Esgarçamento do Tecido Social ou simplesmente Golpe Militar?




O conceito de tecido social, da forma que é usada enquanto senso comum, é genérico, flexível, elástico, abarcando uma série de fenômenos que tornam o conceito sem conteúdo avaliável, mera retórica, verborragia, “encher linguiça', em suma.

Originalmente, o conceito de rede é de uma riqueza extraordinária, na medida em que tenta compreender o contexto em que o indivíduo, em sua maior expressão, está inserido numa comunidade cultural. Na medida em que o conceito de rede passa para a ser compreendido como tecido social, deixa de ser descritivo, explicativo, analítico, para uma busca de sínteses, de comparações, fora do tempo e do espaço, ahistóricas1, que não ajudam em nada no compreender a sociedade em que se vive.

A introdução do conceito de territorialidade, deu ao conceito de tecido social um forte acento político ligado à ideia de poder, que alguns chamam de Estado-nação, ideia que vai de contramão ao que está hoje se desenvolvendo no mundo, embora não possa ser desprezado na análise de sociedades que não aceitam a globalização. Na verdade, o conceito de tecido social, ligado a territorialidade, aproxima-se bastante do conceito de geopolítica, da hinterland.

Hinterlândia. Hinterlândia (do alemão Hinterland) literalmente significa a 'terra de trás' (de uma cidade ou porto). Em alemão, a palavra também se refere à parte menos desenvolvida de um país - menos dotada de infraestrutura e menos densamente povoada, sendo também sinônimo de sertão ou interior.[«Verbete "hinterlândia"». Dicionário Aulete da Língua Portuguesa. Consultado em 12 de agosto de 2015]. Em geografia urbana, hinterlândia corresponde a uma área geográfica (que pode se tratar de um município ou um conjunto de municípios) servida por um porto e a este conectada por uma rede de transportes, através da qual recebe e envia mercadorias ou passageiros (do porto ou para o porto).[PAIVA, Rodrigo Tavares Zonas de Influência Portuárias (Hinterlands) e um Estudo de Caso em um Terminal de Contêineres com a Utilização de Sistemas de Informação Geográfica Capítulo 3. "Hinterland", p. 38. PUC-Rio, 2006] Trata-se, portanto, da área de influência de uma cidade portuária que, por concentrar significativa atividade econômica, pode engendrar uma rede urbana, constituída por centros urbanos menores.[Por SANTOS, Milton Manual de geografia urbana. Edusp, 2008, 3ª ed. p.122] Posteriormente, o conceito passou a ser utilizado também no caso de cidades não portuárias que são "cabeças-de-rede". [ A Construção de uma nova centralidade urbana: Sete Lagoas (MG), por Marly Nogueira. Revista Sociedade & Natureza, vol. 18, n° 35 (2006)][Grande cidade aos 50 anos, por Aldo Paviani]. Por analogia, o termo pode ser aplicado à área que circunda um centro de comércio ou serviços e da qual provêm os clientes. O conceito foi também aplicado à área ao redor de ex-colônias européias na África, que, apesar de não serem parte da colônia, eram por ela influenciadas”.2


Marco Oliveira Borges (2016) notou a historicidade do uso do termo a partir dos anos 1980, sem, no entanto, estabelecer a ontologia do conceito:

Hinterland. A palavra é de origem alemã e significa em português algo como território interior ou retaguarda de uma cidade. Tornou-se, especialmente desde os anos 1980, um conceito muito utilizado em estudos sobre o território, nomeadamente por geógrafos, economistas e historiadores, que lhe têm atribuído significados ligeiramente diferenciados. Numa definição simplificada, o conceito refere-se à área de influência económica directa de uma grande cidade, independentemente da distância. Abrange o território, não necessariamente contíguo nem contínuo, que serve e é servido pelo mercado (próprio ou de exportação) da cidade de referência, podendo mesmo incluir outras cidades, vilas e aldeias. Não corresponde a um território com expressão política ou administrativa (v.g. concelho, capitania, província). O hinterland é, assim, uma categoria espacial construída pelo investigador em função do seu objecto de estudo, e os seus limites geográficos variam em conformidade. Várias das grandes cidades do império português tinham os seus hinterlands, como era o caso, por exemplo, de Salvador da Baía e do Rio de Janeiro. No Oriente, é possível falar do hinterland de Goa, de Baçaim ou de Colombo, mas a aplicação do conceito é mais discutível no caso de cidades como Ormuz, Malaca e Macau, dado tratar-se essencialmente de enclaves e entrepostos comerciais, sem profundidade territorial”. 3


O Determinismo Geográfico mudou as palavras? Darío Aurelio Abilleira Alvarez (2014), em outro contexto, lembra a historicidade dos termos ligados a gênese e formação da geopolítica. Observa-se que o conceito de Hinterland não é separado de outros conceitos concomitantes :
Ratzel y Kjellen, desarrollan la teoría del Espacio Vital; que consiste en que para que una nación se desarrolle, debe tener todos los materiales necesarios, por ejemplo el petróleo y el hierro, y en lo posible la tecnología. Mackinder, geopolítico y geógrafo inglés; influenciado por las teorías de Ratzel, desarrolla la teoría llamada HEARTLAND. Agrega el concepto de “rimland” (tierra orilla) haciendo referencia a los litorales marítimos euroasiáticos. Entonces para él será: Quien controla el Rimland, domina Eurasia; quién domine Eurasia controla los destinos del mundo. Karl Haushofer, de origen alemán, desarrolla su teoría que fue base para los nazis; sostenía que “sólo una nación cuyo espacio se adapte a sus necesidades, tanto espirituales como temporales, se puede aspirar a lograr la verdadera grandeza”. Karl Haushofer, considera tres conceptos en la Constitución y Desarrollo de un Estado: a) El concepto de HEARTLAND; b) El del HINTERLAND; c) Y el de FRONTERAS. HEARTLAND o NÚCLEO VITAL. Está constituido en un Estado, por la conjunción de tres poderes: El Poder Económico, el Poder Político – Ideológico y el Poder Militar. Cualquier país con conciencia geopolítica mantendrá un sano equilibrio entre estos tres poderes; sin ignorar o descuidar ninguno y tomando cuidado especial, cuando sea necesario por aquel que se vea debilitado o amenazado. HINTERLAND. La palabra es de origen alemán, significa: “tierra posterior” (a una ciudad, un puerto, etc), en un sentido amplio se refiere a la zona de influencia de un asentamiento. También es definido como el territorio adyacente al Heartland o también como el espacio existente entre el Heartland y las Fronteras. FRONTERAS. Geopolíticamente, las fronteras son determinadas por el choque de dos Heartland, o si se quiere, se puede afirmar también que la frontera real de un País comienza donde el Heartland está en capacidad de hacer presencia efectiva”.4


Espacio Vital o LEBENSRAUM. Lebensraum, término alemán que significa «espacio vital». Esta expresión fue acuñada por el geógrafo alemán Friedrich Ratzel (1844-1904), influido por el biologismo y el naturalismo del siglo XIX. Establecía la relación entre espacio y población, asegurando que la existencia de un Estado quedaba garantizada cuando dispusiera del suficiente espacio para atender a las necesidades de la misma. Estas ideas empezaron a adquirir un tinte político gracias a los trabajos del politólogo Rudolf Kjellen (1864-1922), quien acuñó el término de geopolítica para señalar la influencia de los factores geográficos sobre las relaciones de poder en la política internacional y defendió algunas de las concepciones del geógrafo Sir Halford John Mackinder, referentes a la tesis de que el Asia central y la Europa del Este eran el centro estratégico del planeta (corazón del mundo), como consecuencia del decaimiento del poder marítimo radicado en los países situados en torno a aquélla. Quién dominará dicha región cardial (Heartland), dominará el mundo. Inicialmente estas consideraciones se enfocan a la rivalidad entre Alemania y Gran Bretaña, pero posteriormente se hizo extensivo a la confrontación entre Alemania y la Unión Soviética. Karl Haushofer, ex general y geógrafo, aplicó las nociones generalizadoras de Ratzel a la situación concreta en que se encontraba Alemania tras la derrota y los recortes territoriales sufridos en el Tratado de Versalles (1919). Haushofer adujo que la base de toda política exterior era el espacio vital de que dispusiese el cuerpo nacional. La acción del Estado consistía en defender tal espacio y en ampliarlo cuando resultara demasiado angosto. A través de Rudolf Hess, que era asistente a las clases de Haushofer en la cátedra de geopolítica de la Universidad de Munich, junto a su hijo Albrecht, tomó contacto con Adolf Hitler, que utilizó la terminología del Lebensraum para describir la necesidad del Tercer Reich de encontrar nuevos territorios para expandirse, principalmente a costa de los pueblos eslavos de Europa del este. Sin embargo Haushofer era eurasiático y pensaba que el Eje debía incluir a Rusia, en lugar de Italia, aliado natural germano. En su obra Mein Kampf, Hitler declaró: «los alemanes tienen el derecho moral de adquirir territorios ajenos gracias a los cuales se espera atender al crecimiento de la población». Hitler establecía la necesidad de acabar con la desproporción entre la población alemana y la superficie territorial que ocupaba. La idea no se basaba en restaurar las fronteras anteriores al estallido de la Primera Guerra Mundial (1914), sino en conquistar nuevas tierras al este. No sólo para asegurar el sustento a la población, sino, y sobre todo, para garantizar su supervivencia, a expensas de las «razas inferiores». La biología se convertía en determinante de los valores fundamentales de la comunidad nacional. Hitler pretendía incrementar el espacio vital a través del Anschluss (anexión) con Austria y las invasiones de los Sudetes (República Checa) en 1938 y de Polonia en 1939, que provocan el estallido de la Segunda Guerra Mundial.
Friedrich Ratzel. Friedrich Ratzel (1844-1904) foi um pensador alemão, considerado como um dos principais teóricos clássicos da Geografia e o precursor da Geopolítica e do Determinismo Geográfico. Vale lembrar que a expressão “determinismo” não era empregada pelo próprio Ratzel, tratando-se de uma atribuição conceitual que foi dada a partir das leituras sobre o seu pensamento. Sua principal obra publicada foi a Antropogeografia. A Ratzel deve-se a ênfase dos estudos geográficos sobre o homem. Entretanto, a teoria ratzeliana via o ser humano a partir do ponto de vista biológico (não social) e que, portanto, não poderia ser visto fora das relações de causa e efeito que determinam as condições de vida no meio ambiente. A essa concepção deu-se o nome de Determinismo geográfico, em que o homem seria produto do meio, ou seja, as condições naturais é que determinam a vida em sociedade. O homem seria escravo do seu próprio espaço.Esse pensador foi bastante influenciado pela obra de Charles Darwin, que defendia o postulado de que a evolução se basearia na luta entre as diferentes espécies, de forma que aquelas que possuíssem as características de melhor adaptação ao meio sobrevivem. Ratzel, de certa forma, aplicou essas ideias à espécie e sua vida em sociedade. Os seres humanos, raças e etnias mais aptos venceriam e dominariam os povos considerados inferiores. Tais ideais basearam e justificam teoricamente a dominação dos povos europeus, que se colocaram como uma civilização mais evoluída e desenvolvida, com a missão de dominar os povos inferiores e impor sobre eles a sua cultura e o seu modo de vida. Suas ideias também influenciaram aquilo que mais tarde veio a ser denominado por Nazismo. Ratzel foi também um profundo estudioso do conceito e comportamento do Estado moderno. Para ele, o Estado seria a sociedade organizada para construir, defender e expandir o seu território. Também considerava que essa era uma forma de organização que aconteceria de forma natural em qualquer sociedade avançada. O Estado, para Ratzel, era um organismo vivo. A partir dessa concepção, elaborou o conceito de espaço vital, que seria as condições espaciais e naturais para a manutenção ou consolidação do poder do Estado sobre o seu território. Seriam as condições naturais disponíveis para o fortalecimento de uma dada sociedade ou povo. Aquelas populações que dispusessem de melhor espaço vital estariam mais aptas a se desenvolver e a conquistar outros territórios. Tal noção foi fundamental diante do contexto histórico da Alemanha, que havia acabado de passar pelo seu processo de reunificação e necessitava de uma base para justificar e se afirmar enquanto Estado, com capacidade de crescimento, expansão e dominação. Apesar de se considerar o “pai da Geopolítica”, Ratzel jamais utilizou essa expressão, que foi elaborada por um de seus discípulos, o pensador sueco Rudolf Kjellen. Pode-se dizer, no entanto, que as suas ideias foram constitutivas de uma verdadeira Geografia do Poder”.5

A ideia do Estado-nação ainda é eficiente?

'Tecido social. Tecido social, capital social ou malha social é o termo usado atualmente para se referir aos aspectos sociais de uma cidade, e não a sua estrutura física; relaciona-se aos indivíduos, a coletividade, que estão ligados por uma ou mais relações sociais profundas, apenas compreendidas pela análise do poder, formando uma malha social. Esse termo faz parte de uma série de novas designações que surgiram na modernidade. Formas de tecido social: criação de filhos; comunicação; amizade; autoridade; contato sexual. Exemplos do uso do termo.
1. Em breves considerações, o que queremos frisar é a ótica analítica do conceito de território. Este norteou na Geografia perspectivas analíticas vinculadas a ideia de poder sobre um espaço e seus recursos; o poder em escala nacional: o Estado-nação. Mais recentemente, este conceito indica possibilidades analíticas que não deixam de privilegiar a ideia de dominação-apropriação(Chamamos a atenção sobre o conceito de apropriação, ele expressa uma concepção diferenciada do poder sobre o território, tratar-se-ia de um domínio, originalmente como condição necessária a sobrevivência. Hoje esta apropriação se faz sob os mais diferentes objetivos muitas vezes de ordem cultural. Trata-se conforme Heidrich (HEIDRICH, A. Fundamentos da Formação do Território Moderno. Boletim Gaúcho de Geografia, nº 23, AGB - Seção Porto Alegre,1998) em comunicação oral, uma discussão em aberto entre os teóricos da Constituição do Território) de espaço. Esta flexibilização do conceito permite tratar de territorialidades como expressão da coexistência de grupos, por vezes num mesmo espaço físico em tempos diferentes. Trata-se de uma dimensão do espaço geográfico que desvincula as relações humanas e sociais da relação direta com a dimensão natural do espaço, extraindo deste conceito a necessidade direta de domínio, também dos recursos naturais, como expressa-se na concepção clássica de território. A natureza, enquanto recurso associada à ideia de território, já não é mais necessária. Nestas territorialidades, a apropriação se faz pelo domínio de território, não só para a produção mas também para a circulação de uma mercadoria, a exemplo das territorialidades por vezes estudadas, como o território das drogas. Estas novas territorialidades apresentam-se como voláteis e constituem parte do tecido social, expressam uma realidade, mas não substituem em nosso entender a dominação política de territórios em escalas mais amplas. Devendo essas, para serem explicadas e não somente descritas, serem inseridas em espaços de dimensão relacional.[Dirce Maria Antunes Suertegaray Departamento de Geografia, UFRGS http://www.ub.edu/geocrit/sn-93.htm]
2. "No Nordeste, pipocaram novos polos de confecção. As malharias do Sul apertaram os preços para atender ao mercado interno. Nos anos 90, uma peça de roupa nacional custava, em média, 10 dólares. Hoje, sai por 3. O setor têxtil continua a ser uma das rotas de ascensão social dos pobres. Mas agora produz um tecido social mais resistente. A participação dos operários com nível médio dobrou, os salários subiram e uma nova classe média parece surgir dos ares e das máquinas de costura. [Um novo tecido social, Sérgio Martins Revista Veja - 23/07/2008]
3. "JB - Em uma analogia, seria a sociedade brasileira composta de vários retalhos de pano já cortados necessitando de uma costura? Baquero - Eu diria que infelizmente esse tecido social, ao invés de estar em processo de confecção, pelo contrário, se encontra em estado de fragmentação. Vivemos em uma sociedade em que a sociedade desconfia não só das instituições, mas também é alto o índice de desconfiança entre os indivíduos. As pesquisas mostram isso. É sem dúvida uma espécie de neurose social. [Entrevista, CESAR MARCELO BAQUERO JACOME]”. 6


Ladislau Dowbor, aceita o uso do conceito, embora perceba as limitações do uso, como um fenômeno econômico, geográfico.

Não se trata aqui de aceitar a priori desigualdades econômicas, e sim de entender que produzir bem o essencial, que frequentemente depende de uma boa organização do espaço nacional ou local, abre melhor os caminhos para a inserção internacional do que avançar com ilhas tecnológicas inseguras sem um sólido lastro de tecido econômico organizado internamente. Qual a sustentabilidade de exportarmos aviões ao mesmo tempo que que mais da metade da mão de obra do país conta com quatro anos ou menos de formação escolar? (…) Assim, no conjunto, a formação de blocos não representa para os países do Terceiro Mundo a mesma dinâmica que a que foi originada com as mega-potências econômicas, e a aproximação entre as economias pobres deverá passar bastante mais pela definição de políticas comuns frente aos países dominantes, buscando uma inserção mais vantajosa na economia internacional, ao mesmo tempo que se deverá trabalhar uma integração efetiva do tecido econômico e institucional através de formas descentralizadas de cooperação [ver por exemplo a iniciativa de Porto Alegre de criar um Trade Point Porto Alegre, associando a prefeitura com diversos atores sociais locais para promover a aproximação entre pequenas e médias empresas de diversos países - Um exemplo concreto de reforma do Estado, Tarso Genro e José Antonio Alonso, Folha de São Paulo, 12 de Junho de 1995]. (…) “Foi-se o tempo das sociedades relativamente homogêneas, com proletariado, campesinato e burguesia, e uma visão de luta de classes relativamente clara. A sociedade moderna é constituida por um tecido complexo e extremamente diferenciado de atores sociais. Assim, políticas amplas tornam-se desajustadas, reduzindo-se a competência das decisões centralizadas. Como a intensidade das mudanças exige também ajustes frequentes das políticas, é o próprio conceito da grande estrutura central de poder que se vê posto em cheque. Situações complexas e diferenciadas, e que se modificam rapidamente, exigem muito mais participação dos atores sociais afetados pelas políticas. Exigem, na realidade, sistemas muito mais democráticos. [É compreensível que a inadequação do Estado que herdamos, para enfrentar os novos problemas, seja se certa maneira aproveitada para uma ofensiva do setor privado, que busca se apropriar para fins de lucro de setores que devem ser organizados segundo critérios de interesse público. Esta ofensiva do setor privado, no entanto, não justifica atitudes defensivas por parte de forças progressistas. O fato da alternativa simplista oferecida no quadro do neoliberalismo ser nefasta não afasta a necessidade de transformar o Estado, que continua real]. (…) Finalmente, conforme veremos em detalhe mais adiante, constituimos hoje dominantemente sociedades urbanizadas. Com isto constituiu-se um tecido social organizado, a cidade, frequentemente maior inclusive do que muitos dos Estados-nação herdados do passado. Foi-se o tempo em que tudo tinha de ser feito na “capital” porque aí estavam localizados o governo, os técnicos, os bancos, enquanto o “resto” era população rural dispersa. E a tendência natural é para as cidades assumirem gradualmente boa parte dos encargos antigamente de competência dos governos centrais, completando assim a transformação do papel do Estado-nação na hierarquia dos espaços sociais. A frase de um relatório das Nações Unidas resume bem o problema: “o Estado-nação tornou-se pequeno demais para as grandes coisas, e grande demais para as pequenas.” [UNDP, Human Development Report 1993, p. 5 ]. (…) A cidade de Shanghai, por exemplo, organizou em 1993 uma reunião internacional sobre o seu próprio futuro, optando claramente pela importância do seu papel de “âncora” de atividades econômicas internacionais, e definindo eixos prioritários de ação nas áreas de criação de um polo tecnológico internacional, de infraestruturas portuárias modernas, e de uma base sofisticada de telecomunicações. O departamento de relações internacionais da cidade de Shanghai já operava na época com 140 técnicos e funcionários. Assim Shanghai prepara a sua transição de centro industrial da província, para o de ponte entre o tecido econômico nacional e a economia global. (…) O fato importante é que a economia global não existe no ar, enraiza-se em “pólos” concretos. Por outro lado, muda a composição técnica da produção, com maior peso para serviços. Outro fator importante, reforça-se o tecido de cidades médias ou grandes, que assumem boa parte do papel de subcentros de bacias econômicas, mudando o contexto nacional de reprodução econômica das metrópoles. Assim as metrópoles passam a desempenhar um novo papel, devendo redefinir os seus espaços. (…) A busca da reconstituição do tecido social é sentida nas mais variadas áreas. É curioso este novo espaço de nome monstruoso, as “ONG’s”, que se definem absurdamente como organizações não-governamentais. Na realidade, trata-se de um setor não governamental e não empresarial, forma direta de organização das comunidades em torno dos interesses difusos e transindividuais. [8 - ver Fábio Konder Comparato - A nova cidadania - Lua Nova, 1993, nº 28/29; o Human Development Report 1993 das Nações Unidas faz um balanço mundial das ONG’s que envolviam cerca de 100 milhões de pessoas no início dos anos 1980, e mais de 250 milhões atualmente. Hoje se agregam as CBO’s, Community Based Organizations, igualmente em fase de expansão extremamente rápida. Com a amplitude e diversificação deste tipo de organizações, O Human Development Report de 1997 sugere a utilização do conceito mais amplo de organizações da sociedade civil ]. (…) Esta herança estrutural é agravada por tres fenômenos mais recentes. Por um lado, vemos a expansão da monocultura, que utiliza pouca mão de obra ou a utiliza de forma sazonal, desarticulando inclusive a formação de empregos estáveis. Por outro, a tecnificação generalizada nas grandes propriedades leva à substituição do homem pela máquina. Finalmente, o uso generalizado do solo agrícola como reserva de valor fechou ao trabalhador rural expulso das grandes propriedades a alternativa de criar pequenas e médias propriedades rurais. Esta grande oportunidade perdida, de se gerar um forte tecido de policultura familiar, levou a população rural às periferias urbanas, gerando o acelerado e caótico processo de urbanização das últimas décadas. (…) Finalmente, é preciso considerar que o Pib contabiliza mal, os aportes do setor informal. O resultado é que quando uma grande empresa introduz tecidos sintéticos produzidos com pouca mão de obra e muita automação, o Pib apresentará crescimento, mas não apresentará as perdas de milhares de postos de trabalho das atividades texteis tradicionais no setor informal. Com o setor informal ocupando frequentemente um terço ou mais da
força de trabalho de um país, não incluir este setor torna os cálculos econômicos bem próximos da ficção. (…) Mas é um fato também que tentar regular este sistema imensamente complexo de relações internacionais tecidos por cada empresa, cidade ou universidade de um país, através dos tradicionais canais estreitos de uma administração pública centralizada, tornou-se simplesmente anacrônico. É o próprio conceito de relações exteriores que mudou, na medida em que as relações exteriores estão dentro, e as de dentro são também exteriores. A sociedade organizada está tecendo uma densa rede de relações planetárias que exige novas formas de regulação. [- Um exemplo típico de políticas velhas frente a problemas novos é a tentativa da Agência Brasileira de Cooperação, ABC, do Ministério de Relações Exteriores, de controlar todas as atividades de ONG’s no Brasil: as Ong’s surgiram justamente da inoperância dos canais oficiais de resolução dos problemas sociais e ambientais. As medidas, tomadas no governo Collor, serviram para atrapalhar porque burocratizaram, e não puderam controlar pois se trata de um leque demasiado amplo e disperso de pequenas atividades. Qual é o sentido do controle tradicional burocrático e centralizado frente a redes interativas dispersas em todo o corpo da sociedade organizada?]”. 7

Em Razão, "cor" e desejo: uma análise comparativa sobre relacionamentos afetivo-sexuais "inter-raciais" no Brasil e na África do Sul, de Laura Moutinho8, citando Prado, Paulo, 1869-1943. Retrato do Brasil : ensaio sobre a tristeza brasileira / Paulo Prado. — 2. ed. — São Paulo : IBRASA ; [Brasília] : INL, 198l, informava que o tecido social brasileiro já se encontrava esgarçado na época colonial, visto, do ponto de vista de Moutinho e de Prado, com uma moral extremamente flexível, elástica, para o que se consideraria normal. Percebe-se, quando se desloca o conceito de tecido social para épocas anteriores, que tal conceito nada mais é que uma tentativa de colocar numa forma a sociedade, de formalizar a sociedade, daquilo que alguns chamam de normose9.


Tanto para Moutinho, como Milton Rego e Geraldo V. Laps, conceito de tecido social é o de rede social10, só que as inflexões são diferentes. Para Moutinho, a questão moral é central; para Milton Rego, o gerenciamento do Estado; para Geraldo V. Laps, é a justiça.


pacto 1
Eu me lembro de que quando estava na universidade (final dos anos 1970 e início dos 80), o Brasil percebia que a expansão da sua economia tinha chegado a um limite, ao mesmo tempo em que a desigualdade e concentração de renda se mostraram insustentáveis. Nessa época, nos cursos de Economia e Ciências Humanas (pelo menos aqueles cujo corpo docente não havia sido expurgado pela ditadura), a visão da realidade era hegemonicamente de esquerda. Foi quando ouvi a expressão de “esgarçamento do tecido social” que era utilizada para refletir que os índices crescentes de exclusão social estavam destruindo a possibilidade de uma sociedade sustentável. A imagem de “tecido” é muito interessante já que os membros da sociedade estão ligados de forma múltipla (como os fios do tecido) pelas cidades, trabalho, educação, valores etc. O oposto disso é o “cada um para si” onde os fios vão se separando e o tecido se “esgarça”. Pois foi com essa imagem de esgarçamento que eu peguei o voo vindo de Brasília nessa semana, depois de algumas reuniões com parlamentares. Só que não era um esgarçamento social, mas um esgarçamento federativo. Com a queda da arrecadação, Municípios, Estados e Federação estão em uma guerra de todos contra todos.
Um pouco de história
A Constituição de 1988 foi uma grande resposta da sociedade (através dos constituintes) ao autoritarismo do período de exceção que o Brasil tinha passado. Digamos que se pautou por um excesso de entusiasmo. Colocaram em seu texto tudo o que se queria para o Brasil chegar ao primeiro mundo em termos de cuidado com o cidadão e os bens coletivos; teríamos total acesso à educação, saúde, habitação e segurança universais e de Primeiro Mundo, sem pobreza e com culturas e natureza preservadas. Essa busca da democracia levou também a uma descentralização, tanto da parte das responsabilidades dos Estados como da parte de especificação e arrecadação dos impostos. Buscava-se tirar o excesso de poder da esfera federal. Na constituição anterior, o governo federal tinha o maior controle possível do processo econômico. Agora se procurava uma descentralização. Por outro lado, agora caberia aos Estados muitas despesas: educação – o ensino médio e o suporte aos municípios na pré-escola e ensino básico; saúde – os serviços secundários “caros”: atendimentos especializados e alta complexidade; segurança – as polícias militares e civis; habitação – junto com o governo federal e os municipais programas de construção de moradia e melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico; sistema prisional – administrando as prisões; transportes – gestão dos transportes intermunicipais, ou seja, metrôs, ferroviários e ônibus intermunicipais. Mas direitos de Primeiro Mundo teimam em custar como as despesas de Primeiro Mundo. A grande questão era então quem pagaria por todos esses deveres pelos quais o Estado era responsável. A Constituição não previa os meios para isso; existia e existe uma diferença enorme entre o que foi colocado como objetivo e a realidade. Só para se ter uma comparação, apenas 39% da população tem esgoto tratado. Isso tudo levantava a questão de que, para estar de acordo com as obrigações, o Estado (nos três níveis – federal, estadual e municipal) precisam de enormes gastos e, consequentemente, de enormes receitas. Os governos procuraram, então, formas de arrecadação. Historicamente, todo e qualquer governo fez isso no Brasil. quadro abaixo se percebe duas coisas – como a arrecadação aumentou (em números absolutos e como percentual do PIB) e como o Governo Federal veio crescendo na distribuição do bolo dos impostos; isso continua até os dias de hoje.
pacto 2
Fonte: A Constituição de 1988 e o Pacto Federativo Fiscal – Aurélio G. C. Palos
E os nossos dias
O gráfico vai até 2008, mas a arrecadação total não para de subir com a mesma tendência do gráfico acima. Em 2008 foi de 34,1%; em 2014 chegou a 35,4%. Estava tudo indo bem até o Brasil parar de crescer. Temos lido todas as semanas a dificuldade do governo federal em apresentar um orçamento razoável, que possa reverter a tendência do aumento da dívida pública cujo patamar começa a se tornar muito complicado. Multiplique essa dificuldade para os Estados e Municípios que também não conseguem fechar os seus orçamentos e “bum” – eis o esgarçamento do pacto federativo. Para mim, é espantoso ver como os governos resolveram mudar o discurso do crescimento para a crise. Lembro-me de uma charge em que o técnico chega e diz: “Temos uma notícia boa e uma ruim. A ruim é que a situação piorou, a boa é que consertamos a calculadora”. Essa dificuldade aparece nos repasses aos Estados e Municípios. Ninguém tem arrecadação para manter as garantias de suporte do Estado aos cidadãos (moradia, segurança, saúde, educação) que estão escritas na Constituição de 1988. E isso é visível em tudo: greves, famílias sem suporte do Estado para o seu cotidiano, invasões…. É claro que podemos argumentar que parte de toda essa questão é em função da baixa eficiência do Estado como gestor dos recursos. Qualquer análise que se faça sobre critérios de eficiência vai mostrar que o Estado é muito pior que o setor privado quando se analisa a gestão; some-se a essa questão todos esses “ãos” (Mensalão e Petrolão, por enquanto) e temos uma situação que não para em pé. Mas o que eu tenho observado é que isso está piorando muito porque os poderes da República, especialmente o Legislativo, não têm mais um projeto; estamos nos movimentando meramente em função da pauta do dia. Nesse sentido é muito difícil construir acordos. Acordo significa ceder em algo e ganhar em algo. Não existe liderança, não existe coesão em torno de uma ideia. Como falava minha avó: “em casa onde falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão”.11


Para Ari Cunha, o conceito de tecido social é político, principalmente a esquerda:

Anomia , que o dicionário traduz como falta de regras e objetivos, decorrentes de um vazio de significado no cotidiano e da perda de identidade dos indivíduos, é um processo seríssimo , ao qual devemos estar bem atentos, já que parece estar contaminando atualmente os brasileiros de forma profunda e irreversível. Na anomia, a ausência de autoridades moralmente constituídas, passa a ser um fato visível por todos, fazendo com que os cidadãos se sintam à deriva, participando inconscientemente de processos coletivos e sociais por inércia e com isso , perdendo a própria identidade. Concorrem para esse fenômeno de esgarçamento do tecido social, além das revelações constantes de que a elite dirigente do país está mergulhada nos mais escandalosos e criminosos casos de corrupção e de enriquecimento ilícitos, os episódios frequentes de violência e de banditismo espalhados pelas principais capitais do país. Com isso, aumenta nos indivíduos a sensação de que as autoridades são impotentes para coibir a criminalidade que infestam as ruas de nossas cidades e lenientes para por um fim nos crimes praticados pelas elites e pelos endinheirados em geral. Embora seja um fenômeno sentido em muitas partes do mundo hodierno, é no Brasil que o escândalo da corrupção é mais observável e sentido por todos. As revelações vindas do mensalão e do petrolão e outros do gênero, fizeram aumentar no cidadão a sensação de que os governos que vieram com o fim do período militar, não foram capazes de dar uma orientação séria para o país, muito menos o aglomerado de partidos políticos, formado apenas para sorver os recursos públicos fáceis e abundantes. A anomia entre nós foi extremamente vitaminada pela difusão da chamada revolução cultural Gramsciana ou marxismo cultural feita de forma silenciosa pelos partidos de esquerda, mormente pelo Partido dos Trabalhadores, visando destruir na sociedade qualquer resquício “burguês”, seja de família, pátria, religião, transformando os professores e educadores em militantes ideológicos e incitando brasileiros contra brasileiros, como se tem visto . Com isso, aumentaram na sociedade de forma generalizada, os episódios que podem ser claramente classificados como de desobediência civil . Mesmo na base da pirâmide as exacerbações e distorções difundidas por uma falsa doutrina de direitos humanos, outorgando mais privilégios a bandidos do que ao cidadão comum, fizeram crescer entre os brasileiros, o sentimento de que todos aqueles que vivem à margem da lei parecem usufruir de maiores benefícios e regalias. Exemplos dessa anomia surgem em toda a parte, desde as gigantescas manifestações de rua, passando pelos ataques frequentes a políticos, magistrados e outros figurões da república, nas invasões e grilagens de terras, invasões de prédios públicos, na depredação e pichações de prédios, na greve dos caminhoneiros, na desobediência a diretrizes da própria justiça, nos ataques aos professores, médicos e outros profissionais. Também não é sem motivo que alguns, em desespero, chegam a cogitar a volta dos militares ao poder, para pôr um pouco de ordem num país que parece desmanchar aos olhos de todos”.12


Como tecido social esgarçado, portanto, é outra definição de assumir o poder de uma forma anti-democrática.

Esgarçamo-nos tanto, nivelamos tanto por baixo os parâmetros do ponto de vista ético e moral, que somos um país sem um mínimo de disciplina social”, afirma o comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, em entrevista ao jornal Valor Econômico.“Somos um país que está à deriva, que não sabe o que pretende ser, o que quer ser e o que deve ser.” Os militares vão ser compelidos a assumir o poder enquanto estiver encastelada aquela categoria que já conhecemos. A classe política está prestes a ser varrida para baixo do tapete”.13


Ricardo Cavalcanti-Schiel, é o que melhor resume a história do esgarçamento do tecido social, no país: trata-se do fim da constituição, se é que já não terminou.

Estou plenamente de acordo que os militares brasileiros simplesmente não têm o direito de se pronunciar dessa forma. Só que, ao fazê-lo, o que eles demonstram é que não resistiram à tentação de reincidir na lógica da tutela. Me parece óbvio que o que o Comandante do Exército quis dizer é que ele teme um "esgarçamento violento do tecido social" (para utilizar velhos jargões mais explícitos), onde o Exército poderia vir a ser chamado para "restaurar a ordem básica", mas isso é algo que se reservaria às análises de conjuntura do Gabinete de Segurança Institucional, onde deveriam ser ponderados critérios objetivos e concretos de mensuração das dinâmicas. Eu também não concordaria com a assertiva de que os militares brasileiros discrepam dos seus homólogos latino-americanos. Fora os venezuelanos, que passaram por um processo que começou antes do chavismo e que se tornaram efetivamente bolivarianos, apenas os militares uruguaios e uma certa fação das FFAA argentinas foram capazes de fazer uma autocrítica sobre o passado recente. E ninguém sabe exatamente o quanto essa autocrítica tem de meramente retórico. Os demais são controlados por cooptações circunstanciais e censuras precárias, se é que são controlados (os colombianos muito evidentemente não são, por exemplo)”.14
3 A: Marco Oliveira Borges, 2016. Bibliografia: Antunes 2010; Barendse 2002; Russell-Wood 1998; Van Cleef 1941.
4 Resumen de conceptos de geopolítica: Heartland, Hinterland, Fronteras, Rimland. Contador Público (Uruguay) Darío Aurelio Abilleira Alvarez / 19 julio, 2014. https://estrategiauruguay.wordpress.com/2014/07/19/resumen-de-conceptos-geopolitica-heartland-hinterland-fronteras-rimland/
5 Determinismo Geográfico, Espacio Vital o Lebensraum; conceptos que en Geopolítica implican que un Estado para asegurar su existencia debe disponer de suficiente espacio para atender sus necesidades (relación espacio/población). Contador Público (Uruguay) Darío Aurelio Abilleira Alvarez / 21 junio, 2014. https://estrategiauruguay.wordpress.com/2014/06/21/determinismo-geografico-espacio-vital-o-lebensraum-conceptos-que-en-geopolitica-implican-que-un-estado-para-asegurar-su-existencia-debe-disponer-de-suficiente-espacio-para-atender-sus-necesidades-r/ . https://brasilescola.uol.com.br/geografia/friedrich-ratzel.htm .
7 LADISLAU DOWBOR. A REPRODUÇÃO SOCIAL. (Edição em três volumes, revista e atualizada) . I - TECNOLOGIA, GLOBALIZAÇÃO E GOVERNABILIDADE São Paulo, Fevereiro de 2001 . http://dowbor.org/artigos/01repsoc1.pdf .
8 UNESP, 2004
11 O tecido social (ou quem paga o pacto?); 04 MAR 16; NOVIDADES / POLÍTICAS PÚBLICAS. BLOG DO MILTON REGO. Presidente executivo da Associação Brasileira do Alumínio . http://blogdomiltonrego.com.br/o-tecido-social-ou-quem-paga-o-pacto/ . https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNZpst5zZr0nNjGIl5pabCivfzcBzSSEAZIyVBVKZeReaTSAGFdR_bqq-W4UVwbHA1LQLiQHV3wE93MarzCiNVNIFvIalfU1pB6jkwDNnh-HYIiXqCkPK16M9inzt_WPdhdvUs9oa-eamW/s1600/tecido+social.jpg .“Tivemos todos os motivos para esquecer o ano que passou (2016) e festejar o ano novo (2017), mas parece que o ano não acabou, seria apenas uma desastrosa segundo versão do "Annus horribilis" que encerrou em 31 de dezembro. Eu me lembro de que quando estava na universidade (meio e final dos anos 80) quando ouvi a expressão de “esgarçamento do tecido social” que era utilizada para refletir que os índices crescentes de exclusão social estavam destruindo a possibilidade de uma sociedade sustentável. A imagem de “tecido” é muito interessante já que os membros da sociedade estão ligados de forma múltipla (como os fios do tecido) pelas cidades, trabalho, educação, valores etc. O oposto disso é o “cada um para si” onde os fios vão se separando e o tecido se “esgarça”. Sim, eu estudei Sociologia e Filosofia em meu curso de Administração de Empresas, assim como tive, quem é dos anos 80 vai entender, Estudos dos Problemas Brasileiros como cadeiras obrigatórias a todos os cursos e universidades (eram duas). Voltando ao nosso ano, visualizamos muitos "hematomas sociais" derivados de nosso papel de "juiz sumário", onde tornamos posição e cobramos justiçamento para delitos graves. Perdemos a capacidade de abstração e pelas dores sociais que carregamos, exigimos soluções rápidas e definitivas, esquecendo que somos todos atores na sociedade que construímos, somente vendo nossa versão dos fatos, agindo de maneira restrita às nossas verdades. Não queremos "ventos da mudança" que não nos beneficie e apenas à aqueles que compartilhem nossa opinião. Os recentes fatos de troca de prefeitos mostram que a justiça social é cega, obtusa e vingativa, como o caso de uma prefeitura do Estado de Tocantins, que não deixou nada registrados sobre atividades, mobiliário, senhas de computadores, tudo porque a prefeita não tinha sido reeleita e decidiu "vingar-se" da população. E isto sem falar do massacre da prisão no Amazonas, das rebeliões e motins pelo Brasil afora. Enquanto as "dores sociais" causados pelos "hematomas" falarem mais alto, nada parece plausível de ser feito? Ou os atores desceram de suas "togas" para arrumarem a bagunça? Fica a dúvida.Esgarçamento do tecido social e a barbárie. by - Geraldo V Laps on - Janeiro 04, 2017. http://rsemfoco.blogspot.com/2017/01/esgarcamento-do-tecido-social-e-barbarie.html . https://plus.google.com/+GeraldoVLaps .
12 Anomia. Uma anomalia social. Publicado em 05/06/2018 - 00:00 Circe CunhaÍntegra. ARI CUNHA. Visto, lido e ouvido Desde 1960. com Circe Cunha e Mamfil. colunadoaricunha@gmail.com ;http://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/anomia-uma-anomalia-social/ .

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