretrizes da própria justiça,
nos ataques aos professores, médicos e outros profissionais. Também
não é sem motivo que alguns, em desespero, chegam a cogitar a volta
dos militares ao poder, para pôr um pouco de ordem num país que
parece desmanchar aos olhos de todos”.12
Como
tecido social esgarçado, portanto, é outra definição de assumir o
poder de uma forma anti-democrática.
“Esgarçamo-nos
tanto, nivelamos tanto por baixo os parâmetros do ponto de vista
ético e moral, que somos um país sem um mínimo de disciplina
social”, afirma o comandante do Exército, general Eduardo Dias da
Costa Villas Bôas, em entrevista ao jornal Valor Econômico.“Somos
um país que está à deriva, que não sabe o que pretende ser, o que
quer ser e o que deve ser.” Os militares vão ser compelidos a
assumir o poder enquanto estiver encastelada aquela categoria que já
conhecemos. A classe política está prestes a ser varrida para baixo
do tapete”.13
Ricardo
Cavalcanti-Schiel, é o que melhor resume a história do esgarçamento
do tecido social, no país: trata-se do fim da constituição, se é
que já não terminou.
“Estou
plenamente de acordo que os militares brasileiros simplesmente não
têm o direito de se pronunciar dessa forma. Só que, ao fazê-lo, o
que eles demonstram é que não resistiram à tentação de reincidir
na lógica da tutela. Me
parece óbvio que o que o Comandante do Exército quis dizer é que
ele teme um "esgarçamento violento do tecido social" (para
utilizar velhos jargões mais explícitos), onde o Exército poderia
vir a ser chamado para "restaurar a ordem básica", mas
isso é algo que se reservaria às análises de conjuntura do
Gabinete de Segurança Institucional, onde deveriam ser ponderados
critérios objetivos e concretos de mensuração das dinâmicas.
Eu também não concordaria com a assertiva de que os militares
brasileiros discrepam dos seus homólogos latino-americanos. Fora os
venezuelanos, que passaram por um processo que começou antes do
chavismo e que se tornaram efetivamente bolivarianos, apenas os
militares uruguaios e uma certa fação das FFAA argentinas foram
capazes de fazer uma autocrítica sobre o passado recente. E ninguém
sabe exatamente o quanto essa autocrítica tem de meramente retórico.
Os demais são controlados por cooptações circunstanciais e
censuras precárias, se é que são controlados (os colombianos muito
evidentemente não são, por exemplo)”.14
3
A: Marco Oliveira Borges, 2016. Bibliografia: Antunes 2010;
Barendse 2002; Russell-Wood 1998; Van Cleef 1941.
4 Resumen
de conceptos de geopolítica: Heartland, Hinterland, Fronteras,
Rimland. Contador Público (Uruguay) Darío Aurelio Abilleira
Alvarez / 19 julio, 2014.
https://estrategiauruguay.wordpress.com/2014/07/19/resumen-de-conceptos-geopolitica-heartland-hinterland-fronteras-rimland/
5 Determinismo
Geográfico, Espacio Vital o Lebensraum; conceptos que en
Geopolítica implican que un Estado para asegurar su existencia debe
disponer de suficiente espacio para atender sus necesidades
(relación espacio/población). Contador Público (Uruguay) Darío
Aurelio Abilleira Alvarez / 21 junio, 2014.
https://estrategiauruguay.wordpress.com/2014/06/21/determinismo-geografico-espacio-vital-o-lebensraum-conceptos-que-en-geopolitica-implican-que-un-estado-para-asegurar-su-existencia-debe-disponer-de-suficiente-espacio-para-atender-sus-necesidades-r/
. https://brasilescola.uol.com.br/geografia/friedrich-ratzel.htm
.
7 LADISLAU
DOWBOR. A REPRODUÇÃO SOCIAL. (Edição em três volumes, revista e
atualizada) . I - TECNOLOGIA, GLOBALIZAÇÃO E GOVERNABILIDADE São
Paulo, Fevereiro de 2001 . http://dowbor.org/artigos/01repsoc1.pdf
.
8 UNESP,
2004
11 O
tecido social (ou quem paga o pacto?); 04 MAR 16; NOVIDADES /
POLÍTICAS PÚBLICAS. BLOG DO MILTON REGO. Presidente executivo da
Associação Brasileira do Alumínio .
http://blogdomiltonrego.com.br/o-tecido-social-ou-quem-paga-o-pacto/
.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNZpst5zZr0nNjGIl5pabCivfzcBzSSEAZIyVBVKZeReaTSAGFdR_bqq-W4UVwbHA1LQLiQHV3wE93MarzCiNVNIFvIalfU1pB6jkwDNnh-HYIiXqCkPK16M9inzt_WPdhdvUs9oa-eamW/s1600/tecido+social.jpg
.“Tivemos todos os motivos para esquecer o ano que passou (2016) e
festejar o ano novo (2017), mas parece que o ano não acabou, seria
apenas uma desastrosa segundo versão do "Annus horribilis"
que encerrou em 31 de dezembro. Eu
me lembro de que quando estava na universidade (meio e final dos
anos 80) quando ouvi a expressão de “esgarçamento do tecido
social” que era utilizada para refletir que os índices crescentes
de exclusão social estavam destruindo a possibilidade de uma
sociedade sustentável. A imagem de “tecido” é muito
interessante já que os membros da sociedade estão ligados de forma
múltipla (como os fios do tecido) pelas cidades, trabalho,
educação, valores etc.
O
oposto disso é o “cada um para si” onde os fios vão se
separando e o tecido se “esgarça”.
Sim, eu estudei Sociologia e Filosofia em meu curso de
Administração de Empresas, assim como tive, quem é dos anos 80
vai entender, Estudos dos Problemas Brasileiros como cadeiras
obrigatórias a todos os cursos e universidades (eram duas).
Voltando ao nosso ano, visualizamos muitos "hematomas sociais"
derivados de nosso papel de "juiz sumário", onde tornamos
posição e cobramos justiçamento para delitos graves. Perdemos a
capacidade de abstração e pelas dores sociais que carregamos,
exigimos soluções rápidas e definitivas, esquecendo que somos
todos atores na sociedade que construímos, somente vendo nossa
versão dos fatos, agindo de maneira restrita às nossas verdades.
Não queremos "ventos da mudança" que não nos beneficie
e apenas à aqueles que compartilhem nossa opinião. Os recentes
fatos de troca de prefeitos mostram que a justiça social é cega,
obtusa e vingativa, como o caso de uma prefeitura do Estado de
Tocantins, que não deixou nada registrados sobre atividades,
mobiliário, senhas de computadores, tudo porque a prefeita não
tinha sido reeleita e decidiu "vingar-se" da população.
E isto sem falar do massacre da prisão no Amazonas, das rebeliões
e motins pelo Brasil afora. Enquanto as "dores sociais"
causados pelos "hematomas" falarem mais alto, nada parece
plausível de ser feito? Ou os atores desceram de suas "togas"
para arrumarem a bagunça? Fica a dúvida.Esgarçamento do tecido
social e a barbárie. by - Geraldo V Laps on - Janeiro 04, 2017.
http://rsemfoco.blogspot.com/2017/01/esgarcamento-do-tecido-social-e-barbarie.html
. https://plus.google.com/+GeraldoVLaps
.
12 Anomia.
Uma anomalia social. Publicado em 05/06/2018 - 00:00 Circe
CunhaÍntegra. ARI CUNHA. Visto, lido e ouvido Desde 1960. com Circe
Cunha e Mamfil. colunadoaricunha@gmail.com
;http://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/anomia-uma-anomalia-social/
.
14 Plenamente
de acordo, mas... qui, 15/10/2015 – 16:58.
https://jornalggn.com.br/usuario/ricardo-cavalcanti-schiel
.
https://jornalggn.com.br/noticia/as-carapucas-do-general-villas-boas-por-janio-de-freitas
.
https://www.escavador.com/sobre/5174481/ricardo-antonio-cavalcanti-schiel
.
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